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6 Capítulo 6 — Azar?
Notas iniciais
Capítulo 6 — Azar?
Narrado por Theodore
Chris tocou o interfone anunciando a sua chegada e corri abrir a porta.
—Você demorou... —Resmunguei.
—Desculpe, eu me atrasei colocando tudo no carro... —Chris roubou um selinho. —Cadê suas coisas?
—Ah, minha mochila ficou no quarto, vem comigo! —Puxei-o para me acompanhar.
Christopher caminhou meio desajeitado enquanto me seguia, olhou o restante que ainda não havia conhecido da casa, até chegarmos ao meu quarto.
—Aqui são meus aposentos... —Falei, rindo em seguida.
—Seu quarto é uma graça.
—Sério? Está um pouco bagunçado...
—Que nada...
Me aproximei de Chris, assim o abraçando, ele não soube o que dizer, mas retribuiu me envolvendo com seus braços fortes.
—Eu estou feliz... —Sussurrei em seu ouvido.
Retirei meu rosto da curva de seu pescoço e o olhei nos olhos, ele estava com um sorriso lindo.
Não precisou mais de nenhuma palavra para que involuntariamente nossos rostos se aproximassem e nos beijássemos; fechei meus olhos e senti o toque de sua boca macia sobre a minha, meus braços foram para atrás de seu pescoço e o agarrei, forçando o meu corpo contra o dele.
Meus dedos se entrelaçaram em seus cabelos, Chris segurava meu corpo com luxúria, apertando meu quadril com suas mãos fortes, como se estivesse louco de tesão por mim, em resposta, mordi seu lábio inferior, e ele gemeu.
Ao sentir suas mãos descerem e apertarem minha bunda, soltei um grunhido sem querer, mas não reclamei, entretanto, Chris não continuou, logo suas mãos subiram para debaixo do tecido da minha camiseta, me acariciando delicadamente. Um arrepio me invadiu por completo, ele me deixava louco, e seu perfume estava me embriagando.
Dei dois passos para trás, o trazendo comigo, Chris cambaleou e o puxei para deitar. Me joguei na cama, e ele colocou-se por cima de meu corpo, me beijando no pescoço, dando leves mordiscadas e lambidas, meu corpo retraía em cada toque, não conseguia conter os gemidos, meu rosto ardia de vergonha, mas eu não me importava...
Levei minhas mãos até o cós de sua calça, acariciei o volume sobre o tecido, mordi minha boca para tentar conter um palavrão, eu estava morrendo de vontade de tirar todas as suas roupas imediatamente, abri o botão e abaixei o zíper, com pressa.
—Theo. —Chamou Chris, me tirando do transe. —Não devemos.
Ele me deu um beijo rápido e se levantou. Continuei deitado sem saber o que fazer, observei-o ajeitar a roupa e zipar sua calça.
—Conferiu se pegou tudo o que precisa? —Ele perguntou, como se nada tivesse acontecido.
Me levantei um pouco tristonho, sem saber o que pensar, a única coisa que se passava em minha cabeça, era que mais uma vez eu tinha estragado tudo.
Peguei minha mochila e pendurei uma das alças em meu ombro.
—Conferi sim.
—Então, vamos?
Saímos e tranquei a porta, guardando a chave na mochila.
Caminhamos em silêncio até seu carro, e assim que entramos, um turbilhão de coisas invadiu em minha mente. Queria falar com Chris sobre aquilo, mas ele estava sorridente, eu não queria quebrar o clima perguntando do porquê de ele ter me rejeitado.
Colocamos o cinto de segurança e ele deu a partida no carro.
Chris ligou o rádio, que tomou o espaço do nosso silêncio. Tocava uma música famosa, e ele aumentou o som, começando a cantarolar em voz baixa.
—Eu adoro essa música. —Falei.
—Mais uma coisa em comum, pelo menos vou poder cantá-la perto de você sem te incomodar. —Ele respondeu, rindo. —Faço muitas turnês, sabia? Cada banho é um sucesso.
—Também sou um clássico cantor de chuveiro. —Afirmei.
—Deveríamos fazer um show juntos qualquer dia desses. —Ele me olhou, com um sorriso malicioso, assim que paramos no semáforo.
Assim que entendi o que ele quis dizer, minhas bochechas queimaram de vergonha em questão de segundos.
