Fairy Glitter

3 Porque dividir é coisa de homem


Notas iniciais
One dedicada a minha mokona do coração: Jeen!!!! Kisskiss amore!!

Cap. III – Porque dividir é coisa de homem

Nada como estar em um relacionamento sério e todas suas consequências. A exemplo de uma irmã mais velha ciumenta com um complexo horrendo a respeito de sobrinhos ou talvez uma guilda inteira fazendo piadinhas, entretanto, Evergreen podia superar isso. Ela era a rainha das fadas e podia muito bem lidar com os reles mortais que insistiam em perturbá-la. Tudo bem que nunca em sua vida imaginou que um dia teria um relacionamento com elfman e muito menos que não se imaginaria com outra pessoa, tudo bem que ele não precisava saber disso, afinal, certas coisas uma mulher deveria manter em segredo.

Definitivamente, a loura sempre achou o atual companheiro vulgar com todas aquelas brigas, gritarias, seu eterno discurso a respeito de masculinidade e tendência a quebrar as coisas... E hoje não o achava menos vulgar, apenas viu que Elfman não se resumia somente a isso, ele sabia como ser gentil quando necessário. Enfim, entre defeitos e qualidades a fada sabia muito bem lidar com tudo...

Paft!

Bem com quase tudo.

Evergreen levantou-se do chão onde havia acabado de cair. Passou a mão sobre os cabelos louros e olhou para o relógio na cabeceira de sua cama que marcava exatamente 3:30 da madrugada. Olhou para trás vendo seu namorado dormindo como uma pedra em coma espalhado por toda a cama, e quando ela dizia TODA não estava brincando. O irmão de Lisanna possuía uma estatura robusta que acabava por ocupar um espaço considerável na cama de casal, mas como se isso não bastasse ele tinha que se espalhar por toda ela durante seu sono profundo.

Bufou de raiva e inutilmente tentou empurrá-lo, deu tapas no centro de suas costas, chamou, esperneou e até mesmo rolou por cima dele, mas nada disso fez o menor efeito. Ele continuava desmaiado.

– Argh!!

Aquilo ia contra seu sono de beleza. Uma vez ou outra ela até que podia relevar, mas sempre que ele dormia consigo seu sono reparador era vilmente despedaçado porque Elfman não conseguia manter seu corpanzil em sua metade da cama, ou mais da metade, porque ele ocupava um pouco mais do que isso normalmente.

De todos os contras que aquele seu namoro com ele, o que mais andava pesando era o roubo de seu sono. Preferia enfrentar a loucura de Mirajane a tentar enfiar na cabeça dele que ele não a deixava dormir porque a derrubava da cama quase todas as noites!

Resignada, arrancou seu travesseiro e coberta dele e saiu para o outro quarto. Uma mulher adulta em um relacionamento não podia continuar morando na Hills com aquele tanto de intrometidas fofoqueiras, sem contar que Erza não era exatamente a favor de certas coisas acontecerem antes do casamento e a ruiva sabia como ser assustadora às vezes.

Mudou-se para a casa que Fried, Bixlow e Laxus dividiam já a alguns anos, um sobrado grande no centro de Magnólia. No inicio, Elfman quis arrumar encrenca, mas tratou logo de cortar as asinhas dele. Quando estava a caminho do quarto de hóspedes viu Bixlow na porta de seu quarto.

– Vai dormir no quarto de hóspedes de novo, Evergreen? – disse ele em tom de provocação –

– Isso não é da sua conta. – falou seca, não ficava de bom humor quando privada de seu sono –

– Você deveria fazer o que tem que fazer com ele e o botá-lo pra fora da sua cama, sério é ridículo toda noite você saindo do quarto e voltando de manhã.

– Vai pastar, Bixlow!

Virou o rosto para ele com seu olhar petrificante ativado e logo viu que ele rindo de sua desgraça voltou para a própria cama. Onde já se viu um marmanjo daquele dando palpites em sua vida amorosa? Abriu a porta e se jogou na cama de casal não tão confortável quanto a sua e adormeceu.

***

Naquela manhã o mago abriu os olhos mais cedo do que de costume e ao se espreguiçar a procura daquela que dormia consigo tudo o que encontrou foi uma cama vazia. Nesse instante, deu um pulo a procurando por todos os lados do quarto, esperou um minuto para ver se ouvia o barulho do chuveiro e nada. Notou que o travesseiro e o edredom não estavam no quarto. Coçou a cabeça sem entender muita coisa e levantando saiu do quarto com uma calça de moletom.

Encontrou Laxus no corredor com cara de quem tinha acabado de acordar e este lhe fez um aceno com a cabeça. Todos já haviam se habituado a sua constante presença na residência.

– No quarto de hóspedes. – disse Laxus quando já desaparecia escada abaixo –

Ficou confuso por um minuto, mas depois que viu a porta entreaberta resolveu dar uma olhada. E ali, adormecida, encontrou sua Ever sumida. Estava deitada de lado, com um braço debaixo do travesseiro e respirando tranquilamente. Caminhou tentando fazer o mínimo de barulho possível e se ajoelhou ao lado da cama, mexeu cuidadosamente no cabelo louro dela e ela mexeu o nariz o que o fez rir baixinho.

