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2 Capítulo 02 - Verdejante
Acabei sendo levado ao distrito policial, me mantiveram sentado em uma sala com formato quadrado cercado por câmeras e um vidro fume escuro. Um dos investigadores estava a minha frente, cabelo castanho penteado para trás e barba bem feita, ele vestia um terno. Seus olhos castanhos me encaravam de certa forma. Mesmo incomodado com tudo aquilo, tentei manter a calma.
— Olá, eu sou Issac.
Ele estendeu sua mão enrugada para mim, aparentando ter pouco menos de 40 anos sua voz rouca era uma de suas características. Minhas mãos continuavam algemadas, levantei-as.
— Não acha que está exagerando com essas algemas?
Movendo sua mão direita ele tocou algo em seu bolso, as chaves das algemas. Ele encaixou-a na fechadura e soltou ambas as minhas mãos, abaixei-as lentamente demonstrado que não iria tentar nada, deixei ambas as mãos sobre minhas coxas.
— O que você estava fazendo naquele local?
— Nada demais, apenas um passeio. – Respondi.
[...]
Ele não tirava seus olhos de mim, era impossível desviar o olhar... Não tive escolha a não ser entrar em seu pequeno jogo, uma gota de suor desceu lentamente do lado direito de meu rosto, não importava, concentrei toda minha atenção em seus olhos, sem desviá-los.
— E mesmo assim foi até lá? Que corajoso... Então como explica o fato que você saiu de dentro daquela nave, ferido. Por sinal.
Minha mente estremeceu, eu não sabia como ia explicar isso... Engoli a saliva e dei a resposta mais estranha que poderia inventar. Coloquei ambos os cotovelos sobre a mesa e cobri meu rosto com minhas mãos.
— Algo me fez ir até lá... Eu não sei como explicar, foi como se alguém ou algo tivesse me atraindo... Quando me aproximei à porta se abriu... Depois disso, eu não lembro o que aconteceu, quando voltei a mim eu já estava do lado de fora com varias pessoas apontando armas para mim... Eu estava com medo... Tanto medo...
[...]
Mantive o silêncio.
— Você ainda não me disse seu nome.
— Oliver. Oliver Baker.
— Ligarei para seus pais virem te buscar, agradeço sua cooperação.
Isaac levantou-se e saiu da sala. Essa foi a saída que eu achei... Não me orgulho de ter mentido, mas... E melhor assim, não há como saber o que poderia acontecer se descobrissem quem eu realmente sou. Está frio. Esse maldito ar condicionado. Esfreguei meus braços tentando diminuir o frio. Alguns minutos se passaram, a porta da sala se abriu. Lentamente virei meu rosto naquela direção, meus pais entraram acompanhados de Isaac. Minha mão foi a primeira a aproximar-se de mim e cumprimentar-me.
— Olie, querido... O que aconteceu? Seu pai recebeu uma ligação é...
Levantei-me de forma brusca, a cadeira em que eu estava sentado caiu no chão. Abracei minha mãe fortemente e deitei minha cabeça sobre seus seios... O cheiro dela, o calor, isso e outros milhares de fatores me fizeram desabar... Não pude conter as lagrimas que guardei por tanto tempo, eu soluçava enquanto via minhas lagrimas descendo e molhando o seu casaco de lã.
— Desculpa... Desculpa... Eu não pude fazer nada... Eu sou inútil, desculpa...
Com uma expressão preocupada em seu rosto ela colocou a mão atrás de minha cabeça enquanto me segurava firmemente. Eu não queria solta-lá, não quero que aquilo se repita... Não, eu não vou permitir que isso aconteça mais uma vez... Eu... Definitivamente vou mudar o futuro.
— Querido... Eu não entendo por que está se desculpando, mas você é muito especial. – Ela limpou uma de minhas lagrimas com seu dedo – Por isso... Não se culpe, estamos aqui por você.
Assenti balançando minha cabeça.
— Filho, você está bem?
Meu pai tocou meu ombro, ele também estava preocupado comigo.
— Filho, você tá bem?
— Estou. – Respondi.
Enxuguei as lagrimas e tentei me recompor.
— Tem certeza? – Ele questionou.
— Estou bem... – Dei um sorriso.
Após isso eles me acompanharam até a enfermaria do local, a enfermeira aplicou um curativo sobre meu machucado que iria estancar de vez o sangue. O +Health só serve para amenizar a perda de sangue. Por isso é necessário tratar do ferimento definitivamente, se não a situação pioraria. Do lado de fora uma brisa fria passou pelo meu corpo, estávamos nos aproximando do inverno... Juntei minhas mãos e as aproximei de meus lábios, assim, soltando ar quente sobre elas. Esfreguei-as e coloquei-as em ambos os bolsos de minha calça.
