Fairy Tail: Operation Fairy Back
5 Capítulo 5 – O Dia do Fracasso Ato II (A Fuga Improvisada)
Notas iniciais
~~~~~~~ ( Londres, Capital da Inglaterra – Sede da Mi-Fairy ) ~~~~~~~~~
POV Mira:
Já havíamos iniciado as buscas pelo garoto, fazia cerca de meia hora que não encontramos nenhum vestígio de seu paradeiro e ficava cada vez mais difícil,- principalmente dado o meu delicado estado de saúde - me manter concentrada. No entanto, não demonstrava aparentemente qualquer sintoma que pudesse me “entregar” e dessa forma, atrair as atenções das equipes que devem permanecer focadas em localizar este elemento. Quanto mais o tempo passava, e eu reparava, mais me sentia distante vagando por aquele ambiente. Yuu e Jura estavam com os ânimos acirrados, cada um à sua maneira preocupados com o possível desfecho desse caso e procurando uma solução adequada para lidar com o “problema”, sem que o diretor e mestre saiba.
De repente, me senti um tanto fraca e com minhas pernas trêmulas, quase me fizeram desabar em cima da equipe inteira de cybersecurity. Se não fosse a rápida intervenção e amparo dos braços fortes de Yuu, que notou a minha mudança de expressão, e agiu rapidamente me segurando pelos quadris, impedindo que o pior tivesse acontecido. Ele não era tão idiota, em se tratando de lidar com mulheres passando por alguns apuros, afinal de contas. Salvou minha vida mais uma vez, mais uma história para ele contar aos seus futuros filhos.
– Tudo bem aí, parceira? Precisa de ajuda? – Ele me perguntou, procurando me tranquilizar e, mudou o seu tom de voz ao falar aquilo. Por um momento, isso me lembrou daquele sujeito e logo recobrei a consciência. Assim retomando as rédeas da situação.
– Não se preocupe. Isso foi só um deslize, não vai mais acontecer. – Respondi dando uma risada boba, porém falsa. Sabia que precisava me cuidar melhor e, evitar tamanha pressão. Pois não estava 100% desde que aquela bomba explodiu, e o mundo inteiro desabou sobre mim.
– Senhorita Strauss, está mesmo tudo bem? Não quer consultar um médico? – Indagou Jura, franzindo o cenho e me encarando por um tempo.
– Sim, acho que é só o stress dada a situação delicada em que nos encontramos.Além do mais, seria muita irresponsabilidade minha deixar vocês, um subordinado e um superior responsável na mão. – Respondi, esboçando um sorriso singelo e encantador. Demonstrando firmeza na minha posição. Logo retornando minhas atenções para as telas dos monitores de vigilância.
– Parceira, não se cobre tanto. Lembre-se que o senhor Jura e eu também estamos à frente dessa operação. – Pediu encarecidamente Yuu, tentando atrair um pouco da responsabilidade para si. Não sei ao certo se estava tentando mostrar ao Jura, de que era capaz de resolver aquele problema e, dessa forma, tranquilizá-lo. Ou se era algum jeito curioso que descobriu para me impressionar.
Seja como for, precisava reconhecer os seus esforços, e talvez não cobrar tanto dele. Afinal, Erza e eu particularmente, decidimos e nos empenhamos bastante em torná-lo um agente excepcional da MI-Fairy. Mesmo sabendo disso, estou sempre o mimando demais, não dando oportunidade para que ele se mostre como um verdadeiro profissional, e talvez por isso também me sinta culpada pelo fato dele se apegar demais a minha pessoa. Depois do meu irmão, ele é o único homem que teve a sorte, ou azar, de se envolver diretamente com o meu mundinho louco e não se afastar. Não posso negar que isso lhe atribui alguns créditos extras comigo. Fato irrefutável. Contudo, ao menos por enquanto, não posso me dar o luxo de retribuir a esse sentimento confuso, embora explícito por parte dele. Yuu é o homem que consegue me balançar toda, às vezes me leva a loucura, por sempre estar se metendo em algum problema ou comprando uma briga daquelas, sem a menor discrição. Uma característica que só observei no Natsu, aquele cabeça-oca, mas ele é alguém que no fundo tem um bom coração.
