Fairy Tail: Arashi no Ato De
1 Capítulo 00
Notas iniciais
Divirtam-se!
Fiore, X913
Já era noite. Tai mal conseguia ficar acordado, de tão cansado que estava; passara o dia inteiro, desde manhã, fazendo trabalhos de diferentes tipos e em diferentes lugares. Aquele seria o último: capturar um grupo de ladrões que vinha atuando com certa frequência e sempre ao anoitecer. Só esperava que eles realmente aparecessem naquela noite, ou todas aquelas horas de vigia teriam sido inúteis.
— O que acham de irmos encher a cara depois que acabarmos aqui? – Sugeriu Jacques, o mais velho do trio que Tai liderava. – Por minha conta.
— Obrigado, mas depois disso eu vou direto pra casa – respondeu Tenma, o homem de cabelos tom de mel e olhos verdes azulados. – Prometi para as crianças que faríamos uma noite de histórias hoje.
Jacques, calvo e com os olhos castanhos já envoltos por algumas rugas, fez sua melhor cara de entediado.
— Você vem, né, Tai?
— Hoje não. Vou pra casa também.
— Ah, qual é! Vai me dizer que agora resolveu dar uma de bom pai?
— Estou exausto, cara. O que mais quero agora é cair na cama e dormir.
Jacques riu, ao passo que Tenma soltou um singelo som de desaprovação. Tai sabia que o melhor amigo teria lhe dado uma bronca sobre como deveria ser um pai e marido mais presente e tudo o mais, mas a atenção do trio acabou sendo tomada pela gritaria lá embaixo, na rua.
Um funcionário de uma das lojas gritava na porta que tinha sido assaltado e pedia ajuda para pegar os ladrões, porém, os civis nem ao menos conseguiram reagir, ou por susto, ou por simplesmente não entender o que estava acontecendo. Ninguém corria por ali; os ladrões deviam ter se misturado entre as várias pessoas que passeavam pela rua, e a loja também estava tão cheia que seria difícil distinguir os culpados sem uma boa visão do lugar. A sorte era que o trio da Fairy Tail tinha essa visão. Sobre o telhado do estabelecimento em frente ao assaltado, Tai pôde ver um homem com algo na mão aproveitando uma brecha para disparar para um beco.
— Já estava mais do que na hora!
Jacques se levantou e imediatamente cobriu os pés de fogo, para então dar um salto que destruiu a telha embaixo dele. Na rua, usou a mesma chama como um turbo para acelerar a perseguição.
— Ainda não entendo o porquê de você o deixar entrar no time – Tenma falou pela milésima vez.
— Ele é forte – Tai respondeu com, também pela milésima vez, um dar de ombros. – Plano de sempre?
— Claro.
O tal "plano de sempre" era, basicamente, Tai ir com Jacques para evitar que ele fizesse alguma besteira enquanto Tenma ia para outro lado – no caso, encontrar os outros ladrões.
Tai usou sua Magia de Vento para pousar no chão com suavidade e, em seguida, para correr mais rápido, empurrando os civis ao redor e ignorando todas as reclamações. Seguiu para o beco e encontrou Jacques com as mãos levantadas, diante do ladrão que apontava uma arma em sua direção – o que significava que, em questão de segundos, o mago de fogo faria a sua besteira diária. Então, antes que algo explodisse ou que alguém morresse, Tai deu um passo largo para o dar um forte impulso para frente, concentrou rajadas de vento no pulso e socou o ladrão, o qual foi arremessado para o fundo do beco e caiu em cima de vários sacos de lixo.
— Por que fez isso? Eu queria que ele atirasse, pra poder contra-atacar!
— Exatamente. Fiz isso pra te manter fora da cadeia.
— Bem, sabe que agora é ele quem vai revidar, não sabe?
— E como ele...
Nem precisou terminar a frase; logo viu que o adversário estava novamente de pé, empunhando a arma e conjurando um círculo mágico na frente dela. No instante seguinte, Tai e Jacques eram jogados de volta ao meio da rua por vários tiros mágicos. O bandido fugiu correndo com o saco de dinheiro ainda em mãos.
— Merda – Tai suspirou.
— Deixa comigo, pateta. – Jacques se ergueu, levantou o dedo indicador e fez surgir sobre ele um pequeno círculo mágico vermelho. – Hi no Mahou: Tsuitekite – Raikan!
Uma brasa saiu da ponta de seu dedo e voou por cima das pessoas em busca do alvo. Assim que o encontrou, uma explosão foi vista por todos na rua, causando ainda mais gritaria e protestos, e o bandido finalmente foi ao chão.
