Fade Out Lines

23 Capítulo 23 — Elizabeth.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 23 — Elizabeth.

— Mas por que não dá uma segunda chance para ele? — Victor sugeriu.

— Não dá, quem está acostumado a mentir não consegue parar.

— Se você diz... — Tomou um gole da cerveja. — É que vocês formavam um casal muito bonito...

Christopher fingiu que não tinha ouvido a última frase do veterinário, aumentou o volume da televisão, mascarando o constrangimento. Contar para os seus amigos talvez não tinha sido a melhor ideia, mesmo assim, sabia que eles precisavam saber daquilo algum dia.

...♕...

Segunda-feira.

No intervalo do almoço, Theodore estava sentado na grama do pátio, ao lado de Nicholas, que terminava mais um desenho da namorada Alison, usando o lápis azul claro para os olhos da loira.

— Está ficando bonito, como sempre... — O sardento afirmou. — Vou conhecê-la um dia?

— Nem pense nisso. — O desenhista riu. — Pervertido.

— Fica tranquilo, não darei em cima dela, não tenho nem motivos. — Ergueu os ombros. — Ela é linda sim, mas além de te respeitar, eu não me interesso, então não se preocupe comigo...

— Hã? — Nick parou o que fazia. — Como assim?

— Digamos que ela não é meu tipo. — Theo sorriu.

— Ah, saquei... — Nicholas olhou para os lados, como se procurasse alguém. — E aquela ali, tá vendo? Que está de blusa rosa...

— Bonita, mas não.

— Vamos ver... — Mais uma vez olhou tudo ao redor, logo sinalizando outra garota. — E aquela que está mexendo no celular? Sentada ali...

— Também não.

— Nossa, larga de ser viado, cara!

— Infelizmente não dá, é de nascença. — Rebateu, logo vendo que o amigo colocou-se a rir descontroladamente.

— Você tá brincando, né, Theo?

— Não. Eu sou gay. — Respondeu, sem rodeios.

— Eita. — Arregalou os olhos. — É sério? Eu nunca pensei, eu não esperava. Eh...

— Tudo bem, pode sair correndo agora. — Theodore ironizou. — Estou acostumado.

— Não, cara, não é isso, eu só... — O desenhista desviou o olhar. — Fui pego de surpresa.

— Fica tranquilo, não é só por eu ser gay que vou te agarrar a qualquer momento. E também, você não é o meu tipo... — Riu.

— Graças a Deus! — Gargalhou, logo olhando para o sardento novamente. — Mas cara, eu não vou sair daqui, eu realmente não me importo, você é gente boa...

— Valeu. — Sorriu de lado.

...♕...

Terça-feira.

A semana mal iniciou e Theodore foi surpreendido por uma notícia que arruinou com qualquer possibilidade da sua semana ter um pingo de felicidade. Pois naquela noite de terça-feira, em um jantar em que sua família estava reunida, Sidney foi apresentado a eles, que estavam, até então, curiosos para saber quem era o seu “futuro padrasto”.

Seus parentes ficaram então encantados pelo poder de persuasão de Sidney, logo aprovando o relacionamento do mais recente casal.

O que o sardento não contava, era com o que a mãe declararia em meio ao jantar. Quando todos estavam em torno da mesa, Alba se levantou, anunciando que faria uma festa, o burburinho começou, todos estavam curiosos para saber o motivo tão especial da comemoração.

Após alguns minutos, ela finalmente revelou que a festa seria no fim do mês, fazendo o chão de Theo tremer com a palavra “noivado”.

O garoto se retirou da mesa no mesmo instante, sendo seguido pela sua prima Elizabeth. Theodore caminhou até o quintal que quase não visitava. Estar no jardim e respirar ar puro era um alívio, o clima estava pesado na mesa de jantar.

Não reparou que foi seguido por sua prima, levando um susto quando ouviu-a dizer:

— O que aconteceu, Theo?

— Lizzie? — Virou-se para a garota. — Que susto!

— Por que saiu correndo de lá?

— Longa história... — Sentou-se no banco de madeira.

— Você está com ciúme da sua mãe?

— Não! Que idiotice...

— Porque é o que ela está espalhando para todos; que você não anda contente com o namoro dela e que não gosta do Sid...

— Eu realmente não gosto desse cara, mas se todos soubessem o porquê...

— Quer desabafar? — Sentou ao lado do primo.

— Você não acha que está tudo acontecendo rápido demais?

— Faz quanto tempo que eles namoram? — Elizabeth indagou.

