Fairy Tail: Operation Fairy Back
4 Capítulo 4 – O Dia Do Fracasso Ato I (O Interrogatório)
Notas iniciais
POV Mira:
~~~~~~ Sede Da MI-Fairy (Londres, Capital da Inglaterra) ~~~~~
Era por volta das 14:25h no interior da sede da nossa Inteligência, em duas salas separadamente estão as pessoas que acreditamos estarem envolvidos de alguma forma no caso do assalto ao banco. Meu irmão, Elfman, encontrava-se naquela operação disfarçado entre os marginais e segundo seu relatório oficial, acabou tendo de se defrontar com duas pessoas. Um garoto cuja idade é por volta dos 14 anos, um sujeito bastante criativo, introvertido até certo ponto e aparentemente gosta de se meter em confusão. A outra não é muito diferente, em termos de personalidade, porém por ser mais velha e ter por volta dos 18 anos,ela já é alguém mais pé no chão e responsável, à medida que suas ações não propiciem incidências como o ocorrido nos últimos dias. Tudo o que sabemos, por enquanto, é que ela é filha de um empresário de sucesso, seu nome é Jude Heartfilia e faz alguns anos que eles não trocam mensagens eletrônicas, escrevem cartas, ou telefonam diretamente um para o outro. Não há sequer registros de visitas íntimas, nem mesmo quando ela ficou doente no ano passado e foi parar em um hospital em Marseille, na França. Tampouco, fez questão de comparecer em sua formatura na faculdade. O que nos leva a acreditar que pode haver um sério atrito entre os dois, algo que confirma parcialmente suas declarações e que pode nos ajudar a montar as peças do quebra-cabeça, de como ela saiu de uma vida farta e pacata; para um mundo do desconhecido, repleto de perigos e ameaças inusitadas.
Por outro lado, temos um garoto saindo da puberdade, com seus 1,55 cm de altura, peso médio 58kg só de massa muscular, cabelos castanhos e olhos cor de amêndoa cristalinos. Seu nome é Eustace, mais conhecido por sua alcunha das ruas The Kid X(*O Garoto X), pois há um X em todos os seus registros oficiais e não sabemos ao certo quem são seus pais biológicos. Visto que fora adotado ainda pequeno de uma irmandade religiosa no Tibet, trazido para cidade e educado nas melhores escolas por uma figura amplamente conhecida por todos ao redor do globo. E, amigo íntimo do diretor e nosso mestre na guilda. Ele está viajando no momento, mas ao saber do caso delicado e das acusações que envolvem o seu pequeno, dispensou a presença de advogados e pediu para acompanhar o desenrolar do processo pessoalmente. Pois acredita seriamente na inocência do seu protegido, e crê que tudo não passe de uma confusão e fato este que está sendo averiguado por outra agente designada para tratar especificamente do seu caso, minha boa amiga e grande espiã de renome Laki Olietta.
Quanto a jovem loira, sob nossa custódia, ela recebeu alta da ala médica após ficar internada por dois dias, tendo em vista que fora atingida por uma arma de choque e neutralizada pela equipe tática da polícia. E no mesmo dia, ela foi resgatada por um dos nossos brilhantes espiões, Natsu Dragneel, um mago excepcional e que vive se gabando dos seus feitos idiotas. No passado, ele e minha falecida irmã tiveram um relacionamento que durou até a sua trágica partida, desde esse dia o rosado pouco fala a respeito do seu passado e creio que suas feridas já estejam cicatrizadas. Eu espero. Bom, retomando o meu relato, ela tem cooperado bastante e se mostrado muito receptiva, embora entenda a gravidade dos seus atos e as possíveis consequências jurídicas; se levarmos adiante as acusações.
Não é de hoje que ela vem atuando nas ruas, em situações oportunas, como uma vigilante. De acordo com nossas investigações em parcerias com as autoridades dos respectivos países e cidades por onde se alojou, a figura mascarada conhecida como Bunny Blondie(*Loira Coelha) é uma foragida da justiça e famosa por ter neutralizado membros de gangues asiáticas, criminosos do colarinho branco, corruptos da alta esfera do governo e já deu uma lição em reles assediadores de mulheres de quinta categoria. Uma persona com um perfil curioso, há relatos de que ela já frequentou grandes cassinos e passou a perna em muitos ricaços com o seu charme único, não sabemos ao certo se ela tem ligações com um outro criminoso altamente procurado por ter assaltado os três maiores cassinos de Las Vegas em uma só noite. Isso, sem deixar rastros ou ser parado pelas autoridades competentes. O chamamos de “Ilusionista dos Cassinos”, ele é um mito para toda a inteligência e um verdadeiro terror para os altos dirigentes dessas instituições financeiras que movimentam bilhões anualmente. Um tremendo vigarista, com personalidade narcisista, dizem as boas línguas que é tão esbelto como esperto, e não há como compará-lo a nenhuma personalidade famosa nos meios de comunicação. Embora sua fama precede sua reputação na praça.
