Félix & Niko - Dias Inesquecíveis

85 Natal... De novo não! -- parte 2


Notas iniciais
Essa viagem de natal... Ou melhor de "não-natal", sai ou não sai?!

Alguns dias depois...

– Tchau, filho! Se cuida!... Olha, se comporta!... Obedece aos responsáveis!... Não saia sozinho à noite com seus amigos!... Muito cuidado mesmo, viu?! Lembre-se que a maioria de vocês é menor de idade...

Niko e Félix se despediam de Fabrício que estava para sair de viagem com os amigos da escola para o Rio de Janeiro. Niko não parava de fazer recomendações.

– Tá pai... Já sei... Não se preocupa, eu me cuido...

– Eu estou falando sério, Fabrício! Eu aceitei essa viagem por que confio em você, vê se não faz nenhuma besteira...

– Carneirinho! – Interrompeu Félix. – Já chega de tanto falar! Deixa o Fabrício ir embora, criatura! Ele vai se comportar!

– Nossa papi! Tá louco pra ficar com a casa só pra vocês né?! – Indagou Fabrício com um sorrisinho.

– Oh carneirinho filho, eu estou tentando te ajudar a ir mais rápido! A não ser que você queira ficar ouvindo a ladainha do seu papi carneirinho...

– Não! Eu já vou! Tchau pai! Tchau papi! – Deu um beijo em cada um e entrou no ônibus que ia levá-los.

– Fabrício! Não se esquece de ligar pra a gente! E não deixe o celular desligado, por que se você não ligar a gente liga! Ouviu?! – Gritava Niko para ele.

– Tá, pai! Ouvi! Tchau!

Os dois acenaram junto com outros pais que também se despediam de seus filhos. Assim que o ônibus partiu, Félix suspirou.

– Ai... Ele vai ficar bem, carneirinho. Não se preocupa! Agora vamos pra casa preparar nossas malas?!

– Ai Félix, será que ele vai se divertir lá mais do que com a gente?

– Óbvio, criatura! Ele vai com os amigos, as amigas... Ele vai se dar super bem!

– Eu não deixo de preocupar, Félix! E você não está ajudando com esses comentários!

– Deixa de ser paranoico, Niko! Vamos! Vamos nos preparar para nossa viagem e você vai ver como esse verão será relaxante... Uma maravilha!

Já estavam no carro voltando para casa.

– Você ainda não me disse por qual destino se decidiu! E aí? Ilhas Gregas pra curtirmos o friozinho, nos aconchegando em lençóis de seda... Ou Caribe para mergulharmos nas águas quentes, deixarmos o mar mais quente ainda...

O loiro teve que rir com o marido.

– Ai Félix... Só você pra me convencer de esquecer que estamos a poucos dias do natal e me fazer subir num avião para uma viagem de última hora!

– Eu sou expert em convencer carneirinhos geniosos!

– Sei bem como é! Você tem um enorme poder de convencimento...

– Bota enorme nisso...

Niko riu. – Ai Félix... Tá bom, vamos então para a Grécia! Será diferente, nós nunca fomos... E para o Caribe nós já fomos. Além de que se ficarmos na América do Sul eu vou ficar me lembrando de casa...

– Ah não! Então vamos atravessar esse oceano, carneirinho! Nada de ficar se preocupando com a casa, com nada... Bom, só com nossos filhos, mas isso é normal! De resto, vamos esquecer tudo e fazer uma viagem inesquecível!

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Dia 22 de dezembro...

– Tudo pronto! As malas estão sob a cama! Vamos separar nossas roupas, carneirinho? Amanhã eu pego as passagens...

– Vamos...

– O que foi? Você não parece muito animado... Pelas madeixas de Sansão! Não me diga que você está desistindo agora?

– Não... É que estou em dúvida... Eu já sabia que roupas usar nas festas de natal e fim de ano, mas agora... Não sei que roupas eu vou usar na Grécia...

– Por mim você não usaria nada!

– Félix! É inverno agora na Europa sabia?!

– Claro que sei! Mas ainda te prefiro sem roupa, ora! Mas não, não vou ficar mostrando aos outros o que é meu né?! – Riu e fez como se lembrasse de algo. – Aliás... Na Grécia tem praia de nudismo né?!...