— Acho que uns dois meses e meio, mas só fiquei sabendo dele quando já estavam com mais de um mês de namoro...

— Entendi, ela demorou para nos falar sobre ele também, mas vai ver que ela estava esperando a pessoa certa. Você não pode julgar a tia Alba por isso, Theo.

— Eu não estou julgando... E outra, esse Sidney só está se aproveitando da minha mãe, ele não a ama.

— Theodore, é sério, você tem que deixar sua mãe seguir em frente, não seja egoísta.

— Tá bom Liz, eu sabia que você não ia entender, agora por favor, pode me dar licença?

— Eu não queria te irritar... — Suspirou. — Me desculpa...

—Só quero ficar um pouco sozinho.

— Tem certeza? Eu queria te fazer companhia, faz tanto tempo que a gente não conversa...

— Por que é tão difícil para as pessoas acreditarem em mim? — Olhou para o lado, encarando os olhos claros da prima.

— Não é isso, Theo. — Acariciou o rosto do primo, vendo como tinha se tornado um rapaz bonito. — Ei... Você vinha me visitar muito pouco quando morava em Roseville, fiquei contente que se mudou para cá, sabia?

— Que mudança brusca de assunto...

— Eu sei. — Riu. — Mas você gosta daqui?

— Eu adoro esse lugar, no entanto, ainda sinto saudades de lá, mesmo que em Roseville eu só tivesse os parentes do meu pai e nenhum primo da minha idade...

— Como vai aquela sua amiga, Susannah? Vocês ainda se falam?

— Ela está bem, atualmente nos falamos pouco, está bem ocupada com os estudos...

— Deixa eu te perguntar... Vocês namoravam?

— O quê?! — Arregalou os olhos. — De onde tirou isso?!

— Achei que, sei lá, vocês estão sempre juntos...

— Não, somos só amigos.

— Eu tinha ciúme dela, porque sabe, eu sempre gostei de você, Theo.

— H-Hã?! — Gaguejou com a aproximação repentina.

— É sério, sempre tive uma quedinha por você, confesso que ainda tenho. — Elizabeth segurou na nuca de Theodore, indo em direção aos lábios do primo.

— O que você está fazendo?! — Afastou-a, antes que chegasse ainda mais perto. — Somos primos!

— O que é que tem?!

— Tá louca? Primos não se beijam!

— Um beijo não vai te matar! Além do mais, ninguém precisa saber...

Ainda incrédulo, o sardento se levantou, sem nada dizer, se retirando do local.

...♕...

Sábado.

— Durante a semana toda tentei falar com você! Su! — Theodore se queixou, durante a ligação.

— Me desculpe, mesmo! Meus pais tomaram meu celular e notebook, fiquei de castigo, simplesmente porque saí com o Tyler e voltei mais tarde do que o horário que eles estipularam...

— Seus pais já sabem sobre ele?

— Sabem, meu pai está um pouco enciumado, mas finalmente está se acostumando com a ideia de eu ter um namorado.

— Que bom! Ele parece ser muito apegado a você, você é a princesinha dele...

— Só que ele tem que ver que estou crescendo! — Protestou. — Mas me diga, o que você tem de novo para mim? Novidades sobre o Christopher?

— Completamos três semanas desde a nossa briga, não tivemos contato algum depois disso, pelo menos, nada além do básico entre professor e aluno...

— Você fez aquilo que eu disse? Chamá-lo para esclarecer alguma dúvida? Assim ele chegaria pertinho de você, se abaixaria perto da sua carteira e poderia te olhar de perto, sentir seu perfume...

— Não, não tenho coragem e mesmo que eu fizesse isso, duvido muito que se aproximaria, provavelmente explicaria minha dúvida na lousa...

— Ah, Theo...

— Bom, não quero falar sobre ele, mesmo que ainda o ame, já virei a página, não adianta insistir se ele não quer nada comigo. — Falou, caminhando em círculos pelo quarto. — É até bom dizer isso sem sentir uma culpa enorme me consumindo...

—Olha só, meu menininho está crescendo! — Riu.

— Mas tem duas coisas que eu queria te falar, mas não sei bem qual delas dizer primeiro...

— E essas duas coisas são novidades boas ou ruins?

— As duas ruins...

— Sério? Me conte a menos pior primeiro.

— Okay... — Suspirou, sentando-se na cama. — Sabe a minha prima Elizabeth?

— Sei.

— Ela veio aqui na terça-feira para um jantar, mas acabou que ficamos sozinhos no quintal aqui de casa, estávamos conversando numa boa quando ela tentou me beijar... — O garoto não sabia se ria, pois ainda estava indignado.

