Notas iniciais
Bom, é a minha primeira Fanfic, e eu não sei se está boa. Adorem, amem, odeiem, whatever! Só, aproveitem. xD

[Ruki’s POV.]

“ Era final de tarde, e eu caminhava apressado pelas agitadas ruas de New York, esperando não perder o metrô para casa. Só mais um garoto exótico de 16 anos. Comecei a correr pela calçada, sem olhar para nada que vinha a minha frente. Esbarrei em alguém, por acaso um menino muito bonito, mas não liguei, só fiquei observando meus papéis flutuarem, enquanto uma mão se estendia na minha frente.

- Você está bem? – Perguntou o loiro, que tinha uma faixa bege estampada cobrindo o nariz, o deixando com uma aparência engraçada, conseguindo arrancar um pequeno riso da minha parte.

- Sim, obrigado. – Segurei sua mão, um tanto áspera, mas macia de certa forma, e me ergui para pegar os papéis que flutuavam ao vento forte. – Você pode me ajudar...?

- Akira, mas pode me chamar de Reita. – Ele recolheu os papéis restantes, alinhando-os numa grande agilidade e pôs na minha mochila.

- Takanori, mas pode me chamar de Taka, ou Ruki. – Disse, e ele sorriu de uma forma tão bonita, e eu senti algo abaixo do meu pescoço, como um arrepio ou algo assim.

- Então, Taka, porque estava tão apressado?

- Ah, o metrô! Eu tenho que correr, desculpe-me! — Corri feito uma bala até as escadas, descendo pelo corrimão e pulando ao chão, empurrando todos a minha frente até chegar ao metrô, que já estava partindo.

Sentei, já me sentindo cansado, e preocupado com o que faria para ir embora. Sem dinheiro para o táxi, e minha casa é muito longe daqui. Senti uma mão no meu ombro e congelei. Não consegui me virar para olhar quem era, até que ele sentou-se ao meu lado, rindo.

- Que susto, garoto. O que você pensou que estava fazendo?! – Dei um pequeno empurrão nele, rindo.

- Não foi minha intenção, desculpe. Bom, eu vi que você perdeu o metrô, e deixou sua mochila ao chão, lá na rua. Então eu peguei, trouxe pra você e queria saber se você quer uma carona para casa.

- Nossa, obrigado, Akira! – Sorri sinceramente, de ponta-a-ponta. – E... Claro, seria ótimo!

- Vamos, então. – Disse, entregando-me a mochila e levantando-se.

- Vamos! – Levantei rapidamente, logo andando ao lado do loiro.

Já era noite, provavelmente umas 19hrs, e as luzes começavam a se acender em New York, era tudo tão lindo! Nunca tinha visto essa cidade assim. Reita havia me conduzido até um estacionamento de um prédio alto, e entramos numa Audi preta, que podia classificar bem sua classe social.
— Quantos anos você tem? – Perguntei, com um ar “despreocupado-preocupado”.

- 18, Taka. Porque? – Disse Akira, destravando as portas do carro com um “click!”.

- Esse carro é seu?

- Sim, tirei a carteira ano passado. Bonito, não? – Exclamou, meio tímido pela minha pergunta inconveniente.

- Sim... É lindo! – Disse, entrando logo no carro e sentando no banco do carona, pondo o cinto, seguido por Akira, fazendo o mesmo. – Você é diferente.

- Diferente? Como? – Ligando o carro, ele só olhava para a frente, sem se importar em olhar nos meus olhos. Que atrevido!

- Você é gentil. Não é como todos os garotos em que eu esbarro.

- Você deve esbarrar em muitos garotos, não é? Eu sou normal. – Disse, rindo.

- Vire aqui e... Pronto. Bom, eu achei você um cara legal. – Olhando para a rua, já tentando esconder meu rosto em algum buraco naquele carro.

- Você é o primeiro que me acha legal, além da minha última namorada. – Ele virou onde deveria virar, e paramos em frente a minha nova casa. – Chegamos, você pode me dar o seu telefone?

