Notas iniciais
Fic sugerida por Angel Pieda, baseada em uma história real. Obrigada amiga! Esse sonho foi possível! Essa se passa 3 anos no futuro, com flashbacks!

O garoto loirinho de cabelos cacheados acordou agitado. Saltou da cama e foi até a cama ao lado acordando a menina que lá dormia.

– Samantha, acorda!

A garota esfregou os olhos e perguntou meio confusa:

– O que foi garoto?! O que você quer?!

– Samantha, eu tive aquele sonho de novo! Lembra que eu te contei?!

– Ah Nicolas, você me acordou por isso? Volta a dormir, de manhã você me fala!

– Mas... É que eu sonho quase todo dia essa mesma coisa... Por que será?!

Vendo que ele não daria sossego, a garota abraçou o irmão, dizendo:

– Olha, vai dormir, e de manhã a gente tem alguma ideia, tá?!

O menino se conformou.

– Então tá... Mas, se eu sonhar de novo eu te chamo...

A menina virou os olhos para cima sorrindo com a inocência do irmão:

– Tá bom maninho... Agora, volta pra cama!

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– Bom dia, carneirinho lindo! – Félix acordava Niko com um beijinho.

– Hum... Bom dia, amor! A que se deve tanto carinho logo de manhã?!

– Como se você não soubesse! – Félix riu maliciosamente dando-lhe outro beijinho. – Além do mais, estou muito entusiasmado com as últimas contas que andei fazendo! Até me deu vontade de acordar cedo!

– Ah Félix, nem me fale, também estou tão feliz... Meu amor, pensar que logo a gente vai ter nosso terceiro restaurante... – Niko suspirou contente. – Ai Félix, todos os meus sonhos foram se tornando realidade desde que você entrou na minha vida, sabia?!

– Claro que sei carneirinho... Aliás, eu sou um sonho né?!

Ambos sorriram. – É, é sim, você é meu sonho que virou realidade! – Se beijaram apaixonadamente, mas Niko não deixou o clima esquentar, dizendo: — Ei, vamos parar por aqui, que a gente tem muito trabalho!

Todos tomavam o café da manhã na mesa.

– E então Jayminho, cadê seu boletim, meu filho? – Perguntou Félix. – Será que conseguiu passar em tudo ou vai ter que ficar para recuperação durante as férias de novo?! Da última vez tive que te dar uma aula de trigonometria...

– Não, papai Félix... Não vai precisar me ensinar nada porque eu já estou de férias! Passei em tudo! – Exclamou Jayme, tirando o boletim do bolso e mostrando aos pais.

Félix pegou o boletim. – Olha pra isso carneirinho, dez em matemática! – Exclamou. – Também com um professor como eu...

Niko pegou o boletim da mão de Félix. – Ah, o mérito é do Jayminho tá! Meu filho, suas notas foram ótimas, já no primeiro semestre assim... Parabéns! Eu tô muito orgulhoso! Continue assim e você vai passar de ano tranquilamente!

Félix retrucou: — É, mas não pode bobear, viu Jayminho! O sétimo ano é barra pesada!

– Eu sei, mas vou conseguir manter as notas, vocês vão ver... Ah, e posso só pedir uma coisa?!

– Claro filho! Peça! – Respondeu Niko.

– É... Eu acho que já disse a vocês, mas, só pra lembrar, eu já tô grande para me chamarem de Jayminho... É melhor só Jayme!

Ele já tinha terminado o café e se retirou da mesa.

– Olha pra isso, carneirinho! Tem só doze anos, cresceu uns vinte centímetros e já tá se achando grande... É só Jayme agora, olha só!

– Félix, deixa ele... Temos que aceitar que o Jaymin... Quer dizer, o Jayme já é quase um adolescente!

– Tem razão... Ai carneirinho, como o tempo passa... Imagina se eu tiver puxado ao papi, daqui a pouco vou estar grisalho, ai que horror!

Niko mexeu em seus cabelos e puxou um fio. – Olha Félix, um cabelo branco!

– Não, não, não brinca...

Niko deu uma risada alta. – Ai Félix, é brincadeira... Não seja bobo! Tenho certeza que você vai ficar muito charmoso quando estiver grisalho!

Fabrício saiu correndo de seu quarto. Adriana vinha logo atrás.

– Não corre menino... – Gritava Adriana.

– Papai... Tô com fome!

Niko se apressou para pegá-lo. – Ah vem cá, meu filho... Acordou só agora, dorminhoco! Tá com fome, tá?! – Niko foi sentá-lo na cadeirinha, mas Félix interceptou.

– Oh Niko, eu acho que o Fabrício não está mais cabendo nessa cadeira...

Niko sorriu e colocou-o no colo: — Ai Félix, é mesmo... Eu vou ter dificuldade de me livrar dessa cadeirinha, acho tão lindo o Fabrício sentadinho nela!

Félix balançava a cabeça, sorrindo: — Mas, carneirinho, nosso menininho já está com quatro anos... Fora que ele é todo fofinho feito o pai...

