Notas iniciais
Continuação...

Depois da briga no shopping...

Niko foi direto para casa. Desolado, chorou tudo que podia dentro do carro para poder entrar em casa.

Assim que entrou, Jayme, que brincava na sala foi até ele dar-lhe um abraço, porém, achou que o pai estava estranho.

– Você tá triste, pai?

– Eu? N-não, meu filho! Eu só... Estou cansado... E com um pouquinho de dor de cabeça , só isso, viu?! Eu vou ver seu irmãozinho e vou descansar um pouco tá filho?!

– Tá! Pai... Trouxe o jogo que eu queria?

Nessa hora Niko lembrou que havia jogado as sacolas das compras nos pés de Félix e numa delas estava um joguinho que havia comprado para o filho.

– É... Não, não filho... Não tinha ainda na loja! Mas, outro dia eu volto lá e vejo se já chegou, tá bom?!

Jayme concordou e voltou a brincar.

– É... A Adriana tá com o Fabrício?

– Não, tá na cozinha, pai! O Fabrício dormiu!

Niko foi para o quarto de Fabrício. Ao chegar, fechou a porta e não conseguiu segurar as lágrimas. Pegou seu bebê que já estava acordado e começou a andar com ele pelo quarto, pensando em tudo que havia acabado de acontecer entre ele e Félix. Seu sonho de que aquele homem também se tornasse pai dos seus filhos e seu companheiro parecia mais distante agora. Isso lhe apertava o coração. Era um tormento pensar que horas atrás ele estava radiante de felicidade por poder acompanhar seu amor num baile e agora, estava triste, magoado, arrasado.

Niko ninava e mimava seu bebê quando Adriana entrou no quarto.

– Seu Niko?! Pensei que ia demorar mais...

Ele prontamente secou as lágrimas que rolavam em seu rosto.

– Não Adriana... É... Aconteceu alguma coisa aqui?

– Não, ficou tudo bem! O Fabrício aí cochilou um tempinho depois da última mamadeira e... Ah! Antes que eu esqueça, chegou uma carta pra o senhor!

– Uma carta?

Ela tirou um envelope do bolso e lhe entregou.

– Que estranho! Eu vou ler lá no meu quarto, Adriana, preciso descansar um pouco... – Ele devolveu Fabrício ao berço dando um beijinho na cabecinha do seu bebê e saiu.

Entrou em seu quarto, trocou de roupa e deitou na cama ainda muito triste pela briga. Não sabia mais como ficaria seu relacionamento com Félix depois disso, nem mesmo se ainda teriam um relacionamento. Seu namoro estava em perigo, mas era difícil para ele entender certas atitudes de Félix.

Para tentar parar de pensar um pouco nele, Niko pegou a carta que Adriana havia lhe entregado e abriu para ler. Antes que começasse, porém, Adriana bateu na porta do seu quarto, chamando:

– Seu Niko! O seu Félix tá aqui e quer falar com o senhor!

Niko não respondeu e ficou pensando: — Ele... Ele está aqui? Pra que veio? O que quer? Eu não quero suas explicações... Não agora... – Então gritou: — Adriana, eu não quero ver ninguém!

Adriana, obviamente, estranhou, já que cada vez que Félix chegava o loiro ia correndo para ele.

– Mas... Seu Niko... É o seu Félix, entendeu?!

– Entendi sim, Adriana! Mas, diga que não quero falar com ele!

Adriana ia falar, mas Félix já estava ouvindo tudo.

– Tudo bem, Adriana... Eu volto depois...

Jayminho, então, muito esperto, chegou perto de Félix.

– Félix... Você e meu pai brigaram?

Félix deu um sorriso amarelo para disfarçar a tristeza em frente à criança e respondeu: — Não, não Jayminho... É... Na verdade, sim, mas... Não foi nada... Não se preocupa, tá?! Ah! Eu tenho uma coisa aqui pra você...

Félix estava com as sacolas que Niko havia jogado a seus pés no shopping. Pegou uma delas e entregou para o menino.

– Oba! É o jogo que eu queria! Valeu, Félix!

O garoto o abraçou e Félix se emocionou.

– De nada, meu filho!

Tais palavras saíram tão sem querer que o próprio Félix ficou sem jeito, e repetiu:

– De nada... Jayminho!

Deu um beijo na cabeça do menino e foi embora, triste por seu carneirinho não recebê-lo.

Ao sair e entrar no carro teve a impressão de ver de relance Niko espiando-o pela janela.

