Faça-me, Quero Ser Tua.
35 Descobertas, Bipolaridade, e a realidade da triste solidão.
Notas iniciais
Acordei-me no meio da tarde, com meu estômago implorando por comida. Meu Deus, quanto tempo dormi? Levantei-me da cama, e todos meus músculos protestaram. Carlos Daniel, homem, você acabou comigo. Fui direto para o chuveiro, e depois de um bom banho, enrolei-me em um roupão e fui para o designado meu quarto. Peguei uma troca de roupa no closet -daquelas que Carlos Daniel escolheu- e as vesti. Estava uma temperatura agradável, e um vestidinho caiu bem. Fui quase voando para a cozinha, e ataquei a geladeira. Deus... que fome! Preparei uma torrada com peito de frango, alface e queijo, e assim que terminei de comer, fui dar uma volta pela casa. Algumas portas estavam trancadas, e então desci as escadas e fiquei na biblioteca. Li por algumas horas, e assim que aquela solidão sem fim me bateu, decidi deitar-me. Quando comecei a subir as escadas, o telefone da casa tocou, dando-me um susto tremendo. Corri até o aparelho, e um pouco receosa, atendi.
–Alô?
–Boa Noite... -era Ele! -Como estás?
–Oi. Boa Noite. Bem... e você? Como foi a viagem? -Questionei em busca de assunto.
–Cheguei a pouco tempo no hotel. Tive que passar no escritório principal para assinar algumas coisas... e Logo... -ele calou-se. -Tive alguns problemas. Mas como você está realmente? Comeu algo?
Tive que conter um sorriso.
–Estou bem... um pouco... hm... -o que dizer? Oh Carlos Daniel, estou dolorida em lugares que nem conhecia?
–Cansada? -tirou-me de meus pensamentos.
–É! E sim, comi a algumas horas, e depois andei pela casa, e fui para a biblioteca. Essa Casa é enorme Carlos Daniel, e ficar sozinha aqui é tedioso.
Ele riu do outro lado, e fiquei esperando respostas suas. Ué, apenas falei a verdade.
–Eu sei, me sinto assim também. Mas amanhã cedo Cacilda estará ai, e então vocês podem conversar... -Ele suspirou, e ficou alguns segundos calados. Fiquei ali, o ouvindo respirar, e então ele resolveu falar. -Só Liguei pra saber como você está, e... para que saiba que és uma mulher divina, e arrependo-me de ter tocado-te daquela forma.
Um nó formou-se em minha garganta, e segurei-me par não chorar.
–Paulina? -chamou-me.
–Sim, estou aqui. -respondi-lhe com a voz falha.
–Olha, você deve estar sem acreditar em nada do que te digo, não é? -disse ele com a voz estranha.
–Não Carlos Daniel, não é isso. -Sentei-me na escada, a procura de apoio para o que eu diria. -As coisas tomaram um rumo desconhecido... você machucou-me de forma... sei lá, e algum tempo depois, me tocaste de uma forma... sublime. Acredite em mim também, você me assusta. Me machucaste de verdade, sabes disso...
–Eu sei, eu sei... -murmurou ele em um suspirar.
–...Mas disse-me que podemos dar certo. E acredito nisso também. Só... conheço-te tão pouco, e você tanto a mim...
–Eu Sei Paulina, entendo tuas necessidades de me conhecer mais, mas... -ele fez uma pausa, e respirando fundo prosseguiu. -Quando tivermos olhos nos olhos, contarei um pouco de mim, tudo bem?
–Tudo Bem... -murmurei escutando o embalo bom de sua voz.
–Arrependida? -questionou.
–Por?
–Ter entregado sua virgindade a mim?
Ele perguntou isso mesmo? socorro...
–Bem... sim... não. Olha Carlos Daniel, não foi como eu sonhara, mas nem tudo são flores. Só... não me machuque mais.
–Nunca mais.
–Nunca mais. -repeti suas palavras sentindo meu coração apertar-se. Oh Deus o que estou fazendo.
–Fique Bem Paulina, descanse, durma...
–Você também.
–E, saiba, que eres deliciosa. Boa Noite.
E ali fiquei eu, sozinha naquele silêncio sem fim, segurando o telefone...