Já o Yuu é um cara educado, por vezes disparado, absenteísta e contumaz. Só Deus sabe, onde diabos ele se mete nas horas vagas, pois detesta ficar em redes sociais, recebe ligações estranhas e as atende no caminho do trabalho designado. Algumas vezes já o vi com muitos machucados, mas ele tem um álibi forte para cada situação específica que ocorra com ele. Ainda não consegue ficar longe do seu antigo trabalho no Pub, e o usa como seu disfarce particular. Embora acredite que ele não precise mais disso, ele discorda com veemência e defende com unhas e dentes de que quer ficar próximo das pessoas inocentes. Só não compreendo de onde vem todo esse senso de heroísmo, não discordando de suas razões, claro.
Mas creio que lhe falte amadurecer em certos conceitos, se quiser se tornar um agente incrível e me fazer repensar acerca da sua conduta de espião. Também é fluente em línguas estrangeiras, passa horas lendo ou assistindo programas a respeito da cultura de outras nações. Segundo ele, o Brasil é o país que mais lhe impressiona não só pela miscigenação dos povos, como sua música é encantadora, a culinária principalmente a nordestina lhe é uma tentação e isso sem falar no famigerado futebol brasileiro. Ainda tem as belas praias do Rio de Janeiro e o Carnaval, que ao que parece trata-se de um evento nacional de grande repercussão midiática. Eu, por outro lado, acabei me acostumando com os costumes e a cultura do povo britânico. Não me vejo curtindo as férias em um país, cujos índices de criminalidade são altos e as autoridades competentes fazem pouco caso da situação.
Enfim, voltando ao assunto. Não havia sinal do garoto em nenhuma parte do prédio, pelo que as câmeras conseguiram registrar. Mas, cedo ou tarde, ele irá aparecer. Nossa equipe de buscas estavam apostos, vasculhando cada sala em cada andar diferente e não deixando nenhum detalhe escapar. Cana e meu irmão, Elfman, seguiam pelas escadas junto de um pequeno efetivo de 10 homens, equipados com câmeras infravermelho e lanternas. Também estavam munidos de armas de choque, a ideia é neutralizá-lo assim que o encontrarmos e o seu interrogatório será conduzido dentro da ala hospitalar. Isto é, quando ele se recuperar da eletrocução. As ordens são para evitarem o uso da força letal, e só iremos disparar caso ele ofereça alguma resistência e não se renda às ordens de se entregar.
– Escuta Yuu, se por um acaso quiser se afastar desse caso, eu vou entender. Não será nada fácil acalmar os ânimos desse garoto, talvez as imagens que possamos ver sejam um pouco fortes e tudo bem, não querer carregar mais um peso na consciência quando isso acontecer. E se acontecer. – Esclareci, na tentativa de fazê-lo desistir, mas o que estava para ouvir iria mudar completamente minha percepção sobre o foco dele em tratar a questão.
– Parceira, eu não me importo se o trabalho de agora em diante será mais fácil ou mais difícil. Não aceitei entrar para essa casa, pensando que as coisas seriam melhores ou muito diferentes do que estava habituado. – Começava ele a se justificar para minha surpresa. – Eu entrei porque teria a oportunidade de aprender com os melhores, e principalmente, imaginava um dia poder estar ao seu lado e podermos enfrentar grandes desafios juntos. – Continuava ele a dizer aquelas palavras tão doces e delicadas, que me tocaram de alguma forma. Fitei os seus orbes perolados, enquanto as maçãs do meu rosto coravam.
– E é por isso, parceira. Não, Mirajane Strauss, que eu am… – Por fim, tentava concluir, mas fora interrompido por uma agente da divisão de cybersecurity.
– Chefe Mira, identificamos atividade suspeita no 8º andar. O computador do diretor foi acessado. Mas ainda não temos imagens, de quem acessou, ou o quê está sendo acessado nesse momento. – Explicava a agente da Cybersecurity.
– Nesse caso, utilize o backdoor instalado no sistema do computador. Usando conexão reversa, com sorte, teremos imagens e áudio de dentro da sala. – Ordenei a princípio, mas ela relutou em seguir minhas ordens. – Mas chefe Mira, esse tipo de procedimento está fora dos padrões estabelecidos. Além do mais, é o computador pessoal do diretor, se ele souber que nós quebramos o sigilo…
– Escute. Nossa missão é recapturar o fugitivo a todo custo. Por isso, pare de fazer parte do problema, e deixe que eu assuma os riscos da operação. – Rebati, algo que a fez de pronto imediato obedecer às ordens ,e aos poucos, conseguimos visualizar com maior nitidez os detalhes da sala do diretor.