Lá dentro o loiro o espiava quando ele saia. Assim que Félix partiu, Niko voltou para a cama, chorando. Logo pegou novamente a carta que ia começar a ler e leu. Ao ler, se surpreendeu.

No carro, Félix pensava confuso em por que havia chamado Jayminho de filho. Pensou que talvez só estivesse ficando velho, afinal, os mais velhos às vezes chamam os mais jovens de filho, mas não. Félix se sentia jovem não só no corpo e na idade, mas no espírito. Não era questão de idade e sim de algum sentimento inexplicável que vez em quando se apoderava dele. Um instinto paternal como nunca antes. Era como se sua alma falasse baixinho para ele que seu grande desejo oculto era se tornar pai dos filhos do seu carneirinho e ter sua própria família. Uma família na qual o amor reinaria de verdade, sem medidas, sem restrições, sem condições.

Horas depois, Félix voltou a casa de Niko, mas novamente, ele não quis vê-lo. Félix levara flores e as deixou na porta com um bilhete que dizia apenas: “Me desculpe”. Não esperou muito. Foi embora, mas, já sabendo que, assim como Niko não desistiu dele antes, agora, ele também não desistiria do seu amado carneirinho.

Assim que viu que Félix foi embora. Niko pegou as flores que ele deixara na porta e o bilhete. Ao lê-lo disse consigo: — Sim, te desculpo Félix! Mas ainda dói... Eu não vou mais a esse baile, não com você... Mas, não posso mais te tirar da minha vida! – Cheirou as flores e lembrou-se do cheiro do seu amado. – Eu vou esperar você voltar...

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No quarto de Félix, dezoito anos atrás...

– Félix! Eu estou grávida!

Ela falou de uma só vez. Félix ficou paralisado pela surpresa por um instante.

– Q-q-quê?!

Como ele ainda estava um tanto incrédulo, ela reafirmou.

– Félix... Eu estou grávida! Estou esperando um filho seu!

Ele ficou pálido. Deu uns passos até a cama com os olhos vidrados no nada. Sentou e ficou em silêncio por uns segundos.

– Não vai falar nada, Félix? Você vai ser pai!

– E-eu... Eu vou... Eu vou... Ser... P-pai?!

– É Félix... Fala alguma coisa!

– Ainda... Estou... Digerindo a informação, Edith!

– Digerindo a informação? Félix! Não gostou de saber disso? Não ficou nem um pouco feliz? Você... Não acredita em mim, não é?!

Ele esfregou o rosto como que recobrando os sentidos e levantou, se pondo a dar voltas pelo quarto.

– Criatura, como... Como aconteceu?

– Ah Félix, por favor... Você sabe muito bem como aconteceu...

– Não me venha com gracinhas que não é hora! – Ele gritou. – Estou falando sério! – Então, baixou o tom de voz. – Como você vai ter um filho meu? Estamos saindo não faz nem dois meses!

– Já é tempo suficiente, Félix! Já dormimos juntos mais de uma vez e, inclusive, no mesmo dia em que nos conhecemos...

– Eu sei, eu sei, eu sei... – Ele estava alterado, nervoso. – M-mas... N-não... Não posso acreditar...

– Mas é a verdade, Félix! Aconteceu! E agora? O que você vai fazer?

– N-não sei... – Ele sentou na beira da cama.

– Félix... Olha... – Edith foi para perto dele, e pegou em sua mão. – Tem um bebêzinho aqui dentro... – Pôs a mão dele em sua barriga. – Nosso filho... Olha, se você estiver assustado com a responsabilidade, com o que seus pais vão dizer, não precisamos contar pra eles agora, tá bom?! Vamos manter isso entre nós, por enquanto... Mas... Temos que resolver o que vamos fazer das nossas vidas! Félix... Eu te amo... – Ele a olhou. – O que você acha que é o melhor a se fazer?

– É... É o que eu estou me perguntando, Edith...

... ...

– Eu fiquei chocado quando ela me falou que estava grávida, carneirinho! Eu, sinceramente, nem sei direito o que pensei na hora! Pensei em tanta coisa! Sei lá... Por um lado, eu até fiquei contente... Gostei... Afinal, não era qualquer coisa, era um filho... Um filho meu! Embora eu não fosse apaixonado pelo Edith, eu, por um segundo, me imaginei sendo pai... E a ideia não me pareceu tão ruim, sabe... – Seus olhos ficaram marejados. – Por outro lado, Niko, eu... Eu me imaginei como filho, e meu pai... O jeito como o papi sempre me tratou... Ai Niko, eu não queria ser para meu filho um pai como o papi foi pra mim, mas acabei sendo por que... Por que era o único jeito de ser pai que eu conhecia... – Fez um carinho no rosto do loiro e sorriu. – Ah carneirinho, hoje quando eu vejo como você é com seus filhos, nossa... Eu penso que... Se tivesse sido assim... Pra mim... E de mim para o Jonathan...

