Extreme Love
6 Capítulo 6
Notas iniciais
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Cheio. Barulhento. Lotado. Sufocante. Claustrofóbico.
Essas eram apenas uma das palavras que poderiam descrever a tal boate que Helena havia me trazido. Eu fui abandonada por Dianna que estava na pista de dança com três caras diferentes e uma garota. A bebida me ajudou, claro... Mas eu não via nada de divertido no lugar. O vestido havia me ajudado, assim como o penteado solto e a maquiagem básica, eu me sentia linda. Mas não linda o bastante para aceitar as três primeiras cantadas que levei. A maioria dos caras estavam bêbados e bêbados não faziam o meu tipo. Não mesmo!
— Hey! Está se divertindo? — perguntou Helena chegando na nossa mesa. Ela estava com um vestido curtíssimo cheio de paetês e lantejoulas vermelhas e pretas. Fatal.
— Sim. — exclamei em resposta com entusiasmo convincente e virei um shot de tequila junto com ela.
Era meu quarto ou quinto? Não lembrava, mas me sentia bem.
— Se prepare para a melhor parte! — gritou ela e a boate inteira ficou escura e a música parou. Eu e Helena estávamos no bar que era na parte mais alta da boate, as pessoas estavam indo exatamente para direção oposta, gritando.
Um grande foco de luz se ascendeu em um círculo redondo. Era uma plataforma. As pessoas fizeram rodinha ao redor dela e Helena começou a gritar e assobiar também. Eu bebi mais um shot e gritei também. Se era para curtir, tinha que entrar no espírito.
— Senhoras e senhores.... Bem-vindo ao The Point!— gritou uma voz profunda e todos gritaram novamente. — Vocês esperaram por esta luta por tempo demais, esta espera acabou.
De duas portas opostas saíram dois homens. Oh Deus... Era uma boate e um clube de luta? Isso era legal? Não importava porque a multidão gritava e ovacionava os homens que caminhavam até a plataforma.
— Uhul! Vai Oliver! — gritou Helena e assobiou ainda mais.
Espere. O que? Segui seu olhar na multidão e vi o meu melhor e mais sexy pesadelo subindo na plataforma sem camisa. Por que infernos ele gostava de ficar com o peitoral de fora? Era desconcertante e constrangedor. Ele só estava usando um par de luvas acolcheadas e seu rosto... Ele parecia um animal caçando sua presa. Enquanto observava seu oponente, um ruivo que estava fazendo a multidão gritar mais, o sorriso no rosto de Oliver era maldoso. Ele parecia um anjo vingador, porém seu sorriso era sarcástico, humilhante... Muito ameaçador.
— Okay... Agora eu entendi a parte do assustador, ameaçador, etc. Continuo da opinião que ele é muito gostoso! — gritou Dianna brotando do meu lado.
Ouvi uma espécie de gongo e antes que o ruivo esticasse o braço para tentar um soco, ele foi ao chão. Um soco. Com apenas um soco, Oliver nocauteou o ruivo exibido.
— Uau! — gritou Dianna e eu vi Helena ir para o meio da multidão que nem uma louca. Eles tirariam um pedaço dela ali! — Quer chegar mais perto? Ele tem que te ver!
Eu ia negar, mas ela me puxou pelo braço e fomos em direção á multidão. Eles pulavam e vaiavam o ruivo que ainda não havia se levantado na plataforma. Um juiz foi até a borda e apontou para Oliver que ainda tinha sua expressão do mau no rosto.
Ele parecia estar querendo mais. Depois mais duas vitórias de Oliver, este que não precisou de mais do que três golpes para vencer, o dono do par de olhos azuis parecia estar se divertindo.
— Cuidado! — eu gritei entrando em pânico quando o quarto oponente estava indo até Oliver que estava de costas com um faca.
Ele pareceu me ouvir e desarmou o agressor rapidamente com o mesmo golpe que eu usei nele de manhã. Sorri com isso e Oliver me achou do meio da platéia ao lado de Helena e Dianna. Ele pareceu genuinamente surpreso ao me ver ali e antes de descer da plataforma, deslocou o braço do cara da faca sem dó e nem piedade.
— Ótimo, ele te viu e provavelmente vai querer saber o que está fazendo aqui... E é nesta hora que você foge e mantêm o interesse dele. — gritou Dianna quando a música recomeçou. As lutas, todas elas juntas, não duraram nem meia hora.