O irmão de Mira não entendia bem o que estava acontecendo, mas não gostou nada de encontra-la numa cama que não era a que eles dormiam. E o pior, por que Laxus sabia onde ela estava?

Antes que pudesse se levantar para deixa-la dormir mais, Ever não ficava nada bem humorada quando alguém maculava seu sono de beleza, a mulher abriu os olhos e piscou algumas vezes tentando se situar.

– Elfman... – disse ainda meio dormindo e tentando manter os olhos abertos –

– Ohayo, Ever... – ele sorriu, por mais que estivesse meio confuso, não conseguia ser menos que gentil com ela –

– Hum... – ela ficou de costas com o colchão e se espreguiçou – O que faz aqui? Não deve... – ela bocejou – Deveria estar dormindo?

– Eu acordei e não achei você na cama... Fiquei preocupado. – o homem sentou-se na beira da cama enquanto ela sentava –

– É claro que não me achou lá, ocupou a cama inteira. – respondeu meio mal-humorada –

– Ai Ever... Lá vem você com essa história de novo...

– Olha, Elfman, eu acabei de acordar e não estou afim de brigar, se você não acredita que me derruba da cama todas as noites, não posso fazer nada além de começar a colocar você para dormir no sofá.

– Mas Ever, a gente divide a cama direitinho...

– Até você entrar em sono profundo e... Ou rolar em cima de mim, ou me jogar para fora! Olha o seu tamanho, Elfman, eu não consigo nem fazer cócegas quando tento te empurrar.

– Eu não faria isso, não é coisa de homem! – pronunciou ele – Minha aneue me ensinou a dividir desde que éramos crianças.

– A Mira era mais desequilibrada quando vocês eram crianças do que é hoje, então não sei se posso confiar nesse ensinamento dela!

A fada jogou as longas pernas brancas para fora da cama e pegou sua coberta e travesseiro.

– Hey Ever, espera... A gente está conversando!

A mão grande do moreno se fechou em volta do pulso direito dela.

– Eu já tive seu sono vilmente interrompido e eu sei que você não quer me ver ainda mais brava do que eu já estou...

Ela lhe lançou um olhar mortal que o fez soltá-la como se ela desse choque.

– Fugir de uma discussão de relação não é coisa de homem!! – falou para ela que já estava no meio do corredor –

– QUANTAS VEZES VOU TER QUE REPETIR QUE NÃO SOU UM HOMEM?

E a porta do quarto dela bateu com força em seguida.

***

Mais tarde na guilda, Evergreen estava impossivelmente irritante. E a tribo do trovão já estava prestes a bater em Elfman porque sabiam que a culpa da colega estar mais implicante do que de costume era dele.

– Eu achava que o Elfman ia dar um sossega leão na Evergreen, mas ele só faz deixa-la mais doida da vida! – reclamou Bixlow no balcão para Lisanna que estava ali no momento –

– Esses dois são realmente muito engraçados... – ela limpava o balcão com um pano branco –

– Não é nada engraçado!! A Evergreen sempre teve uns parafusos a menos e a gente sempre relevou isso porque bem... – ele olhou para os lados para ver se não havia ninguém ouvindo – Ela bem bonitona... – Lisanna riu – E bem forte e é nossa amiga, mas caramba, seu irmão deixa ela mais descompensada do que de costume! Eu achei que ela ia fazer o Fried chorar hoje!

– Você é muito dramático, Bixlow... A Evergreen é um pouco maluquinha, mas duvido que seja tão ruim assim.

– Sabe a quanto anos eu convivo com ela? Eu pensei já ter visto todos os estágios de loucura dela, mas adivinha, o chato do seu irmão conseguiu arrumar mais um. – ele pegou a garrafa de cerveja – Eu vou é ficar bêbado, porque aguentar aqueles dois sóbrios é pior do que uma ressaca!

Do outro lado da guilda, em frente ao painel de missões o casal mais problemático da Fairy Tail estava tentando escolher uma missão para fazerem juntos.

– Essa parece boa... – ele nem terminou de falar –

– Não. Eu não vou para um fim de mundo onde não vai ter nem um hotel, eu já durmo mal o suficiente com você tendo uma cama macia.

– E aquela...

– Ficou louco, Elfman? Olha o pagamento, nós somos dois, precisamos de uma recompensa maior!!

– E...

– Não, definitivamente...

Dessa vez foi ele que não a deixou terminar.

– Já chega, Evergreen, você está insuportável hoje!! Cruzes, ninguém merece esse seu mau-humor! Isso não é coisa de homem!!

Quantas centenas de milhares de vezes teria de falar para ele que ela não era um homem? Ela era uma mulher!! Uma mulher muito bonita por sinal!! Aquele brutamontes sem coração!! Se ele não tinha senso estético para diferenciar um homem de uma mulher ela é que não iria perder tempo falando isso para ele de novo.

