Faerie
3 Aquele Que Trará A Luz:
Notas iniciais
E Naruto atravessou a porta, e então sentiu algo jamais antes percebido, jamais antes sentido: ele estava realmente vivo. Era como se ele estivesse em outra existência, uma existência além do Mundo Cinza, e a luz o despertasse para uma nova realidade. Ele, naquele momento, percebeu que não estava mais em um sonho, que havia transcendido isso, que havia transcendido tudo e todos.
E foi um sentimento de liberdade.
Atrás dele, havia uma árvore. Na verdade, ele mal conseguia definir se era uma árvore, já que não importava o quão alto ele olhasse, aquela árvore parecia um prédio. Será que a porta o fez chegar àquele local através da árvore?
Quando Naruto percebeu, a luz terna que quase o cegara havia desaparecido e ele estava com um dos joelhos apoiados no chão, era uma grama esverdeada debaixo de seu joelho direito e de seu pé esquerdo e ele se percebeu fitando essa grama. Ele se levantou e começou a observar o ambiente ao seu redor: era um local ainda mais encantador que o de seu sonho e mais vivo, com cores ainda mais vibrantes. Haviam flores e rosas gigantescas, ele se surpreendeu com esse fato, elas possuíam vários metros de altura.
Naruto fechou os punhos e percebeu que a chave dourada ainda estava em sua mão direita. Ele continuou andando pelo o local, esperando encontrar alguém. E estava fascinado pelo o ambiente, enquanto caminhava. Uma pétala de uma das enormes rosas saiu de uma delas e o Uzumaki pôde vê-la voar através do vento... a pétala com quase o tamanho do loiro.
Naruto caminhou durante horas, podendo notar cada vez mais aquele estranho paraíso: o gramado era um tanto grande e batia em seus tornozelos e havia um arcoí-iris no céu... céu com um tom cristalino, uma coloração esplêndida. Finalmente, ele viu uma daquelas árvores típicas do ambiente em que estava, do tamanho de um prédio, mas um tipo de entrada e várias aberturas, como janelas. Ele, curioso, continuou andando até a árvore diferente, chegando perto da abertura que servia de porta. Será que haviam pessoas lá dentro? Ele precisava saber onde estava.
Ele adentrou o local, vendo que todo o seu interior era feito de madeira. Mas não parecia haver ninguém. Naruto olhou para cima e viu que o local era muito extenso, para cima, bastante longo. E, então, ele vê algo se aproximando. De início, ele não pôde perceber o que era, mas aquilo foi descendo e descendo... até se encontrar a ele, pousando graciosamente em seu lado.
Era uma pessoa, mas ela possuía asas, como uma borboleta. Naruto olhou para o lado e a viu bem... ela usava um tipo de vestido branco, mas solto, e uma coroa de flores na cabeça. E, como foi dito, ela tinha asas... asas rosas. Naruto, então, tomou um susto, caindo no chão. Longos cabelos azulados, pele alva, olhos perolados... era ELA!
– N-Naruto-kun? O que você faz por aqui? — o belo ser perguntou. Naruto percebeu, do fundo da sua alma, que ela não tinha asas em seu sonho.
Ela o olhava de maneira curiosa, com aquele par de olhos-pérola, mas não havia raiva ou medo neles. Apenas uma infantil e inocente curiosidade. Naruto a olhava, sentado no solo da árvore oca, perplexo. Ele sentia uma espécie de paz de espírito ao olhar para ela, exatamente como em seu sonho. Se ela sorrisse para ele, o loiro sentiria que vê-la sorrir era o que dava sentido à sua vida.
– C-c-c-como você sabe o meu n-nome? — ele gaguejava. Ele podia jurar que viu a bela criatura quase sorrir. Quase.
Ela se agachou, ficando na mesma altura que o Uzumaki.
– Bem, é porque... sabe, eu sou a sua fada madrinha — ela não sorria, mas ainda mantinha o seu tom de docilidade. Uma docilidade angelical.
– F-fada madrinha? — Naruto foi forçado a perguntar, pelas as circunstâncias. Mas, naquelas condições, ele acreditaria em qualquer coisa que ela dissesse, afinal, ela o encantava de tal forma como nada fizera antes.
– Sim... todos os humanos de boa índole recebem uma, com certa idade. Eu comecei a observar você e o seu mundo desde aquele dia que nos encontramos. Você se lembra? — ela explicava e o questionou no final. Mesmo ela falando com seriedade, era possível ver bondade e doçura ali.
Naruto, num rápido momento, sem pensar, se tornou eufórico. Ela existia mesmo, afinal! O outro ser que reconhecera o Mal Cinza, tão diferente da luz e pureza do mundo em que se encontrava. Naruto se levantou do chão, com o coração em chamas, inflamando paixão, alegria e um misto de terror. Ele, olhando para baixo, observou a bela "fada". Naruto estendeu uma das mãos para que ela também se levantasse. Ela aceitou a ajuda, tocando a mão direita do loiro e se levantando.
Os dois olhavam para os olhos um do outro. Naruto olhava um par de pérolas e a fada olhava um par de olhos azuis como o mar. Ou como o céu? Ambos não perceberam que suas mãos ainda estava tocadas.
– Qual é o seu nome? — o Uzumaki perguntou.
– Me chame de Hinata. O meu nome original é impronunciável para os habitantes do Mundo Cinza — Hinata respondeu, parecendo um tanto arrogante. Naruto arqueou uma sobrancelha. Ela, então, ficou preocupada, tapando a boca com uma das mãos. — M-me desculpe, não é que você não seja digno de saber o meu nome, é só que você não vai conseguir pronunciá-lo.
– Ah, entendi. Eu sou Uzumaki Naruto, mas acho que você já sabia disso — Naruto responde, com a voz um tanto séria. — Como eu vim parar aqui, Hinata? — de fato, mesmo diante de tão exuberante graça, Naruto só conseguia ser sério. Mas nem mesmo ele entendia como ela mexia tanto com o seu estado de espírito, o fazendo sentir-se em um paraíso emocional.
– Eu não sei, Naruto-kun, o portal do Mundo dos Sonhos para o Mundo das Fadas não se abre há séculos. Eu estava pensando se você não seria... — os olhos de Hinata brilhavam de esperança. Naruto estranhou, mas a achou mais bela e adorável ainda. O coração do loiro passou a se tornar descompassado, com isso.
Naruto pôs a mão livre no bolso da calça, pegando a chave dourada que possuía, e a mostrando à Hinata. No momento que a fada vislumbrou o objeto, lagrimas brotaram dos olhos da mesma e ela o abraçou. O abraçou tão forte e com tanta profundidade, que ambos caíram no chão.
– E-essa chave... por isso você me encontrou, justamente nessa minha habitação, foi o Destino, Naruto-kun! — Naruto sentiu um êxtase... ele a viu sorrir!
Lágrimas também desceram dos olhos do loiro, ele não poderia descrever a felicidade transcendental ao ver a bela sorrir. Naruto também a abraçou, com força. A abraçou sem ferir suas asas. Ambos ficaram assim, durante vários minutos.
– Naruto-kun... — ela dizia baixinho.
– O que foi? — ele perguntou, também baixo.
– Você é Aquele Que Trará A Luz. É uma honra estar perto do senhor, Grande Salvador!
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