Für Arthur

6 Parte VI - Natal, but make it fashion.


Notas iniciais
Para os três leitores dessa história: obrigado, seus maravilhosos! hahaha 3 anos depois, em plena quarentena, decidi retornar para esse hobby. Não vou demorar mais 3 anos para publicar outro capítulo, fechô? Espero que gostem! xoxo

Depois de meu aniversário eu e Miguel começamos a ficar sério, e eventualmente engatamos um namoro. Eu não ligava para a opinião dos outros, estava feliz e era isso que importava. Durante os três meses de namoro havíamos aproveitado muito, nunca cansávamos da companhia um do outro e sempre estávamos em minha casa ou na casa de Miguel. Íamos em parques, bares, shows e até mesmo fomos à uma festa no Halloween com fantasias que combinavam (Eu era Luigi e ele Mario). Ah, e teve aquela vez que Miguel me levou para assistir à uma peça de teatro, as coisas que fazemos por amor, certo?

Além de ser a noite de véspera de natal, hoje também era o dia que Miguel iria conhecer meus pais. O garoto nunca tinha ido em casa quando meus pais estavam. “Eles não vão me aprovar, deixa para a próxima”, era o que sempre dizia.

O natal era algo bem tradicional em minha família, tentavam compensar pelo fato da ausência no restante do ano. Acho que não tenho daddy ou mommy issues pela presença escassa dos meus pais, de certa maneira compreendo que eles estão no auge da carreira e querem garantir uma vida boa para nós. Desculpas The NBHD, não vai rolar.

Abri a porta e vi o loiro, ele estava vestido com roupas sociais, eu ri, ele odiava vestir roupas mais formais.

— Eu não acredito que você está vestindo isso enquanto eu estou aqui suando de nervoso! — Foi a primeira coisa que o garoto falou. — Você está adorável nisso, a propósito. — O “nisso” era um shorts vermelho curto, uma camiseta branca e uma clássica touca de Papai Noel. Natal, but make it fashion.

— Eu falei para você vir casual. — Puxei o garoto para um beijo. — Você está ótimo, vamos.

Margot foi a primeira a pular em Miguel, e só deixou ele prosseguir depois que ele fez carinho na barriga dela. Depois disso levei ele para conhecer meus pais, o menino estava nervoso na mesma quantidade em que eu estava ansioso para o encontro. Eric e Clarissa estavam na cozinha terminando os últimos pratos da ceia.

— Mãe, pai. — Despertei a atenção deles, eles olharam para Miguel e abriram um sorriso. — Esse é o meu namorado. — Namorado. Ainda era estranho falar a palavra em voz alta. — Namorado, esses são meus pais.

— Oi, como vão? — Miguel falou nervoso.

— Então, você é o garoto que ouvimos tanto falar? — Meu pai lavou as mãos e foi cumprimentar o garoto, dando um aperto firme de mãos.

— É, acho que sou. Ele também fala muito de vocês. — Eu não falava.

— Ele fala? — Minha mãe se juntou a conversa, Clarissa cumprimentou o garoto com um beijo no rosto. — Me admira Arthur falar de alguém que não seja ele mesmo.

Miguel ficou conversando animadamente com meus pais, parecia que todo o nervosismo havia ido embora dele. Eles riam e compartilhavam histórias da única coisa que tinham em comum, eu. O garoto comentou sobre o piano que havia na sala com a minha mãe, e eles conversaram um pouco sobre isso. “Eu só sei tocar uma música”, ele respondeu para Clarissa. Conversei com vários parentes e consegui lidar muito bem com a chatice deles.

Quando passou da meia-noite todos se reuniram no quintal dos fundos, papai havia montado uma mesa de natal. O quintal estava cheio de iluminação natalina e tinha até uma árvore não artificial enfeitada. Todos sentamos para comer. Apesar de não sentar, Margot rondava entre os convidados e sempre conseguia ganhar comida por debaixo da mesa com sua cara de coitada. Clássico dela.

— Art, e as namoradinhas? — Meu tio Roberto perguntou.

— Ah, não é minha praia. — Respondi dando uma generosa garfada no meu prato. Miguel sempre implicava com o fato de eu comer muito e nunca engordar.

— Namorar? Não esperava menos do meu primo. É muito trabalhoso. — O filho de Roberto, Gabriel, falou.

— Não, não — Dei uma risada um pouco debochada, tá em alta hoje em dia. — Garotas mesmo. E esse — Apontei para Miguel. — é meu namorado.

O resto da família havia sido pego de surpresa, um clima havia se instalado, até ano passado era Manu que ocupava o lugar do loiro. Eu tinha acabado de trazer problematização para uma ceia de natal, alguns diriam que não poderia ter feito melhor.

Gabriel deu um sorriso amarelado, evidentemente pego desprevenido pela situação.

— Art, ele é a favor que a gente coma a ceia antes da meia-noite — Deu um sorriso, porém, dessa vez, um que aliviou todo o possível clima que poderia se instalar. Para ser sincero, ninguém pareceu se importar muito, foi só questão de timing. — eu já sou fã número um dele! — Completou.

Foi uma noite gostosa, todo mundo comeu até não aguentar mais (sobremesa não conta, sempre tem um espaço extra) e meu nível de socialização foi extremo! A namorada de Gabriel, Angélica, chegou pouco antes da meia-noite. A garota era uma daquelas pessoas que era impossível não se apaixonar pelo carisma ou por suas tranças que iam até a altura do umbigo (imbigo, para os íntimos).

— Acho que já gelou! — Ah, um dos detalhes de eu gostar tanto da morena é que ela havia trazido mais bebida! Eu sou um garoto simples de conquistar, Miguel sabe disso.

