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2 Capítulo 2 — O sonho.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 2 — O sonho.

Theo acordou disposto, não acreditava que havia conseguido pregar os olhos à noite.

O garoto esfregou o rosto, e levantando-se, andou até a cozinha para tomar o café da manhã.

—Bom dia, mãe...

—Acordou cedo... –Diz ela, pegando as xícaras no armário.

—É que vou sair hoje.

—Sair?

—Vou assistir um filme.

—Com alguém? —Perguntou Alba.

—Sim, um amigo. —Theo sentou-se.

—Da escola?

Theo gesticulou afirmativamente com a cabeça, enquanto devorava uma fatia de pão.

—Não imaginava que já havia se enturmado, nunca comentou de ninguém da sua classe...

—Mãe, viemos para cá na metade do ano passado, já é tempo o suficiente.

—Tudo bem. —Alba sentou-se ao seu lado. —E como é o nome dele?

—Chris, e ah, vou precisar da sua carona mais tarde.

—Que horas você vai sair?

—Umas cinco e meia, por aí...

—Eu vou ao mercado depois do almoço, mas volto no máximo umas quatro horas, você vai querer que eu compre alguma coisa?

—Chocolate seria ótimo, mas não daquele meio amargo.

—Por mais que eu tento te livrar dos doces, você insiste. –Alba retorce o nariz. –Filho, você sabe que tem que se cuidar, a família do seu pai tem histórico de diabetes.

—Sei disso, mas você já tirou o açúcar de todos os lugares, até do café!

—Ainda tem o adoçante, não é o fim do mundo...

—Ele só serve para deixar tudo com gosto de xarope.

—Ah, me poupe!

—Já tirou o açúcar, porque faz mal, logo você tirará o sal, porque o sódio faz mal, tudo vai ficar sem gosto, porque sabor mata. —Theo afirmou, rindo em seguida.

Alba franziu o cenho, olhando feio para o garoto.

Ele adorava ver o jeito que ela ficava contrariada, sua mãe sempre acreditava em tudo o que ele dizia, mesmo sendo uma brincadeira. Até mesmo quando ele contava uma simples piada, ela fazia de tudo para dar uma lição de moral.

—Por que você não chama seu amigo para vir aqui em casa depois do filme? Ele poderia jantar conosco.

—Nós já combinamos de comer lá na praça de alimentação do shopping. —O garoto deu uma desculpa rápida.

—Ah, então o convide qualquer dia desses...

—Pode deixar.

Theo assim que terminou o seu café da manhã, foi para a sala de estar, ligou a televisão e jogou-se sobre o sofá. A preguiça era tremenda, não queria se mexer para nada, nem para pegar o controle remoto.

Continuou naquela posição vendo um programa de entrevistas, até seu celular o tirar do tédio. Pegou-o imediatamente assim que escutou um toque de notificação, era uma mensagem de Christopher.

Já acordei feliz, tive um sonho com você.” Enviada 10:05.

No mesmo instante, com o coração aos pulos, Theo respondeu-o.

Ah, é? E do que se tratava esse sonho?”

Não posso contar, não ainda.”

“Isso é golpe baixo, não vale.”

“Hoje a noite eu te conto, ou melhor, te mostro.”

O garoto tentava imaginar o que era, e se esforçava ao máximo para não pensar em malícia.

“Estou ansioso por isso.”

Theo não conseguia tirar da cabeça as palavras de Christopher, não conseguia decifrá-lo, não sabia o que ele queria dizer, se estava sendo gentil ou até mesmo pervertido. Aquele homem era tão misterioso para ele a ponto de se tornar irresistível, não conseguia se afastar, embora tivesse um pouco de medo.

Desligou a televisão, rumou ao seu quarto, trancou a porta e ligou para Christopher. Theo mordiscava o lábio inferior enquanto esperava ser atendido, e o seu coração palpitava mais do que nunca.

—Oi Theo.

—Chris, oi! Que bom que atendeu!

—Eu estava pensando agora mesmo em te ligar, acredita?