- Claro! – Entreguei o meu número num papelzinho,

- Muito, muito obrigado. – Sorri, acenando com a mão.

- Disponha. – Ele retribuiu o sorriso, e saiu.

Andei devagar até a porta, e parei nas escadas. Eu não queria entrar, não para ter que explicar que perdi o metrô, bati com o garoto mais lindo que já conheci e ele me trouxe para casa de noite. Fui até o lado direito da casa, subi na árvore e pulei ao telhado, colocando lentamente as coisas no chão, ouvi um carro frear bruscamente em frente a minha casa. Era o carro do Reita... O que ele fazia aqui de novo? Vi ele sair do carro correndo, e ficar parado em frente a minha casa.

- Psiu. Akira! Aqui, aqui em cima. – Sussurrei, esperando que ele ouvisse.

- Taka! Que bom que você ainda não foi dormir. Eu posso... subir?

- É... Claro, suba. – Disse, me sentindo uma Julieta, sorrindo feito bobo.

Ele subiu e chegou perto de mim, sorrindo. Eu sentei ao telhado, e ele fez o mesmo. A lua não aparecia, só existiam estrelas. Fiquei parado por um momento me perguntando o que teria o feito voltar.

- Eu voltei por que... Taka, você me atraiu. Eu não sei como, não sei por que diabos eu voltei aqui, eu só sei, que eu gosto muito de você. Até mais do que muito. Só sei que não quero deixar você passar. Você é muito precioso, puro, inocente para isso.

- Mas não sou para isso... – Segurei seu rosto, encostamos nossos lábios, e eu parei.

Akira avançou um pouco, e nos beijamos em completa e intensa sintonia. Várias coisas passavam pela minha cabeça. Eu só o seguia. Ele puxou um pouco meu lábio inferior antes de olhar-me.

- Seja meu. Diga “sim”, diga sim pra mim. – Ele sussurrou, olhando-me fixamente e sorrindo. Aquele sorriso que eu amava. Aquele garoto que eu amava.

- Sim! – Disse, um pouco alto demais, e acabei chamando a atenção da minha família dentro de casa. – Claro que sim!

- Então... Eu te vejo na escola amanhã? – Sorrindo, ele me deu um beijo rápido nos lábios, e desceu do telhado num pulo.

- Você é da McKinley? – Falei, empolgado.

- Até amanhã, amor.

- Até...

Quando me virei para entrar, meus pais estavam na janela, com uma cara não muito boa, seguidos pelos meus irmãos pentelhos, com uma cara de ‘que gay você é!’.

- Pode me explicar o que foi essa baixaria, no meu telhado? – Disse meu pai, parecendo irritado. ­­

- Pai, mãe! Família... O que vocês estão fazendo acordados à essa hora?

- Responda-me, Takanori. Agora!

- Foi o que vocês viram, seus... Seus... Intrometidos!

- Já chega! Nós já cansamos de suas travessuras em New York, Takanori! Você é um bicha, um gayzinho! Sujou o nome da nossa família, seu biba. – Essa foi a primeira vez, em que meu pai havia me feito chorar. – Você sai dessa casa amanhã de manhã, nem ouse em passar aqui depois do colégio.

- Seann, não faça isso! – Minha mãe estava aos prantos, mas com muita raiva de mim.

- E o que eu vou fazer da vida, seu bastardo?!

- Não ouse me chamar assim, viado! – E então ele lançou sua mão em meu rosto, deixando uma marca. — Vire-se, vá para o seu namoradinho, o outro viadinho.

- Biba, biba, biba! – Cantarolavam meus irmãos, me deixando mais furioso e triste.

Eles saíram do meu quarto, e eu pulei da janela para dentro do mesmo, fechando a porta num baque. Como eles poderiam fazer isso comigo? Eu só tenho 17 anos! Não trabalho, não curso nada! Eu não tenho dinheiro para hotéis... Não consigo me manter! Aquele desgraçado, aqueles desgraçados! Como puderam fazer isso comigo? – Desatei a chorar, recolhendo minhas roupas e tudo que eu precisava: Acessórios, maquiagem, e minha mochila da escola. Eu não estava pronto para ir. Ainda tinha muita coisa... Eles me abandonariam pela minha opção sexual? Eu nunca pensei que minha família fosse assim. Programei o despertador para as 5hrs da manhã, e fui dormir pensando no que faria quando acordasse.