Logo pudemos ver um garoto esbelto, de cabelos castanhos e orbes perolados cor de amêndoa que batia perfeitamente com as imagens em nosso registro atualizado do banco de dados. Ele estava de pé, digitando alguns comandos na interface do terminal e acessando uma série de arquivos confidenciais, contidos no HD da máquina. Tenho que admitir, que se soubesse o quanto ele se familiarizou rápido com o ambiente do sistema, teria sugerido uma reformulação na equipe de CyberSecurity para incluí-lo como um membro excepcional. Já abrindo uma exceção à regra de contratação de novos agentes.
– Cana, Elfman conseguem me escutar? – Perguntei através do microfone conectado pelo sistema aos seus pontos eletrônicos.
– Mira-nee-san.
– Strauss. Mas que ideia louca foi essa me fazer subir as escadas, e com seu irmão idiota na liderança? Eu é quem deveria ser a líder dessa operação de buscas. – Reclamava a Alberona, a morena e ébria número um da casa.
– Tsc, Cana, por favor. Para essa missão dar certo, precisamos que os agentes estejam sóbrios e lúcidos, além de manter uma boa forma física para perseguir o suspeito.
– Deixa eu te falar, garota. Euzinha aqui resolvi mais casos do gênero no passado, muito antes de você pensar em usar um sutiã nesses seus 88,7cm de bustos. – Respondeu a morena com o ar das graças ao citar esse pequeno detalhe.
– Sério que são só 88,7? Meu pai, e eu imaginando que eram por volta dos 86/93cm. – Comentou Yuu, como sempre, tecendo um comentário inoportuno e me deixando irritada.
De repente, um silêncio sepulcral se formou por todo o lugar e alguém precisava retomar o raciocínio, antes que uma tempestade devastadora assolasse todo o local.
– Bem, agora que o achamos, sugiro que façamos contato e tentemos não criar um clima desagradável para ele. – Dizia Jura, intervindo na situação cirurgicamente, e com uma resposta na ponta da língua.
Procurei me acalmar um instante, estava deixando aquela situação me tirar do sério e Cana sabia melhor do que ninguém, como apertar meu calo. Talvez fosse um erro meu tê-la escalado para esse tipo de missão, ou talvez eu seja o erro em questão. De qualquer forma, agora que tinha sua localização, só o que precisava era enrolar um pouco até minha equipe chegar lá e enfim, neutralizá-lo rapidamente.
– Eu apoio o senhor Jura. Qual a sua decisão, parceira? – Questionou Yuu, com aqueles olhos brilhando. Nem parecia ser o mesmo que fez mais um comentário indecoroso sobre meu corpo. Dessa vez, ele terá de arcar com as consequências.
– Elfman, Cana, o garoto está no 8º andar na sala do diretor. Façam um trabalho limpo, rápido e preciso. – Orientava a equipe de buscas liderada pelo meu irmão.
– Certo, nee-san.
– Ainda estará me devendo uma, Strauss. Melhor preparar minha bebida direito, ouviu?
Removi o fone de ouvido, encostei na parede e respirei fundo por um breve momento. Sabia que os próximos minutos não seriam nada fáceis, por isso, precisava ter cautela e estar atenta a cada movimento. Agora era a hora do tudo ou nada, iria manter a atenção do garoto longe da porta e dos agentes. Logo ele será capturado, e iremos interrogá-lo quanto ao seu envolvimento no assalto ao banco. Embora tenha as minhas ressalvas, não era hora e nem o momento para questionar os procedimentos. Por um triz, não estraguei o interrogatório da Lucy, e agora precisava lidar com um garoto muito esperto e que por ironia do destino, é sobrinho de um mago-santo e meu superior imediato. Tudo estava seguindo conforme o planejado, a equipe de Cybersecurity finalmente conseguiu concluir os procedimentos e abrir um canal de chamadas de vídeo direto do sistema. Jura se inclinou para frente e apoiou suas mãos na mesa, prontamente se colocando a dialogar com o seu amado sobrinho.
– Eustace. O que pensa que está fazendo? – Esbravejou Jura ao indagá-lo.
– Ehh! Tio Jura, mas como você foi parar aí dentro? – Perguntava Eustace, espantado com o que virá.
