Notas iniciais
Ei pessoal, sei que demorei ,mas teve umas coisas que ocorreram, bem espero que gostem.

Parte2 --- Hetal

Acordei bem cedo, mais cedo que o normal, estava meio inquieta, passei a noite baixando episódios de uma serie antiga muito legal. Na minha casa moram, além de mim, minha mãe e minha tia, hoje é sábado, finalmente, comecei esse ano em uma nova escola, acho que já fiz novas amizades, seus nomes são Alex e Lily, eles são legais e o melhor de tudo é que eles não me julgam pela aparência, toda vez que entro em uma escola diferente as pessoas começam a querer se aproximar de mim pela minha aparência sempre têm um cara ridículo que vive dando em cima de mim, e claro nessa escola não podia ser diferente, seu nome é Tyler, vive sozinho bate nos garotos, rouba dinheiro do lanche deles, é o típico valentão solitário, olhos verdes, cabelos espetados, usa gel provavelmente, ele é bem forte ,digamos que ele deve malhar ou fazer algum esporte, provavelmente pais separados, um deles deve ser alcoólatra, seu boletim é impecável todas as notas são 10, deve chantagear alguém para passar cola.
Hoje vou levar o Alex na casa do Yuri, minha mãe é amiga da mãe do Yuri, geralmente hoje seria só um final de semana comum onde amigos se reúnem; já como o aniversário de mãe dele foi essa semana vão aproveitar e comemorar hoje. Nos últimos cinco anos Yuri não falou mais comigo, nós éramos muito amigos, não sei porque agora ele não fala mais comigo, quero saber o que há por trás de tudo isso, esse foi um dos motivos de ter chamado ele para ir hoje comigo . O dia começa com o café da manhã, tinha colocado meu pão no grill e minha mãe pergunta:

–Filha, como foi o seu primeiro dia de aula ontem? Fez novos amigos? –Minha mãe é empresaria e sempre está fora de casa, na maioria dos dias nós só nos vemos quando ela me lava para a escola.

–Sim mãe, falando nisso um deles pode ir conosco ao jantar na casa da Dandara? –Dandara é o nome da mãe do Yuri, parei com o habito de chamar qualquer um de tio ou tia.

–Pode, afinal qual é o nome dela?

–Alex mãe, e ele é um garoto. –Odeio esse tipo de pensamento, porque alguém acha que só porque uma garota vai trazer alguém em casa esse alguém tem de ser outra garota.

–Um namorado? –Minha entra na cozinha com cara de sono.

–Ainda bem que não? –Não quero me precipitar com essas coisas, tenho de me casar com a pessoa certa, tudo em uma só tentativa sem erros, se há uma coisa que eu vejo muito nas series que assisto são pessoas se dando mal por conta de paixões à primeira vista.

–Por que não filha? É tão bom namorar.

–Espero a pessoa certa, não quero cometer erros em relação ao amor. –Fui para meu quarto no andar de cima, coloquei minhas lentes roxas e fui me encontrar com Alex.

Não moro em uma cidade grande, o shopping também não é lá grande coisa, não passa de um prédio com dois andares, a cidade toda foi construída ao redor de uma avenida, e é só essa que ela tem. Tinha combinado de encontrar Alex na cafeteria perto do centro, podemos dizer que ela é o estabelecimento alimentício mais famoso da cidade. Peço chocolate gelado, ao contrário do que muitos acham, não, isso não é Nescau feito com leite gelado, e uma torta de creme.
Alex está atrasado, já se passaram meia hora desde o horário combinado, acho que vamos nos atrasar para ver o filme.

–Olha quem está aqui, se não é a garota metida da escola. –Ah não, tantas as possibilidades para acontecer nesse momento, tinha de me encontrar com Tyler.

–Olha quem fala. –Ele puxa uma cadeira e senta apoiando-se sobre a mesa.

–O que foi garota, porque não fala direito comigo?

–Como se você não soubesse, odeio pessoas como você. –Ridículo ele, provavelmente já deve ter pego alguma DST ou algo do tipo.

–E como seriam essas pessoas exatamente?

–Como se você não soubesse, mal lhe conheço e já não queria você na minha vida, vocês que só ligam para aparência, não querem nada na vida, que só intimidam os outros para se sentir melhor.

–Você me conhece mesmo garota. –Ele está sendo sarcástico ou é impressão minha, mas deixa pra lá, acabo de avistar Alex, super atrasado mas acho que dá para pegar uma seção a tempo de ir para o jantar na casa da Dandara.

–Agora, se me der licença. –Estou saindo da cafeteria quando a mulher que estava no caixa me chama dizendo que eu não paguei a conta, olho para trás e o Tyler estava gargalhando de mim.

Alex e eu fomos para o cinema, não era muita coisa tinham só quatro salas. Fomos assistir um filme de terror, aliais um dos meus gêneros prediletos, saímos da sala e Alex comentando das minhas lentes, depois falei do incidente na cafeteria.

