Notas iniciais
Ciao! Voltei meninadaaa! Muito obrigada pelos comentários do capítulo passado! Estrelinha cadente de hoje é a Vicky que recomendou a fic! Muito obrigada mulher! Espero que goste deste capítulo porque ele é todo seu, maravilhosaaa! Boa leitura!

Eu estava com calor. Muito calor mesmo. O que era estranho sendo que em meu quarto tinha um belo e maravilhoso ar-condicionado. Meu travesseiro estava mais duro do que o normal também. Meu corpo doía mais do que horrores, principalmente meus braços e pernas. Eu estava me sentindo inválida. É, sem academia hoje para você Felicity. Você abusou demais da sua conta.

Me revirei na cama e tirei a coberta que estava em cima de mim. Não me refrescou em nada. Será que mamãe mexeu no termômetro de novo? Ela sempre fazia isso e deixava a temperatura desregulada.

Suspirei e de má-vontade abri meus olhos. Eu era míope, mas conseguia enxergar perfeitamente o rosto de Oliver Jonas Queen na minha frente completamente adormecido e sereno. Meu travesseiro duro eram seus bíceps e o calor? Vinha diretamente de Oliver.

Ah meu Deus. As lembranças... Do noite passada me inundaram como uma onda tsunami e comecei a entrar em pânico. Eu dormi com Oliver? Deus... Eu dormi com Oliver! Me ergui como leveza e cuidado e observei meu corpo nu embolado em um lençol de algodão preto. Minhas coxas protestaram enquanto eu me movia para fora da cama, mas não dei o braço a torcer.

Sabe aquela famosa fuga alá Smoak? Está na hora dela! Oliver se remexeu, mas não acordou enquanto eu caçava minhas roupas ao redor do quarto. Fui até o banheiro e achei minha calcinha. Como ela foi parar ali? Não! É melhor nem se lembrar destes pequenos detalhes! Vesti minhas roupas, mas faltava minha blusa.

Peguei meus sapatos e fui até a sala de estar. Minha blusa deveria estar jogada por ali. Enfiei meu celular que tinha milhares de ligações perdidas no sutiã e procurei a blusa. Ahá! Ignorei a engenhoca causadora de tudo isso e vesti minha blusa ao mesmo tempo em que ouvia a porta se abrir. Me abaixei ao lado do sofá e acalmei a respiração.

Ele deve estar dormindo ainda Tommy... — retrucou uma voz feminina em sussurros enquanto passos lentos soavam pelo assoalho do apartamento.

Thea!

Ah meu Deus.

— Ele nunca trouxe nenhuma mulher para cá, eu só quero saber quem é a tal mulher oras! — sussurrou Thommy.

— Isso não é da sua conta!

— Vindo da garota que achava que seu irmão havia se tornado gay. — vi a cabeleira escura e espetada de Tommy se esgueirando até o corredor e logo atrás dele, ia Thea. Engatinhei silenciosamente enquanto eles abriam a porta do quarto de Oliver e depois corri para fora do apartamento.

Não esperei o elevador e corri para as escadas. Era bem mais rápido. Desci os lances pulando os degraus como uma fugitiva e só parei quando cheguei perto no segundo andar. Foi rápido, eu estava no sétimo. Sentei nos degraus e calcei meus all star e depois terminei de descer rapidamente.

Quando cheguei no saguão no prédio, o porteiro me olhou com um olhar que dizia "Eu sei que você transou com Oliver Queen ontem", corri para fora do prédio e disparei pela rua sorrindo.

Meu timing foi perfeito desta vez.

—-

Pode me dizer o que aconteceu para você não me retornar as minhas 6 ligações?! — exclamou Dianna assim que atendeu a ligação.

— Eu passei a noite fodendo com Oliver. — respondi e ela gargalhou.

Okay não estou tão brava depois desta piada, mas me diga o que aconteceu. Fiquei preocupada e sua mãe também não sabia onde estava. — disse ela e eu ri.

— Eu passe a noite fodendo com Oliver. — repeti do mesmo jeito que a primeira vez e ela ficou muda.

Espera... AH MEU DEUS! — gritou energética e eu afastei o celular da orelha enquanto sua euforia ganhava vários timbres diferentes. — Bem que Sara disse que você iria fazer alguma coisa radical! Eu pensei que era uma tattoo ou sei lá, um piercing...

— Não. Só transei com um cara que conheci á uns cinco dias atrás. — eu disse casualmente e ela riu de novo.

Eu ainda não estou acreditando! Felicity Megan Smoak! Minha garota está se tornando na vadia que eu sempre quis ser! — exclamou e desta vez quem riu, fui eu.

