Notas iniciais
Oiiiie! Mals a demora T^T Enfim, aproveitem o cap! Boa leitura ♥

Atualmente.
Saí da cafeteria um tanto lezo, com passos lentos e descordenados.
Tudo isso porque havia acabado de me encontrar cara a cara com a...Será que chamar Nancy de "Morte" era exagero?

Eu estava todo nervoso e afobado com o que havia acabado de acontecer.

—Sou um idiota ou o que?-arregalei os olhos.

Mesmo com o demônio em pessoa sentado na minha frente eu continuava cínico como sempre! E o demônio continuava uma entrona (Chama audácia o que ela fez! Bebeu meu café! Nojenta.)

Me sentei em um banco em frente a cafeteria, inclinei a cabeça para trás e suspirei ao ter algumas das cenas anteriores voltando a minha mente.

"-Que demora...-murmurei enquanto checava a hora em meu celular. O café que eu pedi já havia esfriado.-Eu sabia que aquela...Aquela...-a xinguei mentalmente.

—Aquela o que?

Virei a cabeça para trás e dei um sorrisinho cínico ao vê-la.

—Como é bom te rever...Nancy.-deixei claro que estava sendo irônico."

Porém...Sem poder evitar, meus lábios curvaram-se em um sorriso vitorioso.

—Consegui.-sussurrei aliviado.

Será que tudo o que eu estava fazendo valia a pena?

Bem, eu não sabia de mais nada. Me levantei e estava prestes a ir embora, mas parei quando meu olhar se fixou em uma moto estacionando na frente da cafeteria.
Conhecia aquela moto e a silhueta de quem a dirigia.

—Ora, ora...Veja só se não é o amiguinho do aguado?-Diego retirou o capacete e deu um sorriso cafajeste.

Revirei os olhos.
E...Subitamente um sentimento semelhante a nojo me invadiu quando lembrei-me que Diego havia armado para ficar com Marcela.
Como ele conseguia ser tão mau?

—Então...Você andou mexendo com meu irmão?-Diego perguntou de maneira intimidadora.

Estreitei os olhos e cruzei os braços.
Confesso que na primeira vez que o vi posso ter sentido certo medo, entretanto agora não tinha o que temer.
Ele era só um babaca. Se fosse pra ter medo de gente babaca, eu nem de casa saía.

—E o que te interessa?-estalei a língua.

—O que interessa é que ele é meu irmão mais novo e eu não quero tarados nojentos dando em cima dele.-Diego saiu da moto e ficou frente a frente comigo.

—Você é um hipócrita.-dei um sorriso inocente.-Porque fora daqui o tarado nojento é você.-cuspi as palavras.

—Escuta aqui, fica longe do Arthur.-Diego cerrou os dentes.

—E se eu não quiser?-franzi a testa.-E se ele não quiser?

—Acha mesmo que o Arthur quer sua compainha, pirralho de merda?-Diego riu irônico.

—E acha mesmo que ele quer a sua? Se liga, você nem o conhece direito.-alterei o tom de voz.

—Ele é meu irmão, claro que o conheço. Bem mais que você que é só mais um metido daquele colégio.-Diego estava visivelmente com raiva.

Por que falar do Arthur o deixava assim?

—Você ainda acha que tem toda essa moral de irmão mais velho? Não se esqueça que...Diego Marques pegou Marcela Sidney e armou para que ela fosse a única culpada da história.-falei com cinismo.-Belo irmão...Você sabia que Arthur era loucamente apaixonado por ela...-bati palmas sarcásticas.

Por fora eu parecia estável e convencido, entretanto por dentro meu coração batia descompassado e eu estava arrepiado.

Em um súbito momento, minhas costas bateram no muro que separava a cafeteria de um terreno em construção.
Fechei meus olhos com o impacto, porém os abri automaticamente de maneira assustada.
Diego estava me pressionando contra o muro de maneira agressiva, sua expressão estava assustadora.
Parecia que a qualquer momento ele começaria a espumar pela boca.
Meu peito subia e descia por conta da respiração irregular.