– Félix! No que você tá pensando?!

– Umas ideias que estou tendo aqui...

– Pois trate de parar com essas ideiazinhas malucas que eu não teria coragem para ir à praia de nudismo nenhuma!

– Ah... Que pena! Mas não, deixa, é melhor assim... Já disse que não quero mostrar pra ninguém o que é só meu, todo meu! Eu até te deixo praticar nudismo... Na nossa praia particular que é outra coisa...

– Ah... Isso eu já fiz... – Falou manhoso.

– Ah, eu sei... – Ambos ficaram se olhando com um sorriso malicioso enquanto algumas lembranças vinham a suas mentes. Já estavam se animando quando o telefone tocou. Niko correu para atender.

– Alô?!... Oi filho, tudo bem? – Virou para Félix. – É o Fabrício! – Voltou ao telefone. – E aí, filho... Tá se divertindo? Ah que bom... Ah não me diga! Que pena... – Félix tocou em seu ombro. – O que foi, carneirinho? – Ele respondeu: — O Fabrício disse que o primeiro dia de viagem foi ótimo, mas que agora começou uma chuva, e eles não puderam sair hoje! Estão esperando que pare! – Voltou ao telefone. – Sim, filho, diga... Sim... Não, está tudo bem aqui!... Espero que possam se divertir nos próximos dias, meu filho! Tomara que essa chuva pare né?!... Tá bom... Fica bem tá?! Cuidado!... Sim, eu sei que você se cuida... Ok, vou passar pra o seu papi!... Beijo! – Passou o telefone para Félix.

– Fala, filho!... Oi?...

Do outro lado da linha, Fabrício dizia:

– Papi... É que começou a chover forte e a previsão diz que vai chover o resto da semana... Aí... Assim... Se não der pra a gente ficar aqui, o pessoal tá pensando em voltar...

– Como é que é?!

– É... Mas é só se a chuva não parar mesmo! Senão a gente fica!

– Mas... Tá bom! Espero que pare de chover então...

– Nossa, papi! Você tá louquinho mesmo pra que não tenha ninguém em casa esse natal né?!

– Eu nunca disse isso, Fabrício... Mas... É sim! Pronto, falei! Mas também espero que pare de chover para você se divertir aí, tá?! Tanto quanto eu pretendo me divertir com seu papi carneirinho aqui ou em qualquer outro lugar do mundo a sós!

Fabrício riu. – Tá bem, papi! Vou desligar! Parece que seus desejos de natal já estão se realizando... Os meninos acabaram de falar que tá parando de chover!... Nós vamos ver como fica pra a gente sair amanhã!

– Tá bom, filho. Beijo!

– Outro! Dá um beijo no pai Niko... Se bem que eu não preciso pedir né?!

Félix riu. – Não!... Até se me dissesse para eu não dar um beijo nele eu daria! E você, mocinho... – Baixou a voz para Niko não ouvir. – Vê se não sai beijando muito por aí, tá?!

– Que é isso, papi?! – Falou irônico. – Logo eu que sou um cordeirinho!...

– Cordeirinho... Sei!... É um mini-carneirinho cheio de artimanhas, isso sim...

Fabrício riu. – Artimanhas... Que palavra mais antiga, papi!

– Ei! Se me chamar de velho eu vou aí te buscar!

– Aí quem perderia uns dias a sós seriam vocês!

– É... Tem razão! Pelas contas do rosário... Quem mandou eu te ensinar demais?! Agora vai querer dar uma de mais esperto que eu!

– A criatura se torna melhor que o criador, papi poderoso!

Félix sempre abria um sorriso bobo quando Fabrício lhe chamava assim.

– Ai ai... Dessa vez eu deixo passar, espertinho! Tchau! Divirta-se!

– Vocês também! Tchau! – Desligou.

Após essa ligação, eles voltaram aos afazeres de antes: preparar tudo para a viagem de natal e fim de ano.

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Dia 23 de dezembro...

As malas estavam prontas. Partiriam na noite do mesmo dia. Niko checava como estava a situação dos restaurantes, já que tinham chefs altamente treinados e ele não ia mais todos os dias. Félix se arrumava para ir pegar as passagens na agência de viagens.