Bem alto.

Estava andando em uma avenida que era bem movimentada e era um atalho até em casa, ninguém parecia prestar atenção em mim ou na minha conversa no telefone com Dianna. Expliquei o que havia acontecido, ela ficou preocupada com meu o emocional e depois orgulhosa por ter aguentado quatro rounds com Oliver.

Dianna sempre seria Dianna.

Mas Tommy não te pegou? Ele praticamente cheira fofoca! — disse Dianna e eu ri junto com ela.

— Não, ele estava mais preocupado em ver quem estava na cama com Oliver do que olhar ao redor e me ver agachada na frente do sofá. — eu ironizei. — Sara mencionou que STAR Labs está uma loucura por causa do acelerador...

Sim, Dr. Wells quer tudo perfeitamente seguro antes de ativar ele e a pressão toda não ajuda também. — ela disse e percebi que estava cansada. — O que você precisava de tão importante ontem que ligou para todos nós?

— Estou procurando meu pai. Eu me transformei completamente em uma ninja que sabia todos os golpes dentro do universo Mortal Kombat e estou com medo de uma personalidade escondida em meu subconsciente estiver tentando tomar o controle do meu corpo. — eu disse e Dianna ficou quieta. — Sei que Cisco e Curtis poderiam me ajudar a encontrar Noah Kuttler, mas eu posso muito hackear o satélite do STAR Labs...

Não! Dr. Wells ficou bravo da última vez... Vou ver o que Cisco pode fazer e depois de aviso. — disse Dianna temerosa e eu revirei os olhos.

Da última vez, eu realmente precisava me conectar com Sayuri, uma garota que joga League of Legends comigo, o satélite do STAR Labs foi o primeiro a vir na minha cabeça para eu conseguir fazer a chamada pelo Skype até a China. Por mais caros e desenvolvidos que sejam os mecanismo de defesa de qualquer satélite no espaço, eu poderia acessá-los com uma pequena sequência de códigos e um clique. Eu deveria ficar ofendida, mas Dr. Wells só estava com medo de suas pesquisas vazarem ao público, então eu o compreendia.

— Felicity?

— Okay. Ficarei esperando. — eu disse e ela se despediu e desligou em seguida.

Entrei na rua em que mamãe morava e me preparei para o sermão que iria ouvir da mesma. Passei pelos vizinhos que ou estavam cortando grama ou fazendo churrascos nos jardins e bufei. Eu odiava isso. Parecia que estava dentro de um comercial da perfeita família americana. Apressei o passo e desviei de um cachorro e uma criança aprendendo a andar de bicicleta com o pai, logo já estava em casa.

Abri a porta e consegui ver mamãe descendo as escadas com um cesto recheado de roupas. Eram as minhas roupas. E nenhuma delas, exceto a que estava no meu corpo estavam sujas para serem lavadas, então por que ela iria lavar roupas que já estavam limpas?

Sinal de nervosismo Smoak.

— Bom dia. — eu disse e ela desceu a escada e parou na minha frente com um olhar penetrante.

— Onde estava Felicity? — perguntou com a voz calma. Talvez eu não estivesse em grandes problemas como eu pensei que estivesse.

— Fui na casa de um amigo. — optei pela verdade e ela estreitou os olhos para mim.

— Que amigo?

— Oliver Jonas Queen. Quer o número da identidade dele? — perguntei e deixou o cesto nas escadas e cruzou os braços. — Mãe, eu sei que você sempre vai querer me proteger, mas eu não tenho mais dezessete anos e uma hora teremos que conversar sobre o meu pai e quando esta hora chegar, por favor, lembre-se que eu não tenho mais dez anos e sim vinte e quatro.

Minhas palavras não soaram grosseiras ou autoritárias como eu pensei que soariam. Serenas. Sim, soaram serenas e calmas. Subi para o segundo andar e entrei em meu quarto. Era branco e azul, beirava a ser genérico. Olhei ao redor e tudo estava arrumado.

Vi minha sacola esportiva rosa nos pés da cama e torci o nariz reprovando a ideia que apareceu na minha mente. Não. Definitivamente não. Peguei minha toalha amarela e cheia de patinhos fofos e fui até o banheiro. Enquanto tirava minha roupa, eu vi as sequelas da noite passada. Ele me marcou! E essas marcas não se resumia á apenas um chupão no pescoço.