–Boa Noite... -murmurei para mim mesma, desejando que em um sonho aquelas palavras chegassem a ele. Subi as escadas e no tal meu quarto, vesti uma camisola, escovei dentes e cabelo, e então, não me contive, e fui para o quarto dele, onde seu cheiro estava impregnado. Os lençóis amarrotados estavam alguns no chão, outros sobre a cama -já secos pelo calor do dia. — e não fiz questão de pegar outros, apenas uma coberta. Deitei-me ali, sentindo o cheiro dele naquela fronha bege, e enrolada aquela coberta enorme -similar a que ficou em minha casa. -fiquei mirando a janela, onde lá fora uma bela lua brilhava Adormeci logo, pensando em tudo o que aconteceu nesses dias, e no que eu realmente tinha a perder nisso tudo. Pra quem não tem nada nem ninguém, eu deveria arriscar-me a ama-lo? Será? Dormi pensando que poderia acordar na manhã seguinte e ele estar ali, ou tudo ter passado de um sonho bobo.
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Não fazia ideia de que horas eram... Minhas coxas, Meu Deus. Me movi na cama, e tudo doía. Jesus. Levantei-me desajeitada, e vi que o sol parecia se esconder. O tempo estava nublado, estranho. Caminhei até aquele tal quarto meu, e de lá peguei um casaco de moletom e uma calça jeans, vestindo-os e calçando uma sapatilha. Deus, quanta coisa tem aqui. Me sinto uma... uma... vadia com tudo isso. Se Carlos Daniel quer fazer isso dar certo, teremos de falar sobre isso.
Tranquei-me no banheiro alguns minutos, e assim que meu estômago implorou por comida, desci as escadas. Entrei pela cozinha, e deparei-me com Cacilda fazendo algo de comer. Nossa, tinha esquecido que ela viria.
–Bom dia Menina! -disse-me sorridente.
–Bom dia Cacilda. -Lhe cumprimentei um pouco envergonhada. Bem, ela sabia o que se passou nessa casa, sem dúvidas.
–O que queres para o desjejum? -questionou virando-se para mim.
–O que você está cozinhando? -vi que ela picava alguns legumes.
–Omelete. Aceita?
–Claro, o cheiro está ótimo!
A manhã passou voando, e eu e Cacilda conversamos bastante. Tive vontade em alguns momentos de perguntar-lhe sobre o passado de Carlos Daniel, mas me contive. Mesmo negando-se, fiz questão de ajuda-la a arrumar a casa -que não tinha muito o que se fazer- e logo ela ensinou-me a colher os morangos. Acredito que ele gostaria de ver-me fazendo isso. Almoçamos, e logo em seguida a senhora convidou-me para ir com ela até um mercado próximo. Aceitei de bom grado. Não conhecia muito aquele bairro, e seria bom. James levou-nos em um carro prata, e assim que começamos a comprar no imenso supermercado, ela começou a questionar-me sobre Carlos Daniel.
–Faz tempo que conheces o menino? -perguntou-me como se ele tivesse apenas alguns anos. Sorri pela sua forma de expressão.
–Apenas alguns dias. -disse sincera, sentindo meu rosto corar.
–Sei que ele mal te contou sobre quem ele é, mas... quero que saiba que nunca o vi tão bem depois daquela moça.
–Daquela moça?
–Sim, Gisele Martinelli. -Ela baixou os olhos, mas logo continuou suas compras. Eu a acompanhará, e agora já estava curiosa demais com esse assunto. Ela pareceu ler minha mente, e depois de alguns segundos em silêncio, prosseguiu. -Ela não o mereceu, e o enganou das piores formas. -A senhora virou-se para mim, e largando uma lata no carrinho de compras, suspirou virando sua fala a mim. -Olha Senhorita Paulina, conheço-te muito pouco, e perdoe minha intromissão, mas dê confiança a ele. Ele tem seus lados afogados, mas... acredito que ele apenas busca... encontrar algo bom nas pessoas. Tente entende-lo.
Fique ali, parada no meio do corredor, completamente pasma. Talvez até Pálida. Oi? As palavras dessa senhora deixaram-me em pernas bambas, e mais agora do que nunca eu tenho que saber quem esse homem é.
–Dona Cacilda, agradeço o que me diz. E saibas que confio muito nele. Até Demais. Conheço Carlos Daniel há... apenas alguns dias mesmo, e veja, estamos aqui agora. Eu e ele... estamos... tentando fazer algo dar certo, mas ainda temos que conversar. -falei com sinceridade a ela.
