Fade Out Lines
19 Capítulo 19 — Presente.
Notas iniciais
Capítulo 19 — Presente.
Narrado por Christopher
Fui arrastado por aquele homem para a pista de dança, Emmet e Michael comemoraram, não imaginavam que eu sairia do lugar. Reparei que eles me seguiram, dançavam perto de mim, enquanto aproveitavam para me vigiar.
Me peguei rindo ao vê-los disfarçando.
—Você malha bastante, não? —Jim comentou, enquanto me apalpava por cima da camiseta.
—Todos os dias da semana, duas horas por dia. —Respondi secamente.
—Olha só! Dá pra ver mesmo!
Fiquei de costas para o loiro, que juntou seu corpo no meu, na sua enésima tentativa de aproximação indevida. Outra música agitada começou a tocar, Jim tentou me virar, fazendo com que que eu olhasse novamente em seus olhos castanhos.
Tentava disfarçar, fingir que estava curtindo aquilo, mas não podia negar que sentia nojo quando suas mãos me tocavam. Seu rosto foi em direção ao meu, virei rapidamente a cabeça para o lado, Jim beijou minha bochecha, tentando disfarçar seu constrangimento.
Não acreditei que ele realmente pensou que podia me beijar sem mais nem menos, já estava ficando sem paciência com ele, só que mesmo assim, tentaria aturá-lo por talvez mais algumas músicas.
Ele não era de se jogar fora, mas não era atraente para mim, seu cabelo loiro despenteado e pele bronzeada me remetiam a um surfista, não podia negar que seu sorriso era bonito, no entanto, nada que me encantasse.
Senti suas mãos me segurando com força na cintura, sua boca foi até meu pescoço, pensei em não relutar daquela vez, somente para ver onde aquilo iria parar, deixando que tudo acontecesse aos poucos.
Seus lábios pressionaram minha pele, por um minuto senti um arrepio.
—T-Theo... —Suspirei.
Quando me dei conta do que havia dito, fiquei feliz por ter sussurrado, a música tampou qualquer chance que Jim tinha de ouvir. Foi então que ele tentou acariciar minha pele por baixo da camiseta que eu usava, mas me assustei, não era aquilo que eu queria. E não dele.
Jim estava numa aparente e desesperada tentativa de sexo, perguntou duas ou três vezes se eu queria o acompanhar até o banheiro. Vendo que eu negava todas elas, não saiu de perto de mim, eu já sabia do que ele estava tão necessitado e não tinha nada no banheiro que pudesse o satisfazer.
Não gostava de homens assim, por um momento tive pena, toda vez que Jim dançava e esfregava seu corpo no meu, sentia que ele estava morrendo de excitação, mas quando suas mãos se guiavam até minha calça, ele via que eu não estava me animando.
Parecendo um pouco frustrado com aquilo, ele perguntou novamente se eu estava gostando, respondi com um simples e sincero “não.” O loiro bufou, perguntou o porquê e quando o respondi, ele se retirou, contrariado.
Percebi que Michael e Emmet pararam de dançar imediatamente e vieram em minha direção.
—Chris?! O que houve?! —Emmet gritou, por conta do som alto.
—Ele me perguntou uma coisa e eu só fui sincero!
—O que aconteceu?! —Foi a vez de Michael.
—Falei que ele me broxava e se queria uma transa fácil, para procurar outra pessoa!
—Você disse isso mesmo?!
—Disse! Além do mais, te falei que não gostava dos caras daqui! —Fechei a cara. —Todos parecem cadelas no cio!
—Para de reclamar à toa! Esse cara era o maior gato!
—Não era tudo isso!
Me arrastaram ao bar novamente, enchemos a cara, rimos de tudo o que acontecia ao nosso redor sem motivo. Falamos sobre Jim, eu me surpreendia em como aqueles dois conseguiam ser tão desesperados por macho, tinham um ao outro, mas não assumiam um relacionamento sério e ficavam enrolando eternamente nessa amizade colorida.
