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4 O Amor e todas as suas Formas
Notas iniciais
Já faziam algumas semanas desde que eu tomei um choque de realidade do namorado da minha irmã. Mas desde então a Natalie tem tentado me convencer a encontrar um novo namorado (como se eu já tivesse tido um). Não me leve a mal. Eu já tentei quando completei 17 no ano passado. Mas as coisas não deram muito certo. Teve esse tal de Clark.
FLASHBACK (ON)
— Então [...] Clark né. Tipo aquele super herói.
— Quem?
— O Super homem. O Clark.
— Desculpa. Quem?
— Kent.
— Quem te pergunto eu ué.
FLASHBACK (OFF)
Talvez encontros pela internet não sejam uma boa ideia. Também teve aquele outro. O Pervertido do David Safadinho 123.
FLASHBACK (ON)
— Então. O Que tu curte?
— Ah sei lá. Eu vou me formar em medicina. Adoro passear.
— Tá mas eu quero saber mesmo é o que tu curte na cama. Sacou? Um cunete ou sei lá.
— Um cu o que?
— Sabe quando você coloca a língua lá e [...]
— Não é a minha praia. — Interrompi
— Ah saquei. Então você curte mesmo é um anal giratório né.
— É [...] eu acho que não vai dar muito certo mas obrigado por ter vindo.
FLASHBACK (OFF)
Acho que marcar encontros na internet realmente não é pra mim. Eu queria mesmo conhecer alguém legal pessoalmente e poder olhar nos olhos dela e dizer que eu estou apaixonado. Um pouco bobo mas ainda sim maravilhoso.
Natalie e eu estávamos indo a um encontro forjado por ela e pelo seu novo namorado Travis para que eu conhecesse o irmão gay dele e algo me dizia que aquilo não iria dar certo.
— Oi amor. — Disse Travis cumprimentando Natalie com um beijo — Adam quero que conheça o meu irmão Jason.
— Ah [...] prazer Jason. Meu nome é Adam. — Disse meio embaraçado
— Jason cumprimenta o garoto seu trouxa. — Disse Travis sussurando.
— O Nosso acordo não foi esse cara. Você me dava vinte pratas e eu vinha aqui ver o seu amiguinho gay e eu to vendo. Ele não é invisível. — Respondeu o garoto mechendo no celular
— Então ele não é gay? — Perguntei
— Bom [...] ele tem uma revista da Atrevida escondida no quarto. — Respondeu Travis.
— Cara eu já te disse. Minha namorada não sabia como introduzir o absorvente interno e pediu minha ajuda.
— Meu deus. Eu não precisava mesmo ouvir isso. — Disse me sentando no bar — Garçom me trás qualquer coisa com vodka por favor.
— Adam eu sinto muito. Eu não queria [...]
— Me enganar? — Interrompi Natalie.
— É Que você anda tão fechado desde que aquilo aconteceu que eu [...]
— Natalie eu te amo amiga mas você precisa parar. Eu sei que está tentando ajudar mas quando eu conhecer um garoto talvez role algo entre nós. Até lá eu não preciso da companhia de um garoto arranjado pra mim mas sim da minha melhor amiga. É A Única coisa que você pode e deve fazer por mim.
— Ok. Desculpa. Você tá certo. Aliás adivinha quem tem ingressos pro Rock In Rio no final do ano?
— Mentira?
— Provavelmente a Gaga que vai se apresentar. Porque tudo o que eu tenho são dois cupons que nos dão um dia gratuito no spá.
— Acho que vou aceitar esse Spá in Rio. — Rimos.
— Então eu te pego hoje a tarde?
— Fechado amore.
— Ah e Jason?
— Sim? — Respondeu o garoto.
— Da próxima vez dá 2 reais pra sua namorada ir numa lan house e pesquisar isso no Google seu pé no saco.
Chegando em casa descobri que a Natalie não era a única pessoa me esperando pra algo.
