Fadas Não Existem
1 Capítulo 1 — Nada é o que parecia ser
Notas iniciais
Enfim! Eu tive essa ideia do nada, comecei a pensar mais sobre como desenvolvê-la e acabou dando nisso.
Essa história é atualizada de acordo com minha criatividade, e com a pressão imposta pela minha betadora, a Panda, então não esperem capítulos regulares.
Sem mais rodeios. Boa leitura~
Capítulo 1 — Nada é o que parecia ser
— Natsu! — gritou a maga celestial segurando-se por pouco no precipício.
— Luce! — o rapaz respondeu correndo a seu encontro para pegar na mão da mesma. — Se segure firme! Vai ficar tudo bem! — tentava amenizar o pânico da situação. (música ♫♪)
A loira assentiu com a cabeça enquanto lágrimas escorriam pelos machucados de seu rosto. Seus olhos castanhos já não tinham a mesma vida e brilho como antes, a crueldade destes tempos havia tirado sua alegria de menina fácil como roubar doce de crianças. Olhava profundamente nos orbes negros do rapaz, marejados devido ao fato de que a garota estava daquela maneira, e, ainda por cima, sua vida sendo segurada por um fio o qual poderia ser facilmente cortado. Segurava firmemente a mão dela, onde antes havia uma pele aveludada e branca, agora tinha somente manchas e filetes de sangue mascarando a marca rosa da Fairy Tail.
Tentava, com dificuldade, puxar a loira de volta à superfície. Falhando por também ter sua cota de ferimentos. Só conseguiria tirar sua companheira viva dali com a ajuda de alguém, pois suas forças estavam chegando aos seus limites, perto do fim. Entretanto reforços eram algo praticamente inexistente considerando a clara presença de dragões na cidade de Crocus, afinal, nem com todos os Dragon Slayer reunidos lá fora possível exterminar tais criaturas lendárias. Muitas pessoas faleceram durante esta luta sem chances de vitória, ou seja, a maga celestial e o mago de fogo eram os últimos restantes seres respirando na capital do reino.
Uma vez mais insinuou a puxar Lucy para seu lado, resultando em erro quase que fatal. O rosado, por um triz, não caiu juntamente da garota penhasco a baixo. O desespero lhe consumia pouco a pouco, à medida que a maga celestial escorregava por suas mãos. A menina tentou subir, no entanto fracassou em tal tarefa. Natsu já estava em prantos assim como sua companheira—não era sempre que este rapaz soltava lágrimas. A conclusão disto era óbvia, porém ambos se recusavam a aceitá-la como um fato inegável.
Ela olhou apreensiva para suas mãos enlaçadas, estando sua própria suada favorecendo o fim do atrito entre os dois, escapando do calor proporcionado pelo corpo de Natsu. Logo ela desviou seu olhar para a queda sem fim abaixo de si, mesmo se não quisesse, teria de admitir que era uma altura considerável. Voltou a fitar os orbes negros que sempre amou, com um sorriso melancólico e uma solitária lágrima descendo por sua bochecha rosada e cheia de cortes. Seu destino estava selado a partir do momento em que fora arremessada para tal lugar, e, acima de tudo, estava aceitando-o com tamanha relutância por perder o único homem que sempre esteve ao seu lado, e que, além disto, a loira sempre amou e admirou sem exceções, sendo retribuída com os sentimentos mútuos vindos do rosado.
— Não... Não faça isso, Luce... — protestou em um baixo tom de voz. Como resposta ela apenas aumentou seu sorriso. Pelo menos algum dos dois teria de continuar com sua vida.
— Me desculpe... — sussurrou Lucy soltando da mão do mago de fogo o qual se recusava a soltá-la.
Por fim, ela caiu.
— NÃO, LUCE! — gritou desesperado.
No meio do pânico que se instalou por sua companheira ter se atirado do penhasco, Natsu saltou daquele ponto mesmo para cair juntamente de Lucy. Esticou-se com o intuito de acelerar sua velocidade, obtendo tal resultado. Sua vida não teria sentido sem aqueles reluzentes cabelos cor de sol, fazendo o par perfeito com o sorriso radiante e único possuído pela mesma.
Após breves segundos de queda, visando alcançar as madeixas loiras dançando com o forte vento, finalmente o Dragon Slayer enlaçou seus braços firmemente na fina cintura da maga celestial, cujos olhos castanhos se arregalaram diante de tal gesto. Nunca duvidou do amor sentido pelo rosado, todavia jamais passou por suas mente que esta atitude seria tomada pelo mesmo, ou sequer que ela fosse ser precisa em algum momento de sua vida.