– Félix! Você não vai parar nunca de fiscalizar meu peso, ora!

– Ah carneirinho, que culpa eu tenho se você tem efeito sanfona...

– Efeito sanfona?! Félix!

– O que é sanfona, papai Félix? – Fabrício interrompeu aquele início de discussão.

Enquanto explicavam ao menino, Adriana chegou trazendo o telefone.

– Seu Niko, telefone! É sua irmã!

Niko colocou Fabrício no chão que correu para o colo de Félix. Pegou o telefone preocupado, pois uma das suas irmãs estava grávida, tendo uma gravidez de risco.

– Alô?! Ah, oi, Marcela, irmãzinha! Pensei que fosse a Samantha... Ah você tá aí com ela, que bom... O quê?! Que coisa maravilhosa! – Niko levou a mão à boca, emocionado. – Mas, elas estão bem?!... Sei, entendo... Awn! Queria tanto ir vê-las... Tá bom... Tchau, meu amor, depois a gente se fala! Beijo!

Niko desligou o telefone claramente emocionado.

– Que foi carneirinho? – Perguntou Félix enquanto Fabrício comia sentado no seu colo.

– Ai, Félix, tô tão feliz, a minha sobrinha nasceu! Lembra que eu comentei que minha irmã mais velha, a Samantha, estava tendo uma gravidez delicada? Então, graças a Deus, foi tudo bem, ela deu à luz uma menina!

– Ah, sim... Eu me lembro dela no nosso casamento, ela é aquela que não é nem dois anos mais velha que você, não é?! Vocês são bem parecidos até!

– Pois é! Eu e a Samantha sempre fomos mais próximos, não só na idade! Claro, eu ajudei a cuidar de todas as meninas, afinal as outras três são mais novas, mas a Samantha era minha cúmplice, minha confidente! Sempre foi tão boa em dar conselhos que se tornou psicóloga! Tenho tanta saudade dela, Félix, gostaria de ir conhecer minha sobrinha!

– Mas, carneirinho... Não é ela que mora em Santa Catarina?!

– É, é sim... É a terra natal dos nossos pais, sabia?! A Samantha foi morar lá no município da Penha depois que casou! A Marcela, que é a do meio, estava morando em Curitiba, mas foi pra lá ajudá-la nesse último mês!

– Ah... – Félix notou que Niko o olhava com aquele olhar pidão que ele conhecia tão bem.

– Já acabei papai! – Disse Fabrício ao acabar de comer. Félix limpou sua boca e o botou no chão.

– Pronto, meu filho, vai para a sala ficar com seu irmão, que eu vou conversar com seu papi Niko!

Niko deu um beijinho no filho e o pequeno correu para a sala. Félix virou para Niko encarando-o.

– Eu já sei o que você está querendo carneirinho! Você vai tentar me convencer a ir com você até a casa dessa sua irmã lá em Santa Catarina!

Niko deu um sorrisinho. – Você me conhece tão bem, Félix!

– Ah não carneirinho... Não dá! É muito longe e a gente logo vai inaugurar o terceiro restaurante...

– Ah Félix, vai, por favor... A gente pode adiar um pouquinho a inauguração, e a viagem pode ser super divertida, além de que, tenho certeza que os meninos adorariam conhecer aquela região, sabia que é lá que tem o parque Beto Carrero World?!

– Claro que sei Niko, mas...

– Espera aí, eu ouvi direito?! – Interrompeu Jayme, aparecendo de surpresa. – Papai Niko, eu sempre quis conhecer o Beto Carrero World!

– Tá vendo, Félix?!

– Ah carneirinho, agora já sei, você vai usar os nossos filhos para me chantagear...

– Hum... Vou mesmo! Eu sei que você não resiste se eles também pedirem! – Ele virou para Jayme, explicando-o: — Sabe o que é meu filho... É que acabou de nascer uma sobrinha minha, ou seja, priminha de vocês, e o seu pai Félix aqui não quer nos levar para conhecê-la! A minha irmã mora lá perto de onde fica o parque, e, a gente indo visitá-la, poderia dar uma passadinha lá... Mas, infelizmente, seu pai Félix não quer nos levar!

– Ah pai... Vamos! É meu sonho conhecer o Beto Carrero World e melhor agora que eu e o Fabrício estamos de férias! – Pediu Jayme a Félix.

– Ah pai nada! Eu espero que estejam com dinheiro sobrando para as passagens de avião, porque de carro são mais de doze horas daqui pra lá!

– Félix, você sabe quanto dinheiro temos na conta, você quem administra!

– Ah ah, não me diga! – Félix foi claramente irônico.

– Félix, se continuar sendo cínico eu faço o Fabrício pedir também, eu sei que você não resiste a ele fazendo beicinho!

– Ah ah, claro que não né?! Ele é você em miniatura!

Niko entendeu e pediu para Jayme trazer o irmãozinho. Niko o colocou no colo e foi dizendo umas palavras em seu ouvido para ele repetir para Félix.

