Notas iniciais
Oláaaaa. Estou aqui para postar essa coisa, demorei mas cheguei. Este capítulo está comprido, lindo, com quase 4 mil palavras, escrita daora, porque as escritoras são daora, a escrita é daora também. (~Damiani feels)

Gabrielle

Eu amo o cheiro do asfalto depois da chuva, me lembra de quando eu era mais nova e, quando acabava de chover, eu saía com minha mãe junto com Johnny e Michael, e nós íamos para qualquer lanchonete que achássemos. Mesmo depois de Michael – meu irmão mais velho — ir para a faculdade de gastronomia, continuamos fazendo isso até eu ter 15 anos, que foi o ano em que meus pais se separaram.

Era evidente que eles ainda se amavam, óbvio. Não era o jeito de uma adolescente desesperada para que os pais voltassem pensava. Era o jeito que qualquer um que os visse pensava. Minha mãe ainda tentava de vez em quando nos buscar quando chovia, e naquele fim de semana, ela conseguiu.

Ela chegou por volta das 13h, e chamando a mim, e a Johnny. Morávamos juntos, eu, Johnny, meu pai e a governanta, Rosa. Michael morava no alojamento da universidade, e até tinha uma namorada bem bonita. Era bem calmo, e eu não tinha problemas com a quantidade de vezes que eu via minha mãe. Era sempre perfeito e sempre divertido, e nem eu, nem Johnny , nem Michael tínhamos raiva do término de nossos pais, eles não nos abandonaram. Eles nem ao menos se divorciaram, e nem se importaram com isso, eles estavam separados, mas continuavam se amando.

Eles ainda tomavam vinho caro tarde da noite, e eu ouvia as risadas deles. Eu conseguia saber que ela passava algumas noites aqui, e que pela manhã, ela e meu pai riam e faziam café da manhã, com panquecas, mel e bacon, como quando eu tinha 5 anos. Meu pai ficava mais doce e alegre perto de minha mãe, quase deixava o egoísmo de lado, e minha mãe parecia brilhar perto dele.

Eu tinha terminado de colocar uma calça jeans e uma regata branca, um casaco fino preto, e um par de sapatilhas. Johnny se arrumava demais, e passava muito perfume, mas ele tinha que manter a reputação entre as meninas de 13/14 anos. O que é realmente besta, já que eles são muito novos.

Desci as escadas para ver minha mãe rindo junto a meu pai, e com aquele olhar. Minha mãe era linda demais, cabelos loiros claros, olhos castanhos esverdeados, e covinhas profundas nas bochechas. Ela era alta para uma mulher, assim como meu pai era baixo para um homem. Meu pai tinha olhos muito claros, super verdes, e cabelos castanhos tão escuros que pareciam ser pretos.

– Katherine, você continua com um humor estranho. – meu pai disse.

– Você também, Anthony. Vamos crianças, vamos tomar um café. – minha mãe falou.

.

.

Nós fomos em uma cafeteria do outro lado da cidade, bem escondida, onde ninguém se importa com um Carson bebendo cappuccino.

Eu havia ligado para perguntar a Lauren se ela queria ir junto, já que ela adora a minha mãe e gosta de café, a resposta foi:

– Ahn.. que horas são? É.. ahn... acho que eu vou tentar acordar e tomar café aqui mesmo.. é.. tchau.

E assim eu fui para o café apenas com mamãe e Johnny. Pedimos a quantidade de donuts e cupcakes que nossos estômagos conseguiriam aguentar, e muito café. Já que Johnny era maricas, ele pegou chocolate quente.

Enquanto minha mãe conversava com Johnny sobre o colégio, eu trocava mensagens com Matthew.

Matthew Miller diz: Me ajuda. Vou “estudar” com a Bethany, e estou tentando conversar, como você sugeriu, e ela só fica querendo me agarrar.

Gabrielle Carson diz: Beije-a e fala tipo, “Ah, eu ainda não sei nada de você” e bla bla. Garotas como a Bethany gostam que se interessem por algo além de seus seios.

Matthew Miller diz: Que tipo de perguntas eu faço?

Gabrielle Carson diz: Pergunta o signo dela, hobbies, filmes favoritos, livros favoritos, compare gosto musical. Esse tipo de pergunta.

