Eyes On Fire

32 Chapter 29: A Arte da Guerra


Notas iniciais
"I can't love you in the dark It feels like we're oceans apart There is so much space between us Maybe we're already defeated" — Adele (Love In The Dark)

Brooke Evern

Antes mesmo de abrir os olhos, já sabia que estava no hospital. O cheiro de detergente, luvas cirúrgicas, o desconforto familiar da cama e as incômodas agulhas espetadas em seu braço, denunciavam o lugar. E assim que abriu as pálpebras, percebeu que estava certa.

Brooke encarou o teto de gesso do hospital, semicerrando os olhos por conta da claridade irritante das típicas luzes fluorescentes e pela dor de cabeça que sentia, e por alguns minutos, tentou se lembrar do que tinha acontecido e como fora parar ali.

Então, como as águas de uma represa destruída, as lembranças explodiram em sua mente: O demônio possuidor no corpo de Luke, Renesmee, o posto de gasolina, a voz em sua cabeça, as sombras a engolindo, a espada, o tiro, Luke... O leque de memórias se abriu e fechou em meros segundos, a fazendo arfar, ao mesmo tempo que as lágrimas se acumulavam em seus olhos com imensa rapidez.

Brooke desceu o olhar para as mãos pousadas ao lado do corpo e as viu limpas, sem nenhum vestígio do sangue que as manchavam antes. Porém, isso não a fez desistir do pensamento e da lembrança que continuava a atormentando: ela havia perfurado o corpo de Luke com a espada. Ela havia o matado.

A imagem do corpo imóvel e ensanguentado era nítida em sua cabeça, o que a fez se desesperar e arrancar a agulha do soro em seu braço e levantar da cama com tremendo esforço e pisar no chão frio com os pés descalços.

Assim que deu o primeiro passo em direção a porta, a Evern sentiu o ombro latejar e todo o seu corpo protestar, mas ela ignorou e continuou caminhando, trôpega, a pele se arrepiando por baixo da camisola ridícula de paciente.
Por fim, quando chegou até a porta e rodou a maçaneta, uma vertigem a tomou e suas penas cederam, fazendo Brooke tombar para frente ao mesmo tempo que abria a porta. Felizmente, alguém estava prestes a entrar no quarto e a segurou bem a tempo.

— Vejo que acordou. E já está tentando se meter em problemas de novo, Evern.

Mesmo estando tonta, Brooke foi capaz de reconhecer aquela voz. Ao levantar os olhos, viu Alec Volturi a encarando com as sobrancelhas arqueadas, como se já esperasse aquele comportamento vindo dela.
Ele circulou a cintura da morena com os braços e deu um passo para frente, adentrando o quarto e a obrigando a recuar, o que a fez tentar se esquivar, embora tenha sido em vão. Alec fechou a porta atrás de si suavemente e virou-se para ela, a encarando calmamente.

— Então, vai me dizer para onde está indo?— Indagou ele, continuando a segura-la.

— Preciso sair daqui — disse Brooke, com a voz rouca e falha. — Preciso saber o que aconteceu. Renesmee... E Luke...

A Evern desviou os olhos do olhar do Volturi assim que os sentiu se encherem de lágrimas. Era automático: pensar no ex-namorado fazia a imagem dele coberto de sangue aparecer em uma sua cabeça, levando seu corpo a estremecer.

Assim que as primeiras lágrimas rolaram por seu rosto, ela tentou desvencilhar-se do vampiro novamente, causando uma leve dor e ardência em seu ombro. Além de ser contida novamente.

— Por que você está chorando, Evern? — perguntou Alec, erguendo gentilmente seu queixo e a obrigando a olha-lo.

— Eu o m-matei...

O Volturi rolou os olhos enquanto enxugava as lágrimas dela com os polegares.

— Luke Hayes não está morto, sua boba.

— Não?

— Não, ele não morreu. Contudo... — Alec hesitou, a incerteza se deveria contar ou não transparecendo em seu belo rosto. Por fim, ele suspirou e a olhou serenamente: — Ele enlouqueceu. Kian disse que é o efeito após ser possuído por um demônio: você morre ou enlouquece. Seu ex-namorado teve sorte, se levarmos em conta o estado em que ele ficou quando a luta no posto acabou. Fisicamente ele está bem, mas os médicos disseram que a mente dele está irreparavelmente bagunçada, além de ser um estado permanente.

Brooke arregalou os olhos, as lágrimas os embaçando. Ela cravou os dentes no lábio inferior para impedir os soluços, e virou o rosto para o lado para o vampiro não vê-la desabar.

Não podia acreditar. Não podia ser real. Luke não podia ter enlouquecido... não o Luke. Ela jamais poderia imaginar que aquilo fosse acontecer justo com ele, a pessoa que a abandonara quando a loucura a consumira no passado.

Ele a deixara sozinha com sua mente perturbada, mas Brooke nunca desejou que ele tivesse o mesmo destino da insanidade. Ela jamais desejaria aquilo para ele ou para qualquer outra pessoa. A morena fungou, sentindo que a cabeça poderia explodir a qualquer momento.

— Ah, você é uma cabeça dura, Evern. Seu ferimento abriu.

Brooke reconheceu o toque de Alec no exato momento em que a dor em seu ombro se intensificava. Ela virou a cabeça para olhar o ferimento e encontrou o tecido da camisola manchado de sangue.

Antes que pudesse levar a mão ao local, ouviu o Volturi bufar e no instante seguinte já estava sentada na cama, com ele em sua frente, muito próximo. Ela abriu a boca, mas Alec a interrompeu estendendo a mão e a direcionando até seu antebraço.

— Fique calada. Só darei uma olhada — disse ele, e então elevou a mão e desceu lentamente a manga da camisola.

Brooke prendeu a respiração ao sentir o ar frio do quarto de hospital acariciar seu ombro e metade do colo desnudo. Ela permaneceu imóvel quando o vampiro jogou seu cabelo para o lado e seus dedos tocaram sua pele, arrancando gentilmente a gaze ensopada de sangue.

A Evern comprimiu os lábios, sentindo a dor aumentar conforme Alec abaixava o rosto para examinar melhor o ferimento. O silêncio dominou o quarto enquanto os dois ficavam naquelas posições, e depois de um tempo, a garota ficou inquieta.

— E... então? — perguntou, a voz um pouco mais aguda que o normal.

— Os pontos abriram. É isso que acontece quando se leva um tiro e fica se esforçando dois dias depois da operação de retirada da bala — retrucou Alec, levantando o rosto, a expressão sarcástica.

Mas Brooke ignorou a provocação em sua fala.

— Dois dias? Eu estou aqui há dois dias?

— Está — O rosto do Volturi voltou a ficar sério. Ele desviou o olhar e colocou a gaze de volta, puxando a manga da camisola para cima no final. — Peça para a enfermeira refazer os pontos e trocar o curativo, se não quiser que infeccione.

Ele levantou-se. Assim que deu o primeiro passo para longe, a morena o segurou pela barra da camisa social que vestia.

— Me conte tudo o que aconteceu. Por favor.

Na expectativa, ela o viu levantar os ombros e depois arria-los, como se estivesse tentando se livrar de um peso nas costas. No final, Alec se virou e a encarou, parecendo terrivelmente cansado.