– Papai Félix... Por favor... Quero visitar... A tia Samantha... E minha priminha... E brincar no parque... Por favor... – O menino sorriu no final e Niko mandou sussurrando: — Isso, meu filho, agora faz a carinha de pidão para o papai Félix!

O pequeno já tinha aprendido com Niko o que era pra fazer. Ele arregalou os olhinhos verdes para Félix e fez biquinho.

– Aaahh... Pelas contas do rosário, isso é irresistível... – Exclamou Félix. Quando percebeu Niko e Jayme estavam fazendo a mesma cara, Félix abaixou a cabeça na mesa, rindo, dizendo: — Ai ai... Eu devo ter surfado nas águas do Nilo para estar ficando tão mole com vocês... Está bem! Nós vamos!

– Eeeehhhh... – Todos gritaram e abraçaram Félix de uma só vez.

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Á noite, já era tarde e Félix estava no escritório vendo as contas no computador. Niko chegou e ficou atrás dele vendo tudo.

– E aí Félix, vai dar tudo certo para viajarmos depois de amanhã?

– Ah carneirinho, que dá, dá! Mas, se continuarmos tendo gastos desnecessários assim, vamos ter que vender o terceiro restaurante antes mesmo de inaugurá-lo!

– Também não exagera Félix, a gente tem condições suficientes de ir e vir de avião, ficar num bom hotel, e ainda alugar um carro durante alguns dias! Além do mais não é um gasto desnecessário, eu vou rever uma parte da minha família!

– Hum... Eu sei, eu sei que é importante para você... Só por isso eu aceitei...

– E quer saber, meu amor... – Niko puxou a cadeira em que Félix estava na frente do computador, virando-o para ele. – Eu quero te mostrar o quanto estou agradecido!

Félix notou as segundas intenções do marido. – Quer é?! Como?

Niko o puxou pelas mãos, empurrando-o para a poltrona reclinável que Félix havia comprado há algum tempo. Com um sorriso malicioso, Niko foi reclinando a poltrona até deixá-la quase deitada.

– Você vai ver como! – Sussurrou no ouvido de Félix, dando-lhe mordidinhas na orelha, descendo com beijos e leves mordidas pelo pescoço, o que o fez gemer baixinho.

– Eu não consigo mesmo resistir a você, carneirinho... Meu carneirão!

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Era manhã, bem cedo, uma mulher loira e bonita entrava no quarto onde dormiam um menino e duas meninas.

– Vamos, meus amores, acordem para ir para a escola! – Chamava Ângela puxando de leve os cobertores de cada um dos filhos.

Samantha, a mais velha, foi a primeira a acordar e logo em seguida, Nicolas. Ele levantou rápido ao ver que já era de manhã e foi até a cama da irmã.

– Samantha, e aí, eu vou poder te contar meu sonho agora ou não?!

– Ah Nicolas... Esquece isso!

– Mas, não dá! Como eu posso esquecer?!

– Hum... Vamos dar um jeito, mas, depois! Agora, eu vou ao banheiro me arrumar primeiro...

– Ah não, você foi primeiro ontem, hoje sou eu que vou...

– Meninos, não briguem! – Ordenou a mãe. – Se arrumem para tomar o café, enquanto eu arrumo as irmãzinhas de vocês!

Eles obedeceram à mãe indo um de cada vez. A mãe ficou arrumando a outra filha de seis anos, e as duas pequenas gêmeas de apenas dois anos que ainda não iam para a escola.

Depois, a família toda estava reunida na mesa para o café. A mesa pequena e redonda deixava todos mais perto uns dos outros. As pequenas gêmeas tomavam mamadeira, uma no colo do pai outra no colo da mãe. Nicolas e Samantha sentavam lado a lado com a irmã do meio, Marcela, entre eles.

Nicolas tocou o braço da irmã mais velha, perguntando baixinho:

– E aí, quando você vai me dizer o que fazer para esquecer aquele sonho?!

O senhor Antonio que estava ao lado ouviu e perguntou: — De que sonho está falando, meu filho?!

O garoto ficou rosado. – Ah, nada não pai!

Vendo como o filho ficou envergonhado e sabendo o quanto ele era tímido, o pai aconselhou: — Nicolas, meu filho, você já vai fazer dez anos, se estiver tendo pesadelos ou algo assim, não precisa se assustar...

– Hã, não pai, não é isso... Mas, obrigado!

O pai sorriu fazendo um carinho em seus cabelos. – Esse é meu garoto! Tão educado... Olha Nicolas, qualquer coisa você pode me contar viu, meu filho! Agora, vamos para não chegarem tarde! – Levantou-se então, para levá-los a escola.

No caminho, Samantha tocou no braço do irmão, falando baixinho:

– Já sei o que você vai fazer! Na hora do recreio, vai lá perto da minha sala que eu te digo!

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– Jayme, não sai correndo na frente senão o Fabrício vai querer ir atrás de você! Pega na mãozinha do seu irmão!

