Faces
1 Aquela Coisa Que Você Faz
Notas iniciais
Jack = Lobo
Ana = Raposa
Rose = Leão
Gabe = Cachorro (Husky)
Willian = Tigre

Os olhos são as janelas da alma. Nesse mundo os espíritos são motores do comportamento, são a mais pura essência da pessoa. Eles são traduzidos em forma de animais. Vistos através da sombra, do reflexo ou dos olhos.
No mundo existem vários animais, porém os que se destacam são a Raposa, o Tubarão, o Lobo, o Leão, o Tigre, o Cervo e o Falcão. Sendo a Raposa eloquente, o Tubarão independente, o Lobo leal, o Leão líder nato, o Tigre corajoso, o Cervo gracioso e o falcão perceptivo.
..
Ele revirava os lençóis da sua cama simples de um lado ao outro, o calor do verão estava insuportável. Levantando da cama, seu corpo suado e atlético teve contato com uma leve brisa que entrou pela janela.
Ele se dirigiu até o banheiro e se despiu. Ligou o chuveiro e então entrou debaixo da água fria que contrastava com o ar morno. Depois do banho, ainda sem roupa, ele saiu do banheiro e foi até a sala. Sua casa era bastante simples, um apartamento no centro da cidade.
Ele ligou a TV, vendo as notícias que passavam na tela composta por pixels.
– Em 1932, neste mesmo dia, o ilustre Ferdinand Wellington acabou com um dos maiores conflitos sociais já existentes. Onde os Cobras e os Águias se enfrentavam e se excluíam em locais públicos. Com uma lei estabelecida por Ferdinand, os conflitos se tornaram ilegais e houve uma grande baixa de incidentes violentos e a discriminação também reduziu. – O âncora então ajeitou sua papelada e uma entrevista o substituiu. Jack desligou a TV e então alguém bateu na porta de madeira, fazendo o familiar barulho.
Ainda sem roupa, Jack caminhou até a porta. Olhando pelo olho-mágico, ele viu um homem de sua estatura, branco e de cabelo militar. Era Gabe, seu namorado. Sem hesitar, Jack abriu a porta para deixá-lo entrar. Gabe encarou o corpo de Jack por alguns segundos, então o abraçou.
– Sempre acho que você fica mais bonito de cabelo molhado. – a sua voz era um pouco séria, porém o assunto parecia não demostrar o mesmo.
– Cala a boca. – Jack disse, um pouco tímido. – Eu sempre achei que a cada dia que passa você fica mais bonito.
– Novidade. – Gabe fechou a porta e foi até a cozinha. Jack aproveitou para se vestir. Passando no espelho, olhou os próprios olhos. Dentro deles havia um lobo.
– A gente sempre combinou. – disse Gabe, entrando no banheiro. Jack olhou seus olhos e pode ver um cachorro, especificamente um Husky.
– Eu gosto disso. Parece que somos feitos um para o outro. – Disse Jack, se virando para Gabe. Seu parceiro o envolveu com os braços e então o beijou. – Ainda gosto de você com o cabelo molhado.
– Cala essa boca. – Jack tirava a blusa dele, percebendo que ele mantinha o mesmo corpo atlético de sempre. – Eu gosto de você assim, tímido. – Gabe desceu as mãos pelas costas de Jack e então colocou sua mão nas nádegas dele. – Amo sua bunda macia. – ele esboçou um sorriso sensual.
– Você é tão pervertido. – Jack o empurrou, mas era quase nítido que ele estava gostando. – Esses anos no exército fizeram bem ao seu corpo. – Jack caminhou até a cozinha e começou a preparar uma refeição para eles.
– Nem tanto. Você não estava lá. – Gabe sentou numa cadeira, apoiando os braços na bancada.
– Que fofo, você guardou seu pênis dentro da calça. – Jack o olhou, com uma certa malícia. – Agora sério, o que você achou de lá?
– Normal. Aprendi umas técnicas. – ele disse, dando de ombros.
– Algo que possamos usar aqui? – Jack colocou a refeição no forno.
– Eu entendi o que você quis dizer e não. – Gabe sorriu enquanto olhava Jack cozinhar.
– Sério que foi apenas normal? – Jack sentou ao lado de Gabe, olhando-o nos olhos.
– Não, faltava você lá. Ainda bem que isso tudo acabou. – Ele suspirou, desviando o olhar de Jack.