— Chega pra lá — disse ele, indicando o lugar na cama pequena ao lado da garota. Assim que ela se moveu e o deu espaço, ele se sentou, as pernas longas pendendo até o chão, os braços dos dois roçando um no outro, ambos fitando o nada à frente. — O que quer saber, Evern?

— Como os outros estão?

— Estão bem. Exceto seu ex, é claro. Ele está neste hospital, sedado. Assim que o corpo dele se recuperar, irão transferi-lo para a ala psiquiátrica.

— Hum... — Brooke mordeu os lábios com força, apertando a beirada da cama fortemente. — A Renesmee...

— A híbrida está bem. Também está se recuperando e pode ser que a perna dela demore um pouco mais para se curar que os outros ferimentos — Interrompeu-a Alec, a olhando de soslaio. — Poderia ter sido pior. Ela contou que você interveio e ganhou o tiro no lugar dela.

— Ainda assim me sinto culpada — A Evern suspirou. — Por acaso... Gaz... eu lembro de tê-lo visto desmaiar.

— O Julions só ficou exausto naquele dia, ele está bem. Perturbado com sua estadia aqui e atormentando os outros com isso, mas está bem.

— Certo.

O silêncio se instalou no cômodo, dando brecha para a nuvem de pensamentos conflitantes. Nenhum dos dois se mexeu, o que os condicionou ao leve toque dos braços. A corrente fria do ar condicionado do quarto provocou mais arrepios na pele de Brooke, a fazendo se encolher. Quando por fim a quietude se tornou opressora, a garota a quebrou:

— Na verdade, eu lembro de tudo que aconteceu — Pronunciou ela, a voz baixa ecoando pelos cantos do quarto de hospital. — E lembro de machucar Kian... e você.

Alec girou a cabeça e a encarou diretamente.

— Você não me machucou Evern, não seja convencida.

— Mas cheguei muito perto disso — replicou Brooke, o fitando triste e apontando para o antebraço esquerdo dele. — Sei que debaixo dessa camisa há uma cicatriz que fiz e que quase o incinerou. Desculpe-me, Alec.

O pedido o fez unir as sobrancelhas e se remexer, ocupando muito mais espaço do que inicialmente. O vampiro tocou o tecido da camisa no lugar indicado e pensou em como ela estava certa e em como aquilo a fazia se culpar e sofrer.

Era notável a diferença entre as duas versões de Brooke Evern: A Descendente e a garota problemática corajosa. As duas eram ela e ao mesmo tempo não eram. E naquele momento, ele percebeu que gostava muito mais da versão daquele presente momento, a versão verdadeira.

— Não me importo com cicatrizes. Até um vampiro como eu as têm, sejam elas de guerra ou não — Alec falou cada palavra sentindo a sinceridade transbordar de sua boca enquanto observava a morena. — Cicatrizes são lembranças gravadas na pele, e embora eu saiba que não foi realmente você quem me deu esta que está escondida, não me importo de carrega-la e recordar de como a consegui; não me importaria até mesmo se tivesse sido você a faze-la, Evern.

Brooke pestanejou, consciente das lágrimas ameaçando cair. Ela respirou fundo e balançou a cabeça, a sentindo latejar.

— Você é bom consolando as pessoas — Gracejou, mas não havia graça alguma. — Concordo com você, mas isso não muda a maneira como me sinto agora, Alec. Lembro-me de tudo. De estar perdendo o controle do meu corpo e mente, de cada movimento que fiz, de cada pessoa que machuquei contra minha vontade... Mas afinal, era ela, não era? — Antes mesmo que ele respondesse, Brooke continuou: — Era a Descendente assumindo o controle. Eu sabia que isso aconteceria cedo ou tarde, mesmo me recusando a acreditar. Eu tinha esse pressentimento, mas o ignorei porque a ideia de voltar a perder o controle sobre mim mesma era aterrorizante. Ainda assim, essa não é a pior parte. Você sabe qual é?

— Qual?

— Acho que eu a trouxe à superfície. Houve um momento, quando o demônio me baleou e começou a colocar em palavras o meu maior medo, que eu pensei que não fosse aguentar. A dor e a raiva eram mais do que eu podia suportar e acho que foi por isso que ela despertou. Porque eu não consegui lidar com a situação. Porque eu me escondi nas sombras enquanto a Descendente enfrentava tudo. Soa covarde, não?

O Volturi cruzou os braços e inclinou a cabeça para o lado.

— Soa como deveria soar. Afinal, é isto o que vocês humanos chamam de instinto de sobrevivência — Ele semicerrou os olhos. — Qual é o seu maior medo?

Brooke enterrou a cabeça nas mãos, aproveitando a dor no ombro para se certificar que aquela conversa realmente estava acontecendo, que ali estavam Alec Volturi e ela, falando sobre cicatrizes e as consequências de um espírito assumir o controle de um corpo.

Contudo, a morena sabia que havia mais acontecendo naquele instante. Havia uma conexão sendo formada entre eles: íntima demais para ser refreada e frágil demais para ser mencionada com clareza. E, acima de tudo, ela sabia o significado de Alec estar ali.

Quando dissera que se lembrava de tudo, era realmente de tudo. Inclusive, do momento em que ele a trouxera de volta ao controle, lhe dizendo as palavras que penetraram no fundo de sua alma. Da maneira como apenas ele poderia fazer, assim como fazia seu coração acelerar. Brooke começava a pensar que Alec era o único capaz de realizar as duas coisas e conseguir êxito.

Então era assim que funcionava: por mais barreiras que colocasse entre os dois, por mais distância que pedisse, por todos os motivos que existiam para se repelirem, ele sempre a salvava no final do dia. Era um acontecimento que já estava se tornando um hábito. E ela não gostava de criar hábitos que estavam fadados a serem cortados.

— O demônio no corpo de Luke, — sussurrou ela, ouvindo as palavras ecoarem em sua mente. — me disse que faço parte do plano do Senhor das Sombras, e que ele não vai parar até me ter. Ele vai destruir todos aqueles que amo, até não sobrar ninguém... A vida daqueles que me importo estão em perigo, e a culpa é minha — A Evern ergueu o rosto para olha-lo, parecendo perdida e assustada. — Este é o meu maior medo, Volturi. O que eu deveria fazer a respeito?

— Você deveria descansar e se recuperar o mais rápido possível — respondeu Alec, se pondo de pé. A forma como ele a olhou foi diferente, quase afetuosa. — Porque, quando você sair deste hospital, realizarei o pedido que você me fez há algum tempo atrás.

Brooke franziu o cenho.

— Que pedido?

— Eu a treinarei, e assim você não permitirá que mais ninguém machuque você ou as pessoas com quem se importa. Para isso, informo que não manterei mais distância e que estarei por perto, naturalmente — O Volturi se inclinou sobre a cama e a segurou pelos ombros, empurrando-a gentilmente contra os travesseiros. — Fique boa logo, Evern. E pare de criar problemas.

E então, com uma expressão falsamente indiferente, Alec virou as costas e se afastou até a saída, sem olhar para trás.

Quando ele passou pela porta e a fechou, Brooke respirou fundo, certa de que havia algo muito errado com as batidas frenéticas de seu coração. Porém, ela não pensou o mesmo do pequeno sorriso que nasceu em seus lábios. Era estranho o fato de conseguir sorrir e sentir-se aquecida.

Apesar de tudo.

...

Ela sabia que aquilo seria doloroso de se ver. Ainda assim, estava decidida a seguir em frente com a decisão que tinha tomado. Três dias foi o tempo que ficou no hospital, e agora que estava prestes a deixa-lo, havia uma coisa a ser feita antes de ir para casa.