Eu não usaria um decote tão cedo, mesmo que eu não fosse fã de decotes... Meu pescoço, colo, seios e barriga estavam cheios de hematomas arroxeados. Observei meu reflexo com raiva. Eu odiava territorialismo, mesmo que neste caso fosse subconsciente. Eu parecia ter alguma doença contagiosa com tantas marcas! Sem falar no cheiro que havia ficado no meu corpo. Era Oliver, Felicity, sexo... Tudo no mesmo lugar.

Tirei o restante das roupas e entrei dentro do box. O jato de água quente foi bem vindo. Relaxou todos os meus músculos que estavam rígidos e eles ficaram dormentes. Gemi de alívio. Hesitei em pegar a embalagem do sabonete líquido e tirar o cheiro de Oliver de mim... Me lavei por inteira e substituí o cheiro de Oliver e de sexo por lavanda e lírios.

Mesmo não querendo fazer isso.

— Felicity...? — chamou mamãe e eu fechei o chuveiro para ouvi-la. Tinha espuma no meu cabelo ainda, não sairia assim nem ferrando.

— Sim?

— Você tem visitas lá embaixo.

— Quem? — perguntei curiosa.

Dianna e Sara não eram consideradas visitas porque já eram de casa e da família.

— Oliver Queen, Thomas Merlyn, Thea Queen, Sara, e Dianna. — respondeu e depois enfiou sua cabeça para dentro do banheiro. — Quantos bilionários você conhece?

Fiquei chocada com as minhas "visitas". O que infernos eles estavam fazendo aqui? Principalmente Oliver depois de.... E sem falar que eram muitas pessoas juntas na minha minúscula sala de estar no andar debaixo. Ah meu Deus! Oliver estava na sala de estar no andar debaixo!

— Pela sua cara, eles não avisaram que iriam vir, não é? — perguntou e neguei com a cabeça. — Vou recepcioná-los e você termine logo este banho.

Assenti e liguei a água novamente enquanto ela tirava sua cabeça de dentro do banheiro. Tirei a espuma da minha cabeça e terminei o banho rapidamente. Meu celular tocou no momento em que coloquei meu pé de volta no quarto.

"Dianna, L: Não se apresse. Faça ele esperar um pouco. Ao meu sinal, você vem."

Okay. Okay. Okay. Dianna e mamãe. Eu tinha duas aliadas lá embaixo.

Tranquei a porta do quarto para não ter surpresas e me sequei novamente, dando atenção á cada parte do meu corpo. Passei meu hidratante e vesti um conjunto de lingerie vermelho e preto, seguidos por um short jeans com lavagem clara e uma camiseta antiga do MIT. Penteei meus cabelos e sequei eles levemente. Coloquei um par de brincos, passei meu perfume e por último, limpei as lentes dos meus óculos.

Eu tinha feito tudo isso do modo mais lento possível e quando sentei na cama e balancei meus pés no ar, o celular tocou com outra mensagem de Dianna me dizendo para descer. E assim eu fiz.

Quando estava na metade das escadas, eu ouvi as vozes diferentes enquanto conversavam e riam juntas sobre alguma coisa. Vi que Dianna, Thea, Sara estavam no sofá de três lugares e Oliver e Tommy no outro sofá de dois lugares. A mesinha de centro estava recheada de comida e mamãe estava sentada em sua poltrona bebendo chá, como sempre, e sorrindo maliciosamente para Dianna, Oliver e para mim.

Ótimo. Ela estava atualizada sobre a minha situação.

— Amiga!! — gritou Dianna largando seu muffin no colo de Sara e vindo até o meu encontro.

Ela tinha conseguido a atenção de todo mundo com um simples gesto seu. Dianna me engoliu em um abraço de urso.

— Eu não sei de onde eles vieram, eu só vim aqui e encontrei todos eles na porta da sua casa. — sussurrou ela tirando o seu reta.

— Uhum. — murmurei de volta e olhei para a sala cheia de pessoas. — O que exatamente vocês estão fazend...

A campainha soou. Salvos pelo gongo? Fui até a porta e quando abri quase caí para trás.

Rachel Smoak.

Em carne, osso, espirito, alma e estilo. Bem ali.

— Vovó Smoak! — exclamou Dianna ao meu lado ao abraçar ela. Era a minha avó ali. Quem mais faltava para o circo ficar completo? Cooper, talvez? Deus me livre e guarde.

— Mamãe? — indagou minha mamãe ao ver a mamãe dela na porta com duas malas Louis Vuitton.

— Quem você esperava Donna, Noah? — perguntou vovó bem humorada.

Isso não era bom. Rachel Smoak tinha uma ideia distorcida quando falávamos de bom humor, mau humor e humor negro. Eu nunca sabia quando ela estava brincando ou falando sério.

