Félix & Niko - Dias Inesquecíveis
35 Surpresa!!! - parte 2
Notas iniciais
Quando Félix saiu do restaurante, Niko sabia que ele havia notado que ele escondia alguma coisa. Mas, Niko tinha que continuar com seus planos, caso quisesse fazer uma bela surpresa para seu namorado.
Então, ele ligou de novo para Pilar e contou sobre suas ideias.
– Ah Niko, que coisa mais linda... Não pode haver surpresa mais romântica!
– Que bom que gostou Pilar! Eu só fiquei preocupado com o Félix saindo chateado daqui...
– Não se preocupe! Niko, o Félix é louco por você! Quando ele vir o que você está preparando vai ficar todo contente, você vai ver!
– Tomara! Bom, até a noite, então!
Niko desligou e chamou seu assistente.
– Edgar, hoje eu vou sair mais cedo, à tardinha, porque tenho que preparar umas coisas para um compromisso à noite! Você cuida de tudo por aqui e fecha o restaurante, tá! E lembra que amanhã eu não venho!
Após dar as instruções para seu assistente, Niko ia recomeçar seus afazeres quando uma das facas de peixe quebrou.
– Droga! Edgar, eu volto já... Vou naquela lojinha aqui do shopping ver se encontro outra dessa!
Ele saiu, atravessou o shopping, comprou outra faca, e para voltar resolveu pegar outro corredor. Foi então que Niko se deparou com uma cena que o deixou cheio de ciúme: Edith e Félix abraçados, e depois ela dando um beijo no rosto dele.
O abraço foi rápido e depois foi cada um para um lado, mas aqueles poucos segundos quase fizeram Niko desistir da surpresa. Ele voltou para seu restaurante, claramente irritado.
– Aconteceu alguma coisa, seu Niko? – Perguntou Edgar.
– Sim... Quer dizer, não... Só me deu vontade de jogar essa faca em alguém! – Respondeu com a faca que havia acabado de comprar na mão.
–---------
No decorrer do dia, a raiva de Niko foi passando e ele continuou com os planos de fazer uma surpresa para Félix. Afinal, ele pensava, Félix estava com ele, gostava dele, era apaixonado por ele, e voltar com a ex estava fora de cogitação. Portanto, não tinha porque sentir tanto ciúme. Félix era todo seu, e a surpresinha romântica aconteceria.
Niko ligou para uma loja do próprio shopping e algum tempo depois, um vendedor foi até o restaurante levando consigo um buquê enorme com várias flores. Já era tarde, no horário que não tinha muito movimento e que Niko disse que ia embora. Edgar assumiu o controle do restaurante enquanto Niko sentou-se numa mesa mais separada com o rapaz que havia chegado com as flores. Ele mostrava as flores para Niko, conversavam e Niko estava muito sorridente. Félix chegou e viu tudo. Viu aquela cena, Niko recebendo flores de outro cara e interpretou errado, se mordendo de ciúme.
–-------------
Em casa, à tarde, depois de sair do shopping Félix pensava no que Niko poderia estar lhe escondendo. Ao mesmo tempo pensava que não deveria ser nada demais, afinal, Niko era louco por ele, jamais o trairia ou faria algo que o fizesse perder a confiança nele.
– Claro, só pode ser isso! – Exclamou Félix ao ter uma ideia do que poderia ser. – Com certeza o carneirinho soube que meu aniversário é amanhã, que nem eu lembrava, e está querendo me fazer uma surpresinha! Por isso tanto mistério!
Depois de chegar a essa conclusão, Félix deixou entardecer, pois ainda tinha algumas coisas a fazer, como ajudar o pai. Quando já estava anoitecendo, ele entrou no carro com uma vontade enorme de ver o seu carneirinho e dizer-lhe que não precisava lhe dar nada, que ele era seu maior presente.
Foi direto para o restaurante. Porém, nem entrou. Olhou pela parede de vidro e viu um homem sentado numa das mesas com Niko, e entregando-o flores. Eles conversavam animadamente. Aquilo foi enchendo Félix de ciúme, mas quando ele ia entrar para dar o flagra nos dois, acabou recuando e se escondendo quando ambos se levantaram e, pegando as flores Niko saiu com o outro. Eles pareciam muito contentes e Félix ficou vendo os dois ate sumirem nos corredores do shopping.