—Sério? —O garoto riu envergonhado.

—Mas é claro, eu queria te perguntar uma coisa...

—Pode falar.

—Até que ponto você acha que deveríamos dar limites ao nosso primeiro encontro?

—Como?! —Theo arregalou os olhos com a pergunta.

—Desculpe, devia ter imaginado que era uma idiotice te perguntar isso.

—Não! Espera! Eu só não entendi direito, o que você quis dizer?

—Queria saber até que ponto você estaria confortável no nosso encontro.

—Bom, eu não sei, eu nunca fui em um encontro...

—Jura?

—Sim, eu não sei te responder, desculpe. —Theodore suspirou, sentindo-se extremamente envergonhado. —Você deve me achar o maior imbecil...

—Não diga isso, por favor.

—Eu sempre me escondi de todos, o máximo possível...

—Eu entendo aonde quer chegar, já passei por tudo isso. —Christopher respondeu, com voz mansa. —Você não tem com o que se preocupar, eu me esforçarei ao máximo para que você nunca mais esqueça o nosso primeiro encontro.

—Você é muito gentil... —Theo deu uma pausa. —O que está fazendo agora, Chris?

—Ah, nada, estava só olhando umas coisas no computador, sabe? Com a aba anônima aberta.

—Estou com medo de ser o que estou pensando. —O garoto deixou uma risada escapar.

—Em o que exatamente você está pensando, Theo?

—Melhor nem saber.

—Eu sou extremamente curioso, não vai querer fazer esse joguinho comigo.

—Para o seu azar, eu também sou, e como você não quis me contar nada sobre o seu sonho, infelizmente não poderei revelar o que estou pensando.

—Você é bom nisso, gostei.

—Aprendi com o melhor.

—Realmente, somos bem parecidos.

—É claro que somos, formamos um par ideal.

—Literalmente.

—Ei Chris.

—Fale.

—Pode me passar umas dicas de musculação depois? Eu estou realmente precisando!

—Não acho que precise, seu corpo é perfeito! —Christopher riu. —Mas caso queira, te ajudo sim.

—Valeu mesmo.

—Ei, eu tenho que ir terminar uma coisa, mais tarde nos falamos, okay? —Chris se despediu com pressa.

—Tudo bem, até mais tarde então... —Respondeu Theo, ainda confuso.

Assim que Christopher encerrou a ligação, o garoto pensou no porquê de ele ter desligado tão brutalmente, já que ele mesmo havia dito de que não estava fazendo nada, além de...

–Mas é claro! –Pensou em voz alta.

Theo havia se lembrado de quando Chris falou que estava olhando o computador com a aba anônima, e isso já tinha sido sugestivo o suficiente para ele tirar conclusões precipitadas.

...

As horas foram passando, o garoto estava com as pernas para cima, apoiadas na cabeceira da cama, lendo um livro entediante, ele não gostava de livros em que não havia tanto mistério, mas era o único de sua prateleira que ainda não havia terminado de ler.

—Filho, me ajuda a guardar as compras? —Alba deu três toques na porta.

—Você comprou chocolate? —Theo se levantou e abriu a porta.

—Comprei.

Ele caminhou até a cozinha, tirando os produtos da sacola e os guardando no armário.

—Mãe, cadê o chocolate?

—Já coloquei na geladeira, vê se não come tudo de uma vez!

Theo pegou a pequena barra e a abriu imediatamente.

—Misericórdia, parece que nunca viu um doce.

Ele riu, pegando um copo d'água.

—Que horas são, mãe?

—Quatro e quarenta.

—Tenho que ir me arrumar!

Theo deixou o chocolate pela metade e tomou o resto da água, correndo para o seu quarto logo em seguida. Ele escolheu a roupa que usaria, deixando-a sobre a cama, correu para o banheiro, precisava tomar uma ducha rápida.

O garoto não sabia no que pensar, mal conseguia se conter quando lembrava que hoje conheceria Christopher pessoalmente, seu coração ficava aos pulos.

