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27 Capítulo 27 — Aconchego.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 27 — Aconchego.

— O que você está fazendo aqui?! — Theodore cruzou os braços na frente de seu abdômen desnudo.

— Preciso falar com você...

— E quem disse que eu quero?

— Por favor, Theo... — Christopher o olhou nos olhos. — É a última coisa que eu te peço.

— Tá bom, o que quer falar? — Apoiou-se no batente da porta.

— Posso entrar? Ou sua mãe está aí?

— Não, ela não está. — O garoto bufou, dando espaço para o professor adentrar.

Encostou a porta e assim caminharam até a sala de estar, Theodore convidou Christopher para se sentar, enquanto permanecia em pé.

— Não vai se sentar também?

— Estou molhado, vou encharcar o sofá desse jeito. — O garoto arrastou uma cadeira de tecido impermeável para perto e se sentou.

— O que houve?

— Minha prima, aquela que você viu indo embora, me jogou na piscina do jeito que eu estava...

— Entendi. — O professor coçou o queixo, pensando no que dizer. — Olha, Theo, eu não quero enrolar, quero ir direto ao ponto... O que está acontecendo com você?

— Não entendi o que quis dizer...

— Quero saber o motivo de ter ido parar no hospital com esses machucados no rosto...

— Sidney.

— Sidney? — Repetiu, sem entender.

— Sim, meu futuro padrasto, o noivo da minha mãe. — Respirou fundo. — Ele é o motivo de tudo...

— Como assim, Theo?

— Ele me deu a maior surra da minha vida. — Olhou fixamente para o chão.

— Por quê?

— Porque sou gay.

— E sua mãe continua com ele?

— Minha mãe não sabe sobre essas ameaças que ele me faz.

— Como não?

— Ele inventa histórias... A dessa última vez foi que ele me salvou de uma gangue de motoqueiros que me seguiram depois da escola. — Theodore respondeu, incrédulo. — E ela acreditou!

— Já tentou dizer a ela?

— Já, milhares de vezes...

— O que ela diz?

— Ela acha que não superei a morte do meu pai, pensa que estou com ciúmes do Sidney...

— Não tem uma maneira de fazer com que ela acredite?

— Já pensei, fracassei na última vez, ganhei esse presentinho no meu rosto e um celular quebrado. — Theodore apontou o ferimento na face. — Tá vendo isso? Foi uma coronhada, ele exibe a arma dele com orgulho, mas não tem coragem de atirar em mim, então arrumou outra forma de se divertir...

— Ele anda armado?

— O tempo todo, minha mãe sabe disso e não liga. — O garoto notou os olhos de Christopher pousarem sobre seu abdômen.

— E essas marcas? Foram dele também?

Gesticulou afirmativamente, cruzando os braços, para tampar o local.

— Theodore... — Chamou-o. — Agora o que eu mais queria saber, por que tentou se suicidar?

— Chega de perguntas...

— Mas, Theo...

— Eu não quero falar disso!

— Tem certeza?

— Eu só quero que saiba que não foi por você. — Encarou o professor. — Que deve ser o que está pensando, provavelmente...

— Não, Theo, não pensei nisso...

— Ótimo. — Concluiu. — É só isso ou vai continuar com o interrogatório?

— É só. — Christopher se levantou. — Até mais, Theodore.

Continuou sentado enquanto observava aquele homem sair pela porta da frente, não teve coragem de chamá-lo de volta. Naquele momento a raiva era maior do que a saudade.

Apenas naquele momento.

...♕...

O professor entrou em seu carro, ainda com a conversa de poucos minutos atrás em sua mente, estava surpreso por tudo o que ouviu. Não queria acreditar que o garoto estava sofrendo daquela maneira, sentiu repulsa de si mesmo por alguns minutos, por imaginar que Theodore estava sendo somente egoísta, não pensando que ele poderia realmente estar com problemas.

Deu a partida, lembrando-se da primeira coisa que se passou em sua cabeça quando olhou nos olhos do sardento novamente, notou como ele havia mudado, não parecia o mesmo garoto de um mês e meio atrás, antes vívido, Theodore havia se tornado frio e indiferente.

Mesmo que mentalmente quisesse se afastar, seu coração ainda estava aos pulos, não podendo negar que aquela mera visita tinha o abalado. Christopher retomou o fôlego quando se lembrou do momento em que deu de cara com seu abdômen nu e liso, mesmo que machucado, aquilo só o deixou ainda mais desconsertado na frente do garoto.