Ele cerrou os punhos e esmurrou a parede com raiva, fazendo o vidro estremecer. O barulho fez com que algumas pessoas olhassem, mas apenas uma voz se pronunciou.
– Assim você quebra o vidro, Félix! – Falou aquela voz irônica conhecida.
– Está me perseguindo, Edith?!
– Imagina se vou te seguir... Tenho um homem com H agora, pra quê iria atrás de meio-homem?!
– Você continua uma criatura agradabilíssima! – O tom de voz de Félix foi carregado de ironia.
– Ai ai... Já que te encontrei de novo, você gostaria de conhecer de uma vez quem é meu homem agora?!
Félix olhou para trás com a lembrança de Niko saindo com aquele cara e pensou: — Agora eu sei o quê o carneirinho estava me escondendo! E eu, idiota, pensando que ele estava me preparando uma surpresa de aniversário... – Ele virou para Edith e respondeu: — Quer saber, eu vou com você... Não tenho nada a perder!
–-------------
Niko saía de uma loja quando viu Félix passar com Edith. Ela pegou no braço dele, mas ele soltou e a afastou. Niko gostou de vê-lo fazer aquilo, mas ainda não gostava nada de ver os dois andando juntos. Eles entraram numa boutique que estava com meia porta aberta. Havia caixas no chão e a maioria das luzes estava apagada.
– Então é aquela a loja da Edith! Parece que está de mudança... Mas, o que o Félix foi fazer lá?! – Pensava Niko.
Ele olhou para a caixa em suas mãos que havia acabado de comprar.
– Ai, tomara que o Félix vá logo pra casa...
–-------------
Iam caminhando em direção a loja de Edith quando ela agarrou de repente seu braço. Félix soltou, perguntando:
– Que é isso, criatura?! Fica se gabando aí que tem um homem com H, e fica querendo me agarrar...
Ela riu. – Só queria ver sua cara! Vem...
Eles entraram na loja. Lá dentro, Félix olhava pra tudo.
– Então... Você vai fechar sua boutique?
– Vou! Não dá tanto lucro! Com o que tenho vou morar num bom apartamento e, depois, talvez montar outro negócio...
– É, com o que tem... – Félix foi sarcástico. – Com o que extorquiu do papi com aquela história do Jonathan ser filho dele...
– É, é sim... Ele me deu, a grana é minha e eu uso como quiser! Dá pra parar de remoer o passado?!
– Quem está remoendo o passado é você Edith! Eu não estou vendo mais ninguém aqui... Que é? Me trouxe aqui para ficarmos a sós, ou para me apresentar de uma vez o seu bofe magia?! Vai, quem é esse cara, afinal?!
Uma voz masculina falou atrás de Félix: — Félix... Esse cara sou eu!
Félix virou e exclamou: — Tapete persa!
Wagner se aproximou de Edith e a abraçou. Félix ficou surpreso por um momento, mas logo se lembrou de alguns fatos que o fizeram pensar que aquilo tinha mais lógica do que parecia.
– Claro, era de se esperar... Eu já tinha desconfiado uma vez, mas... – Félix riu consigo. – Ah, como mais o tal amante da Edith teria acesso à casa de mami?! Eu ficava imaginando como ele entrava e saía sem ser visto... Óbvio, ele não saía! E foi tão rápido a ponto de deixar uma cueca esquecida no quarto... – Félix riu mais uma vez. – Parabéns, tapete persa! Conseguiu me enrolar!
– Você levou isso tão numa boa? – Perguntou Edith.
– Ué! O que queria que eu fizesse? Que eu brigasse com o Wagner por você?! Por favor, Edith... – Ele deu o sorriso mais cínico que poderia. – Nós dois temos coisa melhor agora, não é, querida?!
Ela entendeu o duplo sentido das palavras de Félix e concordou. – É verdade... Nós dois temos coisa bem melhor agora!
Wagner quis explicar: — É... Eu sempre gostei da Edith... E eu tinha pena de vê-la casada com você...
– Nossa, que peninha da Edith! Vivia numa mansão, tinha uma vida de princesa...
– Só não tinha um príncipe, né Félix?!
– Cínica como sempre... – Félix deu aquela ajeitada na sobrancelha. – Bom, vamos ver até quando você aguenta Wagner! Agora que já matei minha curiosidade, vou indo, por que tenho mais o que fazer...