— Hã?!

— Essa foi minha reação, não entendi nada! E pelo o que ela me disse depois, era algo como paixão platônica ou algo assim...

— Arrasando corações mais uma vez, hein, Theodore! — A menina gargalhou.

— Não diga isso, é bizarro!

— E você contou a ela que era gay?

— Não, mas não tinha necessidade, o fato de sermos primos é o suficiente para eu recusar isso até a morte.

— Ah, na minha família tem vários casos de primos que se pegam em segredo...

— O problema é que ela continuou insistindo, foi muito estranho. Mas eu fiquei pensando em quando for vê-la novamente, o que vou fazer? E se ela continuar atrás de mim?

— Se ela ficar no seu pé, é melhor contar que a fruta que ela gosta, você chupa até o caroço!

— Credo, Susannah! — Repreendeu, mas não conseguiu deixar de rir em seguida.

— Mas é verdade! — Exclamou. — Mas vamos mudar de assunto, qual era a outra coisa tão ruim que ia me falar?

— Ah, você nem imagina... — Respirou fundo, recuperando as forças. — Minha mãe e o Sidney já marcaram a festa de noivado...

— O quê?!

— Pois é, achei que isso não iria tão longe! E eu não sei como impedir! Minha mãe não vai acreditar em nada que eu disser! — Resmungou. — E sabe o que é pior? É que ele cuspiu na minha cara, dizendo que não a amava!

— O que vamos fazer? Eu quero te ajudar nisso...

— Você virá para a festa, não virá? Será no fim do mês, minha mãe provavelmente vai ligar depois, para combinar os detalhes com seus pais...

— Claro que vou! Não perderia uma oportunidade de te ver por nada! Além do mais, temos tempo, vamos pensar em alguma coisa até lá.

— Se esse cara tá sendo um inferno na minha vida, quero ser três vezes pior...

— É assim que se fala! Vamos pensar em algo infalível, como nos filmes de ação! — Riu.

— Você é demais, Su...

— Theo, agora sou eu que tenho que te contar uma coisa...

— Que tom de voz é esse? Aconteceu algo grave?

— Na verdade não, é algo maravilhoso!

— Deixe de enrolações, diga logo...

— Bom, pelo menos agora você sabe como eu me sinto! — Soltou um riso fraco. — Enfim, eu perdi a virgindade...

— Tá falando sério?!

— Sim, o Tyler foi um doce, me deixou super a vontade e foi muito romântico...

— Me conta tudo!

...♕...

Domingo.

— Toc, toc. — Falou Alba, adentrando o quarto do filho. — Posso conversar com você um minuto?

— Pode. — Theodore sentou-se na cama, deixando o celular de lado.

— Filho, você anda estranho e sei o porquê... — Ela caminhou, sentando-se ao lado do garoto.

—Ah, sabe? — Perguntou, irônico.

— Esse ciúme com o Sidney é doentio... — Segurou a mão do filho. — Quero que saiba que eu estou feliz com ele, queria muito que você gostasse do seu novo padrasto...

— Mãe, olha... — Bufou, soltando sua mão.

— Eu não acabei, Theodore. — Interrompeu-o. — Eu quero que vocês se acertem, então marquei de irmos em um restaurante hoje a noite...

— Eu não quero ir, valeu.

— Não é uma questão de escolha, você vai.

— E acha que é assim? Só isso? Me levar em um jantar e isso resolverá todos os nossos problemas?

— Não querido, não é tão simples, eu sei... — Alba acariciou suas bochechas, admirando as sardas que o garoto herdou do pai. — Mas eu quero que essa seja uma oportunidade, sabe, todos os jantares que temos, você não participa ou se retira antes mesmo da sobremesa.

— Eu fico sem apetite ao olhar para ele...

— Por que, filho? Por que tanta raiva?

— Ele não é esse cavaleiro da armadura dourada que você sonha...

— Filho, eu sei que você tem saudade do seu pai, ele era um homem maravilhoso, mas ele também tinha os seus defeitos...

— Não estou falando disso, mãe, eu sei que o Sidney não é quem diz ser.

— O que está dizendo? Que história é essa? — Ela franziu o cenho.

— Ele é perigoso. — Theodore olhou no fundo dos olhos de Alba. — Ele tem uma arma...

Notas finais
Theodore contou! E agora?! ♕ Gente, pra quem quiser me fazer perguntas, deixo aqui o link do meu ask! ~> http://ask.fm/OkayKurosaki