— Ainda acho que você não deveria sair andando por aí, Miss Simpatia.

Brooke parou sua caminhada lenta e se virou para encarar Joey Lynd, que seguia em seu encalço pelos corredores do hospital.

— Quantas vezes preciso dizer que estou bem para as pessoas começarem a acreditar? — Questionou ela, rolando os olhos.

— Trezentas. Ou até seu ombro voltar a ficar novinho em folha — retrucou o mais velho, cruzando os braços em cima do peito e amassando o terno branco.

— Ele está novinho em folha — ela rebateu. Então suspirou, o olhando serenamente: — Preciso fazer isso, Joey. Devo isso à Luke.

Joey ficou em silêncio, sem argumentos para refutar. Ele a encarou, a analisando, o rosto jovial para a idade que tinha expressando uma mistura de compreensão e pena. Brooke sabia que mais do que qualquer outra pessoa, seu padrinho entenderia o que ela estava indo fazer e o porquê. Ele conhecia a história dela e conhecia sua personalidade e jeito de agir.

Talvez tenha sido por isso que Joey não surtara quando apareceu no hospital, tão pouco que tenha ligado para Marcy. No final das contas, ele apenas expressara sua preocupação e alívio, embora tenha exigido a verdade sobre o que tinha acontecido. Brooke não pôde dá-la, e optara por mentir, como sempre fazia quando se tratava do mundo obscuro dos imortais.


— Eu sei, querida — disse Joey, após algum tempo em silêncio. Ele buscou um lenço no bolso do terno e o passou pelo rosto, suspirando. — Apenas não consigo acreditar que você se envolveu nessa confusão por minha causa. Se eu não tivesse trazido Luke comigo...

— Não se culpe, você não tinha como saber que o idiota se envolveria em problemas aqui e eu acabaria tentando ajudá-lo. Muito menos que tentariam nos matar — O interrompeu Brooke, engolindo em seco pela mentira contada. Ela abriu um sorriso vacilante: — Felizmente, somos vasos ruins. E vasos ruins não quebram.

O homem balançou a cabeça, abraçando a maleta que carregava.

— Ainda assim... Bem, vá em frente. Estarei na recepção, fazendo algumas ligações importantes. Seja forte, Miss Simpatia.

A Evern assentiu. Ela observou o padrinho passar por si e se afastar, os sapatos lustrosos batendo contra o piso encerado do hospital em um ruído irritante. Quando ele desapareceu ao virar o corredor, a garota expirou profundamente. Sem querer prolongar mais aquilo, fez o resto do caminho até o quarto de número 77.

Parou de frente a porta branca, hesitante, nervosa. Antes que perdesse a coragem, levou a mão até a maçaneta e a rodou, entrando em seguida.

O quarto era igual ao que estivera acomodada: com teto e paredes brancas, uma poltrona de couro, uma cômoda com um jarro de água ao lado da cama. A diferença era que havia um rapaz ocupando a cama, ligado a fios e tubos conectados as máquinas que o monitoravam.

A camisola simples do hospital não combinava em nada com o estilo habitual do rapaz, e seus dreads estavam uma bagunça. Alguém havia enrolado uma faixa em seu tórax, que estava um pouco manchada de sangue e dava indícios que uma cicatriz enorme se formaria ali.

Aquele nem parecia Luke Hayes.

Brooke se moveu vagarosamente até o leito, sentindo as mãos com inúmeras escoriações tremerem. Assim que parou ao lado do rapaz, fitou de perto seu rosto também com inúmeros arranhões.
O sarcasmo habitual havia desaparecido do rosto sereno, que agora exibia uma expressão serena.

Em algum lugar no fundo de sua mente, Brooke pôde ouvir as palavras de Alec se repetindo diversas vezes em seus ouvidos: Ele enlouqueceu... Fisicamente ele está bem, mas os médicos disseram que a mente dele está irreparavelmente bagunçada, além de ser um estado permanente...

Ela ergueu a mão e a pousou delicadamente na bochecha de Luke, a acariciando uma última vez. Seu coração estava sendo partido de novo, pela mesma pessoa, mas em circunstâncias diferentes.

"B-Brooke?"

A voz do Hayes invadiu seus ouvidos, e a lembrança dos olhos arregalados e apavorados dele olhando para sua outra versão, a atingiu em cheio. Ela deveria ter voltado a assumir o controle naquele momento. Deveria ter o ajudado a entender toda a situação e o tirado daquele posto.

Se tivesse feito alguma coisa, qualquer coisa, seu ex-namorado não teria se tornado mais uma vítima da vida dela e não seria trancafiado em um manicômio quando despertasse.

Era culpa dela.


— Eu sinto muito, Luke. Eu sinto t-tanto — sussurrou Brooke, se debruçando sobre ele. — Nunca quis isso para você. E assim como eu já te perdoei por ter me abandonado, espero que você possa me perdoar por fazer o mesmo com você, mesmo não querendo.

A morena fechou os olhos, liberando as lágrimas salgadas que começaram a cair como uma cascata. Seus lábios tocaram a testa de Luke em um carinhoso beijo de despedida, junto com as gotas, que rolaram pela face dele.

— Você foi o primeiro cara que amei, Luke Hayes. A primeira pessoa que me fez arriscar, ganhar e perder tudo ao mesmo tempo. E eu nunca me esquecerei de você, porque não há como esquecer o primeiro amor. E prometo que algum dia, farei ela pagar por isso. Eu juro.

Brooke fungou e afagou a face do rapaz antes de se afastar. O dedicou um último olhar e então virou as costas, caminhando até a porta enquanto limpava as lágrimas que não paravam de cair. Quando saiu do quarto, apoiou a cabeça contra a parede e a socou, sentindo a dor intensa nos ossos de sua mão, embora não fosse tão intensa quanto a raiva que borbulhava dentro de si.

Raiva dela mesma. Raiva daquele demônio. Raiva dos recém-criados. Raiva do Senhor das Sombras, fosse ele quem fosse. Raiva de tudo. E principalmente, raiva da Descendente que habitava em si.
Ela, que tinha sede por sangue e ódio. Ela, que destruía sem remorso. Ela, que iria pagar caro, porque Brooke havia prometido para Luke, e esta promessa a Evern não quebraria.

***

O retorno para a mansão nunca foi tão amedrontador. Brooke esperava hostilidade e palavras duras, talvez até mesmo ser expulsa por ter se transformado em uma bomba relógio do mal, mas não foi isso que aconteceu.

Quando voltou, foi recebida pelos Cullen a esperando com expressões sérias e atos gentis, reunidos na grande sala recém reconstruída. Era uma cena repetida que a morena já tinha de cor, tantas eram as vezes que a vira.
A impressão que dava era que ali era seu lugar de retorno, não importava o quão longe ela fosse. A mansão havia se tornado seu lar em Forks, de uma forma peculiar e sutil.

No entanto, a atmosfera havia mudado. Mesmo com a gentileza e os mesmos cuidados de sempre, Brooke percebeu que os Cullen estavam mais atentos do que o normal, hesitantes, sérios.

