Fade Out Lines

13 Capítulo 13 — Sidney.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 13 — Sidney.

Narrado por Theodore

Assim que Christopher abriu a porta, a primeira coisa que reparei, foram em dois belos homens, ambos com sorrisos encantadores, dentes perfeitamente alinhados, e bem vestidos.

Fui apresentado primeiramente ao Mark, um moreno boa pinta e com bom porte físico também, seus cabelos negros penteados para trás revelavam seus olhos esverdeados, entretanto, seu marido Lucas era o oposto, um rapaz loiro e dono de adoráveis olhos azuis.

Incrivelmente lindos, foi meu primeiro pensamento.

Eles entraram e deixaram somente duas pequenas malas ao chão, Chris perguntou o que eles queriam beber e Mark o seguiu.

Logo as conversas tomaram conta do local, mas assim como Lucas, eu somente observava Christopher e Mark conversando, eles falavam sobre seus treinos e sessões enquanto eu pensava se seria apropriado me meter no assunto.

Caminhei até a cozinha e Lucas me seguiu, perguntando:

—Então, você e o Chris estão namorando há quanto tempo?

—Ah, eu não sei direito... —Me encostei no balcão. —Bom, acho que um mês... E você e Mark? Estão juntos faz quanto tempo?

—Isso eu não sei. —Ele olhou novamente em direção ao marido. —Bem, eu conheci Mark muito tempo atrás, eu tinha dezessete.

—Sério? E quantos anos tem agora?

—Vinte e seis.

—Nove anos é muito tempo!

—O destino brincou com a gente, acabamos separados por um longo período, então não diria que estamos juntos há tanto tempo.

—Ah, entendi. —Falei olhando para o moreno novamente. —Se não for incômodo perguntar, qual a idade do Mark?

—Ele não gosta que eu fale, mas já passou dos trinta, não parece, né?

—Não, vocês me enganaram bem. —Ri.

—E você? —Lucas retribuiu a pergunta.

—Eu tenho vinte e um. —Falei, com naturalidade.

—Também me enganou, jurava que tinha uns quinze.

Quando mal esperávamos, Mark e Christopher vieram em nossa direção, curiosos com nossa conversa, e com copos em mãos. Observei Mark abraçar o marido e lhe entregar a bebida, dei um sorriso com aquilo, os dois formavam um belo casal.

Chris me beijou na bochecha, e nada disse, sorriu em ver que eu tinha me enturmado com Lucas, e colocou um copo em minha mão.

—E então, do que estavam falando? —Mark foi o primeiro a perguntar.

—Nada demais. —O loiro respondeu. —E vocês?

—Sobre academia, e também daquela vez que você começou a me acompanhar nos treinos.

—Não quero nem me lembrar disso! —Lucas soltou uma risada. —Sério que você disse isso para o Chris?

—Acabamos tocando no assunto...

—Eu não sabia que você tinha asma. —Christopher entrou na conversa.

—Ah, faz um tempo desde que comecei a me cuidar melhor, então deixei de ter crises...

—Deve ser difícil fazer exercícios, não? —Me intrometi no assunto.

—Era por isso que eu não queria que Mark tivesse contado, bom, na época que entrei na academia, eu ficava tossindo como um louco! E teve um dia que eu tive uma crise enquanto levantava peso, acabei derrubando o haltere no meu pé e todos riram...

—Isso deve ter doído muito. —Murmurei.

—E doeu, mas hoje eu não consigo deixar de rir ao me lembrar. —Ele sorriu. —E outra, foi logo depois disso que descobri que eu podia fazer outros tipos de exercícios que me ajudariam na respiração, e natação foi o que mais combinou para mim.

—Ah, falando nisso, você trouxe o broncodilatador? —Mark perguntou.

—Trouxe sim, amor.

Não pude deixar de notar que aqueles dois exalavam um amor imenso um pelo outro, e a maneira que Mark olhava para Lucas era incrível, em seus olhos se via claramente a admiração pelo marido.

A tarde toda continuou tranquila, os amigos de Chris eram agradáveis, tinham bons assuntos, e nunca deixavam o ambiente silencioso. Não demorou muito para que fossemos para a cozinha fazer um lanche, e Christopher fez seus famosos sanduíches de queijo grelhado.

Comemos todos em volta do balcão, e enquanto as horas continuaram a passar, as conversas se prolongaram até a sala de estar, e nos reunimos para assistir à televisão.