– Félix... Amor, não fica assim... Seu pai pode ainda não te tratar como deveria, mas o Jonathan te ama!

– Eu sei... O meu filho é um garoto ótimo, maravilhoso, e... Acredite Niko, isso é o que me faz não me arrepender de nenhuma decisão que tomei naquele dia...

... ...

Algum tempo depois, Félix e Edith saíram do quarto. Pegaram nas mãos e foram até onde César e Pilar estavam. Félix havia acabado de tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre.

– Mami, papi... Eu... Eu gostaria de aproveitar a festa pra... Falar que eu... Bom... Eu pedi a Edith em casamento! – Ele passou o braço em volta dela.

Ambos se surpreenderam bastante e César, orgulhoso da decisão, fez questão de reunir todos na sala para anunciar a novidade.

– Amigos e colegas de trabalho, gostaria de aproveitar a oportunidade para anunciar aqui o noivado do futuro administrador do San Magno, Félix Khoury, com Edith Sobral! Logo, meus amigos, teremos casamento na família Khoury!

Todos aplaudiram, menos uma pessoa: Alonso. Ele olhou para Félix e este virou o rosto. A expressão de Félix não era nem de longe a de alguém que estava anunciando seu noivado. Parecia mais com a de alguém que anuncia sua própria condenação, seu cárcere. Deveras; ouvir seu pai anunciando seu noivado lhe parecia a voz de alguém na contagem regressiva para seu fuzilamento.

Ele e Edith se abraçaram e ela o beijou. Nesse momento, Alonso saiu da casa extremamente decepcionado. Ao chegar ao portão, porém, o segurança o interceptou.

– Espere, não pode sair assim!

– Por quê?! Eu preciso ir, com licença...

– Já disse que não pode sair! Esvazie os bolsos!

– Como é?! Olha aqui, eu não sou nenhum ladrão...

– Eu terei que revistá-lo!

– Já disse que não peguei nada!

– Tenho que checar se isso é verdade! São ordens do senhor Khoury!

– Quê?! Qual senhor Khoury? O Félix ou o papi dele?

– Não importa! Estou aqui para cumprir ordens! Vamos! Encoste-se à parede!

– Não vou encostar-me a lugar nenhum! Você não vai me revistar como se eu fosse um criminoso...

– Encoste! – O segurança o empurrou brutalmente contra a parede.

– Me solta! – Gritava Alonso e nesse momento Paloma que estava do lado de fora correu para chamar os pais.

– Papai, o segurança está brigando com aquele colega do Félix!

César e Pilar saíram, e Félix que ouviu tudo também. Como Edith estava com ele, também foi.

– Me solta! Eu não fiz nada! – Gritava Alonso.

– Que escândalo é esse? – Indagou César fingindo não saber do que se tratava.

O segurança respondeu: — Senhor, vi esse indivíduo pegar um objeto de valor e o interceptei para revistá-lo!

– Isso é mentira! Eu não peguei porcaria nenhuma!

– Nada que tem nessa casa é porcaria, rapaz! – César deu a ordem. – Reviste-o!

Félix tentou impedir. – Papi, eu conheço o Alonso, ele é honesto, não é capaz de roubar nem um chiclete!

Félix olhou rapidamente para Alonso e viu quando o segurança pôs a mão num dos bolsos da calça dele que aparentemente não tinha nada, porém, o segurança tirou um par de brincos e um anel desse bolso: — O que acha disso, senhor Khoury?!

Pilar se surpreendeu: — Essas joias... São minhas!

– Claro que é, Pilar! Eu mesmo lhe dei esse anel! Pelo visto esse rapaz se aproveitou da distração de todos durante o jantar e subiu aos quartos! – César pegou as joias e olhou para Félix. – Viu Félix?! Um dos seus amiguinhos é um ladrão!

Félix ficou surpreso, mas Alonso era o mais surpreso de todos.

– Não, isso não é verdade! Isso não estava no meu bolso! Não fui eu que peguei! Félix, você acredita em mim não é?! Não fui eu! Você sabe que eu não faria uma coisa dessas, não fui eu!