— Olie, venha querido.
Meus pais se dirigiam até o estacionamento, minha mãe virou-se e chamou pelo meu nome enquanto acenava... Eu comecei a andar atrás deles a uma distancia pequena. Ambos de mãos dadas, seus dedos se entrelaçaram. Pensando bem, eu queria ter feito isso com a Lacie, digo, eu queria ter passado mais tempo com ela, e possivelmente feitou-a feliz... Eu quero encontrá-la... O mais rápido possível... Meu pai destrancou a porta do carro e sentou-se no assento do motorista, minha mãe no banco do passageiro, já eu, no banco de trás próximo da janela. Ela ligou o aquecedor e esfregou suas mãos, meu pai girou a chave e ligou o carro.
O motor do carro é completamente diferente do que eu estou acostumado a ouvir, e mais barulhento... Virei meu rosto para o lado e o apoiei sobre minha mão direita, enquanto o carro se movimentava pela pista de asfalto eu via diversos carros passarem pela faixa da direita, além disso, os prédios, as pessoas, as lojas... Tudo é tão normal aqui... Minha visão subitamente transformou-se em prédios destruídos, corpos sobre o chão sem uma gota de sangue, pálidos. Ainda olhando para o lado de fora, um imenso rio que subitamente secou, quando pisco meus olhos tudo volta ao normal.
Esse mundo atualmente é tão perfeito.
Aconcheguei-me no banco do carro e fechei meus olhos... Quando novamente os abri senti o carro parando, meu pai puxou o freio de mão e abriu a porta do quarto.
—Chegamos. – Disse minha mãe.
[...]
Espreguicei-me ligeiramente e abri a porta, sai do carro, de pé sobre a grama dei uma olhada em volta... Havia algumas crianças jogando em um campo de futebol improvisado feito de areia e canos para simbolizar as traves. Que nostálgico... Fechei a porta do carro e dei a volta, assim, ficando ao lado de meu pai.
— Pensando melhor... Você não estava em casa, Olie? Não vi você saindo... – Meu pai perguntou.
— Heim? – Perguntei sem saber o que ele queria dizer.
Que estranho... O que isso significa?!
— Ah, eu tive que comprar uma coisa. – Dei uma desculpa.
— Era pra aquela garota que você falou? Lacie, não é? – Minha mãe falou.
— Sim.
Espere... Se eu pensar bem nisso significa que eu vivia há dois anos à frente, ou seja, no futuro. Eu acabei parando aqui através de um buraco negro, dessa forma, esse não é o futuro/presente que eu vivenciei... Se meu pai disse que eu estava em casa isso pode significar que há outro eu nesse presente? Rangi os dentes.
— Olie, você pode me ajudar com essas sacolas?
Ela se aproximou de mim, em ambas as mãos sacolas que aparentavam estar pesadas, estendi minhas mãos e segurei as sacolas, subitamente meus joelhos se flexionaram... Que pesadas! Comecei a andar, meus braços pareciam que iam se soltar de meu corpo, após muito esforço consegui chegar a porta de casa. Meu pai acabava de abrir a porta de casa.
— Ah, pode deixar que eu levo daqui pra frente. – Ele disse.
— Você poderia ter feito isso desde o inicio. – Pensei.
Ele pegou as sacolas e caminhou para dentro de casa, o local era extremamente limpo e aconchegante, acelerei meus passos e subi as escadas de madeira que ficavam na lateral, pelas minhas lembranças meu quarto fica no final do corredor. Sem chance de errar. Dei alguns passos até que avistei uma placa na porta “Não incomode, estou ocupado” e abaixo dessas palavras o símbolo de uma pessoa jogando, parei de frente a porta, ansioso de certa forma... Agarrei o trinco de ferro e bruscamente abri a porta, imediatamente nossos olhos se encontraram um castanho-claro que lentamente se aproximava de um castanho-escuro... Um headset sobre seus ouvidos para abafar o som vindo de fora, o silêncio antigamente para mim era algo importante, mas... Hoje em dia é apenas uma ferida. Ambas suas pernas estavam juntas e sobre o assento da cadeira, cabelo bagunçado. Camiseta branca de mangas longas, calças de moletom e descalço. Era exatamente eu, há dois anos, anti-social... E completamente viciado em jogos que exigem alto tempo de raciocínio... Bem isso não mudou tanto... Uma expressão atônita se formou em seu rosto, assim como no meu. Ele retirou o seu fone de ouvido sem desviar o olhar de mim, e tentou deixá-lo sobre a mesa de vidro e ferro, mas acabou soltando-o no chão sem querer.
