Os momentos seguintes daquele dia foram uma série de acontecimentos fantásticos que mais ninguém teria na memória.

Bem, com uma leve exceção de Felicity. Ela levaria consigo a imagem de Levy e Gajeel – sua mama e papa adotivos — conversando na frente dela como se fosse uma segunda-feira comum, e o calor de quando viram que tinha acordado por um instante e sorriram para ela. “Desculpa por ter te machucado”, ouviu de Levy. “Você… É nossa filha, não é?”. Ela não tinha forças para falar que não era a filha biológica, então fez que sim com a cabeça. “Você é muito forte!”, Gajeel falou. “Desculpa por não estarmos mais com você”. Acha que recebeu afagos e murmúrios carinhosos até desmaiar de novo. Fel chorou de emoção quando acordou de verdade, horas depois.

E tinha Yume. Ela estava só semidesperta, então nunca teria certeza se o que viu foi real ou um sonho, mas pelo menos vislumbrou Erza dizendo o quanto ela era forte e se desculpando pela espada fincada em seu abdômen. Pediu para que aguentasse firme, porque logo ela voltaria para casa. Com os olhos brilhando e um sorriso completamente gentil, Erza pediu que cuidasse bem de sua guilda.

Ninguém mais teve a mesma sorte. Elijah continuava desmaiado quando Laxus se sentou ao lado dele e o fitou com orgulho enquanto elogiava a sua força e dizia que seria ótimo se ele fosse mesmo um Dreyar. Yui e Nick já tinham sido resgatada por Nadeshiko e Deivid, e não viram Juvia e Gray procurando um ao outro. Diego e Gabriel também já tinham ido embora e nunca souberam como Gildarts os elogiou. Ninguém viu o trio Raijinshuu se sentando junto para uma última conversa. Ou Cana chorando de felicidade por poder se sentir viva mais uma vez. Ou os irmãos Strauss se abraçando com força e rezando para não se separarem mais. Nem Jet e Droy comemorando por serem jovens de novo.

Ninguém viu cada membro da Fairy Tail aliados das Light Guilds curtindo o que podia de seus últimos suspiros na Terra e agradecendo pelas batalhas, nem os olhares de carinho e admiração que deixaram para seus oponentes.

Ninguém estava acordado para observar Makarov encarando o céu com serenidade, agradecendo por sua guilda amada ter ido em frente.

Mesmo que ninguém estivesse ali para ver, podemos dizer que o coração de Magnolia ficaria para sempre marcado pela história fabulosa de grandes magos que voltaram por um dia e se sentiram eles mesmos por alguns minutos. Talvez uma fada tenha passado por ali naqueles momentos. Mas ninguém saberia de verdade.


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Agora, o que eles viram.

O que Diego, Gabriel e Eriol viram, mais especificamente. Procurando pelos outros, eles passaram pela praça da Catedral Kardia e encontraram Mestre Taylor caído no chão, com um buraco no peito, queimaduras no corpo, e a despedida eternizada em um sorriso final.

Tinha mais uma coisa.

Os rapazes voltariam para casa em breve dizendo que tinham recebido as últimas palavras. Aquelas palavras os abraçariam e tornariam a despedida tão mais calorosa quanto mais difícil. E eles perceberiam que também precisavam dizer o mesmo para Mestre Taylor.

Eles deixariam as mesmas palavras sobre o túmulo, após o funeral. Mas só Diego, Eriol e Gabriel teriam a memória gravada daquelas letras escritas em sangue já secando, quase ilegíveis de tão tortas:

“Eu amo vocês”.