Fairy Tail! Aratana Densetsu!

66 As Três Gerações de Dragneels


Notas iniciais
Yo povo! Aqui está o 66. Aproveitem! *ficha da Yume postada no blog, ficha da Mortis a caminho*

–... Pai?

A voz de Ace foi a única coisa capaz de tirar Aaron do transe. Ele tinha a sensação de que tinha passado horas apenas encarando Natsu, quando provavelmente tinham se passado no máximo um minuto. Aaron olhou para o filho novamente e o soltou com cuidado no chão. Porém, Ace ainda o encarava completamente aturdido.

– O que você está fazendo aqui?

– Você sabe. Dando uma volta por aí e de repente encontro meu filho lutando contra meu falecido pai. Trivialidades do cotidiano.

– Olha, eu estou farto de vocês. Eu não sou pai e muito menos avô de ninguém! – Exclamou Natsu.

Aaron tornou a olhar para ele.

– É claro que não.

Ele sabia desde o começo que a pessoa que encontraria não seria seu pai, não seria o verdadeiro Natsu Dragneel. Não podia se deixar levar pela semelhança física, pela voz, pelo jeito dele; seu pai não estava vivo. Ainda doía quando pensava nisso, mas era realidade e nenhuma magia no mundo era capaz de reverter isso.

Ace se levantou e acenou com a cabeça, concordando.

– É verdade. Não é ele.

Que bom que ele já tinha entendido. Ace era inteligente. Aaron já devia esperar que ele não ficasse absorto na ideia de que podia falar com seu avô de novo. Ainda assim, tinha algo de diferente nele – algo que já tinha notado na última vez que o filhou foi visitar ele e Katie. Ace estava maduro de uma forma totalmente visível e inexplicável ao mesmo tempo.

– Perceberam que não tenho nada a ver com vocês? Ótimo! – Natsu bateu palmas sem o menor entusiasmo. – Agora podemos voltar à luta? Digo, se é que algum de vocês sabe lutar.

O loiro olhou para seu filho. Este encolheu os ombros e desviou o olhar. Aaron deu dois tapinhas em seu ombro.

– Não se preocupe. Vamos revidar.

– Pai, ele está forte demais.

Dava para notar que Ace não conseguia deixar de olhar para a marca no rosto de Aaron causada pela queimadura que Jet provocou. O homem sorriu com isso. Ele também não conseguira desviar seu olhar do espelho por muito tempo.

– Não é como se nós fôssemos fracos.

– Mas...

– É melhor afastar esse fedelho daqui – falou Natsu. – Ele não conseguiu fazer nada até agora. Venha você, loirinho. Mas se for inútil também, deixarei vocês se despedirem antes de destruí-los.

Aaron olhou para o filho.

– Pode me explicar isso?

– Resumidamente? As almas de todos os membros da Fairy Tail de X791 apareceram assim, em preto e branco e completamente estranhos, e nos desafiaram para a Batalha das Fadas; devemos derrotar todos os veteranos, que se espalharam pela cidade. Se perdermos, eles destruirão Fiore e todos os que moram aqui.

O loiro acenou lentamente com a cabeça.

– Então você quer acabar com todos nós...? – Ele olhou para Natsu. – Como se eu fosse deixá-lo tocar na minha família.

O antigo Dragon Slayer sorriu – e que sorriso estranho – e olhou para cima.

– Gato! Pode soltar essa peste. Ele não vai atrapalhar mais.

Aaron também olhou para cima. Só então viu a versão preto e branca de Happy agarrando outro Exceed. Happy o soltou e o empurrou para baixo com força, só que Ace foi correndo para segurá-lo.

– Agora saia daqui também, bicho irritante.

O velho Exceed baixou as orelhas e voou amedrontadamente de volta para o chão. O breve momento que Natsu levou olhando para ele foi o suficiente para Aaron avançar até ficar cara a cara com ele. Seu braço estava coberto de um tornado flamejante.

– Eu já entendi que você não é meu pai. Mas eu não vou permitir que você fale com seus companheiros desse jeito enquanto tiver o mesmo rosto que ele.

Isso não abalou o sorriso irritante de Natsu.

– De novo um que vem com fogo? Não percebe que eu posso simplesmente sugar suas chamas?

Aaron também sorriu.

– Não se lembra de que você nunca conseguiu sugar essas chamas?