— Olá senhor Adam. Não quer nos contar onde estava? — Perguntou meu pai em pé ao lado da minha mãe e da minha irmã sentada no sofá da sala
— Eu disse que iria no bar da esquina com a Natalie. Avisei aos dois na verdade.
— Não estamos falando de onde esteve agora há pouco e sim de onde esteve no sábado há duas semanas atrás quando estava de castigo. — Disse minha mãe com os braços cruzados.
— Como assim? Eu estava aqui em casa enquanto a Natalie [...]
— Enquanto a Natalie estava na escola com o seu irmão gêmeo que por acaso foi fotografado na plateia do jogo de basquete. — Interrompeu meu pai.
— Vish. — Sussurei
— Você e a sua irmã estão totalmente proíbidos de sair dessa casa pelas próximas cinco semanas a não ser que estejam indo pra escola ou voltando dela e se eu ver o pé de algum de vocês fora daqui eu vou tirar os seus celulares e notebooks. Pra cima. AGORA. — Minha mãe dizia aos berros enquanto subiamos os degráus
Acho que nada me decepcionou tanto nos últimos dias quanto saber que o meu dia de spá com a Natalie estava cancelado por minha culpa. Eu não estava dando a mínima pro spá mas eu precisava mesmo ter um dia a sós com a minha melhor amiga e desabafar um pouco tudo o que estava havendo.
Tentei ligar pra Nat quatro vezes seguidas sem sucesso até que finalmente ela atendeu.
— NAT? Onde você tava amore? Eu te liguei tipo umas 500 vezes e caiu direto na caixa postal. Não vai adivinhar o que me aconteceu.
— Ah [...] você ficou de castigo e o nosso spá tá cancelado?
— Você é mesmo alguma das bruxas do clube das Winx? Como sabe disso?
— Sua irmã me passou um SMS antes mesmo de você me ligar então eu decidi fazer umas comprinhas e achei algo bem legal.
— Vai a algum lugar?
— Você vai. Até a janela.
— A Minha janela? — Leventei e fui até a janela do meu quarto aonde lá estava a Natalie subindo pela escada do meu pai — Meu deus. Você é louca.
— Deve ser por isso que você me ama né. Agora me ajuda a subir amore.
Natalie subiu e de repente reparei que ela havia trazido praticamente o shopping inteiro para o meu quarto. Haviam lanches e besteiras que adorávamos comer quando éramos crianças. Além de DVDs de desenhos animados e alguns jogos de tabuleiro.
— Adam eu sei o quanto todos tem sido injustos com você mas eu deveria estar te prestando apoio e não te incentivando a se meter em mais encrencas. Não quero te ver machucado de novo. Quero ver aquele garoto de 11 anos que cantava Let Me Blow Ya Mind na varanda enquanto eu fazia o RAP.
— Você não sabe o quanto eu te amo Nat. — Disse eu em meio a lágrimas enquanto nos abraçavamos
— Tudo que tem a fazer agora é fechar essa porta pra que a gente comece a jogar esses jogos de tabuleiro bem estranhos. — Rimos enquanto eu trancava a fechadura — Então. Esse daqui é bem fácil. Você tira um cartão com uma palavra e se tiver um momento constrangedor na sua vida que tenha a ver com ela você conta e se não tiver você inventa. O Outro tem que descobrir se é verdade ou não.
— Ah então vai ser fácil mesmo. Eu conheço suas expressões amore.
— Eu já fiz teatro garota. Melhor tomar cuidado. Pode tirar o primeiro cartão.
— Nossa. Meias sujas.