Ele não sabia se Chris pensava o mesmo, se estava animado para o encontro ou não, porque a última conversa que tiveram, não havia terminado muito bem, Theo ainda estava um pouco confuso.

Após o banho, o garoto se trocou com pressa, e passou seu melhor perfume; penteou seus cabelos para o alto, era fanático por gel de cabelo, gostava dos topetes que fazia.

Olhou para o espelho pela décima vez, pensando se poderia melhorar algo, mas por fim, gostou de seu cabelo. Theo pegou em seu closet uma jaqueta de couro preta, que caía bem com a camiseta branca, e a calça jeans escura que havia escolhido.

Ele pegou seu celular, e viu que Christopher havia lhe mandado uma mensagem, dizendo onde estaria o esperando no shopping. Seu coração voltou a palpitar rapidamente, estava tudo tão perto de acontecer, que mal acreditava, pensava que estava sonhando.

Alba levou seu filho até o shopping, e assim que ele desceu do carro, andou até a portaria, vendo sua mãe ir embora.

Theo caminhou eufórico até o local escolhido por Chris, e logo o reconheceu, sentado em um banco, de pernas cruzadas, olhando para o celular. O garoto andou em sua direção, com um sorriso enorme em seu rosto, até ver que ele guardava o celular, e assim que Chris percebeu sua presença, se levantou com pressa e correu abraçá-lo.

—Que bom que chegou! —Chris o envolveu com seus braços fortemente, quase levantando-o do chão.

—Você achou que eu não viria?

—Queria descartar essa possibilidade da minha cabeça. —Ele sorriu, olhando no fundo de seus olhos. —Ei, você tá muito bonito...

—Ah, olha quem fala... —Theo sorriu, envergonhado, se soltando do abraço. —Você é naturalmente bonito, como um dom.

—Dom, é? —Christopher ergueu uma das sobrancelhas.

—Exatamente!

—A nossa sessão é daqui meia hora, se quisermos comprar pipoca, temos que ir agora.

—Adoro pipoca! —O garoto sorriu, começando a acompanhá-lo.

—Sabia que eles também fazem pipoca doce? —Chris pegou na mão do garoto, que se livrou imediatamente. —Ei, o que foi?

—Ah, nada, eu só queria evitar...

—Evitar o quê? —Christopher o olhou seriamente.

—Ser visto, dessa maneira.

—Saquei, tem medo das pessoas te olhando esquisito?

—Não é bem isso... —Theo mordeu o lábio inferior.

—Tudo bem, então vamos, lado a lado, apenas como bons amigos...

—Desculpe Chris...

—Que isso... Eu te entendo. —Ele forçou um sorriso. —Mas só digo que isso não te trará felicidade, um dia terá que se assumir para o mundo.

O garoto continuou o seguindo em silêncio, estava um pouco envergonhado por tudo aquilo, achava que tinha sido grosseria rejeitar a mão dele só porque estavam em público.

Chegaram ao quiosque que vendia guloseimas para os filmes, e Chris quebrou o gelo.

—Não é engraçado como dizem que não é permitido trazer nada de fora para assistir ao filme, mas aqui vendem tudo extremamente caro?

—Sempre pensei nisso, mas nunca resisto à uma pipoca.

—Falando nisso, qual pipoca prefere? —Christopher perguntou, entrando na fila. —Doce ou salgada?

—Doce.

—Imaginei.

—Daqui a pouco você estará me chamando de formiga. —O garoto riu.

—Não é para tanto... —Chris o puxou para que entrasse na fila, juntamente a ele. —Ei, não se afaste de mim!

O pobre coração de Theo não aguentava mais, os batimentos acelerados já haviam se tornado comuns naquele ponto. Mas suas pernas insistiam em tremer quando ouvia Christopher falando daquela maneira.

Ele continuou observando todos os movimentos que Chris fazia, até suas expressões adoráveis enquanto lia.

—O que vai querer beber, Theo?

—Pode escolher por mim.

—Essa opção eles não têm.

—Ah, pode ser coca.

