Fairy Tail: Operation Fairy Back
8 Capítulo 8 – O problema de Cana e a Custódia de Lucy.
Notas iniciais
~~~~~~~~(London Hotel, Inglaterra) ~~~~~~
Era mais uma manhã ensolarada no quarto em minha suíte especial do hotel, despertava lentamente do meu sono e me remoía como uma barata tonta na cama, assim me espreguiçando aos poucos. Caminhei até o banheiro, limpando os olhos com as costas da mão e bocejando. Não dava para acreditar que outrora, fiquei sob a custódia do maior serviço de inteligência de Londres e quase fui parar atrás das grades por ter me envolvido – sem saber – em uma de suas operações, e acabei por fim estragando as coisas. Algo que sempre faço, um mau hábito que adquiri com o passar do tempo. Infelizmente.
Olhava de relance pelo reflexo da minha imagem no espelho, e podia vislumbrar a figura de uma esbelta mulher de cabelos loiros e olhos castanhos perolados. Um pequeno rabo de cavalo no lado direito da cabeça e os cabelos soltos, bagunçados, pois tivera uma noite agitada e um sono um tanto conturbado. Com isso, entendam: “Pesadelos”.
Resumidamente, eu via cada pessoa importante na minha vida me rejeitando e virando as costas para mim. Como se estivessem me abandonando, por ter se decepcionado com minha pessoa em particular. Deixei uma lágrima escapar pelos olhos, enquanto realizava a higiene bucal com uma escovinha pequena e creme dental. Mas os meus dias de azar estavam para mudar, e logo mais iria me encontrar com um certo alguém que ficou designado para cuidar do meu caso, até que o diretor de MI-Fairy profira sua decisão quanto ao que fazer comigo. Haja visto que tenho habilidades únicas, além de acumular certa experiência de campo em combate.
Tudo bem que da última vez, levei um sacode de um elemento problemático e que me revelou ser um espião. Por que será que todo homem em minha vida que me envolve em problemas, sempre consegue escapar ileso e no fim, confessa que só armou toda aquela confusão por fazer parte de um serviço de inteligência? É algo que me intriga no final das contas. Acho que em minha testa deve estar gravado: “Lucy a otária alvo dos espiões”.
Mas que ódio estou sentindo. Mal consigo descrever em palavras essa sensação de revolta. Frustrada, ao terminar de escovar os dentes, fui para a sala e me deparo com um amplo espaço bem iluminado. À minha direita estava uma smartv 43 polegadas ligada e exibindo o canal de notícias 24 horas, muito famoso em toda a cidade. A WEV TV, sigla de Witchies EleValue TV.
Elas são oficialmente o primeiro canal a ter sua staff composta inicialmente por mulheres jovens, e posteriormente, abriram espaço para o público LGBTQIA+. A audiência deles é uma das mais impressionantes em termos gerais, li muito a seu respeito durante minha viagem até à cidade e admiro muito a personalidade da líder do atual projeto político Womans In The Street. Basicamente, a proposta é ouvir as vozes femininas silenciadas pela opressão do patriarcado e expor toda a podridão desse sistema nefasto.
Por isso, um pouco antes de chegar à cidade, decidi eu mesma enviar um currículo e cheguei a ser aprovada no exame de pré-seleção. Embora os eventuais acontecimentos no banco tenham atrapalhado um pouco, os desdobramentos do caso chamaram a atenção do alto escalão da empresa e recebi o convite para participar de uma entrevista com ninguém menos que Felícia B. Harvey. Uma repórter de renome que ficou famosa após divulgar ao mundo, o caso de assédio envolvendo um parlamentar e três assessoras. Tal fato culminou na perda de seu mandato,e, consecutivamente, em uma condenação de 15 anos em regime fechado e uma quantia apreciável de indenização por danos morais por parte do réu.
Bom, parece que Vegas não é a única cidade no mundo que nunca dorme. Mas retomando o raciocínio do ponto onde nos desviamos. No espelho podia notar minhas curvas acentuadas que fazem jus a uma modelo e os meus fartos seios, reparava também no pijama rosa que estava trajando. Ele tinha detalhes como um desenho de pequenos dragões cuspindo chamas. Além de um par de chinelos plumados feito de couro bem macio. Comecei a me despir, peça por peça, e após fazer minhas necessidades.