—Se contar isso ao Arthur, você tá fodido.-Diego ameaçou.

—Eu não quero machucá-lo com essa história, é claro que não vou contar.-me esforcei para não esboçar nenhuma expressão de dor. Diego apertava meus braços rentes ao muro com uma força absurda.

—E acha mesmo que acredito em você?-Diego disse com desdém.

—Me solta.-pedi tentando parecer calmo.

—Nem pensar.-Diego apertou meus braços.

—Me solta agora.-dessa vez mandei, meu sangue estava fervendo.

—Não até eu ter certeza que você não vai contar meu segredinho pra mais ninguém...-Diego levou uma mão até minha cabeça, enfiou os dedos em meus cabelos e os puxou com força para trás.

Aquilo estava doendo demais, mas eu sequer sabia o que fazer para sair dali.
Então eu joguei tudo pro ar.
Diego havia soltado um de meus braços, então aproveitei, repentinamente fechei meu punho e desferi um soco em seu nariz.

Diego rosnou e cambaleou para trás, eu fiquei impactado prestes a sair correndo...
Mas o sininho da porta da cafeteria foi ouvido, imediatamente vi um ruivo correndo em nossa direção.

—O que aconteceu?!-Arthur perguntou assustado.

Havia esquecido que ele estava na cafeteria, afinal, fazia parte do plano.

—Nada com que tenha que se preocupar.-Diego mentiu, o maxilar estava tenso.

—É...Nada.-menti também.

Eu e Diego nos entreolhamos com ódio.

—Vocês estavam brigando?!-Arthur ergueu o tom de voz.

—Não. Vamos pra casa.-Diego o puxou pelo braço de uma maneira um tanto brusca.-Por que demorou tanto pra sair?!

—Tá me machucando.-ouvi Arthur murmurar enquanto tentava se livrar de Diego.

—Arthur...-o chamei hesitante, o ruivinho me olhou, ele parecia até mesmo esperançoso.-Ah...Até segunda no colégio.-acenei constrangido.

—Oh...Até...-Arthur disse sem esboçar nenhuma expressão sob o olhar ameaçador de Diego.

Diego sem nenhuma dúvida me odiava.
Isso não era um problema já que...Eu também o odiava.

☆☆☆

Segunda-feira não demorou para chegar, lá estávamos novamente enfurnados em uma sala de aula ouvindo a explicação mais chata do universo.

Arthur estava sentado na frente como de costume, prestando atenção em cada palavrinha que a professora dizia.
E eu estava sentado na MINHA carteira do fundão, aproveitando para retocar meu nome com errorex.

—N.A.T.H.A.N.I.E.L.-soletrei enquanto fazia as letrinhas.

Suspirei ao lembrar-me que da última vez que alguém sentou no meu lugar eu conheci um ruivinho de lindos olhos verdes.

De repente, a porta da sala foi aberta em um estrondo, fazendo todos nós pularmos de susto.
E para minha surpresa...Eram Leo e Gray que haviam feito tal entrada triunfal.

—VOCÊ! — Leo apontou pra mim e eu o olhei incrédulo. -O diretor quer bater um papo com você. -ele cruzou os braços me olhando feio.

—O que eu fiz?- perguntei confuso.

— Professora? Nos permite? — Gray perguntou e a vaca da professora assentiu com a cabeça.

Essa era uma das professoras que me odiava, não sabia o por quê.

Gray e Leo andaram até mim, então cada um segurou em um de meus braços e me levantaram.
Fui levado para fora da sala até o terraço em completo silêncio.

Até que eles me soltaram.

— Qual foi?! — perguntei cruzando os braços.

— Sabe, eu pensei que a Nancy ia deixar essa missão com uma das meninas, mas adivinha? — Gray falou mal-humorado.

—Ela não quer nenhuma das meninas trabalhando com você e como nós somos seus "amiguinhos" ela falou que íamos cuidar do caso "O Idiota e o Ruivo difícil".- Leo suspirou e massageou suas têmporas.