– Idiota! Essa é só uma janela de conversação do sistema. E não mude de conversa garoto, sabe que está muito encrencado por ter faltado a sua aula de música e ido vadiar na cidade. – Comentou ele, ainda aborrecido e envergonhado com as atitudes do seu sobrinho.
– Mas tio Jura, a culpa não foi minha, os outros garotos zombam de mim o tempo todo e as garotas não param de rir, quando conto as histórias das minhas aventuras no acampamento que o senhor me levou no verão passado. E só piora, quando menciono o seu nome, eles dizem que você é só um grande perdedor que vive às sombras do tal diretor Dreyar. – Se explicava, Eustace, enxugando as lágrimas de seus olhos. O que fez Jura recuar por um instante.
– Está me dizendo que toda essa confusão em que se meteu foi só para provar aos seus amigos da escola, de que eu não sou uma farsa? Mas que loucura é essa, garoto? Não sabe que poderia ter morrido , ou pior, se tornado mais um refém daqueles criminosos? – Confrontou o seu Tio Jura, indignado com as coisas que acabara de escutar de seu protegido.
– Escute aqui, mocinho. Por um acaso faz ideia do quanto nos empenhamos e os custos daquela operação que você, e aquela jovem, acabaram estragando? – Comentei, possessa com o garoto moreno.
– E quem é essa aí, Tio? Não vai me dizer que arranjou uma patroa, enquanto eu estava fora? – Perguntou Eustace, em tom de ironia, arqueando as sobrancelhas sutilmente.
– É claro que não. Essa é a minha parceira incrível e fenomenal, Mirajane Strauss. – Respondeu Yuu, em reprovação à ideia outrora lançada pelo pivete.
– Incrível e fenomenal, é? – Indaguei o de cabelos azulados, sem acreditar em tais palavras que usou para me descrever ao pequeno garoto. Fitava a sua face jovial com admiração e meus olhos ofuscaram um certo brilho. Podia sentir as batidas do meu coração acelerar, enquanto apenas virava meu rosto tentando esconder o coro.
– Nossa, como isso é tenso. Esses dois parecem com um casal lá do meu colégio. – Disse Eustace, em tom de ironia.
– Nós não somos, um, ca… – Tentávamos responder em uníssono, mas logo nos entreolhamos por um instante, respirava intensamente e confesso que estava me sentindo mais sensível.
– Yuu, eu…– Chamei seu nome carinhosamente. O que o deixou sem palavras.
Era certo que nós dois queríamos estar juntos, deixar nossas diferenças de lado e reconhecermos que precisamos nos unir. Isto é, se ele quiser que esse relacionamento realmente funcione. Estava perdida nos meus pensamentos, até que a voz de uma pessoa familiar me chamou atenção e ao ouví-la tive que recobrar a compostura.
– Alô, terra chamando Strauss. Estamos chegando… mas qual é a sala mesmo? – Perguntou a morena ébria da casa, literalmente confusa e sem coordenação quanto a qual sala iria encontrar o elemento. Estava perdida no centro do corredor.
– Baka! A sala tem um letreiro indicando o local. Fica no corredor A-5. – Informei esclarecendo suas dúvidas.
– Vem cá, amiga. Quando vocês dois tiverem filhos, não vou ter que limpar a sujeira que eles fizerem, não né? – Ela perguntou em tom de deboche.
Elfman ainda estava processando aquelas informações, enquanto tentava se manter focado na missão. Podia notar algumas veias saltando em sua testa, do quão aborrecido poderia estar com aquela situação toda. Ele suspirou e poderia ouvir sua respiração de tão nervoso que estava de longe.
– Elfman, mantenha a calma. Lembre-se que apesar de tudo, ele é só um garoto. – Relembrei ao meu irmão dos fatos.
– Não é com esse idiota em particular que estou preocupado. – Falou meu irmão, meio chateado, rebatendo minha fala anterior. – Nesse-san, você tem certeza de que quer mesmo ficar com esse pateta? Depois de tudo que ele já aprontou. – Continuava ele, indignado, e com justa razão. Embora não concorde com a parte do “aprontou”, Yuu só vem agindo como um bom homem que se espera dele, e salvou minha vida duas vezes. Por isso, sou grata a ele por seus esforços. Contudo, passar pelo crivo do meu irmão mais novo será uma tarefa árdua e, não espero, a princípio, que ele se disponha a aceitar essa relação.