Entrei no box, ajustei a temperatura do chuveiro e liguei no modo “morno”. Após finalizada minha higiene corporal, me enrolei na toalha e caminhei despreocupada pela área da sala que dava acesso à cozinha e também à varanda. Foi então que, me deparei com duas figuras para lá de zombeteiras que de alguma forma, conseguiram invadir minha suíte e cujos rostos eram cobertos por uma máscara improvisada feita de saco de batatas. Ela tinha um desenho bem sinistro nos olhos e contornando a boca, era como um sorriso diabólico.
Eram dois elementos de alta periculosidade, algo que só viria a descobrir mais tarde. O primeiro aparentemente era um rapaz jovem, com uma musculatura definida e o segundo tratava-se de um bichano alado de pele azulada. Não conseguia deixar de reparar em suas pequenas asas nas costas do animal voador. Os recebi de imediato com um grito:
– Kyaa! Socorro!
Eles deram boas gargalhadas pela situação.
– “Já sei!”– Pensava rapidamente em uma solução para aquela ocasião.
– Abra-te portão do Touro, Taurus! – Evocava o espírito celestial do touro do mundo dos espíritos, entretanto, não houve nenhuma resposta.
Taurus por alguma razão que desconhecia ou pouco me recordava, não respondeu ao meu chamado. Foi então que me lembrei que minhas chaves foram confiscadas pela inteligência e estava sozinha em casa. Com dois meliantes bem à minha frente. Então, entrei em posição de combate, aprendi a me virar diante desses casos e logo iria neutralizar aquelas ameaças. Avancei rapidamente em direção ao sujeito, dei um salto e desferi um chute em seu rosto. Mas ele aparou o golpe com facilidade, me segurando de cabeça pra baixo e – acidentalmente – a toalha acabou caindo, e os dois idiotas puderam me ver como Deus me enviou ao mundo. Completamente nua.
– Boo! Hahaha! – Dissera o primeiro da dupla de invasores caindo na gargalhada. Sem se importar com a vista para o paraíso entre minhas pernas.
– Natsu, olha, ela está pelada. – Comentou o bichano azulado. Sua cauda balançava para um lado e para o outro.
– Eh, e o que que tem demais nisso, Happy? – Respondeu o rapaz em tom natural, sem demonstrar preocupação.
– Onegai! Podem levar o que quiserem, mas me deixem ir. Onegai! – Suplicava, então o jovem me soltou e cai de cara no chão.
Eles retiraram suas máscaras revelando o seu rosto, e aos poucos fui me recompondo e me enrolei na toalha novamente. O bichano já o tinha visto em outra ocasião, por isso seu ver o seu rosto não me era estranho. Já a figura do jovem de cabelos rosados que o acompanhava, por outro lado, eu não fazia ideia de quem se tratava. Até que me defrontei com a marca de uma certa guilda arruaceira e também símbolo do braço divisório do serviço de inteligência britânico MI-5, que se autointitulam MI-Fairy. Dessa forma, comecei a ficar um pouco mais aliviada e respirava fundo à medida que as peças iam se encaixando na minha cabeça.
Me enrolei na toalha novamente, cruzei os braços bufando de ódio enquanto eles me encaravam e fiz naquele momento, o que qualquer mulher em sã consciência faria. Comecei a jogar tudo o que encontrava pela frente naqueles idiotas e os empurrei para fora.
– Ei, ai! Espera aí, Lucy. Era só uma brincadeira. Somos da MI-Fairy e nossa missão é proteg… – O rosado tentava se explicar, contudo, não lhe dava ouvidos.
– Calem a boca, seus pervertidos, miseráveis, idiotas! – Esbravejava trancando a porta com os dois do lado de fora.