Antes de ele sair, Edith não perdeu a oportunidade de destilar um pouco de veneno.
– Parece que eu não fui a única pessoa que te traiu, né Félix?!
Félix parou e lembrou de Niko saindo com aquele homem. Edith estava por perto, ela devia ter visto também, por isso o comentário. Félix se sentia incomodado pela dúvida, mas não queria acreditar que seu carneirinho poderia estar lhe traindo. Pensava: — Niko não faria uma coisa dessas comigo... Não, não tem lógica, nem explicação...
Ele virou para Edith e respondeu com a certeza de que Niko tinha uma boa explicação para lhe dar. – O Niko é bem diferente de você, Edith! E sabe qual a maior diferença? É que ele é digno de toda a minha confiança! E eu sou apaixonado por ele, como nunca fui por você! Adeus!
Félix saiu da boutique, deu algumas voltas pelo shopping para esfriar a cabeça e no intuito de tentar achar seu carneirinho por aí. Como não o viu, depois de um tempo, foi direto para o restaurante. Ele também não estava lá. Félix pediu um sushi e ficou esperando Niko voltar. Porém, Niko não voltaria mais...
–-------------
Na casa de Niko...
– Pronto! Adriana, como estou?
– Tá muito elegante, seu Niko!
– Obrigado! Hoje será uma grande noite e amanhã um grande dia... Depois eu vou te dar até um bônus no seu salário por você ficar essa noite e amanhã com os meninos! Se o Félix aparecer por aqui se lembre de não dizer para onde eu fui, só diz que eu saí ok!
– Tá, seu Niko... Eu ainda nem sei mesmo pra onde o senhor vai!
– Ah, é verdade, nem te contei... Olha, o negócio é o seguinte, amanhã é aniversário do Félix e eu quero fazer uma surpresa, então, por isso se ele vier você tem que dizer pra ele que eu saí e você não sabe pra onde! Aí ele vai se chatear e vai para a casa da mãe dele e eu o estarei esperando por lá! Entendeu?!
– Ahh... – Adriana não entendeu muito bem, mas deixou pra lá.
– Bom, já tá ficando tarde... Eu vou dar um beijinho nos meus filhotes, me despedir...
Niko foi até os quartos dos meninos, se despediu deles e foi para a casa de Pilar.
–-------------
Félix já estava há mais de uma hora esperando Niko no restaurante, mas seu carneirinho não voltava. Ele ainda não queria acreditar que estivesse acontecendo algo, mas a demora de Niko o estava deixando revoltado.
Levantou e foi até o balcão.
– Ei, Edgar, sabe me dizer se seu patrão ainda volta hoje para esse restaurante?!
– Não, o seu Niko até me pediu para fechar o restaurante hoje porque ele não ia voltar! Ele também não vem amanhã!
Félix abaixou a cabeça e deu um profundo suspiro para não chorar. Agora, ele tinha mais motivos para desconfiar de uma possível traição de Niko.
– Tá, obrigado pela informação, Edgar! – Félix saiu do restaurante e começou a dar voltas com o carro.
Tudo que ele queria era uma explicação. Resolveu parar numa esquina e ligar para o celular de Niko.
Após algumas tentativas...
– Só dá desligado... – Félix jogou o celular no banco de trás do carro. – Mas que droga, carneirinho, o que tá acontecendo com você?! Eu devo ter provocado um ciclone no deserto pra você estar fazendo isso comigo! – Félix pensou e saiu no carro. – Ah, mas se ele não quer me atender, vai ter que falar na minha cara o que tá havendo!
Foi direto para a casa de Niko.
–-------------
Na casa de Pilar, Niko já acabava de preparar a surpresa no quarto de Félix.
– Não está linda a cama dele?!
– Está sim Niko! – Respondeu Pilar. – Meu filho teve muita sorte de encontrar alguém como você! Acho que vou pedir para o Maciel fazer uma surpresa assim para mim, um dia desses... Se não, eu mesma faço!
Ambos riram. Niko olhou para o quarto, já estava tudo pronto, ele só precisava esperar Félix chegar. Mas, seu amado já estava demorando a voltar para casa.
Niko tinha como objetivo passar a madrugada do aniversário de Félix com ele, numa noite romântica e cheia de paixão. Levou champanhe, velas, um bolo de aniversário, e o toque especial: uma caixa de pétalas de rosas, com as quais ele cobriu a cama do amado por cima de lençóis vermelhos.