– Olhe Elfman, eu juro que depois de capturar esse garoto, nós vamos conversar e esclarecer as coisas. Por ora, não se preocupe, eu não irei tomar nenhuma decisão precipitada. Seja lá o que for que eu decida, quero meu irmãozinho me dando todo o apoio, e não passar por cima dele. – Esclarecia para acalmar os seus ânimos.
– Tudo bem. Nee-san. Eu posso esperar. – Confirmou Elfman, assentindo com a cabeça.
Por ora estava mais aliviada, menos uma preocupação na minha cabeça. Agora o que me restava era ter uma palavrinha com um certo idiota, antes de realizar o meu próximo movimento.
– Escute, Yuu. Preciso ter uma conversinha franca com você, a sós. – Dizia num tom quase autoritário, chamando sua atenção.
– Certo, parceira. – Respondeu ele, animado, mas logo mudaria de expressão quando ouvisse o que tinha para dizer.
– Senhor Jura, não se importa de ficar um tempo sozinho? – Perguntei, tentando não constrangê-lo com minha repentina decisão de dialogar com o meu “parceiro”.
– Não se preocupe, senhorita Strauss. Fique à vontade. O Garoto e Eu, ainda temos muito assunto para tratar. Além do mais, acho que precisa mesmo desabafar com alguém. – Ele respondeu, com toda a sinceridade do mundo.
Então, deixamos a sala, Yuu e Eu. Estava pensando em como contar para ele tudo o que me incomodava, e tentava não tocar nas questões sentimentais que são bem delicadas.
– Bem, Yuu. Te trouxe aqui porque preciso te falar e esclarecer algumas coisas importantes, que vem acontecendo comigo e talvez você já tenha notado… – Comecei a me explicar para ele, entretanto, ele me respondeu levantando a mão para a frente fazendo um sinal de “pare”.
– Eu já sei do seu estado de saúde, parceira. Mil desculpas pelo que vou dizer, mas já li seu prontuário médico, nesses dias que se passaram. – Ele comentou, algo que me deixou com séria raiva a princípio, afinal se ele sabia disso, por que diabos não entregou minha cabeça de bandeja pro diretor? Era o que qualquer espião profissional teria feito, eu seria suspensa e ele levaria todo o crédito.
– E então, por que se omitiu e não contou ao diretor e mestre sobre isso? – O indaguei, fazendo-o pensar bem nas palavras que fosse me dizer.
– Bom, porque reconheço os esforços de alguém que está tentando ser profissional, e não quer parecer um estorvo para os outros. No fundo, eu sei que você tem seus motivos e é muito orgulhosa em se tratando de conhecer os seus limites. Mas não estou em posição de te julgar, ao contrário, quando aceitei ser seu parceiro eu jurei que ficaria do seu lado. E passar por cima de você agora, diante das circunstâncias, faria de mim alguém pior que um cafajeste. – Yuu esclarecia seus motivos, enquanto eu permanecia inerte e ouvindo aquilo tudo com certo orgulho. E tinha receio do que viria a seguir. – E também, Mira, porque desde quando nos vimos pela primeira vez lá naquele Pub, eu sabia que meu coração jamais pertenceria a outra mulher. Por isso, estou sempre agindo como um cabeça dura, ignorando os protocolos ou relutando em obedecer certas ordens estúpidas que você vem me dando. Eu jamais poderia viver sabendo que o pior possa te acontecer, principalmente se for por minha causa. – Continuava ele a abrir o seu coração.
– Yuu…
– É por essa razão, Mira, que há muito tempo quero te dizer isso. Eu te amo, sua idiota. E quero passar o resto da minha vida ao seu lado, não só como parceiro de trabalho, mas como seu amigo, namorado e quem sabe no futuro, seu marido.
Uma lágrima escorreu pelo minha face agora ardente, as maçãs do meu rosto estavam ruborizadas e soluçava à medida que tentava enunciar alguma palavra.
– Yuu, olha, eu não sei o que dizer…
– Bom, se você não tem o que dizer, então não vai se importar com o que vou fazer.
– O-o quê?