Vovó Smoak cumprimentou á todos enquanto Dianna ia apresentando cada pessoa ali. Ela não tinha ideia que Oliver, Thea e Tommy eram as pessoas mais ricas do recinto, e mesmo assim tratou eles como se fossem crianças. Arrumou os cabelos de Oliver, arrumou a postura de Thea e ainda brigou quando Tommy segurou sua xícara de modo errado.

Estou em um hospício. Ajuda! Socorro! S.O.S! Help!

— Por que não vamos para o quintal? Lá com certeza é mais espaçoso que aqui... — disse mamãe e abriu a porta de correr no fundo da cozinha e todos foram para o quintal. Restando apenas Dianna, eu e Oliver. Quando finalmente olhei em seu rosto, ele parecia seriamente bravo.

— Ahm, Oliver... Faça bom uso destes seus bíceps abençoados por Deus e me ajude com as malas da Vovó Smoak! — disse Dianna arrastando uma das malas de Vovó para o primeiro degrau da escada.

Oliver quebrou o nosso contato visual e ajudou minha amiga até o andar de cima.

— Ah meu Deus... — sussurrei á mim mesma, tirei os óculos e esfreguei as mãos no rosto.

— Eu amo a sua vida Felicity Megan Smoak. — disse Sara aparecendo e segurando uma pilha de pratos.

— Pode ficar. — eu disse alto o bastante para ela escutar. Ela riu e depois foi para fora onde mamãe estava rindo de algo que Tommy e Thea falaram.

— Lissy... Sem fodas com o Gostosão. Faça ele trabalhar por isso. — disse Dianna aparecendo novamente e depois correndo para fora.

Recoloquei os óculos e me virei para a escada na mesma hora que Oliver terminou de descer a mesma. Ainda estava com a expressão séria. Ele parecia bravo ou até mesmo desconfortável.

— Então, o que te trás aqui...?

— Por que foi embora hoje de manhã? — respondeu com uma pergunta direta.

Obviamente, Oliver Queen não era de rodeios e muito menos de protelar.

— Por que eu deveria ter ficado? — perguntei e cruzei os braços. Se ele começar a ser todo arrogante para cima de mim, ele iria conhecer a ira Smoak.

— Ira Smoak? — perguntou com os olhos zombeteiros.

Ignorei minha gafe e me xinguei um pouco.

— Na verdade, eu quase fui pega pela sua irmã e Tommy quando eles entraram no apartamento para ver com quem você estava dormindo... Até para mim, isso é completamente estranho. — eu disse e cocei uma têmpora enquanto ele franzia os lábios em uma linha fina. — Isso é normal na sua vida? Não estou dizendo que eles não sejam normais.... Ou qualquer coisa assim.

— Fale para Tommy que estou indo para academia, por favor. — disse ele tendo um lapso de educação.

— Hoje é a sua luta? — perguntei me lembrando dos cartazes pendurados ao redor da academia. — Sei que não vai precisar, mas... Boa sorte.

Ele apenas assentiu e foi até a porta. Me olhou pela última vez, acenou levemente e foi embora. Suspirei assim que a porta bateu levemente contra o batente e depois me virei para o quintal. Dianna me olhava com uma sobrancelha erguida, neguei com a cabeça e ela me olhou claramente dizendo "Ele é um idiota".

Me juntei á eles no quintal, a mesa redonda com dez lugares que nunca fora usada desde a compra estava quase completamente cheia. Thea e Dianna estavam batendo o maior papo assim como Sara, Tommy e Vovó. Mamãe não se dava ao trabalho de estar participando de qualquer conversa porque estava me olhando confusa.

Forcei um sorriso e me sentei entre ela e Vovó.

— Oliver disse que iria treinar na academia para hoje a noite. — disse me focando em Thea e Tommy que pareciam estar absorvendo aquela atmosfera que a minha família louca tinha. — Como estava Vegas, Vovó?

Ela se virou para mim com um sorriso fraternal. Pode-se dizer que Rachel Smoak era aquele tipo de mulher que não aceita "Não" como resposta. Como uma Miranda Pristley.

— Ensolarada como sempre. — respondeu e bebeu mais chá. Na mesa havia muffins de chocolate e blueberry, assim como chá e café. — Mas fiquei feliz quando ligou.

Mamãe me lançou um olhar acusatório enquanto bebia o seu chá e eu sorri nervosa. Ela não precisava saber deste detalhe. Pelo menos, não agora. Depois da acusação explicita em seu olhar, veio o outro olhar de "Vamos conversar mais tarde sobre isso".

