Notas iniciais
Esse é tão fofo, gente ;-; q E desculpem os erros de portuga!

Os barulhos em seu telhado não cessavam. Ela já estava cansada de qualquer coisa que estava lá em cima. Acendeu seu cigarro e subiu as escadas com um pedaço de madeira nas mãos, pronta para revidar qualquer coisa que a atacasse. Subiu cautelosamente e calmamente, até ouvir uma voz já conhecida:

-AI-CHAN! -Hitoru exclamou ao ver os cabelos negros voarem por conta do vento.

-Hi-hitoru.-Ela largou a madeira no chão.-O que faz aqui em plena manhã?

-Empinando pipa, oras.

-Hm, você não vai para a escola não?

-Não. Gosto daqui.

-Sei...- Ai tragou novamente o cigarro e percebeu um machucado profundo na perna do garoto. — Onde arranjou isso ai?

-Ah... eu... caí. -Hitoru sorriu nervoso, voltando sua atenção á linha do pipa.

-Já disse para tomar cuidado. Na próxima você perde a perna. -Ela sorriu e deixou o garoto com olhos grandes e assustados. Ai riu da situação.

-Você tem quantos anos, Ai-chan?

-Eu...não sei. -Seus olhos se perderam e sua expressão triste mudou para um semblante mais triste ainda.

-Você deve ser velha para não se lembrar da própria idade. Mas você não tem cara de velha.

-COMO É?! -O garoto começou a gargalhar -Fique sabendo que não sou velha! Eu só não sou boa com números.

-Haihai. -Hitoru limpou as lágrimas que escorriam nos cantos puxados de seus olhos, por conta das risadas- E seus pais?

-O que tem eles?

-Onde estão?

-Eles...-Ai sentiu uma forte dor de cabeça- E-eles estão... -Sua cabeça latejou, ela apertou os olhos de dor. -Eles não estão aqui.

-Foram viajar? -O garoto perguntou distraidamente enquanto controlava o pipa.

-É... foram. -Ai abaixou a cabeça.- Você só tem esse pipa, Hitoru?

-Sim. Eu gosto de amarelo, não é uma cor bonita?

-Eu prefiro preto.

-Pois eu prefiro amarelo.

-Um dia vou te comprar varios pipas.

-Jura, Ai-chan? -os olhos do garoto brilharam como nunca. Ai riu.

-Haihai. Cansa ver sempre o mesmo no céu. -Sorriu — Ei, o que acha de ir ali em casa comer um pouco da minha comida? Ela não é boa mas... não quero estragar. E aí podemos cuidar desse negócio na sua perna.

-Eu...adoraria. Ninguém nunca me convidou para jantar.

-E sua familia?

-Não tenho. -O menino parou de sorrir por um momento e o coração de Ai apertou novamente.- Mas então, Ai-chan, isso está me parecendo um encontro. Você está saindo comigo?

-Eh?! -A garota riu- Vamos, desce ai. -Ela o empurrou devagarzinho e assim, eles foram para a cozinha.

Pela primeira vez teria mais outro ser humano naquela casa. Ai estava animada, iria jantar com um amigo... fez o melhor que pôde, e foi macarrão. Ai tentava deixá-lo confortável ao máximo, por um momento pensou em ser a mãe ou a irmã dele. Ele saboreava o macarrão improvisado com tanta vontade, que parecia estar sem comer á dias.

-Que comida horrível, Ai-chan.

-Não precisa ser tão sincero.

-Estou brincando, está delicioso.-Sorriu com uns pedaços de massa nos dentes.

Depois daquele jantar, eles brincaram de quem toma mais sucos mais rápido. Nem preciso dizer o resultado, foi bagunça total. Mesmo Ai sabendo que teria de arrumar tudo depois, não se importava em ter Hitoru ao seu lado o tempo todo...eram irmãos já.

Ambos se jogaram no sofá.

-Ai-chan. -O garoto a chamou. Ela olhava para a parede, sem reação.-AI-CHAN!-ele gritou, e ela ainda não respondia.-SUA BOBA QUE NÃO SABE COZINHAR, ME RESPONDA!-Jogou a almofada nela e, finalmente, ela voltou para o planeta Terra.

-O que foi?-Ela perguntou com os olhos esbugalhados.