— Ah, então o diretor não quer falar comigo? -perguntei inocentemente.

— Isso era só uma desculpa pra te tirar de lá.-Gray deu de ombros.

—Por que vocês parecem tão desanimados?- eu não estava entendendo nada.

— Porque tipo, juntar você e o Arthur...Vai ser bem difícil. Eu queria mesmo era cuidar do caso "O nerd e o burro "-Leo suspirou.

—E eu do "Apaixonado pelo meu primo".-Gray também suspirou.

Okay, esse povo era doido.
Fechei a cara e bufei.

—Idiotas. -revirei os olhos.-Belos amigos vocês.-mostrei a língua.

—A gente ainda te ama...-Gray sorriu docemente.-É só que tu é um caso perdido que ninguém quer.

—Nossa, odeio você.-virei a cara.-Eu estou feliz por ser vocês a me ajudarem, significa que não terei que interagir com o demônio chamado Nancy.

Eu estava feliz...Mas um tanto apreensivo.
Vai saber o que se passava naquelas cabeças ocas?!
Que encrenca.

☆☆☆

Na hora do almoço, eu e os garotos sentamos em uma mesa só nós três para que não ocorresse o risco de alguém ouvir nossa conversa.

—Uma coisa que você precisa saber do Tutu é que ele gosta de pessoas reservadas, coisa que você não é.-Leo riu e eu dei um pescotapa nele. -Ai!-reclamou.

—Dá pra levar a sério? -murmurei ofendido.

— Bem, ele pode parece todo difícil, mas ele gosta que insistam nele!- Leo sugou seu suco pelo canudinho. -Foi assim que eu ganhei a amizade dele.-deu de ombros.

— Como foi isso?- perguntei interessado.

— Outra hora te conto. -Leo sorriu pra mim. -Mas o caso agora é outro, você não quer a amizade dele, quer o corpinho lindo e sensual del... Ahhh! Eu tô brincando! -Leo se protegeu com uma bandeja quando eu e Gray ameçamos atacá-lo. -Como se não quisesse mesmo, né hipócrita?-ele falou olhando para mim de maneira sarcástica.

Dei de ombros e coloquei catchup em minha coxinha.

— Isso não vem ao caso. -falei segurando o riso.

—Tá, tá! Hum... — ele colocou a mão no queixo. -Ah! Ele gosta de intensidade!

—Como assim intensidade?-tenho certeza que eu estava com uma cara tipo "WTF?!".

— Como eu vou te explicar...? -Leo olhou para frente parecendo pensar.

Seu rosto se iluminou e ele sorriu, se inclinou para frente e puxou Gray pra sentar-se ao seu lado.

—Veja bem, Nath! -ele disse, assenti chegando mais perto para ver.

Leo segurou na nuca de Gray, o loiro arregalou os olhos e ruborizou. Leo olhou penetrantemente nos olhos do namorado...Era um olhar tão apaixonado (achei bem fofinho pra falar a verdade).

—Gray... — Leo falou quase num sussurro. -Eu sei que você já sabe... -ele encostou a testa na de Gray e fechou os olhos lentamente. -Mas eu te amo... Seria capaz de morrer por você...

Isso sim foi intenso!
Fiquei pasmo!
Tipo... O Arthur gostava disso?
Então não iria ter problema...Bem, eu acho, né! Ha ha.

—Viu só? -Leo largou de Gray que o fitou pasmo. -Isso sim foi intensidade.-sorriu orgulhoso.

— Acho que consigo!- sorri animado.

— Bem, pode perguntar quais coisas você quer saber sobre o Tutu. -Leo sugou seu suco novamente e passou o braço pelos ombros de Gray que permanecia vermelhinho.

De repente me deu um branco e simplesmente soltei:

—Qual a cor favorita dele?

Ele me olhou com uma cara do tipo: "Jura?"

—Carmim.-Leo respondeu revirando os olhos.

— Que droga é carm... Ah! Vermelho!- concluí depois de 2 segundos.