Eles estavam preocupados com a próxima aparição da Descendente e na virada do jogo que isso implicaria: ao lado de quem na guerra que estava prestes a explodir ela estava? Ou se não tinha lado, pretendia começar a própria carnificina? Eram esses os pensamentos de todos da mansão, embora nenhum deles os tenha expressado em voz alta. Mas a Evern sabia, e não pôde ficar ressentida por pensarem de tal modo; ela própria já havia se atormentado com a questão.

Por isso, quando uma reunião foi solicitada um dia depois do seu retorno, Brooke não ficou surpresa. O que a surpreendeu foi a presença dos Quileutes e o lugar da reunião ser a divisa do tratado entre os lobos e os vampiros.

Quando a noite caiu, todos já estavam presentes. A lua cheia brilhava em todo seu esplendor lá no alto, lançando fios de luz prateados sobre a floresta, criando sombras estranhas das árvores e dos animais que se escondiam. O ruído do rio correndo ecoava noite adentro, e Brooke se encolheu dentro do casaco assim que o vento forte soprou em sua direção, agitando seus cabelos e a fazendo tremer.
Ela permaneceu quieta, com Gaz ao seu lado, observando a aproximação dos quatro imensos lobos em sua forma transformada, se deslocando entre as árvores.

— Por que eles estão transformados? — perguntou Brooke, estranhando o fato.

— Porque os Quileutes não querem abaixar a guarda — respondeu Jasper, simplesmente. — Não com eles aqui.

Os olhos do Cullen controlador de emoções se desviaram para os quatro Volturi e o feiticeiro Kian Archetti, lá na frente, às margens do rio, no limite do tratado.
A Evern escutou a risada sarcástica de Jane.

— Inteligente da parte dos cachorros.

Rosnados soaram.

— Irmã, sem provocações — Ralhou Alec, abaixando o capuz do manto. Sua voz continha uma nota de frieza mais cortante que o vento que soprava. — Por enquanto não.

Jane bufou, mas calou-se. Brooke fitou a silhueta de Alec, se distraindo por um momento. Ele estava diferente de ultimamente. Estava sendo... a pessoa que ele sempre fora. E perceber isso a incomodou extremamente.
O barulho de galhos sendo pisoteados a chamou atenção e, ao erguer os olhos, encontrou os lobos em formação, do outro lado da margem.

— Espero que estejam tendo uma boa noite, Sam, Seth, Leah e Embry — Pronunciou Carlisle, ao passo que os lobos apenas balançaram a cabeça peluda. O Cullen mais velho olhou para Edward ao seu lado.

— Eles disseram que podemos começar a conversa — O leitor de mentes contestou, encarando os lobos com atenção.

Então é assim que vai ser. Nós falamos e eles escutam e então se comunicam por pensamentos que Edward pode ler e nos contar, pensou Brooke, começando a entender a dinâmica ali.

— Como vocês já estão a par do assunto, vamos direto ao ponto a ser tratado — Carlisle tornou a falar. Em seguida, olhou para a morena atrás dos outros vampiros: — A palavra é sua, Brooke.

A Evern engoliu em seco e assentiu. A mão de Gaz apertou a sua antes dela dar um passo em frente e caminhar até parar ao lado de Carlisle, que a deu espaço. Todos a encaravam agora e por isso não conseguiu impedir o nervosismo a percorrendo.
Brooke respirou fundo e começou, sabendo exatamente o que dizer:

— Oi. Como vocês já sabem, a Descendente despertou. Ela pode assumir meu corpo e fazer o que bem entender, o que soa e é horrível. Não gosto disso, e não é só porque perco o controle; também é porque não sei a gravidade do perigo que todos vocês correm com ela no comando — Falou, apertando os punhos dentro do bolso do casaco. — Eu quase matei meu ex-namorado, Gaz, Kian e Alec. Não sei quais as intenções dela ou qual jogo ela está jogando, mas tenho certeza que não é benéfico para nenhum de nós. Também não sei como impedir que ela apareça ou como manda-la embora se ela aparecer novamente, confesso. Sou uma bomba relógio prestes a explodir e não sei como reverter isso no momento.

O lobo negro no meio arreganhou os dentes, emitindo um grunhido alto que quase fez Brooke recuar.

— Sam está perguntando o motivo de você estar dizendo estas coisas se sabe que elas dificultam a ajuda que você precisa — Anunciou Edward.

Brooke se empertigou e retirou as mãos de dentro dos bolsos, as deixando cair ao lado do corpo.

— Porque não tenho a pretensão de omitir a verdade dos meus aliados. Porque no momento estou lidando com uma guerra interna e externa e em ambas estou perdendo, e estou cansada de perder. Porque há riscos neste mundo que entrei e meias verdades ou mentiras completas não irão diminuir esses riscos. Portanto, acho que está na hora de parar de pisar em ovos e fazer alguma coisa. Há muito tempo o conflito têm sido entre lobos e vampiros, mas agora há algo maior acontecendo que precisa das duas espécies trabalhando juntas: há uma terceira ganhando território e ela não vai parar até massacrar as outras. Então, preciso que vocês da tribo trabalhem junto com os Cullen e os Volturi enquanto eu trabalho contra mim mesma.

As palavras ecoaram pela floresta, se perdendo entre o ruído do vento. Sam parou de grunhiu e fitou a morena, a grande cabeça de lobo inclinada para o lado. Seth, Embry e Leah faziam o mesmo.
Quando o silêncio se arrastou por longos segundos, Brooke começou a achar que tinha dito algo errado, mas então a voz de Edward repercutiu:

— Eles querem saber como você vai fazer isso? Como vai impedir a Descendente de voltar?

— Eu a ensinarei a controlar isto — A voz de Kian soou, alta e serena. — Tudo o que Brooke precisar, eu ensinarei. Acreditem, sou um excelente professor.

A Evern virou a cabeça, olhando por cima do ombro para o feiticeiro. Ele levou a mão até a cabeça e levantou o novo chapéu Fedora, de modo a revelar sua expressão presunçosa. A morena arqueou as sobrancelhas e chacoalhou a cabeça.

— Sim, Kian me ensinará — Brooke voltou os olhos para Sam e, num movimento rápido, esticou as pernas e pulou as pedras e as águas calmas e estreitas do rio, invadindo o território dos lobos com certa firmeza. — E então? Estão do nosso lado ou não? Uma vez, vocês me disseram que lutariam por mim, me prometeram isto. Estou cobrando a promessa agora, seja isso educado ou não.

O tom de suas palavras era de desafio, e havia força nelas, uma força que impulsionou a Evern a continuar diante dos quatro lobos, de cabeça erguida, os olhos brilhando em determinação.

Ela ouviu o chamado dos Cullen, a pedindo para voltar para o lado do território deles, porém os ignorou. Sob o céu noturno, as sombras dos lobos eram ainda mais altas, os transformando praticamente em gigantes assustadores. E quando Sam arrastou a pata dianteira no chão e mostrou os caninos enormes, resfolegando ar quente em seu rosto, Brooke engoliu em seco, sentindo o coração disparar.

— Saia daí, Evern! — A voz de Alec ordenou, seguida de um rosnado.

Mas Brooke não se moveu. Ela até ouviu os resmungos autoritários do Volturi e a cacofonia dos Cullen tentando convence-lo a não ultrapassar os limites do tratado, contudo não os dedicou atenção.

Ela aguardou, diante de um dos alfas da alcateia Quileute, enquanto ele abria cada vez mais a bocarra. Estava com medo e queria sair correndo, era verdade. Mas se fizesse isto, seria uma covarde para sempre e quebraria a promessa que fizera a Luke.

