Fade Out Lines
36 Capítulo 36 — Infância.
Notas iniciais
Capítulo 36 — Infância.
— Ele levou uma surra. — Emmet se pronunciou. — Deve estar com vergonha de falar.
— Não, não é isso. — O baixinho contestou.
— E como isso aconteceu? — Christopher ergueu uma das sobrancelhas, assustado.
— O Emm fez um bico num pub ontem, de barman, então eu fui buscá-lo e já era tarde da noite...
— Lá só tinha caras estranhos. — Emmet completou. — Um deles sentou ao lado do Mikey e começou a encher o saco dele.
— Foi o seguinte... — Michael explicou. — Eu estava sentado em frente ao balcão, observando o Emm trabalhar, foi então que um cara gigantesco se sentou bem do meu lado, não demorou cinco minutos e já me cutucou, me chamando.
— Nossa, mas o que ele disse? — Chris perguntou.
— Sem ele mesmo saber que eu e o Emmet estamos namorando, começou a elogiar o Emm sem parar, então eu só pedi para que ele parasse, afirmando que estávamos compromissados e mostrei as nossas alianças, foi então que ele nos xingou e eu não me aguentei, dei um soco no nariz daquele infeliz.
— E foi merecido, Mikey. — Emmet tomou um pouco mais da bebida, que derretia vagarosamente.
— Mas eu me arrependi, se eu tivesse ficado quieto, aquele cara não teria me arrastado dali e me dado o maior sarrafo que eu já tive na minha vida. E olha que eu achei que nada poderia superar as surras que minha mãe me dava quando eu quebrava as porcelanas dela...
— Eu faria o mesmo se fosse você. — O professor afirmou. — Não conseguiria ficar quieto com alguém faltando o respeito a mim ou ao Theo.
— Eu também não consegui me controlar, eu acabei pulando no cara e só parei quando me tiraram de cima dele. — Emmet acrescentou. — Minhas mãos latejaram muito depois disso, além de que, é claro, não poderemos voltar lá novamente, só que eu não me arrependo, nem um pouco, do que eu fiz...
— Ah! Mudando de assunto! — Michael se lembrou. — Falando em alianças, o Emmet me falou de que você o chamou para fazer umas compras, Chris.
— Pois é, o Emm me ajudou muito. — Christopher admitiu. — Sem ele eu ficaria perdido em tantas opções...
— E você gostou da surpresa, Theo? — Emmet indagou. — O Chris acabou escolhendo o anel, enquanto eu só dei um empurrãozinho para as outras coisas.
— Eu adorei! — Sorriu. — Eu fui pego de surpresa, é sério...
— Assumo que a ideia do jantar foi dele, eu sugeri algumas coisas mais radicais, mas não, o professor gostosão aí não quis...
— Não tem problema, eu adoro coisas clássicas! — O garoto deu uma leve risada.
Os dois casais deixaram o quiosque e tornaram a caminhar pela praia, procurando um bom lugar para se acomodarem. Enquanto conversavam sobre assuntos aleatórios, Theodore sentiu um peso sobre seu ombro direito, então virou-se e deu de cara com uma garota que conhecia muito bem.
— Lizzie!
— Theo! — A prima abraçou-lhe, enquanto segurava uma sacola em mãos. — Aproveitando o fim de semana?
— Estou dando uma volta com eles, me deixe te apresentar... — O garoto enlaçou o braço do professor. — Esse é meu namorado, Christopher, e eles são Emmet e Michael, nossos amigos... Pessoal, essa é minha prima, Elizabeth.
Theodore quis rir com a expressão de Chris, que pareceu se surpreender com a sinceridade de Theo, ousando em revelar seu relacionamento com ele, mas logo cumprimentou a garota, assim como os amigos.
Convidaram Elizabeth para passar a tarde com eles, embora dizendo que não podia demorar a voltar para casa, aceitou. Assim que acharam um local perfeito e com sombra para ficarem, estenderam toalhas sobre a areia e se sentaram.
— Por ser um domingo, até que a praia não está tão cheia, não é? — A garota observou.
— Mesmo eu vindo pouco, é verdade. — Emmet confirmou.
Christopher colocou o cesto que havia trazido, sobre a toalha e perguntou:
— Alguém quer comer alguma coisa?
— Eu to bem. — Theo afirmou.
— Nós já almoçamos. — Michael respondeu.
— E você, Liz?
— Eu to legal.
— Então qualquer coisa, se quiserem, é só fuçar aqui. — Chris acrescentou, colocando os óculos de sol.