O dinheiro, é claro, também pegou fogo.
. . .
No final das contas, Tenma conseguiu pegar os outros dois culpados usando apenas sua Magia de Água e ainda devolveu o dinheiro roubado ao seu dono. Este reclamou com Jacques e Tai pela explosão do terceiro saco, e o dinheiro acabou sendo descontado do pagamento que receberiam pelo trabalho. Não era a primeira vez que algo assim acontecia por causa do usuário da Magia de Fogo, e ele, como de costume, pouco se importou.
O trio voltou andando. Jacques ficou na guilda para beber – não sem antes convidar Tai mais uma vez –, enquanto os outros dois seguiram em silêncio o caminho até suas respectivas casas. A cada passo, Tai torcia mentalmente para que Tenma não tocasse no mesmo assunto de sempre... O que deu certo só até o décimo passo.
— Já é o terceiro trabalho seguido que fazemos com ele em que não ganhamos o dinheiro todo.
— Eu sei.
— Você ainda não acha isso um problema? Jacques é um solitário no mundo, mas eu e você temos família, Tai. Nossos filhos precisam de sustento!
— Tenho minhas garantias. Aliás, por que você se preocupa tanto? A Aoi também trabalha, não é como a minha esposa que passa o dia todo em casa...
— Talvez a Tina precise passar o dia todo em casa porque alguém tem que dar atenção ao Mamoru – Tenma murmurou.
Tai parou de andar.
— Você prometeu que não tocaria mais nesse assunto.
— Desculpe, mas alguém tem que conversar com você sobre isso. – Tenma deu mais um passo cauteloso para se aproximar do amigo. – Olha... Sei que não era o plano de nenhum dos dois ter um filho tão cedo, mas o menino não tem culpa nenhuma. Ele já tem dez anos e a cada dia que passa você parece se importar mais com a diversão do que com seus deveres como pai!
— Eu trabalho, e o dinheiro vai para manter o garoto!
— Então por que mantém o Jacques no time?
— Ah, saco! – Tai se virou para o amigo com uma expressão tão irritada que o assustou. – Isso tudo era só pra continuar reclamando do cara?! Eu sou o líder do time, e digo que ele fica! Se estiver incomodado, saia!
Tenma ficou sem reação de início. Precisou de alguns segundos para conseguir se recuperar e voltar a encarar Tai com firmeza o bastante para declarar:
— Somos amigos. Não vou sair do seu lado.
— Então vai ter que se acostumar.
O mago de água suspirou pesadamente.
— É, acho que vou.
. . .
Não era tão comum Tai encontrar as luzes acesas ao chegar em casa à noite. Abriu a porta já um pouco receoso de ver Tina acordada e precisar passar por mais uma discussão, mas a surpresa maior foi vê-la no sofá conversando com Alisson.
— Oi, Tai – falou a visitante. – Tudo bem?
Alisson era a melhor amiga de Tina desde sua entrada na guilda, dois anos atrás. As duas costumavam fazer trabalhos juntas e estavam sempre conversando no salão da guilda; houve um período em que Tina inclusive falava da amiga várias vezes dentro de casa com o marido. Isso até já tinha parado fazia algum tempo – ou talvez Tai apenas estivesse passando muito tempo fora de casa –, mas o laço entre as duas evidentemente só continuava mais e mais forte. Jacques insistia que o mago de vento deveria tomar cuidado com a amiga ruiva de sua esposa, só que Tai sempre revidava dizendo que era só amizade. Entretanto, aquela era a primeira vez que encontrava Alisson em sua casa à noite.
Sinceramente, o homem já nem ligava mais tanto assim.
— E aí. O que faz aqui?
— Mamoru estava com muita febre – Tina explicou. – Chamei a Alisson para me ajudar, já que você deixou o comunicador em casa de novo.
— Ah. – Tai olhou para a ruiva com o canto do olho. – Valeu.
Ninguém disse nada por um instante, enquanto a esposa – que tinha os cabelos castanhos presos em coque, com alguns fios ainda desgrenhados, e o cansaço estampado nos olhos azuis – encarava o marido como se esperasse algo dele. Este demorou para entender: deveria perguntar como estava o filho, claro. Teria sido a primeira preocupação de Tenma.
— O garoto tá melhor?
— Está na cama. Mandei ele dormir um pouco, mas disse que ia esperar pelo pai.
O mago apenas assentiu e subiu as escadas até o quarto do filho.
