Fade Out Lines
4 Capítulo 4 — Stalker.
Notas iniciais
Capítulo 4 — Stalker.
—Você não acha que estamos indo rápido demais? —Theo murmurou.
Chris o ignorou, continuando a mordiscar sua orelha.
—Para, Chris!
—Não se faça de difícil...
—Eu estou falando sério!
—Theo, eu sei que está envergonhado, mas isso não é motivo de...
—Chega! —O garoto o interrompeu, saindo de cima seu colo.
Theodore se levantou, e Christopher tentou pará-lo, o garoto recolheu suas roupas do chão, e rapidamente as vestiu.
—O que eu fiz de errado?! —Vociferou Chris. —Você parecia estar gostando de tudo, Theo!
O garoto caminhou até a sala de estar, pegando sua jaqueta, e Christopher se colocou na sua frente, o impedindo de sair.
—Você não vai sair até me dar uma explicação!
—Chris, sai da minha frente.
—Porra! É sério! Se foi algo que eu fiz, quero que me diga!
—Claro que foi algo que você fez!
—Então vamos, fale. —Chris cruzou os braços, em frente a porta.
—Acha que não sei o que está fazendo? Fez de tudo para me agradar só para conseguir uma transa fácil!
—O quê?! Que absurdo!
—Ah, é? Vai negar isso?
—Eu assumo que quis te dar uns mimos, Theo, mas nunca com segundas intenções...
—Ah tá, você não me engana.
—Eu não entendo porque está fazendo isso agora, caralho... Você parecia estar gostando de tudo, o que aconteceu?
—Aconteceu que eu não queria, eu simplesmente não tô pronto pra isso, não dá, não posso, e você estava me forçando!
—Eu te forçando? Ah me poupe!
Por mais que Christopher tentou impedir o garoto de sair, ele conseguiu se livrar de seus braços e destrancou a porta, quando viu que Theo estava realmente determinado a ir embora, Chris não o chamou de volta, estava irritado, não queria ver aquele garoto na sua frente nunca mais.
—Ah, que dor de cabeça! —Christopher deu um tapa em sua testa, dando duas voltas na chave.
Assim que trancou a porta, caminhou até seu armário de bebidas, escolheu um uísque clássico, despejou-o uma medida em um pequeno copo, e assim o virou rapidamente, sentindo a bebida descer ardendo por sua garganta.
Voltou para seu quarto, ainda com as cenas dos últimos minutos em sua cabeça, não compreendia o que havia acontecido, Theo agia como uma criança, e mesmo que Chris não se agradava muito disso, estava com a consciência pesada, pois se colocou no lugar dele, e viu que não devia ter falado daquela maneira.
Sem pensar mais, Christopher recolheu o restante das suas roupas, e as vestiu com pressa; por mais que não queria fazer aquilo, não podia deixar ele sozinho por aí.
Procurou-o no hall de entrada, mas ele não estava ali, então correu até a portaria para procurá-lo; avistou Theo saindo pelo portão e acelerou os passos para alcançá-lo, o garoto estava indo para o centro da cidade, que se encontrava duas quadras dali.
Chris o chamou, mas Theo não escutava, ou fingia não escutar, como Christopher pensava. O garoto atravessou a rua com pressa, e quando Chris tentou atravessar, o semáforo havia ficado verde para os carros, e teve que esperar.
—Droga! —Resmungou ele, logo pegando seu celular para ligar para Theo. —Atende, atende...
Como esperado, o garoto não atendeu.
Narrado por Theodore
Quem ele pensa que é para falar comigo dessa maneira? Eu devia ter desconfiado antes, como sou idiota, por que fui aceitar assim logo de primeira? É claro que ele iria pensar que sou fácil. Como pude ser tão ingênuo? Ir para a casa de alguém e não imaginar o que poderia acontecer...
Continuei andando pela calçada sem muita pressa, não sabia muito bem para onde ir, só esperava encontrar um taxi naquela hora. Assim que saí pelos portões do residencial, ouvi passos atrás de mim, e quando me dei conta de que era Chris, me apressei.
Assim que tive a oportunidade, atravessei a rua, e para a minha sorte, ele não me alcançou, ele até tentou me ligar, mas não atendi.