Embora preocupado com o que se passava com Theodore, se pegou sorrindo com a pequena lembrança.

...♕...

A semana começou monótona para ambos, o garoto aproveitou que a mãe ainda não havia voltado da viagem e passou a segunda-feira dormindo até mais tarde.

Quando acordou, se levantou e andou pelo corredor, sentindo um cheiro bom vindo da cozinha.

— Achei que não acordaria nunca. — Alba trajava um avental.

— O que tá fazendo aí?

— Terminando o molho do espaguete.

— Que horas você chegou?

— Umas onze horas. — Ela colocou um pouco do caldo na palma da mão e experimentou. — Tá pronto, quer me ajudar a arrumar a mesa?

Após o almoço ser servido, Theodore estava feliz, pois Sidney não estava presente e era a folga de sua mãe.

Naquela tarde, foram até o centro, ele escolheu um modelo novo de celular e assim passaram um bom tempo juntos, aproveitando para conversar dos últimos acontecimentos.

Quando chegaram em casa, Theodore pegou o aparelho quebrado e abriu-o vendo que ainda conseguiria aproveitar o chip, que estava intacto. Colocou-o no novo smartphone e assim ligou-o, estava curioso para ver se teria alguma mensagem. Não se surpreendeu em ver que somente tinham chamadas perdidas de Susannah e poucas mensagens de Nicholas.

No outro dia, não teve como ficar em casa, mesmo se recusando ir à escola, Alba fez o garoto levantar da cama e ir se trocar. Theodore foi obrigatoriamente para o colégio, mas ele já sabia que talvez aquele dia seria mais difícil que os outros.

Como imaginou, assim que chegou na escola naquela terça-feira, várias pessoas que nem mesmo o conheciam, o encararam fixamente, outras se atreveram a perguntar o que tinha acontecido com ele, mas Theodore sempre se esquivava, não era dessa atenção que precisava.

As aulas se mostraram ainda mais tediosas, mas seu coração já se abalava ao lembrar que todos os dias, nas últimas aulas, tinha aula de matemática. Embora não desejava ver o rosto de Christopher novamente, sentia saudades e mesmo não querendo aceitar isso, sabia mais do que ninguém que tinha que seguir em frente.

Encontrou-se com Nicholas no almoço, mostrou ao amigo o celular novo, que admirou-se com o modelo tão recente. Depois que o sinal bateu, guiaram-se para suas aulas e como sempre, sabiam que se encontrariam na última.

...♕...

Christopher não tinha esperanças de ver Theodore naquele dia, sabia que ele estava faltando na escola e mesmo querendo muito vê-lo, tinha que ter paciência.

A última aula começou, os alunos adentravam a sala aos poucos, o professor não tirava os olhos da porta, querendo encontrar o garoto sardento, então admirou-se quando ele apareceu e sentiu seu coração bater ainda mais forte.

Continuou o observando ao longe e o contrário dos outros dias, Theodore sentou-se no fundo da classe com o amigo. Sabia muito bem que o motivo daquilo era a sua proximidade e lembrou-se do que aconteceu na última aula.

O garoto tinha razão em se afastar, Christopher sabia que a maneira que tinha agido na semana passada não era correta, mas o motivo pelo qual foi tão rude com Theodore no dia do desafio era bobo, tão egoísta e chulo que o professor se remoía somente ao se lembrar.

Puro ciúme.

Aqueles cinquenta minutos foram aterrorizantes para ambos, enquanto Christopher sofria com os conflitos internos, o garoto implorava para ir embora, não aguentava mais ouvir a voz do professor, ela o machucava por dentro e de ferimentos ele já estava esgotado.

...♕...

Alba tardou um pouco mais para voltar do trabalho naquele dia, o garoto já tinha ido à escola e retornado, estava nesse momento, jogado no sofá, enquanto se entretinha com um jogo.

Theodore ouviu a porta da sala se abrindo e logo barulho do salto alto soar no chão de madeira.

— Onde você estava? — Perguntou o garoto, quando sua mãe se aproximou.

— Fui comprar o seu presente de aniversário. — Alba sentou-se ao seu lado.

— Hã? Mas o meu presente já não era o celular?

— Surpresa! — Ela tirou uma pequena caixa das costas.