Assim, Brooke não se mexeu. Sam uivou em frente ao seu rosto, tão alto que quase a derrubou e ela pensou que ficaria surda. Mas então o lobo chacoalhou a enorme cabeça, recuando em seguida. Os outros o seguiram, balançando as próprias cabeças.

— Eles aceitam serem nossos aliados e lutar ao nosso lado — disse Edward, assombrosamente admirado. — Desde que Brooke os lidere, pois é à ela que eles devotam lealdade. É ela quem os lobos seguirão caso uma guerra aconteça, e deixam claro que a tribo será a principal prioridade para eles, independente de qualquer coisa.

Brooke respirou aliviada, sentindo as pernas bambearem um pouco.

— Eu agradeço e prometo não decepciona-los — falou, olhando para os quileutes, contendo a alegria repentina e o sorriso que ameaçava aparecer. Preferia demonstrar serenidade e ser menos propensa a emoções naquele momento. — Mas tenho um pedido a fazer. Peço que se preparem e se fortaleçam. Há algo vindo, e quero estar pronta para acabar com a raça daqueles com intenções de nos machucar.

Os lobos uivaram, como se estivessem a apoiando. A Evern finalmente deixou um sorriso escapar, observando em seguida Sam correr para longe, com os outros o seguindo. Seth esfregou a cabeça felpuda carinhosamente no braço de Brooke antes de segui-los, desaparecendo entre as árvores e sombras da florestas.

Assim que as águas do rio correndo e os uivos à distância eram tudo o que se podia ouvir, a morena se virou para os vampiros do outro lado e acenou, batendo os dentes de frio.

— Acho que precisarei de a-ajuda para volta-ar.

Os vampiros se entreolharam, ainda um pouco pasmos. Emmet e Gaz a ajudaram a atravessar o rio, fazendo piadinhas sem graça sobre ela e os lobos. Mas Brooke não se importou com isso. Muito menos com o olhar mortal que Alec a lançou assim que chegou do outro lado. Nem com o frio congelando seus ossos.

A Evern estava muito satisfeita com o sucesso da reunião e com o que tinha conseguido. Não podia explicar, mas assim como pressentia que algo ruim se aproximava, sentia que havia começado algo naquela noite. Como se tivesse dado início à uma rebelião de almas adormecidas, prontas para acordar e queimar até se desfazerem em cinzas e reencarnarem em outras vidas, outras pessoas, outras possibilidades.

E talvez Brooke tivesse começado o incêndio. Talvez tivesse acendido a primeira fagulha antes da explosão.

***

— Brincando de pique-esconde?

Brooke se sobressaltou ao ouvir o sussurro em seu ouvido. Ela bateu o cotovelo no aparador do corredor, derrubando um dos vasos chineses caríssimos de Esme. Entretanto, o vaso não se partiu em pedaços, e sim pairou no ar, sustentado por faíscas vermelhas.
A morena já sabia de quem se tratava antes mesmo de se virar.

— Não chegue de supetão atrás dos outros! — ralhou, o olhando de cara fechada. — Já pode colocar o vaso no lugar, Kian.

O feiticeiro assentiu. Com um movimento de mão, fez o objeto voltar para o aparador, do mesmo jeito que estava antes.
Ele sorriu amigavelmente, coçando a nuca e fazendo os cachos negros se agitarem em volta do rosto bonito. Estava sem o chapéu, mas usava uma echarpe verde e um suéter preto, o deixando mais parecido com um modelo de sucesso do que com um praticante de magia secular.

— Perdoe-me. Não foi minha intenção assusta-la — disse Kian, a fitando com as sobrancelhas erguidas. — Mas você não respondeu a minha pergunta.

— Não estou brincando de nada, se é isso que você quer saber — respondeu Brooke, rudemente.

— Então por que está escondida aqui no final do corredor, espiando atrás da parede?

— Não estou escondida. Muito menos espiando nada.

— Então você não se importará se eu começar a falar um pouco mais alto e anunciar a nossa localização, certo? — Kian desafiou. — ESTÁ CERT...

Bruscamente, a Evern levou a mão até a boca dele e a tapou, o silenciando.

— Alguém já lhe disse que você é inconveniente? — grunhiu ela, o fuzilando com os olhar. O feiticeiro balançou a cabeça negativamente. — Pois você é. E, para matar sua curiosidade, estou tentando evitar Alice. Faltam quatro dias para o baile de primavera e ela está dando a louca e sufocando todo mundo. Inclusive, eu. Então acho que dá para entender o porquê de querer se esconder dela.

A risada do Archetti soou abafada pela mão da morena, que a recolheu para longe dele assim que sentiu o hálito quente em contato com sua pele.

— Creio que seja compreensível. Mas, levando em conta a audição e o olfato apurado de um vampiro, as chances dela não lhe encontrar são... nulas — murmurou ele, rindo logo em seguida.

Brooke sentiu o rosto esquentar, mas empinou o nariz e levantou o queixo.

— Não pedi a sua opinião. Agora, se me der licença, irei procurar outro lugar para me esconder... digo, para ficar.

Ela virou as costas e saiu andando na direção das escadas, resmungando consigo mesma e ficando ainda mais vermelha pela confusão com as palavras. Não havia dado nem cinco passos quando escutou o som dos sapatos do feiticeiro em seu encalço.

— Você parece não gostar muito de mim — O escutou comentar.

— Na verdade, eu não gosto nem um pouco de você — retrucou ela, sem se virar para olha-lo. — Tão pouco confio em você.

— Você é direta. Gosto disso. Mas deveria me dar algum crédito, afinal, eu a perdoei por queimar meu chapéu.

— Eu já pedi desculpas. Agora pare de me seguir e vá lançar feitiços ou voar em uma vassoura.

— Não sou o Harry Potter — Kian bufou. — E eu agradeceria se você parasse com a hostilidade e me desse um voto de confiança, Brooke.


A morena parou de caminhar ao chegar no topo das escadas e finalmente se virou para encara-lo, cruzando os braços.

— Sinto muito, mas não costumo dar votos de confiança à desconhecidos. Ainda mais quando o desconhecido em questão parece ter traído duas pessoas que conheço há algum tempo.

Os olhos do feiticeiro se estreitaram.

— Você não conhece minha história com Alec e Jane. Não tem direito de fazer suposições.

— Não estou fazendo nada. De qualquer maneira, não sou eles. Seja lá o tipo de passado que vocês tiveram, e o que os levou a trata-lo como o tratam hoje em dia, não vai alterar a forma como vejo você, Kian Archetti.

Ele esboçou um sorriso de canto, se aproximando num piscar de olhos e se inclinando para frente até tocar o nariz com o da morena.

— É mesmo? Que forma você me vê, Brooke Evern?

— Você é inteligente, misterioso e poderoso demais. Combinações tão valiosas quanto perigosas — retorquiu Brooke, sem se afastar. — Sou nova nesse mundo onde estratégias e força são o que te fazem sobreviver, mas observei o suficiente para saber que você é bom como aliado e excelente como inimigo. Então só cabe à você decidir qual das duas posições tomar, certo?

— Alguém já lhe disse que você é fascinante? — Kian riu e apertou as bochechas dela. — Sou confiável. Além de ser o guardião da profecia que envolve você, é claro. Seria tolice ser o seu inimigo, além de ir contra minha natureza. Faça um favor para si mesma e relaxe, você é muito nova para ter cabelos brancos, mio caro.

