Fade Out Lines
1 Capítulo 1 — Por trás da tela.
Notas iniciais
Capítulo 1 — Por trás da tela.
Os dedos de Theo tamborilavam rapidamente os surrados teclados de seu notebook. Era madrugada, mas o velho computador portátil era a sua melhor companhia nas suas frequentes noites de insônia.
Mesmo o rapaz sendo jovem, ele já participava de redes sociais de namoro, mentia sua idade, e passava boa parte das suas horas livres vasculhando perfis de supostos pretendentes.
Por trás da tela do notebook, ele conseguia ser a pessoa que tinha vontade, pois não conseguia olhar nos olhos de alguém e dizer realmente o que pensava. A timidez impedia Theo de fazer muitas coisas que tinha vontade.
O garoto sentia vergonha por seu corpo ser franzino, e também por ter pele extremamente clara; odiava ainda mais as sardas de seu rosto, as únicas coisas que ele gostava em si, era de seus olhos cor de mel, e de seus cabelos negros como a noite.
Theo navegava pelo site quando foi notificado de que havia formado um par ideal com alguém. O rapaz viu a foto de um homem, que morava na mesma cidade, e que todo o questionário feito pelo site, era compatível com o dele.
O coração dele estava disparado, o homem misterioso do terno preto era como um sonho para Theo; olhando a foto, via-se seus ombros largos, que refletiam que ele malhava. E o rosto atraente deixou o garoto boquiaberto, sem palavras para descrevê-lo.
Sabia que aquele homem dos olhos verdes poderia ser inalcançável, mas resolveu tentar, mandou uma mensagem, avisando-lhe sobre o “match” que haviam formado.
Theo olhou a foto daquele tão charmoso homem chamado Christopher por mais alguns instantes, e então adormeceu, com o notebook em seu colo.
O garoto acordou assustado com seu celular tocando, procurou-o, e no visor continha um número desconhecido, mas por ser quatro horas da manhã, atendeu, pensando que poderia ser uma emergência.
—Alô... –Theo gemeu, com sono.
—Theodore?
—Sou eu mesmo, quem está falando?
—É o Christopher, desculpe pelo horário, pelo visto te acordei...
—Christopher?
—Isso, você mandou uma mensagem pra mim tem alguns minutos...
—Sim! Claro!
—Está ocupado, quer que eu retorne amanhã?
—Não, imagina...
—Eu vi o match que formamos, e assumo que vi algumas de suas fotos. –Riu descontraído.
—Viu é?
—Sim, você é bem bonito... –Chris deu uma breve pausa. -Mas não me leve a mal, não parece que tem vinte e um, parece bem mais jovem.
—Ah, sempre me dizem isso.
O coração de Theo estava disparado, a voz daquele homem o arrepiara por completo.
—Eu não posso negar que fiquei interessado em você, nunca encontrei alguém tão interessante nesse site. –Afirmou Chris.
—Eu também não. –Theo sorriu, sentindo suas bochechas queimarem. –E você é muito atraente.
—Você acha?
—É claro...
—Então deveríamos tentar uma conversa por vídeo um dia desses...
—Eu adoraria.
Ambos conversaram por mais alguns minutos durante a madrugada, e Christopher se despediu meigamente, desejando bons sonhos para o garoto.
Theodore acordou tarde no dia seguinte, mas estava feliz, pois estava de férias.
Faltavam dois meses para que o ano letivo do terceiro colegial se iniciasse, mas o garoto detestava o colégio, queria logo terminar e poder começar sua tão sonhada faculdade de engenharia civil; e como sabia que era um curso difícil, a escola era fundamental para que ele conseguisse uma bolsa, então o garoto persistia com paciência.
Theo levantou de sua cama, com dor de cabeça por ter dormido demais, olhou em seu celular e haviam várias notificações; ficou surpreso ao ver uma mensagem de Christopher o esperando, e rapidamente a leu.
“Ei, não consegui parar de pensar em você...” Enviada 12:13.
O coração do garoto disparou, não se continha de felicidade, quase não o conhecia, mas tinha um pressentimento bom sobre ele. Theo tomou uma breve ducha e se arrumou, pretendia conversar com Christopher em vídeo.
O garoto pegou seu celular e discou o telefone de Chris, que não demorou a atender.
—Alô, Theo?
—Oi, como vai?
—Estou ótimo, viu minha mensagem?
—Vi sim, acredita que eu ia dizer o mesmo?
—Sério?
—É claro, e eu estava pensando... –Theo mordeu o lábio inferior. –Quer conversar agora? A gente podia ligar a Webcam...
—Se você não se importar com a minha cara de sono, eu topo.