-Você vai dormir?

-Espero que não.

-Vamos fazer alguma coisaaaaa. -Ele disse, melancólico.

-Como está o tempo?

-Quente.

-E o céu?

-Meio... cinza.

-Hm. -Ai sorriu.

-Por que? -Hitoru não estava entendendo nada.

-Você vai descobrir. -Ai se ajeitou no sofá e fechou os olhos, mas não dormiu, continuou conversando e rindo com seu "irmão".

Suas conversas evoluíram, eles conversavam sobre qualquer coisa á qualquer momento e em qualquer lugar. Ambos os dois estavam, sem saber, construindo algo muito lindo: A Amizade. Eles riam, faziam caretas e comiam algodões doces. Porém, Ai só teve certeza de que estava viva quando foi no quintal da casa e a primeira gota de chuva caiu em seu nariz, seguido por diversas outras gotas que molharam não só á ela, mas a Hitoru também. Brincaram e lutaram em meio ao show de pingos. E assim, terminaram mais um dia. Todos os dias, por todas as semanas eles ficavam no telhado conversando. Hitoru aparecia constantemente com seu pipa amarelo no alto e seu sorriso nos lábios. Ai nunca pensou que poderia ter um amigo na vida, sentiu-se orgulhosa de si mesma e assim, já em casa, adormeceu.

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-Ai chan, Ai chan, Ai chan -Os socos leves em sua janela a fizeram acordar.

-Ahh... Hitoru, que horas são?-Ai dizia esfregando os olhos e abrindo a janela.

-Venha ver isso! -Hitoru subiu correndo para o telhado, Ai o seguiu.

Em meio aos cambaleios, Ai viu Hitoru meio distorcido por conta do sono. Acabara de sair correndo logo após de acordar, seria anormal não ter uma vertigem. O garoto pequeno estava eufórico e apontando para cima. Ai esfregou os olhos mais uma vez e viu, naquele imenso e infinito céu preto, estrelas brilhantes dançando. Mais brilhantes que o normal.

-Ual. -Ai se impressionou com a quantidade de pontinhos.

-Isso não é mágico? -Os olhos de Hitoru brilhavam mais que as próprias estrelas.

-Sim... você gosta delas?

-Eu as amo. Um dia, Ai-chan, eu vou ser um astronauta.

-É mesmo?

-Sim.- Hitoru a puxou e a fez sentar ao seu lado.-E aí então, eu vou te levar comigo para lá.- O garoto apontou para a Lua.- E vou pegar uma dessas estrelas pra você colocar no seu cabelo de enfeite.

Os olhos de Ai se encheram de lágrimas ao ouvir aquelas palavras do menino. Ela não sabia como definir aquelas lágrimas. Apenas sorriu para o menino que, por alguns segundos, ela pensou ser um anjo.

-Não vai dar trabalho? -Ela interpelou, abaixando a cabeça e contendo as lágrimas.

-Não- Ele sorriu- Um vai ajudar o outro, não é?

-É. -Ai o olhou e uma lágrima ainda escorria pela sua bochecha.

-Hey, olha, uma estrela andante! Ou corrente... ou voante? -Hitoru apontava para o céu.

-Não -Ai riu- É uma estrela cadente. Faz um pedido, rápido!

-Bom -O menino fechou os olhos.- Quero que a Ai-chan nunca me abandone, e que continue fazendo macarrão. E que amanhã, eu ganhe um pizza gigante de queijo. Obrigado, estrela.

Por essas palavras tão fofas, Ai sorriu e deixou mais lágrimas fugirem de seus olhos.

-Por que está chorando? -O garoto lhe perguntou no mais inocente tom.

-Eu... estou feliz em saber que você vai ser um astronauta.

-Será que dá para empinar pipa na Lua?- O pequeno colocou a mão no queixo, observando a Lua sério.

-Só você vai poder descobrir.

Os dois sorriram, e Hitoru continuou a contar os sonhos e o que iria fazer quando se tornasse um astronauta. Ai ouviu atentamente, e dava idéias para as missões interestrelares dele. Sem preceber, ambos dormiram ali mesmo no telhado.

Notas finais
Fim :3 eu disse que era fofo ;-; gogogo >>