– Félix... Ocorreu um probleminha...

– Que probleminha, carneirinho?

– Eu vou ter que ir ao restaurante lá do centro agora. O chef achou que alguns dos produtos que encomendei estão estragados! Tenho que ir checar isso, senão como fica para o natal? Vai encher de clientes e...

– Tá, tá, eu sei, carneirinho. Vai lá, então... Eu aproveito e vou com você de carona à agência de viagens!

– Não é tudo pela internet? Por que você não mandou entregarem em casa?

– Por que eu ainda não decidi o pacote em que vamos! Sabe que gosto de ver essas coisas pessoalmente...

– Tá bem. Vamos.

Se foram. Niko foi deixar Félix na agência e foi para o restaurante.

Algum tempo depois, Félix estava saindo da agência de viagens quando começou a chover.

– Não, não acredito... Eu devo ter ensinado Salomé a sambar pra a chuva que estava no Rio vir parar aqui agora! Do jeito que os aeroportos no Brasil sempre foram péssimos, vai acabar atrasando nosso voo! – Olhou para todos os lados da rua. – E cadê o carneirinho que ficou de vir me buscar?!

Félix já estava estranhando o atraso do companheiro. Ficou dentro da agência até a chuva passar. Não demorou muito e o céu limpou.

– Menos mal! Devia ser nuvem passageira! Seria o apocalipse se eu me molhasse todo e... – Ele estava descendo a calçada quando uma moto passou em alta velocidade em cima de uma poça d’água enorme que se formara ali. A água foi para cima dele. Suas calças ficaram encharcadas. – Seria não! É o apocalipse! – Esbravejou e lembrou-se de algo que havia colocado no bolso. Retirou de lá as passagens molhadas. – Apocalipse! Armageddon! Não sei o que é, mas é!... Ainda bem que as passagens online servem tanto quanto estas! – Procurou de novo por todos os lados. – E onde será que o carneirinho se meteu?!

Félix atravessou a rua ainda procurando se Niko não havia estacionado por ali por perto, mas nada do marido. Pegou o celular.

– Ótimo! A pé e com calça molhada é que eu não vou!

Um senhor que passava por perto o olhou discretamente. Félix logo retrucou.

– Uma moto espirrou água em mim, ok?! Por isso estou assim, que fique claro!

O senhor saiu de perto.

– Era só o que me faltava! O que é isso? Azar pré-natalino?! Ou é Santa Claus finalmente me pregando uma peça por que fui um menino mau, só pode!

Depois de algumas tentativas, Niko finalmente atendeu o celular.

– Carneirinho! Posso saber onde o senhor se enfiou?!

– Ai Félix... Desculpa, amor, me esqueci de te pegar, mas já vou indo agora!...

– Até que enfim, né?! Posso saber o que você estava fazendo de tão importante para se esquecer de mim?!

– Amor... Eu fui resolver o problema do restaurante, tive que mandar o mercado me reembolsar! Acredita que uma das caixas estava com produtos vencidos?! Imagina o perigo! Eles trocaram tudo, eu mesmo verifiquei... Mas eles não quiseram a caixa de volta, aí eu coloquei no carro! Vou levar pra casa e amanhã jogo no lixo!

– Tá, tá tudo muito bom... Mas você me esqueceu!

– Ai Félix, que drama! Como eu ia te esquecer, amor? Eu só... Esqueci de ver a hora...

– Eu devo ter servido um peru de natal nas tábuas dos dez mandamentos pra ouvir isso! Ok! Venha rápido. Eu estou todo molhado aqui!

– Ué, por quê?

– Por que fiz xixi nas calças, Niko! O que você acha, carneirinho? Choveu... Ou você não viu isso também?

– Claro que vi que choveu...

– Então!... Eu estava na beira da calçada quando uma moto passou e jogou água em mim! Eu devo estar numa maré de azar pré-natal!

– Félix, para de reclamar que eu estou indo aí, tá?! Vou desligar para poder dirigir! Fui!

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Não demorou muito, Félix já estava no carro com Niko voltando para casa.