Matthew Miller diz: Ok, valeu.

– Gabrielle! – minha mãe estalou os dedos na frente do meu rosto. – Eu te fiz uma pergunta.

– Ah, desculpe, eu não entendi. Pode repetir? – perguntei.

– Como vai no colégio? Conheceu algum garoto novo?

– No colégio eu estou bem. Ah, o Matthew e o Derek, eles são do quarto ano.. são legais. Mas eu converso mais com o Matthew.

– E você tem.. algum outro interesse por ele? Interesse... amoroso?

– MÃE! Não! Ele é meu amigo! Apenas isso!

Minha mãe é o tipo de mãe que quer te ensinar o que falar, fazer, e como beijar, um garoto. Ela insiste que eu namore, e da última vez que eu namorei, ela me perguntava dele o tempo todo.

Eu nem gostava dele daquela forma, ele era um amigo que eu conversava muito.

– Eu lembro do seu ultimo “amigo” – ela disse maliciosa.

– Mãe. Chega.. pergunta pro Johnny sobre os interesses amorosos dele. Sobre a Christy.

– Querido. – minha mãe fez um gesto para que Johnny falasse da loira.

.

.

Johnny ficou tão vermelho, e explicou, que Christy era a namorada dele, e que eles estavam juntos a 3 meses, e que não era uma menina qualquer, e sim que ele se sentia apaixonado.

Besteira. Ele tem 14 anos. Ele acha que está apaixonado.

As mensagens de Matthew acabaram quando ele disse que estava se divertindo ao assistir um filme com Bethany.

Eu gostaria de ter adorado aquilo. Mas eu não gostei. E eu não sabia o porquê.

.

Lauren

Depois de tomar meu café da manhã, uma tigela de cereais com bastante leite, Derek me pediu para eu encontrar com ele na casa dele. Não falei muito, eu tinha recusado sair com Gabe, mas eu já estava mais acordada e com toda certeza, entediada.

Vesti uma calça preta, uma camisa de flanela vermelha e pus um par de tênis qualquer. A casa dele ficava a algumas ruas da minha, mas era perto.

Quando entrei, Derek falou sobre uma casa abandonada que ele queria ir. Era uma casa bem no meio do nada, que ficava fora de San Diego. San Diego era grande, mas nem tanto. Então levaria pelo menos um tempinho de viagem.

– Temos que levar algo para beber, e algo para comer.. acho que vinhos e queijos é uma boa pedida.

– O vinho é realmente bom, mas acho que o queijo vai ficar ruim – eu dei uma risada. – Tem algum biscoito salgado?

– Sim! Primeiro vamos a uma missão impossível em arrombar o armário de bebidas do meu pai conseguir pegar um vinho bom. O que não é impossível, já que a chave do meu pai fica em cima da cômoda dele. – ele sorriu e me guiou pelos corredores da casa.

– Da ultima vez que eu estive aqui eu estava doidona..

– Sim, vinho é mais forte.. você vai ficar muito louca.

– Ei! Eu consigo aguentar dessa vez, já me preparei psicologicamente. .

– Se você desmaiar no terceiro gole, eu te carrego até o carro..

– Promete? – perguntei irônica, e fiz uma cara boba.

Ele apenas riu e depois de pegar a chave, nós fomos até o sótão, que era aparentemente onde ficava o armário de bebidas.

Pegamos duas garrafas de um vinho caro, e algumas bolachas salgadas. Fomos para o carro de Derek, que era uma eco sport preta.

Derek me explicou a história da casa abandonada. Ela era aparentemente assombrada, e essas coisas. Ele me contou que um homem chamado Walter Black morava lá com a esposa, e as duas filhas gêmeas. Ele me contou que antes deles, muitas pessoas já haviam morrido na casa, mas Walter aceitou o desafio de morar lá também, dizendo que era tudo baboseira. Ele começou a ouvir vozes. Vozes que lhe diziam para matar sua família. Então ele o fez, matou a esposa e filhas, e depois se suicidou.

– Cala a boca, Derek! Isso é besteira! – eu disse.

– Você está com medo.

