Fade
4 Machucados
Aos poucos seus olhos se abrem, sendo agraciada com uma luz que a cega em primeiro instante, fazendo-a gemer baixinho.
—Filha? Céus, você acordou! –a voz de sua mãe soa ao seu lado, e o rosto de uma mulher preocupada surge em sua visão, que finalmente estava se ajustando ao local totalmente branco.
—Mãe? O que aconteceu? Onde estou?
—Sua professora me ligou, disse que você estava sangrando e desmaiou. O que aconteceu filha? Como está se sentindo? –sua mãe coloca a mão em sua testa e depois a passando em sua bochecha, fazendo um carinho.
—Eu… Estava no pátio, deu um barulhão… Acho que uma janela estourou, só senti o vidro me cortando. Não lembro mais nada, como cheguei aqui? –Haku a olha.
—Sua professora chamou uma ambulância e rapidamente te levaram aqui pro hospital. Como que uma janela quebra desse jeito? Não conseguiu ver se alguém fez isso?
A pergunta a faz lembrar de ver uma criatura na janela, sorrindo para ela, mas aquilo devia ter sido imaginação dela, não existem monstros.
—Não, não vi ninguém.
—Se lembrar de algo, me avise, está bem? Quem fez isso não pode ficar impune. –sua mãe a abraça e a porta é aberta, o médico entrando segurando uma prancheta.
—Finalmente acordou! Como está se sentindo? –ele sorri ao ver a paciente.
—Como se um caminhão tivesse me atropelado. –o comentário de Haku o faz rir.
—Bem, é de se esperar, além de fraqueza, você perdeu uma quantidade considerável de sangue. Alguma outra coisa além disso?
—Não.
O médico chega perto dela, puxa uma lanterninha do bolso e acende na frente de seu rosto, passando de um olho a outro, fazendo sons de aprovação.
—Certo, vou pedir uma comida para você, depois que comer, vamos testar como está para andar, se estiver tudo ok, poderá voltar para casa. –e com isso o médico sai do quarto.
—Acha que pode ir para casa? Se ainda estiver com dor, podemos ficar. –sua mãe a encara com uma cara preocupada.
—N-não precisa, eu estou bem. –Haku segura a mão de sua mãe –Estou melhor mãe, sério.
—Que bom filha. Vou avisar seu pai que está melhor, ele ficou trancado no trabalho infelizmente. –Haku concorda com a cabeça e sua mãe sai do quarto, deixando-a sozinha.
Com um suspiro, Haku se recosta na cabeceira da cama, ainda pensando no que tinha visto quando a janela quebrou, além do estranho sonho com a noiva morta viva.
Com certeza foi imaginação dela.
Finalmente liberada do hospital, ela e sua mãe caminham pela rua.
—Tem certeza que está bem mesmo pra caminhar? –sua mãe pergunta pela décima vez.
—Sim mãe, eu estou ótima. Não foi tão sério assim os machucados. –ela revira os olhos.
—Só estou preocupada com seu bem-estar.
—Eu sei. –sua mãe para em frente a um mercadinho.
—Preciso comprar algumas coisas para a janta, pode esperar aqui?
—Claro.
Sua mãe adentra o mercado e Haku avista um banquinho, indo se sentar.
Sentada, encara a rua, vendo que estava deserta no momento, o que era estranho, pois geralmente era bem movimentado.
Um movimento chama sua atenção, e vê um rato a encarando.
—Desde quando tem ratos nessa cidade? Nunca ouvi falar… –ela murmura para si mesma, se preparando para se levantar e sair dali.
Até que o rato guincha.
Haku paralisa no lugar, assustada pelo som que o pequeno rato emitiu, até que ele emite outro som, completamente diferente do anterior.
Era um som semelhante a ossos quebrando.
Ela faz questão de se levantar, porém seu olho começa a doer, fazendo-a levar a mão ao mesmo e parar por um momento. Vendo essa brecha o rato pula encima dela, seu tamanho dobrando, jogando-a no chão e a segurando enquanto emitia guinchos guturais.
Aquilo não podia estar acontecendo, mas a dor dizia que era real.
O rato prepara a mandíbula, ia atacar seu pescoço, Haku fecha os olhos, sabendo que não tinha como se defender.
E peso encima de si é retirado enquanto ouve os guinchos da criatura, até que o silêncio paira.
Devagar, abre os olhos e se senta, vendo quem a havia salvado.
—Está bem princesa? –um adolescente aparentando ter a mesma idade que ela pergunta, porém havia algo nele que a deixa apreensiva.
—E-estou… Obrigada. –ela se levanta, ainda sentindo dor no olho e levando a mão a ele.
—A marca está lhe causando dor? Não deveria ter esse tipo de sequela.
—Marca? Do que está falando? –ela o encara, ele a olhava fixamente –Q-quem é você?
—Meu mestre me deu o nome de Teru. –ela dá um passo para trás, preparada para correr a qualquer momento, o rosto inexpressivo dele a deixava arrepiada de medo –Não adianta correr, a marca me diz onde você está, além de que sua maldição também me faz achá-la.
—M-maldição?
—Você é a princesa amaldiçoada, é um ímã para monstros como aquele rato lhe atacarem e ser devorada, por isso meu mestre lhe marcou, criando uma proteção e um meio de alertar quando você estiver em perigo. –ele dá um passo para frente, a fazendo recuar, porém ela encosta no banco, não havia como correr para trás.
—O que você quer dizer com isso? –ela sussurra, o medo soando em sua voz.
—Pronto! Consegui tudo que precisamos para a janta! –a mãe de Haku surge na porta do mercado, olhando para os lados até que vê Haku, que ao ouvir sua voz, olha para a mãe – Tudo certo filha?
—Eu… –ela olha para frente, aquele cara chamado Teru havia sumido, nem parecia que segundos atrás estava na sua frente. Haku engole em seco e força um sorriso –Tudo certo, só estou com fome.
—Então vamos logo. Os remédios também devem estar no final do efeito, então vamos chegar antes que comece a ter dor.
—Claro. –ela segura o braço de sua mãe e as duas começam a caminhar, com Haku olhando para trás, nenhum sinal do adolescente perturbador ou do rato.
Aquilo não poderia ter sido imaginação dela, certo?
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