Brooke o lançou um olhar fulminante e abriu a boca para rebater. Porém, um pigarro soou e os dois olharam em sincronia para trás. Parado no último degrau antes do topo da escada, Alec os observava com um livro nas mãos.

A expressão em seu rosto beirava a surpresa e o desprezo, mas desapareceu assim que os olhos da morena e do feiticeiro cruzaram com os seus.

— Espero não estar interrompendo algo importante — Pronunciou ele, se aproximando com passos duros, o tom frio como gelo.

— Você não interrompeu — murmurou Brooke, corando fortemente. Demorou um pouco até ela se dar conta que Kian continuava apertando suas bochechas, e que os dois estavam à uma distância de um beijo, visão que ela realmente não queria passar. Se afastou bruscamente, pisando no pé do feiticeiro acidentalmente, o fazendo resmungar. — Kian só estava me perturbando!

— Ela quer dizer conversando, velho amigo — O Archetti corrigiu, arrumando a echarpe no pescoço.

A Evern o olhou feio. Instantaneamente, o nervosismo a preencheu, a fazendo ficar irrequieta quando se deu conta que Alec não parava de encara-la, o peso de seu olhar afiado cravado em si.

— Que seja. Não estou aqui para jogar conversa fora ou fazer cenas nos corredores na casa de outra pessoa — O Volturi encolheu os ombros, a postura rígida demais para alguém que não estava nem aí. Ele caminhou pisando duro até parar em frente à morena, e sem a olhar nos olhos, estendeu o livro. — Pegue e leia.

Brooke estava ultrajada com a indireta, mas aceitou o livro por estranhar o fato de ser o vampiro louro-acastanhado a oferece-lo. Ela leu o título:

— A arte da guerra?

— Você precisará dele para a parte teórica do treinamento — disse Alec, cruzando os braços atrás das costas, assumindo a postura de general de sempre. — Leia tudo, pois começaremos amanhã.

— Você quer que eu leia o livro todo até amanhã? O dia tá quase acabando! — A Evern apontou para a janela aberta na outra extremidade do corredor, indicando o céu que começava a escurecer.

O Volturi ergueu as sobrancelhas, balançando os ombros mais uma vez.

— Isso não é problema meu. Leia ou não, a escolha é sua. Contudo, não haverá treinamento se não ler.

— Ora, seu... — Brooke ergueu o livro e o mirou na direção do vampiro.

— Sun Tzu foi um grande estrategista — murmurou Kian. Ele se virou para a garota e sorriu positivamente. — Tenho certeza que você não se arrependerá de ler, caro. Além do mais, conhecimento nunca é demais. Você consegue!

A morena franziu a testa e bufou, abaixando o livro. Seus ombros arriaram em desânimo enquanto fitava o Volturi com desgosto.

— Eu lerei, seu tirano.

— Ótimo. Nos vemos amanhã, então — Os cantos da boca de Alec subiram num fantasma de um sorriso. Ele acenou com a cabeça e estava prestes a virar as costas e ir embora quando viu o Archetti abrir a boca. — Você vem comigo — Ordenou e agarrou o feiticeiro pelo pescoço, o puxando para longe em seguida.

— O que há com você, Alecssandro? Eu não quero ir embora! Ainda não terminei de falar com a Brooke! — Resmungou Kian, tentando se soltar do aperto do outro.

— A Evern precisa ler. Você só a atrapalhará. Pare de agir como uma criança mimada, seu idiota. Estamos de saída.

De queixo caído, Brooke observou Alec arrastar Kian escada abaixo, continuando a discussão até desaparecerem no andar debaixo.
Com um suspiro profundo, ela abraçou o livro e rumou para o quarto, esquecendo do plano de evitar Alice e pronta para se afundar na leitura.

Em algum momento durante a madrugada, a Evern caiu no sono. E em algum momento após o sol nascer, foi despertada por gritos, que a fizeram cair da cama e levar o maldito livro junto. Mal entendeu a presença de Jane Volturi em seu quarto, a ditando ordens e a ameaçando com torturas.

Porém, embora estivesse sonolenta, seu instinto de sobrevivência percebeu o perigo e a fez se levantar e rumar para o banheiro, onde se arrumou em menos de cinco minutos. Quando retornou ao quarto, encontrou com a Volturi exclamando palavrões e de cara emburrada, lançando os travesseiros da cama pela sacada.

— Eu uso eles para dormir, para sua informação — resmungou Brooke, puxando a blusa grande demais para ela para baixo. Olhando com infelicidade para a vampira, perguntou: — Bom dia, Jane. Por que você está aqui?

Jane a encarou de cima a baixo, a careta de desaprovação surgindo em seu rosto.

— Péssimo dia. Meu irmão me obrigou a vir — respondeu a Volturi, rosnando a cada palavra dita. — Alguém tem que ensinar o estúpido do seu amiguinho a usar os poderes que lhe foram erroneamente dados. Infelizmente, eu fiquei encarregada disso.

Brooke observou Jane apanhar mais um travesseiro e o apertar entre os dedos, tão forte que o rasgou, espalhando penas para todos os lados. A surpresa foi grande, pois não fazia ideia de que Gaz também receberia treinamento, mas ficou feliz por ter o amigo presente durante o dia, embora estivesse com pena dele na mesma medida.

— Que falta de sorte — Foi o que Brooke disse, com pesar. Escutou a Volturi grunhir e a ignorou, começando a caminhar pelo quarto. — Onde será que eu deixei meus chinelos...?

Ela se agachou em frente à cama e esticou o braço para procurar embaixo dela, mas antes que começasse a busca, foi agarrada e içada para cima como uma isca de peixe na vara.

— Não tenho tempo para suas enrolações, estúpida. Vamos logo antes que eu também te jogue pela sacada — Vociferou Jane, a puxando sem delicadeza alguma.

Brooke protestou, mas ainda assim foi arrastada para fora do quarto pela vampira, que a amaldiçoou enquanto avançavam pelo corredor e desciam as escadas. O trajeto que fizeram foi em direção à um dos muitos cômodos que a mansão tinha, que servia como uma academia particular, ou algo assim.

Ficava duas portas depois do escritório de Carlisle, por isso não demorou muito para as duas chegarem até lá. Assim que adentrou o lugar, Brooke se surpreendeu pela semelhança de uma academia e de um ginásio, com um arsenal de diversos tipos de espadas e armas de fogo penduradas nas paredes e com vários aparelhos de musculação e o amplo espaço.

Ela girou a cabeça e encontrou Gaz e Kian interagindo animadamente em um canto da sala; o feiticeiro fazia a esteira e a estação de musculação levitarem enquanto o Julions batia palmas, encantado. Brooke quase riu da cena, mas assim que desviou os olhos e cruzou com os de Alec, parado no centro da academia, com uma aura negra ao seu redor, ela engoliu a risada.

— Por que demoraram tanto? — questionou o Volturi, de braços cruzados, vestido de forma diferente do habitual.

O sobretudo pesado e negro havia sido substituído por calça esportiva de treino escura e regata branca, que deixava exposto os seus bíceps e marcava perfeitamente o peitoral sarado que Alec escondia embaixo de todo o uniforme da realeza dos vampiros.

A Evern teve dificuldade para formular as palavras enquanto o analisava.