Estava assistindo ela – por entre a vidraça do espelho negro em minha frente–, fazendo uma boquinha rápida dentro na sala. Seu apetite era voraz e parecia que não comia algo decente a meses. Era uma marmita de plástico com salada de legumes, peixe frito no azeite, seguida de duas camadas finas de arroz e feijão por baixo. O prato acompanhava um suco de laranja e gelatina de morango de sobremesa. Supondo que os registros do interrogatório caiam nas mãos de seus advogados ou de um defensor público designado, não queremos ser acusados de privá-la do direito básico à boa qualidade de alimentação. Além do mais, ela pode considerar isso uma cortesia da casa, pelo susto e a coragem de enfrentar o meu irmão em batalha. Não conseguia esconder minha ansiedade em logo poder falar com ela, tirar minhas dúvidas e chegar a alguma conclusão a seu respeito. Mas não faria o interrogatório sozinho, ao meu lado teria de aturar mais uma vez o idiota do Yuu e que, falando no dito cujo, ele havia acabado de chegar com 15 minutos de atraso. Montado em uma espécie de skate planador, seja lá que tipo de bugiganga tecnológica é aquela, ele voava em velocidade muito rápida fazendo algumas manobras em pleno ar e só parou ao notar a minha presença, e observar minha expressão de negação às suas atitudes típicas e previsíveis.
Cobri o rosto com uma das mãos, envergonhada com aquela cena e já iria comentar sobre a sua curiosa falta de pontualidade; além, claro, do fato de estar montado naquela coisa e voando sem rumo definido, tão rápido como se o céu fosse o limite.
Pigarreei e ele me retribuiu com um sorriso largo, e amarelo de satisfação.
– Gostou, parceira? O Departamento de tecnologias mágicas e inovação desenvolveu esse apetrecho super incrível. E eu fui escolhido para testar. É fantástico, não é? – Ele falou com os olhos brilhando intensamente.
– Sim, legal. – Comentei não respondendo à altura da sua animação. Quase entediada. – Então, por um acaso não se esqueceu de nada não? – Perguntei, o fazendo buscar na memória o que de fato queria lhe dizer.
Ele ficou pensativo por um instante, porém não se recordou no momento do que tentava lhe dizer. Então, gesticulei apontando para a vidraça atrás de mim e em seguida apontei para a porta. Acreditava que dessa forma fosse mais simples e fácil dele entender, entretanto, continuava o idiota sem entender e arqueando as sobrancelhas em notável sinal de dúvida.
–Baka! Já se esqueceu que temos de interrogar uma suspeita? – Indaguei, franzindo o cenho e com as veias saltando em minha testa.
– Ah! Agora entendi, parceira. Mas que alívio, por um momento pensei que ainda estava brava comigo pelos meus comentários sobre aquilo que aconteceu a dois dias atrás. Sobretudo no que diz respeito à desenvoltura do seu corpo. – Yuu se explicava, porém cruzava uma linha tênue e muito perigosa de ser atravessada.
Respirei fundo antes de lhe dar uma resposta satisfatória e que conclua de vez essa página da história. É certo que já havia pensado muito a respeito, jamais deixei que um idiota se aproximasse tanto de mim ao ponto de me ver nua. Nem mesmo nas revistas que posei como modelo, exibi tanto o meu corpo de modo que um bando de pervertidos e sem amor materno pudessem tecer esse tipo de comentário a meu respeito. Por isso, com toda a calma do mundo que reuni, o respondi francamente.
Levei uma de minhas em direção ao seu rosto, e em seguida, me preparei para lhe dar mais uma tapa e quando finalmente alcancei as suas bochechas. Ao invés de marcá-las com um tabefe daqueles, o acariciei e então o abracei respeitosamente. Uma lágrima escapou pelos meus olhos e escorreu pelas róseas maçãs do meu rosto.