– Tá pai!

– E eu carneirinho, quem me socorre? – Perguntou Félix que vinha carregando três malas.

– Ai Félix, desculpa amor! Me dá uma dessas... – Niko pegou uma das malas. – Pronto! Já chegamos! Vamos nos registrar no hotel e comer alguma coisa, descansar... E depois direto para a casa da minha irmã, que eu estou ansioso para ver minhas irmãs e conhecer minha sobrinha!

No quarto do hotel, o casal descansava da viagem. Félix deitou ao lado de Niko, falando baixinho:

– Carneirinho... Esse hotel tem uma cama boa né?!

Percebendo o tom de voz de segundas intenções do companheiro, Niko tratou logo de cortar o clima.

– Félix, os meninos estão aqui ao lado, esqueceu?!

– Não, não esqueci! Sabe o que a gente devia ter feito? Devíamos ter trazido a Adriana junto, para ela ficar com os meninos enquanto a gente, sei lá, aproveitava o friozinho...

– Félix, fala sério, a coitada da Adriana tem a vida dela, tem o João, o marido dela... Ela merecia umas férias também né?!

– Eu sei carneirinho... Ah, sabe o que é?! É que é julho, inverno, aqui no sul faz bem mais frio e seria ótimo ficarmos horas embaixo de um edredom...

– Félix, meu amor, eu vou repetir: os nossos filhos estão aqui ao lado!

– E daí, carneirinho! É outro quarto! É só você não fazer muito barulho...

– Ah! Muito barulho, eu?! Olha quem fala... Quer saber Félix, é melhor você tomar um banho frio para abaixar esse fogo!

– Ah! Fogo, eu?! Olha quem fala... – Félix foi claramente irônico ao imitar a fala de Niko. Mesmo assim, acabou aceitando a ideia e foi mesmo tomar um banho para descansarem para a visita.

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Alguém bateu na porta. Uma moça foi abrir e se surpreendeu ao ver quem era.

– Niko! Maninho! – Ela pulou dando um abraço no irmão.

– Marcela, meu amor, há quanto tempo a gente não se vê!

– Faz tempo... Ah, seu danado, você nem disse que vinha hoje!

– Pois é, decidi fazer uma surpresa! E, claro, não vim sozinho! – Ele se afastou mostrando Félix e os meninos atrás dele.

– Ah, oi gente! Félix, tudo bem, cunhado?! – Ela foi cumprimentá-lo. – E esses meus sobrinhos lindos, como estão?! – Deu um beijinho em cada um. – Olha como o Fabrício está parecido com você quando tinha essa idade, irmão!

Niko sorriu. – Ah, sua boba, como você sabe se você é mais nova que eu!

– Ora, seu bobo, eu vi fotos né?! Não sabe como a Samantha guarda fotos aqui nessa casa...

– Ah, e por falar nela, foi especialmente por ela e pela minha sobrinha que viemos! Cadê as duas, estou louco para vê-las!

– Claro, estão no quarto! O marido dela também está lá! O meu deu uma saidinha e já volta com nosso filho!

– Ai, é mesmo, o Miguel, meu primeiro sobrinho... Como ele está Marcela?!

– Ah, eu sou suspeita para falar né Niko, a gente sempre acha nossos filhos a coisa mais linda do mundo... Já está com sete anos e muito travesso! Mas, venham, entrem, vamos fazer uma surpresa para a Samantha!

Marcela entrou no quarto dizendo para Samantha que estava sentada encostada na cabeceira da cama:

– Mana, chegou uma visita especial para você!

– Quem é?!

Niko apareceu com a cabeça na porta. – Oi, minha linda!

– Niko! – Ela encheu os olhos de lágrimas e abriu os braços para receber o irmão que correu para abraçá-la. — Ah, meu irmão... Que saudade!

Niko também já começava a chorar.

– Eu também estava morrendo de saudade, Samantha! Você sempre foi minha melhor amiga...

Marcela reclamou: — Ah, assim eu fico com ciúme... – Ela também abraçou os irmãos!

Quando se soltaram Samantha viu que Niko tinha levado o marido e os filhos que estavam parados na porta.

– Ah gente, que bom receber a visita de todos vocês! Venham, Félix, meninos, entrem!

Félix entrou e a cumprimentou. Jayme foi logo em seguida.

– Oi, Jayme, já está quase um rapaz... Dá um abraço na tia!

– Oi tia Samantha! – Ele a abraçou e Niko pegou Fabrício.

– Vai, Fabrício, dá um beijo na tia! – Mandou o pai. Fabrício obedeceu dando um beijinho nela.

– Ah, que lindo Niko! Ele está ficando igualzinho a você!

– Ah você acha... Mas, vamos ao que interessa, os meninos querem conhecer a priminha!

– Claro! O pai está com ela ali dentro trocando a fraldinha... – O marido de Samantha voltou com a filha recém-nascida.

– Ah, oi! Ouvi vozes, mas não sabia que tínhamos tantas visitas! Como vai Niko?!

