Face to Face
1 Capítulo 1 - You're an idiot, but you're my idiot.
Notas iniciais
Essa história está sendo muito querida por mim, porque eu amo histórias com esses temas meio alucinantes, mas mesmo assim tem aquele toque de romance. Quando eu era pequena, tinha alguns amigos imaginários, então isso foi meio que a base para que eu escrevesse essa fic :3
Espero que gostem!
Tradução: Você é um idiota, mas é o meu idiota.
Blue's POV
Em meio à um exercício que a professora tinha nos passado, me peguei olhando para Hood pela milésima vez esta manhã. Ele parecia concentrado no que fazia, sua expressão séria mostrava isso. Hailey — uma loira de olhos verdes e a pele muito branca — tentava chamar sua atenção através de uma tentativa de sedução, mas o moreno fingia que a mesma não existia. Se uma menina tão bonita quanto ela era rejeitada, imagine se fosse eu? Suspirei passando a mão por meus cabelos castanho-claros e olhei para o papel em minha mesa, sem ânimo algum. Não conseguia me concentrar. Parece muito idiota, eu sei, mas parecia que minha mente não se fixava nada que não fosse aquele sorriso cafajeste de Calum.
— Amor, por que não fala com ele de uma vez? – Michael agachou-se ao meu lado, também encarando Calum – É tão simples! Vai lá, se senta na frente dele e diz "Oi, eu sou sua stalker!"
— Já disse milhões de vezes, Mike. Não quero falar com ele. Agora vai embora, preciso fazer o dever. – Balancei minha cabeça diversas vezes afastando aquele menino de cabelos vermelhos e tentando prestar atenção na atividade, mas a voz de Michael resolveu aparecer novamente.
— Você é tão linda! É só ir lá e se apresentar! Aposto dez pratas com você que aquele cara não morde. – Disse como se fosse óbvio. Uma coisa que eu odiava em Michael, era o seu sarcasmo. Revirei os olhos e pedi que ele fosse embora novamente, mas desta vez ele obedeceu.
Já que Mike tinha ficado quieto, resolvi me envolver com o dever, afinal, eu precisava de notas para passar de ano. Prestei atenção em cada explicação da professora que parecia ter seus cinquenta anos, quando sinto algo leve atingir minha cabeça. Olhei para baixo e vi uma bolinha de papel, provavelmente seria aquilo. Peguei a mesma e a desamassei, vendo que tinha uma pequena mensagem ali.
"Você é mais bonita do que essas vadias, não se preocupe. Eu amo as latinas, sabia?"
Franzi o cenho pensando em quem poderia ter mandado isso e corri meus olhos pela sala. O único que me encarava era um loirinho de olhos azuis e um piercing no lábio inferior, eu nunca tinha o reparado antes. Ele sorriu pra mim e piscou, fazendo com que eu voltasse a olhar para frente imediatamente com minhas bochechas avermelhadas. Michael me olhava de uma forma engraçada enquanto fazia "Hmmmm...", como se insinuasse alguma coisa. Soltei uma risada discreta e empurrei seu ombro.
— Parece que minha garotinha está conquistando corações. – Clifford se levantou do chão e caminhou até o garoto de olhos azuis, observando seu exercício como se o estivesse analisando, então voltou para perto de mim – Luke Hemmings. Ele é inteligente, aprovei.
— Você não precisa aprovar nada e eu não quero saber de relacionamentos, mas agora cala a boca. Já me chamam de estranha, não quero dar mais motivos pra isso. – Em meu ponto de vista, era como se eu falasse com uma pessoa normal. Mas, na visão dos outros, conversava sozinha. Ainda mais pelo fato de eu não ter nenhum amigo, isso já me classificava como esquisita. Se descobrissem que eu falo com alguém aparentemente inexistente, acho que me mandariam para um manicômio. Isso se já não tivessem percebido meus movimentos estranhos e meus murmúrios ao conversar com Mike.
— Essa doeu. – Ouvi sua voz antes que os cabelos vermelhos desaparecessem completamente do meu campo de visão.
Respirei profundamente afundando minhas mãos no rosto. Mikey era meu único amigo, mas parecia que eu fazia de tudo para afastá-lo. Mesmo que fosse apenas um fruto da minha imaginação, eu não o controlava ou algo do gênero. Ele poderia aparecer e ir à hora que quisesse, e disso que eu tinha medo. Que ele me abandonasse. Fui despertada de meus pensamentos por uma cutucada em meu ombro. Olhei para trás e vi um menino de cabelos cacheados com uma bandana vermelha na cabeça. Estudávamos juntos à um certo tempo, desde a oitava série, mas nunca me aproximei o bastante para saber seu nome.