— Culpa da Bela Adormecida — O resmungo de Jane soou, e ela apontou para a morena. Em seguida, bufou e despiu o manto negro, o deixando no chão e se moveu: — Vamos acabar logo com isso. Estúpido, pare de brincar e venha começar a treinar!

Brooke sabia que deveria se virar e ir cumprimentar o amigo e oferecer suporte antes que a vampira o despedaçasse no treino. Porém, a Evern não conseguiu quebrar o contato visual com Alec, que percorria seu corpo com o olhar, parando em seus longos cabelos soltos.

— Vai ter que prender o cabelo antes de começar — Ele foi o primeiro a dizer algo, ainda de braços cruzados, o tom duro.

Brooke piscou, saindo do transe. Suas mãos automaticamente começaram a colocar os fios atrás das orelhas, mas ela se deteve ao tocar a cicatriz na bochecha.

— Prefiro o meu cabelo assim — murmurou, fugindo do olhar cético dele.

Para seu azar, o Volturi não aceitou a desculpa. E antes que percebesse, ele já estava em sua frente, invadindo seu espaço pessoal.

— Não é questão de preferência, Evern. Se você for treinar com o cabelo solto, ele ficará caindo em seus olhos e a atrapalhará, o que em uma luta pode significar o seu fim — replicou Alec, agindo inesperadamente ao tocar as madeixas e segura-las com uma das mãos. Com a outra, ele ergueu o rosto da morena. — Prenda-o. Ou eu farei isso, e acredite, não sou um bom cabelereiro.

Brooke abriu a boca, mas voltou a fecha-la e cerrou os olhos, odiando o modo desafiador como o Volturi a fitava. Ela rolou os olhos e, ciente que os outros encaravam eles dois, cuspiu em concordância, fazendo ele soltar as mechas.

Resignada, arrumou o cabelo entre os dedos e o torceu para o topo da cabeça, fazendo rapidamente um coque apertado. Ainda colocou alguns fios soltos atrás das orelhas antes de voltar a encarar o vampiro louro-acastanhado, se sentindo insegura e exposta pelo rosto completamente em evidência. Para sua surpresa, os cantos da boca de Alec se elevaram.

— Seu rosto é bonito demais para uma cicatriz mudar isso.

Brooke sentiu todo o sangue se concentrar nas bochechas, e observou paralisada enquanto o Volturi desmanchava lentamente o sorriso e voltava para a postura anterior, se afastando sério demais para quem tinha a elogiado — ainda que de maneira torta e muito suspeita.

E era esse comportamento inconstante que a deixava confusa e prestes a subir pelas paredes; porque nunca sabia o que deveria esperar de Alec quando se encontravam. Se ele seria o cara que desprezava humanos e que gostava de brigar com ela e provoca-la por esporte, ou se ele seria o cara que cuidava dela, que sabia seu sabor de bolo favorito e que tinha a mania de beija-la nos momentos mais aleatórios possíveis.

Alec era como uma granada lançada em terreno prestes a explodir: inesperado e fatal. E ainda que soubesse disso, a ideia de ser o terreno dele parecia atrativa demais para Brooke deixá-la de lado. Querendo ou não.

— Alecssandro é um enigma tão grande que às vezes até ele mesmo não consegue se entender — A voz macia sussurrou em seu ouvido, a fazendo pular de susto. Ao levantar o olhar, encontrou Kian com um sorriso divertido. — Mas você parece gostar de um bom desafio, Caro.

Constrangida por ser pega em flagrante, a Evern cruzou os braços e bufou, tentando disfarçar o rubor em sua face.

— Você parece um fantasma, Kian. Andando por aí assustando as pessoas e sussurrando coisas sem sentido. — resmungou ela, o olhando feio. — Aliás, por que você está aqui?

— Ajudarei no seu treinamento — O sorriso dele aumentou.

— Você? — Indagou Brooke, cética.

Ela analisou o feiticeiro, erguendo as sobrancelhas no processo. Assim como Alec, Kian vestia roupas incomuns: calça moletom cinza e regata preta com suspensório, deixando à mostra todas as marcas pintadas em seu corpo. Estava sem o chapéu Fedora, mas usava uma bandana vermelha que segurava os cachos negros e o deixava extremamente estiloso, sem dúvida.

— Sim, eu — respondeu o Archetti, erguendo as próprias sobrancelhas. — Acredite se quiser, mas ajudar o próximo faz parte da minha personalidade legal.

A morena não conseguiu evitar a risada sarcástica, que fez o feiticeiro a olhar com falsa mágoa. Porém, a risada dele se misturou com a dela logo em seguida.

— Ei, vocês aí — Chamou Alec, fazendo os dois se calarem e prestarem atenção nele. O mal humor cobria seus traços. — Ficarão o dia todo aí jogando conversa fora ou vão começar a treinar? Não tenho tempo para desperdiçar.

Brooke e Kian trocaram um rápido olhar. Ela, irritada com a grosseria. Ele, divertido com a situação.

— Já estamos indo, Alecssandro. Primeiro as damas, caro.

Rolando os olhos, a Evern passou pelo Archetti e seguiu até o Volturi no centro da ampla sala. O chão era frio contra seus pés descalços, mas ela não se importou com a sensação; era até boa, na verdade. A possibilitava atribuir os arrepios por conta da frieza do piso, e não dos olhares do vampiro louro-acastanhado.

Brooke balançou a cabeça, espantando tais pensamentos. Antes de alcançar Alec, se permitiu olhar para o fundo da sala, para checar como Gaz estava se saindo. Na rápida análise que fez, chegou a conclusão que o amigo não estava indo muito bem.

Aparentemente, Jane tinha explicado a parte teórica sobre o controle dos dons relacionados à mente, e agora queria que o Julions realizasse a tarefa de parar a faca de cozinha que ela girava, na prática. Usando o poder de parar o tempo, mas concentrado apenas na faca, como ele fizera com a própria Descendente no corpo de Brooke.

Gaz estava encontrando dificuldades, visivelmente. A cada tentativa, ou não conseguia liberar o raio de luz branca, ou conseguia, mas acabava acertando as paredes ou o teto, mas nada da faca em movimento na mão da vampira. Para cada erro, Jane o torturava e o dizia ofensas.

— É melhor não se meter — Avisou Alec, percebendo a expressão indignada da morena.

Brooke parou de frente à ele e o fitou, descendo as mãos para a cintura. Brava demais para lembrar de cinco minutos atrás.

— Sua irmã é psicopata. Que tipo de pessoa ensina alguém desse jeito?

— O tipo de Jane — Ele encolheu os ombros. — Ela pode usar métodos dolorosos, mas acredite, no final o seu amiguinho estará pronto até mesmo para parar o tempo de algumas vidas. Ou morto, se ele for um péssimo aluno. Você deveria tomar isto como exemplo, Evern. Minha irmã pode ser ruim, mas eu sou pior.

Brooke engoliu em seco, consciente da verdade nas palavras dele. Instantaneamente, se sentiu idiota por ter se deixado levar pelos olhares e palavras gentis e ter esquecido com quem estava lidando desde o começo: Alec Volturi, o diabo de seu inferno pessoal.

Não importava se ele a beijava ou o modo como a travava, a natureza dele era a de um predador. Um vampiro cruel. Não deveria esquecer disto enquanto os caminhos dos dois estivessem cruzados.
Ela desviou o olhar antes que ele percebesse a mágoa por trás deles, e nunca se sentiu tão grata pela aproximação de Kian.