Helena sorriu e bateu as mãos com Dianna. Hey! Elas se conheciam?! Iria descobrir isso depois porque eu estava literalmente correndo entre as pessoas até o banheiro feminino. Assim que passei pela porta rosa, olhei o banheiro. Tinha duas garotas se beijando no canto, mas não pareciam ligar pela demonstração de anatomia. O banheiro tinha três cabines e um longo espelho na parede com três pias. As luzes eram de néon rosa e deixava o ambiente bem mais...
— Fe-li-ci-ty.— chamaram meu nome pausadamente e eu xinguei todos os nomes que eu conhecia mentalmente. Aquela voz parecia saborear cada sílaba do meu nome.
Era ele.
Merda.
Deveria ter ido embora mesmo.
Cacete.
Ele me achou.
Porra.
É claro que ele me acharia.
Me virei para Oliver e o encontrei do mesmo jeito que havia o visto, dois minutos atrás, só que sem as luvas. Percebi que suas mãos estavam bem machucadas e precisavam de uma compressa de gelo desesperadamente.
— O que está fazendo aqui? — perguntou ele pausadamente. A luz do néon só fazia seus olhos mais elétricos do que nunca.
— Vim dançar, beber e me divertir. Não necessariamente nesta ordem. — disse e observei que estávamos sozinhos e as duas meninas magicamente haviam ido embora sem que eu percebesse. — Este é o banheiro feminino, você não pode entrar aqui, Oliver!
Ele não se importou com a minha bronca e apenas observou meu rosto. Desviei de seu olhar e me encarei no espelho. A maquiagem estava intacta e o rubor no meu rosto era natural. Aquela coisa que eu havia sentido na Lanchonete dos Allen havia voltado com força total.
— Helena te trouxe aqui? — perguntou depois de um tempo calado.
— Aham. Eu e Dianna. Precisava sair um pouco e você... — eu disse me voltando para ele novamente. — Precisa sair. Este é o banheiro feminino.
— Não me importo com o banheiro, me importo que você esteja aqui. Em uma boate clandestina, sendo um alvo perfeito para qualquer homem. — disse ele e um de seus punhos fechou com força, mas ele não parecia se dar conta disso.
— Eu sou boa o bastante para me defender, você é o meu treinador! Deveria saber disso! — eu rebati e sua expressão se tornou dura.
— Você não está pronta para um confronto real. Precisa treinar. — disse ele entredentes e eu revirei os olhos.
Ele rosnou. Sim, rosnou. Percebi que nesta discussão havíamos nos aproximado mesmo que sem querer e conseguia sentir o calor de seu corpo vindo em ondas até o meu. Não. Não era calor. Era raiva... Ódio. Queimando dentro de Oliver.
— Eu vou embora então... — disse simplesmente e passei por ele, ele segurou meu braço facilmente e puxou. Meu peito bateu contra o dele e sua expressão não era tão ameaçadora agora. Os olhos misteriosos, mais iluminação, mais a quantidade absurda de tequila ajudavam muito... — Oliver, me deixe ir.
— Não.
— Como assim "Não"? — repliquei odiando a mim mesma por gostar de seu toque quente através do tecido da manga do vestido.
Ele levantou o queixo levemente e eu quis bater nele tão forte. Eu não deveria estar fazendo isso para um cara que é mais arrogante e egocêntrico que o próprio Donald Trump! Por mais que eu achasse ele lindo, educado, legal, gostoso e misterioso... Eu queria bater nele para tirar esta expressão de presunção da cara dele!
Argh!
— Não. — repetiu com a voz aveludada, como se estive convencendo uma criança á não fazer alguma artimanha que daria em merda.
Travamos uma batalha de olhares. Azul contra azul. Ele venceu. Parecia a única coisa que ele havia feito esta noite. Vencer. E o idiota brutamontes na minha frente sabia deste fato melhor do que ninguém. A música estava abafada e não aparecia nenhuma mulher que precisava fazer xixi, retocar a maquiagem, vomitar, dar á luz... Nada.
Em um movimento ágil e calculado, eu senti seus lábios tocarem os meus suavemente. Eram macios demais para serem de um homem rude e agressivo como ele. Ele se retraiu levemente e fechei meus olhos, no mesmo instante em que seus lábios voltaram contra os meus. Desta vez com mais ardor. Era avassalador.
Seus braços fecharam ao redor de minha cintura e me apoiei em seus braços. Estes que eram firmes, quentes e de pele sedosa. Como um cavalheiro, ele pediu passagem com sua língua e eu cedi.