— Você quer que eu abra agora? Meu aniversário é só na sexta...

— Eu sei, mas você se lembra? Eles conseguiram agendar uma nova reunião para mim nesse fim de semana... — Ela acariciou os cabelos do filho. — Como não estarei aqui, queria adiantar o presente...

O garoto segurou a pequena caixa e logo abriu sua tampa. Mal acreditou no que viu, estava atônito.

— Mãe... Isso é? Você tá brincando comigo?!

— Não, não estou. — Ela riu como nunca antes.

— Sério? Sério mesmo?!

— O que você tá esperando? Vá lá fora ver!

O garoto levantou-se correndo, segurando a chave do seu futuro carro em mãos. Abriu a porta de entrada e Alba estava logo atrás.

Theodore não acreditou quando viu o carro dos seus sonhos estacionado ali em frente, a cor era a sua preferida, azul marinho, tão escuro que poderia se confundir facilmente com preto; nos vidros estavam escritos o seu nome com tinta solúvel em água e o número dezessete logo abaixo.

— Você é a melhor mãe do mundo! — Abraçou-a com força. — Eu te amo!

— Não quer ir dar um passeio? — Alba sorriu. — Pega a sua carteira de motorista que já está criando poeira e vai dar uma volta...

— Aonde você quer ir?

— Eu? — Perguntou, rindo. — Não, filho, vá passear com seus amigos, aproveita, sai para comemorar, você só fica dentro de casa...

— É sério? — Semicerrou os olhos. — Quem é você? E o que você fez com a minha mãe?

— Bobinho! — Colocou a mão no ombro do garoto. — Estou falando sério...

Ele ainda não conseguia acreditar, imaginava que em poucos minutos acordaria daquele sonho, mas era tudo realidade.

Correu para perto do carro e destrancou-o, assim adentrando e se sentando no banco do motorista. Lembrava-se de quando havia tirado a habilitação, tinha dezesseis anos e já sonhava em ter seu próprio carro.

Mesmo que aquele momento havia demorado a chegar, cada segundo tinha valido a pena. Não se cansava de admirar o veículo, passava a mão nos assentos e no volante, aquilo tudo era seu.

Passou poucos minutos depois limpando os vidros com um pano úmido, retirando a tinta, ansioso para a primeira volta. Quando contornou o quarteirão, sorriu de orelha a orelha com o barulho dos motores novos, o painel de quilometragem estava zerado e ele sabia que muitas viagens estavam por vir.

...♕...

Quarta-feira.

Naquela tarde, Theodore voltou pela primeira vez da escola dirigindo o seu novo carro. Ainda não conseguia controlar a ansiedade toda vez que entrava no veículo, sentia uma euforia o dominar.

Se questionava algumas vezes do porquê de sua mãe ter mudado o comportamento tão de repente, ela nunca tinha sido tão liberal, muito menos nunca imaginava que ela lhe daria um carro, mas não reclamava, obviamente preferia ela dessa maneira.

Alba, na verdade, tinha um motivo para a sua repentina mudança de humor, queria que o filho melhorasse e faria tudo ao seu alcance para que ele não adoecesse.

O garoto chegou em casa, entrou em seu quarto se jogou na cama. Acabou se lembrando de que não havia contado as novidades para Susannah e a lotou de mensagens no mesmo instante.

Enquanto esperava respostas, levantou-se e caminhou até o banheiro, partindo para um breve banho. Não demorando muito para se ensaboar e se enxaguar, secou-se e logo retornou ao quarto.

Sentou-se na cama ainda de toalha e refletiu sobre os últimos dias, não parava de pensar na cena de domingo. Theodore não conseguia tirar Christopher de sua cabeça, ele parecia realmente preocupado naquele dia em que o visitou.

Recordou-se de todas as suas perguntas e reações, ele acreditou em tudo, como ninguém além de Susannah fez. Mas algo assombrava o garoto, ele lembrava-se da maneira que tinha o tratado e o jeito que Christopher foi embora: sem olhar em seus olhos, sem despedidas formais, somente um “até mais, Theodore”.

Aquilo o incomodou mais do que nunca, então tratou de se levantar e ir se arrumar, estava obstinado, tinha algo a fazer naquele dia.

...♕...

Christopher assistia à televisão entediado, não tinha nenhum canal que se interessava, havia acabado de sair do banho e estava com roupas de moletom enquanto bebia uísque, cansado daquele dia de trabalho.