Enquanto esperava, desligou seu celular para caso Félix ligasse ficasse chateado ao ver que ele não atendia. A surpresa era justamente Félix chegar chateado com ele para depois ficar super feliz ao ver tudo que ele tinha preparado.
Esperando ansioso, sentado numa poltrona do quarto de Félix, Niko só desejava: — Félix, meu amor, chega logo, por favor!
Mas, Félix estava mesmo demorando demais...
–-------------
Na casa de Niko, Adriana cuidava dos meninos quando Niko ligou para saber se estava tudo bem.
– Tá tudo bem, seu Niko! Daqui a pouco eu boto eles pra dormir...
– Tá... Adriana, o Félix não passou por aí não?
– Não, ele não apareceu aqui não, seu Niko!
– Não?! – A voz de Niko soou triste e decepcionada. – De qualquer jeito, eu vou passar a noite fora mesmo como tinha te dito... Me convenceram a ficar esperando e... Enfim, cuida dos meninos direitinho, viu, lembra que o Fabrício não está dormindo direito esses dias...
– Pode deixar seu Niko!
Assim que Adriana desligou, o telefone tocou de novo. Ela atendeu. Era uma péssima notícia que a deixou desesperada...
–-------------
Jayminho estava no quarto vestindo o pijama e ouviu Adriana chorando. O menino correu para a sala.
– O que você tem Adriana?
Tapando o telefone por um minuto, ela respondeu: — Ai Jayminho... É que um tio meu teve um acidente... Espera só um pouquinho... – Pediu, voltando a falar ao telefone.
Nesse momento a campainha tocou e Jayminho foi abrir a porta.
– Oi Félix!
– Oi Jayminho... Seu papi está em casa?
– Não, ele saiu! Ele pediu pra a Adriana ficar com a gente, porque ele só volta amanhã... – Félix ficou decepcionado ao ouvir isso. O menino continuou: — Mas, agora ligaram pra Adriana e ela tá chorando...
– Chorando? Por quê?! – Perguntou Félix entrando para ver o que acontecia.
Adriana estava desligando o telefone nesse momento e quando viu Félix exclamou:
– Ah seu Félix ainda bem que o senhor chegou!
–-------------
Após Adriana explicar tudo e Félix garantir que cuidaria dos meninos e que avisaria a Niko o que estava acontecendo, ela foi de táxi ver o tio acidentado no hospital.
Félix estava completamente desanimado pelo que havia acabado de saber: que seu amado carneirinho não ia dormir em casa. Como ele já não tinha atendido o celular antes, Félix resolveu não tentar ligar para ele de novo, além de que ele tinha deixado o celular no banco de trás do carro. Ele estava muito ressentido com Niko, mesmo assim, ficaria cuidando dos filhos dele durante toda a noite se fosse preciso. Eram só crianças e se nem a babá não podia ficar com eles, e o pai estava muito ocupado fazendo sabe-se lá o quê, alguém tinha que ficar. Também, Félix já estava ficando muito apegado àqueles meninos, e de jeito nenhum os deixaria sozinhos.
Félix foi para o quarto do pequeno Fabrício que ele adorava, e Jayme, que era pura simpatia com Félix, brincava com o irmãozinho.
– Jayminho, Fabrício, eu serei o babá de vocês por essa noite, ok?!
– Por quê?! Pra onde a Adriana foi?!
– Oh, Jayminho, ela teve que ir visitar o tio dela que sofreu um acidente... E como o pai de vocês não está, eu fico com vocês hoje!
– Tá! Eu gosto quando você fica aqui em casa, Félix!
Félix se alegrou com essa resposta de Jayminho. Ele ainda não sabia explicar porque gostava tanto daqueles garotos... Tanto quanto gostava de seu próprio filho.
– Eu também gosto, Jayme... Mas, vamos lá, como o Fabrício ainda não sabe falar, você pode ser meu ajudante?!
– Posso! Eu ajudo!
– Ótimo! Então... – Félix pegou Fabrício e o levantou. – Hum... Começa me trazendo uma fralda que seu irmão precisa ser trocado, urgentemente! Depois você me diz a que horas vocês vão dormir, eu sei que é daqui a pouco...
–-------------
Madrugada...