— Eu estou amando sua família Felicity. — disse Tommy observando a interação de três gerações Smoak na mesma mesa com um sorriso enorme.

— Vocês não viram nada. — cantarolou Dianna ao lado de Sara que concordou com um sorriso. — Mas... Nós, com certeza, vamos assistir Oliver mais tarde.

— Aquele rapaz que nunca viu um pente na vida? — perguntou Vovó e todos assentiram. — Ele é bem bonito, você pescou um peixe grande Lissy, agora é só puxar o anzol!

Todos riram, até mesmo mamãe. Vovó era famosa por soltar suas pérolas nos piores momentos possíveis. Uma coisa que, infelizmente, estava no meu DNA desde hora em que eu decidi nascer.

—-

— Eu tenho uma amiga que pode te ajudar com aquele negócio que você me contou, os satélites do STAR Labs já estão procurando, mas com o acelerador de partículas sendo testado pode demorar um pouco. — disse Dianna quando ela e Sara invadiram o meu quarto.

Tommy e Thea foram embora atrás de Oliver para almoçar. Segundo Thea, ele não pararia a não ser que fosse obrigado á parar. Foi estranho ter pessoas que eu acabei de conhecer tomando café com as duas mulheres que formavam a minha família. E ainda Oliver...

— Felicity! — chamou Sara estalando os dedos na frente do meu rosto.

— Sim? O que foi? — perguntei perdida e encarei os dois pares de olhos inquisidores sobre mim.

— Okay... Eu já atualizei ela sobre a sua noite quente com o Queen, e Sara prometeu não contar para ninguém, nem para o Tommy sobre isso. — disse Dianna folheando uma edição velha da Vogue ao meu lado na cama.

— Sua noite com Oliver é um segredo que apenas todo mundo sabe. — Sara ironizou e depois riu da própria piada. — Está na cara que vocês "nhanharam". O tesão de vocês estava apalpável.

Bati a mão contra a minha testa, admitindo a minha culpa livremente e Sara soltou uma risadinha.

— Lissy o que aconteceu na sala? — perguntou Sara sentando ao meus pés na cama. Dianna parou de folhear sua revista e também olhou para mim com toda a sua atenção. — O que ele disse?

— Ele perguntou o porquê de eu ter ido embora, e eu perguntei um o porquê eu teria ficado. — eu disse observando minhas unhas. O esmalte rosa chiclete estava lascado e completamente horrível. — Aí eu disse que vi Tommy e Thea entrarem no apartamento para ver com quem ele havia dormido e...

E?— instigaram as duas juntas.

— Ele foi embora. — concluí e as duas murcharam visivelmente com uma bexiga vazando ar.

Elas começaram a tagarelar sobre teorias pelo comportamento de Oliver, eram inúmeras e uma mais absurda que a outra. Eu não prestei muita atenção, eu ainda queria entender o porquê de Oliver me querer em seu apartamento depois que ele acordasse. Por favor. Eu leio livros e sei como a coisa toda funciona.

Prova A: Ele é um playboy, bonito, rico e gostoso. De praxe, tem um longo histórico de mulheres em seu passado.

Prova B: Eu sou uma garota normal, sem atrativos suficientes para chamar atenção de qualquer um que não seja da minha classe social. De praxe, tem um curto e desastroso histórico de homens no meu passado.

Prova C: Nos encontramos. Nos reencontramos. Nos reencontramos novamente. Conversamos. Brigamos. Transamos.

E agora ele vem me perguntar porquê eu fugi antes que ele acordasse? Obviamente ele não iria me acordar com café na cama, talvez ele nem me acordasse. Com certeza foi uma ótima decisão sair fora. É claro que eu não contava com a aparição dele em minha casa junto com sua irmã e melhor amigo, mas.... Foi uma ótima decisão.

Todos foram embora quando era mais ou menos 15h:00 da tarde. Eles iriam assistir a luta de Oliver e Werner mais tarde. Eu conseguia imaginar todos eles com uma camiseta escrito "Team Oliver" enquanto Oliver estava no ringue com Werner. Ou devo dizer Al Sah Him? Ainda não tinha entendido o negócio dos nomes estranhos que Ra's dava para seus alunos, mas eles eram muito legais de acordo com Roy.

— Querida? — chamou Vovó no batente da porta do meu quarto enquanto eu estava encarando o teto. Ela sorriu e entrou. Eu amava esta coroa, mas parecia que a minha privacidade foi arrancada de mim. — O que está pensando tanto? Naquele rapaz de olhos azuis?