[...]
— Você e mesmo eu? – Ele perguntou com sua sobrancelha esquerda levantada.
Pressionei meus lábios e afirmei usando minha cabeça, ele por sua vez coçou sua cabeça e levantou-se.
— Não consigo acreditar...
— Eu também não... – Assenti.
[...]
— Eu acabo de zerar Dark Souls 3 sem morrer, nisso sim eu acredito, mas em você?
Bati palmas lentamente.
— Parabéns, gênio. Já zerei o 4 sem morrer. – Cessei minhas palmas.
— Nem lançou ainda... – Ele disse. – Enfim, se você e mesmo eu, me faça acreditar!
Inclinei minha cabeça para o lado.
— Como? – Perguntei.
— Diga-me algo que somente nós sabemos.
[...]
— Tá... Vou pensar em algo...
— Anda logo.
— Tá... Tá... Só... Não vá me odiar por causa do que eu vou dizer agora... Esse é um segredo supremo, um que você levaria para o seu tumulo, e mesmo assim se certificaria de ninguém descobrir. – Expliquei.
— Que medo. E o que seria isso?
— Você já bateu uma pensando na Lacie Campbell. – Falei sem hesitar enquanto apontava para ele.
Quando proferi tais palavras seus olhos me olharam de forma assustada, inconscientemente, ele deu alguns passos para trás com suas mãos ambas no rosto. Sua pele ficou albina, logo vermelha como um tomate, por fim, voltou ao normal. Um verdadeiro camaleão, não sabia que eu fazia isso.
— Como você sabe disso?! Eu jamais contei pra ninguém!
Ele me balançava de um lado para o outro enquanto segurava minha camisa, dei uma breve risada e logo respondi.
— E como eu disse gênio. Eu sou você! – Empurrei-o de leve.
Assim como eu ele deu uma breve risada e sentou-se em sua poltrona, sem forças alguma em seu corpo, parecia que sua alma iria sair.
— Acabou... Hahaha... Meu maior segredo... Descoberto... Há... Haha... Ha...
Revirei os olhos.
— Na verdade ele ainda está a salvo, pense, eu não contei a ninguém além de... Eu mesmo? – tentei aliviar a situação.
[...]
— De fato... – Ele disse – Vai me explicar como isso aconteceu?
Dei uma olhada em volta, além de o meu outro eu estar quase que deitado sobre a poltrona havia um estande de livros, alguns deles no chão. Cama desarrumada e um estande cheio de jogos de PS4, claro que a maioria deles já havia sido zerados pelo meu eu. Dei alguns passos em linha reta e sentei-me na cama de forma relaxada e com ambas as mãos para trás. Ele girou a poltrona e ficou olhando em minha direção, apoiando suas duas mãos sobre o assento da cadeira ele esperava eu contar a história atentamente.
Suspirei.
— Tá bom...
Expliquei apenas como cheguei aqui, por hora, nada relativo ao futuro da terra. Apenas senti que não deveria contar ainda.
— E isso. – Conclui.
— Nunca imaginei que seria preso algum dia. – Ele negou com a cabeça enquanto falava de forma seria.
— Eu também não. – Deitei-me sobre a cama com ambas as mãos por trás da cabeça.
— Então... O que vai acontecer de agora em diante? Se você contar essa história vão achar que somos gêmeos. – Ele disse com tamanho sarcasmo.
[...]
— Vou pensar em algo... – Respondi. – Por hora quero que faça algo para mim, pesquise sobre Simbiose.
— Sim... Se eu ficar entediado posso fazer algo a respeito, a propósito, por que Simbiose?
— Por que será o tema da feira de ciências desse ano. – Respondi.
— Ah... – Ele coçou a cabeça.
Isso foi uma mentira. O que destruiu o mundo foi a Simbiose, essa célula se espalha por tudo aquilo que é vivo e destrói em questão de minutos, destruindo suas células e levando-as a morte... Mesmo isolando certas áreas era difícil sobreviver a aquilo, tive sorte... Mas ainda sim, do que adianta ter sorte se você ficar só? Era melhor apenas que tudo acabasse naquele momento... Inclinei meu corpo e olhei para meu outro eu.
— Ei, você sabe onde a Lacie está?
— Sim, eu sei.
— Onde?
[...]
Ele parou de digitar e virou-se para mim.
— Por que você quer saber?