– Não! Isso é um monte de bosta, se ele morreu lá, beleza, mas ele ser algum tipo de fantasma assassino? Que merda.

– Isso foi a 5 anos atrás.. depois dos acontecimentos, ninguém mais se atreveu a morar naquela casa..

– Ui, que medo. – ironizei.

.

.

Eu dormi na metade do caminho, e quando acordei, devia ser quase de noite. Derek estacionou a uma pequena distância da casa, me entregou uma lanterna, e pegou uma para ele.

– Que horas são? – perguntei bocejando, ainda com sono.

– São... 17:45, vamos logo..

Nós apertamos o passo, já com as lanternas acesas. O caminho que fizemos a pé, levou uns 10 minutos, mas logo já estávamos na frente de uma imensa casa, velha, estilo colonial, que com toda certeza estava abandonada.

Derek foi na frente, enquanto eu ficava parada me perguntando se tinha sido uma boa ideia.

– Vai amarelar? – Derek perguntou, sorrindo desafiador.

– Você vai? – perguntei a ele, me convencendo a andar e fui andando até a entrada.

O cheiro da casa era de poeira. O chão de madeira soltou um rangido alto quando entramos na sala de estar, pareciam prestes a quebrar. O sofá tinha uma capa, provavelmente os Black eram uma família que tinha suas manias.

As poltronas vermelhas também estavam encapadas, e as longas cortinas vermelhas de veludo, estavam fechadas e escondiam as janelas. Havia uma lareira, e sobre ela, um espelho largo. Sobre a mesa de centro, havia um radio empoeirado. A única coisa limpa, eram os móveis encapados com plástico.

Eu e Derek subimos as escadas para vermos os quartos, usando a lanterna para ver o que havia pelo caminho. Entramos no primeiro quarto que vimos. As paredes eram azuis, e haviam duas camas de solteiro, uma com lençol roxo, e a outra com lençol preto. Havia uma televisão pequena em cima de uma das cômodas. Tinha apenas uma janela no quarto, e em uma das paredes, com letra cursiva estava escrito “Angelina” e na outra, com uma letra quase ilegível, estava escrito “Carter”. O quarto era grande, de um lado havia uma guitarra com suporte, no lado da Carter, e no lado da Angelina tinha uma mesa de desenho.

– O quarto da gêmeas.. – Derek disse. – Olha.

Ele me entregou um porta retrato com uma foto das meninas. As duas estavam abraçadas, e deviam ter por volta de 13 ou 14 anos. As duas eram idênticas, o mesmo cabelo castanho escuro, o mesmo sorriso com covinhas nas bochechas, e os mesmo olhos azuis. Fora as roupas, uma de casaco rosa, e a outra com um moletom cinza. Pareciam felizes.

Logo depois entramos em um quarto enorme, havia uma cama grande, de casal, com um lençol colorido. Um quadro estava na parede acima da cama. As duas meninas, dessa vez com roupas iguais, e os cabelos presos. E uma mulher de cabelo castanho e olhos azuis sorria, juntamente a um homem de cabelos e olhos castanhos. Parecia uma família feliz. As náuseas vieram quando olhei para a parede, e escrito em sangue, havia a seguinte frase:

“AS VOZES QUE ME GUIARAM”

– Vamos sair daqui, eu to com vontade de vomitar.. – eu disse e saí do quarto. Desci as escadas e sentei com todo meu peso no sofá encapado. – É meio triste, sabe? Nós visitamos várias casas abandonadas, e nenhuma das historias me deixou tão..

– Afetada?

– Sim. Nunca me senti tão afetada. Cadê o vinho?

Ele me entregou a garrafa em silencio, peguei o abridor do pai de Derek, e tirei a rolha da garrafa.

Dei um gole, seguido por mais um, e mais outro. Deixei a garrafa sobre a mesa de centro, e peguei o radinho que estava ali em cima. Liguei e coloquei em uma estação que tocava alguma música muito calma dos anos 80.

– Você está bem? – Derek perguntou, pegou a garrafa sobre a mesa, se sentou ao meu lado, e deu alguns goles no vinho.

– Sabe.. é triste, mas poderia acontecer com qualquer um. Poderia ser a minha mãe, o seu pai, os pais da Gabe, ou os da Maggie, ou da Amy.. é incrível ter tanta sorte, mas ficar tão afetado com uma coisa, que eu devia estar agradecendo por não ser com a minha família.