— Manda ver pé grande. — Riu
— Quando eu tinha 11 anos a minha mãe foi com o meu pai numa loja de brinquedos. Ela disse que iria comprar um presente bem grande pra mim e pra minha irmã que estava no curso de balé dela. E Ela pediu que eu levasse as nossas roupas numa lavanderia aqui perto porque a nossa estava quebrada. Parece que uma senhora de 70 e poucos anos havia se enganado e levado as nossas roupas. Eu estava dormindo enquanto a máquina lavava e acordei de relance com a mulher levando um cesto com uma meia do Ben 10 e eu juro que corri atrás dela por umas 3 avenidas até conseguir parar a velha e dizer que ela estava com as roupas erradas. Aí ela me amostrou o cesto e na verdade não eram nossas roupas. — Caímos na gargalhada.
— Não espera. Então as meias eram iguais?
— Parece que sim. Acredite ou não o Ben 10 era bem popular naquela época.
— Pra mim é fanfic. Não acredito que um garoto que ia pra minha casa assistir Três Espiãs Demais usava meias do Ben 10.
— Sua ladra da porra. — Bati com o travesseiro nela enquanto riamos
— Um ponto para a rainha. Obrigado amores. Agora sou eu. A Palavra é [...] calcinha. AFF.
— Hum. To sentindo cheiro de Wattpad de longe. Cheirando quase tão forte quanto esse hambúrguer delicioso. — Disse enquanto pegava o lanche na sacola
— Tá legal. Essa aconteceu quando eu tinha 12 anos. Minha mãe me levou numa loja de lingeries e eu estava na sessão infantil entediada enquanto ela escolhia um bando de sutiãs coloridos cheios de rendas com desenhos da Barbie. Aí eu resolvi andar pela loja e de repente eu estava numa sessão meio picante. Então eu vi uma coisa que pra mim na época não era nada além de engraçada. Eu simplesmente peguei e coloquei dentro da minha bolsinha porque não sabia que era ilegal sair de lá com algo que não foi pago por mim e então quando saimos eu fui barrada na porta. Eles abriram a minha bolsa e tinha nada menos que uma calcinha com um PINTO DE PLÁSTICO. — Paramos para rir novamente enquanto tomei um gole d' água.
— Tá bem óbvio senhorita Larry Shipper. Fanfiquete.
— Errou feio senhor óbvio. Isso aconteceu mesmo. 2 pontos pra muá.
— Sério isso? Eu não acredito amore.
— Se dúvida então pega o seu celular e liga pra minha mãe. Pergunte a ela como nós fomos parar no noticiário como mãe rouba Sex Shop e usa filha como cumprice.
— Tá legal. Eu quero jogar outro jogo.
— Hum. Que tal nós passarmos trotes como faziamos quando éramos crianças?
— Nossa que saudades. Vamos. — Disse pegando o telefone e discando um número qualquer — Alô?
— Igreja municipal. Boa tarde. Como posso ajudar?
— Olá irmã. Venho lhe pedir com minha sincera alma que tenha piedade e me ajude.
— Pois não. O Que está acontecendo meu senhor? — Transferi o telefone pra Natalie enquanto ela fazia a minha voz um pouco grossa
— Fazem alguns meses desde que eu me envolvi nisso. Não me sinto bem desde então. Da última vez que cai nisso eu simplesmente acordei deitado no deserto. Eu olhava em volta e não havia nada. Minha esperança havia sido perdida.
— Nada está perdido meu senhor. Eu prometo que irei lhe ajudar. Conte me como foi parar nisso.
— Meus amigos sempre experimentaram mas eu preferia usar outras coisas mais leves como a Sia que apesar de nunca amostrar a cara quando eu ia comprar sempre me fazia feliz subindo no iTunes.
— Me perdoe. O Que é Aituni?
— Um morro sombrio onde uma vez que você cai nunca mais irá subir. Então meus amigos me apresentaram essa tal droga estranha chamada Britney Spears e no começo foi tudo maravilhoso. Ela me proporcionou experiências maravilhosas com novos sons incríveis. Mas depois tudo começou a ficar deserto e ela simplesmente me abandonou. Ela largou tudo o que tivemos e me deixou assim. NA MERDA. — Eu estava quase urinando de tanto rir
— Fique calmo. Nós vamos fazer uma oração por você e iremos lhe tirar desse vício.