*~*

Cinco horas da manhã. O som do despertador invadia meus ouvidos como uma bomba. Tinha que me mandar daquela casa. Primeiro dia de namoro com o Akira. O que eu vou fazer? – Levantei correndo e me direcionei ao banheiro do meu quarto, tirando a roupa do dia anterior e a escondendo em algum canto. Entrei no chuveiro e tomei uma ducha bem rápida, esquecendo-me de tirar a maquiagem um tanto borrada da minha face. Corri para pegar o uniforme, me vesti e desci com minhas coisas, morrendo de fome, mas segui para a rua. Nunca que eu iria de condução, com esses trecos todos. Andei devagar até a escola, tinha muito, muito tempo. Estava chovendo muito, não tinha um guarda-chuva ou uma capa. Sentia as pessoas me olhando por trás, e as criancinhas ficaram com medo da minha aparência. Já estava caminhando há algum tempo, já podia avistar a escola. Acelerei um pouco o passo, esperando não encontrar o Akira na entrada, não queria que ele visse-me nesse estado de misericórdia. Tentei passar pelo lado esquerdo da entrada, mas ele me viu e gritou:

- Taka! – Ele veio correndo na minha direção, parecendo muito preocupado. – O que aconteceu com você, com seu corpo, seu rosto?!

- Eu fui expulso de casa por ser gay... E namorar você, Aki.

- O que?! E você comeu? Você parece com fome, está pálido... Vem, vamos pra casa.

- Não, não! Por favor, Aki, eu não quero ir pra casa.

- Pra minha casa, bobinho. Você vai colocar uma roupa quente, e vamos comer alguma coisa. – Ele estendeu o guarda-chuva preto entre nós, e fomos até o carro dele.

*~*

O apartamento do Aki não era lá grandes coisas, era comum, só que tinha paredes de vidro e uma televisão enorme.

- Vá se trocar, eu te espero aqui. – Disse ele, com um sorriso largo.

- O.k. – Entrei no quarto dele com o maior cuidado para não derrubar nada, e deixei a porta entreaberta. Virei-me para a cama, procurando alguma roupa quente. Achei uma calça de algodão e a vesti, logo depois revirando a mochila em busca de uma camiseta.

*~*

Passei muitos meses na casa do Aki. Ele era como um porto-seguro, alguém em eu poderia confiar, me apoiar. Só que também um namorado. Já fazia sete meses em que nós namorávamos, vivendo como um verdadeiro casal. Aí, uma noite ele chegou a casa, e sem mais delongas me pediu em casamento. Eu aceitei, é claro. Tivemos uma cerimônia muito linda. Nós dois chamamos os amigos, familiares do Akira, vários amigos meus, menos meus pais ou parentes. Foi numa praia, ­­­tudo muito simples, mas muito especial. Foi o dia mais feliz da minha vida. A aliança dourada reluzente ainda está em meu dedo, seguida por cima pela do meu querido Akira. Já disse que ele era um porto-seguro para mim? Ele era tão protetor! Não aguentávamos ficar longe um do outro. Vivíamos mandando mensagens, cartinhas, bilhetes durante as aulas, na procura do primeiro emprego, na adoção dos nossos filhos... Foi uma dura jornada até chegarmos aqui, mas conseguimos! E não existem outras pessoas a quem eu deva agradecer, além da minha família, e ao Aki. A minha família por quê? Porque eles me deram até um pouco de força para não cometer o pior erro da minha vida. E ao Aki... Por ter esbarrado em mim na calçada, nessas mesmas ruas de New York. Porque de certa forma, foi tudo muito promíscuo. Mas segundo ele, não conseguiria conviver consigo mesmo sem a minha pessoa ao seu lado. Foi amor à primeira vista. Acho que foi por isso que ele me seguiu até a estação. Ele foi meu primeiro amor. Nunca soube que era eu homossexual, até dar meu primeiro beijo. Eu não aconselho ninguém a não contar às coisas que acontecem com você para os pais, porque afinal de contas é o mais certo, e foi o que eu não fiz. Depois de muito tempo juntos, brigamos feio e Aki saiu furioso de casa. Ele não olhava para nada, só conseguia enxergar a raiva, e um carro descontrolado o atropelou. Ele morreu seis horas depois de chegar ao hospital. Claro que eu fui avisado, e cheguei lá o mais rápido possível.