– Tudo bem, Carlos! Você deve estar em êxtase não é cunhado?! A primeira filha...

– Oh, e como estou Niko! Estou muito orgulhoso com os dois amores da minha vida! – Respondeu entregando a bebê nos braços da esposa e dando-lhe um beijo.

– Ah, como você ainda não os conhecia pessoalmente, deixa eu te apresentar o Félix, meu companheiro, e meus filhos, Jayme, meu garotão, e Fabrício, meu pequenininho!

Ele cumprimentou a todos. Após as apresentações, Niko pediu: — Ah agora me deixa ver minha mais nova sobrinha... Posso segurar?

Samantha colocou a bebê nos braços de Niko, sempre com todo o cuidado e zelo, afinal, ela ainda tinha apenas alguns dias de nascida.

Niko estava muito feliz em estar ali, e Félix emocionado em ver a felicidade nos olhos de seu carneirinho. Niko foi se aproximando dele com o bebê nos braços.

– Olha Félix, que coisa mais linda...

Félix olhou o bebê sorrindo. – Olha gente, vou ser sincero, eu achava que todo bebê recém-nascido tinha cara de joelho... – Niko o olhou como se fosse repreendê-lo, mas Félix continuou: — Mas, essa menininha aqui é muito bonitinha já com tão pouco tempo de nascida... Também com uma família linda dessas né, Niko?! Você é bonito, suas irmãs são bonitas, deve estar nos genes!

As irmãs agradeceram e Niko se derreteu com o comentário de Félix, sorriu e até piscou para ele. Voltou, entregando a bebê de volta a irmã.

– E o nome, vocês já escolheram?

– Já! Vai se chamar Clara!

– Oh, Clarinha, minha sobrinha... É um lindo nome Samantha! E os avós o que disseram?!

– O papai e a mamãe ligaram ontem Niko! Eles adoraram saber, ficamos horas conversando, se emocionaram tanto...

Marcela interrompeu: — Não só eles... Sabe Niko, ontem nós ficamos organizando umas tralhas que tem por aqui, para dar mais espaço para ela e o bebê, e a gente encontrou uns álbuns de quando a gente era criança... Eu pensei que estavam lá na casa de papai e mamãe, mas não, estão aqui!

– Sério?! Ah, eu quero ver!

Marcela foi pegar alguns álbuns e nesse meio tempo o marido dela chegou com o filho.

– Pessoal, voltamos com as compras... Oh, olá, não sabia que havia visitas!

Marcela foi ao encontro do marido e do filho. – Daniel, meu amor, o Niko veio de surpresa e trouxe a família!

– Ah... Félix, como vai?! Nós nos conhecemos no dia da união de vocês não foi?! Poxa, já faz mais de dois anos...

– Pois é... – Eles se cumprimentavam quando Niko saiu do quarto.

– Daniel, há quanto tempo! – Ele abraçou o cunhado e se agachou em frente ao sobrinho. – E você Miguel, se lembra do tio Niko?

O garoto o olhou e pensou um pouco, depois, balançou a cabeça confirmando. – Lembro! Eu vi no computador da mamãe...

– Foi! Já falou com o tio pela internet! Ele lembrou! – Falava Niko abraçando o sobrinho.

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Depois de algum tempo, Jayme, Fabrício e o priminho Miguel brincavam num quarto, enquanto os três irmãos Corona estavam conversando entusiasmados no outro, e praticamente deixaram seus companheiros esquecidos na sala.

– Pois é, gente, fomos deixados de lado mesmo! – Exclamou Carlos.

– Também desde quando a Marcelinha e eu chegamos, elas não param de conversar... O que tanto essas irmãs têm pra falar?! – Retrucou Daniel. – Quer dizer... Esses irmãos né, porque agora o Niko se juntou a elas!

Félix entrou na conversa. – Ah, o carneirinho é assim, quando começa a falar parece que não para nunca mais... Já vi que é de família!

Carlos riu. – Você chama o Niko de carneirinho?! É por causa do cabelo?!

– É... Bom, também! Pelos cachos e pelas atitudes que tinha! Quando o conheci ele era mansinho feito um carneirinho... Nem lembro quando foi a primeira vez que o chamei assim...

– Eh eh engraçado! Vou passar a chamar a Samantha de ovelhinha...

Os três riram.

Marcela e Niko iam para a sala e ouviram as risadas. Marcela pegou no ombro do irmão dizendo:

– Olha maninho, que lindos, nossos maridos se enturmando!

Niko riu. – Sobre o que conversavam?! – Perguntou-lhes.

Daniel explicou: — Ah Niko, o Félix contou aqui seu apelido carinhoso, e o Carlos teve a ideia de dar um apelido para a Samantha pra combinar com o seu!

– Espera aí, o Félix me chama de carneirinho, qual vai ser o apelido da minha irmã?!

– O que vocês acham de ovelhinha?! – Respondeu Carlos.

– Ah, não, ela não vai gostar... Quer saber, acho melhor perguntar a Samantha o que ela acha disso...