Derek pareceu pensar por alguns momentos. Ficou de pé, deixou a garrafa em cima da mesa, e estendeu sua mão.

– Vamos dançar.

– Acho que se esqueceu que eu não sei dançar!

– Besteira! Vem, eu sei dançar, então, venha, dance comigo.

No fim das contas aceitei. Ele colocou as mãos em minha cintura, e eu as mãos envolta de seu pescoço. Eu era muito baixa perto dele. Uns 20 centímetros de diferença, pelo menos. Eu coloquei a cabeça no seu peito, de modo que eu conseguia ouvir seu coração.

Ficamos assim durante 3 músicas, até eu me desvencilhar do abraço, um pouco tonta.

– Acho que chega.. o vinho me deixou girando. – eu dei uma risada e me sentei no sofá.

– Vou precisar te carregar?

– Não! – eu disse rindo.

– Você ta doidona.

– Não estou não! Só meio tonta. – eu disse rindo.

– E essa risada?

– Eu tenho riso frouxo. Rio por qualquer coisa, você não pode me culpar por isso.

Ele sorriu fraco.

– Acho que essa maravilhosa aventura merece desafios. Começa você.

Pensei por um tempo.

– Te desafio a beber o resto todo do vinho sozinho. – eu disse. A garrafa estava pouco acima da metade, e era um vinho bem forte.

– Fraco. – ele disse, e começou a beber o vinho.

Em questão de um minuto, a garrafa não tinha rastros da bebida, apenas o cheiro. Ele sorriu.

– Minha vez. Te desafio a... tentar beber pelo menos metade da outra garrafa. – ele disse com a voz arrastada.

– Pode trazer.

Depois de tirar a rolha da garrafa, eu bebi o máximo que consegui, que fez com que a garrafa ficasse pouco abaixo da metade.

– Acho que eu to bêbada. – eu disse arrastando a voz, parecia que o teto girava. – Eu to com a garganta seca..

– Vinho seco. Sabe, é seco. – ele disse rindo.

– Eu só to rindo porque eu to bêbada. – eu disse caindo na gargalhada.

– Sua vez de fazer o desafio..

– Ok. Eu te desafio a... ir no sótão, gritando pelo Walter.

– Isso é fácil – ele disse.

Fiquei no pé da escada que levava ao sótão, e ouvi a voz de Derek “WALTER! WALTER VEM AQUI! VEM ME PEGAR!” ouvi um estrondo vindo do sótão.

– DEREK! DEREK, VOCÊ TÁ BEM? – gritei. Subi as escadas o mais rápido que pude, sem sinais de Derek – Derek, não brinque comigo. Onde você está?

– BU! – ele pulou em mim e caímos no chão.

– Seu... idiota! Eu vou te matar – comecei a bater em seu braço. – Estupido! Estupido! Estupido! Seu idiota! Você quer me matar do coração? Eu fiquei preocupada!

– Que bom que se importa comigo. Minha vez de te desafiar. Me beije. – ele disse.

Eu arregalei os olhos.

– Somos AMIGOS! Amigos não se beijam!

– Sim, mas esse é o desafio, vamos lá.. me beije, mostre que tem coragem.

– Nunca fizemos desafios desse tipo. E eu não quero que comecemos a fazer. Por favor, não me obrigue. – tentei sair de debaixo dele, que ainda estava caído no chão.

– Eu não estou te obrigando, é apenas um desafio, coisa boba, não vai significar nad.. – enquanto ele matracava, eu decidi beija-lo logo para calar a boca dele.

Demoraram cerca de segundos para ele aprofundar o beijo, e deslizar a mão de para minha cintura. Depois do que pareceram anos, eu me afastei, e dessa vez consegui me levantar.

– Viu... não significou.. nada – ele disse e sorriu depois.

– É claro.. nada – respondi, mesmo que eu não me sentisse dessa forma. – Vamos embora.. eu vou dormir na casa da Maggie.

– Ok. Eu te levo, mas e roupas?

– Eu tenho roupas lá.. tenho roupas na casa de todas elas.. – eu disse.