O cenário mudou aí. De avassalador, carnal e cru se tornou em selvagem. Sim, selvagem descrevia bem. Pareciam várias facetas de Oliver em um único beijo e eu tive o gosto de sua personalidade. Passeei minhas mãos por seus braços e ombros como eu sempre quis desde o dia em que vi ele malhando em sua engenhoca e entrelacei minhas mãos atrás de seu pescoço.
Oliver também se tornou ousado e parecia querer conhecer meu corpo inteiro, em cada lugar que sua mão roçava de modo sutil, era deixado um rastro de chamas pelo corpo inteiro que iam diretamente lá embaixo. Nos separamos apenas quando o ar foi necessários e ele logo me beijou de novo.
Fui erguida facilmente pelas coxas e entrelacei minhas pernas ao redor de sua cintura em um encaixe perfeito. Não consegui segurar o gemido que escapou de meus lábios assim que nossos quadris se encontraram. Ele tinha uma baita de uma ereção ali. Eu não era a única afetada. A-há! Fui colocada em cima do gabinete das pias e senti as mãos quentes de Oliver se infiltrarem em minha saia... Isso ia contra tudo que eu pensava sobre sexo seguro, mas dane-se o sexo seguro quando se têm qualquer tipo de sexo com Oliver Queen.
A minha respiração era mais do que ofegante quando Oliver migrou seus beijos enlouquecedores para o meu pescoço, fazendo questão de deixar sua marca ali. Ele estava me marcando como sua. Sua? Só por esta noite.
— Eu estou dizendo, Floyd será meu ainda hoje!— disse uma voz feminina quebrando o clima completamente ao entrar no banheiro com companhia. — Opa. Pombinhos, tem cerca de quatro motéis perto daqui, usem eles!
— Carrie... — sibilou Oliver entredentes.
Eu empurrei Oliver levemente e desci da pia e me arrumei da velocidade da luz.
— Oliver? Sério? Banheiro da boate? Você pelo menos me levou para um quarto da última vez... — comentou uma ruiva com um batom vermelho. Na verdade, eu era a ridícula da vez. Sem olhar para trás, saí do banheiro e deixei Queen lá com suas amiguinhas nojentas e intrometidas.
Não parei até achar a saída mais próxima da boate. Não me importava com Helena ou Dianna, elas eram grandinhas e meu celular estava no meu sutiã. O ar frio de Central City bateu contra minha pele exposta e eu percebi o quanto de calor estava sentindo. Meu cérebro havia virado gelatina e eu sentia minhas pernas fracas demais.
— Felicity?— chamaram e eu dei graças á Deus por não ser Oliver.
Um rosto amigo e um sorriso simpático. Tommy Merlyn.
— Você está bem? — perguntou ao se aproximar.
Levantei um indicador e fiz uma rápida análise para responder sua pergunta.
— Não. Definitivamente não. — eu respondi e omiti os sintomas. A náusea estava dominando meu corpo, a tremedeira nas mãos, minhas pernas estavam fraquejando, o calor era insuportável, os lábios dormentes e a excitação entre minhas pernas não ajudava em nada, mas Tommy não precisava saber desta parte e muito menos que foi o seu amigo que me deixou deste jeito. Minha visão ficou levemente turva na borda dos olhos e eu gemi. — Na verdade acho que vou desmaiar.
— O que?! — o tom preocupado de Tommy foi a última coisa que eu ouvi antes da escuridão me levar embora. Para um lugar em que não era o banheiro feminino de uma boate clandestina em que eu quase transei com Oliver Queen.
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— Eu realmente não sei o que aconteceu com ela, mas com certeza tomou mais do que deveria... — murmurou uma voz distante.
— Mais do que deveria? Ela chapou legal! — exclamou outra voz.
— Não sabia onde ela morava então, trouxe ela para cá e te liguei. — disse a primeira voz distante. - O que fazemos?
— Esperamos ela acordar, enquanto isso vá dá um calmante para seu amigo. — disse a segunda voz.
Argh... Minha cabeça parecia ter sua própria orquestra de elefantes saltitantes particular. Eu acho que eu lambi areia. Minha boca estava super seca e árida, ou áspera? Eu não sabia a diferença agora e nem me importava.
Abri os olhos e encarei a suave penumbra que estava ao meu redor. A macia cama embaixo de mim era parte da mobília de um quarto bem masculino, que não era meu. Obviamente.