Niko ia voltando para o quarto da irmã quando Jayme foi até ele.

– Papai Niko, quando nós vamos ver o Beto Carrero World?

– Ah filho, não sei, eu queria passar a tarde com minhas irmãs...

Carlos levantou. – Niko, sabia que eu estou trabalhando lá no parque?!

– Hum... Acabo de ter uma ótima ideia! – Disse Samantha que saía do quarto naquele momento.

Niko e Carlos foram ajudá-la. – Maninha, porque você não pediu ajuda para se levantar?!

–Ah Niko, estou bem! – Ela virou para o marido. – Carlos, meu amor, você podia levar o Daniel e o Félix com os meninos para um passeio no parque! Enquanto isso, eu fico aqui com meus irmãozinhos!

Niko a abraçou. – Ai, adorei a ideia maninha! Vamos ficar os três como nos velhos tempos! Ah, e cuidando da Clara também, né?!

Marcela concordou com a ideia se juntando aos irmãos.

Enquanto os outros se aprontavam para sair, Félix se aproximou de Niko.

– Carneirinho, tem certeza?!

– Claro Félix, vai ser ótimo, o Jayme quer tanto ir! Tenho certeza que o Fabrício também vai adorar ver o parque temático! – Niko falou, então, no ouvido de Félix. – E você pode tentar fazer amizade com os meus cunhados!

Félix sussurrou: — Tá dizendo que eu não tenho amigos, Niko?!

– E você tem?!

– É... Tem razão, não tenho mesmo! Tá, tudo bem, eu vou, mas vou pelos meus filhos!

– Isso! – Niko deu um beijo em Félix, enquanto as suas irmãs faziam o mesmo com os maridos antes de eles saírem.

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– Samantha, eu já te contei meu sonho... Você vai me dizer qual foi sua ideia ou não?! – Perguntava Nicolas durante o recreio na escola.

– É assim, minha ideia é você desenhar seu sonho! – Respondeu a irmã.

– Como assim? Como que se desenha um sonho, garota?!

– Ai irmão, às vezes você é meio burrinho! Eu tô falando pra você desenhar esses personagens do seu sonho, aí vai que você coloca eles no papel e tira da sua cabeça!

– Hum... É, pode ser... Mas, vou desenhar só o homem de branco que me salva... Acho que ele é meu anjo!

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De volta ao quarto, a pequena Clara dormia no berço e os irmãos começaram a ver alguns álbuns antigos de família. Eles se divertiam com as fotos de quando eram crianças, quando Marcela derrubou um dos álbuns e uma folha de papel saiu de detrás de uma foto. Ela abriu e viu um desenho gozado de um homem.

– Samantha, e esse desenho, quem fez?

– Deixa eu ver... Ah, foi o Niko!

– Eu?! — Perguntou Niko indo ver o desenho nas mãos da irmã.

– Claro! — Respondeu Samantha. — Não acredito que você não se lembra! Você tinha nove pra dez anos quando fez isso, no meu caderno da escola!

– Ah ah irmão... Nessa idade você já gostava de desenhar meninos?! — Brincou Marcela.

– Ah ah, sua engraçadinha! Eu nem lembro porque fiz isso!

– Ah Niko, pois você vai lembrar... Eu nunca esqueci! — Disse Samantha: — Você me azucrinou até o dia em que te dei a ideia de desenhar esse homem!

Marcela se intrometeu: — Ah agora fiquei curiosa! Que história é essa que vocês nunca me contaram?!

Samantha contou: — Você era muito pirralha na época, se a gente te contasse você não ia entender nada mesmo! Mas, foi o seguinte, o nosso irmãozinho aqui estava tendo uns sonhos esquisitos quase todas as noites, e o personagem principal desse sonho era esse homem que ele desenhou!

Eles olhavam o papel e Niko já começava a recordar. Ele obviamente não era um bom desenhista, mas dava para notar claramente que ele havia desenhado um homem de cabelos escuros, terno branco e camisa preta.

– Acho que... Esse desenho lembra alguém... Acho que me lembro de alguma coisa assim... Eu tinha uns sonhos recorrentes e eu até te acordei para contar uma vez, não foi?!

– Foi sim! — Respondeu Samantha. — Eu tenho ótima memória, lembro direitinho como você me contou...

Os dois ficaram atentos escutando enquanto Samantha contava-lhes a história daquele desenho. Niko ouvia e as recordações, aos poucos, apareciam em sua cabeça como flashes de luz. Os resquícios de lembranças daquele sonho infantil misturavam-se e comparavam-se, conforme a história era contada, com lembranças de um passado mais próximo, de poucos anos atrás.

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– Então, maninho, me conta como é esse sonho, para eu pode te ajudar! – Pediu a menina ao irmão.

O garoto começou...

– O sonho é assim... Eu estava num canto e de repente aparecia uma mulher feia e com cara de má, parecia uma bruxa, e ela queria me enganar...