— Ninguém pode me tirar desse vício. Eu me tornei um deles. Eu sou B-ARMY. — Natalie ligou o celular e colocou no Youtube o instrumental de Make Me pra tocar.
— O Que é isso? Que barulho é esse?
— Ela está se manifestando agora. Essa é a Britney. EU SOU B-ARMY.
— Biarmi coisa nenhuma. TÁ REPREENDIDO EM NOME DO SENHOR ESSA BRITINI. EU VOU TIRAR ISSO DA SUA VIDA. A PARTIR DESSE MOMENTO O SENHOR ESTÁ RETIRANDO TODA [...] — Natalie desligou o telefone enquanto nós não conseguiamos parar de rir
— CARALHO. NAT EU TE AMO. — Disse em meio a risadas
Nós passamos o resto daquele dia nos divertindo e assistindo a desenhos nostálgicos. Foi um dos melhores fins de semana da minha vida. Mas assim como a carruagem da Cinderella não durou por muito tempo e cá estamos em plena segunda feira. Mais um dia de aula com os trogloditas de WISO.
Como se já não bastasse ter que aturar a escola eu também tinha problemas em casa com a minha mãe que por sua vez estava mais brava do que nunca e como sempre descontava sua descontenção em mim. Eu juro que tento amar a minha mãe apesar de tudo mas ela nunca me ajudou nisso. Desde que eu era pequeno minha mãe sempre notou algo diferente em mim. Ela sempre soube da minha sexualidade mas sempre tentou renegar isso pra si mesma. Então ela desconta seu desgosto em mim diariamente. Quando eu era pequeno eu sempre dizia que queria ganhar uma Barbie de aniversário. Meu pai apesar de também religioso ainda não se importava com isso pois achava que era apenas eu não sabendo que aquilo era um brinquedo de menina enquanto a minha mãe ficava tão aborrecida que gritava comigo dizendo que eu deveria pedir carros e bicicletas ao invés de coisas de mariconas. Eu não entendia uma palavra do que ela dizia. Mas tudo que eu sabia era que eu queria uma boneca. Então eu resolvi contar isso a Natalie e no meu aniversário de 12 anos ela me presenteou com a minha primeira (e última) boneca Barbie. Ela era linda e provavelmente a coisa mais legal que já tive o prazer de ganhar. Mas alguns dias depois a minha mãe entrou no meu quarto e me viu penteando o boneco daquela boneca. Um simples pedaço de plástico que não faria diferença nenhuma na minha vida mas que pra ela significava o meu passaporte pro inferno. Ela me fez observar enquanto ela colocava fogo na boneca e depois disso eu nunca mais abri a boca para pedir nada aos meus pais.
— Não quero que volte tarde. Temos igreja ás 15h. Portanto se tiver que faltar a alguma aula então falte. — Disse minha mãe enquanto eu me preparava para sair
— Eu não posso faltar aula para ir a igreja. Nós vamos todo domingo. Não tem necessidade alguma.
— Não tem necessidade? É Isso que tem pra me dizer? Ótimo. Não vá então. Quando seu pai chegar em casa e perguntar o porque você não nos acompanhou na igreja eu digo a ele que você preferiu vadiar por aí.
— Vadiar? Eu estou de castigo mãe. Mesmo que quisesse não iria estar vadiando por aí.
— Suma da minha frente antes que eu mesma resolva te punir seu abusado. — Gritou enquanto eu saia pela porta da frente
As vezes eu gostaria de saber como é ter o apoio de uma mãe que deveria ser a pessoa que mais ama você no mundo independente de qualquer coisa. Mas falta apenas um ano para eu completar 18 anos e me tornar independente. Eu não tenho muito dinheiro mas eu e a Nat pretendemos dividir as desespesas de um apartamento qualquer até encontramos algo melhor. O Importante é que eu devo estar finalmente livre.