Minutos após aquela pequena confusão, havia sobre à mesa da sala um objeto de fina espessura embrulhado e aparentemente lacrado. Já estava mais calma, me deliciando com o saboroso café da manhã, bebia um chá gelado e à minha frente estava um prato com dois ovos, pão torrado e duas linguiças grossas preparadas na grelha. Uma refeição para lá se suculenta e balanceada. Quando terminei o café da manhã, limpei minhas mãos com uma toalha de papel – esta que estava em cima da mesa – e a boca. E por curiosidade, resolvi abrir o misterioso “pacote”.
Tratava-se de um Podmensagem, um aparelho desenvolvido especificamente para comunicação interna entre a base de operações da inteligência e um civil qualquer. Ele era bem pequeno, cabia perfeitamente na palma da minha mão e atingia incríveis velocidades de leitura e gravação.
Pressionei o botão no canto esquerdo do aparelho para ligá-lo e ao iniciar o sistema, ele solicitou minhas impressões digitais para realizar a verificação e análise junto ao banco de dados secreto do governo. Meu ex me explicou tudo sobre a vida de espião, então, meio que estava de alguma forma “familiarizada” com o dispositivo.
A mensagem fora apresentada e a imagem holográfica de um senhor de idade avançada, de baixa estatura e grisalho se aprontou a falar.
Ele pigarreou antes de se pronunciar formalmente e assim, chamando minha atenção:
“Olá, senhorita Heartfilia. Espero que o ambiente em que se encontra agora seja de seu agrado, considere isso uma cortesia pelo seu ato de bravura no nosso teatro de operações naquele banco. E falando no assunto, se estiver vendo essa mensagem, significa que ainda não decidimos o que faremos a seu respeito. Mas muito em breve você será notificada com a decisão final, por isso, não se preocupe.”
“ E tem mais uma coisa, enquanto aguarda sua sentença, você ainda está sob a custódia do estado. O que significa que é nossa responsabilidade mantê-la viva e em segurança. Por isso, designamos os dois melhores agentes da casa para que a vigiem e sejam os seus guarda-costas até que,por fim, a senhorita seja convocada para receber e afirmar o entendimento da sua sentença. Até lá, nos vemos. ” – A mensagem foi finalizada e o aparelho apagou literalmente, saia uma pequena fumaça do seu interior. O que indicava que o aparelho queimou após ter transmitido o conteúdo da mensagem.
Falando em mensagens, o meu celular não parava de tocar e como uma louca tratei de procurá-lo. Segui o som que vinha do quarto, mais especificamente da gaveta do pequeno móvel de madeira ao lado da cama. Tratava-se de uma chamada desconhecida, fiquei apreensiva por um instante e seguindo à risca, atendi e uma voz feminina entoou do aparelho de fina espessura.
– “Alô? Eu falo com a senhorita Lucy Heartfilia?” – Perguntou a voz celestial no smartphone.
– “Não. Quero dizer, talvez. Com quem eu falo?” – Respondi curiosa, com uma voz embargada e tremendo um pouco.
– “Aqui é da Witchies Elevalue, eu me chamo Felicia Beverly Harvey. ” – Se apresentou a misteriosa voz angelical.
Me acalmei por um breve momento, tentando processar todas aquelas pequenas informações até então. Estava recebendo uma ligação direta de uma exímia, talentosa e mega profissional da comunicação. E ela era ninguém menos que uma das figuras importantes pelo sucesso estrondoso da editora, que se tornou um dos grandes canais de notícia da cidade. Era uma honra para mim conhecer alguém como ela, mesmo que à distância.
– “Desculpe pelos modos, senhorita Harvey. Posso te chamar assim? Certo. É um imenso prazer estar falando com você, eu sou fascinada pelo seu trabalho e morro de paixão pelo que o canal vem fazendo pelas minorias dessa cidade. Dando voz e oportunidade para tanta gente que precisa expressar sua opinião. ” – Continuava a rasgar elogios, sem nem perceber o quanto estava sendo uma babona com uma profissional incrível e de excelência.
Ela riu por um breve momento, e rapidamente retomou o raciocínio.