—Pelo jeito ele deixou um hematoma em você! —Michael riu.
Emmet olhou para o meu pescoço, arregalando os olhos e dando um sorriso malicioso.
—É sério isso?! —Ralhei.
Não acreditava que o infeliz tinha marcado meu pescoço.
—E o pior de tudo é que é bem visível!
—Não acredito, eu juro que se eu ver aquele cara de novo, eu vou...
—Agarrar ele?! Diz que vai... —Emmet me interrompeu, aparentemente fora de si.
Percebi que haviam prioridades maiores que as minhas.
—Quer levar ele pra casa, Mikey? —Perguntei.
—É uma boa ideia, já me cansei daqui
Saímos de lá arrastando o corpo de Emmet, não porque ele não se aguentava em pé, mas somente porque ele não queria ir embora e se deixasse, ele ficaria na boate até o sol raiar.
POV Christopher OFF
Os três pegaram um táxi, foram ao residencial de Christopher. Assim que chegaram, colocaram Emmet deitado no sofá, Michael tratou de ficar ao seu lado, afagando seus cabelos ondulados e acastanhados.
—Eu tô quebrado... —Christopher se queixou. —Já são duas e meia da manhã.
—Já? —Michael se assustou.
—Quer passar a noite aqui? Emmet já está dormindo mesmo... —Chris olhou o colo de Michael, onde Emmet repousava a cabeça.
—Não vamos te atrapalhar?
—Como se vocês se importassem com isso. —Riu calorosamente. —Brincadeira, vocês sabem que tenho um quarto livre, de casal, mas eu sei que vocês dois dormem juntos...
—Sabe, é? —Michael corou.
—Emmet me contou.
—Ah...
—Mas me fala, como vocês estão agora? Não estão namorando mesmo?
—Não, tentamos fazer dar certo, só que não dá.
—Por que não?
—Chris, você sabe que o Emmet não consegue ficar com um cara só.
—E mesmo assim você deixa ele brincar com você?
—De vez em quando sim, é que sabe... —Michael bufou. —Eu o amo, Chris.
—Sei disso. E o que ele sente por você?
—Ele diz que me ama também, eu tento acreditar... —Sussurrou, olhando para o seu amado dormir. —Tento mesmo...
—É complicado. —Christopher sentou no outro sofá disponível.
—Nem me fale. E você e Theodore?
—Hã? —O coração de Chris acelerou.
—Acabou tudo mesmo? —Michael perguntou, fingindo não saber de nada.
Tinha que manter o disfarce, Christopher não sabia de seu suposto encontro com o garoto.
—Ah... —Foi a vez das bochechas do professor ficarem rosadas. —Já foi, Mikey. Eu não quero ver a cara daquele imprestável nunca mais.
—Ei, Chris... Não fala assim.
—E como quer que eu fale?
—Só porque ele partiu seu coração, não significa que você tem que banalizar o que você achava bonito. —Michael o encarou seriamente.
—Você está certo Mikey, sabe sempre o que dizer em todas as horas, não é como o Emmet, que fala tudo sem pensar.
Emmet se mexeu, parecendo acordar.
—Vou levar ele para dormir... —Michael levantou-o com cuidado, que abriu os olhos e os esfregou com força.
—Ouvi meu nome... —Emmet perguntou, se sentando. —Nós vamos pra casa?
—Vamos passar a noite aqui.
—Pode ir para o quarto de hóspedes, Emm. —Christopher se apressou.
—Tá certo, boa noite pra vocês... —Levantou-se e se retirou, arrastando os pés, com preguiça.
—Chris, será que ele ouviu algo? — Michael olhou para o amigo.
—Acredito que não, mas se ouviu, qual o problema?
—Não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós.
—Mikey, vem cá, aceita um conselho?
—Claro que sim, pode falar.