- Onde ele está?! Eu preciso vê-lo! Agora! – Gritei para todos no saguão ouvirem, e já sabiam quem eu estava procurando.

- Quarto 7832. – Corri até o elevador, mas todos estavam ocupados. Então fui até as escadas e subi cinco andares. Cheguei ao quarto do Aki quase morrendo, mas voltei ao normal ao ver o meu amado em coma. Não conseguia parar de chorar, e sentei-me ao seu lado.

- Taka... Você já sabe o que vai acontecer... – Disse ele, sussurrando, na verdade.

- Não! Isso não pode acontecer! Você não vai morrer. Você é forte, Aki... Eu não consigo viver sem você!

- Você consegue... Eu sei que você consegue! Lembra quando ficamos sem nos falar por um dia?

- Você estava em outra cidade... Não tinha sinal lá. É diferente, Aki! – Gritando, o abracei forte.

- Taka... Se esses são meus últimos momentos, por favor, honre o “até que a morte nos separe”, por favor. — Pareceu um pouco clichê... Mas quem ligava?

- Eu sempre honraria Aki, sempre! – Sorri, vendo que ele fazia o mesmo, com dificuldade. – Você sabe que se me pedissem para escolher um sorriso, eu escolheria o seu. Se me pedissem para escolher um olhar, eu escolheria o seu. Se me pedissem pra escolher uma voz, eu escolheria a sua. Se me pedissem pra escolher um “eu te amo”, eu escolheria o seu. Se eu tivesse à disposição seis bilhões de pessoas, eu escolheria você. E escolhi, fiz todas essas escolhas, e sinceramente?Não me arrependo de tê-las feito.

- Jura? – Disse ele, sussurrando.

- Com todo o meu ser.

- Saiba que eu te amo, Taka, desde quando eu te dei um pequeno susto na estação. E eu sempre vou amar vo... – E assim, a máquina parou de vez. E assim, desatei a chorar mais e mais, até que os médicos chegaram à sala. O Aki era tudo, tudo pra mim. E eu perdi o meu oxigênio, meu melhor amigo, meu chão, meu noivo.”

*~*

Quarenta anos se passaram desde então, e hoje eu, com 57 anos estou aqui. Ainda vivo, contando tudo que aconteceu naqueles anos para vocês, queridos. – Dizia Takanori, já sentado em mesa com a família toda reunida, e uma cadeira a seu lado sempre vazia.

A vida de Taka correu bem desde que Aki se foi. Ele nunca tirara a aliança do seu amado dos dedos. Ela ficava bem acima da sua. Takanori contava essa história com calma, mas ás vezes soltava algumas lágrimas sobre a face pálida e envelhecida com o tempo. Os netos ouviam o avô falando sobre sua grande história de amor, e os mais velhos choravam e abraçavam o mais velho.. Aki desde sempre implicava com a faixa que cobria seu nariz desde pequeno. Foi por isso em especial que eu achei ele o cara mais lindo do mundo. Ele não gostava, mas eu adorava. Tinha tanto a ver com ele... O único amor do pequeno foi exótico igual a ele. Taka disse que iria honrar o “que até a morte nos separe”, e honrou. Foi fiel ao seu amado até o fim, nunca deixou de se lembrar dele. E para ele, era isso que importava.

Notas finais
Bom, gente. É isso. Tipo... Merece pelo menos uns reviews, né? *implora*, espero que vocês tenham gostado! Kissus! s2~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!