Mamoru lia uma revistinha, deitado na cama e de pijama. O menino possuía cabelos negros com apenas uma mecha branca, assim como o pai, e os mesmos olhos azuis da mãe. Tai ainda se lembrava do primeiro pensamento que teve quando soube que Tina estava grávida: "Espero que não tenha olhos sem vida como os meus". Tina, então sua namorada, disse pouco tempo depois que queria exatamente o oposto, porque sempre gostou do tom cinzento dos olhos do companheiro. Provavelmente não pensava mais do mesmo jeito.
Assim que Mamoru notou o pai parado na porta, deu um pulo na cama que mataria a mãe do coração.
— Pai! Olha só o que aprendi hoje!
Ele estendeu as mãos para frente e respirou fundo, com uma cara muita séria de concentração. Depois de segundos na mesma posição, um círculo mágico azul-claro – muito parecido com o do progenitor – foi criado, e na sequência uma rajada de vento saiu dele e derrubou alguns brinquedos que jaziam na estante.
— Viu só?! Também tenho a Magia de Vento, igual ao senhor!
Tai não soube o que dizer. Estava surpreso, sim, mas também dividido: parte dele estava orgulhosa em ver que o filho herdou sua magia, enquanto outra parte estava decepcionada por Mamoru não carregar a Magia de Criação da mãe, que sempre viu como mais forte. Afinal, como a rosto da criança mostrava que queria muito uma resposta positiva, sorriu e disse:
— Isso foi muito legal, garoto. Parabéns.
— Não foi?! – Os olhos de Mamoru brilhavam. – Eu vou treinar bastante e... – Ele tossiu um pouco. – E vou me tornar tão forte quanto o senhor!
— Muito bom, mas o que você vai fazer agora é descansar.
Mamoru se deitou rindo.
— Mamãe disse que vai me levar na guilda amanhã, se eu estiver melhor. A tia Aoi e o tio Tenma também vão levar o Taiyou e a Tsuki.
— Que legal.
— O senhor vai ficar o dia todo trabalhando amanhã de novo?
Tai suspirou.
— Não sei. Mas nós vamos nos encontrar lá de um jeito ou de outro.
— É... – Mamoru bocejou. – Será que a Mestra vai me deixar comer um pedaço de torta dessa vez?
O pai riu da esperança ousada da criança, apagou a luz do quarto e, antes de dar boa noite, respondeu:
— Se quiser continuar vivo, acho melhor parar de pedir.
. . .
Seguindo a rotina, Tai saiu de casa antes dos outros acordarem e foi direto para a guilda. Fez o primeiro trabalho do dia sozinho. Quando voltou para a sede da Fairy Tail, já estava na hora do almoço e o lugar estava mais cheio. Jacques tinha finalmente acordado e Tenma havia chegado com a esposa e os dois filhos, assim como Tina e Mamoru. Seu filho brincava com Taiyou e Tsuki num canto, enquanto sua esposa conversava com Alisson e Aoi. O máximo que recebeu dela ao chegar lá foi um aceno de mão.
Foi logo juntar-se à Jacques no bar. A televisão da guilda exibia um programa qualquer, em volume baixo.
— E aí, parceiro! – Jacques claramente já estava meio bêbado. – O que temos de bom pra hoje?
— Qualquer coisa que dê dinheiro
— E que não leve muito tempo – Tenma acrescentou, se sentando ao lado de Tai. – As crianças estão aqui hoje e Aoi também vai trabalhar, então queremos fazer serviços rápidos para podermos passar o tempo aqui juntos.
Tai ficou encarando o amigo por uns instantes, mas no fim das contas só deu de ombros e concordou.
— Também não tô a fim de fazer nada muito puxado.
— Vocês são duas maricas, isso sim! – O mais velho do time deu uma golada na cerveja. – Se não fosse por mim, esse time estaria perdido.
Os magos de água e vento simplesmente ignoraram.
Tudo corria normalmente na sede da maior guilda do país: muita gente falando e rindo alto ao mesmo tempo, pessoas bebendo, outras travando lutas "amistosas" que resultavam em coisas quebradas, tudo isso somado às vozes das crianças. Estava tudo bem – para em pouco tempo deixar de estar.
Alguém chamou a atenção para a televisão, pois o programa que passava havia sido interrompido e agora aparecia o brasão da realeza de Fiore. Outra pessoa aumentou o volume e todos se calaram, ou pelo menos baixaram o tom da voz. Em seguida, iniciou-se uma transmissão ao vivo com a rainha, direto do palácio de Crocus.
— Boa tarde, queridos conterrâneos. Lamento interromper o entretenimento vespertino de todos, mas o que tenho a falar hoje é muito importante, então peço a atenção de vocês por alguns minutos.