– Eu vi sua face corar agora, você também é tímido. – Disse Jack, em tom de deboche. Ele se inclinou e o beijou novamente, desta vez de uma maneira mais significativa.
– Eu adoro esse seu jeitinho de emo. – disse Gabe, se levantando.
– Você sabe que eu não sou. – Jack falou, puxando o celular do bolso e checando as notificações do Facebook.
...
Jack passou um tempo assistindo filmes, Gabe o abraçava. Apesar de todo o calor, Jack achava que era realmente bom tê-lo novamente perto de si. Assim como Gabe sentia falta dele.
– Agora quero que você faça algo. – Gabe disse, desligando a TV.
– Algo? – Jack sentiu um arrepio o percorrer, diante de todo o calor parecia impossível.
– Aquela coisa que você faz. Aquilo que me deixa louco. – Gabe empurrou Jack no sofá, fazendo-o ficar de frente para ele. De repente o espaço em sua roupa íntima pareceu limitado demais, Gabe encarou o volume que se formava, com um olhar malicioso.
Por favor, você está me matando. – Jack tirou a bermuda de Gabe, deixando-o apenas de cueca. Gabe recuou até a ponta do sofá, enquanto Jack se ajeitava para uma posição que ficasse mais confortável. – Agora já era. – Jack desceu a última peça de roupa que estava em Gabe, deixando-o totalmente nu. Jack guiou sua cabeça até o peito de Gabe, dando leves mordidas. Guiando a boca pelo caminho habitual, ele complementava com beijos e lambidas. Até chegar entre as pernas.
– Meu saco está estourando, cara. – Gabe disse, em meio a gemidos. Então ele passou as mãos entre os cabelos de Jack e o guiou até sua virilha. O calor não era mais sentido, era apenas eles dois no ambiente. Jack fazia movimentos calmos, mas logo foi se apressando. A respiração de Gabe estava entrecortada. Eles então encontraram a sincronia perfeita. Seus pensamentos se tornaram um só, assim como seus desejos. O ápice estava próximo. Gabe apertou o sofá, como uma súplica para que Jack não parasse. Os gemidos de Gabe se intensificaram, até que o gosto singular invadiu a boca de Jack. Gabe então apertou as costas de Jack, com gemidos controlados.
– Eu te amo, Jack. – ele disse, sua voz estava entrecortada.
– Também te amo, querido. – disse Jack, se levantando e cuspindo todo o esperma num cesto de lixo que ficava no canto da cozinha.
– Depois dessa, como não amar. Porra, não sentia isso faz tempo. Desde meus 21. – Ele disse, caminhando até Jack.
– E agora temos 24, ambos. – Jack respondeu. Gabe o virou e o beijou, não como os de antes. Algo mais ávido, como se ele despejasse toda a energia final naquele beijo. Então ele deu as costas e Jack pode reparar em seu corpo musculoso mais uma vez.
– E como estão seus pais? – Gabe perguntou.
– Estão bem, todo dia agradeço por eles estarem bem.
...
Ana estava olhando a janela, vendo a linda vista que New York ostentava pela madrugada. Depois de um tempo, ela se dirigiu até a TV e então a ligou.
– Em 1932, neste mesmo dia, o ilustre Ferdinand Wellington acabou com um dos maiores conflitos sociais já existentes. Onde os Cobras e os Águias se enfrentavam e se excluíam em locais públicos. Com uma lei estabelecida por Ferdinand, os conflitos se tornaram ilegais e houve uma grande baixa de incidentes violentos e a discriminação também reduziu. – o âncora ajeitou seus papéis, sendo substituído por uma entrevista.
– Apesar de tudo ser ilegal, não deixou de ser praticado. Atualmente, os Cobras e os Águias ainda se enfrentam em avenidas e etc., porém não generalizem, alguns deles não podem ser considerados culpados de imediato. – a jornalista apontou para um local onde uma grande manifestação acontecia. Um vândalo então atirou um coquetel molotov em direção a grande construção que havia no centro da gravação. A garrafa bateu num vidro da janela e então o fogo se espalhou dentro da casa. Um dos manifestantes se aproximaram da câmera.
– É isso que eles pediram! Os Cobras não nos deixavam entrar nesse clube. Então quero ver alguém entrar! – Outro vândalo atirou mais um molotov. A fumaça começou a sair do estabelecimento, tudo estava saindo do controle. Então a gravação foi encerrada, voltando para o âncora.