— Que clima pesado. Vocês deveriam controlar a tensão sexual entre vocês.

Brooke arregalou os olhos, se sentindo estúpida por corar mais uma vez. E Alec grunhiu, fuzilando o feiticeiro com os olhos. Em seguida, virou as costas e foi até o arsenal, escolhendo duas espadas com lâminas curvas e cabos longos. Assim que voltou para o centro da sala, a máscara inexpressiva estava vestida.

— Você sabe o que são? — perguntou Alec, se dirigindo à Evern.

— Espadas.

— Sim, mas não espadas comuns — retrucou ele. — São katanas, um tipo de espada japonesa. Como uma humana sem força nem velocidade párea para um vampiro, sua única defesa é utilizar uma arma. Como já vimos, a espada é o ideal para você, ou pelo menos deveria ser, já que você é boa com lâminas e tem uma boa pontaria. Mas observei que você não sabe manejar uma, por isso estamos aqui — O Volturi esperou pela concordância dela, que veio instantaneamente. — Contudo, antes disso precisamos revisar alguns conceitos.

— Quais?

— Os conceitos da parte teórica. Você leu o livro, não leu?

Brooke respirou fundo, perante as sobrancelhas arqueadas de Alec, um claro sinal de deboche. Ela também tentou não prestar muita atenção na expressão fechada que ele fazia quando assumia o papel de general/ professor. Era ridiculamente atraente.

— Eu li — cuspiu, assentindo de má vontade.

Kian segurou a risada, ao lado.

— Ótimo — disse Alec, exibindo os dentes em um mínimo sorriso diabólico. — Quais os cinco aspectos que devem ser determinados antes de empreender qualquer ação? Me responda. Agora.

— O quê... — Brooke mordeu os lábios, semicerrando os olhos ao perceber a pretensão daquilo. Ela estava prestes a xingar o vampiro, mas sabia que ele estava esperando por isso. Então, resolveu fazer o oposto das expectativas dele, afinal, fora ela quem passara a noite em claro, lendo o livro estúpido sobre guerra. Foi capturando o olhar do Volturi, que ela respondeu, lembrando dos cinco aspectos com toda a força de seu ódio: — O caminho, o clima, o terreno, a liderança militar e a disciplina. Porque um líder planeja no início, antes de começar agir e avalia os problemas e os previne, porque esta é sua obrigação. *

Alec desfez o sorriso, fazendo nascer o da Evern. Do fundo da sala, Gaz gritou em comemoração, sendo derrubado por Jane logo em seguida.

— Você lembra. Óti...

— Eu ainda não acabei, Volturi — Interrompeu-o Brooke, o brilho de determinação nos olhos. — Você me fez ler o livro em apenas uma noite e agora está me fazendo perguntas inúteis sobre ele, que provavelmente não me salvariam em uma luta contra seres sobrenaturais. Mas já que estamos aqui e já que eu li todo o livro, me deixe lhe dizer mais sobre ele — Ela deu um passo em frente, erguendo o queixo para fita-lo no fundo dos olhos, antes de despejar as citações: — Diante de uma larga frente de batalha, procure o ponto mais fraco e, ali, ataque com a sua maior força. Se o inimigo deixa uma porta aberta, precipite-se por ela. Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você... *

Alec levantou uma das katanas e a encostou no pescoço da morena, a silenciando.

— Não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas — Ele terminou a frase, parecendo tão sombrio e imponente quanto a pior das criaturas. — Você acha que conhece a si mesma, Evern? O suficiente para ganhar algo? Diga-me.

Brooke engoliu em seco, sentindo a frieza da lâmina em sua pele. Suas mãos começaram a suar frio, e sua voz ficou distante demais para ser encontrada. Alec deslizou a katana um pouco mais para baixo, a encostando no peito esquerdo da garota, onde o coração pulsava rápido.

— Estou esperando que me responda, Evern. Se eu fosse seu inimigo, e estivéssemos nos enfrentando para valer, com um único golpe eu já teria a matado — O silêncio dela o fez ficar impaciente, o fazendo abaixar a espada e olha-la friamente. — Você está certa; fazer perguntas inúteis não a salvarão de criaturas como eu. Porque você não pode lutar contra nós, apenas fugir, e será esperta se fizer isso. Então, corra. Sua tarefa é correr por esta sala até não aguentar mais, até atingir seu limite. Faça isso e se prepare fisicamente, pois a fuga é sua única escapatória e vampiros são rápidos. Continuaremos quando você estiver pronta, até lá, treine com Kian e descubra como controlar a transformação da Descendente. Tente não se machucar no processo.

Sem dizer mais nenhuma palavra, Alec a lançou um último olhar gélido e penetrante, e passou por ela com passos lentos e elegantes. Confusa e chocada, Brooke se virou e o observou entregar as katanas à Kian, que agora estava calado e prestava atenção na cena — assim como Jane e Gaz, que tinham até parado com o treino.

Ela chegou a abrir a boca, mas a fechou no momento em que entendeu a mudança brusca de comportamento do Volturi. Tudo o que ele disse e fez foi para provar um ponto: aquele que Brooke já tinha consciência.

Minha irmã pode ser ruim, mas eu sou pior, dissera ele. E sim, ele era. Alec Volturi era mil vezes pior que qualquer outro vampiro que pudesse conhecer, afinal, ele era o único demônio disfarçado de anjo que a fazia viver em conflito. Era o único que a deixava louca quando dizia uma coisa e fazia outra.

Aquilo tudo havia se tornado um ciclo vicioso de contradições. Um perigoso jogo de gato e rato que sempre acabava em empate. E enquanto o observava se afastar e desaparecer pela porta, a Evern se deu conta que estava cansada do impasse. Estava cansada de ficar no escuro quando se tratava da relação dos dois, tateando às cegas os sentimentos presentes de ambos.

Ela queria solução. E acima de tudo, queria não desejar desesperadamente por uma.

Notas finais
* Sun Tzu foi um general, estrategista e filósofo chinês. Sun Tzu é mais conhecido por sua obra "A Arte da Guerra", composta por 13 capítulos de estratégias militares. Os trechos citados por Brooke foram retirados de sua obra, através da internet. —__________________________ Olá, amores. Como vocês estão? As notas e considerações finais de hoje começam com um pedido de desculpa pelo atraso do capítulo (já virou costume) e uma notícia que eu ainda não decidi se é boa ou ruim. Estou mudando de estado. Confesso que eu não esperava por isso, mas a vida é assim: inesperada. Com isso, será extremamente difícil postar os capítulos, pois minha vida mudará drasticamente e até eu me estabilizar na nova casa, levará um tempo. Isto não quer dizer que abandonarei a fanfiction, NUNCA! Mas significa que eu precisarei da compreensão e da torcida de vocês. Agora, sobre o capítulo: espero que todos que estão acompanhando estejam gostando e percebendo a mudança sutil nos personagens. Os capítulos de Eyes On Fire são longos, pois há muita história para contar e nem sempre eu consigo encaixar tudo da forma como eu gostaria, então sempre estou acrescentando ou modificando algo de última hora. No mais, a fanfiction segue um ritmo crescente em vários aspectos. Especialmente no próximo capítulo, onde as coisas chegam ao clímax. Apenas lembrem-se que todo personagem tem um passado a ser contado. E que nem tudo é o que parece ser. É isto. Até o próximo capítulo (que eu não faço a mínima ideia de quando sairá)... Bjs! ♡