Fairy Tail! Aratana Densetsu!

49 A Última Assassina


Ruby e Leon caminhavam em silêncio pela floresta. A garota não fazia ideia de onde o irmão a levaria, sequer pensava muito nisso agora. Apesar de estar cego, Leonard andava com tanta certeza de seus passos que parecia enxergar perfeitamente. Ruby presumiu que estivessem indo a um lugar com o qual ele já tivesse se acostumado a ir antes de perder a visão, e que suas pernas o levavam até lá automaticamente.

Ainda assim, a maga estava curiosa para saber o motivo de ter que andar tanto até que eles pudessem ter essa conversa particular, e também tentava imaginar a causa da cegueira do irmão, e desde quando ele estava assim. Tirando isso, e o fato de seus cabelos estarem muito bagunçados, Leon parecia o mesmo de sempre. Não mostrava qualquer expressão, qualquer sentimento que pudesse estar sentindo naquele momento. Por sua vez, Ruby sentia que podia irromper em lágrimas a qualquer momento; só não sabia se seriam de alegria ou de tristeza.

– Chegamos – disse Leon.

A voz do rapaz tirou a garota de seus pensamentos, e ela olhou em volta, se surpreendendo ao perceber que também conhecia o lugar.

Era como uma grande clareira coberta de flores. Sua beleza dava a impressão de que fora implantada magicamente ali; as flores de diferentes tipos pareciam brilhar sob a luz do sol, trazendo à Ruby algumas das melhores lembranças de toda a sua infância.

– Lembra desse lugar? – Perguntou seu irmão. – Costumávamos vir aqui quando éramos crianças, e passávamos horas brincando. O cheiro continua o mesmo...

Com um aperto no coração, Ruby se perguntou qual teria sido a última vez que Leon vira aquele lugar maravilhoso, e quantas vezes teria ido ali sozinho para poder se lembrar tão bem do caminho.

– Leon... Por que me trouxe aqui?

O rapaz se virou para a irmã, com um pequeno sorriso.

– Quem bom que voltou a me chamar assim – comentou. – Bom, eu a trouxe aqui para podermos conversar, como já disse. Mas primeiro... Tem algo que queira me perguntar, Ruby?

– Tenho – disse ela imediatamente. – Como você ficou cego? Quando foi isso? Por que você virou mercenário? O que você fez quando fugimos de casa?

Leon não pareceu surpreso com o questionário imediato.

– Bem – começou ele –, uns dois anos atrás, no começo da minha carreira de mercenário, eu e Mathias resolvemos nos arriscar e pegamos um trabalho difícil. Mas o alvo era bem inteligente, e armou uma espécie de armadilha de luz quando nos aproximamos. Não fechei os olhos a tempo e o excesso de luz me cegou. Mathias percebeu o que tinha acontecido e me tirou de lá o mais depressa que pôde.

– Você já está cego há dois anos? – Perguntou Ruby, com a voz baixa. – E é mercenário desde os dezessete?

– Sim. Foi quando fiquei cego que Mathias me ajudou mais do que nunca. Não importa o que ele diga sobre ser frio, ter perdido os sentimentos, e tudo o mais, ele é um verdadeiro anjo da guarda.

Houve um silêncio meio constrangedor em que Ruby tentava imaginar aquele homem de cabelos prateados que conhecera minutos antes como um anjo da guarda, e Leon olhava fixamente para o céu, parecendo, por um instante, angustiado.