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“Eu vim ter uma conversa particular com o Niko...”

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– Aí, aparecia, de repente, um homem vestido de branco, que aparecia para me salvar...

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“Não precisa me bajular, não Amarylis! Quer falar com o Niko, pode falar, fala!”

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– Aí, eu ficava atrás dele para me proteger...

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“Amarylis... Eu não guardo segredos pro Félix...”

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– Só que esse homem de branco saía de perto de mim e aquela mulher, aquela bruxa, chegava cada vez mais perto, parecia que ia me engolir...

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“Aliás, eu conheço o Niko muito antes de você conhecer ele, se você quer saber...”

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– E quando eu estava nas mãos dela, o homem de branco voltava para me salvar, com um escudo...

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“Niko! Existe uma diferença entre bondade e burrice!”

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– E ele ia chegando perto dela e ela ia se afastando de mim...

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“Amarylis, meu bem, você é uma bruxa, tá! Falsa! Mentirosa! Tão falsa quanto esses seus cílios postiços!”

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– Aí, ela tentava atacar o homem de branco...

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“... Nada mudou não é Félix?! Não adiantou em nada você estar passando por isso, você é uma bicha maligna!”

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– Mas, ele era mais forte e mais rápido e brigava com ela...

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“...Nesse caso ser injusto é ser muito justo! Sabe por quê?! Por que eu nunca vou acreditar em você, nunca!”

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– E ele brigava e brigava, me defendendo dela, até que ela ia embora...

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“Chega! Vai embora daqui Amarylis! Eu não acredito que eu já tava caindo nessa sua conversinha!...”

“... Eu vou embora daqui sim, mas eu ainda não desisti do meu filho!...”

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– E aí, aquele homem de branco me abraçava, me protegendo, dizendo que aquela bruxa não ia mais voltar!

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“Ela falou que é filho dela! Não é filho dela, Félix! É meu bebê, meu bebê!”

“Calma, calma, carneirinho... Ela já foi embora!”

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– E é nessa hora que eu acordo!

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– Félix! – Exclamou Niko interrompendo o que a irmã contava.

– Que foi Niko?! Você estava distante enquanto eu contava... Estava lembrando?

Marcela comentou: — Acho que ele estava era pensando no Félix, não é maninho?! Ele nem ouviu o que você dizia...

Niko estava com os olhos cheios de lágrimas. Sorriu e respondeu:

– Não, eu ouvi... Ouvi sim! E, lembrei... Lembrei bem mais além desse sonho... Lembrei a realidade! E, querem saber, minhas irmãs... Sonhos são possíveis! Sonhos podem virar realidade! – As lágrimas escorreram dos seus olhos. – Depois, que a Samantha me fez desenhar esse homem, ele nunca mais apareceu nos meus sonhos... – Niko sorriu. – Mas... Ele apareceu... Na minha vida!

As duas não entenderam muito bem o que Niko quis dizer, mas abraçaram o irmão que estava emocionado. Continuaram vendo fotos e conversando sobre histórias da infância até os maridos e os filhos voltarem.

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Já entardecia quando Félix, Carlos e Daniel voltaram do parque com os filhos.

– Chegamos! – Exclamou Carlos, abrindo a porta de casa.

Os três irmãos Corona ouviram seus maridos chegarem conversando e rindo. Niko e Marcela saíram do quarto.

– Parece que se divertiram no parque, meninos?! – Perguntou Marcela, embora a pergunta não fosse necessária, pois a resposta estava estampada no rosto deles.

Carlos foi ao quarto ver a esposa e a filha. Jayme foi até Niko dizendo:

– Papai Niko, eu fui na roda gigante com o tio Carlos, e o tio Daniel foi com o Miguel! O papai Félix não quis ir, acho que ele ficou com medo!

Niko riu: — Félix, você tem medo de roda gigante?!

– Eu?! Carneirinho, por favor... Acontece que eu fiquei com medo de que o Fabrício ficasse com medo, e a gente teria que pedir para parar a roda... E achei melhor não ir com ele, foi isso!

– Sei... – Niko não se convenceu com a resposta de Félix.

Daniel interrompeu perguntando a esposa: — E vocês, o que ficaram fazendo esse tempo todo?!

– Vendo fotos, recordando o passado, descobrindo historinhas... Não é Niko?!

– É... Belas histórias! – Disse olhando para Félix.

Carlos voltou do quarto trazendo um dos álbuns e rindo. – Daniel, Félix, olhem isso!

Os dois foram ver o que ele mostrava. Começaram a rir e Félix perguntou:

– Carneirinho, eu também posso te chamar de leãozinho?!

– Leãozinho? Por quê?

Eles viraram o álbum para os irmãos Corona. Eram fotos de Niko, Samantha e Marcela quando crianças, vestindo fantasias de bichinhos.

– Ah, não acredito que vocês foram pegar logo esse álbum!

– Ei, não vale rir da gente...

Reclamavam os irmãos, enquanto seus cônjuges se divertiam vendo as fotos deles e fazendo comentários.