– “Ora, obrigada por isso querida. Pode me chamar de Felícia, pois eu é que estou honrada de conversar com a legítima e única filha da família Heartfilia. Sendo você uma jovem com tamanha grandeza e importância no cenário político atual. Olha, me sinto lisonjeada em receber tantos elogios vindo de uma “princesa”. Ou será que me equivoquei?” – Por fim, ela indagou após retribuir a minha rasgação de seda.
– “Bem. Isso é uma história complicada, embora eu ainda seja realmente descendente de uma família rica. Mas confesso que fiquei meio que de fora na questão da “importância e a nobreza dos negócios da família” ” – Disse para ela abrindo o meu coração, meu tom de voz soou meio estranho, em um misto de tristeza e denotando certa apreensão.
– “Oh, se acalme, senhorita Lucy. Eu não quis abrir nenhuma ferida antiga, sinto muito se causei esse efeito. Na verdade, indo direto ao ponto, caso não se importe. Estou apenas retornando o seu contato com nossa matriz sediada em Londres, e venho lhe trazer boas notícias. ” – Ela informou, sendo simpática e levantando o meu astral, algo que dificilmente alguém conseguiria nesse momento tão delicado.
– “É mesmo? E quais seriam essas notícias? ” – Perguntei com os meus olhos, emitindo um brilho sereno e intenso.
– “Nós avaliamos o seu currículo, e visto os últimos acontecimentos.. Minha nossa, você é mesmo uma figura, cara. Falo por toda a equipe que estamos impressionados com sua energia, a experiência prática e a entrega que demonstrou ao enfrentar aquele criminoso grandalhão no banco. Acho que nunca tivemos alguém em nossa equipe com habilidades tão excepcionais. Meus parabéns senhorita, Lucy. Você ultrapassou uma lista longa de candidatos em potencial no nosso banco de dados, e chegou ao topo dela. Agora, nossas atenções e interesses particularmente estão voltados especialmente para o seu perfil. ” – Felicia aos poucos me anunciava algo que provocaria uma reviravolta em minha vida agitada, acho que vocês aí em casa já puderam ter uma ligeira noção.
E o que viria a seguir é o que me deixaria ainda mais intrigada.
– “Por isso, a selecionamos para uma entrevista integral na nossa sede e, eu não aceito um “não” como resposta. Lucy, queremos o seu talento somando forças na nova equipe que estamos montando e sob a minha tutela, desejo solenemente ajudá-la no processo de se tornar a próxima liderança influente na comunicação. Isto é, se estiver disposta a deixar de lado essa sua “vida de vigilante” para se dedicar inteiramente a nossa empresa e focar na árdua jornada que irá enfrentar ao nosso lado. O que acha? Podemos agendar sua entrevista agora, ou prefere pens…” – No fim, ela me indagou ao lançar aquela notícia bombástica bem nos meus ouvidos, palavra por palavra, sem deixar escapar nada.
Não é à toa que ela é conhecida como: “A explosiva e exclusiva Felícia!”.
Foi um tiro quase certeiro, eu diria. Se não fosse pelo meu receio de ter que abrir mão de tantas vidas inocentes, pensava em quantas pessoas fantásticas conheci durante minhas viagens ao redor da Europa, cada lugar incrível, por mais exótico que sejam alguns costumes, me encantam. Me questiono lá no fundo até os dias de hoje, se eu tivesse respondido conforme o esperado, que tipo de pessoa eu teria me tornado?
O silêncio perdurou por um longo tempo enquanto a chamada estava ativa, entretanto, por razões que só saberia algum dia. A ligação caiu, com isso meu mundo de sonhos e aventuras fabulosas foram junto. Uma lágrima escapou dos meus olhos, começou a escorrer pelo meu rosto, estava debruçada sobre a cama pensando no que deveria ter dito e nenhuma resposta coerente me vinha à mente. Nunca fui boa em dar desculpas, tampouco era uma pessoa que nega uma grande oportunidade quando esta se apresenta de tal maneira na minha frente.