– Quanto às suas duas últimas perguntas, elas se associam, podemos dizer. Quando saí de casa, não sabia para onde ir, nem o que fazer para sobreviver. Não conhecia mais nenhum parente nosso, e não podia procurar você, só complicaria mais as coisas... Então, achei uns trapos velhos por aí e me cobri com eles para poder vagar pela rua sem ninguém apontando pra mim. Por dois eu me virei sozinho, fazendo qualquer coisa para conseguir comida e um lugar para dormir. Então, quando tinha dezesseis anos, conheci Mathias. – Ele fez uma pausa, novamente apresentando um breve e pequeno sinal de angústia. – Ele estava tão perdido quanto eu. Sem família e sem amigos. Ele me ajudou uma vez a sair de uma enrascada, e a partir daí começamos a nos ajudar sempre, contando histórias a noite sobre nossas antigas vidas... Uma vez eu disse o que aconteceu com você e nossos pais, e que era por isso que estava vivendo na rua, mas ele contou uma história muito limitada sobre o que o levou às ruas... Enfim, um ano depois, percebemos que não era mais possível viver só de sobras. Contudo, ninguém queria contratar dois rapazes que viviam nas ruas e que não tinham completado seus estudos. Nossa única saída foi nos aliar aos mercenários. Mathias tinha dezoito na época. Éramos os mais jovens do grupo, mas o chefe não se importou muito, e fizemos trabalhos como os demais. Era e continua sendo por necessidade, Ruby.

– Mas vocês estão nisso há dois anos – disse a garota. – Ainda não conseguiram dinheiro o suficiente para se sustentarem?

– Para nos sustentar, sim.

– Então, por que...

– Realmente pensamos em largar esse ramo; já tínhamos dinheiro o suficiente e todos esses trabalhos de assassinato estavam nos torturando por dentro. Mas tivemos que continuar, por minha causa.

Ruby ficou confusa.

– Por causa da cegueira...?

– Ah não, quem dera se fosse só a cegueira. Não, apareceu outro problema... Um problema cardíaco.

A garota teve a sensação de que algo dentro dela acabara de se rachar.

– Fui aconselhado a não me esforçar demais, porque, se o fizesse, teria ainda mais riscos de morte. Por isso, Mathias dobrou seus trabalhos para ganhar dinheiro extra e pagar um tratamento, mas eu queria ajudar. Então, mesmo sabendo que encontraríamos você aqui hoje, insisti para vir e ele acabou cedendo, mesmo sabendo o que eu pediria a você quando a encontrasse.

Ruby engoliu em seco. Tinha certeza de que ele não queria simplesmente conversar em particular com ela. Por isso não foi tanta surpresa quando ele sacou sua espada de duas mãos japonesa, uma nodachi.

– Ruby, concede-me uma última luta?

Ele fez o pedido de maneira tão trivial, como se convidasse alguém para dançar, que Ruby demorou alguns segundos para absorver o que ele disse. Olhou para o irmão, surpresa e espantada.

– Mas... Mas você... Você está cego!

– Posso sentir o poder mágico das pessoas – replicou Leon. – Então sei exatamente onde você está. Não será problema, já conheço o lugar, já vim muitas vezes aqui antes de ficar cego... Não se preocupe, Ruby. Só estou lhe pedindo uma última luta.

A garota mal acreditava no que ouvira; como seu irmão podia lhe pedir uma luta séria, ainda mais estando cego e dizendo que seria sua última luta? Era uma proposta maluca, inaceitável, ele só podia estar brincando...

Mas, encarando Leon, percebeu que o rapaz falara sério.

– Eu não posso fazer isso – disse ela, por fim.

– Ruby, por favor. Eu já estou morto por dentro mesmo, se você me matar não fará a menor diferença. Considere isso como o último pedido de alguém que pode morrer a qualquer momento. E, já que é assim, por que não tornar isso um momento memorável?

Ruby quis protestar, dizendo que não conseguiria matá-lo em hipótese alguma, e que qualquer memória dessa luta não seria nada agradável. Contudo, sentiu um nó na garganta, e não conseguiu dizer nada que estava pensando. Surpreendeu-se, então, ao perceber que concordava com a cabeça.

– Então, vamos?

Antes que pudesse se impedir, a garota assentiu mais uma vez, e estendeu a mão direita para o lado. Um círculo mágico surgiu ali, seguido de uma foice preta, tendo uma estrela vermelha no ponto de encontro entre o cabo e a lâmina.

Reequip: Blood Reaper.