A altura daquele penhasco era realmente grande, o que dava tempo o bastante para ambos trocarem juras de amor as quais seriam suas últimas palavras ditas em vida.
Lucy enlaçou seus delicados braços no pescoço de Natsu enquanto lágrimas demasiadas desciam pelas belas feições de seu rosto. A tristeza era óbvia, e, claramente, o jovem casal se amava mais do que a mente alheia poderia sequer imaginar. Contanto que o garoto morresse juntamente da maga, não teria do que se arrepender na pós-vida—se tal crença era realmente verdadeira—, pois fazer algo para ela nunca seria, e nunca foi, um erro.
— Não fuja mais de mim assim. Você sabe que eu não suportaria ver sua morte novamente. — murmurou no ouvido da loira fazendo com que arrepios percorressem toda a extensão da espinha da mesma.
As palavras ditas por Natsu ecoaram fundo na mente de Lucy, obtendo o seguinte resultado: a garota se debulhando ainda mais em lágrimas. Enterrou seu rosto no cachecol molhado de suas mágoas e do sangue do rapaz. Ele havia lutado bravamente pelas causas nas quais acreditava, contudo não fora o suficiente para exterminar os dragões vindos do passado.
— Eu prometo. Eu prometo, Natsu. — falava entre soluços enquanto o mago a apertava, lentamente aumentando a força aplicada nos braços ao redor da cintura fina da loira.
Carinhosamente Natsu beijou o topo da cabeça da maga celestial, mostrando a afeição que sentia pela mesma—não era de menos, ele sempre ficava mais protetor em relação à jovem. Olhou de relance para baixo podendo identificar o chão se aproximando, o que indicava o fim de suas aventuras. Abraçou-a de forma ainda mais protetora com demasiada força posta em tal gesto. Fechou fortemente seus olhos negros assim como Lucy fazia. Poucos segundos de vida restava para o casal. A loira chorava compulsivamente com seus belos traços ocultados no tecido xadrez do lenço do rosado que, em um movimento rápido, trocou de posições com a garota, fazendo com que ele ficasse em baixo, assim receberia praticamente todo o impacto da queda. Pelo menos passariam juntos seus últimos momentos, e cairiam no sono profundo sem volta juntos, também. Afinal, melhores amigos são para isso, sendo ele também o amor escondido da menina, ao ver da mesma ele nunca correspondeu seus sentimentos, visto que na verdade era o contrário.
— Eu te amo, Luce. — o Dragon Slayer disse suas últimas juras já esperado o fim, causando certa surpresa em Lucy.
E então, tudo ficou preto.
(...)
O barulho constante das máquinas preenchia o silêncio do quarto de hospital, onde apenas uma menina de cabelos louros dormia tranquilamente com inúmeros aparelhos de diversas funções ligados a seu corpo. Demonstrava ralos sinais de vida e estes ainda eram somente perceptíveis pelo diagnóstico e som dos utensílios médicos, em outras palavras, ela desfrutava do sono eterno de um coma. Fazia sete longos anos que o dormitório estava ocupado pela mesma garota e, mesmo com todo esse tempo, o pai da mesma insistia em continuar pagando a estadia de sua amada filha naquele renomado centro médico. Afinal, ela era simplesmente tudo que lhe restava agora, também sendo uma das causas do falecimento de sua esposa.
Durante todos estes anos o diagnóstico da loira sempre era o mesmo, sem quaisquer alterações ou indícios de que iria acordar logo. Algumas pessoas já desacreditavam no fato de que ela pudesse algum dia, por um milagre, abrir seus olhos profundos cor de chocolate. Depois de tanto tempo, isto era a ideia com mais chances de ser adotada pelas pessoas daquele ambiente segundo os resultados dos exames. Todavia a esperança é a última que morre.
Em um ato súbito a máquina a qual media seus batimentos cardíacos, regulares e lentos até então, acelerou de forma considerável, indicando sua vida ainda latente. Agora o som de tal aparelho soava por todo o quarto, podendo ser ouvido até mesmo no corredor deste bloco.
