Faces
2 Você não é um deles
Notas iniciais

Sua mão hesitava ao tentar tirá-la dos olhos. O medo lhe consumia, Ana deslizava o dedo pela porta. Ao abrí-la, ela se deparou com um homem de olhar ameaçador. Ele a segurou, olhando-a nos olhos. A tensão do momento era imensa, Ana sentia seu coração apertar e sua garganta parecia bloqueada.
– Você não é um deles, corra. – ele falou, de maneira áspera, a jogando no chão. Alguns cacos de vidro perfuraram a pele da perna da repórter. O sangue então começou a escorrer. Ainda trêmula, ela saiu correndo em direção à cidade.
...
– Vamos sair da sacada, quer levar uma bala perdida? – disse Willian puxou Rose para dentro, o baseado deslizou de seus dedos e caiu na rua que estava vários metros abaixo.
– Filho da mãe, perdi minha erva por sua culpa. – ela entrou, passando em sua frente, sem o olhar.
– Me desculpa, você pode pegar outro. Eu pago. – ele sorriu enquanto a acompanhava. – Mas antes eu tenho algo para você. – ele colocou a mão no bolso, tirando uma camisinha.
– Estou sem saco, seriamente. Amanhã, talvez. Perdi meu baseado, minha mãe, só falta você. – ela se jogou na cama.
– Eu te amo, não fique assim. Vem cá. – ele deitou ao lado dela. Rose se aproximou até seus corpos se encostarem. Os dois passaram um tempo na cama, então Willian se posicionou em cima dela, pressionando seu membro em suas costas.
– Não, Will. Por favor. – ela se mexeu, o jogando para o lado.
– Você sabe como acabar com a alegria de um homem. – Willian riu diante da pequena frustração. – Quer café? – ele se levantou.
– Sim, também quero descobrir que merda aconteceu naquela maldita ponte. – ela se levantou, caminhou até porta e olhou a ponte pela sacada.
...
Seus passos estavam embolados diante do medo que a cercava, Ana corria por sua vida. Aquele homem podia muito bem dar um tiro em suas costas.
Ela chorava, e tudo em que conseguia pensar era no câmera, que esta hora já deveria estar morto. E ela pensava que a culpa era do chefe dela, ao menos em parte. Os cacos de vidro dificultavam o andar dela, tirar o salto seria doloroso. Um pouco trêmula, ela continuou a andar.
– Ei! Táxi! – ela gritou, desesperada para o carro que estava passando ao seu lado. Com uma freada o motorista indicou que a tinha escutado.
– Apenas dirija para longe daqui. – Ela correu e abriu a ponta, sentando na cadeira. Sua respiração acelerada revelava que a única sensação presente era o pavor.
...
Os dois estavam sentados no sofá, acompanhando as notícias que se passavam na TV. Diante de toda a tensão, o clima quente não era mais notado. O ventilador também ajudava nessas horas.
– Cara, eu não entendo o que está acontecendo nessa ponte. Eu pensei que isso era ilegal. – Jack estava ficando nervoso, quem não estaria?
– Se isso sair do controle, eu te protejo. – Gabe o contornou com o braço, o olhando com um sorriso diferente dos outros. Isso o confortou, Jack apoiou sua cabeça no peito de Gabe.
– Eu te amo. – Jack fechou os olhos, tentando se acalmar. – Mas sabe de uma? Bem que você poderia pagar a dívida, não? – ele riu, concordando com a cabeça.
– Com certeza. – ele levantou, se alongando.
– Se lembra quando eu te beijei de surpresa, acho que tínhamos 17 anos. Aí você me deu um soco no rosto tão forte que eu sinto doer até hoje. Depois comecei a chorar e você riu de mim, cara... depois desse dia eu criei um ódio por você. – Jack riu, tirando a blusa.
Meu maior arrependimento. – Gabe colocou a mão no volume que se formava entre as pernas de Jack, quando um barulho de arma no apartamento o fez parar.
– Que porra... – Jack levantou, murmurando em tom baixo com descontentamento. Ele abriu a porta e se inclinou para o corredor. Seus vizinhos também estavam olhando, todos espantados.
– Por favor, não! – Um desconhecido entrou no corredor, se rastejando.