Quando me dei conta, era noite, observei Mark se levantar e chamar Lucas, que abria os olhos, e bocejava.

—Vão dormir? —Chris indagou.

—Vamos, Lucas já estava dormindo aqui... —Mark respondeu, ainda tentando fazer o loiro se levantar.

—Devem descansar sim, vocês acordaram cedo?

—Acordamos às seis. —O moreno por fim abraçou Lucas e puxou-o do sofá. —Bom, vou ter que arrastá-lo mesmo, então, boa noite para vocês...

—Boa noite. —Eu e Christopher dissemos em uníssono.

Observei Lucas cambalear ao levantar, e se apoiou em Mark, que segurava as alças das duas malas em uma mão, e com a outra abraçava o loiro, caminhando juntos para o quarto de hóspedes.

Ao ouvir a porta fechar, me virei para Chris no sofá, e dei um sorriso.

—Você gostou deles, Theo?

—Eu adorei eles, e como conseguem ser tão lindos? —Falei, rindo. —É o casal mais bonito que conheci!

—Eles são bem bonitos sim, mas Theo, não se esqueça de que nós é que somos o casal mais bonito existente...

Não pude segurar o riso, e Christopher também não.

—Isso foi tão gay. —Debochei.

—Eu sei. —Ele fez uma careta e se levantou. —Vou até dormir depois dessa...

—Você já tá com sono?

—Não, mas vou tomar um banho e ir deitar, você vem?

Segurei em sua mão e me levantei.

Ele desligou a televisão, e saímos da sala, indo ao seu quarto. Chris trancou a porta, e fomos para um banho rápido juntos, sem – muitas – segundas intenções.

Conversamos pouco sobre seus amigos durante o banho, percebi que ele estava cansado, olheiras surgiam levemente em torno de seus olhos, e mesmo assim ele não se rendia, dizendo novamente que não estava cansado.

Quando saímos do banho, me enxuguei bem e me sentei ainda nu, na beirada de sua cama. Christopher andou até o armário, pegando e vestindo somente uma boxer, e logo voltou em minha direção, se sentando ao meu lado.

—Não vai se vestir, amor?

—Eu tô com preguiça.

—Quer que eu te vista?

—Hoje eu vou dormir assim, o que acha?

—Perigoso. —Ele umedeceu o lábio.

—Então vou ficar assim. —Sorri, travesso.

Ainda despido, me aconcheguei no meio de suas cobertas, e ele riu, mas me acompanhou, deitando ao meu lado. Senti seus braços me envolverem por trás, e beijos estalarem em minha nuca.

Logo uma de suas mãos desceu vagarosamente pelo meu abdômen, me arrepiei ao sentir seu toque, Christopher continuou me acariciando e um pouco depois parou o que fazia. Virei-me para ele, percebendo que seus olhos fechavam, e vi que realmente estava cansado, pois não pararia com aquilo se fosse em outra ocasião.

Ri baixo com aquilo, seu rosto com sono era extremamente adorável.

—Boa noite... —Sussurrei, e ele grunhiu, como se respondesse.

Puxei a coberta, e o abracei, dormindo com o rosto repousado na curva de seu pescoço.

POV Theodore OFF

Na manhã seguinte, Christopher havia acordado de bom humor, gostava de olhar para o lado e ver o namorado dormindo profundamente, seu rosto tranquilo o trazia paz. Beijou-lhe na testa, e com cuidado para não o acordar, Chris se levantou.

Terminou de se vestir, calçou chinelos e olhou no relógio, ficando aliviado por ainda ser oito e quarenta da manhã, pois queria preparar um bom café da manhã para seus convidados.

Não era como se fosse alimentar um batalhão, mas Christopher adorava servir porções exageradamente grandes, queria agradar o máximo que conseguisse mostrando o que sabia fazer na cozinha.

Rumou para lá, pegou os ingredientes, panelas e utensílios que precisaria, e logo começou com as massas; preparou waffles e panquecas, para os servir com geleia ou melado. Depois completou fritando ovos à parte em uma frigideira grande, juntamente com o bacon.

Christopher ouviu passos e olhou para trás, logo dizendo:

—Já acordou, Mark?

—Eu tenho sono leve.

—Estou fazendo muito barulho?

—Não é isso. —O moreno riu. —Lucas se mexe muito enquanto dorme.