— Preciso vê-la. – Respondi olhando em seus olhos.
— Não deveria estar preocupado em voltar em vez de estar atrás de uma garota?
— Eu não tenho nenhuma pista, não sei por onde começar... Mas tenho certeza que esse é o primeiro passo.
[...]
— Entendo... Então isso significa que você é meu rival.
— Rival? – Questionei.
— Sim, você e eu somos iguais. Temos os mesmo sentimentos e gostamos da mesma pessoa, imediatamente isso nos considera rivais.
Dei um breve sorriso.
— Praça Remton, fica ao norte daqui. Há placas por todo o lugar apontando para lá, não há erro. Vou deixar você fazer a primeira jogada. – Ele disse.
— Então devo aceitar. – Sorri brevemente.
— Há algumas roupas ali, vista algumas.
Ele apontou em direção a um guarda-roupa de madeira, aproxime-me dele e imediatamente abri as portas, uma camisa preta e calça jeans escura, peguei-as e me vesti.
— Não tinha outro lugar para você fazer isso? – Ele disse.
— Que diferença faz?
[...]
Eu ainda estava descalço, sentei-me na cama e usando minha mão direita retirei um par de sapatos que estavam ali embaixo.
— Vou pegar isso emprestado.
— Claro. – Ele disse.
Os sapatos de cor prata e preto ficaram um pouco apertados em meus pés, mesmo assim era melhor do que ir descalço... Ainda sentado balancei meu pulso fazendo a tela holográfica aparecer, “Sem conexão com a Infra” fechei o aviso que se mostrava a minha frente, comecei a pesquisar a rede local.
— Qual a rede daqui? – Perguntei.
— Intelercia.
— Ok...
Movi meus dedos rapidamente sobre a tela, quando achei a rede toquei com meu dedo sobre a opção agora a tela exibia uma mensagem pedindo uma senha, que novidade...
Revirei os olhos.
Meu outro eu estava tão concentrado jogando que mal percebeu que eu necessitava da senha... Bem, sem problemas... Estendi minha mão e agarrei a janela que exibia aquela mensagem, assim, quebrei-a em milhares de pedaços similares a vidro que lentamente desapareceram no ar. Eu agora tinha acesso à rede.
— Ah, a senha é –
— Não precisa. – Interrompi – Esqueceu que estou dois anos a sua frente? – Levantei-me.
Ele deu um breve sorriso e continuou a jogar.
— Merda, morri de novo! – Ele disse.
Caminhei até a porta do quarto e a abri.
— Novato. – Respondi.
Quando disse isso eu sai do quarto e tranquei a porta, desci as escadas rapidamente, meu pai estava assistindo TV enquanto minha mãe terminava de lavar os pratos da cozinha... Assim que ela me viu chamou pelo meu nome.
— Olie!
— O que? – Parei próximo da quina.
— Está com fome?
— Eu vou precisar sair novamente, na volta eu como algo.
— Tome cuidado. – Meu pai disse enquanto folheava o jornal.
Concordei usando a cabeça, logo virei-me para trás e sai de casa. Enquanto eu ia correndo para o local onde a Lacie estava eu balancei meu punho fazendo a tela se manifestar, apertei em uma engrenagem no lado superior direito da tela e a fiz ficar no modo “Privado”, ou seja, só eu posso vê-la. A vizinhança era movimentada, alegre e satisfeita com as boas condições de vida, percebi esses pequenos detalhes enquanto corria. Aqui e tão diferente do que eu estou acostumado, o ar e tão bom de respirar... Mas... Eu já estou cansado... Ofegante eu segurei inclinei meu corpo e segurei meus joelhos, o suor descia de meu rosto e pingava no chão.
— Arf... Hah... Haaahh...
Rangi os dentes e continuei a correr constantemente, meu corpo parecia mais pesado que o normal... Quando percebi já havia chegado ao centro da cidade, conferi a tela holográfica mais uma vez, o meu objetivo estava a 30 metros dali, do outro lado da rua. O sinal estava fechado e os carros aguardavam, vi uma pessoa sentada próxima de uma arvore que deixava pétalas caírem eu ainda tinha duvidas se poderia ser ela... Quando coloquei meu pé sobre a faixa de pedestres o sinal abriu, recuei. Eu não conseguia me manter calmo, minha pulsação começou a aumentar, eu desejava que aqueles carros parassem de se mover... Saiam do caminho...
[...]
