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1 Oneshot
Notas iniciais
Eu estava sentada em uma grande poltrona confortável de couro preto, novamente no quinto andar da grande gravadora P.S. Company, naquela manhã fria de terça feira. No país que eu tanto amava, tão longe de casa, meu aniversário caía no inverno!
Analisava cuidadosamente os traços firmes e precisos de Ana, a desenhista principal do the GazettE e uma das Gazegirls com quem mais me identifiquei quando Sereny me apresentou a todas elas. Apesar de Ana ser muito mais retraída que eu, nós duas desenhávamos e ela entendia bem qual era a sensação de seu coração querer explodir por causa de um baixista.
E me lembrava claramente de admirar as capas das fanfics que a Ny-chan postava no Nyah com a assinatura da Aninha e, mesmo depois de já conhecê-la há um bom tempo, a sensação de olhar um de seus desenhos ao vivo, de tê-lo em minhas mãos e poder acompanhar os mínimos detalhes com meus olhos, era exatamente a mesma... Fascinante e surreal!
Ela aguardava com expectativa por minha reação, mordendo a falange do dedo quando eu ergui os olhos depois de longos minutos em que eu analisei, em primeira mão, a primeira versão finalizada da capa do próximo mini-álbum do the GazettE. Eu sorri para sua preocupação exagerada.
— Está perfeito! – disse finalmente e ela franziu o cenho.
— Tem certeza, Amanda? Acho que tem alguma coisa errada com ela... Alguma coisa me incomodando... Não percebeu nada?
Eu dei risada e baixei os olhos novamente para o desenho bem seguro em minhas mãos. Antes de conhecê-la, a Ny-chan já tinha me contado muitas histórias sobre a insegurança que Aninha tinha com seus próprios desenhos... Ela não tinha problema nenhum em admirar o que eu fazia ou o que Monique fazia... Mas, se fosse a respeito do que ela desenhava...
Tentei encontrar o que quer que fosse em seus traços que poderia estar incomodando-a. Se eu não olhasse com seriedade, ela não me deixaria ver os próximos, disso eu não tinha dúvidas...
— Eu tento encontrar uma palavra mais leve pra fazê-la acreditar em mim, Aninha... Mas, a que melhor descreve seu desenho é “perfeito”! – tornei a lhe sorrir.
Ela mordeu o canto da boca e eu dei risada, colocando a folha de papel sobre sua mesa.
— Eu acho que o traço está muito bom... Está muito a cara deles!
— Arigato, nee... – ela disse sem graça. – Espero que eles gostem...
— Tenho certeza de que vão gostar! Quem é que não gosta dos seus desenhos?
— Você quer dizer “além dela mesma”, não é, Amanda-chan? – a voz de Akira veio da porta e eu me virei para o baixista loiro.
— Exatamente – gargalhei e o rapaz foi até a morena diante de mim e deixou um beijo em sua testa. – Que obsceno... Acho melhor me retirar – disse, rindo e me levantando.
— A Ny-chan mandou te avisar que nem adianta tentar fugir, viu? – o mais velho me alertou. – Você vai ter sua festa de aniversário e o prédio inteiro já foi avisado pra não te deixar sair! – franzi os lábios.
— Aquela baixinha manipuladora... Valeu o aviso, Akira! – coloquei a cadeira encostada à mesa e me preparei pra sair.
— Nós nos vemos mais tarde, na sua festa, Amanda! – Ana provocou e eu revirei os olhos. Não era à toa que ela era namorada de Akira! Os dois tinham os mesmos costumes malignos de não nos deixar esquecer o que gostaríamos de não lembrar... Nunca!
Fui para o elevador para retornar ao terceiro andar do prédio, o andar onde eu, convencionalmente (não que, muitas vezes ao dia, eu não desacreditasse àquela realidade fantástica) trabalhava.
Saí da caixa metálica, dando de cara com Izumi e Shin discutindo pelo corredor (coisa que não era pouco frequente por ali) alguma coisa difícil e inteligente demais que me fazia agradecer por ser só a desenhista deles...
— Omedetou, Amanda-chan! – Shin me saudou em seu tom de voz habitual, logo que me viu.
— Arigato gozaimasu, Shin-san! – eu lhe sorri.
— Vamos lá, Amanda! – Izumi me sacudiu pelos ombros. Anime-se! É o seu aniversário!
— Eu vou tentar me animar, Izumi-san... – eu continuei seguindo pelo caminho contrário deles até que uma ideia me veio à mente e eu me virei para chamá-los. – Viram a Franciele? – eu lhes gritei e os dois se viraram.
— Akiya a está monopolizando novamente! – Izumi me respondeu e eu não sabia se em sua voz havia mais malícia ou descontentamento. Shin e eu demos risada do líder.
— Certo... Então... Eu falo com ela outra hora... – voltei a caminhar, perdendo as esperanças de me safar de uma festa de aniversário no estilo das Gazegirls... Ai, Kami! Eu ficaria cega se tivesse tantos holofotes quanto o aniversário de Monique...
Eu me joguei no sofá da sala do Kagrra, afundando o rosto nas mãos e abaixando a cabeça nos joelhos. Fiquei daquele jeito por longos minutos, tentando fazer minha pressão voltar ao normal. Escutei a porta abrindo, mas não olhei quem entrava.
— Está se sentindo bem? – o doce som de preocupação na voz sempre divertida de Nao invadiu meus ouvidos quando ele se sentou ao meu lado no sofá, colocando uma das mãos em minha cabeça e a outra em minha cintura.
