Faded Hearts
14 Sentimentos Secretos
Notas iniciais
Com a May sob a Magia de Manipulação dessa mulher, pode ser bem perigoso até porque não sei o quão forte ela é.
−Ern... May. O que você está fazendo?
Sentada em cima de mim, ela impossibilita meus movimentos.
Ela é pesada.
Talvez seja por causa de sua altura de 1,84m.
−Haha!
−Eu fiz sua amiguinha virar minha marionete tão fácil que quase não acredito, que essa mulher destruiu um prédio com as mãos ao me perseguir a 5 anos atrás.
−Querida May acabe com ele.
Ela continua a dar gargalhadas enquanto assiste a May em cima de mim.
Só existe duas formas de pôr alguém sob a Magia de Manipulação, usando sentimentos escondidos ou memorias de ódio. É uma magia que permite ter o controle de uma pessoa através dos sentimentos, normalmente sensações ruins que temos como raiva, rancor e outras coisas do gênero.
−Vo-cê!
−Is-so é... culpa.
Ela quer dizer algo, é como se estivesse resistindo a magia.
−Você devia ter ficado no Chaos.
−Isso tudo é culpa sua.
Suas mãos tremem ao segurar a arma.
−Você é um mentiroso e egoísta.
−Um...
O que você quer dizer com isso, May? Não consigo entender.
As palavras dela estão sem sentido, embaralhadas de alguma forma que nem ela mesmo compreender o que diz.
−Primeiro a morte da senhora Lucina, depois a minha mãe e por último a destruição de nossa terra natal.
−Você é o culpado de tudo e não era estar aqui.
O que você está dizendo não está sendo muito legal.
Preciso fazer algo rápido.
−May, pare com isso.
−Vamos abaixe essa arma por favor.
Tenho que agir com cautela agora ou vou acabar com um tiro na minha cabeça.
Não tem como eu usar uma magia de reversão ou de cancelamento sobre essa magia, as memorias da May estão ligadas a isso e posso causar algum dano a cabeça dela.
−Porque?
−Porque você sempre se importou com elas?
Agora me perdi na conversa.
Não estou compreendendo nada, de repente eu sou o culpado de tudo de ruim e agora essa pergunta.
−Você ajudou as duas com a morte da nossa mãe, virou um amigo bem próximo e querido por elas.
−Enquanto a mim, fiquei sozinha em uma mansão com uma pilha de papeis para ler e tendo que suportar a dor de perder o ultimo pilar emocional que eu tinha.
Suas sobrancelhas inclinam e suas mãos tremem mais ainda.
−Eu não tive alguém para me apoiar quando tudo da minha vida começou a desmoronar na minha frente e viver cada dia com um medo de errar cada passo que um dia mudaria o meu futuro e das minhas irmãs.
−Você sempre dizia que ajudaria todas nós a sempre mantermos o sorriso em nossos rostos, mas eu fiquei de lado.
O que ela está falando é sobre a morte da Lucrécia, a mãe delas.
Quando isso aconteceu eu tinha apenas 10 anos de idade e acabei dizendo isso por puro impulso, não tinha como eu perceber tal coisa e até mesmo porque eu era uma criança despreocupada.
−Eu esperei até o dia de você se tornar maior de idade para poder dizer algo importante, mas o ataque ao reino e seu desaparecimento para Chaos impediu tudo.
−Por isso, tudo o que vem acontecendo é culpa sua.
−Fogels tinha medo que o herdeiro de Aeternam fosse uma ameaça a sua terra e atacou todos nós.
Ela coloca a arma sobre meu peito.
Seus sentimentos estão atrapalhando seu raciocínio tornando tudo confuso e bagunçado.
Tem uma forma de tira-la da manipulação dessa mulher, mas devo usar a conversa dela para pressiona-la a tentar me matar e por fim acreditar que ela não conseguirá apertar o gatilho.
Vai ser uma loucura, mas vamos tentar fazer essa besteira e não ser morto.
−Hector! Porque... porque as coisas têm que ser assim?
−Se... se você morrer aqui, isso vai acabar e tudo vai voltar ao normal.
Ela pressiona o cano da arma sobre meu peito e seu olhar está assustador, a pupila do seu olho diminuiu.
−Mate ele logo!
A mulher impaciente se aproxima de nós descendo as escadas.
−Sim, se eu morrer aqui agora, tudo vai acabar.
−Eu sou o culpado de você sofrer na solidão e do ataque a Aeternam.
−Vamos acabe com isso May.
Pego o cano da arma com minha mão direita e aproximo do meu rosto.
Tenho que pressionar ela ao máximo ou tudo que fazer aqui vai ser em vão.
Não sei qual vai ser reação dela, mas se ela realmente se sente assim sem a presença das pessoas queridas e das irmãs, eu saio vivo dessa e consigo tirar do controle dessa mulher encapuzada.