Após Christopher fazer a compra e não deixar Theo ajudar a pagar, caminharam até a sala onde começaria o filme; uma moça recolheu seus ingressos, e assim entraram, indo diretamente aos lugares reservados.

—Ei, enquanto o filme não começa, eu queria te perguntar algo...

—Pode falar, Chris.

—Me desculpe se te assustei mais cedo, não queria ser tão precipitado.

—Não diga isso, você não me assustou.

As luzes apagaram, e o silêncio reinou entre eles.

Após terminarem os trailers, poucos minutos depois; o filme iniciava com muita neve, tanques de guerra, e muita ação, todos estavam vidrados.

Theo não dizia nada, somente olhava para Christopher, torcendo para que ele dissesse alguma coisa.

O filme continuou, e depois de um bom tempo, Chris retribuiu os olhares do menor, ele se aproximou vagarosamente de Theo, fazendo com que o corpo dele estremecesse ao sentir a sua respiração em seu pescoço. Christopher sussurrou:

—Ei, aqui posso pegar em sua mão, certo?

O garoto nada respondeu, somente tirou sua mão do bolso da jaqueta, e entregou-a para Christopher, que a segurou carinhosamente.

—É uma sensação boa. —Theo disse sorrindo, sentindo seus dedos serem entrelaçados com os dele.

Chris acariciava a mão do garoto, e conforme o filme passava, dividiam aquele pacote grande de pipoca de chocolate. Theo aparentava ficar cada vez mais confuso com o filme, pois não conseguia adivinhar o que viria a seguir.

O final do filme chegou, e Christopher estava tão concentrado, que mal percebeu que o garoto havia enlaçado seu braço no dele. Theo se aconchegou no ombro de Chris, que sorriu disfarçadamente, ele havia gostado daquela atitude.

Os créditos finais haviam começado, mostrando inicialmente o nome dos atores principais, mas ninguém se levantou, pois sabiam que logo após os filmes da Marvel, sempre havia um curta.

Após verem a última cena, todos se levantaram e saíram pelo corredor dos fundos.

Theo havia novamente escondido suas mãos dentro dos bolsos da jaqueta, e Christopher, reparando aquilo, não disse nada.

—Vamos sair para comer alguma coisa?

—Sim, estou com fome!

Caminharam pelo shopping enquanto olhavam as vitrines, conversaram sobre seus gostos pessoais, mostrando o que gostavam e o que não gostavam nas lojas. Ao chegarem ao estacionamento, Chris pediu para que Theo o seguisse, pois seu carro estava logo adiante.

—Você gosta de lugares mais movimentados, ou mais quietos?

—Eu gosto de tranquilidade, e você Chris?

—Também, mas não vejo problema ir em um lugar lotado de vez em quando, principalmente se eu tiver uma boa companhia. —Ele responde sugestivamente. —Você vai querer ir em algum lugar depois do restaurante?

—Não sei, por quê?

—Pra gente poder conversar melhor...

—Tudo bem, você escolhe. Mas Chris...

—Fale.

—Será que você pode me contar do seu sonho agora?

—É claro.

—Foi bom?

—Muito! Você nem imagina o que estávamos fazendo...

—Ah, e o que era? —Theo perguntou, com as bochechas rubras.

Chris tirou chaves de seu bolso, e apertou o alarme de seu carro, pedindo para que Theo entrasse.

—Do que se tratava o seu sonho afinal? —Perguntou o menor, assim que se sentou e fechou a porta.

—Estou louco por sua boca há dias! —Christopher segurou as laterais do rosto de Theo, trazendo-o para mais perto, e o beijando ardentemente.

Quando o garoto conseguiu processar tudo o que estava acontecendo, já era tarde demais, ele já havia sido dominado pelos lábios saborosos de Chris, que o beijavam com luxúria. Sua mente não conseguia pensar em mais nada que não fosse a maravilhosa sensação de estar em seus braços...

Notas finais
Espero que tenham gostado desse capítulo, deixem seus reviews, mesmo que seja apenas um "gostei" já ficarei imensamente grata e saberei que você está lendo, não seja um leitor fantasma ♕