– Arigatou, Yuu! – O Agradeci, com uma voz suave e delicada.
Ele retribuiu o abraço e permanecemos assim em silêncio por alguns instantes. Até que retomei minha compostura e esbocei um sorriso singelo. Ao fim, estendi uma de minhas mãos para cumprimentá-lo e Yuu prontamente entendeu o que aquilo significava. E apertou minha mão com firmeza e tomando todo o cuidado para não exagerar na dose da força aplicada naquele gesto.
– Bom, acho que temos uma longa missão pela frente. Não é mesmo, parceira? – Perguntava ele com um olhar determinante e falando de um jeito que transmitia confiança a qualquer um que o escutasse.
As vezes exagero um pouco no meu tratamento ríspido, mas tenho de reconhecer que ele sabe quando me fazer parar de ser tão idiota e admirá-lo só um pouquinho.
– Sim, nós temos. – Afirmei, balançando a cabeça.
Enfim, posicionei minha mão no scanner biométrico e a porta se abriu para espanto da jovem loira lá dentro. O clima ambiente estava agradável, nem muito gelado, nem tão quente. Ela estava sentada em uma cadeira confortável e de frente para ela havia uma mesa de madeira com dois assentos vazios. Assumimos nossa posição, ficando de frente para a esbelta mulher de cabelos loiros, a jovem “princesa” da família Heartfilia. Título este que por sinal, ela rejeita e detesta profundamente. Fato este que perceberia logo.
– Muito bem, senhorita Heartfilia. Vejo que se deliciou com nossa refeição, espero que tenha sido de seu agrado. Princesa... – Falei em tom de ameaça, encenando, apenas para apimentar um pouco o clima.
– Sim,A-arigatou. – Ela respondeu gaguejando, o seu olhar era vago e buscava refúgio em algum ponto específico. Ora fitava os cabelos do meu parceiro, ora dirigia seu olhar para o laço do meu vestido na altura dos seios.
– Espere aí, você é... A Miss Jane, não é? Eu assisti seus comerciais de TV e te vi em várias revistas da época. Você é fantástica. – Lucy comentou em tom de surpresa e para meu espanto.
Realmente, não esperava que fosse ser reconhecida tão facilmente por alguém e, que esse alguém, é uma mulher que tenha um certo conhecimento da minha carreira profissional.
– Ara, então quer dizer que você é minha fã? – Questionei ainda mais curiosa com a sua resposta.
– Bom, isso é meio estranho vindo de uma mulher, eu sei. Não me entenda mal, onegai! Mas desde que você apareceu, discursando num estádio de rugby, ao vivo e repercutindo no mundo inteiro. Eu sempre quis ser como você, e estava prestes a realizar um pedaço do meu sonho, se não fosse aquele bendito assalto ao banco para estragar o meu dia. – Confessava a loira, Lucy, uma figura para lá de excêntrica e tal fala acabou me tocando.
Yuu ao perceber que agora não a encarava mais como uma estranha, e sim como uma pessoa querida e como se estivesse ouvindo uma conversa de uma boa amiga. Acabou por intervir na situação e tomou as rédeas para si.
– Er... Garotas, eu sei que vocês passariam o dia inteiro trocando figurinhas, e contando o quão incrível deve ter sido esse momento para vocês. Mas estamos em um interrogatório aqui, não num pub de beira de esquina. – Alertava o meu parceiro, Yuu, coberto de razão.
Pigarreei mais uma vez e retomei a palavra.
– Arigatou pelos comentários, senhorita Heartfilia. Mas nós estamos aqui para coletar o seu depoimento justamente sobre o referido caso do banco. Queremos ouvir e registrar a sua versão dos fatos. Se for sincera e aberta conosco, isto é, sem dizer mentiras. Podemos providenciar junto à promotoria um acordo de redução de pena... – Esclareci duramente sua sentença, ainda que não tenha sido julgada apropriadamente.
– Mas espera. Por quê? Tudo o que eu fiz até hoje foi dar uma lição num bando de marginais, sem escrúpulos ou piedade com suas vítimas. Gente que nem deveria andar solto pelas ruas, e são inalcançáveis perante as leis. – Explicava a jovem, exaltada, quase suplicando.