— Pode me emprestar um lápis? – Sua voz era doce, e não carregada de segundas intenções, assim como a de quase todos os meninos que eu vi tentando puxar assunto com alguma garota.
— Você não trouxe um lápis pra escola?— Questionei com a testa franzida. Ele negou parecendo meio envergonhado, aquilo foi fofo de alguma forma – Tudo bem, eu te empresto. – Peguei um lápis preto de reserva que eu tinha no meu estojo e lhe entreguei.
— Ah, obrigado... Blue, não é? – Assenti com um sorriso fraco, que foi retribuído. Estendeu sua mão para cumprimentar-me, mas eu permaneci a encarando antes que a apertasse. Esse negócio de amizade era meio novo pra mim – Sou Ashton, prazer.
(...)
É o horário do intervalo, e Michael ainda não tinha aparecido. Pensei na possibilidade dele ter cansado de mim, que logo me afetou. Peguei meu celular e saí de sala indo para o refeitório lotado de adolescentes com os hormônios à flor da pele. Achava aquela sede de sexo deles bastante desnecessária. Precisam agir como animais à procura de presas o tempo todo? Tentei caminhar no meio daquela multidão, quando senti um corpo bater contra o meu, junto com um bandeja cheia de comida, que foi derramada em cima de mim. Arregalei meus olhos vendo minha roupa suja de um molho misturado com suco e várias outras coisas estranhas da cantina. Olhei para cima e Calum – o causador daquele desastre – encarava meu rosto como se tivesse provocado a terceira guerra mundial.
— Me desculpa, garota... E-eu não queria fazer isso... – Ele parecia com muita vergonha do que tinha causado, mas eu permaneci ali, parada, olhando para seu rosto um pouco avermelhado. Senti a presença de várias pessoas ao nosso redor e algumas risadas, vendo que aquilo tinha se tornado uma espécie de showzinho.
— Blue, diga alguma coisa. Qualquer coisa serve. Não precisa ser inteligente, só diga algo. – Percebi que Michael tinha voltado para perto depois desse momento muito constrangedor. O rapaz de cabelos vermelhos foi para atrás de Calum impaciente, fazendo sinal para que eu olhasse para ele. – Vamos, repita o que eu digo. "Está tudo bem, não se preocupe"
— Está tudo bem, não se preocupe. – Obedeci, esboçando um minúsculo sorriso, que era mais interior do que exterior. Falei com Calum Hood pela primeira vez. Uma expressão de alívio tomou o rosto dele, acabei por soltar uma risada fraca.
— Ah, que bom. – Disse esboçando aquele lindo sorriso que fazia com que eu gaguejasse. Assenti com a cabeça saindo dali o mais rápido possível e indo na direção da diretoria.
Não iria conseguir limpar minhas roupas, então era mais fácil ir para casa e trocar de roupa. Entrei no local com um pouco de vergonha, vendo que todos da coordenação me olhavam assustados. Expliquei minha situação e, como nunca me meti em confusão, liberaram minha saída. Me apressei para sair do colégio, não podia demorar muito. Parei no meio do caminho e olhei em volta, vendo se tinha alguém por perto. A rua estava quase vazia.
— Por que você sumiu?
— Queria ver como você ia reagir se eu sumisse. – Mike sorriu de modo brincalhão, mordendo seu lábio inferior.
— Sabe que eu detesto quando você faz isso. Eu me sinto estranha quando não está por perto. – Esbravejei colocando os braços atrás da cintura. Um sorriso se formou em meus lábios ao sentir seu beijo em minha bochecha, seguido de um abraço. – Preciso de você, Mike.
— Não, não precisa. É independente o suficiente para que possa sobreviver ao terceiro ano sozinha. – Eu me sentia dependente dele. Necessitava dele ali, ao meu lado, só assim poderia me sentir completa. – Blue, eu não existo. Precisa de amigos no seu mundo, na realidade.
— Que amigo na realidade me abraçaria nesse estado, completamente suja de comida? E que amigo teria os cabelos vermelhos mais lindos do mundo? – Sorri bagunçando seus cabelos.
— É, talvez eu seja demais. – Fez uma expressão convencida. Apenas sorri e deixei que ele me abraçasse, sentindo o calor do abraço que para alguns era inexistente, mas para mim era mais que real.
Notas finais
Comentem o que acharam, e até o próximo capítulo!
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