– É o cúmulo isso... E você ainda desliga na minha cara, carneirinho?!

– Mas Félix, como que eu viria te buscar se continuasse falando no celular?...

– Niko! Olha... – Pegou os fones no porta-luvas. – Isso aqui se chama fone de ouvido! Você coloca no seu ouvidinho, coloca no celular e continua falando enquanto dirige!

– Ah Félix, você sabe que eu não gosto. Isso me distraí... Mas, vamos parar de reclamação?! Chega né?! Vê se deixa esse stress e vamos pra casa arrumar o que falta para a viagem!

– É, está certo... – Respirou fundo e deu um sorriso. Já parecia mais calmo de novo e feliz. – Ah... Ah carneirinho... Pensar que logo vou estar com você na Grécia...

– Isso te deixa contente?

– Claro! Eu vou ser o único por lá andando com um deus grego de verdade!

Niko riu meio envergonhado.

– Ai Félix... Você hein?!

– Quê? É verdade... Você está cada dia mais lindo, carneirinho! Fora essa magia que você tem...

– Magia?

– É... Esse poder sobre mim!... – Puxou uma de suas mãos para si e a beijou, deixando livre de novo em seguida. – Agora me sinto bem de novo! Há um minuto eu estava perdendo a calma...

– Ah estava? Nem percebi...

– Não seja cínico, carneirinho! Eu estava sim... Eu confesso que... Que enquanto te esperava, eu... Eu comecei a pensar nos nossos filhos... Como eles estarão...

– Você está sentindo falta deles também?

– Eu... Estou né, Niko?! Claro que estou...

– Viu só?!

– Vi só o quê?! O que, hein?! E que é...

– Viu só?! Você inventa essa viagem maluca do nada e agora tá aí sofrendo com saudade de passar o natal com os nossos filhos, com nossos familiares...

– Não, não, não senhor... Eu não estou sofrendo. Eu apenas disse que sim, que sinto falta dos nossos filhos, mas não sinto falta nenhuma de toda aquela agitação de todos os anos para arrumar a festa de natal, nada disso! Eu quero é paz! E curtir um local exótico e paradisíaco com você!

– Sei... Tenho certeza que quando estivermos embarcando no avião para a Grécia você vai ficar com remorso e no próximo ano vai querer fazer a festa toda de novo!

– No próximo ano é outra coisa! Vamos pensar no agora, no presente...

– Pois, eu vou dizer melhor... Acho que até o fim do dia, antes mesmo de sairmos de casa para viajarmos você já vai estar morrendo de saudade de toda essa “agitação” como você diz!

– Hum! Duvido!

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Horas depois...

Da varanda do seu quarto, o casal, agarradinhos, observava o pôr do sol no horizonte.

– Será que o pôr do sol na Grécia é tão lindo assim, Félix?

– Depende...

– Depende de quê?

– Ah, poluição, ângulo de visão... – Riu.

– Não tem jeito! Você faz piada de tudo, seu bobo!

– Você sabe que eu sou assim... Mas, falando sério... Para o pôr do sol de lá ser tão lindo quanto esse, só precisa de uma coisa...

– De quê?

– Que você esteja comigo! – Niko o olhou surpreso pela declaração repentina, mas sabia que Félix gostava de ser romântico quando ele menos esperava. Félix segurou em seu rosto e olhou em seus olhos. – Contanto que você esteja assim pertinho de mim... A luz do sol sempre fica mais bela... Por que reflete nos seus olhos, meu amado carneirinho!

Niko abriu um sorriso apaixonado e suspirou. – Ah Félix... – E o abraçou de corpo inteiro. – Às vezes você diz umas coisas... Que eu não sei nem explicar...

– Será possível que eu vou ter que te contar aquela historinha dos sentimentos?...

Ambos riram. – Não, meu amor, não precisa! Eu sei! – O loiro deu-lhe um beijo e o puxou pela mão. – Vem...

– Ah carneirinho, será que dá tempo para uma rapidinha?

– Não, Félix! Vamos ter muito tempo para isso quando desembarcarmos em terras europeias. Agora vamos nos preparar para a viagem! Saímos em três horas né?!