A maioria dos convidados tinha ido embora por volta das duas da manhã. Meus pais e seus convidados resolveram socializar dentro de casa, sobrando só eu, Miguel, Gabriel e Angélica no quintal.

Gabriel estava nos contando como eles haviam se conhecido, era uma ótima história!

— ... então ela chutou a garrafa, ela diz que foi sem querer. Humpf! Eu bem sei esse “sem querer” dela — Meu primo disse com um ar confiante, o que fez Miguel e Angélica partilharem de uma risada. A história foi a seguinte: ela é cantora, uma vez estava com as amigas em um karaokê no centro da cidade, onde o palco era bem próximo das mesas, na euforia da canção (Era aquela parte em que todos batem palma em “Dog days are over”) acabou chutando uma garrafa de cerveja que estava na beirada do palco, dando um banho no meu primo. Acho que o único defeito dessa história era que uma cantora estava no karaokê, é injusto com o restante da população.

— E vocês, como se conheceram? — Angélica perguntou.

— Tive que cuidar da ressaca dele por um dia — Miguel suavizou drasticamente a história. — aí ele se apaixonou pelo pirulito que recebeu após a consulta! — Angélica deu uma gargalhada, Gabriel também não resistiu. O loiro me puxou para um breve beijo.

Fomos forçados a entrar, uma garoa leve havia começado. Meus pais já tinham ido dormir, deixando o espaço livre para nós. Depois de ficar bebendo tanto tempo, havíamos ficado com fome. Gabriel e eu começamos a esquentar as sobras para podermos jantar pela... terceira? Quarta vez? É natal, tá liberado.

Miguel e Angélica haviam se conectado muito bem, a cada gargalhada que o garoto dava meu coração pulava um batimento. Era um sentimento muito bom. Era real, diferente do que vivi com Manu. Era mais que algo físico, diferente do que vivi com Lucas.

Eventualmente os dois sentaram no piano e Angélica começou a tocar algo que parecia o tema de Harry Potter.

— Miguel, qual foi a única música que você aprendeu a tocar? — Perguntei, lembrando da conversa dele com minha mãe.

O garoto me olhou alegre, ele era um bêbado muito feliz. Suas bochechas coraram um pouco e notei um aspecto ansioso em suas feições.

— Você se comportou bem hoje, merece essa homenagem. — Ele riu e começou a tocar. Eu fiquei meio sem entender (o que não é algo inédito em minha carreira), mas sentei ansioso pelo o que iria vir.

Miguel encarava todas as teclas antes de tocar, como se tentasse lembrar o som que cada uma emitia. Então começou. Eu fiquei perplexo, mas não pelo fato do garoto ser um tremendo músico, ele até que tocou certinho... Mas ele tocou a música dos gás para mim! Quem toca isso? Não é romântico, não é especial... é tão comum! Ou ‘tô sendo muito dramático?

Ao terminar a música nós três aplaudimos e sentamos na mesa para comer.

— Não é como se eu não tivesse gostado... Mas você realmente tocou a música do gás para mim? — Todos riram.

— É a única que eu sei, e foi perfeita também! — Ele justificou. — É Für (Para) Elise! A música que Beethoven compôs para sua amada, Theresa.

— Mas então por quê é para Elise? E não, Für Theresa? — Perguntei.

— O nome não importava, todos sabiam para quem ele estava se declarando. — O loiro piscou para mim.

— Então você estava se declarando para mim? — Provoquei. Miguel deu uma risada, meu primo e sua namorada só assistiam e parecia bem entretidos com a cena. “Eu, no caso, tava me declarando para Elise mesmo” Miguel deu sua última resposta com um ar brincalhão.

Confesso que eu reclamei da escolha da música antes, mas depois da história e declaração mudei completamente de opinião. O sorriso estampado no rosto não deixava eu mentir sobre o acontecimento. Naquele momento, a música do gás não era mais a música do gás; era a música que Miguel havia tocado para mim. E, também naquele acontecimento, eu consegui compreender tudo o que sentia pelo garoto.

Angélica e Gabriel chamaram um táxi por volta das 5 da manhã, quando meu primo não conseguia mais ficar de olho aberto. Eu me identificava.

Assim que subimos eu ouvi os passos fofinhos de Margot, a melhor cachorra desse mundo. Margot valoriza muito o natal, faz uma cara de coitada para todos e acaba comendo mais que todo mundo, quando não aguenta mais, ela sobe para o escritório do meu pai e fica hibernando lá até eu ir pro quarto.

Eu, meu namorado e meu husky em uma cama. É claro que os dois ocuparam todo espaço. Eu estava contente pelos acontecimentos da noite, soltei uma risada sem perceber.

— Miguel — O garoto murmurou um “hm” e levantou a cabeça que estava deitada em meu peito para conseguir me ver. — você é lindo. — Ele deu uma risada. — Ah, e eu te amo.

Um silêncio de alguns segundos (que pareceram horas) tomou conta do quarto. Miguel me deu um beijo calmo e me encarou.

— Você tá bêbado, vai dormir. — Brincou.

— Eu vou — Disse em meio a um bocejo. — mas quando eu acordar tenho certeza que você ainda vai estar lindo e que eu te amo.

Miguel sorriu e me deu outro beijo. Ele deitou novamente em meu peito, enquanto fazia cafuné em meus cabelos ele também disse a famigerada frase. “Eu te amo, Art”.

Acho que dormimos até umas duas da tarde, incluindo Margot que ainda estava em nossos pés quando eu acordei. Assim como a leve ressaca que eu sentia, outra coisa também era certeza: ele continuava lindo e eu estava completamente apaixonado pelo garoto.

Notas finais
Digam o que acharam, por favor. Passei muito tempo sem escrever, tô um pouco sem tato para a escrita!