Logo, sua barriga começou a se mover, apresentando sua respiração apressada. O barulho atual dos aparelhos ecoava desesperadamente clamando pela presença de um médico naquele quarto de hospital. Enquanto a garota ainda não notava onde, ou o quê, estava acontecendo, sua mão se movia tentando identificar a textura do lençol fino e branco disponibilizado pela empresa. Um fato curioso, do qual os doutores não sabiam, era que seria praticamente impossível para a paciente continuar vivendo neste mundo por dois simples motivos. O primeiro, devendo ser o mais simples, constava na morte de sua mãe durante o acidente que provocou o coma da loira, e, recentemente, a morte de seu pai também, omitida por enquanto. O segundo motivo era algo mais substancial na forma como a garota viveria de agora em diante e este se compunha nos sonhos comuns de se ter durante o sono de um coma e o sonho o qual ela tivera não fora qualquer um. Era um sonho sobre um país mágico chamado Fiore e sobre uma guilda, a mais forte de todas de lá, a Fairy Tail. Em algum lugar deste mundo utópico a menina acabou se apaixonando por um rapaz criado em sua mente, Natsu Dragneel. Seu dragão.
No corredor daquele bloco do prédio, um garoto com seus vinte anos andava apressadamente atrás de sua chefa com uma prancheta em mãos. Fazia algum tempo considerável que prestava serviço ali, mesmo sendo este voluntário durante um tempo e sendo oficializado há apenas poucos meses. Pelas poucas informações a que tinha acesso no momento, apenas uma pequena noção do que estava acontecendo existia em sua mente. Segundo a doutora de cabelos grisalhos, uma paciente, cujo coma durou sete anos, havia acabado de acordar. Sendo isto considerado um milagre de proporções inimagináveis no campo da medicina. O rapaz podia não entender muito sobre o sistema nervoso e o psicológico das pessoas, porém sabia que o cérebro tinha um tempo limite para continuar ativo mesmo com aparelhos, e aparentemente sete anos estavam muito além do que o restringido pelos médicos renomados.
Na hora em que a notícia fora recebida pela estudiosa doutora de olhos azuis, a mesma surpreendeu-se por um momento, logo ficando feliz por pelo menos uma das inúmeras pessoas em coma ter acordado depois de tanto tempo. Todavia a mulher sabia das dificuldades que seriam passadas pela menina a qual acordou do sono profundo, apenas o fato do pai desta ter morrido há poucos dias já era abalador demais. Conhecia muito pouco sobre a história da loira, entretanto sabia o bastante para sentir pena pela menina. Ela não tinha nenhum dos pais, estava sozinha de agora em diante no mundo. Talvez nem sequer os amigos dela se preocupassem mais, afinal, durante todo este tempo, a garota apenas recebia visitas de seu pai, e, às vezes, do assistente da própria médica, o qual gostava de contar histórias mitológicas para a jovem, mesmo sabendo que esta estava em um sono profundo e possivelmente sem caminho de volta. Mesmo com tantos problemas ao redor da nova vida da paciente, a grisalha realmente esperava que esta fosse feliz da maneira que conseguisse.
O jovem de cabelos cuja cor exoticamente rosa surpreendia as pessoas olhou novamente para o nome da ficha presa em sua prancheta com cuidado antes de entrar no quarto 791 juntamente com sua chefa. AQUELA menina que era o motivo de tanto espanto na sociedade médica de atualmente. Isto já era algo de se esperar. Ele sempre acreditou que ela fosse especial, desde o momento em que a viu em seu sono profundo pela primeira vez. E, agora, finalmente encontraria os olhos castanhos dos quais sempre ouviu falar da boca do falecido pai da menina. Ele falava tanto sobre como ela era radiante, animada, feliz, idiota, boba, sem noção, maluca e apaixonada, que o rapaz criou certo carinho pela mesma. Ficou ainda mais protetor em relação a esta quando o senhor Jude morreu fazendo-o prometer com suas últimas palavras que tomaria conta de sua menina dos olhos.
Ele deu um leve sorriso abobado o qual faria com que qualquer garota ficasse aos seus pés, mesmo assim, ele não queria nenhuma destas interesseiras. Não iria de forma alguma retribuir seus sentimentos. Apenas uma menina importava para ele neste momento e, felizmente, agora ela estaria desperta. Seguiu a mulher mais velha na frente de si, adentrando no dormitório com paredes brancas e uma cama macia sendo ocupada por uma loira desorientada.
Lucy havia acordado.
Notas finais
Kissus~
Até ♥
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