— Se você falar que é vermelho perto dele você vai ouvir um discurso de 3 horas.-Leo arregalou os olhos, aparentemente havia se lembrado de algo.

— Aff! — suspirei. -Comida favorita?

—Sushi.

— Hã? É o que?!- perguntei incrédulo.
Não me dava com sushi.

— É sério! — Leo deu de ombros.

— Doce ou salgado?- perguntei meio incerto.

— Ambos. Tipo "Pra que escolher só um se eu posso comprar os dois?"-Leo fez uma imitação da voz de Arthur, coisa que me arrancou uma boa gargalhada.

— Série ou filme favorito? — bebi meu refri.

—Nenhum. Ele gosta de ler. Biblioteca é o lugar favorito dele.-Leo respondeu.

—Fala sério...-fiz bico.-Tantas séries lindas na Netflix...-inflei as bochechas, fazendo Leo e Gray rirem.

☆☆☆

Após o almoço, eu e Leo decidimos acompanhar Gray até seu armário para que ele pudesse pegar alguns livros que iria emprestar para um colega.

— CANTADAS! -falei um pouco alto demais, coisa que atraiu alguns olhares alheios.-Ele gosta?-sussurrei.

—Ah... Não! -Leo riu.

—E como você sabe? -me encostei em meu armário.

—Quer ver? Então olha só. -Leo sorriu convencido.

Arthur estava vindo pelo corredor, então Leo parou em sua frente.

—Ei Arthur, posso te chamar só de Thur? Porque você me tirou o Ar!-Leo deu um sorriso charmoso.

Arthur colocou a mão na frente da boca para abafar sua risada e saiu andando normalmente.

—Viu?-Leo colocou as mãos na cintura.

—Essa foi tão ruim que não vou nem me dar o trabalho de sentir ciúmes...-Gray murmurou e deu um sorrisinho de desaprovação.

☆☆☆

Novamente voltamos para a sala de aula, era aula da Keyla...Que maravilha (sarcasmo). Pelo menos era lição em dupla, então pude sentar com meu best.

—Acha que vai dar certo?-perguntei receoso.

—O que?-Gray estava mexendo no celular.

—Tudo isso. Você e Leo me ajudando...Eu com Arthur...-sussurrei.

—Olha...-Gray desligou seu aparelho e se espreguiçou.-Somos bons no que fazemos...Mas não depende só de nós dois ou só de você. Depende do Arthur também. Pois...Não podemos obrigar ninguém a gostar de ninguém.

Refleti um pouco sobre isso.
Será que eu estava forçando Arthur a ter sentimentos por mim de alguma forma?

—Mas...Você é um bom partido.-Gray tentou me animar.-Não fica chateado. Arthur ainda vai perceber que debaixo dessa idiotice existe um cara muito legal.

—Valeu...Eu acho.-ri.

—Só não pisa na bola, falou?-Gray advertiu.

—Eh...-cerrei os dentes.-Vou me esforçar.-ri nervosamente.

Automaticamente olhei na direção de Arthur exatamente na hora em que ele virou a cabeça para trás.
Então nossos olhares se cruzaram...
Foi coincidência demais!
Nenhum de nós fez algum sinal ou movimento, ficamos apenas nos encarando por míseros segundos.
Meu coração falhou uma batida e eu senti um choque percorrer meu corpo.
Eu devia estar com aquela cara de besta...Que vergonha...

Respirei fundo e relaxei os ombros, não sendo capaz de evitar um sorriso involuntário.

—Acho que ele estava olhando pra mim.-comentei animado.

Gray olhou de mim para Arthur, deu de ombros e riu.

☆☆☆

Após o término das aulas, Aline me pediu fazer uma pesquisa junto de Arthur para as aulas de reforço.
Ela sugeriu a sala de informática, entretanto eu dei uma jogada de mestre: Iríamos a biblioteca!

—Fico feliz por ter escolhido a biblioteca.-Arthur comentou um pouco tímido enquanto pegava alguns livros.-É mais aconchegante aqui, além dos livros conterem informações mais que verídicas!