Antes que pudesse esboçar qualquer reação, ele levou as suas mãos por trás das minhas nádegas e me levantou, assim fazendo com que minhas pernas respondessem a tal ato se enroscando em suas costas. Então me encostou na parede,e beijou meus lábios com voracidade e um sentimento intenso tomou conta de nós naquele momento, perdia a noção do tempo e jaz esquecida era razão. Um calor tremendo subiu pelo meu corpo, nossa respiração a cada instante ficava mais acelerada e minha mente se sentia completamente nas nuvens. Como beijar alguém era algo fantástico e mágico, não tinha palavras para descrever aquela sensação de ser uma mulher tão desejada. Fechei os olhos, correspondendo aos seus sentimentos, deixei que ele me conduzisse até certo ponto e também o conduzia sempre que necessário, entrelaçando meus braços no seu pescoço. Não conseguia imaginar que aquilo era real e estava mesmo acontecendo. Afinal, até pouco tempo ele era só meu subordinado, tímido, e facilmente irritável. E agora, agia como um homem valente, destemido, e me tomava por inteira sem nenhum pudor. Permanecemos assim durante algum tempo, acariciava seu rosto e podia escutar os nossos corações batendo rápido em uma estranha sintonia. Por fim, ele me soltou e se distanciou do meu corpo, a nossa respiração era ofegante, mal acreditávamos que chegamos a tal ponto.
Cruzamos a última linha da moralidade e do bom senso, que nos mantinha distante um do outro. Agora, não poderíamos voltar atrás, e nem fingir que nada demais aconteceu. Como sua superiora, era meu dever puní-lo por desviar sua conduta e me assediar desse jeito, isso se ele fosse qualquer idiota que ousou depravar a minha inocência. Mas Yuu não era qualquer um, tampouco estava conseguindo raciocinar com tudo aquilo tendo acontecido. E pior, se mais alguém descobrisse… Ah, que se dane o mundo, eu só queria mais daquilo e não admitiria ter sido pega desprevenida assim tão facilmente.
– Uau! Mira, isso foi tão…
– Urusai!
Antes que ele pudesse continuar a frase, o puxei pela gola da jaqueta que trajava e lasquei mais um beijo em sua boca. Dessa vez, ele posicionou suas mãos em minha cintura e acariciou as minhas costas. Perdi o controle por alguns instantes, levei meus lábios até o seu pescoço e comecei a aplicar leves chupões em pontos específicos, o que o fez soltar alguns gemidos de prazer — as quais eu abafei com minha mão – e ele retribuiu o ataque, avançando também no meu pescoço. O que me fez perder a linha e começar a arranhar suas costas. O clima era cada vez mais fervoroso, ainda tinha receios de como isso terminaria, afinal estávamos em uma missão importante e qualquer erro, por nosso descuido, poderia custar as nossas carreiras. Mas era difícil controlar tantos sentimentos reprimidos, a emoção falava mais alto que a razão e falando em razão, precisava retomar o controle da situação. Antes que avancemos para o próximo passo, aquele não era o lugar e eu ainda não estava preparada para isso. Com certas dificuldades, me afastei dele e fui chamando sua atenção.
– Yuu, se recomponha, por favor. Ainda temos a missão… – Falava, tentando descontrair um pouco e fazê-lo se recompor.
– Isso é um pedido, ou uma ordem, parceira? – Ele me perguntou, beijando o colo dos meus fartos seios e afundando o seu rosto entre eles. Fiquei desajeitada com aquele gesto carinhoso, olhei de relance para o alto e por um momento revirei os olhos sentindo o prazer com aquele ato.
– Onegai, Yuu. Precisamos voltar, ou os outros vão começar a suspeitar.
– Eh, tem razão. Mas essa nossa “conversa” ainda não acabou, parceira. Não, Mira.
Eu engoli a seco as suas palavras, respirei fundo e procurei me acalmar. Enquanto arrumava o meu vestido.
– Bem, acho que vou ter que arrumar uma boa desculpa para as marcas em minha costas. Por um acaso, não teria aí nenhuma magia de cura? – Perguntou ele, ironicamente.
– É culpa sua, senhor Dawnford. Quem mandou provocar a onça com vara curta? – Respondi, debochando e mostrando a língua para ele.
– Agora, vamos para dentro. Precisamos resolver logo esse problema, e aí você estará livre para fazer as pazes com a Laki e eu irei entregar meu relatório ao diretor e mestre. Logo depois, vou curtir um spa com as minhas amigas, e acho que não nos veremos por um bom tempo. Por isso, considere o que aconteceu aqui como um presente de despedida. – Expliquei a ele, claramente o provocando.
– Eh, deve ser legal ficar com outra garota da casa, depois que eu peguei de jeito minha superiora. – Ele retrucou, fazendo com que uma veia saltasse em minha testa.
