Fairy Love
10 Nove
Notas iniciais
- Uah, comi muito chocolate... — Cosmo deitou preguiçosamente sobre a grama que cobria as nuvens-solo da pracinha, enquanto afrouxava o nó da gravata. Voltaram para lá porque haviam gostado daquele ambiente. Wanda estava surpresa, já que nunca havia visto alguém comer tantos doces de uma vez só. Sentada ao lado dele, ela tirou as sandálias pretas, sentindo cócegas nos pés quando estes foram de encontro à grama curta.
- Hunf, você come demais. Estou surpresa por você não estar com dor no estômago. — Ele riu, virando o seu corpo de lado, ficando de frente para a amiga, que fazia uma careta.
- Deitar na grama após comer doces é tão bom. — Ele comentou. — Por que não experimenta? — Wanda não demorou muito para aceitar o convite. O sol ainda não estava alto, e o vento fresco da manhã realmente pedia por um descanso. Mas ao se deitar, voltada para Cosmo, ela ponderou se realmente era uma boa ideia. Os olhos esverdeados, parcialmente cobertos pelos cabelos bagunçados, a fitavam sem demonstrar qualquer tipo de reação. Ela não sabia como imaginar o que se passava pela mente dele, e aquela situação a deixou envergonhada.
- É... realmente bom. — Ela sussurrou, se referindo ao comentário dele. — Podemos fazer isso novamente outro dia. — Um sorriso surgiu nos lábios rosados. Cosmo deixou escapar um sorriso aliviado e fechou os olhos. Ela voltou a fitar o céu claro e de cores vivas. Sentia-se muito bem ao lado de Cosmo, e sabia que, mesmo que aquilo não durasse para sempre, ela faria questão de ajudá-lo nos momentos difíceis.
Levou a mão direita até o peito, sentindo as batidas aceleradas. Já havia sentido aquilo antes? Notando o silêncio do amigo, voltou o seu olhar para ele e percebeu que estava dormindo. Dessa vez, já que não podia ser vista, ela virou completamente seu rosto e observou cada detalhe do rosto inocente. As olheiras escuras, como se fossem feitas de maquiagem, faziam um contraste bem visível com a pele clara e lisa. Os cílios longos e curvilíneos, em parceria com as pálpebras suaves, cobriam os olhos esmeralda que tinham a cor tão intensa quanto os cabelos curtos e irregulares. E os lábios... bem, os lábios foram os que atraíram a atenção da fada por mais tempo. De um tom de rosa bem claro e aparentemente macios, eles estavam entreabertos e convidativos. Wanda repreendeu-se em pensamento por imaginar como seria tocá-los. Cosmo provavelmente nunca havia perdido a pureza dos lábios, tentar fazer aquilo de forma repentina era como um pecado. Ela levou a mão, que antes estava sobre o peito, até a própria boca, envergonhada. Em questão de pouquíssimo tempo, ela assumia estar apaixonada pelo seu primeiro melhor amigo. A expressão tímida foi substituída por uma melancólica. Cosmo, justamente por ser daquela forma, talvez nunca pudesse sentir-se do mesmo jeito. Ele poderia amá-la, mas não com tanta intensidade. Ela suspirou silenciosamente, envolvendo a parte do comprimento da gravata que estava repousada sobre a grama com sua pequena mão. Ela sabia que a tendência daquele sentimento era crescer, e que mantê-lo em silêncio seria doloroso, mas decidiu não dizer absolutamente nada. Assumir a posição de melhor amiga na vida dele poderia ser diferente, mas ela ainda o veria sorrindo e o brilho nos olhos esverdeados. Wanda apertou o tecido entre os dedos. Nos olhos, um traço receoso. Ela imaginou até onde aquilo seria o suficiente e sentiu-se mal pelo próprio egoísmo.
Mas Wanda não sabia que até a forma mais pura de amor é composta por uma parte de egoísmo.
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