Escutei algumas batidas na porta da sala, não fazia ideia se era do serviço de quarto ou eram aqueles dois idiotas que outrora invadiram a minha suíte. Abri o armário, por sorte, encontrei algumas roupas que me serviram bem e comecei a me vestir. Trajava agora uma camisa preta com o símbolo de uma guitarra e a face de um diabinho com alguns pregos incrustados, escrita: “Welcome To Phantom Lord”. Sabe-se lá o que aquela frase realmente significava, não me importei com o detalhe. Ainda calçava uma saia curta, cobrindo as minhas coxas torneadas e medindo até a altura do joelho.
Nos pés calçava um par de botas de cano alto; por sobre a cabeça um chapéu de vaqueira, esta vestimenta que cobria minha cabeça encontrava-se entre muitas peças esquisitas do gênero dentro do armário. E ao abrir a gaveta, encontrei um bigode postiço, logo o colei debaixo do nariz e por fim vesti uma jaqueta xadrez de coloração vermelho e preto.
Acreditava que com aquele disfarce fajuto, conseguiria escapar daquela dupla de estranhos espiões. Isso, posto que eles não aparentavam ser lá muito inteligentes. Comecei a ensaiar e adotar uma postura mais máscula. Até que, por fim, chegou o momento de testar minhas recém adquiridas habilidades.
Abri a porta da frente, meus olhos foram de encontro ao do sujeito de cabelos rosados. Ele estranhou, a princípio, a figura que acabara de deixar a suíte. Passei calada bem na frente deles e caminhei em direção ao elevador que ficava a poucos metros, estava quase chegando lá, quando de repente, ouvi a sua voz ecoando no corredor.
– Espere aí, eu conheço esse cheiro… Ahh! Pare, Lucy! – Advertiu o rosado, mas nem sequer o escutei.
Assim que pressionei o botão do elevador, as portas de aço reforçado se abriram e até onde sei elas são à prova de balas. Adentrei no interior do lugar, pressionei o botão do térreo e antes que o rosado e o seu bichano de estimação pudessem me alcançar. As portas se fecharam, e ele começou a descer andar por andar. O problema é que o rosado era um cara insistente, quando pensava ter me livrado dos dois.
Eis que ouço um estrondo vindo de cima, era o som de uma explosão e antes de chegar ao meu andar aqueles dois conseguiram me alcançar. Entrei em pânico, não sabia o que fazer, o espião começou a abrir o teto como se fosse uma lata de sardinha usando algum tipo de maçarico. Até que me dei conta de que eram suas mãos envolto de chamas. O que significa que assim como eu, ele também é um mago experiente e para piorar minha situação sua magia envolve o elemento do fogo. E o mago espião sabia usá-la com maestria.
Apertei o botão com o símbolo do telefone, uma voz se enunciou da saída do alto falante embutido no painel.
– “Central, qual a sua emergência? ” – Perguntou a voz feminina da atendente.
Pensei por um momento no que ia dizer, pois estava em maus lençóis e não queria prejudicar demais o trabalho do pobre rapaz. Mas precisava de algo para esfriar os ânimos acirrados dele, se quisesse escapar e, não ficar trancafiada como um rato em uma gaiola.
– “Rápido, há um incêndio na parte superior do elevador. Preciso de uma solução imediatamente!” – Expliquei a falsa situação de forma convincente à operadora.
– “Muito bem, se afaste um instante, estamos acionando a resina cristalizadora congelante agora. ” – Pediu a voz da operadora.
Me afastei, o painel se abriu para o lado e revelou um tubo extensível que imediatamente liberou a tal resina cristalizadora. O que atingiu em cheio o rosado, paralisando os seus movimentos e criando uma camada de cristal de gelo. Algo totalmente eficaz no combate a incêndios, e sobretudo, na neutralização de magos de fogo.
– “Obrigada!” – Respondi e aguardei finalmente chegar no térreo.
– Até mais, bakas! – Disse mostrando a língua para o gato azulado com asas e o picolé de rosado.
– Natsu, ela está fugindo! O diretor não vai gostar disso. – Comentou o bichano.