Então, ele afastou o braço para logo em seguida desferir um soco no vão entre ele e o suposto Natsu. As chamas em seu braço se soltaram dele e envolveram todo o corpo de seu oponente, que por sua vez logo tentou sugá-las, sem sucesso. O fogo se aproximou cada vez mais de Natsu até tocá-lo e explodir. Aaron apenas se afastou um pouco da fumaça causada.

– As chamas que nem você conseguiu deter... Tornado Fire. Lembrou agora?

Segundos depois, ele ouviu o som do pé de Natsu pisando na água formada pela neve derretida e deu um passo para trás, bem a tempo de desviar de seu soco. O veterano tinha um fiapo de sangue negro escorrendo pelo canto da boca e tinha ferimentos espalhados pelo corpo, e por causa disso parecia realmente nervoso. Talvez tenha sido por isso também que tenha ficado tão frustrado quando errou o golpe.

Aproveitando da situação, Aaron também deu um soco, e esse acertou em cheio. Contudo, o rosto de Natsu mal foi empurrado para o lado e o punho de Aaron latejou. Era como se tivesse socado uma pedra.

O mago mais velho se animou mais um pouco com isso. Preparou um soco, mas parou-o a centímetros do rosto de Aaron, desferindo o verdadeiro golpe em seu abdômen com o outro punho. Dessa vez foi se tivessem jogado uma pedra nele. Aaron já tinha lutado contra seu pai antes e tinha certeza de que a força dele não chegava a esse ponto.

O loiro conseguiu firmar os pés no chão para não ser empurrado para muito longe, o que deixou um rastro na neve. Natsu investiu novamente e Aaron imediatamente reagiu. Passou suas mãos cobertas de chamas no ar a sua frente e as chamas se uniram, formando uma parede de fogo entre os dois magos. Natsu logo abriu a boca para sugar seu fogo. Aaron apenas continuou a criar cada vez mais chamas para ele devorar enquanto ia dando pequenos passos para trás. Depois da última rajada, se infiltrou na parede flamejante, dispersando as chamas a sua volta para sair ileso, e deu uma cotovelada bem no peito de Natsu, que ainda tentava engolir todo aquele fogo.

– Incrível, pai! – Gritou Ace.

– Você está dominando a luta! – Foi o grito do Exceed que acompanhava seu filho.

Diante de Aaron, Natsu estava caído e aparentemente inconsciente. Todo o fogo atrás deles havia se dissipado por completo. O loiro ofegava; dominando a luta ou não, estava sendo bem cansativo. Pelo menos agora parecia estar chegando ao fim...

– Chama isso de incrível? Não me faça rir. – O Dragneel mais velho balançou a cabeça e se levantou com um pouco de dificuldade. – Se você fosse um mago de fogo tão bom assim, não teria essa queimadura no rosto.

Aaron tocou instintivamente a marca gravada por Jet em seu rosto. Não doía mais. Apenas formigava com o toque.

– Isso prova que você não consegue deter nem chamas ordinárias. Então, não é páreo para as chamas de um verdadeiro Dragon Slayer!

Aaron não conseguiu reagir a tempo quando viu Natsu inflando as bochechas e disparando seu rugido de fogo – este maior do que qualquer outro que ele já tinha visto. Ouviu Ace gritando algo e torceu para que seu companheiro já o tivesse tirado dali voando. As chamas brancas daquele Natsu chegavam a ser mais quentes que as do original. Mas ainda assim...

– Não brinque comigo.

O loiro então se envolveu em suas próprias chamas e as expandiu de forma que o fogo branco foi afastado de si. O calor era tanto que a neve aos seus pés havia se derretido e a água produzida já estava fervendo, mas Aaron resolveu ignorar a queimação nos pés por ora.

– Eu fui treinado por um verdadeiro Dragon Slayer. Sou mais do que capaz deter as habilidades de um.

As chamas de Natsu começaram a se fundir com as de Aaron, e o homem logo se viu envolto por uma esfera flamejante de chamas vermelhas e brancas.

Flames Absorption...

Ele, então, estendeu os braços para os lados. Uma rajada de fogo saiu de cada lado de sua esfera e ambas foram direto para cima de Natsu, que não teve como se proteger.

Release.

O impacto causou o levantamento de uma cortina enorme de fumaça. Aaron viu com o canto do olho quando Ace foi deixado no chão por seu Exceed e começou a correr em sua direção.

