Eyes of Fire

1 Capítulo único


Um dos meus segredos mais profundos é sem dúvida as coisas mais estranhas que passam na minha cabeça. Quem diria que a mente de uma das mais antigas filhas de Ares seria tão intensa e imunda. Logo depois do meu término tudo o que eu mais queria é me divertir e me distrair dos meus pensamentos insanos. Se eu te dissesse que passei à fumar e me drogar você pode ter certeza que é mentira, mas uma coisa não posso negar... Me entreguei totalmente às bebidas e isso se tornou um dos meus vícios além de treino pesado e diário. E claro, não apenas aos prazeres que as coisas mundanas podem te dar, e sim o prazer maravilhoso de uma companhia. Eu me viciei completamente na minha melhor amiga, Thalia Grace.

Se fosse uns anos atrás, eu provalmente diria não às satisfações carnais e me focaria em despejar toda a minha raiva em um boneco de porrada. Mas não desta vez, eu posso te assegurar de uma coisa, a antiga La Rue está bem enterrada. Eu nunca me divertira tanto em um lugar com tantas pessoas diferentes, cada uma mais interessante que a outra e uma boa música alta. Meu estilo favorito sempre fora o rock n'roll, mas eu também curtia uma eletrônica. De noites hibernadas em minha cama, todas poderiam ser contadas agora com um dia seguinte exausto e de tamanha ressaca. E era isso que eu estava fazendo agora, curtindo com a mais favorável punk do Acampamento Meio-Sangue.

O som cortante ecoava em meus ouvidos, e uma das minhas músicas favoritas tocava em alto bom som. Luzes neons, efeitos de fumaças que embaçavam a vista e tinham um cheiro inrreconhecível que, se eu bem inalasse eu poderia sentir o melhor cheiro do mundo. Pessoas que dançavam ao som de "Eyes On Fire" se esbarravam uma na outra propositalmente e depois paravam atrás de certas cortinas vermelhas que com o bater das luzes ficavam coloridas. Uma mão conhecida me puxou para um dos bancos do bar que havia no local, e eu não desobedeci em sentar-me. Não sou cega, eu não podia negar que ela estava realmente muito bonita. A filha de Zeus vestia uma camiseta da AC/DC e sua calça jeans estava rasgada em várias partes da coxa. Sua inconfundível maquiagem de denileadores e rímeis deixavam seus olhos azuis mais tempestuosos que nunca com a parcial escuridão do local. Seu hálito perto de meu rosto não era um dos melhores, cheirava à bebida barata de festas e um forte cigarro. Em meio à multidão, ela sussurou para mim:

— Estou orgulhosa de você. — A voz rouca e sexy agora estava mais fina por causa do efeito do que bebíamos. O cabelo que caía no rosto de Thalia estava muito desarrumado, não que eu me importasse, ela ficava... legal assim. Ela se aproximou mais. — Eu tenho que te contar uma coisa, La Rue.

Ergui uma das minhas sobracelhas e joguei o cabelo pesado e negro para trás, eu não tinha certeza que o que estava colado em meu pescoço era suor ou purpurina que caíra das bobas supresas da festa, mas dei de ombros. Passei o braço direito por Thalia e a puxei para mais perto para que eu pudesse ouvir com mais clareza. Murmurei alto como "Pode dizer, mas seja rápida... sóbria já sou impaciente, imagina agora", mas claro que era brincadeira, eu nem estava tão bêbada assim. Ela sorrira e seu branco dos dentes se sobressaiu nas luzes. Ela estava debruçada no balção de bebidas, e agora em suas mãos estava uma garrafa de whisky. Claramente ela não estava tão bem quanto eu, e agora foi a minha vez de sorrir. Sabe, dias antes quando ela me convidou para ir em uma "festa", a primeira coisa que passou em mim mente é que ela estava louca, e de repente ela estava mesmo. Mas não tanto como a mim. "Eu sinto atração por você, Clarisse."

