Eyes On Fire
1 Prólogo
Notas iniciais
- É apenas um juramente... Se não fizer isso vai ser pior para você – Resmungou sem paciência dobrando uma perna junto ao corpo, observando também suas unhas e de relance podia ver o sorriso vitorioso nos lábios.
Nenhuma palavra saia de minha boca, eu não conseguia ao menos parar de chorar. Aquilo era tortura, como alguém poderia ser tão inumano? Eu não sabia, duvidaria muito se ele também respondesse essa pergunta. As lágrimas fruíam como rios para minhas bochechas, misturavam-se com a fina geada que a mãe natureza insistia em soltar.
- Por que eu? – Não ousei levantar o olhar, não conseguia encara-lo... Nem mesmo sabia quem era aquele homem.
Ele bufou e revirou as duas safiras, que chamo de olhos, passou a mão pelos cabelos negros e pude sentir seu olhar em mim. Queimando em mim. – Por que quer saber? Será você e ponto final – Disse calmo e dando em seguida de ombros.
- Responda minha pergunta! – Rosnei, mas pareceu que ele simplesmente não se importava.
- Como pode ser tão parecida com ela? – Murmurou em desgosto, em seguida suspirou – Elisa tinha essa personalidade – Rosnou de volta e assim eu o observei. Ele não parecia com raiva, parecia magoado. Elisa? Elisa? Minha mãe Elisa? Como ele ousava colocar seu nome na conversa? Ela estava morta e a sete palmos do chão, eu sentia sua falta. Eu a amava.
- Conhecia minha mãe? – Perguntei com raiva de mim mesma, como isso poderia ter acontecido? Ele fez algo a ela? – Você a machucou? – Mais lagrimas saíram de meus olhos, como alguém poderia ter feito algo de ruim a ela...
- Machucou? – Bufou observando um ponto qualquer – Savannah sua mãe me derrubou... – O homem fechou os olhos com tamanha força que por um momento eu acreditei que iriam sair lagrimas, em seguida ele os abriu e olhou para mim com fúria. E agora o que eu fiz? Espera... Ele sabia meu nome, mas eu não disse meu nome.
- Sabe meu nome, o de minha mãe, provavelmente o de meu pai... E você, quem é? – Perguntei agora também olhando em seus olhos, eram azuis como o céu nebuloso em nossas cabeças, eram safiras escurecidas. Eram lindos.
Ele riu sem nenhum humor – Eu sei tudo sobre vocês – Cuspiu e andou de um lado para outro – O babaca de seu pai não lhe contou nada, não foi? – Perguntou com a voz raivosa e passando a mão pelos fios negros em sua cabeça – Faça o juramento – Disse compassadamente e agora voltou com os olhos fechado, ele estava sem paciência.
Meus joelhos estavam naquela posição há muito tempo, podia sentir a areia batendo na carne viva da minha pele, estava cortada e com muito sangue. Para completar com um doido me atazanando para fazer um juramento o qual nem sei do que se trata. Não vi escolhas, se isso for a única maneira de sair viva. Eu vou arriscar. Não conseguia sair daquela posição, mais parecia que estava enfeitiçada.
- Tudo bem... – Sussurrei tão baixo e fraco, que talvez não tenha escutado. Errado, ele escutou muito bem e abriu um sorriso de canto vitorioso.
Faça-o. Escutei sua voz em minha cabeça, olhei para o homem abismada, como era possível? Ele estava realmente invadindo minha mente? Oh não...
Ainda em voz baixa pronunciei as palavras antes ditas, o sorriso do homem se estendeu mais uma vez. Pronto, eu havia feito.
- Vá para casa e diga exatamente o que aconteceu por aqui para seu pai! – Falou já indo embora, pegou um cigarro do bolso da calça escura, igualmente a camisa e o ficou girando-o entre os dedos da mão.
- Espere! – Gritei, mas pareceu que ele não havia escutado – Qual seu nome, pelo menos? – Chorei entre as palavras, não pareciam cessar as lágrimas que caiam. Como era horrível.
Ele nem mesmo se virou para observar-me, apenas dobrou um pouco a cabeça e falou em bom som – Keller. – Saiu sem nenhuma outra palavra, juntou-se as sombras do cemitério e assim evaporou junto com elas.
Keller, nunca havia conhecido alguém com esse nome, se é que é um nome, com toda certeza seja sobrenome. Quem era ele? O que foi esse juramento? O que mais ele sabia sobre mim, ou sobre minha família. Minha mãe?
O vento me tirou a concentração, tão frio e sem vida. Podia também sentir minhas pernas, podia tira-las daquela posição. Queria ir para casa e dormir na quente e acolhedora cama. Ver meu pai e contar-lhe absolutamente o que aconteceu. Porém não agora, não tinha sequer forças para se levantar ou até mesmo abrir os olhos. Deitei na arei gelada do cemitério, encolhi-me feito uma bola e chorei por algum tempo, até que apaguei.
O frio ainda batia em meu rosto, mas agora por algum motivo diferente me sentia segura. Eu estava literalmente sendo segura por alguém. E as duas safiras novamente voltaram a minha vista. Depois disso nada mais consigo lembrar.
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