Dali em diante, conversamos sobre coisas sem grande importância. Após o mercado, caminhamos pelo lugar e fomos a procura de outras coisas para a casa. A tarde voou, e o sol já se escondia quando regressamos. Assim que chegamos tomei um banho bem quente. Estava precisando. As palavras de Cacilda vagavam em minha mente e droga, era tudo tão complicado... mas que minhas esperanças não falhavam de acreditar que poderíamos dar certo. Sequei o cabelo com o secador, e vesti uma camisola. Tinham várias naquele guarda roupa, e me perguntei quando ele as comprou. Agora eu estava com uma roxa bem escura, de cetim no busto e o restante em renda miúda, com um roupão por cima. Estava começando a ficar frio com a chegada da noite, e o roupão me aqueceria mais que o robe. Desci as escadas, em busca de algo para comer quando deparei-me com a bancada da cozinha exatamente pronta. Ali, estava uma bandeja com frutas, uma xícara de sopa com um caldo fumegante, algumas torradas e suco. Junto, um pequeno bilhete:
"Senhorita, fui até seu cômodo, mas estavas no banho. Deixo aqui, algo para comeres. Até breve. Cacilda. "
Sorri com aquele bilhete, e sentando-me em um daqueles bancos, deliciei-me com um pouco de tudo que estava ali. Não estava acostumada com isso, a ter as coisas prontas. Sempre tive que lutar muito para ter qualquer migalha, e quando mamãe adoeceu, foi pior.
Fiquei algum tempo naquela enorme cozinha, e depois de arrumar tudo por ali, subi as escadas e deitei-me naquele que deveria ser meu quarto. Fiquei ali, revirando na cama, pensando naquele louco homem que fez meu mundo virar de cabeça para baixo. Tudo tão rápido, tão intenso, me pegando desprevenida. Foi Fatal. As coisas voaram, e depois de tudo o que ele fez, machucou-me. Logo me pediu perdão, assumiu sua culpa, e eu me entreguei outra vez a ele.
Foi num tocar do telefone que eu dei um salto da cama. Corri para o quarto de Carlos Daniel, e sentando-me em sua cama atendi o telefone.
–Alô?
–Boa noite... -disse aquela voz que enviava-me a outro mundo, rouca e serena.
–Olá. — Lhe respondi arrepiada, sem saber o que dizer.
–Está tudo bem por ai? -perguntou naturalmente.
–Sim. Só um pouco... nada.
–O que, diga-me. -pressionou-me quando a realidade bateu em minha porta, lembrando-me que não era só naquele momento que eu estava sozinha. Era a muito tempo.
–Nada. -murmurei com os olhos ardendo.
–Fale.
–Me sinto sozinha. -confessei com um nó na garganta.
Carlos Daniel suspirou do outro lado da linha, e ouvi barulhos em gavetas ou coisas do tipo. Depois de um tempo, ele se pronunciou.
–Também me sinto assim. Você sabe.
–É diferente. -Argumentei. -Você tem irmãos, e eu... não tenho nada.
–Não é assim Paulina. -falou outra vez suspirando, e então o choro meu tomou, e com a mão livre abafei minha boca, tentando fazê-lo não ouvir.
–Você... está chorando? -questionou com um tom... raivoso?
–Não, eu... não, não estou. -falei respirando fundo, um tanto perdida.
–Não minta.
Não consegui dizer mais nada, e então ele sabia que eu realmente chorava.
–Odeio te ouvir chorar.
Eu, nada respondi. Minha garganta não deixava. Não dava.
–Paulina, qual é o seu problema? Acredito que andas tão bipolar quanto eu! -grunhi ele irritado... comigo. Comigo?
–Puta que Pariu Carlos Daniel! -eu disse mesmo um palavrão? -Você me esconde quase tudo sobre si, tira minha virgindade feito um monstro, depois diz que está arrependido, fizemos... sexo de forma sublime, vai viajar, quase me obriga a ficar na sua casa, e eu sou a bipolar? Estou de saco cheio dessa sua maneira de querer tentar e me esconder o mundo. Já disse que sozinha não consigo!
Ao fim do desabafo, eu já gritava em meio as lágrimas sem perceber. Fiquei ali, soluçando, perdida, sem saber o que dizer, o que fazer. Ficamos em silêncio um bom tempo, e então só o ouvi dizer algumas palavras antes de desligar o telefone em minha cara.
–Só liguei pra saber como as coisas estavam ai. Vá deitar, e durma.
Ele desligou o telefone, parecendo irritado, e eu fiquei ali, sozinha de novo. Voltei para o outro quarto, fugindo de seu cheiro que estava impregnado ali, e entrando no outro cômodo, na solidão, o choro tomou conta de meu rosto. Chorei frustrada pela vida que levava, e por tudo ser tão complicado. A Vida realmente devia vir com manual de instruções. Abafei-me embaixo de um edredom preto, e depois de algum tempo, o cansaço do choro me venceram, e acabei dormindo.
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