—Ah...É que sabe como é, né. Nenhum site se compara a um bom livro.-menti na cara dura.

Gente, eu odiava ler. Wikipédia tava ali pra que?

Arthur me olhou um tanto desconfiado, porém sorriu e assentiu.
Me derreti com aquele sorriso fofo!

Éramos só eu e ele naquela biblioteca gigante.
Enfim, peguei só um livro (ao contrário de Arthur que pegou vários), me sentei em um sofá em formato de "L" encostado na parede e comecei a ler com um baita tédio.
Eu e ruivo ficamos uma hora lendo e fazendo anotações em nossos cadernos. Também ficamos trocando idéias e conversando, o que foi ótimo para passar o tempo.

Mas, convenhamos...Amaldiçoada seja Aline. Que tarefa mais chata!
Ao menos assim talvez os alunos aprendessem de maneira mais eficiente.

O lugar estava silencioso e um tanto escuro, afinal, a noite já havia caído e só algumas luzes estavam acesas.
O cheiro de livro e poeira não me agradavam muito, além daquele sofá ter começado a me dar dor nas costas.
Suspirei com tédio ao fechar o livro e guardar meus materiais em minha mochila.

—Acho que merecemos uma pausa, né?-me espreguicei.

—É, tem razão.-Arthur aparentou sair de um transe, estava visivelmente cansado.-Daqui a pouco meu irmão vai vir me buscar.-olhou a hora em seu celular.

Engoli em seco quando ele falou do Diego.

—Você e ele se dão bem?-perguntei.

—Somos como quaisquer irmãos normais, ué. Brigamos, mas nos amamos.-Arthur revirou os olhos.

—Mas...Ele já fez algo que você não gostou?-perguntei.

—Que irmão não faz?-Arthur franziu a testa.

—Por que você está dando respostas genéricas?-arqueei uma sobrancelha.

—Não quero falar sobre isso.-Arthur começou a organizar suas coisas.

—Arthur...-minha boca ficou seca.-Vou te perguntar de novo...: Já namorou?

—Nathaniel.-Arthur bufou.-O que isso te interessa?!

—Eu só quero saber!-falei inocentemente.

—Eu já disse que não.-Arthur inflou as bochechas.

—E a Marcela?-citei um pouco sério.

—Aonde quer chegar?!-Arthur visivelmente ficou irritado.-E como sabe disso?!-arregalou os olhos.

—Por que mentiu?-eu estava "magoado".

—Isso não lhe diz respeito!-Arthur bateu os livros na mesinha de centro com força.-Me deixa em paz, que perguntas mais chatas...-murmurou se levantando.

—Ei!-me levantei.-Eu sou seu amigo! É errado querer te conhecer melhor?-franzi a testa.

—É errado ficar se metendo na minha vida!-Arthur cerrou os dentes.

—Por que não quer falar sobre isso?-tentei.-Pode confiar em mim...

Arthur respirou fundo, ele se assemelhava muito ao Diego quando estava irritado.

—Você é irritante.-Arthur disse em alto e bom som de maneira grosseira e fria.

Um silêncio se instalou ali durante um longo e doloroso minuto.
Engoli em seco e senti uma dor em meu peito.
Eu sabia que havia tocado em uma ferida de Arthur...E que ele me queria bem longe naquele momento.

O ruivo deu as costas e começou a guardar os livros nas estantes, sem sequer me direcionar o olhar ou pedir ajuda.
Recado recebido.
Peguei minha mochila e imediatamente saí dali.
Nenhum de nós trocou um olhar ou uma palavra de despedida.

Já fora do colégio, eu não sabia o que fazer ou para onde ir.
Eu não estava afim de voltar para casa.
Precisava esfriar a cabeça, então optei por dar uma volta.
Andando. Só eu e meus pensamentos.
Liguei para Kenzie para lhe avisar que estava bem e chegaria tarde.
Apesar de só ter almoçado, eu não estava com fome.
Me sentia vazio por inteiro, então que diferença fazia?
Comida preenche o vazio do estômago, mas o que preenche o vazio de um coração?