O rosado apenas rosnou e tentava se livrar de toda forma de seu confinamento. Mas fora em vão até então, suas tentativas frustradas não surtiam o efeito desejado. Deixei de lado o bigode e segui correndo para fora do elevador. Enquanto certos olhares de espanto e confusão dos demais hóspedes que aguardavam aquele elevador, se amontoavam e olhavam curiosos para o estrago que aquele idiota havia causado.
– Lucy, a gente só quer te proteger. Não precisava agir assim com o Natsu! – O bichano azulado implorou de forma dócil e gentil, com aqueles grandes olhos marejados em lágrimas, o que me fez por um instante repensar os meus atos.
No entanto, agora já era tarde para me desculpar. Tudo o que mais queria era sair de lá, e não me enrolar em mais problemas. Até que ouvi outra voz me chamando, era um mensageiro do hotel e ele trazia em suas mãos um envelope lacrado.
– Senhorita Lucy, espere um momentinho. Aqui está o seu cartão do banco, chegou de manhã cedo e, como a senhorita ainda estava dormindo… – Ele me entregou o envelope, o agradeci e deixei o hotel pela porta da frente.
No caminho indo para algum lugar, rasguei o envelope e segui as instruções da carta para efetuar o desbloqueio do plástico através do app do banco. Logo em seguida, ao realizar com êxito o procedimento, consultei meu saldo e para minha surpresa tinha 50 mil euros disponível para usar. Não pensei duas vezes, pesquisei no buscador online por um pub ou qualquer tipo de estabelecimento que servisse bebidas alcoólicas, junto com uns petisquinhos para dar uma beliscada. Mas precisava ser discreta, não poderia chamar demasiada atenção ou acabaria mais uma vez me envolvendo em sérios problemas. E estando sem minhas chaves para resolver, a única opção que me resta é a boa e velha briga “na raça”.
Entretanto, todavia, não devo passar dos limites hoje. É o que eu espero pelo menos, né?
~~~~~~ ( 1 Hora Depois…) ~~~~~~
Já estava acomodada no assento confortável daquela espelunca, mal iluminada, tocando o som de um cantor amador que fazia covers das canções famosas do Pinky Floid. Era uma loucura aquele ambiente, as pessoas estavam mais agitadas que o normal e eu contrastava com aquela bagunça entrando no coro da “festa”. Enquanto um rapaz esbelto de cabelos azuis, tentava me tranquilizar e me manter distante da confusão. Isso, enquanto uma certa mulher de aparência jovial e albina, trajando uma camisa de gola alta branca abotoada bem justa, mostrando o seu decote e uma saia preta curta que revela suas coxas torneadas. O encarava com um olhar sedutor e mexia no seu óculos, à medida que tentava não transparecer os ciúmes que sentia pelo fato dele agir como um bom cavalheiro.
Havia enchido a cara, de todo tipo de bebida alcoólica da boa que se encontrava por lá. As maçãs do meu rosto ficaram vermelhas, ao passo que cambaleava para lá e pra cá ao tentar ficar de pé. Balbuciava uma série de palavras sem sentido algum. Sentia que a qualquer momento iria desabar. Até que a figura de uma esbelta mulher morena, de cabelos cacheados começou a se aproximar e se sentou logo ao meu lado.
– Vai com calma aí, amiga. Se zerar o estoque, euzinha aqui ficarei sem bebidas. – Comentou sutilmente a morena, mais preocupada com o fato da casa não poder mais servir algo para saciar seus desejos de ébria. Do que mostrar um pouco de empatia para com uma jovem atravessando sérios problemas emocionais. – E se isso acontecer, acho que terei de encontrar outra forma de diversão. Se é que me entende, né? – Por fim, ela deu uma piscadela e abriu um sorriso radiante, enquanto seu olhar mareja em chamas do mais profundo desejo de ter uma relação complicada comigo.
Retribui o sorriso, mas com um falso e demonstrava uma expressão azeda no rosto. Rejeitando aquela ideia completamente. A morena riu descompassadamente. E me deu alguns tapinhas nas costas.
– Vamos lá. Garçom, por favor, sirva outra rodada de Whisky e Martíni Duplo, com Vodka, Gelo e Limão. Tudo bem batido para mim e também para minha nova amiga aqui. – Pediu a morena, sem pudor com o nosso fígado, abrindo um leque de notas de cem euros em cima do balcão.