−Não mereço perdão por nunca perceber como meus amigos e familiares estão, nem se quer sou capaz de perceber seus sentimentos e não entendo nem os meus próprios.
−Devia ter ficado preso no Chaos junto com as Sombras e me tornam um deles.
Pressiono ela pelas emoções mais um pouco, apesar de serem realmente como eu realmente me sinto também.
Não quero ser o motivo de sofrimento de alguém, causar mais problemas do que já temos ou até mesmo por todos em perigo maior do que esse.
−Você não me deixa escolha Hector.
−Adeus!
Ela coloca o dedo sobre o gatilho.
Bang!
...
O cheiro de pólvora é forte perto de mim.
−O que?
−Gahhhh!
O tiro não me atingiu, mas sim a mulher com a capa.
−Como ousa fazer isso?
Com a queda consigo ver o rosto dela que está com um olhar completamente furiosa.
−Eu nunca atiraria no Hector.
−Mais do que a minha vida, eu prezo a vida de meus amigos e da minha família.
May olha fixamente para a mulher misteriosa.
Consegui acordar ela da magia segundos antes dela apertar o gatilho da arma, sua força de vontade é maior que a manipulação que essa mulher fez e logo que percebeu a situação, a May virou a arma na direção dela que estava de pé na nossa direita. Por um momento acreditei que seria morto.
Click!
−Como você disse, vou acabar isso logo.
É sério que você vai ameaçar essa mulher ao invés de sair de cima de mim.
O olhar dela está diferente, é mais sério do qualquer um que eu já tenha visto. Suas mãos estão firmes segurando a arma, diferente de alguns segundos atrás quando seus braços tremiam sem controle algum com medo de agir.
−Tsss! Lion me ajude.
A mulher está com a mão esquerda sobre a barriga e chama por alguém.
Hiss!
Rawww!
Uma Sombra em forma de leão aparece na frente dela. Sua coloração não é cinza, é como um leão com pelos na cor amarelo escuro e a juba marrom, também não tão grande como um leão comum de Eternia.
−É uma pena não podermos continuar com isso.
−Foi um belo show de entretenimento.
−Até uma próxima jovem herdeiro, se você ainda estiver vivo.
Ela e a Sombra desaparecem juntos na escuridão da sala.
−Parece que ela fugiu para longe, não está escondida.
−Ufa! Você está bem?
May larga a arma no chão e olha para mim.
−Levando em conta que quase morri agora pouco, eu diria mais ou menos.
Estou aliviado que aquela louca não quis continuar. Enfrentar aquela Sombra com certeza seria um problema inimaginável e teríamos a preocupação de ter que impedir as magias dessa mulher.
−Oh! Parece que estamos em uma posição meio constrangedora.
−Pessoalmente não me importo com isso. Fufu!
Ela sorri com o cabelo todo bagunçado sobre o seu rosto.
−Não é hora para brincadeiras, engraçadinha.
−Me ajude aqui.
Essa mulher de cabelos brancos que conheço a anos, deu mais trabalho que a Selene. Assim que se recompõe, May sai de cima de mim e cede sua mão para me ajudar a levantar.
Consigo levantar aos poucos, mas minhas pernas doem ao suportar o peso dela sobre elas. Não posso falar que ela é pesada porque seria uma completa falta de educação, mas é obvio que pesaria mais do esperado sendo que ela é alta e tem um corpo com belas curvas.
Vejo ela junto a porta de entrada, olhando para fora como se algo estivesse assombrando seus pensamentos. Não sei o quanto a magia afetou ela, então pode ser que alguma coisa saiu do normal ou algo que ela queria esconder, mas não foi capaz de evitar.
−Hector, vamos até a escada?
−Quero lhe contar uma coisa.
Ela arruma os cabelos com as mãos delicadamente.
O que será que ela quer me dizer?
−Claro! Estarei sentando no primeiro degrau.
Vou até a escada e sento aguardando sua vinda. Pouco tempo depois, a May se aproxima e senta ao meu lado.
−Acredito que primeiro eu tenho que me desculpar pelo o que você ouviu.
Ela levou um tempo antes começar.
Dou um sorriso e movimento a cabeça para os lados, dizendo para não se preocupar com isso.
−Tudo o que você ouviu é verdade, menos a parte que a culpa é sua.
−Resumindo, eu gosto de você.
Ela pega as minhas mãos.
−Eu também gosto de você May.
Respondi com um sorriso.
−Não estou querendo dizer dessa forma.
−Estou dizendo que te amo.
−Eu sou apaixonada por você desde que cresci e me tornei uma mulher.
Não tenho palavras para o que a May me diz, é difícil de acreditar até. A pessoa que sempre admirei por ser sabia, responsável e bonita, me vê de forma romântica como um amor para ela.