—Caso queira chamá-lo para tomar o café da manhã, o avise de que está quase pronto.

—Tá certo, vou trocar de roupa e já o chamo.

Mark caminhou até o quarto novamente, abrindo a porta e vendo o seu loiro jogado sobre a cama, camuflado entre os lençóis. Fechando a porta atrás de si, engatinhou sobre o marido enquanto explorava seu dorso desnudo, subindo uma trilha de beijos de seu cóccix até seu pescoço.

Lucas gemeu, se mexendo, parecendo acordar.

—Bom dia, amor... —O moreno sussurrou calorosamente em seu ouvido.

Com a voz abafada pelo travesseiro, Lucas murmurou, mas não foi compreendido por Mark, que continuou a afagar os cabelos loiros.

—Vamos levantar, bela adormecida. —Insistiu.

Com muito esforço, Lucas virou-se, esfregando os olhos e logo após olhando para o marido. Mark deitou-se ainda mais próximo, beijando-o na testa.

—Christopher está fazendo o café da manhã, e mandou te chamar.

—Só mais cinco minutos...

O loiro tentou novamente enterrar sua cabeça nas almofadas, mas foi impedido pelo moreno, que segurou nas laterais de seu rosto, e o virou em sua direção.

—Ainda não recebi nenhum beijo hoje. —Afirmou.

—Não escovei os dentes...

—Você sabe que eu não ligo.

Lucas sorriu, traquino, levantando uma das pernas e colocando sobre ele, trazendo Mark ainda mais perto. Os rostos se aproximaram, e os lábios se atraíram como imã, conectados numa forma louca de magnetismo.

Mesmo à contragosto, o moreno convenceu Lucas a levantar da cama, e assim, ambos tiraram os pijamas para vestir uma roupa casual. Ao saírem do quarto, já se podia ouvir conversas vindo da cozinha.

Andaram pelo corredor, e viram Theodore e Christopher, ambos sentados à mesa. O moreno colocou-se em uma das cadeiras vagas, e Lucas o acompanhou, puxando uma cadeira ao lado do marido.

Puderam observar tudo o que Chris havia preparado, que foi comentado por Mark, não se esquecendo de agradecer. Eles serviram-se, e Theodore parou seus olhos sobre eles, os olhando com curiosidade, por um momento olhou para o loiro, mas algo no moreno chamou sua atenção.

Lucas cerrou os olhos ao perceber que o garoto olhava indiscretamente para Mark, mas logo aliviou-se do ciúme, ao ouvir Theodore dizendo:

—Você tem uma tatuagem!

O moreno sorriu, mostrando o desenho tribal que havia em seu braço esquerdo.

—Eu sempre quis fazer uma, dói muito? —O garoto continuou, entusiasmado.

—Essa faz um tempo que fiz, mas me lembro que foi incômodo sim.

—Você tem mais alguma?

—Tenho um dragão que fiz ano passado, depois te mostro.

Christopher olhou para o namorado, que parecia realmente animado, não sabia que Theodore gostava de tatuagens, e ficou feliz em descobrir que ele tinha se interessado naquilo.

...

Após o café, o dia prosseguiu calmo, Mark e Lucas saíram, deram uma volta pela cidade, visitaram a praia e fizeram uma caminhada envolta dela. Comeram em um bistrô, e quando retornaram para o apartamento, já era quase noite, e estavam exaustos.

Cumprimentaram Christopher e Theodore quando entraram, tiveram uma rápida conversa sobre os lugares que visitaram, e avisaram de que tomariam banho para descansarem um pouco.

O loiro segurou na mão de Mark, e o guiou.

Assim que entraram no quarto, Lucas puxou o moreno para dentro do banheiro, trancando a porta, e tirando as suas roupas rapidamente, com um sorriso no rosto.

—Queria te perguntar uma coisa... —O loiro sussurrou.

—Pergunte... —Mark se arrepiou com a respiração de Lucas tão próxima de seu pescoço.

—Quando disse que mostraria o dragão para o Theodore, não estava falando sério, estava?

—Você sabe que não, eu só queria cortar a conversa ali.

—É porque eu sou o único que pode ver, e te tocar aqui...

O moreno sentiu as mãos quentes de Lucas em seu abdômen, descendo até o quadril, onde a tatuagem se encontrava, metade dela escondida por baixo da última peça que restava em seu corpo.