Corri o mais rápido que consegui, até chegar à uma rua movimentada, onde o fluxo de carros era maior. Provavelmente Christopher havia me perdido de vista, e isso era bom, já não bastava o constrangimento de olhar em seus olhos e gritar com ele sobre tudo aquilo, voltar a vê-lo seria humilhante.
Fiquei perto de uma esquina, e assim que avistei um taxi, levantei um dos braços para acenar e ele desacelerou, estacionando perto de onde eu estava; entrei rapidamente, falei o endereço da minha casa, e o taxista seguiu com o carro.
Meu coração batia um pouco mais tranquilo, mas minha cabeça não parava de pensar no que havia acontecido. Eu sabia que Chris era bom demais para mim, mas não imaginava que as coisas iriam chegar nesse ponto tão rápido.
Olhei pela janela do carro, e enquanto observava as pessoas na rua, pensava se teria feito a coisa certa, eu estava com a maior dúvida da minha vida. Meu corpo queria aquilo mais do que tudo, mas o medo me dominava, a razão me impedia de continuar, e tudo aquilo havia se misturado em um sentimento complexo que eu não conseguia decifrar.
Será que Christopher me perdoaria depois daquilo? A resposta estava óbvia, eu receberia um belo não como resposta, e isso se ele me respondesse.
Relembrei de cada palavra dita, e tentei colocar tudo sobre uma balança, mas nunca conseguiria uma conclusão, não sabia quem estava certo naquela discussão toda; a única coisa que era certa, era de que eu havia começado, e que teria que terminar o assunto de alguma maneira.
Eu não tinha alternativa, mesmo que tentasse escapar, sabia de que Christopher iria atrás de respostas, mas as minhas maiores preocupações, eram das perguntas. O que ele diria?
Esfreguei o rosto com raiva, não conseguia me livrar de todos aqueles pensamentos, a minha aflição era tanta, que até o taxista percebeu, ele olhou para mim pelo espelho do retrovisor interno, e perguntou:
—O que aconteceu, garoto?
—Nada, nada demais.
—Tem certeza? Não é o que parece.
POV’s Theodore OFF
Narrado por Christopher
Quando cheguei até o centro, fiquei sem saber para onde olhar, pois em meio à tanta gente, letreiros chamativos, faróis de carro por toda a parte, ficava difícil encontrar Theo.
Consegui avistá-lo na esquina, mas para o meu azar, ele havia entrado em um taxi.
Pensei em desistir ali, mas logo adiante vi uma fileira de carros amarelos se aproximando, com um sorriso enorme estampado no rosto fiz sinal e entrei em um deles.
—Para onde? —O taxista me perguntou.
—Siga aquele taxi! —Soltei uma leve risada. —Sempre quis falar isso...
Pensei que o homem não fosse seguir outra pessoa por motivos de segurança ou qualquer outra coisa do tipo, mas ele somente perguntou o motivo, e falei que era a respeito de desentendimentos amorosos, e ele não pestanejou, continuando a seguir Theo.
Eu já conhecia a fama desses motoristas, adoravam perguntar sobre a vida de todos, é claro que eu não cairia nessa conversa, mas por um momento, isso me fez pensar na relação que eu levava com Theo.
Quando ele me perguntou como nos conhecemos, percebi que só havia uma semana que nós conversávamos, e quem poderia se apaixonar em tão pouco tempo? Esse era o nosso primeiro encontro apenas, mas eu já havia estragado tudo.
Ao mesmo tempo que eu tentava me convencer de que não havia forçado Theo a nada, somente me lembrava de como ele dizia para eu parar, e como acabava cedendo no fim das contas; embora ele havia me avisado, eu pensei que ele não estava falando sério.
Isso era uma bela lição de moral, mesmo que eu não queria ter aprendido dessa maneira, não posso negar que foi um aprendizado.
Não gostava de tentar imaginar o que Theo estava sentindo nesse momento, será que ele estaria triste, magoado, infeliz, furioso, ou até mesmo confuso? Eu não sabia dizer ao certo, mas com certeza ele estaria arrasado.
As ruas passavam, e eu pedia que o motorista mantivesse uma distância razoável, para que Theo não desconfiasse, pois um carro amarelo era bem visível em plena noite.