A dor no peito dificultava até mesmo minha respiração.
Por sorte era uma noite estrelada, sem sinal de chuva.
As ruas estavam movimentadas e a cidade completamente acesa.
Tudo tinha vida, tudo brilhava e tudo produzia barulho.
Eu me sentia morto em meio a tal cenário.
Houve um momento em que cansei de andar, além da minha mochila estar pesada.
Decidi ir até a cafeteria e como de costume me sentei em uma mesa perto da vitrine.
O lugar estava vazio. O silêncio dali era diferente do da biblioteca.

Pedi só um chá e por um milagre Dressa estava online. Fiquei trocando mensagens com ela durante um tempo.

Nath: Por que eu sempre piso na bola e faço tudo dar errado? Estava tudo bem...

Dressa: Errar é humano. Arthur também não colaborou...

Nath: Mas fui eu quem insistiu em um assunto delicado, sou um idiota.

Dressa: Nath, ninguém é perfeito. Vocês vão se reconciliar, não se preocupe.

Nath: E por que dói tanto?

Dressa: Porque você está apaixonado. Tudo que você faz e machuca o ruivo é horrível na sua visão, porque você quer que tudo ocorra perfeitamente. Hellou, você não é obrigado a ser ideal! Briguinhas vem e vão. Ele também deve estar mal, mas vocês estão sofrendo à toa.

Nath: Você acha?

Dressa: Acho. E sabe mais o que eu acho? Que você tá precisando de uma opinião feminina. Eu acho que você tá se machucando demais, parece que só existe tu nessa relação: Só tu se fere e só tu se agrada. Bebê, deixa de se arrastar por esse boy! Não acha que tá na hora dele sentir na pele o que é ser você?

Nath: Não entendi o que você tá querendo dizer...

Dressa: Para de ser trouxa, Nathzinho.

Dressa: Digitando...

Dressa: Droga, minha madrinha chegou! Tenho que sair...
Beijos de luz, boa sorte :) sz!

Nath: Tchau, valeu s2...

Acabei com meu chá em um gole, ainda pensativo quanto ao conselho de Dressa.
Eu estava confuso...Tão confuso! Merda.
Que droga de coração.
Eu me sentia tão culpado, ao mesmo tempo que tão vítima...

Voltei a perambular por aí, foi quando estava prestes a desistir e voltar pra casa que...
Me dei conta que estava em frente a casa de Leo.
Eu havia andado tanto assim?! Como não percebi?!

—Eu estou aqui mesmo...Por que não?-disse desanimado, para falar a verdade estava sem vontade nenhuma de entrar.

Provavelmente Gray estava ali também, ele e Leo eram meus melhores amigos, tinha certeza que reconfortariam.

Bati na porta esperando que abrissem, mesmo sabendo que já era tarde da noite (Sério, era 23:30).

Bati mais uma vez de maneira impaciente e ouvi uma voz gritar "Eu já to indo, merda!". Parecia a voz de Leo, mas tinha certeza que era a de Luciano.

— Quem ousa me acordar?!-Luciano abriu a porta me olhando com ódio, ele estava só de short e o cabelo estava todo bagunçado.-Moleque, é quase meia-noite! Que você quer, hein?!

—E-Eu vim falar com meus amigos! A-Agora!- falei tentando ser confiante, mas eu estava doido pra desabar.

— Olha...! — ele esfregou os olhos e abriu mais a porta. — Eles estão no quarto, acho que estão ocupados ou dormindo! Mas quer saber? Só vai!- ele apontou para dentro.

— S-Sério?- perguntei desacreditado, sempre me falaram que se acordasse o Nathan mais velho, ia ser morte na certa!

— Rápido! Entra logo antes que eu mude de idéia! — ele mandou impaciente, abri a boca para agradecer, entretanto parece que eu realmente havia irritado ele.-Some da minha frente!

Entrei rapidinho e subi as escadas correndo, eu apenas queria conversar com meus amigos.
Eu precisava desabafar!