– Ok.

.

.

No meio do caminho, mandei mensagens para Maggie, para avisar que eu ia dormir lá, já que eu tinha inventado tudo de ultima hora, a não ser pela parte das roupas.

Lauren Scott diz: Pelo amor de Deus, eu preciso dormir aí!

Maggie Greene diz: Ok, fica calma. Pode vir, a Gracie, a Amy e a Gabe estão aqui.. nós estávamos estudando e elas vão dormir aqui. Nós tentamos te ligar mas dizia que estava sem sinal.

Lauren Scott diz: Depois eu explico.. tenho muitas coisas para explicar. Vou aparecer daqui a uns 40 minutos. Juro que depois eu explico tudinho para vocês! Beijos, te amo.

Maggie Greene diz: Ok, beijos. Te amo.

.

Depois de mais ou menos uma hora, eu expliquei exatamente onde a casa de Maggie ficava, e Derek dirigiu o mais calmo e rápido possível para alguém bêbado.

Chegamos na frente de uma casa grande, com janelas compridas e luzes na entrada. A casa era cor de creme, e as paredes eram praticamente só vidro blindado. Havia uma varanda no andar de cima, e uma luz amarela irradiava do primeiro andar.

– É aqui. Bom, tchau. – me despedi e rapidamente saí do carro. Toquei a campainha e logo a porta foi aberta por uma moça baixinha de cabelos cacheados curtinhos, com um forte tom de castanho. Os olhos eram castanho escuro e ela tinha um sorriso estampado no rosto.

– Oi tia Di, eu vim para dormir aqui.

– Ah sim, as meninas me disseram, entre. – ela tinha um forte sotaque canadense, assim como Maggie. Ela sorriu, e assim que entrei, Melanie veio correndo me abraçar.

Melanie tinha 7 anos, e tinha o rosto de Maggie, com os cabelos iguais aos da tia Diana.

– Oi! Nossa que saudades! Faz tempo que você não vem aqui! – ela sorriu.

– Mas estou aqui agora. As meninas estão no quarto?

– No sótão, pediram que eu avisasse que vocês iam jogar o jogo da verdade, e que seu pijama está na cama de Maggie.

– Obrigada, Mel. – eu disse sorrindo e depois, subindo as escadas.

Entrei no quarto no final do corredor. O quarto tinha paredes totalmente brancas, e uma cama grande de casal. Tudo era branco, mas haviam desenhos pendurados pelas paredes, desenhos feitos por Maggie, e havia um abajour de luz negra sobre a cômoda, que quando estava ligado era possível ver escrituras pelas paredes, as estrelas com tinta flourescente no teto, e frases escritas por nós 5. Sobre a cama havia uma camisa de beisebol do Yankees, um short de moletom azul e algumas mochilas das garotas.

Vesti a camisa de beisebol e o short de moletom, penteei o cabelo com a escova sobre a cômoda de Maggie, e segui para o sótão. Risadas vinham de lá, e eu me apressei a subir as escadas de levavam para lá.

– Ele vem quando? – a voz de Maggie perguntou.

– Amanhã a tarde. Ele vai ficar só uma semana, mas me disse que pretende fazer uma festa incrível e que eu tenho que convidar todo mundo do colégio. Acho que Michael é idiota, sabe? Esse déficit de atenção dele deve ter feito ele se esquecer que meus pais não deixam ele fazer uma festa na casa da praia desde o desastre de quando ele tinha 16 anos. – Gabrielle respondeu.

– Oi. – eu disse. – Michael vai vir?

– Sim! – Gracie respondeu animada. É que basicamente Maggie e Gracie tinham uma paixão platônica por Michael, claro que com razão. Já que ele tinha 1,80, cabelo castanho escuro e olhos verdes.

– Gracie, ele está namorando a tal da Lydia, ela é legal. E, bem, ele tem 20 anos e você tem 16. – Gabe disse e eu me sentei ao seu lado, no círculo que as meninas estavam no chão.

– QUASE 17! – ela disse.

– Hey, já que ele tem 20 anos, e não 16, acho que seus pais vão mesmo emprestar a casa da praia pra ele. Além do mais, ele vai se formar logo, e pode persuadir a tia Kath e o tio Anthony. – Maggie disse.