Daniel: — Olha a Marcelinha! Não tinha outra fantasia, amor? De vaquinha...

Félix: — Eu achei que a de leãozinho combinou muito com o Niko...

Carlos: — Ah ah... Não acredito que a Samantha se vestiu de ovelhinha! Agora, o apelido tá garantido, hein, Félix?!

Ele e Félix bateram as mãos e continuaram vendo o álbum, tirando sarro das fotos dos irmãos quando pequenos.

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Após o jantar na casa de Samantha, Jayme e Fabrício adormeceram pelo cansaço. Ficaram no mesmo quarto em que o priminho Miguel também estava dormindo.

Aproveitando esse momento, os adultos ficaram conversando na varanda até que Samantha se retirou para dar de mamar à filha. Carlos a acompanhou. Daniel e Marcela ficaram mais um pouco na varanda enquanto Niko resolveu passear com Félix.

Andando de mãos dadas, os dois conversavam.

– Gostei de ver, Félix! Você ficou tão à vontade com os meninos! Você e os meus cunhados se tornaram amigos?!

– Ah... Super amigos não, carneirinho, mas eles simpatizaram comigo e eu simpatizei com eles! Trocamos os números de telefone e até tiramos uma selfie lá no parque!

Niko riu. — Sério?! Que legal... Vocês se divertiram muito?!

– Sim... Sabe carneirinho, eu tinha um sonho na infância de ir a um desses grandes parques temáticos e, claro, a mami nos levou uma vez, a Paloma e eu, mas, hoje, acho que me diverti tanto ou mais que nossos filhos! Você devia ter visto a carinha do Jayminho, quer dizer, do Jayme, quando ele viu aquele local chamado Reino das Águas, com aqueles elefantes de pedra, ele ficou louco para ir! Correu na frente da gente, e eu tive que gritar: Jayme volta aqui! O Fabrício só ficava rindo pra todo mundo...

Niko ouvia olhando para ele com aquele olhar apaixonado. Félix parou de falar quando notou, mas perguntou:

– Tá me olhando assim por que, carneirinho?!

– Nada não... Ah Félix, e é verdade que você teve medo de ir na roda gigante?!

– Não, Niko, eu não já disse que eu não fui por causa do Fabrício, ora!

– Aham... Tenho certeza que meu menininho não ia ficar com medo...

– Tá bom, carneirinho, tá bom... A verdade é... Quando éramos crianças, a mami nos levou para um parque lá em São Paulo! O papi acabou indo depois ficar com a gente e eu fiquei super feliz, mas, quando eu ia pedir para o papi ir comigo na roda gigante, a Paloma pediu na minha frente e ele foi com ela! Aí, eu fiquei emburrado, e depois a mami fez eu e a Paloma irmos juntos como dois irmãozinhos felizes... Aí, eu... Eu tentei empurrar a Paloma da cadeira para que ela não fosse outra vez, eu queria ir sozinho, só que escorreguei e quase caí quando a roda começou a girar! Desde então, nunca mais subi numa roda gigante!

Niko o olhava com o olhar mais apaixonado ainda e até com um pouco de pena. Ele parou na sua frente e o beijou com ternura. Depois, abraçado a ele, começou a dizer umas palavras que, para Félix, soavam lindamente incompreensíveis, mas, para Niko, faziam todo sentido.

– Félix, meu amor... Você é o homem dos meus sonhos... O que me protege... O que afugenta meus medos... Eu também quero afugentar seus medos, Félix... – Niko deu aquele sorriso que Félix adorava e pegou em sua mão. – Vem, comigo...

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Sentados naquela cadeira, a roda começou a girar e Félix involuntariamente apertou os lábios e fechou os olhos. Então, ele sentiu a mão quente de Niko apertando a sua.

Enquanto a roda gigante girava, Félix sentia a mão de Niko sobre a dele e se acalmava. Abriu os olhos para admirar a vista, enquanto Niko falava:

– Sabe Félix... Eu estou adorando estar aqui com você... Meu amor... Você é minha alma gêmea!

O medo de Félix já havia passado e ele respondeu a seu modo:

– Eu devo ter colocado uma roda gigante no meio do deserto na travessia dos hebreus para ter me casado com um ser tão romântico! – Félix suspirou. – Ai carneirinho, eu nunca sonhei que ficaria com alguém como você!

Niko o olhou de novo com aquele olhar apaixonado.

– Pois eu sonhei... Sonhei com alguém como você... Exatamente como você! Por isso que eu digo que você é minha alma gêmea, Félix! Meu sonho... Meu sonho que virou realidade!

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FIM... De um sonho inesquecível!

Notas finais
Nem precisa dizer que eles se beijaram no alto da roda gigante... Depois daquele passeio noturno, voltaram para a casa da irmã de Niko. No dia seguinte, despediram-se de todos e voltaram para casa para inaugurar o 3º restaurante. Com mais lembranças inesquecíveis, mais amigos conquistados, mais sonhos possíveis!