– Além disso – falou o homem apontando para a marca em seu rosto –, é idiotice dizer que essas chamas são ordinárias quando a pessoa que fez isso comigo também foi treinado por você.

E caiu sentado com o cansaço. Aaron ofegava mais ainda e sua visão estava embaçada. Não imaginou que o último movimento consumiria tanta energia.

– Isso foi sensacional, pai! – Exclamou Ace. – Você acabou com ele! Foi demais!

– É. – Aaron deitou. A água continuava quente, mas não ligou para isso. – Eu fui mesmo demais.

– O senhor Dragneel venceu! – Comemorou o Exceed. – Venceu! Venceu! Cadê aquele gato fantasma para eu esfregar isso na cara dele?!

Aaron riu com sua empolgação, mas foi aí que se tocou: não tinha visto Happy desde que Natsu o dispensara. Olhou ao redor e nada. Ele não estava ali.

Ace o cutucou. Seu pai olhou para o rapaz e ele olhou para cima, na mesma direção em que olhava. Aaron bufou de frustração.

Porque Happy tinha as asas abertas e segurava um Natsu são e salvo no céu. Este estava encoberto de chamas, mas dessa vez elas eram negras. Imaginando o que podia ser, Aaron engoliu em seco.

– Ace – ele chamou o filho. – Canalizar as chamas de um Dragon Slayer não é nada fácil. Eu estou esgotado. Depende de você agora.

Ace olhou para o pai e logo voltou a se concentrar no suposto avô. Happy lançou seu dono na direção dos oponentes e as chamas negras de Natsu se expandiram, deixando um grande rastro flamejante atrás dele.

Metsuryuu Ougi Shiranui Gata: Guren Hoo Ken!

Dragon Force. Só podia ser.

Antes de Aaron conseguir chamar a atenção de Ace, ele já gritava para o pai. Seu Exceed o carregava e o rapaz estendia a mão, que o homem segurou firmemente e se deixou se levado para longe da destruição certa que o golpe de Natsu causaria.

O gato obviamente não conseguiu aguentar o peso por muito tempo; fez um voo raso até o ponto mais longe possível do impacto, mas acabou caindo com os dois no meio das árvores. No instante seguinte Natsu se colidiu com o chão, mais fumaça ainda foi erguida e uma cratera com certeza foi formada.

– Me escute, filho. Eu treinei o suficiente com o meu pai para aprender que a única coisa que pode acabar com um matador de dragões em seu auge é um dragão. O que significa que só você pode detê-lo agora. Entendeu?

– Mas pai, eu nunca nem consegui atingir a Dragon Force!

– Não tem problema. Eu te ajudo.

Aaron estendeu a mão. Uma chama vermelha e branca surgiu sobre ela no mesmo momento em que o grito furioso de Natsu ecoou pelo lugar.

– Vá. Mostre a essa cópia fajuta do seu avô que o verdadeiro Dragon Slayer é aquele que foi treinado por Natsu e Igneel, um dos herdeiros da força absoluta dos Dragneels. Eu acredito em você, filho.

Aaron estendeu a chama para ele. Ace sorriu.

– Obrigado, pai. Mas eu fui treinado por você também.

O homem lhe devolveu o sorriso enquanto observava seu filho sugar suas chamas.

Do outro lado, Natsu avançava na direção de Aaron com cada vez mais velocidade. Brasas faiscavam ao seu redor e ele continuava gritando, tamanha era sua raiva. Ao se aproximar mais, pulou com o punho coberto de fogo. Aaron teria sido atingido em cheio se seu filho não tivesse se colocado a sua frente e bloqueado o golpe de Natsu com o próprio antebraço.

– Não toque no meu pai – ele falou. Bastou essas palavras para o peito de Aaron se encher de orgulho.

Ace afastou o oponente com um movimento do braço e logo em seguida afundou o punho em seu peito. Natsu gemeu de dor. Então o atual Dragon Slayer pôs fogo em seu punho e empurrou o adversário para o chão.

Seu rosto estava cheio de escamas, assim como o de Natsu. Ace estava mais feroz do que nunca. Era quase assustador. E Aaron teria ficado assustado se não estivesse extremamente contente por seu filho atingir o ponto que ele sempre sonhou em alcançar quando era menor. Ace estava na Dragon Force.

–---

– Pai, mãe! Eu consegui! Igneel vai me ensinar a magia de Dragon Slayer!