Tive que piscar algumas vezes para que minha visão focasse novamente e engolir em seco para testar se a audição não estava sendo manipulada por algo espírito do mal em minha mente. Eu não estava acreditando, mas parecia que cada centímetro do meu sistema nervoso estava completamente ciente do que acabara de acontecer. Eu poderia responder que sim, que eu também, mas antes de meus lábios se abrirem e a minha língua se desenrolar sozinha , minhas mãos agiram primeiro. Eu a segurei pelos dois ombros e puxei cada vez para mais perto, a prendendo entre minhas pernas de meu corpo sentado em uma banqueta alta. Minhas coxas nuas em um short de cintura alta a prendiam com firmeza. Sem dúvidas ela era mais alta do que eu, mas ganhei algum desconto quando ela se abaixou um pouco e me encarou com aqueles olhos fatais. "I'm taking it slow, feeding my flame, shuffling the cards of your game, and just in time, In the right place, duddenly I will play my ace" esse fora o seu próximo sussurro conforte à letra da música e meus pelos se arriçaram em minha pele. Desci minhas mãos em seu braço até irem diretamente depois para a cintura de Thalia, e apertei de leve. Não me dei conta de que os pequenos centímentros que separavam nossos rostos eram realmente pequenos, não pude resistir. Umedeci meus lábios e tracei-os como uma linha reta em meu rosto, as bochechas coradas e com a aproximação eu abaixei os olhos. Em questão de segundos dedos firmes seguraram meu rosto e me forçaram a olhar novamente, o tempo suficiente em que a punk se aproveitou para colar nossos lábios para me beijar de início calmo para um feroz de duas semideusas preparadas para uma guerra. Esse fora nosso primeiro contato físico além de abraços e olhares maliciosos. Tomei coragem e retribui com mais intensidade unindo mais nossos lábios pintados de batom vermelho. As mãos de Thalia que estavam soltas ao lado do corpo agora seguravam nas costas dos meus ombros com força, seus dedos me seguravam como se ela mesma pudesse fugir. Eu duvido muito que ela faria isso. Arrisquei em deixar minhas mãos caírem da cintura para mais abaixo do seu quadril, o que acabei por supreender a mim mesma, porque isso a fez sorrir entre o beijo. Quem diria que Grace havia mesmo lábios macios. Tive que repetir para mim mesma mentalmente que estávamos em público... Mas parece que, que incrível que pareça, a filha de Zeus leu a minha mente e se afastou. Quando eu abri meus olhos, invés de cor-de-mel eles estavam vermelhos-sangue.

Um coisa eu precisava admitir... Eu nunca tive relações sexuais, nem coisas que se passam de beijos e uns leves amassos. Isso aí, de sete anos de relacionamento, eu jamais passei de uma brincadeirinha de criança com meu namorado. Pode soar broxa, mas é verdade. Eu nunca dei, transei, ou tive um humilde orgasmo proporcionado por alguém além de mim mesma. Sei, tô ciente, é normal mulheres passarem por cima, mas... por toda à vida em seus 22 anos? Sinto que a qualquer momento estarei subindo pelas paredes, ou me esfregando nelas. Comecei a notar realmente meu desespero quando tudo que eu lia e via acabava me lembrando algo que nunca passaria por minha cabeça. Sabe como é? Você acaba ouvindo ou lendo rápido... "dica" e transforma em "pica", "pipoca" em "piroca", e já perdi a conta de quantas vezes eu pensei "pau" invés de "pai", Ares que me perdoe.