—Quem sabe um dia. —Respondi.
Ele sorriu misteriosamente, mas nada disse.
Os minutos pareciam demorar cada vez mais para passar, Chris havia pego a rota para a estrada, e ela parecia não ter fim.
Ele tentou puxar assunto depois de um tempo, mas nada que durasse muito, acho que nós dois estávamos pensando na mesma coisa. Durante o caminho fiquei tentando juntar as palavras, mas elas não saíam, e acabavam escapando da minha mente.
—Estamos chegando... —Falou Chris, quebrando o silêncio.
Eu já conseguia enxergar as placas de indicação para chegar ao bosque, viramos conforme elas mandavam, e poucos metros adiante, Chris estacionou o carro.
—Você quer nadar primeiro ou fazer um lanche?
—Eu não estou com fome, e estou ansioso para nadar! —Soltei um largo sorriso.
—Então tudo bem, vamos nos trocar?
—Ah, eu já vim trocado. —Respondi, apontando para o meu short de poliéster acrílico.
—E vai nadar com camiseta também? —Ele olhou para mim, erguendo uma das sobrancelhas.
—É tão ruim assim?
—Olha, se aqui estivesse lotado eu não discordaria, Theo, eu sou um pouco ciumento, sabe? Mas olha em volta, o estacionamento está vazio, nós somos os únicos aqui.
—Tudo bem, eu tiro...
Nós descemos do carro e Chris abriu o porta-malas, ele retirou sua camiseta lentamente, como em um filme. Não consegui parar de olhá-lo, seu corpo era tão hipnotizante que eu tinha medo de estar babando pelo canto dos lábios.
Como se não bastasse me provocar ao extremo, Christopher tirou sua calça, deslizando-a por suas coxas, as deixando cair em seus pés. Fazia um bom tempo que eu não havia o visto daquela maneira, somente de roupa íntima.
Mordi o lábio inferior, e tentei conter os pensamentos maliciosos, mesmo sendo impossível.
Ele jogou suas roupas no porta-malas e tirou um short de lá de dentro, vestiu-o e colocou um chinelo em seus pés, assim como eu estava.
—Vai querer guardar alguma coisa aqui atrás?
—Não, pode fechar.
Chris fechou o bagageiro com chave e olhou para mim, dando uma estalada com a língua em reprovação.
—Você ainda não tirou sua camiseta, Theo?
—Ah, é mesmo...
—Deixe-me te ajudar. —Christopher pegou na beirada do tecido e o puxou para cima, levantei meus braços para facilitar o seu trabalho, e ajeitei os cabelos assim que ele a retirou.
Ainda com minha camiseta em mãos, Chris trouxe o meu rosto para perto e empurrou minha nuca para frente, para beijá-lo, e sem cerimônias atacou minha língua, chupando-a e a mordendo com força.
Coloquei minhas mãos em seu peito e tentei afastá-lo devagar.
—Te machuquei? —Perguntou ele, interrompendo o beijo.
—Só doeu um pouco...
—Vem cá, deixe-me ver isso.
Christopher colocou uma das mãos em meu queixo e pediu para que eu mostrasse a língua; com um pouco de vergonha, coloquei-a para fora, e ele franziu o cenho.
—Desculpa por isso, parece que está sangrando um pouco.
—Tá tudo bem, não foi nada, amor.
Chris abriu um largo sorriso, mandando embora a expressão triste.
—Eu tenho que me acostumar com isso, é tão fofo ouvir da sua boca...
—Tem que se acostumar mesmo. —Enlacei meu braço no dele. —Vamos nadar?
Pegamos algumas toalhas dentro do carro e assim saímos, caminhando por aquela trilha que agora me era familiar. Meu coração batia forte, eu nunca estive tão feliz em minha vida, e a todo momento que eu olhava para Chris, sentia que isso se tornava cada vez mais concreto.
Mas tinha um porém, eu gostava tanto da relação que tínhamos, que me esquecia de que tinha que manter minha mentira. Sabia muito bem que um dia ou outro teria que contar a verdade, mas adiar parecia a ideia mais irresistível em minha cabeça.
E mesmo se contasse, temia de qual fosse a reação de Chris, pois ele já havia deixado bem claro de que não gostava de mentiras, e eu já havia recebido tantas indiretas nos últimos encontros que pensava se no fundo Christopher soubesse de tudo.