Félix olhou para ele e realmente lhe custava acreditar que Alonso pudesse ter roubado algo. Além do mais, com toda sua inteligência, Félix achou muito estranho o modo como o segurança foi direto justo naquele bolso onde, supostamente, estavam os brincos e o anel. Em segundos chegou a conclusão que, definitivamente, Alonso não poderia ter pegado aquilo. Era uma armação. Mas, por outro lado, olhou para seu pai que o encarava sério. Olhou para a mulher que havia acabado de transformar em sua noiva, que esperava um filho seu, e que a qualquer deslize seu diria a verdade sobre a noite no motel para César e então... Respirou profundamente e virou o rosto para não olhar para Alonso.

– Como pôde, Alonso?!

Alonso se surpreendeu com sua atitude e se revoltou: – Félix! Não fui eu! Você me conhece, sabe que eu não roubaria...

– Não, não sei! Você... Pode ter aproveitado uma chance e entrado escondido nos quartos... Como o meu pai disse!

– Félix! – Isso deixou Alonso ainda mais decepcionado e com mais raiva. Ele chorava e gritava: – Você sabe que eu não faria isso! Sabe que eu não faria uma coisa dessas! Félix! Eu não sou nenhum ladrão! Sabe como eu gosto de você! Eu não te roubaria, nem a sua família! Eu jamais roubaria ninguém! Mas, claro... Você não acredita em mim porque tem que concordar com tudo que seu pai diz! Quer dar uma de macho, por que quer ser igualzinho ao seu papai... Você se acha muito macho porque vai casar com essa aí?! Você é um covarde, Félix! Por que não mostra quem você é de verdade?! Você não passa de uma bi...

– Calado! – O segurança deu um soco em Alonso ao que César lhe fez um sinal.

Félix não disse nada. Apenas virou de costas e fechou os olhos, engolindo o choro, a angústia e a raiva. Estava como se quisesse estar em outro lugar, qualquer lugar menos ali. Todos aqueles maus sentimentos cada vez mais se acumulavam dentro de si levando seu coração às trevas.

César então, falou para Alonso enquanto ele se levantava do chão.

– Vá! Saia já daqui! Fique feliz por eu não chamar a polícia por que eu não quero armar um escândalo aqui na minha casa num dia tão importante, mas esteja avisado... Fique longe desta casa e longe do Félix!

Félix olhou para o pai e Alonso também e ambos entenderam o verdadeiro motivo do que havia acabado de acontecer. Félix olhou para Alonso enquanto ele saía, antes Alonso ainda teve coragem de perguntar olhando para ele: — Félix, Félix... Não tem nada a dizer?!

Félix virou o rosto e nada respondeu.

Alonso, então, foi embora, mas não sem antes virar, olhar para Félix e cuspir no chão, demonstrando toda sua raiva e decepção, e gritando: — Você me dá nojo, Félix Khoury! Tenho pena de você!

... ...

– O Alonso dizendo que tinha pena de mim... Foi muito duro... Além de tudo que o papi fez! Daquele dia em diante eu jurei que ninguém mais ia sentir pena de mim, carneirinho! Por que eu seria superior a qualquer um!

– Ah Félix... – Niko lhe fazia um carinho no peito. – E depois disso? Você nunca mais viu o Alonso?

– Não! Na outra semana quando eu fui à faculdade, eu perguntei por ele e soube que ele havia saído de lá... Praticamente expulso!

– Por quê?

– Sabe por que, Niko?! Por que, simplesmente, o meu pai falou com a diretoria da universidade para avisar que o Alonso não era confiável, porque havia tentado roubar nossa casa!

– Nossa! Félix... Que maldade do seu César... Tanto com você quanto com o seu amigo! Isso não foi justo com ele! Coitado...

Félix sorriu. – Ai carneirinho... Só você... Acho que você é a criatura mais bondosa desse mundo...

– Por que tá dizendo isso?

– Por que até uns minutos atrás você estava morrendo de ciúme do Alonso e agora está aí com dó dele...

– Ah Félix, eu sou assim... Primeiro eu não tenho motivos pra ter ciúme, segundo, eu não sou capaz de não achar o que fizeram pra esse homem uma tremenda injustiça!

– É foi... Foi injusto, mas... Você entende que eu não poderia fazer nada né?!

– Sei, meu bem, eu te entendo, entendo tudo pelo que você passou... E que tudo isso foi se tornando uma bola de neve que te levou a cometer coisas de maneira tão fria...

Félix ficou emocionado. – Você é o único ser capaz de me entender, carneirinho... O único que me vê como eu sou...