Que estava acontecendo com ela? Parecia até que ela já tivesse, no fundo, o desejo de confrontar seu irmão... Talvez tivesse, mas não devia ser tão forte a ponto de fazê-la avançar para a luta.

Com um discreto sorriso, Leon ergueu a espada e bloqueou o primeiro golpe de Ruby, e com agilidade replicou com um corte horizontal, do qual a garota, se movendo quase que involuntariamente, se desviou com elegância e desapareceu; no instante seguinte, reapareceu um metro acima do irmão, se preparando (para sua própria surpresa) para lhe aplicar um corte grave com a foice. Porém, Leon rolou para o lado e se esquivou, com um reflexo incrível.

– Desculpe – murmurou Ruby, voltando brevemente a si. – Eu não queria... Não sei o que estou fazendo...

– Por que está se desculpando? Era exatamente o que eu queria que fizesse, não?

Algo adormecido dentro de Ruby, que ela mesma nem sabia o que era, se despertava aos poucos e tomava o controle de seu corpo; um segundo depois, fez sua foice desaparecer e recomeçou o ataque, avançando para cima de Leonard e desaparecendo no meio do caminho. Reapareceu logo em seguida atrás dele, desferindo-lhe um soco, e em seguida ao seu lado, lhe dando um belo chute na lateral da cabeça. Em pouco a garota se transformou em um vulto ruivo, teletransportando-se em torno do irmão, socando e chutando todas as partes do seu corpo com a maior velocidade que pôde.

Então, quando ela surgiu ao lado do rapaz para chutá-lo novamente, ele agarrou sua perna e a lançou contra uma árvore.

– Você se tornou realmente boa nisso – comentou Leon. – Seu poder mágico é absolutamente incrível.

E, de repente, Ruby se lembrou de outra coisa que queria saber há muito tempo.

– Leon... Por que nossos pais odiavam magos? E por que eram assassinos?

Leonard sorriu fracamente.

– Sabia que íamos acabar chegando nesse ponto. Bem, a luta pode esperar... Você está pronta para saber, afinal, e creio que esta seja sua última chance.

Ruby tremeu só de pensar que estava pronta por ter tido sangue frio o suficiente para matar os próprios pais, mas aguardou em silêncio para ouvir a explicação de seu irmão.

– Ruby, você sabia que devíamos ter mais um irmão?

A garota sacudiu a cabeça, negando, surpresa.

– Já suspeitava... Bem, quando você tinha dois anos, e eu, quatro, nossa mãe engravidou mais uma vez. Só que a gravidez não durou muito tempo. Quando ela perdeu o bebê, sua barriga nem tinha crescido muito ainda.

– E o que isso tem a ver com...

Leon estendeu um dedo, fazendo-a se calar.

– Segundo o que nossos pais me contaram, quando eu tinha catorze anos, houve uma noite em que eles resolveram caminhar juntos, nos deixando por conta da babá da época. No meio do passeio, porém, foram atacados por três magos. Antes que eles reparassem que era o alvo errado, os três já tinham lançado suas magias contra mamãe e papai. Eles pediram perdão, dizendo que os confundiram com um casal de Dark Mages, mas...

Ele fez uma pausa, os olhos vazios fixos em uma Ruby espantada.

– Papai sempre foi meio insano, sabe. Junte isso senso de proteção enorme que sempre teve por nós, e pronto: ele ficou completamente louco porque, a julgar pelo sangramento da mamãe, ela tinha perdido o bebê. Os magos fugiram antes que ele pudesse revidar. Mas ele nunca se esqueceu e, depois de tantas tentativas falhas de achar os assassinos de seu terceiro bebê, matou o primeiro mago que viu pela frente... Nosso bisavô paterno.

– Ele matou o próprio avô?! – Exclamou Ruby, perplexa.

– Não posso defender nossos pais, maninha, eles eram realmente insanos. Não precisaram me dizer onde a mamãe se encaixava nessa história de assassinato; eu os ouvi conversando naquele dia, mesmo só tendo quatro anos eu lembro perfeitamente... Papai contou como era "maravilhosa a sensação de ter o sangue de outra pessoa respingando em seu rosto". Mamãe acabou sendo convencida... Ainda me lembro das risadas enlouquecidas dos dois...