–Serio mesmo que isso aconteceu.

–Não é, morri de vergonha na hora.

–Mas quem era o garoto que estava rindo mesmo de você?

–Não importa. Tenho de ir no banheiro, me espera aqui? –Ele fez sinal com a cabeça e eu entrei no banheiro.

O lugar era até que limpo, melhor do que o da escola, não estava vazio, tinha uma porta fechada. Estava limpando minhas mãos quando ouço um rangido, estava quase desmaiando de medo, tinha acabado de assistir um filme de terror. O barulho vinha de trás das cabines, andei até lá, dei uma olhada, não havia nada que aparentava ter feito aquele rangido. A torneira começa a pingar, era estranho tinha certeza que tinha fechado a torneira, essa situação está ficando um tanto assustadora, fechei a torneira e segui ruma a porta, antes de sair sinto meus sapatos molhados, o barulho da torneira volta e rapidamente fica intenso, as torneiras jorravam uma agua avermelhada e da cabine que estava fechada também, não penso duas vezes saio correndo do banheiro. Alex estava me esperando do lado de fora, antes de saber se deveria contar para ele, tomei coragem e abri novamente a porta do banheiro, estava tudo normal, mas o que foi isso, não sei dizer se foi só uma peça pregada pela minha cabeça ou se foi verdade. Optei por não contar, afinal iam achar que estava ficando louca.
Alex e eu voltamos para casa e fomos nos arrumar para o jantar. A casa de Yuri era grande, era uma das mais antigas da cidade. A casa estava toda decorada com luzes e fitas douradas com panos brancos enrolando colunas e arvores, via pessoas bem vestidas sentadas nas mesas espalhadas pelo jardim, luzes pareciam flutuar nas arvores e uma cortina de lâmpadas de natal caía do telhado, o que mais me impressionou foram os guarda-chuvas que flutuavam sobre o local, sei que eram sustentados por fios de Nylon, mas estavam tão bem feitos que teria de ficar meia hora olhando para encontra-los. Sentamos na mesa que ficava em baixo de um pinheiro, tinham umas cinquenta pessoas na festa, conseguia ver Dandara e alguns rostos conhecidos, mas nenhum deles era Yuri. Dandara foi nos receber, ela estava linda e parecia estar realmente feliz, não que isso fosse raro é que quando estou próxima a ela consigo ver que sua felicidade é só superficial, e consigo entender o porquê, ela era casada com um tal de Júlio, tinham acabado de se mudar quando quiseram ter um filho, Júlio era de acordo com minha mãe uma pessoa de boa índole, adorava ajudar e estava sempre junto com sua esposa, Júlio estava viajando quando o bebê nasceu, Dandara queria fazer um surpresa ao marido e omitiu durante um mês que o bebê tinha nascido, ainda bem que ele nasceu de sete meses, quando Júlio chegou de viajem não aceitava que o filho era dele, Dandara não conseguia reconhecer o marido ele não parecia ter razão, Júlio saiu de casa gritando com a esposa e alegando que nunca mais voltaria, no dia seguinte ela recebeu a notícia de que o carro de Júlio havia caído da serra.
Perguntei onde estava Yuri, a última vez que ela tinha o avistado foi no jardim de inverno, chamei Alex e seguimos até lá. Eles ainda têm coragem de chamar isso de jardim de inverno, o terceiro e último andar da casa é a céu aberto, têm uma piscina aquecida, um jardim suspenso, fontes e vasos de planta. Alex estava sentado sob o jardim suspenso, ele mexia nas folhas que caiam sobre ele, era agora que ia descobrir toda a verdade, fiz sinal para Alex que não fazia ideia do que estava fazendo, Alex é muito relapso, puxei ele com um beliscão, o garoto só faltava chora, apontei para Yuri e fiz um gesto para que fosse até lá. Fiquei observando a conversa de trás de um pilar.

–Finalmente te encontrei. –Alex se aproxima de Yuri colocando a mão em suas costas.

–Então é você, já não disse para ficar longe. –Yuri se levanta ficando frente a frente com Alex.

–Acho que não sou um bom ouvinte. –Ele coloca as mãos atrás das cabeças.

–Que se dane, vou embora.

–Mas...

–Mas o que, você nem me conhece, é só mais um infeliz que não faz nada na vida e fica querendo se intrometer na dos outros.

Alex parou, como assim, aquelas palavras nem foram tão pesadas, ai Alex o que deu em você. Yuri estava indo embora, tinha de fazer alguma coisa, mas o que? Sem pensar pulei em cima dele fazendo nós dois cairmos.

–Você também, o que deu nas pessoas hoje? –Seguro Yuri pelos braços impedindo-o de levantar, ano passado fiz umas aulas de caratê.