—Ah, mas que bobagem! Eu também acabei de acordar!
—Então tudo bem, acabei de ligar o computador, já estou conectado no site, é só mandar.
—Tudo bem, vou desligar aqui.
—Até daqui a pouco.
—Até.
Theodore desligou a chamada e pegou seu notebook rapidamente, o colocando em cima de sua escrivaninha; pegou os fones de ouvido e entrou no site, abrindo o chat com Christopher.
—Oi de novo. –Theo acenou para Christopher, assim que o viu pela Webcam.
—Você me enganou, disse que havia acabado de acordar, mas tá todo arrumado! –Christopher riu. –E eu aqui, somente de pijama e ainda com o cabelo bagunçado!
—Você está usando algo? –Theo perguntou, ao ver o seu peito desnudo.
—Estou. –Chris se levantou, revelando seu abdômen e a calça de moletom que vestia. –Por quê? Achou que eu estaria pelado?
—Que pena, achei que sim. –Theo gargalhou. –Brincadeira.
—Caso queira, eu fico.
—Melhor não insistir, antes que eu aceite.
Christopher ficou de pé novamente em frente ao seu computador, pegou no elástico da calça de moletom e devagar puxou-o para baixo, alguns pelos pubianos apareceram, mas antes que revelasse algo, puxou sua calça para cima e novamente se sentou.
—Ah! Por que não continuou? –Theo mordeu o lábio. –Seu corpo é lindo...
—Se você me mostrar um pouco do seu, quem sabe. –Chris sorriu maliciosamente.
—Você irá se arrepender...
—Prove.
Theo levantou-se e retirou sua camiseta, lentamente girou o corpo para que Chris pudesse vê-lo por completo.
—Não disse que iria se arrepender? –Theo se sentou.
—Quem disse que me arrependi?
—Eu sou magrelo, não malhado como você...
—Pare de gracinha, seu corpo é perfeito.
As bochechas do garoto novamente ficaram vermelhas, não imaginava que teria tanta coragem de se revelar a um completo estranho.
—Eu sei que é meio cedo ainda, mas vamos nos encontrar? Em qualquer lugar...
—Eu adoraria.
—Você está livre na sexta, Theo?
—Na sexta, no sábado, o resto da vida...
—Está bem. –Chris riu descontroladamente. –Bom saber, fica marcado pra sexta então?
—Em qual lugar?
—Aonde preferir, tem algum lugar que goste da cidade?
—Eu costumo ir ao cinema do shopping, tirando isso, não saio muito.
—Vamos ver um filme então, se quiser já compro os ingressos pela internet, e aí não precisamos pegar aquela fila enorme da bilheteria.
—Boa ideia...
—Qual filme quer ver?
—Qualquer um.
—Eu estava querendo ver o segundo filme dos vingadores.
—Ele realmente parece muito bom. –Theo afirmou.
—Vamos ver aqui... –Chris olhou seriamente para o monitor, parecia ler algo. -Tem uma sessão na sexta que começa às dezoito horas.
—Perfeito.
—Vou reservar nossos lugares então...
Theo viu um singelo sorriso se formar no canto dos lábios formosos de Christopher.
Céus, como aquele homem podia ser tão bonito?!
—Tem certeza que pode ser esse filme?
—É claro que sim!
—Então tudo bem, já está reservado.
Christopher imprimiu os ingressos e perguntou do seu dia a dia, e Theo retribuiu as perguntas.
—Ei... –Christopher chamou o garoto.
—Oi?
—É muito cedo para dizer que estou gostando de você?
—Talvez... –A garganta de Theo deu um nó. –Não sei se quando me vir pessoalmente ainda irá gostar de mim.
—Largue de besteira. –Christopher colocou-se a rir. –A menos que você seja mais alto que eu!
—Quanto você tem de altura?
—1,82m.
—Ufa... Tenho 1,70m.
—Mesmo se você fosse mais alto, eu deixaria esse preconceito de lado. –Ele sorriu.
—Por que não gosta de homens mais altos?
—Ah, eu não sei bem, acho que pelo fato de gostar de baixinhos, mesmo que você não seja tão baixo.
—Eu estou ansioso para te encontrar... –Theo sorriu.
—Bom saber, e o que irá fazer quando me ver pessoalmente?
—Vou te medir, sabe?
—Ah, sei. –Chris riu. –Somente isso.
—Exato, adoro medir as pessoas...
Ambos caíram na gargalhada, e as horas iam passando, mas a conversa nunca cessava.
—Nossa, já são cinco da tarde... –Chris praguejou. –Tenho que ir, tenho uma festa de aniversário para ir, de um pirralho.