Thalia afastada estalou a língua e semicerrou os olhos enquanto me fitava. A encarei de volta, e então novamente ela me puxou, mas não para me fazer sentar em algum lugar, e sim para que eu possa segui-la, seja lá para aonde for. No caminho até o local algumas outras pessoas se pegavam, e outras nos encaravam indo até o certo lugar aonde aonde ela me levava, e eu juro que eu não sabia aonde. Ela mandou eu fechar os olhos enquanto me conduzia e andava em quase um zigue-zague para desviar das pessoas. Assim que ela parou de andar e deu certeza em que chegamos e entramos, abri os olhos e em minhas costas estava uma grande cortina que nos cercava em um espaço de forma redonda e minúscula. O espaço das cortinas reservadas. Ergui uma das sobrancelhas e soltei suas mãos. Dentro havia uma cadeira, com o queixo acenei para que ela se sentasse, e assim ela fez. "I won't soothe your pain, I won't ease your strain, you'll be waiting in vain, I got nothing for you to gain". Ela sentou-se na cadeira de couro, e eu me posicionei em seu colo, de frente para ela, a prendendo novamente entre minhas pernas e a cadeira. Assim se inclinou o rosto em minha direção e suas mãos e dedos começaram a passar por debaixo da minha blusa e meu sutiã com facilidade, e ela acarinciava meus seios de uma forma que estava me deixando... louca. Será que ela seria capaz de me fazer ter um troço somente me tocando os seios? Puta merda. A este ponto meus lábios já estariam separados e um leve gemido já teria escapado entre eles. Os lábios rosados dela estavam assim como suas bochechas com sardas. Os olhos azuis pareciam estar inebriados e estava mil vezes mais atraentes do que as últimas vezes que os vi. Retirei o espaço que havia entre nós quando eu a beijei intensamente, descendo-me para seu pescoço e subindo até o lóbulo de sua orelha, aonde deixei umas mordidinhas. Suas mãos agora se encontravam em minhas costas, seguiu minha espinha com o dedo indicador até pousarem minha bunda, fazendo com que meu corpo todo se arrepiasse novamente. Me dei conta de quem estava em cima era eu, sendo assim eu teria que fazer alguma coisa para representar o Fogo de Ares que estava guardado em anos.

Interrompi o beijo e me levantei. Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ou provavelmente me xingar, levei o dedo indicado aos seus lábios e fiz "Shhh" com os meus, então ela sorriu. Fiz o favor de me inclinar em sua direção, apoiar minhas mãos em suas coxas e a beijar novamente desta vez suavemente, dando em seguida um selinho. Meu cabelo castanho caíram sobre meu ombro e rosto, mas não liguei. Dei a volta e fiquei de frente para a cortina, de uma forma que a visão que ela teria sobre meu traseiro seria bem legal, até eu mesma iria gostar de ver. Todo segundo que corria parecia como areia em uma ampulheta, descia arrastadamente. Ao som da música eletrônica, desci com o quadril em suas pernas, e lentamente percorri todo tecido de sua calça para trás até dar de encontro à seu corpo e seios fartos. Nesse momento xinguei por apenas eu estar de short, e ela não. Sua calça não seria problema, eu poderia muito bem a retirar. Seria estranho eu dizer que rebolei em ritmo da música enquanto eu a sussurrava a letra, assim como ela fez, mas foi exatamente isso. Eu me movimentava com tanta sensualidade e facilidade em seu colo, que mal percebi suas mãos em meu corpo como antes. "I'm taking it slow", eu disse, e ela respondeu com a aproximação de seu nariz que roçara em meu pescoço quente e inclinado para a direita, como se dissesse que ela não podia parar, muito menos eu. Me movimentei para frente e para trás sem deixar de fazer uma certa pressão. Sussurrei o nome dela.

Eu depois teria que me dar cinco beliscões para acreditar que tudo isto era realmente verdade, que não era imaginação minha eu estar em atrás de uma cortina de amassos com minha melhor amiga. Eu podia sentir o fervor que sua pele transmitia para a calça, e eu pus em minha mente que isso não poderia passar dali, eu me lembrava muito bem das consequências que isso poderia trazer para Thalia, e então eu teria de me controlar. Toda aproximação possível era lucro, mas tudo que é bom acaba rápido.

Notas finais
Quem sabe um dia uma continuidade, uh? Com bastante porradas,Clary.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!