Factory Boy

8 Em águas negras, me perdi.


Eu não conseguia me mexer. Meu corpo estava dormente, minhas forças estavam se esvaindo do meu corpo. Não conseguia abrir meus olhos inchados, as pálpebras estavam tão pesadas, como se quisesse que eu ficasse ali no escuro. Mas eu podia sentir que dentro daquele quarto havia mais alguém comigo. Quem será? Forço minha mente a tentar lembrar, em vão. Minhas memórias estão fragmentadas, mal consigo me lembrar de como cheguei aqui, e onde é aqui.

"Você gosta disso aqui, não é docinho?" A voz de um homem ecoava pelo quarto, eu estava assustado de mais para gritar ou pedir ajuda. Minha voz não queria sair, estava me afogando com o meu medo. Queria sair da quele lugar, poder desaparecer.

"Vamos pegar algumas coisas desse otário, e vamos sair daqui!" Uma outra voz, agora do lado oposto do quarto. Eles estavam me roubando, me drogaram e agora estão levando tudo o que tenho. O que eu fiz? Com pude ser tão burro? O desespero finalmente toma conta de mim, e as lagrimas começam a rolar em meu rosto.

Eu estava em um estado deplorável. Consumindo drogas excessivamente, deitado na cama sem forças para levantar e lutar, e ainda sendo abusado sexualmente. Estou destruído por dentro e por fora.

O quarto foi tomado por um barulho grande de alguém arrebentando a porta. Consegui ouvir um barulho de alguém brigando e batendo em alguém. "Foi ele que convidou a gente!"– dizia uma das vozes. Houve um silêncio aterrorizante, e então senti a cama abaixar com o peso de alguém, senti o toque da mão quente passando pelo meu corpo.

"O que você fez, em? Porque tudo isso?" Era o baterista da banda. Comecei a chorar ainda mais. Chorei de felicidade, por ter sido ele que havia me encontrado. Senti que ele me enrolava em um lençol e depois me carregava no colo, longe daquele inferno. Ele sempre esteve comigo, foi sempre um ombro amigo naquela banda, independente do que acontecia, ele estava sempre ali para me dar apoio e me ajudar.

As vezes, só precisamos sentir alguma coisa, para sabermos se ainda estamos vivos. Era disso que eu precisava, porém não queria arrastar ninguém para isso tudo. Não da mais para correr disso tudo, agora é encarar todas as consequências que eu meus atos me levaram.