– Eram dois mascarados, apenas isso – disse a garota, mais para si mesma do que para o irmão. – Disfarçavam a sanidade para o público e para os próprios filhos. Dois...

– Sujos – apressou-se em completar Leon, dando uma risadinha. – Não suje sua boca, Ruby, seu sangue já está corrompido o bastante.

Ruby permaneceu em silêncio, absorvendo aquela história. De repente, amargurada, percebeu que ao se sentia mais tão culpada e triste consigo mesma por ter matado os dois.

– Entende agora, mana? Você não era a ovelha negra da família por ser a única a herdar a magia de nosso bisavô. Você era, e é, a salvação dos Casterwill.

A garota não compreendeu de imediato. De fato, nunca ouvira falar em mais nenhum mago na família até um minuto atrás, mas isso não a tornava uma salvação... Era não era uma ovelha negra de verdade... Cometera um assassinato duplo, afinal, e acabara de perder toda a culpa pelo que fez. Não importava que tivesse a Teleport e a Reequip Magic; era uma Casterwill como seu irmão e seus pais.

– Sabia que você não ia entender – continuou Leon, com um sorrisinho carinhoso no rosto. – Ruby, pense. Você matou como eu e como nossos pais, mas você foi a única a chorar pelo que fez, a guardar rancor de si mesma por tanto tempo... Eu sei que isso acabou agora... E a única a tomar isso como a pior experiência de todas, nunca mais cometendo o mesmo erro. Arrisco dizer que você é a única que realmente mostrou ter coração nessa linhagem dos Casterwill.

E, subitamente, ela entendeu o real motivo do irmão tê-la desafiado para essa luta. Ele até podia estar doente e querer dar um fim nisso de uma vez, mas agora parecia claro o que mais queria: dar um basta na era de assassinos de sangue frio da família.

Ruby arregalou os olhos com o pensamento, e Leon tornou a sorrir, como se soubesse que suas palavras finalmente a fizeram compreender. Para matar o irmão, precisaria de muito sangue frio, e aumentaria sua lista de assassinatos... Mais um parente... Mas, dessa vez, um parente que realmente amava.

– Acho que podemos acabar com essa enrolação agora mesmo – disse ele, largando a espada e abrindo os braços. – Só você pode fazer isso, Ruby. Destrua de vez o sangue corrompido e comece uma nova era para os Casterwill.

Ruby começou a chorar e soluçar ao mesmo tempo. Não podia... Maldita hora em que matou os pais... Podia ter simplesmente fugido, e não teria de carregar o dever de terminar o que começara...

E, para piorar a situação, Leon não tirava aquele sorriso gentil do rosto. Aquele sorriso que Ruby conhecia tão bem... Que via todos os dias na infância...

Não era justo, não podia matar o irmão, ainda mais no dia em que finalmente o reencontrara... Ainda havia tanta coisa para viver com ele...

– Eu desisto, Leon! Nunca vou aprender a tocar flauta!

– Não fale assim, Ruby. Tente mais uma vez. Vamos, me acompanhe...

– Vou demorar anos para aprender isso...

– Não importa, vou continuar te ensinando, quero ver você progredindo. Você quer aprender, certo?

– Certo...

– Então, vamos, mais uma vez.

Ainda não aprendera a tocar flauta... Nunca mais brincou no meio das flores daquela clareira... Ainda não recebera o abraço fraterno que vinha aguardando nesses cinco longos anos...

– Veja, Ruby. Essa daqui é uma orquídea... E esse, um lírio... Essa outra, uma margarida...

– São lindas, Leon!

– Quer ver elas de um jeito bem legal?

– Quero!

– Beleza, vou te girar então. Venha aqui, se segure em mim...

– Para, Leon! Hahahaha... Para, você tá pisando nas flores!