— Ela não [...] bateu em você né? — Perguntou Natalie se sentando ao meu lado na classe
— Não. Mas ela ficou brava. Dessa vez eu realmente acreditei que ela iria fazer algo. — Respondi aflito
— Classe hoje nós teremos educação física conjunta com o time de basquete. Mas não se preocupem pois terá uma opção alternativa e os que não quiserem poderão jogar vôlei. — Disse a professora
— Ufa. — Suspirei enquanto levantamos e nos dirigimos a quadra
— Então os que quiserem jogar basquete fiquem do lado esquerdo e os que quiserem jogar vôlei para o lado direito por favor.
A Última coisa que eu queria fazer naquele momento era jogar basquete com aqueles idiotas e o Daniel. Eu estava realmente nervoso. Mas no lado do vôlei não havia nenhum outro garoto então eu não sabia o que fazer.
— Adam? — Disse a professora vindo em minha direção
— Sim?
— Nós estamos esperando. Só falta você a integrar um dos times.
— Ah eu [...]
— Eu aposto que ele quer jogar vôlei com as meninas. Vai que por acaso ele tem uma menstruação e nenhum de nós tem um tampão pra ele? — Zombou um dos garotos
— SILÊNCIO — A Professora gritou enquanto eu observava o Daniel parado sem nenhuma expressão
— Ah eu já entendi. Ele quer jogar basquete. Talvez assim ele consiga olhar pra neca do Daniel enquanto ele pula nesse short transparante. Você quer meu pinto Adam? Quer dar uma chupadinha? — Continuou o garoto enquanto eu corria até o banheiro e Natalie me seguia e mostrava o dedo do meio pros garotos ali rindo
— Adam você tá bem? Eu não posso ficar muito tempo no banheiro masculino.
— Ele tava lá Nat. O Adam. Ele olhou pra mim enquanto aquele garoto nojento zombava da minha cara e não fez nada. Nem como um amigo.
— Eu [...] não sei o que dizer. Eu sinto muito Ad. Aquele cara é um babaca. E O Daniel também. Mas se servir de consolo ele não estava rindo com os outros. — Disse ela enquanto limpava as minhas lágrimas
— Eu sei. Eu só [...] esperava que ele fosse diferente. Certamente eu estava enganado.
Eu pedi a diretora que me liberasse mais cedo e menti dizendo que estava com uma horrível dor de barriga mas pelo menos consegui chegar a tempo de ir na igreja e fiz com que a minha mãe sussegasse por enquanto.
— Por que está com essa cara Elise? Parece que alguém morreu. — Perguntei observando Elise um pouco triste na sala de jantar
— Graças a deus não mas foi algo bem ruim. A Mãe do Daniel sofreu um acidente de carro depois de uma briga com o pai dele.
— Um acidente? Como ela está agora?
— Ela tá no hospital Santa Marta e o Daniel acabou de me ligar de lá.
— Eu preciso ir lá.
— Você a conhece?
— Nós nos conhecemos naquele jogo há algumas semanas.
— Não pode ir lá Adam. Estamos de castigo. Lembra?
— Por algumas pessoas vale a pena cometer riscos. Tente enrolar a mamãe por favor. Mas se não der certo deixe que eu resolvo quando voltar. — Disse pegando a minha bicicleta e indo em direção ao hospital que ficava não muito longe dali
— Pois não? — Perguntou a mulher da recepção
— Eu estou aqui para fazer uma visita a senhora Rose Collins.
— Você é da família?
— Ah não. Eu sou um amigo.
— Sinto muito mas só familiares.
— Eu quis dizer que é como se fossemos amigos. Porque eu sou filho dela. Meu nome é Daniel.
— Achei que já estivesse aqui com ela.
— Pois é. Eu estava mas sai pra tomar um ar e agora preciso voltar.