– É sim! Vamos que nada, nem chuva de granizo, pedra e enxofre como em Sodoma, vai me fazer perder esse avião! Nada! Nada será o suficiente...

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Mas...

–... O quê?! – Gritava Félix ao telefone. – Mas que história é essa, menino?!

Niko tirou o telefone da mão dele e pôs no viva-voz para ele também ouvir.

– O que está acontecendo, Fabrício?

– Oh pai, diz pra o papi não gritar mais assim!

– Félix não grita assim!... Mas, por que ele gritou filho? O que você disse?

– É que... Pai, eu sei que isso vai estragar os planos de vocês, mas... Acontece que a chuva aqui não parou, pelo contrário, só piorou! Teve até enchente aqui perto... Aí o pessoal achou melhor voltar pra Angra!...

– Ah... Foi isso...

– E agora carneirinho?

– Calma, Félix! Fabrício... E vocês já estão a caminho?

– Não! Nós sairemos amanhã se tudo der certo! Nossa viagem já foi arruinada, mas não querem viajar agora à noite! Acho que chegarei em casa lá pra umas seis da tarde de amanhã!

– Ah... Tá...

– E agora, carneirinho?

– Para, Félix!

Fabrício ouvia os pais do outro lado da linha e falou um pouco chateado.

– Desculpa... Eu não quero estragar os planos de vocês. Se estavam planejando viajar, podem ir... Eu fico em casa...

– Não! Nada disso! Não vamos te deixar só em casa no natal, filho! – Disse Niko.

– Não pai, é sério... Olha, eu já tô grande, sei me virar sozinho...

– Não, não sabe! Nem tente, mocinho! Se você vem pra cá, nós vamos passar o natal juntos! Nem que sejamos só nós três!

– Mas pai... E o papi? Ele queria tanto viajar com você! Eu vou ficar triste se vocês não curtirem o fim de ano por minha causa!

Félix chegou mais perto do telefone.

– É... Eu... Eu queria mesmo essa viagem, Fabrício, mas... Não se preocupa tá, meu filho?! Sem problema!...

– De verdade, papi? Eu te conheço...

– De verdade, criaturinha! – Falou calmo para que Fabrício não ficasse se sentindo culpado. – Olha, tudo bem viu?! Se não podemos viajar esse ano, vamos ver ano que vem né?! – Então brincou. – Ano que vem você já terá dezessete, assim vamos ver se você vai pra mais longe! Onde não dê tempo de voltar!

Os três riram.

– Se é assim papi... Que bom que você não fica chateado! Então... Vejo vocês amanhã tá?! Ah, pai Niko...

– Sim filho?

– Eu vou chegar a tempo para a ceia viu?! E prometo voltar morrendo de fome e de saudade dos seus pratos!

– Tudo bem, filho! Vou fazer o que você mais gosta!

– Aê! Valeu pai! Tchau pra vocês dois!

– Tchau, filho! – Falaram ao mesmo tempo e desligaram.

Como estavam sentados lado a lado, Félix encostou a cabeça no ombro de Niko, e suspirou. O loiro logo perguntou:

– Não está mesmo chateado de ter que cancelar a nossa viagem?

– Chateado... Chateado... Não! Claro que eu queria ir, mas... Quer saber?... Eu já estava com saudade do Fabrício aqui...

– Ahá! – Exclamou Niko fazendo Félix olhar para ele.

– Que é isso, criatura?

– Eu sabia! Eu disse que até o fim do dia você estaria morrendo de saudade dos nossos filhos e preferindo não fazer essa viagem!

– O-olha aqui... Carneirinho... Pra o seu governo, eu... Eu admito! Estou sim com muita saudade deles, mas ainda gostaria de viajar! E, em segundo lugar, o senhor errou tá?!

– Errei em quê?

– Não foi até o fim do dia... Foi um pouquinho antes...

– Ah tá...– Niko ria com ele quando se tocou: — Ai Félix! O Fabrício disse que ia chegar a tempo para a ceia?

– Disse! E daí?

– Como e daí?! Não tem ceia! Não preparamos nada! Não compramos nada!

– Ah é...

– Ai Félix, e agora?!

...

Notas finais
Achei que essa seria a última parte, mas ainda tem mais um pouquinho...