Eu e voooocê...

Era o despertador de Sofia, com a música que ela adorava. Mesmo adorando aquela música, ela não resistiu em dar um tapa em seu despertador, fazendo-o voar longe, mas não quebrou. Era bastante resistente, para o tanto de queda que havia levado...

Ela se levantou, e percebeu que estava fraca e gelada... Lembrou que dormiu sem coberta, mas um banho bem quentinho poderia resolver aquilo. O banho foi rápido, pois ela não queria se atrasar para escola, não podia ter mais atrasos. Vestiu a blusa de seu uniforme, um casaco e uma calça jeans clara. Seu tênis era um all star de couro branco. Pegou seu material, uma maçã, e estava saindo de casa, mas antes deu uma olhada na sua mãe, ela ainda estava dormindo... Dava tempo de jogar todas suas bebidas fora. Pegou todas, sem nenhuma exceção... Era tanta bebida vagabunda, não sabia como sua mãe conseguia beber aquilo. Colocou em um saco de lixo e colocou no caminhão de lixo que estava passando, sua mãe ia ter uma surpresa quando acordasse.

Chegou a escola, estava 30 minutos adiantada, o que era estranho, ela sempre se atrasava para a aula. Sentou na última carteira, como sempre, e colocou seu Ipod no último volume, ficou tão alto, que a pessoa que chegasse a 2 metros de distancia dela, conseguiria ouvir. Era a única da sala, parece que todos resolveram se atrasar.

Mas um aluno havia chegado, mas ela não o reconheceu, deveria ser novo. Reparou em como era bonito e estiloso, mas parecia timido... Mas só parecia mesmo, porque a primeira coisa que ele fez quando viu Sofia, foi correr para sua carteira e se apresentar.

“- Bom dia! “

“- Han... Bom dia.”

“- Nossa, que ânimo!” — Falou o garoto em um to de brincadeira.

“- He... Pois é.”

“- Então, qual é o seu nome?”

“- Sofia... E o seu?”

“- Me chamo Daniel, mas pode me chamar apenas de Dani, todos me chamam assim mesmo.”

“- Hun, mas eu quero ser diferente, irei te chamar de...” — Sofia reparou em alguma característica chamativa de Daniel, e era seu lindo sorriso meigo.

“- Mile. Posso?”

“- Claro, mas de onde tirou esse nome?”

“- Seu sorriso... Me chamou a atenção.”

“- Ah, sim... Gostou dele?”

“- Sim.”

“- Quem sabe um dia ele possa ser seu.”

“- Espero que chegue logo esse dia.” — Falou Sofia em um tom de brincadeira, e os dois acabaram rindo.

Eles não notaram, mas a sala acabou enchendo, e já estava na hora da aula. Daniel se sentou ao lado de Sofia, já que não conhecia mais ninguém. O professor de química havia chegado.

No decorrer da aula, Guilherme que estava do outro lado da sala, pôde ver que Sofia estava conversando com um garoto que parecia ser simpático, e isso lhe deu uma pequena pontada. Nayara percebeu, e ficou meio emburrada.

“- O que você esta olhando?”

“- Que?”

“- Você estava olhando para a Sofia, não é?”

“- Hun? Ta doida?”

“- Doida pode até ser, mas cega não, para de olhar pra ela!”

“- Tudo bem, me desculpe.”

“- Amor, hoje vou ter que sair mais cedo, meu pai ta gripado, você sabe né... Podemos deixar aquele encontro para outro dia?”

“- Ah, você é tão boa para seu pai... Tudo bem, a gente marca para outro dia.”

Guilherme não sabia, mas o pai de Nayara não estava doente. Nayara tinha marcado com seu ex em um pequeno churrasco, estava planejando fazer loucuras.

Se passaram mais duas aulas, e o sinal do intervalo toca. Sofia como sempre vai para a parte mais vazia da lanchonete. Mas dessa vez alguém lhe acompanhou, e esse era Daniel.

“- Mile, se quiser pode sentar com outras pessoas, se continuar assim, só vai ter eu como amiga aqui.”

“- E quem disse que eu me importo?”

“- Bom, se você não se importa...”

“- Eu não me importo mesmo, mas... Aquele garoto não para de olhar para ca.”

“- Ah, é o Guilherme... Era um amigo meu, antes de namorar a vadia da turma! Hunf.”

“- Aquela dali? Nossa, ela me chamou pra uma rapidinha!” — Falou Daniel rindo da situação, e sem perceber, Sofia também riu.

“- Mas que vadia...”

“- Pois é, seu amigo é muito trouxa.”

“- Concordo plenamente.”

“- Mas então, onde você mora?”

“- Em frente a sorveteria.”

“- Me mudei a pouco tempo para o lado da sorveteria, sabia que seu rosto não me era estranho! Aliás, sua voz é linda quando canta.”

“- Ah, que vergonha! Você me ouviu cantar?”

“- Sim, quem mandou cantar tão alto quando esta com raiva?”

“- Ah, é que me acalma.”

“- Entendo. He. Ops, seu amigo ta vindo pra ca.”

“- Sério?”

Quando Sofia vira para trás, Guilherme já estava pegando em seu ombro, e não estava com uma cara muito boa.

“- Que foi Guilherme?”

“- É assim que se fala com o seu melhor amigo?”

“- Ex!”

“- Vamos parar com essa briguinha boba, ok?”

“- Pode ser boba para você, mas não para mim, ela é uma vadia e você sabe disso.”

“- Ela mudou...”

“- Ah claro, mudou quando? Depois de ter chamado o Daniel para uma rapidinha ou quando ela combinou de sair com o namorado hoje a tarde?”

“- Pare de inventar coisas só porque você sente ciúmes!”

“- Ciúmes? De quem? De você? Não me faça rir...”

“- Eu ainda tenho a carta para provar.”

“- Se você fizer isso, eu juro que te mato.”

“- Vamos lá, como começa mesmo? Ah sim. GUI, DESDE O PRIMEIRO DIA QUE EU TE VI, PUDE PERCEBER O QUANTO GOSTO DE VOCÊ. MAS NÃO TENHO CORAGEM DE TE FALAR ISSO PESSOALMENTE, POR ISSO TE MANDO ESSA CARTA. EU TE AMO MUITO, E ESPERO QUE VOCÊ SEJA O MEU GUI!. É mais ou menos assim, não é?

“- ... Você esta se tornando um deles. Você esta sendo um idiota, sabia?”