Faça-me, Quero Ser Tua.
71 Aniversário Estephanie - Parte I
Notas iniciais
—Paulina, quero deixar-te totalmente claro que não sei o que vamos encontrar ao entrar nessa casa. Te suplico que não esqueça em momento algum o quanto te amo, o quanto você me mudou, o quanto sou seu. Não tenha dúvidas, nem hoje, nem nunca.
Suas palavras me pegam bastante de surpresa. Não sei o que dizer. Sei que ele está nervoso. Bem, eu também estou.
Ele abre a porta da casa e de braços dados seguimos por ali. Damos alguns passos enquanto o burburinho das pessoas aumenta. Carlos Daniel trava totalmente quando uma pequena menina loira corre até ele e abraça suas pernas.
—Tio! -Diz a mocinha contente. -Sabia que viria!
Solto seu braço, surpresa com a situação. Ele me lança um sorriso amarelo e então pega a garotinha em seus braços.
—Olá minha laranjinha, como você está grande. -Diz ele, deixando-me sem ar. A garotinha segura a face de Carlos Daniel e suavemente deposita um beijo na ponta de seu nariz. Ela ri soltando-se de seus braços e então corre pelo lugar novamente.
O corredor está cercado por flores e fitas, mas realmente não consigo ver nada, pensar em nada após essa cena. Carlos Daniel agarra minha mão e então damos o braço um ao outro novamente.
—Essa é Laura, minha sobrinha. -Diz ele parecendo se justificar.
Carlos Daniel parece tencionar após as palavras e então em apenas dois passos o homem das trevas revive. A postura muda, o jeito de caminhar... meu namorado carente não está ali, apenas o louco que me domina.
Adentramos uma grande porta e ali vejo uma multidão. Várias pessoas estão por ali, algumas sorridentes, outras nem tanto. Observo-as enquanto Carlos Daniel leva-me diretamente para a copa. Ouço-o pedir uma dose de whisky e uma taça de Champagne. Ele estende a taça a mim assim que o garçom a deposita sobre o balcão. Ele está nervoso, muito nervoso.
—Acalme-se homem das trevas, por favor. -Digo tomando um gole do champagne. Está gelado, borbulha em minha boca.
—Estou tentando, mas é como ver meu passado mal assombrado se cruzando com nosso conto de fadas tão bom. -Sussurra puxando-me para perto de si. Com a mão que estava em seu braço, agarro seus dedos e os enlaço com os meus.
—Vai ficar tudo bem, certo. Cadê o homem das trevas? -pergunto baixinho.
—Prefere ele, não é? -diz parecendo um pouco decepcionado.
NÃO!
—Não, claro que não. -Respondo-lhe acariciando seus dedos. -Prefiro meu namorado, o homem que amo. Mas a princesa do mundo encantado não vive sem o Homem das trevas.
Ele sorri, aquele sorriso todo meu. Agora sim!
—Você é o melhor que já me aconteceu. -murmura num mover de lábios. Seus olhos me encaram, minha boca seca imediatamente. Será que ele sempre terá esse efeito sobre mim?
—Carlos Daniel?
Ele vira-se rapidamente e meus olhos correm. Uma mulher ruiva, alta e muito bonita aproxima-se puxando-o para um abraço. Ele devolve o ato de afeto enquanto eu só observo tentando entender algo. Ela beija sua bochecha e então o solta. Carlos Daniel tira a taça de mim e a larga sobre o balcão.
—Pensei que não viria. Não sabe como estou feliz! -Os olhos da mulher brilham ao marejar.
Carlos Daniel acaricia o queixo dela dando-lhe um sorriso amarelo.
—Estephanie, essa é minha namorada, Paulina. Meu amor, esta é minha irmã.
A mulher me olha com um sorriso largo e pegando-me de surpresa me puxa para um abraço também.
—Que prazer te conhecer! -Diz baixinho em meu ouvido.
—Parabéns, felicidades! -Falo quando nos afastamos. Carlos Daniel relutante me solta e ela pega minhas mãos.
—Obrigada por o trazer.
Oi? Quê? Não entendi...
Sorrio para ela e então ela sai quando a sobrinha de Carlos Daniel a chama.
—Menos uma... -Sussurra ele puxando-me para si outra vez. Ele agarra a taça do balcão e entregando-me termino com o líquido dentro dela em um gole.
Ele sorri, percebendo que estou nervosa. É, Carlos Daniel.. estou nervosa.
A Festa anda a todo vapor. Conheço a avó de Carlos Daniel e me encanto com ela. A Senhora é um amor. Algum tempo depois, quando sento-me em um dos sofás ao Lado de Carlos Daniel, Laura vem até mim para conversar.