Entrei no quarto de Leo sem rodeios, só abri a porta e pronto.
Ledo engano.
Fiquei estático.

O quarto estava escuro, os garotos estavam sendo iluminados somente pela luz do abajur da cabeceira.
Gray estava em cima de Leo o beijando, estavam naquele love/hot!

Pensei em fechar a porta e fingir que nunca estive ali...
Não! Não! Eu queria desabafar e era isso que iria fazer!
Andei em direção a cama com passos pesados.

—Para! Para! Para! -puxei o travesseiro que estava em baixo da cabeça de Leo e comecei a bater com ele na cara dos dois.-Não é hora pra isso!-gritei histericamente.

— Nath!?- Leo caiu da cama e eu reparei na boxe preta que ele usava. -Que cê tá fazendo aqui?!-ele parecia perdido, estava visivelmente incrédulo.

— Seu impata foda! — Gray resmungou se sentando na beira da cama, ele pelo menos estava com sua calça ainda.

Em silêncio, comecei a deixar as emoções tomarem conta de mim e as palavras do Arthur vieram à tona.

— Eii... — Leo se aproximou de mim preocupado e me guiou para que eu me sentasse ao lado de Gray.-Que foi?-acendeu a luz, assim iluminando todo quarto.

— O que aconteceu?- Gray delicadamente penteou os fios de minha franja para trás já que eles cobriam meus olhos vermelhos.

Meus olhos estavam ardendo e minha garganta estava tão fechada que eu me sentia sufocado.
Deixei que as lágrimas caíssem silenciosamente.
Leo e Gray me abraçaram sem questionamentos.
Eu me senti tão seguro...

—Tá tudo bem...-Leo sussurrou.

—Seja lá o que tenha acontecido, estamos juntos.-Gray disse de maneira calma.-Somos amigos para todas as horas, não?

—Valeu...-funguei, estava constrangido por estar chorando.

—Quer desabafar?-Leo enxugou minhas lágrimas com seu polegar delicadamente.

Mordi o lábio inferior e assenti hesitante.

—Estamos ouvindo.-Gray deu um sorriso sincero.

Respirei fundo e no minuto seguinte comecei a colocar tudo para fora.
Primeiramente, contei o que havia acontecido na biblioteca, coisa que arrancou alguns suspiros de decepção e olhos revirados pela parte dos garotos, sabia que eles estavam pensando: "O Nathaniel é idiota ou o que?!".
Apesar disso, eles continuaram ouvindo atenciosamente e não me interromperam.

—Eu não sei se estou exagerando, mas eu estou sentindo uma grande angústia! Me sinto tão culpado...E me sinto magoado!-falei olhando para cima na tentativa de segurar o choro.-Eu gosto demais do Arthur, é por isso que machuca tanto?-coloquei a mão cerrada no peito.

Sentimentos são uma droga.
Eles machucam. Ou melhor...A pessoa que os causa é quem lhe machuca.
Afundei o rosto entre as mãos e caí no choro.
Eu chorava feito uma criança.

Os garotos ficaram quietos por um tempinho, só conseguia ouvir suas respirações calmas.

— Quer saber? Precisamos de uma opinião feminina!-Gray falou determinado.

Enxuguei meus olhos e fitei o loiro de maneira curiosa.

—Vamos acordar a Lya...-Gray se levantou.

—Alguém vai morrer... -Leo cantarolou se levantando, me levantei também.

—Mas é importante!-Gray me puxou pelo braço e eu puxei o de Leo.

Saímos do quarto de Leo, andamos pelo corredor escuro e paramos em frente a uma porta que tinha alguns adesivos com avisos como: "Não entre ou eu te mato."; "Se afaste!"; "O último que entrou aqui nunca mais viu a luz do sol." e etc.

Era possível sentir a corrente de ar frio passando pelas frestas da porta.
Nós três engolimos em seco e ficamos estáticos.

—Vai, amor!-Gray empurrou Leo.-Pode abrir!-sorriu inocentemente.