— Vem cá, vocês vão querer nadar? — Emmet indagou.
— Por enquanto, eu não quero. — Michael tirou um livro de uma sacola que havia trazido.
— Ei, me desculpe a intromissão, mas o que houve com o seu rosto? — Elizabeth o olhou, curiosa.
— Eu apanhei. — Deu uma leve risada.
— Sério?
— Pois é, de um cara bem idiota, provavelmente bêbado.
— Nossa, sinto muito...
— Não, tudo bem, foi por um bom motivo. — Sorriu. — Ele estava assediando o Emmet, não pude ficar quieto.
— Vocês são namorados, também? — A garota perguntou, enquanto ajeitava os cabelos.
— Somos.
— São um casal bonito. — Falou, carismática. — E você, Theo? Não sabia que estava namorando...
— Pois é, ninguém sabe.
— Relaxa, você sabe que pode contar comigo. — Deitou-se, olhando para o céu. — Onde se conheceram?
— Na internet. — O primo respondeu.
— Eu estou precisando de alguém também, já cansei de ser solteira. — Gargalhou.
Michael lia o livro, entretido, com Emmet cochilando apoiado em seu peito, enquanto Theodore passava protetor solar nas costas do professor.
— Vocês são tão fofos... — Elizabeth os elogiou, sentando-se.
— Acha mesmo? — Theodore sorriu, terminando de espalhar o produto.
— Muito! — Confirmou, enquanto abaixava o celular. — Até tirei uma foto, eu te mando depois.
— Eu concordo totalmente também. — Christopher virou-se, agarrando o garoto de surpresa. — E quero a foto, me mande depois.
— Pode deixar!
Theo recebeu beijos em sua nuca, enquanto a boca de Chris subia para suas bochechas, estalando selinhos, até alcançar seus lábios.
Elizabeth corou, admirando a situação um tanto desconsertada. A garota ajeitou sua roupa e se levantou, afirmando ter que voltar para a casa, se despedindo de todos.
Emmet despertou de seu rápido cochilo, deu um beijo no namorado e se sentou, observando as ondas que se quebravam na margem da praia.
— Na última vez que eu vim, a praia estava lotada de surfistas...
— Hoje as ondas estão fracas. — Michael olhou em volta.
— E está um pouco frio também, não muito. — Emmet se levantou. — Mesmo assim eu quero ir dar um mergulho, alguém vem?
...♕...
Assim que o céu denunciou o pôr do sol, retornaram do mar e se secaram.
— Acho melhor se agasalhar, Theo, está começando a ventar. — Chris aconselhou, pegando uma blusa de manga longa que havia trazido.
Emmet observou o professor colocar o casaco sobre os ombros do garoto e comentou:
— Vocês estão parecendo recém-casados!
— Quem dera um dia. — Christopher deu uma piscadela.
— Olha só! — Riu alto. — Você concorda com isso, Theo?
— Até que a morte nos separe. — Theodore respondeu, soltando uma risada.
— Vamos, Emm? — Michael o chamou, ainda rindo da conversa dos três.
— Acho que vamos indo também. — Chris se levantou.
— Até mais, Theo! — Emmet beijou as duas bochechas geladas do garoto, enquanto Michael acenava.
Recolheram seus pertences e caminharam ao estacionamento, observando o sol se despedir, beijando o mar.
— Pra minha casa ou pra sua? — O professor perguntou, assim que adentraram o carro.
— Você está ocupado hoje?
— Não. — Respondeu, sorrindo. — Isso significa a primeira opção?
— Pode-se dizer que sim.
— Então está decidido.
Rumaram ao apartamento.
Ao passarem pela porta, Dora os recepcionou, parecendo ter sentido a falta do dono terrivelmente. Chris a pegou no colo, mimando-a com carícias e fungadas.
— É tão fofo ver você brincando com ela. — Theo revelou, se aproximando, enquanto deixava sua mochila ao chão. — Sua voz muda, como se estivesse falando com um bebê...
— É porque a minha filha tá linda de lacinho! — Christopher afirmou, ainda com a voz manhosa. — Olha a coleira nova dela...
— Acho que é o filhote mais mimado de todos os tempos. — Brincou.
O celular do garoto apitou, um toque rápido, notificando uma nova mensagem.
— Quem é?
— Elizabeth, ela acabou de me enviar a nossa foto.
— Não se esquece de me mandar também.
— Foi o que ela falou.
— Ah, Theo, eu queria perguntar antes, mas não na frente dela... — O professor deixou a cadela ao chão. — Tem algum risco de essa sua prima mostrar a foto para a sua mãe?