– É mesmo? E quem lhe outorgou o direito de decidir como aplicar as leis? Além do mais, em algum momento já parou para pensar nas consequências dos seus atos, mocinha? – Indaguei, a fitando com um olhar sereno e profundo.
– E quem se importa? Meu pai não dá a mínima para mim, antes de concluir a faculdade o meu namorado, o Salamandra terminou comigo e não quis me dar maiores explicações. E para completar, estou na maior enrascada sendo interrogada pela pessoa a quem sempre acreditei ter uma vida, mil vez melhor do que a minha. – Desabafou a loira, derramando lágrimas e sendo confortada pelo gesto cavalheiresco do Yuu, que estendeu um lenço retirado do seu bolso. Mordi a ponta dos lábios vendo aquela cena, pois nem quando quebrei uma unha esse idiota foi tão gentil assim comigo.
Ela apenas pegou o lenço e enxugou as lágrimas derramadas. Mas um ponto chamou a minha atenção, e creio que a do Yuu também. Lucy disse “Salamandra” e nós conhecemos bem, um certo espião que é famoso por essa alcunha. Por ironia do destino, ele foi o responsável por resgatá-la do comboio da polícia e trazê-la até nossa sede da inteligência. Demonstrava ansiedade e certa preocupação com o estado de saúde dela, algo que nos surpreendeu, a princípio. Contudo, nunca tínhamos ouvido falar dos dois terem algum relacionamento íntimo, quero dizer, eu particularmente jamais soube que o rosado teve um caso com alguém depois da minha irmã. Pensava que ela fosse a única, certamente precisamos conversar melhor sobre isso e ouvir o seu relato a respeito desta informação. Não que eu queira me meter no seu foro íntimo, estou feliz que ele tenha se relacionado com alguém, depois da Lisanna. Entretanto, se ela for acusada formalmente e julgada, não verá a luz do sol por longos anos. Um fato este que poderá magoá-lo ainda mais e temo como ele irá reagir diante das notícias. Por isso, terei de ser franca e direta ao falar com ele. O meu parceiro apenas olhou para mim com uma expressão meio triste em seu rosto e denotava-se um misto de confusão. Aposto que irá querer pegar no pé do pobre diabo depois de ouvir essas palavras.
Bom já tínhamos ouvido o bastante dela, era inútil continuarmos o interrogatório. Está mais do que evidente, que Lucy apenas se envolveu por acaso e seguindo seus instintos femininos. Embora não concorde com a maneira como lidou com o cenário, era de se esperar de alguém sem preparo militar e fez o que julgou necessário diante dos fatos, sem apoio de toda uma estrutura de inteligência para lhe dar as coordenadas e guiá-las corretamente naquele teatro de operações. Falando em teatro, ainda sobre o que aconteceu do lance da bomba ter explodido e mexido comigo. Os médicos disseram que ainda posso sentir alguns sintomas, sugeriram que tirasse pelo menos uma semana de folga e, claro, rejeitei essa opção. Dias de folga geram mortes de agentes em campo. Preciso continuar firme, supervisionando as operações e servindo as bebidas, bem como a comida do pessoal. Isso, enquanto o novo sistema mágico de serviços de alimentação rápida, não fica pronto. Após isso, posso pensar em relaxar num spa e convidar algumas amigas para pôr o papo em dia.
Mas nosso dia estava para mudar, deixamos a sala ao coletarmos o restante das informações que necessitamos e logo nos deparamos com a figura peculiar de minha amiga Laki, que ofegante, resfolegava aos poucos antes de se pronunciar.
– Gente, temos um problema. O garoto fugiu da sala de interrogatório. – Dizia Laki, desesperada e com uma aparência desgastada.
– Mas como isso aconteceu? – Perguntei, encarando seriamente o rosto dela.
– Foi numa fração de segundos. Ele aparentou ter desmaiado, e quando fui checar sua pulsação, ele me atacou e escapou pela porta. – Ela se explicou, pousando uma de suas mãos na testa. – E o pior é que quando o diretor e mestre souber disso, certamente ele irá me punir e eu serei demitida. Isto é, se não acabar sendo presa por isso. – Continuava ela a falar, dessa vez com tristeza em seu olhar e com uma expressão de preocupação.
– Não se preocupe, senhorita Laki. Minha parceira e Eu, cuidaremos de encontrar esse garoto a todo custo. – Dizia o idiota do Yuu, todo confiante e determinado em cumprir sua missão dessa vez.