Cada um virou para um lado saiu. Ninguém mais na guilda ligava para as brigas, porque algumas horas depois eles seriam facilmente encontrados em algum canto tentando ir contra as leis da física.

***

Depois de caçar uma briguinha ocasional, Elfman sentou-se no balcão onde Lisanna ainda estava atendendo enquanto Mira estava cozinhando.

– O que foi dessa vez, Elf-nii?

– A Ever... Ela é muito doida! – ele fez bico –

– Você é a segunda pessoa que reclama dela para mim hoje... – ela riu e viu o olhar malvado que se formou no rosto do irmão, do tipo “quem estava falando mal da MINHA namorada? Só eu posso fazer isso!” – Enfim, o que foi que ela fez hoje?

– Ela está super mal-humorada. E fica falando que eu fica derrubando ela da cama e que sou muito espaçoso!

– Mas você é muito espaçoso e eu não duvido que esteja derrubando-a da cama!

– Como assim, Lisanna-chan? Eu sei dividir!

Ela riu.

– Elf-nii, olha o seu tamanho, o simples fato de você mexer na cama já deve quase derrubar a Evergreen!

– Mas eu não faço isso!!

– Como pode ter certeza? – ela ergueu uma sobrancelha – E por favor, não deixe a Mira-nee escutar isso, ela não aguentaria ter certeza de que você e a Evergreen fazem essas coisas... E eu não preciso dela mais neurótica do que de costume lá em casa!

Elfman ficou vermelho, era estranho falar dessas coisas com sua irmãzinha mais nova.

***

Já era bem tarde quando Evergreen saiu da guilda, praticamente todo mundo já tinha apagado em um canto qualquer, mas ela não era rude como eles e por isso, por mais que o mundo estivesse girando, ela não se permitiria dormir em outro lugar que não fosse a sua cama.

Um lembrete mental de nunca mais inventar de beber com Cana. Aquela mulher parecia não ter fundo e álcool no lugar do sangue correndo nas veias. Sem contar que por algum motivo bizarro podia jurar que a viu usando o casaco de pluminhas preferido e mais brega de Laxus em determinada hora da noite! Estava mesmo muito bêbada...

Cada passo era um desafio quando o chão não parava no mesmo lugar por mais de dois segundos inteiros e quando deu um passo em falso estando prestes a se estabacar no chão sentiu um braço forte enroscar em sua cintura, num primeiro momento, quase se assustou, mas bem... Ela reconheceria aquele abraço até debaixo d’agua.

– Elfman...

O moreno não estava exatamente sóbrio, mas certamente ainda não estava trocando as pernas nem vendo elefantinhos cor-de-rosa com a companheira ali deveria estar.

– Hora de ir para casa, Ever...

Ele a pegou no colo, trocando as pernas como estava terminaria derrubando os dois. Ela bem que tentou brigar, mas estava cansada demais para isso e no fim se resignou encostando a cabeça perto do pescoço dele.

Entraram na casa onde a tribo do trovão residia atualmente e ele a colocou na cama. Imediatamente ela rolou e se remexeu tirando o casado, os sapatos e as meias. Jogou os óculos na mesinha de cabeceira enquanto se enfiava debaixo das cobertas. Elfman deitou também e logo ela virou-se colocando a cabeça em cima de seu braço direito. Dormiram tranquilamente até quase o fim da madrugada quando bem...

Poft!

Uma ainda alcoolizada fada caiu de sua cama.

– Hum...

O cúmulo de ficar bêbada era dormir e ao acordar o mundo continuar girando. A loira ia se levantando com alguma dificuldade para deixar o quarto a procura de outra cama... Mas foi impedida de levantar totalmente pela mão que se fechou em seu pulso pela segunda vez.

– Volta para cama, Ever... Foi sem querer. – ele também estava com muito sono –

– Melhor não... Amanhã...

Ele já havia a puxado de volta para cama e rolado para seu próprio lado.

– Eu não posso aprender a dividir se tiver a cama só para mim. – resmungou Elfman –

Provavelmente a fada ainda teria muito encontros com o chão no processo de aprendizagem e passaria muitos outros dias botando seus amigos loucos com seu mau-humor, mas ela podia conviver com isso. Porque bem... Ela fazia coisas que jamais imaginou pelo seu namorado...

Sem contar que dividir era coisa de homem, e Elfman que se orgulhava tanto de ser um homem não poderia deixar de aprender.

Owari...

Prévia do próximo cap:

“Sangue, eu ordeno que você permaneça dentro dos capilares de minha cavidade nasal!” Era tudo o que Levy podia desejar após vê-lo... Oh droga de missão que a forçou a ficar presa naquela cidadezinha com Gajeel!!

Notas finais
Olá amores, vocês não tem noção do quanto fiquei feliz com a receptividade da fic, então se houverem mais comentários tão legais, sexta feira vocês terão um lindo Levy e Gajeel.
Se acharem algum erro bárbaro me avisem por favor!!
Kisskiss