– Ainda bem que não estou cobrindo isso. – Ana disse para si mesma, desligando a TV. Então ela escovou os dentes e se deitou na cama, esperando o sono vir. A vibração e o toque avisaram que o celular dela recebeu uma ligação. Ela atendeu já imaginando o que seria.
– Ana, se apronte. Você precisa estar na Ponte do Brooklyn o mais rápido possível. Algo está acontecendo. – disse seu chefe. Emprego é emprego, Ana apenas suspirou e começou a se arrumar.
“Primeiro naquele clube, agora na ponte. O que eles estão fazendo? ”, Ana só conseguia pensar na agitação o local deveria estar.
..
O enrolado tremia em suas mãos, em seu rosto as lágrimas escorriam. Então ela acendeu o papel, fazendo a substância se consumir em uma fumaça. Com uma tragada, ela pode se acalmar. A única coisa que preenchia a sensação de tristeza e vazio era seu vício. Talvez com a morte de sua mãe, Rose atingiu o fundo do poço.
Era como sair do inverno e voltar para o verão. Rose fechou seus olhos, imaginando um mundo onde sua mãe estivesse junto a ela. Então ela sentiu uma mão em seu ombro. Como uma demonstração de piedade, ele o abraçou.
– Não fique assim. – Um sorriso se espalhou no rosto dela.
– Eu te amo, Willian. – ela colocou a mão na dele, então Willian sentou ao lado dela. – Tudo o que eu queria é era ela. – disse ela, dando mais uma tragada no baseado e dividindo com ele.
– E seu pai? – ele a envolveu com os braços. Vendo a bela paisagem da sacada em que estavam.
– Quero mais que ele se foda. – Willian sorriu, porém ela mantinha o rosto sério. Rose costumava ser uma menina alegre, porém faz uma semana que sua mãe morreu. E para ela, sua mãe era tudo. – Na verdade eu quero que o mundo inteiro se foda, menos você. Claro. – ela sorriu, o olhando.
– Você é tão romântica. – Willian a segurou, deitando-a na sacada. – Eu também te amo, aliás. – ele se apoiou em cima dela.
– E por que não me amaria? – ela disse, abraçando-o.
...
Um grande estrondo acordou Jack e Gabe, que estavam na cama.
– Mas que... são 3 da manhã! – disse Gabe, se desvencilhando de Jack.
– Calma, deve ser algo na rua. – Jack segurou a mão dele, clamando por mais um momento em que ele não precisasse levantar.
– Cara, não é qualquer coisa, olha isso! – Jack se levantou rapidamente e parou ao lado dele, olhando a janela que dava para a ponte. Haviam dois grupos de pessoas e vários gritos.
– Que porra é essa? – Jack estava espantado. Então os dois grupos colidiram em um confronto, e o barulho de armas e bombas ecoou pela cidade.
– Isso não é normal. – Gabe se vestiu, então voltou para a janela. Jack rapidamente se vestiu e o acompanhou.
– A gente precisa ver mais de perto. – Jack sugeriu. Gabe o olhou, boquiaberto.
– Está maluco? Isso não vai dar em nada de útil, talvez até você... – ele parou de falar, então voltou a olhar a janela.
– Vamos lá, por favor. – Então Jack segurou na mão dele e tentou o puxar, mas o condicionamento militar de Gabe rapidamente virou o jogo.
– Eu disse que não vamos, eu te amo e não quero perder você assim. – Gabe mantinha Jack imobilizado, então se aproximou e beijou o pescoço dele. – Nunca.
– Certo. Agora, você pode quitar a dívida, certo? – Jack olhou para ele, com uma certa malícia.
...
– Que merda é essa? – Disse Ana ao ver a situação em que a ponte estava.
– Não sei, talvez um confronto entre o Cobras e os Águias. Ninguém nos avisou sobre isso. – O motorista se aproximou, dirigindo a van. Uma pedra bateu no vidro, fazendo ficar impossível de ver a rua. Ana cobriu o rosto para evitar os estilhaços.
– Aqui é onde resolveremos quem é o mais forte! – Uma voz desconhecida soou pela rua através de um alto-falante.
Notas finais
Até mais, e eu gosto de ver as conspirações dos capítulos seguintes, o que acham que vai acontecer?
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