Fadas, elas realmente existem?
1 Fantasmas
Notas iniciais
Parte 1 --- Alex
Meu nome é Alex, tenho 16 anos e estou no segundo ano do ensino médio. Tenho cabelos castanhos, meu cabelo é meio ruim, por isso uso um corte que faz com que ele tenha uma aparência de bagunçado, não sou alto nem baixo, digamos que tenho o tamanho certo para a minha idade, também não sou forte, meus olhos são castanhos e minha pele é branca, não tão branca, está mais próximo de moreno. Hoje tive um sonho estranho, não paro de pensar nele e na pergunta que nele me fizeram "Você acredita em fadas?". Hoje é o primeiro dia de aula e minha mãe está preparando o café enquanto estou super ansioso, a maioria das pessoas estaria odiando isso; eu já penso ao contrário, vou poder ficar mais tempo com os meus amigos, minha sala não é muito unida, digamos que eu sou a pessoa que mantem a conexão.
São sete horas da manhã chego no colégio e vejo vários rostos familiares, que nostalgia, parece que é a mesma coisa todo ano, comprimento meus amigos, converso com os novatos e... Tem aquele garoto, nunca fala com ninguém, sempre que tento me aproximar para conversar, ele sai de perto, engraçado que ele chegou aqui no sexto ano e nunca fala com ninguém.
–Alex. –Essa voz, Lily. Não, não pula em cima de mim em cima de mim.
–Ai, Lily. –Ela sempre faz isso, pula em cima de mim, me fazendo cair, aí todos ficam olhando.
–Foi mal não deu para evitar, quando eu voltei de viajem você não estava mais acordado para gente conversar. –Ah, é mesmo eu comi muito e acabei caindo no sono. –Vamos, a aula já vai começar.
Fomos conversando do pátio até a sala de aula.
Finalmente a hora do intervalo, eu e Lily somos de salas diferentes, eu sou da “A” e ela é de “D”, e sempre nos encontramos no ginásio, já que o pátio está sempre lotado e não temos privacidade. Ela estava deitada nos tapetes de ginastica da quadra, até que eles eram bem confortáveis, fui lá e me deitei do lado dela.
–Olha, trousse seu presente de aniversário. –É mesmo, ontem foi meu aniversário. Lily sempre foi muito prestativa com essa história de dar presentes. Ela sempre usa um rabo de cavalo, seu cabelo é liso e castanho, ela é um pouco mais branca do que eu e um pouco mais baixa também, seus olhos também castanhos mostravam alegria. Se eu tivesse que usar três palavras para descreve-la essas seriam: alegre, positiva e feliz.
–Obrigado Lily. –Pego a caixinha vermelha da mão dela e ela mostra a linguinha para mim.
–Vamos logo abra. –Sorrio para ela e abro a caixinha, me deparo com um globo de neve de uma floresta, nela haviam fadas, fadas cristalinas, de todas as cores.
–Que lindo. –Era maravilhoso, cada mínimo detalhe era especial e perfeito, diferente de qualquer outro que tenha visto.
–E não é só isso, balança. –Comecei a balançar lentamente e um brilho dourado dava vida ao globo. –Gostou?
–É claro. –Minha mente viajava na beleza do globo.
–Me lembrei que você tinha uma coleção de globo de neve. –Uma pergunta surgiu em minha cabeça.
–Lily, você acredita em fadas?
–Que besteira, é claro que não. Só te dei isso porque achei que ia gostar e também achei muito legal. Porque, você acredita?
–Acho que não. –Guardei o globo dentro da caixinha e coloquei dentro da lancheira.
Lily é minha melhor amiga, nossas mães são muito amigas desde a infância, até engravidaram juntas. No meio da conversa meus olhos desviam para um garoto de cabelos grisalhos, sim cabelos grisalhos, ele tem um tipo de problema que deixa os cabelos assim antes do tempo, até que acho bonito, mas não era esse fato que está me tirando a atenção, era aquele garoto que não falava com ninguém.
–Alex, você tá me ouvindo. –Hum, acabei viajando.
–Desculpa, acabei viajando.
–Ah, está vendo o garoto fantasma. –Esse era o apelido que as pessoas deram para ele, ninguém sabe seu nome, aí ele virou o fantasma, ele tem a pele muito branca, temos aí outro motivo para chamarmos eles assim, ele é alto, acho que uns vinte centímetros a mais do que eu, em minha opinião ele até que é bem bonito, não é a toa que têm umas garotas gamadinhas por ele e uns garotos também.
–O fantasma, esse mesmo, sabe se ele já nos olhou?
–Ainda não, todo dia vejo ele sentado na sacada do ginásio olhando para o pátio. Porque?
–Eu vou falar com ele. –Se ele ainda não nos viu deve ser uma ótima oportunidade para falar com ele.
–Vai desperdiçar seu tempo.
Subo as escadas com cuidado para não fazer barulho, as vezes tento imaginar que tipo de coisas passam pela cabeça dele. Fico atrás dele. Nunca tinha chegado tão perto assim dele a ponto de notar que seus olhos eram azuis tão claros que pareciam brancos.
