Fé E Pecado
17 Capítulo 16 - "Por que agora você é minha!"
Notas iniciais
Quando acordei e vi que Edward não estava ao meu lado, eu tive a certeza de que tudo que havia acontecido tinha sido um mero sonho. Admito que me senti extremamente frustrada por nada daquilo ter sido verdadeiro, mas me resignei, já que aquilo era minha sina.
Edward nunca vai ser meu. Suspirei com o meu pensamento.
Estava ligeiramente mal-humorada quando me levantei e fui ao banheiro tropeçando nos tapetes e quase derrubando os preciosos porta-retratos de Edward. Eu estava me odiando tanto que nem me lembrei de bater na porta para ver se tinha alguém. E o pior é que tinha.
Edward estava tomando banho e tomou um susto quando me viu.
-Merda. – Murmurei. – Desculpa. – E ia fechando a porta, quando ele fala:
-Já estou terminando, mas se quiser, têm espaço pra dois. – E lançou-me um sorriso lindíssimo de canto de boca.
-Ãh? – Cocei os olhos, será que eu tinha dormido de novo e não tinha percebido?
-Quer tomar banho comigo? – Perguntou-me estendendo a mão.
-Eu? – Perguntei olhando pra trás pra ver se ele não estava falando com outra pessoa.
Ele riu.
-Com quem mais seria Bella? — Disse fechando o chuveiro. – Você fica meio absorta quando acorda, hein?
Eu dei de ombros e ele riu.
-Tem certeza? – Perguntei desconfiada. – Isso não é “pecado”? – Fiz aspas no ar.
-E é, mas eu acho que é um pouco tarde demais para se preocupar se isso vai nos levar para o inferno ou não, não acha? –Perguntou piscando pra mim.
-Então, tudo aquilo foi verdade? –Perguntei em choque. – Não foi só um sonho maluco da minha cabeça pervertida?
Ele gargalhou e me abraçou todo molhado e completamente nu.
-Por quê? Você acha que tudo o que aconteceu com a gente foi um sonho? – Ele se acabava de rir.
-Sim. – Admiti embaraçada. – Só assim a gente poderia... – Gesticulei com a mão pra ver se ele entendia o que eu queria dizer.
- Ter feito amor? – Perguntou-me sem pudor. – Pode falar, Bella. Não há nada com que se envergonhar e eu não me arrependo do que fiz, e você? – Seu tom de voz parecia preocupado.
-Você tá de brincadeira com a minha cara, né? – Perguntei meio exagerada. – Foi a noite mais perfeita da minha vida! – Contei-lhe.
-Foi? –Perguntou-me com um sorriso fofíssimo.
-Aham. – Garanti entrando mais no banheiro, sendo seguido por ela. – Mas eu ainda acho que boa parte daquilo tudo foi um sonho... – Falei o beijando. – Você terá que me provar que não foi.
-Com maior prazer. – Ele mal me beijou e uma batida na porta fez com que a gente se separasse rapidamente.
-Edward? – Era D. Esme. – Você tá aí, filho? – Bateu mais uma vez. – Seu telefone está tocando!
-Argh, já tô indo! – Respondeu ligeiramente irritado se enrolando em uma toalha.
Ele pôs o indicador sobre os lábios e eu fiquei calada, me escondendo atrás do seu alto corpo. Ele abriu a porta e a imagem da senhora apareceu, ela ainda usava robe de dormir.
-Essa porcaria não para de tocar, está me dando dor de cabeça! – Reclamou entregando o aparelho a Edward, que logo atendeu:
-Sim, sou eu. – Falou sério. – Sim, sei de quem está falando. –Depois de um minuto calado, ele finalmente falou: — Ela estará lá o mais rápido possível, adeus. – E desligou.
Fiquei esperando que ele me desse a honra de saber quem foi no telefone, mas como além de fechar a cara, ele não disse absolutamente nada, perguntei:
-Quem diabos ligou pra você ter ficado com essa cara? – Ele me olhou com uma cara de poucos amigos e respondeu:
-Foi a polícia. Eles querem que você vá para escola imediatamente para, pelo o que eu entendi, ir prestar outro depoimento, pois parece que eles encontram alguma coisa... Uma filmadora. – Explicou engasgado.
-E precisa fazer essa cara? – Perguntei tocando seu rosto, que se retraiu.
-Eu não gosto desse assunto. Só de pensar naquele garoto pondo a mão em você... Argh! – Grunhiu de raiva, dava pra ver no seu olhar que ele estava transbordando de ódio.