– Ok, Maggie. Você sabe que pode vê-lo quando quiser e sem usar essa festa. Sabe que ele considera todas vocês irmãs. – Gabe disse.

– Gente, nós não íamos jogar verdade ou desafio? – perguntei.

– Ah sim.

Gabe girou a garrafa que apontou para mim. Escolhi verdade e ela fez a pergunta que eu esperava que ela fizesse.

– O que houve hoje? Você estava com o Derek né?!

– Sim, eu estava com ele. Nós estávamos só visitando uma casa abandonada, bebemos um pouco de vinho.. ou muito.. quando percebi, estávamos no meio dos desafios que sempre fazemos, e um dos desafios foi o beijo. Nós nos beijamos.

.

.

Depois que tínhamos passado a noite toda conversando, depois de desistir de jogar verdade ou desafio porque era muito idiota, nós dormimos muito. Tia Diana nunca nos acordava antes das 12:00 horas, se passássemos do horário ela nos acordava abrindo a janela do quarto, subindo a cortina, cantando alguma música com Melanie e com um café da manhã delicioso.

É, mas eu acordei antes, com uma pessoa batendo em mim com o travesseiro.

– Acordei. – eu disse. – Quem ousa interromper meu sonho? – disse mesmo sem saber o que exatamente eu estava sonhando.

– Eu ouso – disse Maggie. – Vem, as meninas foram pra piscina. Tá muito sol, a Gabe disse que o Michael tá vindo pra cá com um amigo, e que o Jimmy, Sophia, Derek, e Matthew também estão chegando.

– Não posso dormir até de noite? Quando a vovó fizer o frango? – eu disse. Chamo a avó de Maggie de vovó. Todas chamamos.

– Não, não pode. Ou não tem frango pra você. Nem banho. Nem cama. Ou acorda ou eu te jogo pela janela.

– Já entendi – respondi e tirei o travesseiro de minha cabeça.

Levantei do colchão macio, e procurei por um biquíni no fundo da gaveta de Maggie. Peguei um preto, simples. Coloquei o pijama, uma camisa branca por cima e penteei a montanha de cabelo que tinha se feito enquanto eu dormia.

Comi uma tigela de cereais com Melanie, que estava com um pijama de corações e que estava com o cabelo todo espetado. Depois fui para fora quando vi Gabe pulando na piscina gritando “Olha a bomba”, e voltando a superfície rindo. Estava realmente calor. As férias de verão tinham acabado a pouco tempo, e já que estávamos no meio de Agosto estava bem quente ainda. Na espreguiçadeira do lado da piscina, Jimmy e Sophia conversavam com Michael e um cara que eu nunca havia visto.

– Bom dia, raio de sol. – disse Michael irônico. – Nunca vi alguém acordar tão animado. Sério, de onde você tira essa energia?

– Calado. E então, conseguiu a casa para sua festa? – perguntei.

– Bom, é no mesmo dia que o tal jantar beneficente da Carson Global, Miller Midia e da Major Line. O que significa que eu tenho que ficar lá durante uma hora e depois a casa da praia é minha. Então sim, pestinha, eu consegui.

– Michael. Você é apenas 3 anos mais velho que eu, e age como se tivesse 12.

– Ei! Não me insulte! 13.

– Continua sendo um idiota.

– Também te amo – ele disse e se levantou, achei que ele fosse me dar aquele abraço, do irmão mais velho que eu nunca tive, mas que eu sempre tive Michael pra cuidar de mim e de Gabe e das outras meninas, dando conselhos e a nossa primeira cerveja quando tínhamos 14 anos e não bebemos nem metade. Ele apenas me empurrou na piscina.

“Legal. Ele continua um idiota, e eu molhei a camisa.”

Quando voltei a superfície e encarei Derek chegando me lembrei do beijo, e de como eu estava constrangida.

“Ok, agora eu posso me esconder.”

Notas finais
Ok, se você está pensando: What? Como assim no meio de Agosto estar quente? É AÍ QUE LHE RESPONDO AMIGUINHO DAORA: A história se passa em San Diego nos USA, então vai seguir o clima deles, as férias, o colegial, os períodos, tudo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.