– Vocês merecem! – outra pessoa entrou no corredor, era uma mulher de cabelos longos, aparentava estar nervosa. Um fiapo de sangue escorria de seus lábios. Todos as pessoas que assistiam fecharam a porta, porém Jack e Gabe continuavam olhando.
– Você está maluca, eu não tenho nada a ver com eles. – o homem que rastejava aparentava estar muito assustado, o pavor era totalmente compreensível pois a mulher portava uma pistola.
– Então, vamos acabar com isso logo. ela apontou a pistola para o homem, efetuando um disparo em sua direção. A bala atingiu entre os olhos do homem. Sua face esboçava apenas terror, a morte viera tão rápido que não deu tempo de se preparar.
– Mas que... Porra, estamos na merda. – Jack bateu a porta. – Ela viu meu rosto, estou ferrado. – ele começou a respirar aceleradamente e suas mãos tremiam. Engolindo um seco, ele sentou no sofá.
– O que eu te disse? Eu sempre te protegerei. Não importa o que esteja acontecendo. – Gabe colocou suas mãos sobre a de Jack. Depois de uns segundos ele foi até seu quarto e então pegou uma pistola.
– Você não me disse que trouxe sua pistola. – Jack então se aproximou dele, um pouco apreensivo.
– Eu nunca sairia com essa, desculpa. Eu sei que você não gosta dela. – ele colocou-a na cintura e procurou a camiseta qual Jack atirou antes.
– Não, que se foda isso. Precisamos nos defender, certo? – Jack pegou a camiseta e o entregou. Gabe a vestiu rapidamente e então se preparou.
– Não se movam! – a porta abriu, revelando a mulher de antes.
– Saia daqui! O que você quer? – Gabe apontava a arma para ela, assim como a mulher apontava a arma para ele.
– Vocês não são como eles. – ela abaixou a arma, Gabe tremia a mira. Quando a mulher fechou a porta, Gabe lançou a arma no chão.
– Por que você não atirou? – Jack se aproximou dele, pegando em sua mão.
– Ela poderia atirar em você. Eu não poderia correr esse risco. – Gabe se virou e então o abraçou, ainda assustado.
– Pensei que você estava acostumado com isso. – Jack retribuiu o abraço.
– Não quando meu amor está na mira de uma arma.
– Você me salvou. Mas... O que ela queria e o que ela quis dizer com "Vocês não são como eles"? – Jack olhava para a porta, como se ela pudesse aparecer a qualquer momento.
...
O sol já brilhava, porém a ponte estava inacessível e o terror começava a dar seus primeiros passos. Ana caminhou andava até uma grande porta de vidro. Ao abrí-la, um homem de terno estava sentado numa cadeira de couro e sua mesa de executivo era, de certa forma, intimidadora.
– Me demito! – disse Ana, se aproximando dele.
– O que você quer dizer com isso, Ana? Não percebe que você é a melhor jornalista que temos? – ele se inclinou para se aproximar dela.
– Eu quase morri hoje, olha o meu estado! – ela apontou para o próprio rosto, havia cortes nele e hematomas. – Quando essa merda toda estourar, não é eu que quero estar filmando. – ela sentou-se.
– Eu entendo. Porém você sairá no prejuízo, pense direito. Volte amanhã e a gente conversa. – ele apontou para a saída. Ana percebeu que era o certo, ela deveria se acalmar. Talvez pensar no que aconteceu, e principalmente na frase que ecoava em seu pensamento: “Você não é um deles”. Mas o que ‘eles’ são?
...
As suas respirações estavam entrecortadas. Com movimentos repetitivos, William penetrava Rose. Algo especial, para ambos. Com pequenos gemidos e arranhões nas costas de Willian, Rose tinha um orgasmo. Ao alcançar o ápice, Rose intensificou os sons que reproduzia. Willian então ejaculou, a abraçando numa estocada final.
– Deus... – ele gemeu, a abraçando e parando os movimentos.
– Ok, superou minhas expectativas. – Ela se esticou na cama, enquanto ele saia de cima dela.
– Vou tomar uma ducha, vem? – ele a olhou com um pouco de malícia.
– Já já... – Rose fechou os olhos, ainda pensando em toda confusão que teve no dia anterior.
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