A rainha era uma senhora de sessenta anos com a qual Tal sempre teve antipatia, mesmo sem conhecê-la pessoalmente. Nunca conseguiu engolir aquela cara de idosa boazinha e nem o apelido de "vovó" que seus súditos mais fiéis lhe deram quando ela resgatou uma criança perdida e a levou para morar consigo no palácio. Tai tinha uma estranha sensação de que a soberana de Fiore não tinha tantas boas intenções como a maioria do reino parecia acreditar.
— É de conhecimento geral que na nossa terra existem diversas guildas de magos já há muitos anos. Elas tem um papel em nossa economia e muitas vezes já foram nossas salvadoras de ataques externos e internos, além de serem pontos de encontro para a população mágica. Porém, a história também nos mostra que o uso exacerbado da magia em trabalhos que seus membros realizam já nos causou muitos prejuízos materiais e até mesmo a perda de vidas.
Tai ingeriu um pouco de sua bebida. Podia ter certeza de que algo de ruim viria, e precisaria de ajuda para suportar qualquer que fosse o baque.
— Esse é um padrão que vem sendo observado há anos: magos que usam seu poder para diferentes objetivos, e, mesmo quando são positivos, acabam exagerando e causando muito mais estrago do que deveriam, e ainda incomodam outras pessoas. Patrimônios nacionais já foram danificados, assim como casas e prédios, custando quantias altas para reparos. Desse jeito, não são apenas as Dark Guilds que nos causam prejuízos. A população mágica faz de tudo para se proteger e no processo nem sempre se lembram de proteger os humanos comuns. Para ilustrar o que estou dizendo, recebemos nessa manhã relatos de civis que foram machucados por magos da Fairy Tail, em Magnolia, quando estes tentavam capturar alguns ladrões e acabaram indo muito mais longe do que deveriam.
Jacques resmungou algo, enquanto Tenma bufou.
— Tendo em vista todos esses acontecimentos e levando em conta a necessidade da maioria, ou seja, da população não-mágica, eu, Rainha de Fiore, venho anunciar a todos que a Lei de Limitação Mágica, que vem sendo estudada desde que tomei posse do trono, entra em vigor a partir de agora.
Até mesmos os cochichos e risadinhas que ainda se espalhavam pelo salão foram caladas. O espanto foi tão grande que o silêncio foi a primeira reação de uma guilda em que normalmente o barulho vinha em primeiro lugar.
— Isso fede – Jacques murmurou.
— Em breve todos receberão mais informações sobre como a Lei irá funcionar e sobre qual será o tal limite. Agora tenho um recado especial aos Mestres das guildas: vocês têm, a partir de hoje, o período de um mês para as dissolverem. O Conselho está à disposição para auxiliar na burocracia e na relocação dos membros em outros lugares em que possam trabalhar. Recomendamos a remoção das marcas na medida do possível. Por favor, entendam que essa medida é, sobretudo, em prol da segurança de toda a nação. Agradeço a atenção.
Vossa Majestade fez uma reverência e a transmissão foi encerrada. Só depois de alguns segundos é que os esperados gritos de protesto eclodiram na Fairy Tail, misturados a muitos lamentos. Tai ouviu um choro de criança e viu Tenma correr até os filhos, mas não teve coragem nem de olhar para Mamoru.
— Calados! – Gritou uma mulher de voz poderosa. Só isso foi o suficiente para todo o salão voltar ao silêncio.
A atual Mestra da Fairy Tail era Rose Scarlet, também conhecida como uma das magas mais fortes a pisar na guilda e a mais poderosa daquela geração. Possuidora da Magia de Reequipamento, tinha os cabelos, cortados na altura do ombro, quase tão escarlates quanto de sua famosa ancestral e olhos negros. Seu real nome completo era mais extenso, entretanto, Rose gostava de usar apenas o Scarlet ali pois o chamava de "nome de guerra".
— Eu e os Mestres das outras guildas já havíamos sido comunicados pelo Conselho a respeito da nova lei em uma reunião que tivemos ontem. Infelizmente, não pudemos fazer nada para mudar ou retardar a decisão. Entendo a tristeza e a revolta que estão sentindo agora, mas, por favor, não vamos fazer disso mais difícil do que já é. Faremos o nosso papel e obedeceremos aos superiores.
— Quer que a gente aceite esse absurdo sem lutar?! – Alguém exclamou. – Será o fim de nossa guilda! Não podemos deixar que isso aconteça!