—Seu...!-Leo olhou feio para Gray, entretanto suspirou pesadamente e abriu a porta lentamente.

Podemos ter um vislumbre do quarto, lá dentro estava gelado e parcialmente escuro, o local era iluminado somente por uma luz azul sinistra.

—Rápido, entrem!-Leo mandou adentrando o quarto com nós logo atrás.

Fechei a porta com cautela e Leo acendeu a luz.
Tive uma melhor visão do quarto do terror: As paredes eram brancas e decoradas com pôsters de bandas, fotos e...Conteúdo yaoi.

Leo se ajoelhou em frente a cama de sua irmã e começou a chamá-la.

—Lya... -Leo cutucou a garota que parecia dormir profundamente.-Lyaaaa!-alterou o tom de voz.

—Vai embora, traste!!!-ela disse ainda de olhos fechados e bateu a mão no rosto de Leo, o fazendo pular para trás assustado.

—Lya, precisamos falar com você!-Gray pediu se ajoelhando ao lado da cama.

—Vão pro psicólogo!-Lya cobriu o rosto com o travesseiro.

—Mana...É sério... -Leo falou manhoso.

Lya retirou o travesseiro do rosto e nos mandou um olhar mortal (do mesmo jeito que Luciano havia me olhado quando abriu a porta).

—Fala, porcaria!-ela mandou irritada.

Lyandra Natasha.
Irmã gêmea de Leo e melhor amiga de Gray.
Eu a conhecia desde meus 12 anos, afinal, Gray sempre falava dela e do irmão.
Resumindo: Ela era uma Nancy em tamanho menor.
Então...É, acho que era bom ficar esperto na presença dela.

Leo e Gray explicaram minha situação para a garota.
Ela olhou para Gray, depois para mim e por último para Leo.
Fez uma pausa, um suspense...
E...

—Vocês são burros ou o que?!-Lya perguntou, mas não esperou que algum de nós rebatesse.-Eu falei para Nancy não deixar essa missão apenas com os garotos!-revirou os olhos.

—Então o que você acha que eu devo fazer?-perguntei receoso.

—Você ainda pergunta?!-ela riu.-Você plantou a semente da curiosidade nele! Então, despreze-o! O ignore!-sorriu de orelha a orelha.

—Mas...Mas...Isso só vai fazer com que a gente se afaste!-falei arregalando os olhos.

Ela era doida ou o que?!

—Não, pelo contrário! Você fez com que ele se acostuma-se com você! Se fizer com que ele sinta sua falta, ele vai correr direto pra você! Afinal, ele te machucou, tudo tem limite!-Lya afirmou com toda ceteza do mundo.-Não se humilhe assim! Deixe que ele venha atrás!

—Você tem toda razão!-Gray sorriu convencido e bateu sua mão com a dela.

—Só que...E se não der certo?!-perguntei aflito.

—Vai dar certo!-Leo afirmou confiante.

—Confie em mim!-Lya sorriu e piscou um olho.-Agora saíam daqui e me deixem dormir em paz!-fechou a cara.

Saímos dali correndo, Gray e Leo estavam super animados após o conselho de Lya, já eu...
Mais confuso que nunca!
Óbvio que eu não iria pra casa, né?
Então eu simplesmente dormi ali mesmo! No meio de Leo e Gray naquela cama lindamente grandiosa! Os impedindo de fazer safadezas!

As garotas tinham um ponto de vista diferente da situação! Chegava a dar medo...
Bem, nunca duvide das mulheres.
Suspirei pesadamente, os garotos já estavam roncando enquanto eu ainda encarava o teto fixamente.

—Okay...Plano de amanhã: Passar reto pelo ruivo.-sussurrei franzindo a testa.

Chega de ser fácil.
Chega de me humilhar.
Eu não vou me entregar de bandeja, Arthur é quem tem que me merecer.

Dei um sorriso convencido e fechei os olhos.

Notas finais
Espero que tenham gostado u.u ! Comentem o que acharam XD Até semana que vem! Bjs ♥ —☆Creeper.