Escutou a campainha tocar, perguntou-se brevemente de quem poderia ser, pois como os amigos não apertavam o botão uma única vez, descartou a possibilidade de ser Emmet ou Michael.

Guiou-se até a porta de entrada e assim a abriu.

— Theodore?! — Arregalou os olhos, surpreso pela visita.

— Oi... — A voz do garoto mal saiu. — Eu atrapalhei alguma coisa?

— Não, claro que não... — O professor afirmou. — Vem, entra...

— Não precisa, é rápido. — Theodore finalmente levantou o rosto, tomando coragem para olhar diretamente nos olhos verdes. — Eu só queria te pedir desculpas...

— Desculpas? — Repetiu, um tanto desconsertado com a situação. — Pelo o quê?

— No hospital, eu fui rude... — Murmurou. — E quando você apareceu em casa no domingo, também não te tratei da melhor maneira...

— Tá tudo bem, Theo, você teve seus motivos.

— Não, não está, eu me sinto mal por isso...

— Não precisa ficar assim, você sabe.

— Bom, eu acho que... — Suspirou. — Ahn, acho que é só isso...

— Só?

— Sim. — Abaixou a cabeça. — Até depois...

— Ei, espera!

O garoto virou-se, Christopher segurou em seu antebraço.

— Por que não entra?

— E-Eu não quero atrapalhar e...

— Não irá, Theo.

— Mas eu não tenho mais nada a dizer.

— Por favor, entra...

— Não dá.

— Você tem algum compromisso hoje? Ou se arrumou todo só para vir aqui e falar comigo por dez segundos?

Theodore permaneceu em silêncio.

— Eu não quero que você vá, Theo.

Ambos estavam envergonhados, o professor soltou-o quando ele deu o primeiro passo adiante, o garoto engoliu seco ao se deparar novamente dentro daquele apartamento depois de tanto tempo.

A porta foi somente encostada, Christopher caminhou até os sofás, pedindo para que Theodore se sentasse ao seu lado.

— Quer beber alguma coisa?

— Não posso, obrigado. — Deu um sorriso tímido. — Eu ainda não tenho vinte e um.

— Ah, é? — Riu. — Isso não era motivo antes...

— Eu sei, eu sei... — O sardento respondeu, olhando para Christopher novamente. — É que eu estou dirigindo hoje...

— Sério?

— É, minha mãe me deu um carro de aniversário.

— Qual modelo é?

— Fusion, desse ano.

— É um ótimo carro... — Christopher deu um gole na bebida âmbar. — Quando foi seu aniversário?

— Vai ser. Nessa sexta-feira ainda...

— Dia vinte e três agora?

— É.

— Dezessete, certo?

— Uhum.

— Theo... — O chamou, se aproximando ainda mais no sofá. — Nós nunca paramos para conversar depois que rompemos.

— Você pediu para as coisas serem assim.

— Isso pode mudar...

— Eu não sei. — Theodore desviou o olhar.

— Mas acho que precisamos, pelo menos, eu preciso...

— O que você quer me dizer?

— Sabe, Theo, eu sempre quis saber... — O professor olhou para o gelo do copo. — Para você, qual é o significado do que tivemos?

— F-Foi... — Gaguejou. — Foi importante.

— Você acha que daria certo se, por acaso, tentássemos de novo?

— Não.

A resposta gelou o coração de Christopher.

— Por quê?

— Eu estou realmente arrependido de ter mentido para você, eu não queria... — O garoto continuou olhando para o lado oposto, tentando disfarçar os olhos marejados. — Mas eu sei que não vai dar certo...

— Ei, Theo, olha pra mim. — Forçou ele a se virar.

Quando se deparou com os olhos avermelhados de Theodore, sentiu como se alguém tivesse arrancado um pedaço de seu coração.

— Não chora... — Limpou uma lágrima de seu rosto com o polegar. — Eu não acho que isso seja verdade.

— Por que, não?! Foi você que quis se afastar, eu te pedi uma chance! Eu pedi! — Queixou-se, retirando a mão do professor de perto do seu rosto. — Agora não quero passar por tudo isso novamente! Eu não sou bobo, Christopher! Você pode até pensar que eu sou uma criança, mas eu sei... Sei que o seu coração é de pedra!

— Não fala isso, Theo.

— Como não?! Você por acaso tem amnésia?