– Bom, por ora, trate de enviar um alerta silencioso aos seguranças. E informe aos demais agentes disponíveis na casa para que se reúnam a equipe de buscas. – Instruia à ela.
Ao dizer isso, dei as costas e puxei o cabeça oca do Yuu pela camisa seguindo até a área dos elevadores.
– Mas e você, Mira-san. O que vai fazer? – Perguntou ela.
– Irei até a sala de servidores acionar a equipe de cibersegurança, faremos uma busca com câmeras inteligentes por todo o prédio e informarei as equipes em tempo real sobre cada passo que ele der, aonde quer que tenha se metido. – Esclareci para acalmar os seus ânimos.
– Mas tem uma coisa, Mira-San. No depoimento, ele disse que entrou no banco pelo sistema de esgotos. Então, pela lógica mais próxima, eliminando as possibilidades dele ter descido. Será que ele não adentrou nos dutos de ventilação? Se for isso mesmo, as câmeras serão inúteis nas buscas. – Pontuou minha amiga Laki, mudando completamente nossa linha de raciocínio.
Se isso for mesmo verdade, os meus esforços serão em vão e meu plano para capturá-lo rapidamente irá pelos ares.
– Mas que droga, esse garoto só dá trabalho. Afinal, com quem ele aprendeu essas coisas? – Indaguei, estando seriamente pensativa.
A porta do elevador se abriu bem na hora e fomos surpreendidos com a figura de homem alvo, calvo, com idade aparente de 28 anos e uma musculatura bem definida. As marcas pretas logo acima dos seus olhos negros, chamavam atenção e uma figura peculiar que muitos de nós até então só tinhamos ouvidos falar a seu respeito, e raramente visto em ação desde o dia em que a equipe dos melhores agentes do MI-5 que neutralizou a ameaça de Zeref. Isto posto que, ele fora um dos responsáveis por esse feito junto do nosso diretor da inteligência e mestre da guilda. Há rumores de que ele tenha se dedicado a uma vida mais reservada desde então, segundo relatos ele se filiou a uma guilda e presta sua colaboração a inteligência, preparando taticamente e psicologicamente os candidatos que pretendem ingressar em algum serviço de inteligência.
Possui uma estrutura própria e reside em uma casa simples na Suécia. Vez ou outra, quando pode, ele vem até Londres visitar o nosso diretor e relembrar dos velhos tempos. Além, claro, de lhe contar alguns aspectos de sua vida particular. É um homem bastante religioso, embora não pratique os dogmas de sua religião. Ele era ninguém menos que Jura Neekis, um dos lendários agentes, famoso por ter prendido Zeref e o sentenciado à prisão perpétua. Ganhando o título de Mago-Santo pelo conselho, assim como nosso mestre e diretor. Trajava um terno preto com uma gravata azul turquesa, ambas peças de primeira linha e fabricadas sob encomenda. Além de calça e sapato de couro puro seguindo a mesma cor do terno.
Todos ficamos surpresos com a sua notável presença e, evidentemente, nos questionamos o que ele estava fazendo por ali nesse dia. Bem em uma ocasião pouco convidativa e hospitaleira.
– Bem, creio que tenha sido eu o responsável por toda essa confusão. Afinal, o ensinei quase tudo o que meu sobrinho sabe. O restante ele aprendeu seguindo sua própria intuição aguçada. – Contava Jura, arrumando sua gravata por fim.
– Haha, nossa, meu pai. Esse cara é mesmo o… – Tentava Yuu dizer apontando para ele, antes de ser interrompido por mim.
– Sim, Yuu. Ele é o senhor Jura Neekis, um dos magos santos e membro da equipe lendária de agentes que prendeu Zeref. – Por fim, o apresentei formalmente.
– Mas que legal! Será que eu poderia pedir o seu autógrafo? – Ele perguntava com os seus olhos ofuscando um intenso brilho.
Logo lhe dei um puxão de orelha e fui o conduzindo até dentro do elevador, onde nos juntamos ao senhor Jura. Podia ouví-lo relinchar e balbuciar palavras que não queria escutar. Enquanto ostentava um sorriso singelo e encantador no rosto.
– Espere, esse aí não é o rapaz que há dois dias estava com você na Times Square? – Indagou ele, um tanto confuso e arqueando as sobrancelhas sutilmente.