– Cana-San, vá com calma, desse jeito irá atrair muita atenção. – Advertia de longe a albina, falando através da escuta no ouvido dela.
– Calma aí, Strauss. Eu não tenho culpa que você e o “sr.seugostosudo agente duplo” tenham procurado fazer as pazes de um jeito mais íntimo, enquanto eu estava ralando naquela missão de recaptura. Lembra? Além do mais, só estou segurando sua barra porque somos boas amigas e isso até a Erza chegar. Depois disso, a decisão é toda dela, e só polamento r isso. Não há nada que eu possa fazer a esse respeito. – Argumentou a Morena Cana, esboçando um sorriso malicioso e voltando os seus olhos para mim. – Agora, se não se importam, eu tenho os meus demônios para exorcizar. – Por fim, ela comentou estalando os dedos e envolvendo os braços no meu pescoço.
– E então, loira, me diga uma coisa: de onde você é? Acho que nunca te vi por essas bandas. – Perguntou a morena, puxando assunto.
– Hã? Como é? Eu sou só… uma estranha. – Respondi com certa frieza, tentando não embarcar no clima de alegria dela.
– Ok. Senhorita, estranha. E o que lhe trouxe até essa cidade grande? – Indagou a ébria, fitando o meu rosto com serenidade.
– Ah, particularmente nada demais. Só estava de passagem, quando acabei me metendo em confusão. – Resumi parcialmente os fatos, tentando omitir certos detalhes embaraçosos.
Ela riu sarcasticamente e juntas tomamos um drink.
– Soube que se meteu em uma encrenca cabeluda. Mas você está bem agora, não é?
Naquele momento, comecei a pensar e refletir aquela pergunta dela, enquanto me embriagava cada vez mais.
– A-acho que sim. – Respondi a ela, minha cabeça girava e minha respiração acelerava.
– Ei seus bocós, escutem! O próximo brinde será para minha parceira. A senhorita estranha, viva a estranha! – Ela brindava chamando atenção dos presentes,e os fazendo entrar no coro momentâneo. As maçãs do meu rosto estavam coradas, mal dizia coisa com coisa e em dado momento acabei indo ao chão.
Ainda podia escutar as boas risadas que o povo dava daquela situação. Ainda sentia que alguém me puxava para um canto e me apoiava com jeito em alguma coisa dura. Foi então que abri os meus olhos lentamente, e me deparei com a figura de um esbelto rapaz de cabelos rosados e que me carregava em suas costas malhadas.
– Tudo bem, Lucy. Eu te levo pra casa. – Ele falou calmamente, esboçando um sorriso confiante no canto de seus lábios e tal gesto me fez o encarar com outros olhos naquele instante.
Embora ele fosse um esquisitão, ridículo, idiota que mais cedo ousou tocar no meu corpo desnudo. Agora, ele transmitia toda tranquilidade e segurança que uma mulher precisava nessas horas complicadas. Não tinha como simplesmente rejeitá-lo ou negá-lo, o rosado sabia mesmo como domar uma fera selvagem.
– Tsc, Natsu. Você é um estraga prazer, sabia? – Esbravejou a morena Cana.
– Natsu, não deixe ninguém se aproximar dela até que o diretor tome uma decisão. – Relembrou a albina, a miss Jane.
– Hai! – Ele respondeu.
– Vamos depressa, Happy! – Anunciou o rosado.
– Aye, Sir! – Enunciava o bichano azulado, Happy.
Então, eles partiram de volta para minha suíte no hotel. A morena cana, por sua vez, pagou a minha parte da conta e esboçou um sorriso de satisfação no rosto.
– Ai, meu pai. Em pensar que eu poderia ter perdido a mulher da minha vida para essa… cachaceira. – Comentou o garçom, o rapaz de cabelos azulados.