–Tudo bem?
–Vai embora. –Suas palavras não mostravam sentimentos, não pareciam nem felizes, nem tristes nem arrogantes, eram frias.
–Mas...
–Se você não sair, eu saio. –Ele se levantou e desceu as escadas.
–Não falei, tempo perdido.
–Ah é você Lily, quando chegou aqui?
–Subi logo depois de você, sabia que não ia dar certo, já tentei fazer isso, e ele reagiu exatamente da mesma forma. –Porque alguém não gostaria de falar com outras pessoas, não consigo entender.
Hora de voltar para casa, Lily vai dormir lá hoje. Chegando lá coloquei o globo de neve em cima da estante, junto com os outros. Lily e eu passamos a noite e até a madrugada conversando até que o sono chegou e dormimos.
Um barulho me acorda no meio da noite, não consigo ver direito e não quero acordar Lily, me levanto com cuidado e vejo um globo de neve caído no chão. Ah que preguiça de limpar, melhor ir comer. A cozinha estava acabada, panelas, carnes, macarrão e nutela para todo o lado.
–Que bagunça foi essa?
–Não faço a mínima ideia.
–Não é melhor chamar seus pais antes que coloquem a culpa na gente?
–Boa ideia. –Não sei o que houve aquela noite, minha mãe e meu pai ficaram paranoicos, pensando que alguém tinha invadido a casa, por consolação colocamos a culpa no cachorro.
Lily me acordo logo pela manhã, a casa estava cheia de policiais. Tanto eu como ela ainda não superamos o que aconteceu ontem anoite, a pior coisa que aconteceu foi o globo de neve, que meus tios tinham me trazido do Alasca, ter quebrado.
–Hum, bolo do dia seguinte realmente é melhor. Está me ouvindo Alex?
–Desculpa Lily, estava viajando
–Não vá me dizer que está pensando que fadas fizeram isso. –Não posso mentir eu realmente estou começando a acreditar em fadas, posso estar louco, talvez noventa e nove por cento de chance.
–Talvez.
–Acho que você precisa de terapia, é sério.
–Se cala aí e come o bolo.
Papai nos levou para a escola hoje, hoje teremos que ficar até mais tarde por que terá um evento para alunos novos e os veteranos também foram convidados, quer dizer entre aspas, somos obrigados a ir. A aula chata como sempre, mas a de filosofia me chamou minha atenção, a professora mostrou sobre as lendas medievais e dentre elas, sim ela falou sobre fadas. As fadas controlam o destino dos homens, pelo menos foi o que estava escrito no slide. A hora do intervalo finalmente chegou, eu e Lily fomos até o ginásio.
–E aí Alex, gostou da aulinha sobre fadas hoje. –Ah, ela não vai parar de me zoar.
–Para de encher vai.
–Certo, certo. Olha quem está ali de novo, o fantasma. –Tinha me esquecido que ele vinha aqui todo dia.
–Vai tentar falar com ele?
–Como se isso fosse adiantar, que tal seguirmos ele depois da escola. –Porque não, não tenho nada para fazer hoje a tarde.
–Ótima ideia.
–Vamos descobri o que esse garoto quer esconder. –Lily, estava empolgada, bem ela está sempre empolgada, talvez estivesse com tedio e agora encontrou algo para fazer.
A aula acabou e o evento também, foi bem tedioso, é sempre a mesma coisa todo o ano. Lily esteve observando ele durante todo o evento, estou confiando nela. Nos encontramos na portaria do colégio, esperamos até o fantasma chegasse e seguimos ele. Ele passava pelas ruas principais da cidade até chegar no parque, aquele parque que eu e minha família íamos quando eu era criança, não sabia para onde ele estava indo, talvez fosse um atalho para a casa dele, continuei seguindo até me deparar com o lugar, era o mesmo do meu sonho, o mesmo em que eu e minha família íamos quando eu era menor, e havia uma garota lá, sentada na beira do rio com os pés nas aguas. Quando me deparei, não conseguia mais ver Lily.
–Você não vai se sentar comigo? –Essa voz meiga e fofa, eu conheço, é a dos meus sonhos.
–Quem é você? –Era uma garotinha, aparentava ter sete ou oito anos, tinha os cabelos lisos que ondulavam nas pontas, sua cor era a mesma do meu, tinha sardas, e usava um vestidinho rosa com babados e que ia até o joelho.
–Meu nome, isso é segredo, mas pode me chamar de Mel. –Esse nome combinava perfeitamente com ela, era tão doce quanto o mel.
–O que faz aqui? –Me sento do seu lado, colocando meus pés no rio.
–Isso também é segredo, mas posso te fazer uma pergunta? –Como negaria algo a esse rostinho fofo.
–É claro. –Aquela nostalgia, eu sabia o que ela ia me perguntar, só não sabia o que.
–Alex, você acredita em fadas?
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