Aaron e Katie saíram imediatamente da cozinha para ir ao encontro do filho na sala de estar. Jet tinha entrado logo depois de Ace, bateu a porta e seguiu direto para o quarto. Katie tentou chamá-lo, em vão; ele bateu a porta do quarto também. Estava determinado a passar o resto do dia lá dentro.

– Isso é ótimo, Ace! – Exclamou Aaron enquanto se ajoelhava diante do filho. – Eu sabia que um de vocês conseguiria. Como foi o exame?

– Difícil. O Jet ficou o tempo todo falando que nada era difícil para ele, mas ele se deu mal! O Igneel disse que entre nós dois eu sou o mais preparado para ser um Dragon Slayer!

– Parabéns, querido. – Katie se abaixou para dar um abraço e um beijo no menino. – Mas lembre-se de não se gabar muito por isso nem se achar o melhor, sim? Jet também é forte.

– Eu sei! Ele é um bom mago de fogo. Falando nisso... Pai, por que você não é um Dragon Slayer também?

Aaron deu uma risada sem graça.

– Bem, eu fui reprovado no meu exame. Igneel não me aceitou.

– O quê? Por quê?

– O meu exame foi bem difícil, Ace. Foi tão difícil que sua mãe e sua tia Jade tiveram que me acompanhar. – Ele fez uma pausa, suspirou e olhou para o nada nostalgicamente. – O exame era uma missão que pegamos na guilda, na verdade. Tínhamos que derrotar dois criminosos conhecidos como as “Espadas Gêmeas”: dois irmãos espadachins muito fortes. No final, eu estava ferido e assustado e sua mãe e a tia Jade estavam em grande perigo. E a única coisa que consegui pensar era que só podia salvar uma delas.

– E você salvou a mamãe, né?

Aaron coçou a cabeça de vergonha e Katie tomou a palavra.

– Não, querido. Seu pai e eu tínhamos nos conhecido havia apenas um mês. Entre uma pessoa que ele tinha acabado de conhecer e a irmã, ele escolheu salvar a tia Jade.

– A sorte da sua mãe foi que o espadachim que a atacou estava enfraquecido demais para causar um dano mais grave – continuou o pai. – Mas o Igneel não aprovou minha decisão tanto quanto ela. Ele disse que não só um Dragon Slayer como um mago de verdade jamais deveria escolher entre dois companheiros para proteger; deveria sempre procurar proteger a todos. Então eu não passei no meu teste e continuei treinando minha magia de fogo com seu avô.

– E você ficou triste por não ter conseguido ser um Dragon Slayer? – Perguntou Ace.

– No começo, fiquei um pouco chateado. Mas isso me fez amadurecer. Deixei de ser a criança agitada que só pensava a lutar e lutar e lutar e comecei a crescer. E daí se eu não fosse o Dragon Slayer? Eu tinha certeza de que um dia eu teria um filho, que Igneel o aprovaria em seu exame e que eu teria muito orgulho dele.

–--

Ele estava certo.

A sua frente, Ace trocava combos furiosos com Natsu. Dois Dragon Slayers de Fogo em plena Dragon Force se combatiam ferozmente bem diante dos seus olhos. Aaron estaria muito empolgado se a situação não fosse tão séria.

Depois de trocar mais e mais socos e chutes flamejantes, Ace copiou a tática anterior de seu próprio oponente; blefou um soco, o que confundiu Natsu, que já tinha preparado sua defesa. E então cobriu o mesmo punho com o máximo de chamas de vermelhas e brancas possível e socou o ponto sem defesas do adversário. Natsu foi jogado para trás.

– Você tentou machucar a mim, a meu amigo e a meu pai. Você veio aqui com a intenção de destruir a tudo e a todos que amo. E tudo isso se passando por meu avô. – As chamas de cores misturadas ao seu redor se intensificaram. – Vou obrigá-lo a pedir perdão!

Então ele sugou as próprias chamas que dançavam pelo seu corpo e inflou as bochechas. Antes que Natsu pudesse reagir, soltou seu rugido.

Karyurei no Hokõ!

Um raio imenso e muito potente de chamas vermelhas e brancas foi disparado sem dó nem piedade na direção de Natsu. Aaron chegou a abraçar o Exceed de seu filho para protegê-lo; o chão todo tremia com a força do ataque.

– Seu filho é um monstro – murmurou o gato.

– Teve a quem puxar – respondeu o loiro.