— Onde eu estou? — perguntei a mim mesma e olhei ao redor. A luz do banheiro da suíte estava acesa, eu conseguia ter uma boa visão do meu redor. Meu corpo inteiro estava rígido e doendo como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão.
Sentei-me na cama e vi meus sapatos ali. Não calçaria eles tão cedo. Fui até a porta branca tropeçando em meus próprios pés e cheguei á um corredor pequeno que se abria em um ambiente familiar. Sala de Tommy.
Ah! Tommy estava ali... E Sara, Dianna e Oliver?
— Lissy! — disse Dianna super feliz e eu apertei meu olhos com o timbre da sua voz se tornou sinos de igreja na minha cabeça. — Ela vai vomitar, vou ir ajudá-la.
Me vi sendo arrastada. Nós entramos no banheiro de Tommy que era uma mistura de azul escuro com branco e tinha um espelho enorme. Dianna fez eu sentar na tampa da privada e se agachou na minha frente. Parecia que a pequena lâmpada que iluminava o ambiente era o próprio Sol fritando minhas córneas.
Ah não... Eram as lentes. Usei elas por muito tempo.
— Eu vi como ele te encarou na boate, e também quando te seguiu para o banheiro feminino, e por último... Você saindo de lá com o batom borrado e a roupa amassada. — cochichou — Me atualize.
Puxei minhas memórias e elas vieram como um onda de sentimentos e vários tipos de confusão.
— Eu lembro de estar no banheiro e ele bancar o macho alfa para cima de mim, depois... Estávamos nos beijando e ele estava quase entrando dentro da minha calcinha. — eu disse coçando os olhos sem me importar com a maquiagem. Em meu punho saiu uma boa quantidade dela. — Oliver merecia qualquer tipo de sexo.
— Oh meu Deus! — exclamou Dianna sem se conter.
— Dianna? Está tudo bem? Ela está viva? — perguntaram os três do lado de fora ao mesmo tempo.
— Sim! Está tudo ótimo. — a ruiva despejou respostas enquanto me ajudava de modo hábil a levantar para lavar o rosto. — Sara, pegue os óculos de Felicity na minha bolsa.
Dianna foi carinhosíssima quando limpou a maquiagem com algodão e álcool gel que tinha no gabinete da pia. Minha pele pinicou um pouco, mas eu me senti limpa. A única parte difícil foi tirar as lentes... Minha mão ainda tremiam e eu cutuquei meu globo ocular mais do que um parente distantes cutucam uns aos outros no Facebook.
— Okay... Okay. Escute. Eles irão querer saber do que você se lembra, então fale que a última coisa que você se lembra foi beijar um cara. Diga qualquer nome, menos o do Gostosão. — disse Dianna e eu assenti.
Me olhei no espelho e meu aspecto parecia muito melhor. Eu estava pálida, mas minhas bochechas estavam coradas, assim como meus lábios e a pontinha do meu nariz. Meu corpo estava um pouco mais firme também. Dianna abriu a porta e demos de cara com os três de braços cruzados, um ao lado do outro.
— Acho que seu banheiro atraí garotas loiras e bêbadas, Tommy. — zombou Sara no meio dos dois homens.
O moreno riu da piada com humor negro, e eu apenas ignorei o olhar intenso de Oliver sobre mim. Sara me entregou meus óculos e quando os coloquei, parecia que tinha vindo ao mundo novamente. Tudo ganhou foco, nitidez e mais cor.
— Vamos sentar um pouco. — disse Dianna e todos fomos para a sala. A porta que ligava o apartamento de Tommy e Oliver estava aberta e eu podia ver a sua engenhoca.
Ignorei qualquer lembrança que veio a mim mente relacionado á ela.
— Vamos lá... Do que você se lembra? — perguntou Sara sentando ao meu lado no sofá, assim como Dianna do outro lado. Os homens ficaram em pé nos observando de braços cruzados.
— Ahm, você e Helena estavam dançando e bebendo ao mesmo tempo, aí do nada tudo ficou escuro... — eu disse enquanto em minha mente passava um pequeno filme do que havia acontecido. — Vários caras começaram a brigar entre si... Você era um deles?
Soei confusa olhando para Oliver que se limitou á assentir levemente. Eu assenti e balancei a cabeça. O pequeno sorriso discreto de Dianna me dizia que eu estava fazendo um ótimo trabalho. Eu era uma péssima mentirosa, mas meias-verdades são consideradas mentiras?
— Uma gritaria começou e eu fui para o banheiro feminino. — eu disse e vi Oliver trocar o peso de seu corpo para outra perna, desconfortável. — E tinha um cara lá...