Mais algumas quadras se passaram, eu me perguntava para onde Theo estava indo, mas provavelmente ele iria para sua casa, já que estávamos entrando em um bairro afastado, mas muito conhecido.
Minhas mãos estavam ficando geladas, somente ele conseguia fazer eu me sentir dessa maneira, não era pelo nervosismo, nem pela briga que tivemos, mas sim em ter que encará-lo novamente, olhar em seus olhos me causava um arrepio extremo, e era difícil para me controlar quando ele ficava muito próximo.
Eu sabia que no fundo ele era especial, entretanto, não podia colocar toda a minha confiança nele, porque se logo de cara tivemos uma briga tão grande, seria fácil que acontecesse novamente.
Talvez seja por isso que eu tenha gostado tanto dele, ele exalava uma aura que dizia “garoto encrenca”, e eu gostava de homens enigmáticos, mesmo que ele tivesse muita pinta de adolescente.
Durante toda a minha vida, eu havia procurado alguém que me fizesse sentir assim, e com ele era até engraçado, nossas personalidades batiam graças ao site, mas o mais importante, eu tinha reparado no primeiro dia que o vi pela câmera, que ele não era tão ingênuo, falava comigo com um tom de voz pervertido, e a malícia em seu olhar era evidente.
Gostava do fato de ele ser um pouco mais atrevido que os outros caras, mas quando o chamo para cama, ele se revela uma pessoa completamente diferente, e isso me deixava louco de raiva, será que tinha interpretado alguma coisa errada? Ou que simplesmente não fui romântico?
A dúvida estava acabando comigo...
Meu coração voltou a acelerar quando percebi que o carro onde Theo se encontrava estava desacelerando, o que era um sinal de que ele estava chegando.
Pedi para o motorista estacionar longe, e como a rua estava escura, não parecia que Theo havia desconfiado de nada quando saiu do taxi.
Ele caminhou até uma casa com uma varanda bem arrumada, subiu poucas escadas e deu alguns toques na porta de entrada. Continuei observando, e logo vi uma mulher extremamente parecida com ele, assim que Theo entrou eu me preparava para sair do carro, mas me lembrei do que ele havia me dito, e decidi voltar para minha casa.
Não queria estragar a vida dele, o que eu poderia fazer? Simplesmente chegar lá e pedir para conversar com ele? Qual seria a cara da mãe dele se descobrisse o que ele estava fazendo vinte minutos atrás?
Eu estava um pouco irritado, mas tinha que esperar, talvez até pelo dia seguinte, para conversar com Theo. Durante toda a volta, pensei em maneiras de iniciar uma conversa com ele, será que ele me responderia? E se não respondesse?
Por qual motivo Theo teria ficado tão bravo comigo de repente?
Assim que cheguei em casa, liguei o computador e fiquei encarando o monitor, sem conseguir escrever nada; por mais que as palavras vinham em minha mente, se dissolviam quando eu queria passá-las a limpo.
Acabei deixando uma simples mensagem para Theo, dizendo que queria falar com ele sobre nossa noite. Mesmo que eu soubesse que ele não ficaria online, minhas esperanças ainda eram muitas.
Passaram-se alguns minutos e acabei desligando o computador, sabia que ele não entraria em contato comigo hoje, quem diria então amanhã.
Tomei um banho para relaxar, e deitei na cama esperando o sono chegar, mas não conseguia pregar os olhos.
POV’s Christopher OFF
Na manhã seguinte, Theo se levantou, abrindo os olhos devagar. Ele não conseguiu ter cinco minutos de paz, sua mente logo era invadida por lembranças da noite anterior, e os momentos bons foram muitos, mas o que prevalecia, era somente a discussão.
Assim que tomou o café da manhã, voltou para o quarto, não estava muito disposto, queria ficar deitado o dia todo. Theo se jogou em sua cama, tampou o rosto com o travesseiro, tentando relaxar, mas logo foi interrompido pelo toque de seu celular.
—Alô?
—Oi Theo, é o Chris...
—Ah, oi.
—Sabe, eu sei que está chateado, mas só queria te perguntar uma coisa, depois disso você pode desligar e nunca mais falar comigo.
—Tudo bem, pergunte...
—Theo, por acaso você é virgem?
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