Niko sorriu. – É que eu sou o único que te amou de verdade, Félix!

– Amou? – Perguntou brincando.

– Amei... Amo... E amarei! Vou te amar sempre, Félix!

Félix sorriu com um brilho de felicidade no olhar. Beijou Niko, que logo depois perguntou:

– E aí, você não soube o que aconteceu com o Alonso depois de toda a injustiça que sofreu?

– Um tempo depois eu fui à casa da avó dele... Ela estava morando com uma sobrinha, uma prima, não sei bem, e tudo que eu soube do Alonso foi que ele tinha ido para Belo Horizonte para estudar e trabalhar!

– Pelo menos ele refez a vida dele né?! Que bom...

Félix abriu um largo sorriso olhando hipnotizado para o loirinho ao seu lado.

– Bom é você, meu carneirinho! – Abraçou-o forte. – Você é bom demais!

Félix o abraçava como se não quisesse mais soltar. Nenhum dos dois queria. Até que Niko ouviu a voz de Adriana na sala apressando Jayminho para ir a escola. Eles se soltaram e o loiro o beijou.

– Gostei de você ter me contado toda essa história, Félix! Eu compreendo sua alma cada vez mais, e quanto mais te compreendo, mais te amo!

– Você é incrível... – Sussurrou ao seu ouvido. – Meu amado carneirinho! – Félix beijou seu pescoço e ficou como se não fosse soltá-lo. O loiro riu e pediu:

– Amor, vamos! Todos já estão acordados, eu preciso apressar o Jayminho, senão...

– Não, fica mais um pouquinho... – Pediu dengoso.

– É a primeira vez que você me pede assim tão lindinho pra ficar mais um pouquinho com você... Adorei! Mas, já ficamos aqui muito tempo, amor! Tenho coisas a fazer...

– Eu sei, eu sei... – Félix o soltou e o beijou. – Vai lá! – Niko ia levantando da cama, quando Félix perguntou: — Ah, mas, primeiro me diz uma coisa... Depois de tudo... Você ainda quer ir ao baile comigo?!

Niko, que já estava de costas para ele, deu um sorrisinho e disfarçou e então, respondeu: — Não!

– Não? Por que não?

– Não vou mais ao baile com você, Félix! Eu... Tenho muito trabalho no dia...

– À noite? Por que o baile é à noite, carneirinho! Ou... Você está arranjando uma desculpa pra não ir comigo?

– Não, amor, você sabe que eu queria muito ir com você, mas não posso ir com você...

– E pode ir com outro alguém por acaso?

– Não, amor... Olha, acontece que ontem, quando cheguei do shopping, eu recebi uma carta me convidando para ser um dos chefs responsáveis pelo jantar de um evento mega especial aqui em São Paulo, e eu não pude recusar um convite assim...

– Mas... Niko... Não acredito! Logo agora que eu estava me animando com essa ideia do baile?! Eu devo ter bailado a conga para Moisés na travessia dos hebreus para você me dizer assim agora que não vai mais!

– Oh meu amor, tenta me entender também!

Aqueles olhos verdes fitando-o eram capazes de qualquer coisa.

– Tá bom, carneirinho! Eu entendo que deve ser um convite importante que você não pode perder... Tudo bem tá?! – Lhe deu um selinho. – Mas, sendo assim, eu também não vou mais...

– Não, Félix, você tem que ir!

– Ora, por quê? Se você não vai...

– Mas, você vai! Félix, esse baile é da sua turma de faculdade, vai ser muito chato se você não for... E ainda mais eu vou me sentir culpado se você não for se divertir por minha causa!

– Oh carneirinho lindo, bota uma coisinha nessa sua cabecinha de cachos dourados... Se você não estiver comigo, nada mais é divertido!

Niko adorou essa resposta. Abraçou Félix, mas mesmo assim insistiu.

– Ei, mesmo assim... Você vai!

– Mas, Niko...

– Mas, nada! Você vai, Félix! Ou eu vou ficar triste de novo!

– Não, não faz essa carinha de carneirinho pidão que eu não aguento! Ai... Tá bom, ok... Eu vou já que é isso que você quer! Mas, que fique claro que sem você esse baile vai ser uma monotonia só! Além de que... – Lhe fez um carinho no rosto. – Eu vou passar o tempo todo morrendo de saudade!

Niko sorriu e lhe beijou a mão. – Garanto que de saudade de mim você não morre, Félix Khoury!

Ambos se beijaram apaixonadamente e finalmente saíram da cama.

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Notas finais
Continua...