—Você é a namorada do tio? -pergunta baixinho, encostando-se a ele. Carlos Daniel a pega no colo. Não evito um sorriso.
—Sim, sou a namorada do seu tio. -digo mirando-a, observando de relance a situação do titio ali.
—Seus olhos são como os meus. -fala enquanto abre bem os olhinhos. -Você é muito bonita tia.
Virgem de Guadalupe! Meu coração para na garganta, acelerado. Não evito um sorriso. Agradeço a pequena menina pelo elogio e então ela sai saltitante pela festa outra vez. Um Senhor chama Carlos Daniel e ele se levanta.
—Já volto meu amor, pegarei outra taça de Champagne pra você.
—Tudo bem... -digo-lhe implorando em um olhar que não demore. Seus dedos agarram meu queixo, e curvando-se ele deposita um beijo suave em meus lábios.
Fico a observar Carlos Daniel ao longe. Seus olhos vez que outra me procuram. Ele parece feliz, mas também preocupado. O Entendo de certo modo, deve ser bastante difícil fazer isso, assim, depois de tanta coisa.
Carlos Daniel mira-me com um sorriso quando de repente se fecha percebendo algo errado e caminha em passos largos até onde estou. Observo seu rosto e então levo minha mirada até onde ele observa fixo. Um Casal aproxima-se de nós. O Homem está bastante sorridente e me encara fixo, já a mulher tem a cara fechada e emburrada. Esse homem me é familiar...
—Olá Carlos Daniel, -Diz ela sorrindo a ele mais que o necessário. Mas o que... O Homem me encara fixo. O que está acontecendo aqui?
Miro Carlos Daniel. Ele parece bravo, Bravo, muito bravo.
—Boa noite, Senhora Martinelli. -Diz ele seco, mirando em seguida o homem de braço dado com ela.
—Senhora Martinelli não, Carlos Daniel. Senhora Bracho. -Diz ela como quem o corrige. Meu peito falha uma batida. Esse é o irmão de Carlos Daniel?
—Senhora Bracho será ela, minha namorada quando se cumpra nosso casamento. -Diz segurando-me pela cintura com certa força.
Minha Virgem de Guadalupe!
—Ela também é uma Bracho, Carlos Daniel. -Diz o homem, que agora, observando tenho a segurança que é irmão dele. Puta Merda!
Carlos Daniel respira fundo, os dentes cerrados, o braço possessivo em minha cintura.
—Nunca será uma verdadeira Bracho, irmãozinho querido. -diz ele irônico, sorrindo. Ele vira-se para mim e me pede que o acalme em uma mirada.
Tento passar segurança a ele e acredito que consigo.
—Paulina, esse é meu irmão Rodrigo e essa ai é sua Esposa Gisele. Rodrigo, Gisele, esta é minha futura esposa.
O Rosto da mulher é um misto de cores enquanto os olhos do irmão de Carlos Daniel me observam dos pés a cabeça.
—Muito, muito prazer em lhe conhecer senhorita. -Diz o homem dando um passo a frente. Ele faz menção de me cumprimentar. Travo. Carlos Daniel aperta os dedos em minha cintura com uma força que me faz tremer e furioso encara a criatura.
—Não ouse. -Adverte mirando-o nos olhos.
Não consigo agir, não consigo me mover. Estou completamente sem reação.
A mulher solta uma gargalhada, como quem tenta amenizar a situação.
—Bem, desejamos uma excelente festa a vocês... Boa noite! -Diz ela puxando Rodrigo pelo braço.
De Braços dados, eles saem pelo salão e Carlos Daniel puxa-me para o sofá. Sua mão se enlaça a minha, seus dedos seguram-me firme como se eu fosse embora a qualquer momento.
—O que aconteceu ali? -pergunto baixinho, quando Carlos Daniel estende-me a taça que estava em sua mão. Nem a tinha notado.
—Esse é meu maravilhoso irmão, e ela...
O champagne desce queimando como soda cáustica por minha garganta quando as palavras de momentos atrás encaixam-se a minha cabeça.
Rodrigo. Irmão. Traição. Inveja. Trabalho. Sócios. Gisele... Gisele na cama com seu sócio. Seu irmão.
—Puta Merda Carlos Daniel. -digo tão baixo que não sei se ele deveria ouvir. Será que entendi certo?
—Sim, é o que você pensou. Rodrigo era meu sócio. Foi com ele que Gisele me traiu, foi com ela que ele se casou.
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