— Eu sei que tudo o que eu disse não foi gentil, mas...

— Não foi gentil? Você me destruiu! Pisou em mim... — Fungou. — Semana passada mesmo, você me envergonhou na frente da classe toda!

— Me perdoa...

— Chris, posso até perdoar, só que não posso esquecer...

— Eu sei disso. — Olhou para baixo. — Eu me envergonho de tudo o que te disse e de tudo o que te fiz passar...

— Eu também não sou o mais correto, eu sei... — Esfregou os olhos. — Vim até aqui te pedir desculpas e acabo por jogar tudo isso na sua cara...

— Isso estava preso na sua garganta, Theo, você tinha que me falar...

— Você sabe muito bem o motivo...

— Sim, eu sei. — Christopher ajeitou os cabelos. — Eu só queria deixar tudo isso para trás...

— Então por que a pergunta?

— Qual pergunta?

— Aquela, se eu achava que daríamos certo...

— Não se faça de desentendido. — Contestou. — Você ainda não sabe o motivo de eu ter feito aquilo no dia do desafio?

— Não faço ideia do porquê de ter agido daquela maneira...

— Ciúme, Theo. — Olhou para o garoto. — Eu achava que você e o Nicholas estavam namorando.

— Fala sério... — Zombou.

— Sim, isso é sério, só no hospital soube que ele tinha namorada e quer saber? Fiquei feliz em descobrir isso... — Suspirou. — Eu sou infantil e possessivo, sou ridículo, Theo.

— Também acho. — Encarou o professor. — Mas não tem problema, eu também sou assim.

Christopher sorriu, com as bochechas levemente coradas.

— Posso perguntar uma coisa? — Theodore pediu.

— Você sabe que sim.

— Eu queria saber se aquilo que me disse no hospital é verdade...

— Aquilo o quê?

— Que você ainda não me superou...

Christopher se aproximou ainda mais, segurou nas laterais do rosto do garoto, que acabou notando suas pupilas dilatadas poucos segundos antes de ele fechar os olhos e trouxe-o para perto, finalmente pressionando seus lábios contra os dele.

Theodore não tentou fugir, a saudade do seu beijo era tanta que não pode recusar.

Irreal. Era o que se passava na cabeça de ambos, custando-os a acreditar que estavam finalmente nos braços um do outro. As mãos do professor entrelaçaram-se nos fios negros dos cabelos do garoto, enquanto sentia o sabor doce que seus lábios sempre tiveram.

Theodore tocou a nuca de Christopher, como se o aprisionasse. Sentiu o tempo parar, pausando naquele momento que tanto sonhou. O gosto de uísque era familiar e trazia lembranças atraentes, maliciosas, todas tentadoras...

O garoto sentiu os braços de Christopher deslizarem até suas costas, agarrando o tecido de sua camiseta e puxando-o para se aproximar. Theodore ergueu levemente o quadril, estavam próximos, mas ainda assim não era o suficiente para Chris, que mais uma vez o puxou.

Em meio ao beijo desesperado, o sardento notou suas coxas serem dominadas pelas mãos de Christopher, que agarrou-as e as encaixou perfeitamente em seu colo. Assim que se sentou sobre o professor, Theodore foi envolvido num abraço, em meios a selinhos e fungadas.

Percebeu o corpo do garoto estremecendo, vendo que ele tinha se arrepiado com suas mordidas no pescoço. Umedeceu e soprou aquela área tão sensível enquanto explorava-o debaixo de sua camiseta, tocando seu abdômen e contornando até as costas.

— Isso te responde? — O professor sussurrou, centímetros de distância de sua orelha.

Outro arrepio dominou Theodore, que somente gesticulou afirmativamente e de olhos fechados. Christopher envolveu-o com seus braços, ainda por baixo de sua roupa, queria aconchegar-se naquele corpo novamente, sedento por ele há semanas.

— Eu senti tanto a sua falta... — O garoto revelou, em baixo tom.

— Eu também, Theo, mais do que tudo. — Abraçou-o com força.

Theodore retribuiu o gesto, agarrando-o com a mesma intensidade, não precisaram dizer mais nada. O mais sincero “eu te amo” foi manifestado ali, nas lágrimas que escorriam de seus olhos.

Notas finais
Awnnnnnnnnnnnn.... O que acharam desse capítulo, meus lindos?! ♥.♥