—Olhe o lado bom, pelo menos festas de crianças tem doces! –Theo o animou.
—Você gosta de doces?
—Gosto sim, tenho até que me controlar...
Christopher sorriu, estava se encantando cada vez mais com Theo.
—Eu queria mesmo ficar conversando com você, mas minha família toda estará para o aniversário do meu primo, ficaria chato se eu não fosse.
—Eu entendo, mas outra hora a gente conversa... –Theo deu um sorriso espontâneo.
—Bom, tenho que ir tomar banho ainda, se não vou me atrasar, quer ir comigo?
—Na festa?
—Não, para o banho.
—Tudo bem, eu vou. –Theo não aguentou segurar a risada.
—Queria realmente que estivesse aqui... –Christopher falou em baixo tom, mas o suficiente para Theo escutar.
—Com essa cara de safado que você fez, eu não sei se gostaria de estar aí também. –Theo ergueu uma das sobrancelhas. –Brincadeira.
—Hum, já que é brincadeira, então significa que sim, você gostaria de estar aqui...
—Quem sabe. –O garoto deu os ombros.
—Vou entender isso como um sim. –Chris se levantou e retirou sua calça de moletom, girando o corpo, assim como Theo fez. –Olha o que você está perdendo.
—Não me atente. –Theo ficou instantaneamente com as bochechas rubras ao vê-lo somente de cueca.
—Não irei, guardarei isso para depois. –Chris sentou-se. –Bom, tenho que ir mesmo, mas assim que eu chegar te mando uma mensagem, não demorarei, e se você não estiver ocupado, poderemos conversar.
—Perfeito, vou te esperar.
—Okay, até mais, vou desligar aqui.
—Até, beijos.
—Beijos.
Theodore desconectou do site e fechou seu notebook, ele estava com a mente nas nuvens, nunca ficou tão feliz por conversar com alguém. O garoto não sabia o que pensar, Chris havia sido atrevido, mas não ao extremo, havia gostado da personalidade dele e do seu senso de humor; só que mais do que tudo, de seu corpo.
...
Alguns dias se passaram, Theo e Chris ficavam cada vez mais ansiosos pela sexta-feira, e não deixavam de se falar um dia sequer, estavam se tornando cada vez mais próximos, e conversas por vídeo era o que não faltava.
A única coisa que o garoto temia, era que Christopher descobrisse a verdade sobre ele, e mesmo que queria contar, também pensava que isso o afastaria dele, então decidiu manter a mentira.
...
Na noite de quinta-feira, Theo deitou em sua cama, mandando mensagem para o celular de Christopher. E em poucos minutos, o garoto já estava recebendo uma ligação.
—Alô? –Theo atendeu.
—E aí gatinho. –Chris respondeu, rindo. –Já vai dormir?
—Não, só estou deitado, como te disse.
—Queria estar deitado com você, para te fazer companhia.
—Só companhia?
—É lógico, o que mais eu iria querer deitado numa cama com você? Por favor...
—Ah, mas é claro, me esqueci de que você é um santo.
—Com toda a certeza.
—Senti um pouco de malícia na sua voz.
—Quando não estou sendo irônico com você? Me diga.
—Eu sei, somente entro no seu jogo. –Theo mordeu o lábio inferior. –Eu gosto do seu jeito.
—Que bom...
—Ei... Posso te perguntar algo?
—Claro, Theo.
—Eu queria saber se estava falando sério quando disse que estava começando a gostar de mim...
—Eu sei que pode ter sido um pouco confuso para você, já que era o primeiro dia que conversávamos, mas sim, eu estava falando sério. –Christopher explicou. –E esse sentimento ainda não mudou...
—Ah, estou aliviado.
—Estava com medo de eu estar brincando com você?
—Um pouco...
—Que fofo, queria poder apertar suas bochechas agora.
—Por favor, não, odeio isso. –Theo suspirou. –Já basta a minha mãe, quase todos os dias.
—Ela ainda faz isso com você?
—Sim, ela diz que sou o “bebê” dela.
—Você terá que avisá-la de que terá que te dividir comigo. –Christopher riu. –Ei, você é filho único?
—Sou sim.
—Imaginei... Para ela fazer todas essas coisas, tem um motivo.
—E você?
—Eu tenho mais uma irmã, mas ela já está casada, e eu também não moro com meus pais, então de vez em quando vou visitá-los.
—Entendi, queria ser como você, ter minha independência, sair dessa casa...
—Bom, já está quase na hora, você é grandinho demais para ter as bochechas apertadas todos os dias...
—É, sei disso... –Theo engoliu seco.
—Bom querido, vou deixá-lo dormir... –Christopher se animou. –E lembre-se, é amanhã à noite...
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