...

Theodore infelizmente não podia passar duas noites seguidas no apartamento de Christopher, e durante o dia havia mandado mensagens periódicas para sua mãe, mesmo não achando aquilo necessário.

Christopher não queria que Theo fosse embora, mas era preciso, ele pegou todas as suas coisas, e levou o garoto para casa em segurança.

Theodore observou Chris retornar para o apartamento, e assim entrou em sua casa, procurando por sua mãe. Não a viu de imediato, mas ela gritou ao longe, ouvindo ele chegar, Theo sabia que a mãe tinha ouvidos de lince, na verdade, era um dom que todas as mães tinham.

Aquela noite se passou, a semana seguinte também, restava somente uma semana para o fim do mês, e para o fim das férias de Theodore também, seu ano letivo começaria em setembro.

Na semana que se iniciou, encontrou-se com Christopher, e descobriu que ele voltaria a trabalhar logo, então tratariam de aproveitar os últimos dias que ele tinha de folga.

Saíram durante a semana para conhecer a cidade, ir à praia, comerem em diferentes restaurantes, e para Theo tudo foi incrível, desde que o garoto chegara de sua cidade natal, não tinha visitado os pontos turísticos da cidade, sua mãe andava sempre ocupada.

No entanto, era bom contar com Chris para isso, além de tirarem numerosas fotos de cada lugar que visitavam.

...

O fim da última semana de agosto chegou, era dia trinta, Theodore percebeu que sua mãe estava inquieta, e tinha passado a tarde arrumando a casa sem parar, mesmo ela se encontrando impecável.

—Mãe, quem vai vir em casa?

—Um colega meu do trabalho. —Alba respondeu, ajeitando um vaso de flores no centro da mesa.

—Colega, é? —O garoto ergueu uma das sobrancelhas.

—Não pense bobagens, Theodore.

—Fala sério mãe, nem quando Susannah veio você ficou tão preocupada.

Ela respirou fundo, e olhou para o filho.

—Está tão na cara? —Ela perguntou.

—Como assim?

—Que estou saindo com ele...

O garoto ficou surpreso, embora imaginasse, era inesperado ouvir aquelas palavras saírem da boca de sua mãe.

—Um pouco. —O garoto engoliu seco. —Há quanto tempo isso?

—Tem umas semanas.

Theodore lembrou-se que a mãe parecia sorridente nos últimos dias, e não importava quantas vezes ele precisasse sair para se encontrar com Christopher, ela não o impedia, e o número de ligações que ela fazia, também havia diminuído.

Tudo fazia sentido para ele agora, e o garoto olhou para a mãe quando ela tornou a dizer:

—Decidi fazer esse jantar aqui em casa para você o conhecer, tenho certeza que gostará dele.

—Eu nunca achei que você sairia novamente. —Theodore forçou um sorriso. —Então ele deve ser um cara legal.

Quando o relógio marcou o fim da tarde, Alba estava na cozinha, terminando os últimos acompanhamentos para o jantar, e Theodore a ajudava, quando ambos escutaram a campainha.

—Como estou? —Ela apontou para a sua roupa nova.

—Linda... —O garoto sorriu.

—Vem, me acompanha.

O filho a seguiu até a entrada, e Alba deu uma última ajeitada em seu vestido, destrancando a porta. Theo reparou no homem bem vestido, que aparentava ser um pouco mais velho que sua mãe, provavelmente perto dos cinquenta anos.

Ele tinha alguns fios grisalhos que contrastavam os cabelos pretos e escorridos, seus olhos castanhos aparentavam simpatia, e ele sorria, segurando um buquê de rosas vermelhas.

O homem lhe entregou as flores e Alba agradeceu a gentileza, pedindo-o para que entrasse, enquanto o garoto olhava a cena, um pouco constrangido.

—Sidney, este é meu filho único, Theodore.

—Olá Theodore, é um prazer te conhecer. —O homem sorriu, esticando a mão para cumprimentá-lo. —Sua mãe me falou muito bem de você...

Notas finais
Oi pessoal, queria deixar um recadinho, se vocês estranharam o ano letivo do Theodore começar em setembro, queria avisar que é porque estou seguindo os padrões de aula das escolas norte-americanas, então o Theo começará o terceiro colegial em setembro, okay? Então é só isso, espero que tenham gostado desse capítulo, agora a história vai começar a esquentar! ♕