— Estou com mal de aniversário... – ergui o tronco para encará-lo e ele deu risada.
— Mas hoje é o melhor dia do ano! – ele sorriu e eu cruzei os braços.
— Sabe o que elas estão aprontando lá em cima?! – eu disse desesperada e ele me apertou em seus braços e beijou meu rosto, carinhosamente.
— É... Eu sei... – ele afagou meus cabelos, lentamente, como sempre fazia.
— Sabe? – eu soei quase curiosa.
— Bom... Não exatamente o que estão fazendo, né, Amanda? – Naoki deu risada. – A Ny-chan sempre toma todas as providências pra que ninguém descubra o que ela está preparando antes da hora... Acredito que nem mesmo a Franciele saiba de alguma coisa... Mas, eu sei bem como costumam ser as festas que as Gazegirls preparam... Desde que aquelas cinco chegaram aqui, nada mais foi silencioso e calmo, aquelas baderneiras! – meu baixista, tão baderneiro quando a pior das Gazegirls (a Chibi, com certeza!), gargalhou.
— Vamos fugir, vamos? – me apertei em seus braços, ronronando, manhosa. – Vem me ajudar a escapar disso tudo, vem... – puxei seu braço me levantando do sofá e Naoki segurou minha cintura, beijando meu pescoço. – Vamos pra bem longe, só nós dois... A gente volta depois do final de semana, vem... – fechei os olhos quando seus lábios se aproximaram de meu ouvido.
— Eu realmente adoraria... Não sabe o quanto eu adoraria... – ele falou lentamente.
— Mas não vai fazer, né, Naoki? – eu bufei, tentando me soltar de seu abraço, mas ele me apertou, virando-me de frente para ele e me encurralando na parede.
— Não é por má vontade minha, koi... Não é nem por uma daquelas bobagens de dorama que eu vou obrigá-la a se divertir com seus amigos no seu aniversário... Sabe que eu não sou assim, sou muito, muito mais você e eu sozinhos comemorando seu aniversário!
— Mas... – eu insisti, impaciente, me pendurando em seu pescoço e sentindo mais uma vez seus lábios em minha pele deliciosamente.
— Eu estou sendo vigiado desde a hora em que cheguei hoje à gravadora! Vi Kai e Aoi mais vezes nesse andar hoje do que no resto da minha vida! – dei uma risada seca. – E sabe sob o comando de quem aqueles dois andam por aí...
— Sereny – nós dissemos juntos. Ele disse o nome dela como uma explicação; eu, como um expletivo.
— Estou me sentindo um criminoso em algum filme policial norte-americano... – ele afundou o rosto em meu pescoço, me fazendo gemer baixinho.
— E eu, uma adolescente de filme de sessão da tarde, presa nas tramas das Gazegirls... – choraminguei e ele deslizou seus lábios até os meus.
Eu ainda era pega completamente de surpresa pela maciez e o sabor vindo direto de meus sonhos mais distantes pra aquele beijo tão cheio de carinho do moreno. Talvez, ele soubesse desse sentimento que tão indiscretamente eu tentava ocultar, porque seus toques sempre começavam em câmera lenta. Talvez, fosse apenas impressão minha...
Suas mãos em minha cintura subiram até meu rosto e mantiveram seus lábios se movendo nos meus por um longo tempo... Eu não sabia se tinham sido segundos, dias ou primaveras de brisas frescas e perfumadas que tinham se passado, quando ele aprofundou nosso beijo e eu senti o chão sumir sob meus pés. “Adeus, Terra! Adeus, festa! Adeus, tudo!”
Seus lábios tornaram a deslizar sobre minha pele quando respirar era o que eu mais precisava e o que eu menos queria e seu rosto se perdeu entre meus cabelos, aspirando e arrepiando todo o meu corpo. Eu me agarrei mais a ele.
— Mais tranquila com a festa? – Naoki perguntou, rindo divertido.
— Festa? Que festa? – brinquei e ele me deu um selinho.
— Essa é minha Amanda! – ele entrelaçou nossos dedos e beijou as costas de minha mão. – Eu prometo não sair do seu lado a noite inteira, koi, pra garantir que seja o melhor aniversário que já teve! – sorri e ele afagou meu rosto. – Quer seu presente agora?
— Presente? Já não tenho mais do que o suficiente pra uma pessoa do meu tamanho?
— Achou que eu não te daria nada? – ele deu risada, divertido.
— Não é que eu tenha achado alguma coisa... Entende?
Ele me puxou até o sofá novamente e colocou um pequeno bentô em meu colo. Olhei-o interrogativa.
— É Kimchi, caso não se pareça muito quando provar... – ele explicou, sem jeito, mexendo no cabelo, como fazia quando ficava nervoso ou ansioso. – Como vamos a uma festa, achei que devia te entregar agora... E, seria bom que ninguém além de você mesma visse... Sei que Izumi podia fazer melhor, mas, eu queria te dar uma coisa... Que fosse diferente... E que fosse feita por mim...
— Eu adorei, koi! – tomei-lhe os lábios com os meus num selinho. Peguei os hashis para experimentar a iguaria de vegetais que meu moreno tinha preparado especialmente pra mim. Já tinha um gostinho quente de carinho que subia com o cheiro gostoso antes que eu provasse. O azedinho do rabanete se misturava ao doce da pêra e dançava em minha língua. – Está muito gostoso mesmo! Arigato gozaimasu!
— Você tem de fazer um pedido... Do seu kimchi de aniversário – ele deu risada e eu sacudi a cabeça negativamente.
— Todos eles já se realizaram...
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