— O cara do Cosmopolitan? — perguntou Dianna ao meu lado parecendo surpresa. — Vocês foram para o segundo round?
— O que? Não! — respondi encarando ela de olhos arregalados.
— O cara do Cosmopolitan foi o de Helena. O seu foi aquele cara, como o nome? Chad? Chris? — perguntou-se Dianna e eu vi que todos pareciam curiosos e Oliver estava com a mesma expressão fechada de sempre.
— Christian! — exclamei e Dianna assentiu. — Sim, ele. Não espera, ele foi antes das lutas. Eu beijei outro cara...
— Okay Felicity Beijoqueira, vamos passar a história á limpo depois. Agora você precisa dormir porque vai acordar com um mal humor desgraçado pela manhã... — disse Sara se levantando. Eu assenti e me levantei do sofá junto com Dianna que manteve um olhar orgulhoso. — Estou feliz pela sua noitada de sucesso, mas por favor pratique sexo seguro.
— Christian merecia qualquer tipo de sexo... — disse Dianna baixinho e eu corei e sorri maliciosa para ela quando ela recitou. Uma respiração longa foi tomada e dois suspiros satisfeitos foram expelidos. — Tommy pode emprestar uma blusa?
— Eu pego. — disse Oliver com a voz rouca e um dos punhos cerrados. Ele parecia querer se distanciar á qualquer custo.
Sara e Dianna começaram a conversar em voz baixa e Tommy se aproximou com um sorriso solidário. Ele era extremamente fofo, só faltava um par de covinhas para ser o pacote completo. Fingi me desequilibrar por um instante e Tommy me sustentou. Fechei meus olhos e fiz uma careta.
— Oh não... — disse baixinho. — Eu beij...
— Quem? Se lembrou? — perguntou Tommy com a voz serena e curiosa.
Abri meus olhos e encarei Oliver fixamente que voltava com uma blusa de moleton com capuz preta. Não tinha nenhum desenho ou adorno, era básica e genérica. Não chamava atenção. Bem... Oliver.
— Você... E você?! — balbuciou Tommy apontando primeiro para mim e depois para o amigo que pareceu entender tudo. Corei fortemente ao lembrar das sensações que Oliver me fez sentir e arranquei a blusa de suas mãos e corri para a saída.
Me apoiei na porta fechada e suspirei. Okay.
Agora a fuga. Você é super boa nisso.
Vesti o moleton e me deixei ser embriagada pelo cheiro forte, rico e amadeirado que ela trazia e quis fungar por toda sua extensão. Era quentinha. Olhei para baixo e encarei meus dedos que estavam com as unhas pintadas de um rosa chiclete.
Ah! Meus sapatos! Entrei no apartamento de novo e voltei no quarto de Tommy e agarrei meus sapatos junto ao peito.
— Preciso de uma carona... — eu disse sem olhar para ninguém e sim encarando um quadro abstrato vermelho e branco na parede.
— Eu levo. — disse Tommy animado levantando o braço como uma criança.
— Então vamos... — eu disse e puxei seu braço até a saída.
— Espere... Felicity! — chamou Oliver com a voz controlada.
— Depois! — gritei em resposta e joguei Tommy dentro do elevador junto com Dianna e Sara.
Quando estávamos chegando no térreo. Eles me olharam mais do que curiosos.
— Nós nos beijamos. — confessei e Tommy pareceu ganhar na loteria, quatro vezes.
— Foi bom?
— Sim, mas...
— É claro que foi bom. Meu garoto aprendeu direitinho. — replicou Tommy.
— Hey, mas...
— Grande merda Merlyn. Oliver é o que é hoje por natureza própria. — rebateu Sara empinando o nariz.
— Calem a boca! — disse Dianna e os dois pararam a estúpida discussão e me encararam querendo mais detalhes como duas velhas fofoqueiras. — Fale.
— Eu acho que topei com uma das famosas conquistas dele. Carrie. Ela e outras amiguinhas de Oliver nos pegaram no banheiro feminino. — eu disse e aquele "plin" que os elevadores fazem soou. — Já sei o que fazer agora.
— Como assim?
— Eu entendo muito bem de exs-namorados. Odeio eles. — eu disse caminhando até a saída atrás de Tommy. — Operação Cupido está sendo cancelada agora.
— O que?! — exclamou Dianna e Sara juntas.
Elas falaram juntas. Estavam bravas juntas. Que maravilha.
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