– Como é que é, mocinho? – O indaguei, lançando um olhar mortal. Quase o comendo vivo.
Yuu apenas riu e ostentou um sorriso de satisfação no rosto.
– Então, acho que posso considerar esse o começo do nosso namoro, não é? – Yuu me questionou, inocentemente.
– Tsh, não abuse da sorte. Você só me pegou desprevenida, e ainda por cima beija muito mal. Foi uma experiência péssima para mim. – O respondi, fingindo e mentindo descaradamente na cara dura.
– Sendo assim, eu te levo pra jantar. Assim que você se recuperar. – Disse Yuu, dando uma piscadinha maliciosa.
– Até parece que vou aceitar suborno… – Cruzei os braços e comecei a andar em direção a porta.
– No cruzeiro St. Michael’s Mount, duas reservas para a ala vip e te pego de carro às 08:30 pm em ponto.
– Nem ferrando você conseguiu tickets para a ala vip deste cruzeiro.
Então, ele retirou das jaquetas os dois tickets dourados com o horário registrado. Meus olhos brilharam, era um sonho realizar uma viagem em alto mar nesse cruzeiro, afinal apenas os mais ricos e figuras influentes da alta sociedade podem frequentar este espaço. Por isso, poderia dizer que é muito difícil serem liberados tickets para dois civis,que embora bem pagos por suas profissões, não gozam do mesmo status. É claro, o meu caso é especial, ainda sou um modelo com ligeira fama no mundo inteiro e não duvidaria que foi dessa maneira que convenceu ou persuadiu os organizadores do evento a conceder este privilégio. Ele é um miserável desgraçado, mas sabe como conquistar uma mulher e fazê-la se render aos seus caprichos.
– Eu vou estar bem atarefada nesse dia, sinto muito, rapaz…
– Nossa, mas que pena. Acho que terei de ir com a Laki-san, quando isso acabar talvez pergunte a ela se terá um horário disponível. De repente, terei mais sorte.
Voltei a mim por instante, caminhei em direção a ele rapidamente e peguei um dos tickets de sua mão, o fitei por algum tempo e o guardei dentro do sutiã. Por fim, regressamos às nossas posições no interior da sala de máquinas, fingimos que nada demais havia acontecido, embora alguns olhares desconfiassem do que poderia ter acontecido e da nossa estranha demora. O senhor Jura nos colocou a par da situação, o garoto mais uma vez conseguiu escapar pelos dutos, ao descobrir que havia uma equipe pronta para capturá-lo. Não só isso, ele levou o que supostamente seria as plantas do prédio e só Deus saberia responder, onde diabos ele irá se meter agora.
Pusemos os headphones de volta e assim pude me comunicar diretamente com a equipe envolvida.
– Desculpe Strauss, ele foi mais rápido e agora que a situação se complicou. Acho que não teremos outra escolha, a não ser notificar o diretor. – Comentou Cana, chutando uma das cadeiras que se encontrava no local.
– Desculpe nee-san… mas que mancha é essa no seu pescoço? – Perguntou Elfman, eufórico e buscando entender o que aconteceu.
Olhei para Yuu por um momento e ele entendeu o que aquele meu olhar significava.
– Nada demais, cunhad… digo, Elfman. – Yuu respondeu com um sorriso amarelo de satisfação.
– Ara, ara. Então quer dizer que os pombinhos foram se resolver, enquanto nós aqui ficamos com o trabalho duro? Strauss, eu juro pelo seu irmão que vou te esganar. Não sem antes você me contar todo o babado direitinho. – Falava a morena Cana, explodindo de animada para zero surpresas minha e apenas levei uma de minhas mãos até o rosto de vergonha, às vezes esfregando no pescoço.
O senhor Jura que até então estava preocupado com o seu sobrinho, deixou se levar pelo momento e entrando no clima apenas acenou para nós dois. Em seguida, deixou a sala em silêncio e provavelmente estava se dirigindo ao encontro com o diretor. Isso significa que as coisas, de agora em diante, ficaram mais sérias e exigirão uma postura mais rígida de nossa parte. Até então, nossa política é de controle de danos, agora precisaremos considerar Eustace uma ameaça e neutralizá-lo com todos os meios necessários. Ele não poderá escapar ileso, ainda que seja só um garoto e, terei de me reportar ao diretor e mestre. Enfim, não será nada fácil e já imaginava as coisas que iria ouvir, e com justa razão da parte dele.
Fim do Capítulo 5.
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