Férias no Egito
6 Mohamed Avdol - Parte 2
Notas iniciais
Avdol continuou encarando nosso marombinha, que finalmente voltou a si:
—Ah! E eu sou Jean Pierre Polnareff!- ele disse, batendo no peito com orgulho.
—Bom, e o que te traz aqui, monsieur Polnareff?- Mohamed o olhava com crescente interesse.
Nosso protagonista ficou com vergonha de admitir que se aventurou pelas ruas do Cairo sozinho e acabou se perdendo, então disse:
—Eu gostaria de uuuhhhh...- ele olhou em volta rapidamente, até ver um cartaz que reproduzia o roteiro em neon de fora, então continuou-... uma leitura de tarot?- ele não pretendia que a frase terminasse com esse tom inseguro e questionador, mas eles ainda preenchiam sua mente e o deixavam nervoso.
—Certamente.- o vidente apagou o cachimbo e se levantou. Ele seria mais alto do que Polnareff, se não contassem seu incrível penteado de pasta de dente.-Por favor, me acompanhe.
Jean Pierre seguiu o vidente até chegarem á outra sala, com um cheiro ainda mais forte de incenso, tanto que a vista até ficava um pouco embaçada pela fumaça.
Isso não pode ser saudável, pensou nosso protagonista.
Um brilho estranho iluminava fracamente a sala.
Para a felicidade de nosso protagonista com aversão ao oculto, eram só algumas lâmpadas que emanavam a luz azul suave. Mas logo ele percebeu alguns fios saindo de buracos nas paredes, e logo ficou nervoso novamente. Jean Pierre estava certo de que alguns dos fios estavam desencapados, sem falar nos ratos e baratas que com certeza estariam alojados nas paredes falhas da construção, e que o lugar podia pegar fogo e todos morreriam sofrendo.
Mas antes que ele pudesse entrar no Modo Pânico™, algo tirou Polnareff de seus pensamentos: a mão do egípcio em seu ombro. Eles se encararam profundamente, e nosso herói se acalmou, perdido naqueles olhos que pareciam portas de cofre pintadas que só abriam explodindo.
—Sente-se.
Aquilo foi como uma ordem para o marombinha, e ele prontamente se sentou numa cadeira forrada de veludo surrado em frente a uma mesinha coberta com um lençol branco. Seu lado racional dizia que a influência de Avdol sobre ele não era normal mas, envolvido naquele ambiente e presença mágicos, ele nem ouviu os alertas de perigo em sua mente.
O vidente abriu uma gaveta no criado mudo, claramente deslocado naquele recinto, e pegou um baralho (meio pequeno para os padrões de Jean). O outro embaralhou as cartas, abriu-as em sua mão com um leque e o estendeu a Polnareff.
—Pegue seis, uma de cada vez, e coloque sobre a mesa, viradas para baixo.- nosso herói marombinha fez o que lhe foi pedido.
— Muito bem, vamos começar.
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