– Em carne, osso e cabeça oca. – Respondi, dando uma risada típica que derreteria até o coração mais gélido de um homem.
– Bem, espero encontrar logo aquele moleque idiota. Ele passará o fim de semana inteiro limpando e encerando o chão da academia e, irei pessoalmente conversar com as irmãs freiras do convento que ele frequenta para endurecerem as lições em seus cultos. – Resmungava Jura, irritado com as ações estúpidas do seu sobrinho e reagindo como se esperava de um membro responsável da família.
– Escute, Jura. Eu estava pensando, enquanto analisava os vídeos do assalto frustrado ao banco e tentava buscar algum detalhe importante. Mas o seu sobrinho é um baita de um mago, tem demonstrado talento para encarar situações complexas com tamanha destreza e inteligência. Não seria mais adequado indicá-lo para algum programa de recrutamento de jovens talentos da inteligência? Ele poderia se tornar um agente brilhante, como o senhor e o diretor Makarov algum dia. – Dizia Yuu, sendo brilhante e indo direto ao ponto.
– Sr.Yuu, acha que já não pensei no assunto? Acontece que esse garoto só vem me trazendo mais e mais dores de cabeça. Decepção atrás de decepção. Já nem sei mais o que fazer a respeito. – Jurava falava, decepcionado, em tom de reprovação.
– Senhor Jura. Sei que o Yuu às vezes diz coisas idiotas, mas pelo menos dessa vez ele foi sensato e objetivo. O seu garoto não me parece um caso perdido, aliás, acho que se tiver a oportunidade certa; a mentoria e os cuidados necessários, em mãos certas ele pode se tornar um mago excepcional e um agente incrível. – Esclarecia, intercedendo pelo meu parceiro que soube bem o que dizer e complementando sua fala na tentativa de convencer o mago-santo a mudar de idéia.
– E acham mesmo que poderiam aqui dentro lidar com o gênio forte dele? – Relutante, ele indagou, me fazendo pensar um pouco e concordar com as minhas palavras.
– Sim, por que não? Tudo vai depender de uma boa e longa conversa com o diretor. E de um toque especial feminino. – Por fim, o tranquilizei com o conforto das minhas palavras naquele momento.
Ele, por sua vez, em um gesto de gratidão me abraçou calmamente e, sem segundas intenções. Retribui gentilmente o abraço, enquanto o Yuu ficava com uma cara amarrada e cruzava os braços em claro sinal de ciúmes.
Então pigarreou chamando nossa atenção, nos separamos e o mago-santo ficou encabulado com aquela situação.
– Mil desculpas, eu não sabia que vocês eram um casal. – Jura se desculpou formalmente, como um verdadeiro gentleman.
– Nós não somos. – Respondemos em uníssono, evitando trocar olhares.
– Sério? Mas parecem. Vocês dois têm muito mais em comum do que imaginam – Ele afirmou, me deixando atônita.
– É mesmo? Mas em comum como? – Perguntei, curiosa com a sua resposta.
– Bom, deixe isso para lá. O nosso objetivo é localizar meu sobrinho e trazê-lo de volta,sã e salvo para que termine de prestar seu depoimento. Em casa teremos uma longa e pacífica conversa a respeito do seu futuro aqui dentro. – Jura nos relembrou, recobrando assim nossa atenção aos fatos.
Sem mais delongas, seguimos para o quinto andar. Ao finalmente chegarmos lá, nos dirigimos a sala dos servidores, lugar esse onde a equipe de cibersegurança já nos aguardava ansiosos e podíamos ver através das telas dos monitores; cada passo que o elemento deu e analisando do outro lado, as plantas digitais do prédios. Teríamos uma noção melhor de onde aquele pestinha poderia estar se escondendo e assim ficaria mais fácil de orientar as equipes de buscas. Pusemos os headsets sobre a cabeça e fui guiando o analista, seguindo as indicações de Jura. Yuu quase não deu palpites, estudou cada detalhe da planta e as imagens de câmeras com cautela. Sempre que dava uma dica, ela se mostrava incorreta ou imprecisa. Não sabia ao certo se estava blefando ou errando seriamente.
– Yuu se concentre na missão, por favor. – Dizia chamando sua atenção.
– Certo, parceira. – Ele voltou a dirigir o seu olhar, mais atentamente para as telas.
Fim do Capítulo 4.
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