—Quero que desencane do Emmet, pelo menos por enquanto, veja se ele virá atrás de você...
—Quer que eu me afaste?
—Mais ou menos, seria continuar fazendo as mesmas coisas, mas quando ele pedisse algo que fugisse da “amizade”, se é que você me entende, aí você rejeita.
—A-Ah Chris... Eu não sei não.
—Qual é, não consegue ficar sem transar por uns dias?
Michael riu, suas bochechas ficaram vermelhas novamente.
—Eu vou ir dormir... —Christopher se levantou. —Boa noite.
—Boa noite. —Michael respondeu, abraçando as pernas no sofá.
...♕...
—Bom dia, Mikey. —Emmet se aproximou, cutucando Michael, que dormia no sofá. —Por que dormiu aqui?
—Eu caí no sono... —Disfarçou.
—Ah, o Chris ainda não acordou, você tá com fome?
—Vocês querem pizza? —Chris chega, com os cabelos emaranhados.
—Olha só! Acabamos de falar de você... —Michael sorriu. —Mas por que pizza?
—Não tenho nada pronto. E já é quase a hora do almoço...
—Eu topo! —Emmet afirmou.
—Se voltarmos a malhar amanhã imediatamente, por mim tudo bem.
—Todos de acordo? —Christopher riu. —Vou ligar e pedir para entregarem.
—E vê se penteia esse cabelo também! —Emmet brincou.
Chris mostrou a língua. Pegou o folheto da pizzaria e caminhou até seu quarto, com o celular na mão. Emmet olhou para Michael novamente, dizendo:
—É bom vê-lo sorrindo de novo, não acha?
—É, ele parece mais tranquilo hoje, mas eu sei que ele ainda tá sofrendo bastante, nós conversamos um pouco ontem...
—Ah, é? —Emmet arregalou os olhos.
—Eu queria poder fazer alguma coisa por ele, Emm.
—Espera! É isso, nós podemos!
—Começou... —Michael soltou um muxoxo. —Vai me falar que teve uma ideia?
—Sim! Eu não parava de pensar com meus parafusos... —Se ajeitou no sofá. —Uma maneira, talvez, de deixá-lo animado com as coisas, como ele sempre foi...
—Parafusos? Achei que você tinha perdido todos!
—Babaca! —Riu fraco. —Mas você vai adorar, eu já sei exatamente o que fazer!
Narrado por Christopher
Era bom estar entre amigos, não precisava me importar em comer com pratos ou talheres, pizza era bom assim, com as mãos. Por fim, não sobrou nenhum pedaço.
—Ah Chris, precisamos ir no centro, mas como hoje é domingo, fecha às 14hrs. —Emmet comentou.
—Vão sair? Mas não vão assistir ao jogo hoje? —Perguntei.
—Logo voltaremos, não vamos demorar. —Michael completou.
—Podem trazer umas cervejas? —Pedi.
—A gente compra na volta. —Michael se levantou, recolhendo as garrafas vazias do balcão.
Caminhei até a sala, pegando minha carteira da mesa de centro.
—Aqui, toma. —Entreguei-lhe alguns dólares.
—Não precisa, Chris.
—Certeza?
—Você já pagou pela pizza!
—Então tá. Vão agora?
—Vamos, sim.
Eles pegaram suas coisas e saíram. Caminhei ao meu quarto, tirando a calça de moletom no caminho. Entrei no banheiro, me olhei no espelho e reparei que precisava fazer a barba. Virei a cabeça para o lado, vi uma marca roxa em meu pescoço.
Por que eu me importava tanto com aquilo? Alguns dias atrás, a coisa mais comum era ter hematomas pelo meu corpo todo e aquilo costumava não me incomodar. No entanto, eu sabia que as circunstâncias eram diferentes.
Após encher meu rosto de espuma e passar a lâmina, tomei um banho rápido. Me troquei e fui correndo para a sala. Deixei a televisão ligada, o jogo demoraria um pouco para começar, mas gostava de ter um som a mais dentro do apartamento, o silêncio me incomodava.