— Não precisa preencher nada então. Acho que sua ficha ainda tá aqui.
— Ok. Obrigado. — Disse meio aflito — Ah [...] qual é o quarto mesmo?
— 311 no terceiro andar.
Peguei o elevador o mais rápido que pude e bati na porta do quarto aguardando alguém.
— Adam? — Perguntou Daniel
— Sua mãe está bem? Eu precisava ver ela. Eu posso entrar?
— Eu vou perguntar a doutora. — Disse ele entrando novamente no quarto e voltando acompanhado por ela
— Você é da família? Porque se não for [...]
— Ele é. É Um primo nosso. — Disse Daniel interrompendo a mulher
— Nesse caso então você pode entrar mas tem apenas alguns minutos para fazer isso visto que a paciente já tem um acompanhante. E Terá que entrar sozinho.
— Eu fico de fora. Preciso ir beber água e resolver algumas coisas na recepção. Volto daqui a pouco. — Disse Adam
— Ok. — Disse entrando no quarto e me sentando ao lado da pobre mulher que estava bem sonolenta.
— Você está melhor Rose? Se lembra de mim?
— Você é o amigo do meu filho que estava no jogo de basquete? — Disse vagarmente
— Sou eu sim. Eu tive que vir assim que soube que a senhora havia sofrido um acidente.
— Eu estou me sentindo péssima. Tudo isso é culpa minha meu querido. Eu não tenho dado a atenção que o Daniel merece e esse foi o resultado. Tudo o que eu faço é trabalhar e hoje eu recebi uma ligação do pai dele dizendo que ele está do outro lado do mundo agora com a mulher com quem ele pretende se casar e não quer saber do nosso filho. Nós nunca nos demos muito bem mas tudo o que me preocupa é o bem estar do Daniel. Como ele vai reagir quando souber que o pai dele fugiu com outra mulher e eu preciso continuar viajando para sustentar a nossa família? Eu to um disastre. — Desabafou enquanto chorava
— Você não tem que se sentir assim. Você não deve sentir pena de si mesma. Deve sentir orgulho. Eu tenho orgulho de você. Da grande mulher batalhadora que você sempre foi sustentando e apoiando o seu filho mesmo quando as coisas pareciam tão difíceis. Você continuou naquilo que tanto lhe custa seu tempo e esforço porque o ama e isso vale mais do que tudo. Você é uma grande mãe e não deve gastar suas lágrimas com o idiota do seu marido. Ele não te merece e nem o Daniel. Vocês estão melhor sem ele. O Daniel está melhor sem ele. Ele só precisa de uma grande mãe como você ao seu lado.
— Senhor Adam eu lamento mas o seu tempo de visita acabou. — Disse a doutora entrando no quarto
— Ok. Eu já vou indo senhora Rose.
— Adam — Me chamou puxando o meu pulso
— Sim
— Obrigado por tudo. Você merece todo amor do mundo.
— O Sentimento é mútuo senhora.
— Me chame de Rose. — Riu
— Ok Rose. — Disse me despedindo e saindo do quarto
— Adam — Disse Daniel vindo em minha direção
— Olá
— Eu quero me desculpar pelo que aconteceu hoje de manhã na escola. Minha mãe havia acabado de me ligar chorando e eu estava com um péssimo pressentimento. Não queria ter deixado aqueles garotos te magoarem. — Disse meio triste
— Não tem problema. Não é culpa sua. Tá tudo bem.
— Não. Não tá tudo bem. — Ele disse se aproximando — Eu não suportaria ver alguém zombando de você dessa maneira e não fazer nada.
— Mas nós mal somos amigos.
— Adam — Disse segurando a minha mão — Eu não te convidei para aprender basquete porque eu quero me entrosar com o irmão da minha namorada. Eu te convidei porque eu estou apaixonado pelo irmão da minha namorada. — Se aproximou selando aquele diálogo com o meu primeiro beijo.
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