— Sim e não. O nome dele é Oliver, Vovó. — eu disse e ela sorriu e sentou na beira da cama ao meu lado. Passou a mão no meu rosto e deu um leve aperto no meu nariz.

— O que está te perturbando, querida?

— Eu quero saber quem meu pai é e onde ele está, mas Donna Smoak não parece querer que eu faça isso. — eu disse revelando o motivo pelo qual chamei ela para Central City.

— E eu concordo com ela. Eu posso dizer quem seu pai era. Noah Kuttler é o primeiro amor de sua mãe, deste amor nasceu você. Eles fizeram a faculdade aos trancos e barrancos e ele conseguiu um emprego na divisão técnica do FBI. — contou ela e eu assenti. Ainda não havia nada novo em suas palavras. — Ele amava você e sua mãe, mas... O trabalho que ele fazia, uma hora ou outra muda a pessoa.

— Vovó, quando morávamos com você em Vegas... Eu fazia o que com ele? No que se baseava a nossa relação pai e filha? — perguntei e ela suspirou e pareceu perdida em memórias.

— Seu pai e você sempre foram bem apegados um ao outro. Ele te ensinou várias coisas sobre essas máquinas que vocês gostam tanto de mexer. Era desmontar, limpar e montar de novo. Construir robôs juntos... — ela listava e eu tinha algumas memórias relacionadas á isso. — E contra a vontade minha e da sua mãe, aqueles jogos violentos.

— Jogos violentos?

— Teve um ocorrido na butique em que sua mãe trabalhava em Vegas. O chefe dela tentou agarrá-la e por pouco não conseguiu. Noah achou melhor ela saber se defender quando não estava por perto. Ele ensinou defesa pessoal e alguns golpes de boxe para ela. — contou Vovó. — No começo ela foi um desastre, mas melhorou e aí, você decidiu que também queria aprender.

— Mamãe foi contra. — eu disse e ela assentiu. Eu lembro daquela discussão. — Ela ganhou, mas papai achou outro jeito de me ensinar. Com os jogos.

— Sim. Poucos dias depois, uma coleguinha de classe quebrou seu video-game portátil e lá estava você fazendo os mesmos movimentos do jogo. Noah pai ficou orgulhoso. Donna ficou furiosa. — contou e arregalou os levemente em sua última frase e nós rimos. — Por que tanto interesse neste assunto?

— Recentemente eu fui assaltada, o cara me nocauteou. Minha amiga Sara e mamãe fizeram uma campanha para eu aprender a me defender. — eu contei e ela sorriu suavemente. — Eu comecei as aulas e ontem eu tive um pequeno surto. Virei uma samurai, lutadora, Bruce Lee loira e a única coisa que eu podia associar era...

— Aquele jogo que brincava com Noah. — completou e eu assenti.

— Eu só queria saber porquê ele nos abandonou. — eu disse e me senti aquela garotinha de dez anos solitária pendurando mais um cartão de "Feliz Dia dos Pais" na parede da minha antiga casa na árvore.

— Noah não abandonou você e sua mãe. Foi o contrário. Sua mãe veio para Central City com você. — revelou Vovó e não consegui acreditar em suas palavras.

— Como é?

— Há catorze anos atrás, Donna deixou Noah e veio morar em Central City com você querida. — contou Vovó e eu sentia meus olhos marejarem. — Ela não te contou?

—-

Foi difícil? Foi, mas eu consegui. Achar a Academia de Artes Marcias Z não era tão fácil assim, mas eu consegui. O lugar estava cheio de pessoas. Tipo, cheio mesmo. Parecia um show gratuito da Beyoncé. Tinha gente com cartazes, com camisas e o pacote fã completo que se dividiam em rostos de Werner e rostos de Oliver por toda parte. Achar alguém conhecido seria difícil.

Mais difícil do que descobrir que sua mãe mentiu metade da sua vida sobre o seu pai?

Cale a boca! Nem comece subconsciente ou serei forçada á cometer suicídio aqui e agora. No meio desta multidão inteira. Calado. Shut up. Calate. Pianinho. Zip. Capitche? Quando não ouvi aquela vozinha irritante, adentrei a academia.

O ingresso foi vinte dólares, eu ganhei uma pulseirinha verde que representava a torcida de Oliver, e fui encaminhada para o lado esquerdo da platéia. O ringue era no centro do galpão e era muito bem iluminado. Era bem diferente do centro de treinamento de Ra's, mas não parecia ser melhor que o mesmo.

— Srta. Smoak. Que surpresa. — disse uma voz ao meu lado e eu me assustei quando vi o próprio Ra's ali. Falando no diabo... Olha quem aparece. Me curvei levemente e ele também em sinal de respeito.