– Ara, então quer dizer que eu sou a mulher da sua vida é? – Perguntou a miss jane, as maçãs do seu rosto estavam coradas e ela fitava a face jovial do rapaz de cabelos azulados, que ao perceber o comentário ficara encabulado e sem palavras. – Bem, eu, quero dizer…
– Argh! Por favor, Strauss, Dawnford, não estraguem esse meu momento precioso com a babação de vocês. – Resmungou Cana, pedindo mais uma bebida e virando tudo dentro.
De repente, um homem alvo de cabelos escuros se aproximou de Cana e ao se deparar com a morena dando “sopa” no balcão. Não pensou duas vezes, retirou o seu inseparável chapéu de Cowboy e sentou ao seu lado, apoiando sua mão com sutileza atrás das costas dela. Ela dirigiu seu olhar para ele, ficando sem reação ao ver o sorriso largo de ponta a orelha que o moreno abriu ao vê-la. Dessa vez, sem que percebesse, as maçãs de seu rosto ficaram avermelhadas e seu coração palpitava forte. Ele trajava um terno que por supunha era caro e ostentava um distintivo no peito escrito: “US Marshall”, sem temor do ambiente em que se encontrava, repleto de criminosos asquerosos e gente que só procura se divertir; sem se importar com a ficha criminal de seus parceiros. De certa forma, sua presença ali era indigesta e intimidava qualquer idiota que ousasse se aproximar da dama ébria de cabelos cacheados. Em conjunto,uma calça feita de um tecido fino contrastando com o terno e um par de sapatos feitos de couro macio.
– Já faz um tempo, não é mesmo, Cana? – Perguntou o misterioso moreno.
– Yoh, você… – Dissera Cana, surpresa ao vê-lo.
Logo, ele retira um par de algemas do bolso de sua calça e prende os seus braços.
– Cana Alberona, em nome do condado de Hood River, Oregon, você está presa. Tem o direito de permanecer calada, tudo o que disser pode e será usado contra você perante o júri. Você tem direito a um advogado, caso não possa pagar, o estado providenciará um defensor público para atender a sua causa. Você entende seus direitos? – Ele lhe dava voz de prisão, por fim, lendo seus principais direitos.
– Mas espere aí, qual é a acusação? – Questionava a Miss Jane, a agente que cuidou do meu interrogatório.
– Está sendo detida sob suspeita de cumplicidade com o criminoso foragido e, conhecido por sua alcunha de Ilusionista dos Cassinos.
– Espera aí, senhor Yoh. Deve estar havendo alguma confusão. A Cana jamais se envolveria com um criminoso desse cacife, senhor. – Defendia o garçom de cabelos azulados, o agente Yuu que também fora responsável pelo meu interrogatório.
– É Marshall. E não há nenhuma confusão, nossas investigações nos levaram até ela, e tenho certeza de que não irá negar o seu envolvimento com um ex-oficial de nome Grant.
– Olha, Marshall, a Cana é minha amiga desde pequena. Eu saberia, ou ela me contaria se estivesse com alguém que temos procurado há vários anos junto com as autoridades do seu país. – Protestava a Albina, ainda tentando justificar as alegadas ações que implicam sua melhor amiga.
– Strauss, Dawnford,Yoh, por favor. Já chega. – Pediu a morena Cana cujos olhos estavam cobertos de lágrimas e ela soluçava à medida que tentava dirigir a palavra aos seus companheiros. – Me leve embora logo, Yoh. Eu confesso tudo o que quiserem saber sobre ele no tribunal. – Ela concluiu, se levantando e sendo guiada pelo Marshall até o seu carro descaracterizado.
Aquele dia foi o mais louco e cheio de reviravoltas que já ouvi falar. Por um lado ainda estou sob a custódia do estado, sendo vigiada por dois agentes problemáticos. Por outro lado, a minha companheira de bar recém conhecida, aparentemente está em uma enrascada e, dependendo do que ela revelar sobre este caso, isso pode comprometer todo o seu futuro e custar sua reputação na MI-Fairy.
Como esse caso vai se desenrolar? Vocês podem continuar acompanhando no próximo capítulo que vos escreverei. Até lá, beijinhos da Lucy.
Fim do Capítulo 8.
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