Niko acordou e lembrou que não estava em sua casa. Estava numa cama cheia de rosas para seu amado, mas sem ele, mais parecia uma cama de espinhos. Ele se revirava, tentava, mas não conseguia dormir bem... Só pensava em Félix, onde ele poderia estar. Niko já havia ligado de novo o celular, ligado várias vezes para Félix, mas ele simplesmente não atendia. Por quê? Era tudo que Niko queria saber.
–-------------
Madrugada...
Na casa de Niko, Félix andava de um lado para outro, com Fabrício nos braços, tentando fazê-lo dormir. O pequeno estava com dificuldade para dormir e já havia chorado várias vezes.
– Ah... Pelas contas do rosário, o que você tem, hein, Fabrício?! – Falava enquanto balançava o menino, tentando acalmá-lo.
Jayminho foi até eles, dizendo: — Tio Félix, o papai disse que o Fabrício estava tendo cólicas e por isso ficava acordando muito!
– Ah, então é isso... – Respondeu Félix. – Vou continuar tentando fazer seu irmãozinho dormir... Mas, você saiu da cama porque, Jayme?! Eu já te deixei assistir o filme que você queria, mas agora está realmente tarde para você estar acordado!
– Eu já vou voltar... É que eu queria saber o que o Fabrício tem e se ele vai ficar melhor!
– Vai, vai ficar sim, Jayminho, se preocupa não... O que ele tem é só uma dorzinha de barriga bem chata e como ele não sabe falar como dói, quando dói... Ele chora! Entendeu?
– Entendi... Mas, essa dor vai passar?
– Passa... – Félix pensou: — Bem que eu podia ligar para Paloma pra ela me dar uma dica... Mas, não! A essa hora capaz de ela nem me atender ou desligar na minha cara, ou o bofe de ouro me atender e me xingar... Deixa pra lá, eu me viro sozinho!
Então, ele continuou ninando Fabrício e pediu para Jayme: — Jayminho, vai dormir que eu vou tentar fazer seu irmão ficar no berço!
Jayminho obedeceu. Após algum tempo de tentativas, Félix conseguiu deixar Fabrício dormindo no berço por um instante. Saiu silenciosamente e foi até o quarto de Jayminho para ver se ele estava mesmo dormindo. O menino havia dormido todo descoberto, e ele o cobriu com cuidado para não acordá-lo. Antes de sair, num impulso ele deu um beijinho de boa noite na testa de Jayminho e saiu fechando a porta que o menino também havia deixado aberta. Jayminho abriu os olhos por um segundo, voltando a dormir em seguida.
Félix voltou para o quarto de Fabrício e deitou todo apertado no pequeno sofá do quarto do bebê. Segurando o urso de pelúcia, pensava: — Como queria que fosse você no lugar desse urso, carneirinho!
–-------------
Niko acordou outra vez. Virou com a esperança de que Félix estivesse ao seu lado como havia acabado de sonhar. Mas, era apenas um sonho. Ele continuava naquela cama, sem o dono da cama que ele tanto amava.
Pegou o celular para ligar de novo, mas pensou que seria inútil. Félix não o havia atendido nas dezenas de vezes que ligou, não iria atender outra vez. Ele também não queria ligar para sua casa, podia ser que o toque do telefone acabasse acordando seu bebê que já estava meio adoentado aqueles dias. Sendo assim, Niko não tinha muito que fazer.
Afastando algumas pétalas da cama, ele se agarrou ao travesseiro do lado que parecia ter o cheiro do perfume de Félix, enquanto pensava: — Como queria que fosse você no lugar desse travesseiro, Félix!
–-------------
Félix já ia conseguindo tirar um cochilo quando Fabrício acordou outra vez. Ele o pegou e começou a niná-lo antes que ele começasse a chorar mais e acordasse o irmão. Félix foi com ele para a cozinha e lhe deu um pouco de água na mamadeira. Depois de andar mais um pouco com ele nos braços pela sala, resolveu levá-lo para o quarto de Niko.
– Pronto, Fabrício, vamos ver se você dorme agora, mais calminho, numa cama mais confortável que aquele seu berço... – Dizia enquanto ajeitava o pequeno entre almofadas.
Félix começou a cantar para Fabrício dormir. Enquanto cantava, deitou ao lado dele e adormeceu ninando o menino.
–-------------
Fale com o autor