–Você não vai sair daqui até nos responder umas perguntas.

–Ah, que perguntas vocês querem que eu responda? –Sinalizo para Alex perguntar, mas ele continuava parado, vou ter de fazer a pergunta eu mesma, mas o que era para perguntar mesmo? –Oi, eu estou esperando, tenho uma noite longa pela frente.

–Calma. –Já sei o que perguntar. –Porque você não fala com ninguém?

–Porque odeio as pessoas, pensei que isso estivesse obvio. –Ele está mentindo, sei quando ele mente.

–Mentira.

–Acredite no que quiser. –Ele está começando a me irritar.

–Se isso por acaso for verdade, porque você as odeia. –Não adianta, ele não vai conseguir escapar dessa sem me contar a verdade.

–Porque pessoas são erros da natureza, são arrogantes, ambiciosas, resumindo ridículas.

–Nem todas as pessoas são assim.

–Creio que sua opinião esteja errada. –Mas quem é ele, não parece nem um pouco com o Yuri que eu conhecia. –Agora pode me soltar.

–Ainda não, só mais uma pergunta, porque você não fala mais comigo? –Vamos terminar logo com isso.

–Hetal. –Ele falou meu nome, então ele se lembra de mim. – Eu descobri quem você é de verdade, não passa de uma hipócrita, vive dizendo que odeia que as pessoas julguem os outros antes de conhecê-las, mas você faz o mesmo, é ridícula, nunca dá chances para os outros e o pior nem se dá conta de que faz isso. –Essas palavras, acho que estou sentindo a mesma coisa que Alex, não foram palavras que me deixaram triste, mas sim pensativa, como ele consegue fazer isso.

–Agora se me der licença. –Ele me tira de cima e vai para seu quarto. Não consigo acreditar nas palavras que ele disse, mesmo ele parecendo tão seguro.

Alex e eu passamos o resto da noite conversando sobre o que aconteceu, não chegamos à conclusão nenhuma. Não consegui dormir direito pensando em Yuri, e criando hipótese, uma mais louca que a outra, cheguei até a pensar que ele foi levado embora do planeta e foi substituído por um aliem. Meu domingo foi tedioso, não tinha nada para fazer e justamente por não ter nada para fazer que eu voltei a pensar em Yuri e quando conseguia esquecê-lo vinha em minha mente as terríveis memorias do banheiro. Chegou segunda, não estava nem um pouco animada para ir para aula, mas não podia faltar, isso mancha o currículo, estava sem a mínima vontade de falar com ninguém, meus amigos até tentaram conversar comigo mas hesitei, preferi ficar sozinha até o dia acabar. Na aula vi Lily mostrar um livro para Alex antes deles saírem de sala, bem por conversarem durante a aula e no intervalo decidi ver qual livro era, ver se isso me distraia um pouco pois adoro ler, peguei o livro da carteira, parecia bem velho, o título me chamou atenção “Fadas”, comecei a folhear com cuidado, parecia um manual de classificação das fadas, seus poderes e onde habitavam, tudo escrito a mão, até que uma página me chamou atenção o banheiro que estava desenhado era exatamente igual ao do incidente, a mesma porta estava fechada e até tinha uma pessoa la dentro com os mesmos sapatos o intervalo estava acabando e queria terminar de ler o livro, sei que isso é errado mas coloquei o livro dentro da minha bolsa.
A aula acabou e eu fui correndo para casa antes que Alex e Lily notassem falta do livro. Chegando em casa corri para meu quarto e tirei o livro da bolsa e comecei a lê-lo, aos poucos fui vendo o que pareciam explicações para o incidente no banheiro, a agua mudou de cor para se assemelhar a sangue, fadas da agua fizeram com que a torneira se abrisse, para tudo que tinha ocorrido comigo o livro tinha uma resposta, me animei e fiquei lendo a tarde, cheguei em que chamou minha atenção, na parte de rituais tinha um para que pessoas não mentissem para você, essa seria a solução para Yuri, peguei um giz e fiz um círculo no chão, e dentro dele um triangulo, nossa essas coisas tão ficando macabras, peguei três velas e coloquei cada uma em uma ponta do triangulo, e por último, meu ursinho predileto era a única lembrança que eu tinha do meu avô, e recitei:

–Para que o ritual se complete ofereço um objeto de valor sentimental, jogo-o ao fogo para que seja apagado da história em troca da verdade, ó fadas, tão belas, tão piedosas e tão sádicas, interfiram na minha vida. –Meus pensamentos voltaram-se para o pedido até que o ursinho se queimou por completo. Terminei o ritual, ainda no chão pensei:

“Espera, isso tudo não faz sentido, o que eu fiz, a única lembrança que eu tinha do meu avô perdida e tudo isso será que não passou de uma pegadinha de Alex e Lily?”

Notas finais
Obrigado por lerem