Pareceu ter demorado uma eternidade para o golpe cessar, e quando aconteceu, Ace desabou. Aaron soltou o Exceed e correu até o filho. Natsu estava caído alguns metros a frente dentro de uma cratera criada sobre a cratera que ele mesmo criara, e dessa vez estava claramente derrotado.

– Ace! Você está bem?

– Nunca... Estive... Melhor.

Aaron riu. O gato suspirou e riu também. Ace até tentou rir, mas a risada se transformou num gemido de dor e ele desistiu.

–... Vocês o derrotaram.

Os três olharam para Happy, agora parado diante do corpo inerte de Natsu. Era difícil dizer, mas ele parecia estar realmente triste.

– Eu achei que tinha que fazer algo por ele. Mesmo com ele me maltratando, eu não queria sair do seu lado porque sentia que tinha alguma missão a cumprir com esse cara. – Ele balançou a cabeça. – Eu não quero lutar com vocês. Só quero deitar aqui e esperar que isso acabe, porque tenho um lugar muito importante para ir e esse jogo está me impedindo.

Aaron sorriu e se levantou para caminhar até o Exceed que deveria ter pelos azuis. Se inclinou lentamente em sua direção para não assustá-lo e acariciou sua cabecinha.

– Achei que nunca mais ouviria essa sua voz manhosa, Happy. Pode relaxar. Ninguém aqui pretende lutar com você.

Ele deu um sorriso quase imperceptível e se deitou silenciosamente ao lado de Natsu. Aaron suspirou.

– Quer saber? – Ele se deixou cair ali mesmo. – Também estou com saudade de deitar ao lado dele depois de um bom dia de treino pesado.

– Ah, eu também quero – resmungou Ace. – Lucky, me leve até lá.

– Eu não – seu gato respondeu imediatamente. – Você já é pesado quando está bem, imagina quando está quase desmaiado!

– Por favor! Eu vou te dar um saco cheio de peixe quando chegarmos em casa se fizer isso.

– Jura?

– Juro!

Lucky ainda pensou um pouco antes de arrastar Ace até ele ficar perto de seu pai e seu avô. Aaron sorriu e acariciou os cabelos do filho antes dele adormecer por completo.

– É uma pena o que aconteceu com a casa, senhor Dragneel – falou Lucky.

Aaron olhou para o lado e só então viu o estrago que tinham feito na velha casa de seus pais: grande parte dela tinha sido destruída por conta da batalha e a placa que costumava ficar logo a sua frente estava queimada. Provavelmente a maior parte do estrago tinha sido feita por causa do Metsuryuu Ougi de Natsu e do rugido de Ace. Aaron sentiu uma pontada no peito, mas não se incomodou de verdade com isso.

– Tudo bem. Essa casa não ficaria aí para sempre mesmo. Temos que seguir em frente.

– Mas era importante para sua família, não era?

– É claro. É só que... Olhe, Lucky, não podemos ver uma construção ou um bem material como portador de laços, sentimentos e memórias. Não é porque a casa foi destruída que tudo o que construímos em nossa família foi destruído também. Os Dragneels continuam firmes e fortes, da melhor maneira possível. Hm... Se bem que talvez eu refaça aquela placa. Nunca gostei do quanto meu nome ficou pequeno quando o escreveram ali.

Lucky riu um pouco e se aninhou entre Aaron e Ace.

– Aye. Eu gosto dessa família.

O loiro acariciou sua cabecinha. Por mais que tivesse total convicção do que dissera, não conseguia deixar de sentir a dor de ver seu antigo lar destruído; afinal, foi ali que ele passou a infância com sua família. O que o tranquilizava era saber que tinha destruído a casa para derrotar alguém que pretendia destruir todo o seu país, toda a sua família. Se Katie, Jade, Ace e Jet estivessem bem, ele também ficaria. Se eles estivessem à salvos, a casa poderia ter sido um bom preço a se pagar por sua segurança.

Então, mesmo sabendo que Lucky já tinha adormecido, murmurou:

– Eu também, gatinho. Eu também.

Notas finais
No próximo... (narrado por Felicity) Eu preciso engolir todas as lembranças. Preciso convencer a mim mesma que essa mulher não tem nada a ver com a mama. Tenho que fazer isso e vencer, não importa o que aconteça. Mas como posso conseguir isso se no fundo não consigo deixar de pensar no quanto gostaria que minha mama estivesse aqui comigo? Não perca o próximo! "A Verdadeira Família" Soreha, sayounará!