Estou paralisado com isso.
−É difícil de acreditar, mas é do todo coração que digo.
−Eu e minhas irmãs não tivemos muito contato com os meninos quando mais novas e o único menino que conhecemos é você.
−Então desde os 14 anos, você não saia da minha cabeça.
−Era como uma assombração eu poderia dizer, mas era porque eu não tinha noção de meus próprios sentimentos e quando percebi esse sentimento me assustei, pois eu tinha sentimentos por um menino que estava prestes a fazer 7 anos.
Suas mãos tocam a minha suavemente.
−Quando fui estudar no Internato de Aeternam, não conseguia conversar com os meninos da minha idade e somente pensava em quando ia te encontrar de novo.
−Nos feriados, não sobrava muito tempo e eu me contentava com as histórias que a Fiore e a Fior contavam de vocês aprontando por toda a cidade.
−Não conseguir te ver por 3 anos, nesse meio tempo pensei que aquele sonho bobo de me casar com o herdeiro de Aeternam tinha desaparecido, mas tudo isso permaneceu comigo até a morte da mamãe, que me forçou a ficar no comando da família e grande parte do meu tempo não saia de casa e quando saia era para trabalhar.
−Meu trabalho também não ajudou, era um evento atrás do outro para ir cantar e ao mesmo tempo a Fior e a Fiore, ficaram muito próximas de você.
−Então decidi esperar até o dia que você fizesse 15 anos para lhe contar tudo, aí eu iria disputar com minhas irmãs o posto de sua noiva, mas isso era o que meu coração dizia para fazer.
Seu rosto está vermelho com o decorrer do que ela fala.
Estou parado feito uma estátua, não sei como reagir a toda essa conversa e com certeza devo estar com uma cara de taxo, parecendo que viajou na maionese. Eu até responderia ela de alguma forma, mas acredito que nessa hora é melhor ser um bom ouvinte do que um falante e até porque fica cada vez mais difícil acreditar nisso.
−Eu tinha decidido falar sobre isso quando sua cerimônia de maioridade terminasse bem, mas então tudo aquilo aconteceu e não pude fazer nada para ajudar a pessoa que eu amo.
May sorri para mim segurando firme minhas mãos.
Por não conseguir conversar comigo sobre essa história de noivas, ela esperou eu ter idade para casar e quando cai no Chaos, aguardou esperançosamente que eu voltasse para o mundo real.
−Bem... er… ahn... estou surpreso.
−Não esperava você falar isso para mim.
Desvio meu olhar de seus olhos azuis como um céu em um dia sem nuvens.
−Entendo, só queria lhe contar isso porque não conseguia mais manter isso em segredo.
−Você sempre será meu querido Hector e quando voltarmos a Aeternam, quero que você repense sobre suas candidatas a noivas e me inclua também né.
Ela põe seus braços sobre mim. Sinto seu corpo quente ao pôr suas mãos entre mim, seu perfume é suave e o seu cabelo cheira como rosas em belo campo soprado pela brisa da primavera.
−Só queria que você continuasse a envelhecer e não ter a mesma idade de quando caiu no Chaos.
Seu coração está acelerado e a respiração também. De todas as pessoas que eu esperava gostar de mim um dia, ela era a única que eu nunca imaginaria isso e nem se quer passou pela minha cabeça essa ideia. Uma mulher 8 anos mais velha se apaixonar por alguém assim, principalmente pelo isolado e difícil filho da Lucina.
−Hector!
−Posso ficar abraçada com você mais um pouco?
Com o tom de voz baixo ela faz um pedido egoísta.
−Uhum! O tempo que precisar.
Vou deixar você ser egoísta só dessa vez... porque você passou por um grande problema em superar a manipulação daquela mulher de cabelos castanho-claros e olhos verdes.
Foi um momento indescritível para mim, saber dos verdadeiros sentimentos da May e ainda mais eles serem ligados a mim.
−Hmm... só tem uma coisa que eu estranhei.
Eu sabia que vir ao vilarejo dos refugiados teria algum sentindo, mas parece que não deu certo.
−O que você estranhou?
Ouço sua voz vindo sobre minha nuca.
−Você planejou nossa vinda até aqui né?
Também tentou me incentivar após ler minhas notas, procurou fazer com que eu aceitasse minha atual situação para poder viver meu presente.
−Ahn! Fui descoberta. Fufu!
−Agora não importa mais, foi uma falha total.
Ela coloca seu queixo sobre meus ombros.
Vendo você assim, nem parece aquela mulher toda comportada e calma que eu conhecia. Vou tentar fazer companhia para você e tira-la dessa solidão que tanto te incomoda, não voltarei com minha palavra, mesmo que eu tenha decidido por mim mesmo.
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