Chegamos ao lago e fui acordado de meus pensamentos com uma mordida na orelha.
—Vamos entrar? —Perguntou Chris.
Respondi afirmativamente, e entramos de mãos dadas no rio. Senti a água aumentar o nível vagarosamente, e conforme íamos para a região mais funda, meu corpo se arrepiava, estava muito gelada.
—Estou com frio... —Falei, o puxando para perto.
—Não é só você, também estou, vem cá, me abraça. —Chris me aconchegou em seus braços.
A água batia na minha cintura, enquanto nele, estava um pouco mais abaixo, na região do quadril.
Dei um sorriso sapeca e joguei água em Chris, tentando correr em seguida —que era uma tarefa difícil dentro da água, mas ele me alcançou e me agarrou pelas costas.
Chris me deu o troco mergulhando na água junto comigo, terminando de nos molhar por completo.
—Ei, Theo... —Chris me chamou, passando a mão nos meus cabelos molhados, para tirá-los da testa.
—Fala...
—Sua mãe sabe que você vai demorar a voltar?
—Eu falei para ela que ia ficar na casa de um amigo, mas por que a pergunta?
Fiquei assustado, por um momento me veio a ideia de que ele realmente sabia a minha idade, e que eu devia satisfações para a minha mãe sobre os lugares que iria.
—Por nada. —Ele sorriu.
Uma onda de ventos gelados soprou, e me encolhi de frio, depois o abracei para tentar me proteger da ventania.
—Está ficando cada vez mais frio ou é impressão minha? —Perguntei.
—Não, Theo, tá frio mesmo. —Ele me deu um beijo na testa. —Acho que não foi uma boa ideia vir aqui hoje...
—Quer sair da água? —Perguntei-o.
Sentimos gotas de chuva começando a cair, e ele olhou para mim:
—Acho que isso responde, né?
Conforme caminhávamos para sair dá água, a chuva engrossou, e tivemos que nos apressar.
Pegamos as tolhas e a chave do carro que estava ao lado delas, corremos até o estacionamento e entramos no carro rapidamente.
—Somos muito azarados... —Ele riu.
—Não pense que isso estragou o nosso dia. —Respondi, enxugando meus cabelos. —São dessas coisas que nunca nos esqueceremos, sabe?
—Tem razão, estamos criando uma história só nossa.
Christopher pegou uma toalha e se enrolou, ele ficava lindo com os cabelos molhados; seus lábios estavam avermelhados pelo frio, e ele me olhava com um sorriso meigo em seu rosto. Assim que me dei conta, estava novamente o admirando como um bobo apaixonado.
—Ei, Theo, o que quer fazer agora?
—Eu não sei, tem alguma ideia?
—Quer ir para sua casa?
—Não! Por favor...
—Ah, a segunda opção era o meu apartamento, mas...
—Vamos! —O interrompi.
—Mas você sabe o que houve da última vez, não quero que aconteça o mesmo.
—Não se preocupe com isso... —Coloquei o indicador sobre sua boca, na intenção de calá-lo, mas Chris me surpreendeu, abriu os lábios e chupou meu dedo, insinuando-se.
Ao ver aquela cena, meu corpo havia se ouriçado, eu estava sendo facilmente manipulado por ele, e ele sabia perfeitamente o que fazer para me deixar sem defesa alguma para seus feitiços.
—Te agarrar aqui no carro é a terceira opção, sabia? —Ele sussurrou em meu ouvido, indo em direção ao meu pescoço.
Senti a boca de Chris chupando a minha pele com força, a vontade de gemer e revirar os olhos com seus toques era mais alta do que o medo que eu tinha se alguém visse as marcas roxas mais tarde.
Encolhi meu corpo com seus toques, meus músculos se retraíam de tesão, como ele conseguia me levar aos céus em tão poucos segundos?
As gotas de água escorriam pelas janelas, e o barulho da chuva lá fora somente nos aconchegava ainda mais nos braços um do outro.
—Chris... —Soltei um vapor abafado de meus lábios, mesmo tentando me conter ao máximo.
Ele desceu seus lábios espertos depositando beijos quentes em meu tórax, brincando com sua língua em meus mamilos, e descendo até meu abdômen. Ele havia conseguido me deixar maluco, meu corpo agia involuntariamente, era irresistível não pedir por mais.