Desde que me mudei, achava o apartamento grande demais para mim, por isso era bom que Emmet e Michael me visitassem, assim como Mark e Lucas, que mesmo morando longe, sempre apareciam.
Já que não tinha nada para fazer no momento, comecei a colocar as coisas no lugar, ajeitei a sala e a cozinha. Poucos minutos depois, pude ouvir a música e barulhos que denunciavam que o jogo estava começando.
Onde será que Emmet e Michael estavam?
Me sentei, deixando alguns aperitivos sobre a mesa de centro, sabia que tínhamos acabado de comer, mas eles nunca se negavam os prazeres dos bombons e biscoitos. Além do mais, eu havia comprado tudo aquilo, mesmo não gostando, porque sabia que tinha alguém que sempre aparecia, que adorava doces.
Me peguei bufando ao ver que novamente tinha me lembrado de Theodore.
Como não havia trancado a porta de entrada, logo ela se abriu, reconheci as vozes que invadiam o local, eles haviam chegado. Emmet se aproximou, deixando algumas sacolas no chão da sala, ele segurava um filhote de cachorro.
—Não sabia que você tinha adotado outro. —Falei.
—Essa cadelinha aqui não é minha. —Emmet sorriu, colocando o pequeno animal no meu colo.
—Então de quem é?
—Sua.
—O quê?! —Não pude conter o espanto.
—Compramos pra você.
—M-Mas como assim? Quem disse que eu quero um cachorro?!
—Considere um presente de aniversário adiantado, bem adiantado.
—Olha, duas coisas: Primeiro, podem devolver porque eu não vou aceitar e segundo, eu não quero um cachorro!
—Para de ser chato, Chris. —Emmet insistiu. —Você tá precisando de algo para se distrair!
—Mikey, como você deixou ele fazer isso?
—Eu disse que era uma ideia ruim, mas eu devo concordar que não vai te fazer mal.
—E os vizinhos?! —Retruquei.
—O que tem? Não tem regras no prédio que proíbam cachorros pequenos e essa raça de yorkshires não cresce muito!
—Eu não sei cuidar de cachorros, Emm! —Tirei o filhote do meu colo, lhe entregando.
—Não tem como devolver, tá? E pode parar de ser fresco, trouxemos tudo o que vai precisar...
Olhei para Emmet, que entregou o animal nas mãos de Michael, indo mexer nas sacolas. Michael se aproximou e sentou-se ao meu lado, acariciando os pelos da cachorrinha.
—Olha aqui, tem roupinhas, brinquedos, também compramos uma almofadinha para ela dormir... Ah, o mais importante, essa é a melhor marca de ração para filhotes! —Emmet tirou algumas coisas de dentro das sacolas, colocando-as no chão.
—Vocês são doidos! —Ri. —Quanto gastaram?
—Não se deve falar o valor de presentes. —Michael comentou.
—Meu aniversário é só em novembro, vocês estão me escondendo alguma coisa, podem falar, o que fizeram de errado?
—Não fizemos nada! —Emmet escandalizou.
Olhei seriamente para eles, logo Michael abriu a boca.
—Olha, você acertou, não é que estamos escondendo algo, só que nós queríamos te ver bem, sabemos que você ainda tá mal por causa do término com o Theo.
—Ah, então é isso? —Suspirei. —Olha, eu já aceitei sair com vocês ontem, mesmo contra a minha vontade, eu estou um pouco pra baixo sim, mas não eram pra ter feito isso!
—Já chega, não tem como voltar atrás, a cachorra fica.
—Emmet... —Me queixei.
Olhei para o colo de Michael, não podia negar que era um filhote adorável, e ainda tinha um laço vermelho em cima da cabeça.
—Vamos Chris, não custa nada... —Michael insistiu. —Escolha um nome para ela...
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