– Opa!Foi mal. Mas foi divertido, não foi?

– Foi! Vamos fazer isso onde tenha menos flores!

– Ok, você manda. Ei, espera, vem cá...

E com essa lembrança, Ruby se lembrou da sensação das pétalas das flores despedaçadas por Leon caindo sobre ela, lembrou de rir e pegar mais um punhado de pétalas e jogar para o alto... E viu que nunca mais teria essa sensação...

Não era justo que aquela tarefa coubesse a ela... E, mesmo se não o fizesse, a doença levaria seu irmão... Começou a buscar desesperadamente na memória por um momento que a fizera ficar magoada ou brava com Leon, para facilitar o momento, mas não achou nenhuma, e concluiu que, apesar da frieza que os pais colocaram nele, fora um ótimo irmão...

– Faça isso, Ruby – reforçou Leonard. – Elimine a linhagem corrompida da família, me livre do sofrimento que essa doença me trará mais cedo ou mais tarde.

Não era justo...

Várias imagens invadiram sua mente, imagens que mostravam Leon sorrindo para ela, a abraçando, a pegando no colo, a beijando na testa ou no rosto, deitando-se ao seu lado na cama à noite para contar histórias para ela dormir, lhe presenteando com brinquedos feitos a mão em seus aniversários...

Não era justo...

E, de repente, a lembrança do enterro de sua avó, seis anos atrás, lhe veio à mente, pela primeira vez em muito tempo...

– Não acredito que a vovó morreu assim.

– Por que não, Leon?

– Não sei, é só... Se fosse comigo, faria de tudo para impedir de morrer por uma doença cardíaca.

– Você procuraria uma cura, então?

– Não, não sou médico e nem pretendo ser, mas não deixaria uma doença acabar com minha vida. Não, teria de ser algo mais digno...

– Essa é a ideia de morte digna que você tem, Leon? – Perguntou Ruby, com a voz baixa. – Ser morto por sua irmã caçula?

– Ser morto por minha irmã caçula e, com isso, garantir que a próxima geração dos Casterwill nunca saiba dessa linhagem vergonhosa que, felizmente, encerrou em mim: essa é minha ideia de morte digna, sim. Me garante esse presente, maninha?

E, novamente sem ter total consciência de seus movimentos, ela assentiu. Estendeu as mãos para frente e um círculo mágico apareceu diante de cada uma delas; no instante seguinte, segurava duas pistolas de cabo vermelho e cano preto, com as letras C e W gravadas também na cor preta no cabo. Apontou uma delas para o irmão, sem colocar qualquer munição. Uma última lágrima escorreu pelo seu rosto quando ela virou o rosto, sem a menor vontade de presenciar o que iria fazer naquele momento.

Fechando os olhos com força, se concentrando em não se lembrar daquele dia de jeito algum, puxou o gatilho.

Sangue respingou em seu braço, e teve que discordar de seu pai; a sensação não era nem um pouco agradável. Virou o rosto lentamente, as lágrimas escorrendo descontroladamente, e viu Leon, com um buraco no peito, cambaleando até ela, até finalmente jogar seu peso sobre a irmã. Ruby o segurou, o abraçando com força, o rosto enterrado em seu ombro.

– Eu te amo, Ruby – murmurou ele.

A garota sentiu uma faca gelada atravessando seu peito, e percebeu que nunca poderia superar aquele momento, que nunca poderia se esquecer de seus últimos minutos com seu querido irmão.

– Eu também te amo, Leon... Me desculpe por isso, por favor...

O rapaz riu fracamente. Ao longe, uma pomba saída de trás das árvores.

– Eu só tenho a agradecer.

E seu corpo caiu completamente sobre a jovem, que continuou a segurá-lo com força, não sentindo mais nenhuma pulsação, apenas o sangue quente saindo de seu peito e sujando suas roupas. Um silêncio brutal se fez, quebrado apenas pelos volumosos soluços da última assassina dos Casterwill e pelo som da flauta de seu falecido irmão.