Meu grito ecoou dentro do carro, mas a chuva amenizou o som.
Os vidros estavam ficando embaçados, a temperatura dentro do carro aumentava, e eu me aproximei ainda mais, a única coisa que nos separava, era o freio de mão, mas estávamos dando um jeito naquilo.
Ele acariciava minha coxa enquanto deixava beijos estalados perto do cós do meu short. Estava óbvio que eu já estava muito excitado naquele ponto, mas Christopher ignorou o volume que latejava debaixo do fino tecido do meu short — que ainda estava um pouco molhado — e logo depois parou o que fazia.
O olhei como se pedisse por mais, meus olhos clamavam por ele, minha boca estava semiaberta, mas eu nada dizia, somente recuperava o fôlego.
Chris sorriu para mim, acariciou meu rosto e me deu um beijo rápido.
—É melhor irmos agora, antes que nós fiquemos resfriados.
Eu queria dizer à ele que não me importava, mas não conseguia dizer nada, ainda estava sob os efeitos das suas seduções.
Ele ligou o ar do carro para desembaçar os vidros, e assim rumamos até a cidade.
Trocamos poucas palavras e olhares indiscretos. Sempre que ficávamos tão próximos não sabíamos como agir depois, no meu caso era pela vergonha, já o dele, eu não sabia dizer, ele era um completo mistério.
Foi mais um caminho longo de volta ao centro da cidade, e eu ficava olhando para baixo, formulando frases em minha cabeça, mas nenhuma parecia boa o suficiente para falar.
—Theo, está com fome?
—Um pouco.
—Podemos pedir alguma coisa por telefone; pizza, comida japonesa... Você escolhe.
—Ah, eu gosto de qualquer coisa.
—Caso queira podemos cozinhar também, o que acha?
—Eu não costumo cozinhar muito, mas acho que seria divertido fazer um pouco de bagunça na cozinha com você, sabe?
—Está bem! Vamos cozinhar então! —Ele riu. —E fazer bagunça.
Passamos por mais algumas ruas, e o residencial se aproximava.
Entramos pela portaria, e logo fomos de mãos dadas do estacionamento ao hall de entrada. Eu não tinha mais vergonha de que me vissem daquela maneira. Estava tão feliz que não me importava mais.
Entramos em seu apartamento, e deixei minha mochila no chão, ao lado da porta.
—Vou tomar um banho, vem comigo? —Ele me puxou.
—Eu prefiro te esperar. —Respondi, ainda com a toalha nos ombros.
—Então vem cá...
Segui Christopher até seu banheiro, e ele me deu uma saída de banho para colocar.
—Veste isso e tira o que tem por baixo, para não pegar friagem.
—Ah, obrigado... —Senti minhas bochechas queimando.
Ele me ajudou a vestir, e deu um laço na frente.
—Prontinho... —Chris deu um beijo em minha testa. —Tem certeza de que não quer tomar banho comigo?
—Tenho, estou com vergonha.
—Você sabe que não precisa ter, mas não tem problema, eu respeito isso.
Olhei para baixo, para evitar seus olhos.
—Tem algum problema?
—Não, nada, Chris.
—Quer tomar banho primeiro?
—Não, eu espero.
—Então tá, a porta ficará aberta, caso queira vir...
Quando percebi, Chris estava tirando seu short, puxando-o para baixo, e logo seus dedos foram ao elástico da cueca, tratei de sair do banheiro o mais rápido possível. Meu coração estava aos pulos, ele parecia não se importar em ficar nu na minha frente.
Recuperei o fôlego, por que eu estava o negando tanto assim? Pouco tempo atrás estávamos em um amasso tão quente que deixou todos os vidros do carro dele embaçados...
Me arrepiei por completo ao ouvir o chuveiro ligar, a porta continuava aberta, e eu conseguia o escutar cantarolando.
Me aproximei do banheiro aos poucos, dei passos curtos e silenciosos, não queria que ele soubesse que eu estava o espionando ao lado da porta.
Chris enxaguava o cabelo com os olhos fechados, a espuma escorria por todo o seu corpo, eu não devia estar fazendo aquilo, mas estava, e não havia me arrependido nem um pouco...
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