Quando o sinal fechou, eu imediatamente corri pela faixa e atravessei a rua, ainda correndo parei próximo a pessoa... Limpei o suor de meu rosto e foi ai que eu encontrei... Cabelo loiro-claro que parecia até ouro aos meus olhos, uma fita azul de seda amarrava seu rabo de cavalo. Ela moveu sua pequena mão e prendeu seu cabelo por trás da orelha, engoli a saliva sem palavras, sua beleza era algo imensurável. Seus olhos verdejantes pareciam que carregavam a vida de todo o universo, era algo lindo de se olhar. Seus lábios eram rosados e pequenos, pele branca parecida com a neve. O vestido azul e branco que ela usava dançava com o vento que passava por ali assim como cada fio de seu cabelo. As sapatilhas em seus pés pareciam incomodá-la, ela moveu seu pé direito e retirou a do pé esquerdo, vice-versa. Ela segurava o livro com sua mão direita e lia com intensidade, eu queria ser aquele livro, assim, estaria sendo olhado ou lido por aqueles belos olhos... Ela lentamente virou-se em minha direção sem saber que eu estava ali, mas quando percebeu nossos olharem se encontraram, subitamente, senti meu coração palpitar. Coloquei minha mão direita sobre meu peito e agarrei minha camisa, minha cara deveria estar um tomate nesse momento... Desviei o olhar... Ela olhou novamente para o livro que segurava em sua mão direita.
— “Aprenda que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, devemos fazer tudo ao nosso alcance para aproveitar essa curta e perfeita coisa chamada vida”.
Suas palavras me fizeram dar um passo atrás, mesmo sabendo que ela ainda estava lendo. Nossos olhares se encontraram mais uma vez, os olhos dela me olhavam com tamanho apreço, quando eu olhava de volta minhas palavras desapareciam... Eu não conseguia mais desviar meu olhar... O que é isso? Esse sentimento...
[...]
— La... Ci... E
Eu sussurrei em um tom que ninguém poderia ouvir... Ela fechou seu livro e o deixou sobre a mesa, não consegui ver o titulo, mas quem se importa? Nesse momento tudo que quero e continuar olhando-a...
— O que houve? Você está bem...? – Ela disse com uma voz aveludada.
Balancei minha cabeça e voltei a mim, abri meus lábios, as palavras não saiam... Algo dentro de mim me fez entender minha mão, toquei um conjunto de fios de seu cabelo com receio, minhas mãos transpiravam um pouco... O que eu estou fazendo? Eu mal falei com ela e ainda assim... Retirei minha mão lentamente, sem querer toquei a parte de cima de sua bochecha.
— Estão frias... – Ela disse.
Antes que eu pudesse colocar minha mão no bolso na tentativa de aquecê-las, Lacie segurou minha mão senti um forte calor emanando de sua pequena mão.
— Há quanto tempo... Lacie...
Ela abriu um pequeno sorriso em seu rosto.
— A ultima aula foi há duas horas apenas, não foi um longo período de tempo.
— Tem razão... – Concordei.
— Engraçado... Você nunca falou comigo na sala de aula, mas aqui você fala... Mesmo que seja pouco.
— Desculpa... Eu tenho um pouco de dificuldade com isso.
Ela deu uma breve risada.
— Não precisa se desculpar, afinal, esse é seu jeito... Eu entendo.
Essas palavras badalaram meu coração. Ela segurou minha mão e colocou entre nossos corpos, como um aperto de mão.
— Ainda não nos apresentamos direito não é? – Ela disse.
— Sim...
— Então... Eu sou Lacie Campbell, tenho 17, mas faço 18 esse ano. – Ela segurou firme minha mão.
Fiz o mesmo.
— Eu sou Oliver Baker, pode me chamar de Olie. Também faço 18 nesse ano.
— Serio?! Qual dia?
Ela juntou suas mãos, eu lamentei por isso, mas optei por colocar minhas mãos nos bolsos, seus olhos verdes demonstravam uma curiosidade imensa, impotente eu respondi.
— 4 de Fevereiro.
— O meu e no dia 8, não é tão distante assim. – Ela disse pensativa.
— De fato. Quem sabe podemos comemorar juntos.
— Quem sabe... – Ela disse.
O celular dela que estava sobre a mesa começou a vibrar, ela olhou para o celular e viu um nome. Com o celular em mãos ela o guardou em sua bolsa que estava ao lado da cadeira e levantou-se.
— Me desculpa preciso ir... A gente se vê amanha. – Ela acenou enquanto andava rápido.
— Tá...
Fiquei ali de pé observando Lacie seguir seu caminho, meu coração ainda estava um pouco acelerado, meu sangue estava quente. Sentei-me na cadeira que ela estava antes e tentei relaxar um pouco.
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