— Com certeza não, ela é gente boa, além de que eu guardo um segredo dela que olha... Acho que ela nem se arriscaria.
— Segredo, é?
— Ela fuma maconha. — Riu.
— Sério? — Chris arregalou os olhos. — Tá brincando, né?
— Não estou, é verdade! Eu fiquei com a mesma cara que você quando soube.
— Eu nem desconfiaria.
— Pois é, mas ela não é viciada, parece que mantém isso como um hobby, sabe? Não sei dizer.
Theodore, ainda com o aparelho em mãos, observou a foto que ela havia enviado, abrindo um largo sorriso.
— Eu adorei como ficou, olha só. — Mostrou a imagem a Christopher.
— Ficou bacana, quero usar como plano de fundo.
— Eu ia dizer isso agora mesmo...
— Ah, Theo, eu estava quase me esquecendo!
— O quê?
— Eu precisava saber, você vai passar o dia de ação de graças com os seus parentes?
— É bem provável que sim, por quê?
— Porque caso contrário, queria te levar para conhecer a minha família...
— Mesmo eu querendo, já sei que é fora de cogitação passar o dia de ação de graças em outro lugar. — Entristeceu-se. — Minha mãe me mataria.
— Mas temos outros dias, não tem problema. — O professor se aproximou, o puxando para se sentar no sofá. — Quer tomar um banho comigo?
— Quero. — Puxou-o para um beijo.
Christopher tocou os cabelos molhados de Theodore, agarrando-os enquanto sugava sua língua, explorando o interior de sua boca. Diminuiu a distância entre seu corpo e o de Theo, enquanto o garoto deslizava seus lábios pelo seu pescoço vagarosamente.
— Tem algo que eu queria te mostrar, Theo... — Sussurrou.
— O quê? — Theodore parou o que fazia, aparentando curiosidade.
— Eu tenho que ir pegar. — Levantou-se. — Só um minuto.
Chris voltava de seu quarto, com vários álbuns de fotos em mãos e assim sentou-se ao lado do garoto, falando:
— Eu estava pensando sobre aquilo que você me disse, no dia do meu aniversário, então decidi mostrar todo o meu passado para você, ao menos, tudo o que eu tenho registrado em fotos... Boa parte desses álbuns estavam na casa dos meus pais, então eu os peguei emprestado.
— Sério?! Só para me mostrar?
— Quero muito que você me conheça melhor, Theo. — Confessou. — Então vamos começar pela ordem. Veja esse álbum aqui primeiro.
O garoto abriu a capa, logo fascinando-se ao se deparar com a primeira foto.
— Olha isso! Essas bochechas! — Admirou-se. — Você era um bebê incrivelmente fofo!
Theodore passou mais uma página, quando percebeu Christopher soltar uma risada baixa, levemente envergonhado, logo dizendo:
— Não sei qual é a necessidade de tirar fotos nuas de um bebê inocente.
— Eu não ligo, achei isso tão fofo!
— Não precisa encarar tanto, tem mais fotos pra ver. — Brincou.
— Tá bom, tá bom. — Passou para a próxima página, onde mostrava um casal.
— Meus pais.
— Eles são um casal bonito.
— São mesmo, até hoje não mudaram muito, nos próximos álbuns você verá, acho que minha irmã está em alguma dessas fotos, ela tinha uns cinco ou seis anos quando eu nasci.
— Ah! É essa aqui?!
— Sim, ela mesma.
— Uma gracinha! E é realmente parecida com você!
— Olha essa foto, olha a cara de preocupação da minha mãe!
— Por que ela está assim?
— Repara em como a Avalon estava me segurando toda desajeitada, ela era uma criança miúda e eu um bebê incrivelmente gordo. — Riu. — Resultando em uma possível queda, mas ainda bem que nada aconteceu.
— A cara dela tá realmente engraçada. — Se juntou nas risadas.
— Ah! Eu quero uma cópia dessa foto aqui! — Apontou uma foto em que Christopher vestia uma roupa social e boina, em seu aniversário de um ano. — Você tá um charme! É impressão minha ou você era um bebê loiro?
— Até os meus seis anos de idade, meus cabelos eram bem loiros, foram escurecendo depois disso.
— Ah! Então quer dizer que meu namorado é loiro e eu não sabia? — Provocou. — Bom saber.
— Infelizmente, eu não sou mais.
— É claro que é, seu tom ainda é loiro escuro! — Continuou olhando as fotos. — Olha você nessa aqui! Todo sujo de papinha!