— Todo mundo na academia fez uma propaganda sobre esta luta, então eu vim checar se era tudo isso mesmo. — disse simpática e ele deu um de seus sorrisos não-tão-aterrorizantes-assim para mim.

— Vamos lá para cima. — ele disse e apontou para a pequena plataforma que se erguia em nossas cabeças. Reconheci Tommy, Roy e Nicholas sem muito esforço.

Segui Ra's calmamente, a multidão abria caminho para ele e alguns eram corajosos suficientes para cumprimentar o mesmo. Ele foi educado com todos e depois quando chegamos na frente de uma cordinha de veludo vermelho.

— Ela é VIP, Brad. — disse Ra's e o armário na minha frente assentiu e colocou uma segunda pulseira em meu pulso. Agora esta era vermelha. — Sugiro que fique lá em cima até a luta acabar. A platéia fica um pouco agitada.

Eu assenti e subi o pequeno lance de escada até a plataforma. Meus amigos estavam ali. Uau... A plataforma tinha uma visão panorâmica do ringue. Era quase em 3D. Sara e Dianna estavam rindo em um canto com Thea e Roy. Tommy estava conversando com Caitlin e Bart em outro canto? Barry! Isso, era Barry o nome dele. Tinha outras pessoas que eu não conhecia ali, mas já tinha visto pela academia.

Me senti levemente deslocada.

— Felicity! Você veio! — exclamou Shado um pouco mais alto por causa do barulho das pessoas embaixo de nós. — Ótimo, preciso de companhia já que Helena decidiu ir flertar com tudo que tem um pênis.

Eu ri de sua alegria espontânea ao me ver.

— Não iria perder isso por nada. — eu disse seca e ela riu sem notar o meu tom de voz.

A verdade era que eu estava fugindo. De novo. Fugir era minha especialidade. Eu não queria enfrentar minha mãe ainda. Queria meu espaço para digerir tudo que havia descobrido e depois iria falar com ela. E o local para qual eu fugi? Para luta de Oliver. O plano soava muito melhor em minha mente, mas agora... Nem tanto.

— Vamos lá embaixo pegar alguma coisa para beber antes que a luta comece. — disse Shado e eu assenti. Descemos as escadas de ferro e fomos em um balcão que estava lotado de gente. — Ahm... Droga. Kurt!

O grito de Shado foi mais alto que qualquer coisa. Um cara gordinho procurou a dona da voz e quando achou Shado sorriu. A morena ao meu lado apontou para nós duas e ele lançou no ar duas garrafas de Coca-Cola que Shado pegou como uma profissional de beisebol.

— Hey! Felicity! — cumprimentou uma voz ao meu lado e eu vi Werner usando um moleton sob o rosto.

— Hey... Qual é a do capuz? Não era para você estar no holofote hoje? — perguntei quando fomos de volta para a área VIP. Shado por sua vez apenas ignorou Werner e subiu. Eu fiquei.

— Sim, sim... Mas ainda não. Você veio! Estava com minhas dúvidas. — disse ele com um tom de voz conspiratório e eu ri levemente.

— Bom... Minha academia tem esta política de apoio para seus lutadores. Então estou aqui, mas não torcendo por você. — eu disse com um tom doce e ele ergueu uma sobrancelha.

— Mas está aqui. — afirmou e sorriu. Ele tinha um belo conjunto dentário. Branco e brilhante. O som da música ambiente parou e os holofotes focaram no ringue, a gritaria começou. — Minha deixa.

E a minha também. Voltei para a plataforma e vi Ra's ao lado do ringue com sua postura rígida e olhos sagazes, ao seu lado tinha um velhote barrigudo ostentando um Rolex de ouro (provavelmente falsificado) e vários anéis brilhantes. Fiquei escorada na grade e Caitlin apareceu ao meu lado com Barry. Ambos freneticamente ansiosos pela luta. Assim como todo mundo.

O locutor começou a fazer as apresentações de ambas academia e ambos lutadores, foi até engraçado ver a multidão divida ao meio. Uma parte verde e outra parte amarela. Werner fora anunciado como Conde Vertigo e a gritaria aumentou. Ele apareceu usando apenas um calção e luvas de MMA. Tinha a expressão focada e nem ligava para as milhares mãos que tocavam suas costas enquanto ele subia no ringue.