-Ei... Não precisa sentir ciúmes, Jake é passado. – Falei em tom de descaso e o beijei.
-Acho bom. –Murmurou na minha boca. – Ninguém te toca mais você além de mim. – Garantiu-me com uma veemência que até era assustadora.
Edward’s POV
Depois que eu me assegurei de que minha mãe ficaria bem, pois contratei uma enfermeira para cuidar dela e deixei um cartão de crédito para que ela pudesse comprar o que precisasse, Eu e Bella botamos o pé na estrada.
A viagem de volta foi mais rápida do que a de ida. Talvez seja porque na volta, nós estávamos na nossa bolha de felicidade, e eu sabia que assim que chegássemos à escola, ela estouraria.
Dito e feito.
O detetive Parker já estava no saguão assim que chegamos, provavelmente nos esperando para mostrar a tal filmagem. Percebi que Bella estava apreensiva ao meu lado, mas se manteve serena. O gordinho olhava para ela de esguelha, enquanto falava comigo:
-Padre Edward, nós encontramos uma filmadora que mostra a cena exata do crime. – Contou-me. – Mas seria invasão de privacidade expô-la no julgamento sem o consentimento da vitima que, no caso, é a senhorita Isabella Swan.
-Podemos ver? – Perguntei tentando ao máximo não transparecer meu desagrado.
Ele hesitou na hora de responder e, mesmo assim, olhou para Bella antes de falar alguma coisa.
-De poder, pode. Mas eu acho que o senhor vai ficar constrangido com o teor das gravações. – Segurei-me para não dar um murro naquele homem apenas por olhar com malícia em direção à Bella.
-Mesmo assim, eu quero ver. – Afirmei olhando de esguelha para Bella que engoliu a seco.
-Por mim, tudo bem. A senhorita se importa? –Bella olhou para mim receosa antes de negar com a cabeça. – Então, ótimo. Aqui está o DVD, com a cópia das imagens. – E lhe entregou a pequena caixa. – Diga-me assim que puder a sua resposta, senhorita Isabella. – Falou acenando com o chapéu para ela e comigo, pediu: — Benção, padre.
-Deus lhe abençoe, meu filho. – Disse automaticamente e fiz o sinal da cruz em sua testa.
Assim que o detetive Parker saiu, encarei Bella que fitava a caixa do DVD como se ali contivesse uma bomba. Toquei em seu ombro e ela estremeceu de susto.
-Tá com medo? – Perguntei olhando bem em seus olhos.
Ela bufou.
-Me poupe, Ed. – Revirou os olhos. — Eu só não queria que você visse o que está nesse vídeo. – Admitiu.
-Mas eu faço questão. – Falei tomando-o de suas mãos. –Eu quero ver o que de fato aconteceu.
Bella’s POV
Edward é masoquista, só pode! Como é que ele quer ver um vídeo que ele sabe que é comigo transando com outro cara?! Fala sério, é gostar muito de sofrer... Eu sei que ele vai morrer de ciúmes quando vir e é provável que vá ficar super mal, mas quem disse que eu consegui fazê-lo mudar de ideia?
-Até parece que eu estava te traindo, Ed. – Eu disse tentando convencê-lo. – Pra quê você quer ver uma coisa que foi antes de você e que só irá te machucar?
-Eu já disse que quero ver, Isabella. – Sibilou irritado.
-E se eu não quiser? – Perguntei petulante. – A porcaria do vídeo é minha e eu mostro a quem eu quiser. – Falei tentando tomar da mão dele.
-Você é menor de idade e como seus pais não estão aqui, eu sou seu guardião legal. – Contou-me com o braço levantado. – E por que você não quer tanto que eu veja?
-Putz! Você tem algum problema mental? – Perguntei impaciente. – Ou você realmente quer que eu desenhe o que tem aí?
- Não precisa, eu já sei o conteúdo. Mas e daí?
-E daí que é um vídeo de sexo meu com Jake, pra quê você quer ver? – Disse entredentes tentando controlar minha irritação que já começava a se tornar raiva.
-Eu não sei! – Exclamou. –Mas eu quero ver...
-Isso não é da sua conta! – Acusei, já apelando para a ignorância.
-Tudo que diz a respeito de você, agora também é da minha conta! – Avisou-me.
-Por quê?
-Por que agora você é minha! – Afirmou categórico.
Senti uma comichão no meu peito quando ele disse isso. Se alguém me dissesse isso há uns meses atrás, eu teria rido e dado às costas a pessoa, mas com Edward era diferente. Eu queria ser dele, só dele e o pior é que ele sabia disso.
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