— Eita, mais uma foto do jeito que vim ao mundo! — Protestou. — Eu deveria posar nu, o que acha? Levo jeito pra isso?
— Nem pensar. — O garoto rebateu, fingindo seriedade. — Ah, eu gostei dessa foto aqui também!
— É uma das minhas preferidas. — O professor olhou para a imagem, onde sua mãe penteava seus cabelos.
Assim que as fotografias daquele álbum acabaram, partiram para o próximo e assim continuaram até chegarem em sua fase de menino.
— Você tinha cara de arteiro! — Theodore brincou. — Olha só!
— Não é para menos. — Chris pediu para que ele passasse para a próxima página. — Olha essa foto aqui, eu tinha sido pego no flagra pela minha mãe, quando eu quebrei um vaso de plantas dela!
— Eu adorei a sua cara de susto! — Gargalhou. — E essa foto aqui? Era seu aniversário?
— Sim, de oito anos.
— E quem é esse garoto abraçado com você?
— Eu e ele não nos falamos mais, velhos amigos... — Contornou.
— Como é o nome dele?
— Stephan...
— Não acredito, aquele seu ex?!
— É, ele mesmo. — Passou a mão na testa. — Ainda bem que nessa época ainda estávamos longe de pensar nisso.
— Vocês realmente se conheceram bem jovens. — Observou. — É uma pena, ao menos para ele, não para mim, que não tenha dado certo.
— Verdade. — Sorriu.
...♕...
— Quem era no telefone? — Michael indagou.
— A mamãe, sua sogrinha querida... — Emmet se aproximou do namorado, sentando ao lado dele na cama. — Ela queria saber se nós vamos para a casa dela no dia de ação de graças.
— Ela quer que eu vá?
— É claro que sim, você sabe que ela te adora!
— Eu ainda acho que ela está sendo somente gentil comigo, Emmet, não creio que ela queira realmente que eu vá.
— Michael. — Repreendeu. — Se você conhecesse a minha mãe como eu conheço, saberia que quando ela não gosta de alguém, não consegue disfarçar!
— Eu sei, Mikey, mas às vezes ela não quer te magoar ou...
— Já chega. — Empurrou-o para se deitar na cama. — Eu já falei que nós vamos.
O baixinho permaneceu estático, deitado, enquanto Emmet subia pelo seu corpo, engatinhando.
— Sabia que você fica muito sexy com o rosto machucado?
— Sadomasoquista. — Riu alto. — Saiba que eu não gosto nem um pouco de apanhar, ouviu?
— Ah, é sério? Nem um pouquinho? — Mordeu o lábio, sentando sobre o corpo do namorado. — Não foi o que você me disse na semana passada...
— Emm, por favor... — Reclamou, enquanto sentia seus braços serem presos pelas mãos de Emmet.
— Você também tinha dito que gostava de ficar vendado, não foi? — Deu um sorriso malicioso.
— Emmet...
— Mikey. — Se aproximou, beijando-o delicadamente. — Não seja tão teimoso, você sabe que será pior para você...
...♕...
Christopher deixou Theodore em sua casa, se despedindo do garoto e logo partindo.
Ao passar pela porta de entrada, Theo ouviu barulhos vindos da televisão, pensou em ver quem era, mas ignorou e rumou ao seu quarto, estava exausto.
— Ei, ei, mocinho! — Alba se aproximou, dando passos curtos e rápidos em sua direção.
— O que foi?
— O que você fez o dia todo? Onde você estava?
— Fui à praia.
— Fazer o quê?
— Tomar chá quente e jogar gamão. — Satirizou. — Fala sério, né.
— Seu carro estava em casa, então fiquei preocupada!
— Fui de carona, me convidaram. — Tentou se livrar dos assuntos, tornando a caminhar.
— Quem te convidou? Com quem você foi? — Interrompeu-o.
— Não enche.
— Olha o jeito que você fala comigo, Theodore. — Cruzou os braços. — Acha que não deve satisfações à sua mãe?
— Você não ligou, nem mandou mensagem, a culpa não é minha. — Bufou. — E outra, você nem estava em casa quando eu saí...
— Isso não vem ao caso agora, o que acontece é que...
— Mãe, tá bom, eu tô cansado... — Suspirou. — Só quero ir dormir.
— Não sem antes me ouvir.
— E o que você quer falar? — Perguntou, revirando os olhos.
— Já faz tempo que eu precisava conversar com você. — Olhou-o fixamente. — E de hoje não passa.
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