Meu coração perdeu uma batida assim que Oliver saiu do vestiário. Assim como Werner usando apenas um calção e luvas de MMA. Seus olhos estavam faiscando em chamas azuis. Ele parecia furioso. Enquanto caminhava até o ringue, várias pessoas o tocavam e gritavam incentivos. Ele não se importou. Antes de subir no ringue, Ra's falou algo em seu ouvido e ele assentiu com um pequeno sorriso.

O juiz subiu do ringue, fez eles se cumprimentarem e depois apitou. Werner parecia ansioso para a luta, enquanto Oliver era a paciência em pessoa. Werner tentou dois socos e um chute, Oliver desviou como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Ele mantinha um sorriso presunçoso em seu rosto.

Era mais bonito sem o protetor bucal, mas...

— Um soco. — disse Caitlin ao meu lado direito.

— Serão dois. — disse Barry no meu lado esquerdo.

Foquei na luta e vi Oliver trocar os pés de posição. Ele estava na ofensiva agora. Werner notou isso também, e puff. Um soco. Ele estava no chão segurando sua mandíbula com o rosto bem vermelho. A gritaria estava insuportável, mas eu vi a expressão de Ra's. Ele estava com os olhos brilhando. Orgulhoso, definia.

O juíz foi para o lado de Werner que estava a ponto de chorar. Oliver havia quebrado sua mandíbula com apenas um soco!

— Viu um soco. — vangloriou-se Caitlin para Barry que levantou o indicador e depois apontou para o ringue. A vitória de Oliver foi declarada e vários homens impediam as pessoas de invadirem o ringue. Werner se levantou segurando o queixo que estava em um ângulo estranho e foi até Oliver que estava de costas.

— Cuidado! — gritei bem alto e Oliver se virou em uma manobra perigosa, e deu um segundo soco no ar que foi em direção á Werner com perfeição. Assim que o rival caiu no tatame, Oliver olhou diretamente para mim.

— Dois socos! — exclamou Barry e Caitlin revirou os olhos com um sorriso.

O som pareceu se abafar e tudo se mover em uma velocidade super lenta. Oliver estava sem o protetor bocal e parecia surpreso ao me ver ali. Ele tirou suas luvas sem quebrar contato visual. Eu sorri levemente e levantei o punho em sinal de vitória. Ele abriu um sorriso de tirar o fôlego. Fiquei em uma espécie de transe. O filha da mãe ficava ainda mais bonito sorrindo.

— Felicity! O quebra-quebra vai começar. Nós temos que ir... — disse Caitlin ao meu lado estourando a minha bolha com Oliver. Ela me puxou levemente até a saída mais próxima quando eu vi todo mundo do lado de dentro começarem a brigar entre si mesmos. Homens e mulheres.

Os únicos conhecido perto eram Caitlin e Barry. O resto do pessoal havia sumido em meio a confusão. Segui Caitlin até a saída e percebi que Brad estava perto de nós também. Bem ao meu lado. Ele nos "escoltou" até o carro de Caitlin que parecia uma joaninha vermelha.

— Você perdeu, pode pagar. — disse Barry no volante. Caitlin entregou á ele, de muita má vontade, uma nota de vinte dólares.

— Ainda acho que você e Oliver combinam.

— Primeiro: Eu não conheço ele. Segundo: É tudo a ver com a estatística e o estudo do ser humano. — replicou Barry quando nos afastávamos daquela loucura. — Vertigo faz o tipo de cara que tem complexo de Deus. Juntamos isso á a última luta, que ele também perdeu, temos uma personalidade violenta e impulsiva. Era óbvio que ele iria querer acertar pelos menos um em Al Sah Him.

Caitlin apenas provocava Barry para ouvir ele tagarelando enquanto ela praticamente babava nele. Ignorei o papo de estatísticas e psicologia UFC e olhei pela janela. A Ducati preta cantou pneu ao nosso lado, montando nela... Oliver.

É claro que era ele. Só faltava a moto para completar o visual de bad boy. Ao ver ele disparar em um velocidade acima do limite lembrei de seu sorriso. Recostei no banco e suspirei.

Lindo, mas por que tão complicado?

Notas finais
Hmmm.. Felicity fugiu, e Oliver foi atrás? Como assim Donna foi quem deu no pé? Eu sei que á esta altura do campeonato já deveria ser os capítulos narrados por Oliver, mas eu esqueci deste detalhe e continuei a escrever na visão de Felicity como se fosse em TPN, mas nosso lutador volta no próximo capítulo, okay? E aí gostaram? Odiaram? Me digam! Comentem! Indiquem! Favoritem! Acompanhem! Recomendem! Outra fic_ https://fanfiction.com.br/historia/709830/The_Perfect_Nanny/ (Atualizada!) L.W