— Não será o fim. A verdadeira guilda não está na forma de um prédio, e sim em nossos corações. – Rose pôs a mão direita no peito. – Desde o início, a Fairy Tail é uma família, que preza pelo bem estar de cada um de seus membros, sem exceção. Protegemos uns aos outros. Amamos uns aos outros. Choramos e rimos juntos. Nada e nem ninguém pode mudar ou acabar com nossa essência! Agora, seremos fiéis a ela, e nos dissolveremos em prol da segurança de nossos amigos! – A Mestra fez uma pausa breve. – Mesmo não existindo mais na forma... A real Fairy Tail nunca sairá de nós. Dessa vez a nossa luta será diferente, mas ainda mais difícil, e preciso da ajuda de todos. Posso contar com vocês?
Não foram todos que gritaram em concordância – a maior parte do salão ainda estava muito atordoada –, contudo Rose não pareceu se incomodar muito.
— Tina e Tai – chamou. – Por favor, venham comigo até minha sala.
Tai secou os olhos, entornou o resto da cerveja e a acompanhou.
. . .
— Tem algo de errado.
Com uma introdução assim, Tai até ficou um pouco mais animado; pelo menos não era o único a duvidar da rainha. Já Tina não esboçou nenhuma reação de imediato. Seus olhos estavam vermelhos pelo choro, talvez realçado pela provavelmente má reação de Mamoru à notícia, e Tai ficou muito decepcionado consigo mesmo por não ter conseguido dizer a mínima palavra de consolo.
— O motivo da decisão não é tão ilógico, mas não deixa de ser estranho. Eu e os outros Mestres concordamos em não comprarmos uma briga direta contra o reino, para não macular ainda mais a nossa imagem, só que também concordamos em não ficarmos tão calados assim.
— E qual o plano?
— Enviar magos da Fairy Tail e da Sabertooth para uma missão secreta de investigação.
O mago do vento se mexeu na cadeira.
— Por que não das outras guildas também? – Indagou Tina.
— Ficamos com receio de ter muita gente envolvida e de isso comprometer o sucesso da missão. Fairy Tail e Sabertooth foram as escolhidas por serem as mais fortes do país. Enquanto isso, nós, Mestres, faremos nosso trabalho por outro ângulo.
— Então... Nos chamou aqui porque quer que nós participemos?
Rose assentiu.
— Preciso de um líder para o grupo das fadas, e vocês são os meus melhores magos hoje. Mas não quero que vão os dois, porque um precisa ficar com Mamoru.
— Mesmo que só um vá – Tina falou –, não dá para calcular o quanto essa missão irá durar. Não quero que Mamoru passe muito tempo sem o pai ou a mãe.
— Pior que isso... Existe o risco real de quem for não conseguir voltar.
— Eu vou.
Rose não demonstrou muita surpresa com a decisão de Tai. Por outro lado, Tina encarou o marido assustada. Ele a encarou de volta, sem ser capaz de dizer uma palavra, mas torcendo que ainda existisse uma ligação entre os dois o suficiente para que conseguisse entender só com o olhar. Não o agradava a ideia de ir para uma missão em que poderia morrer, muito menos a de se afastar definitivamente de Mamoru, só que, entre um pai já ausente e uma mãe dedicada, a escolha não parecia tão difícil.
Talvez Tina tenha entendido, porque esboçou o mais singelo dos sorrisos.
— Muito obrigada – disse a Scarlet. – Em nome de toda a população mágica.
Tai apenas assentiu.
— Pode levar no máximo três pessoas com você. Vou deixá-lo livre para escolher quem quiser, só lembre-se de explicar os riscos que correrão se aceitarem e de pedir que mantenham em total segredo. Certifique-se de levar pessoas de alta confiança.
— Pode deixar.
— Me avise quando tiver seu time formado. E... Por favor, volte.
Quase respondeu "você já está me pedindo demais", só que achou melhor fazer outro gesto com a cabeça e se retirar logo da sala. Foi novamente em direção ao bar, onde seu primeiro convidado encarava a parede com uma expressão furiosa que era demais até para ele.
— Tá a fim de chutar o traseiro real? – Tai cochichou em seu ouvido.
— Só chutar?
— Vem comigo.
. . .
Jacques aceitou a oferta tão de imediato que nem pareceu ter entendido a parte do risco de morte.
— Quem mais vai chamar? Tenma?
— Não, não quero tirá-lo de perto da família.
— Então quem será?
Já estava na ponta da língua. Só precisava de mais uma pessoa.
— Vou tentar convencer um certo páreo duro.
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